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	<title>Wiki - User contributions [en]</title>
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	<updated>2026-10-24T10:31:25Z</updated>
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		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._6_%E2%80%93_MANIFESTA%C3%87%C3%95ES_VISUAIS&amp;diff=11350</id>
		<title>Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS</title>
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		<updated>2011-08-08T19:04:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;;Noções sobre Aparições - Ensaio Teórico sobre as Aparições - Espíritos Glóbulos - Teoria da Alucinação &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;100.&#039;&#039;&#039; De todas as manifestações espíritas, as mais interessantes são sem dúvidas aquelas pelas quais os Espíritos podem se tornar mais visíveis. Pela explicação desse fenômeno veremos que ele, como os outros, nada tem de sobrenatural. Damos inicialmente as respostas dos Espíritos a respeito do assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos podem se tornar visíveis?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, sobretudo durante o sono. Entretanto, certas pessoas os vêem também no estado de vigília, mas isso é mais raro.           &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Enquanto o corpo repousa o Espírito se desprende dos laços materiais, fica mais livre e pode mais facilmente ver os outros Espíritos e entrar em comunicação com eles. O sonho é uma recordação desse estado. Quando não nos lembramos de nada, dizemos que não sonhamos, mas a alma não deixou de ver e de gozar da sua liberdade. Tratamos aqui mais particularmente das aparições no estado de vigília.&#039;&#039; – Sobre o estado do Espírito durante o sono ver nº 409 de O Livro dos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que se manifestam pela visão pertencem a uma determinada categoria?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Não; podem pertencer a todas as categorias, das mais elevadas às mais inferiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;É permitido a todos os Espíritos manifestarem-se visivelmente?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Todos o podem, mas nem sempre tem a permissão nem o desejo de fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;Com que fim os Espíritos se manifestam visivelmente?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso depende; segundo sua natureza, o fim pode ser bom ou mau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Como pode ser permitido, quando o fim é mau?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— É então para por à prova aqueles que os vêem. A intenção do Espírito pode ser má, mas o resultado pode ser bom.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;Qual o objetivo dos Espíritos que se fazem ver com má intenção?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Assustar e muitas vezes vingar-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Qual o objetivo dos Espíritos que aparecem com boa intenção?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Consolar os que lamentam a sua partida; provar-lhes que continuam a existir e estão perto deles; dar conselhos e algumas vezes pedir assistência para si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;Que inconveniente haveria em ser permanente e geral a possibilidade de ver os Espíritos? Não seria essa uma forma de tirar a dúvida aos mais incrédulos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Estando o homem constantemente cercado de Espíritos, o fato de vê-los sem cessar o perturbaria, constrangendo-o nas suas atividades, e lhe tiraria a iniciativa na maioria dos casos, enquanto, julgando-se só, pode agir com mais liberdade. Quanto aos incrédulos, dispõem de muitos meios para se convencerem, caso queiram aproveitá-los e se não estiverem cegos pelo orgulho. Sabes de pessoas que viram e nem por isso acreditam, pois dizem que se trata de ilusões. Não te inquietes por essa gente, de que Deus se encarrega.    &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Haveria tanto inconveniente de estarmos sempre na presença dos Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca ou as miríades de animais, microscópicos que pulam ao nosso redor. Do que devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9. &#039;&#039;&#039;Se a visão dos Espíritos tem inconvenientes, porque é permitida em alguns casos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Para dar uma prova de que nem tudo morre com o corpo e de que a alma conserva a sua individualidade após a morte. Essa visão passageira é suficiente para dar a prova e atestar a presença dos amigos ao vosso lado, não tendo os inconvenientes da visão incessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10. Nos mundos mais adiantados que o nosso a visão dos Espíritos é mais freqüente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quanto mais os homens se aproximam da natureza espiritual, mais facilmente entra em relação com os Espíritos. É a grosseria do vosso corpo que torna mais difícil e mais rara a percepção dos seres etéreos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:11. &#039;&#039;&#039;É racional assustar-se com a aparição de um Espírito?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Aquele que refletir a respeito há de compreender que um Espírito, seja qual for, é menos perigoso que um vivo. Os Espíritos, aliás, estão por toda parte e não tens a necessidade de vê-los para saber que podem estar ao teu lado. O Espírito que desejar prejudicar alguém pode fazê-lo sem ser visto, e até com mais segurança. Ele não é perigoso por ser Espírito, mas pela influência que pode exercer no pensamento do homem, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec&#039;&#039;&#039;: &#039;&#039;As pessoas que tem medo da solidão e do escuro, raramente compreendem a causa do seu pavor. Elas não saberiam dizer do que tem medo, mas certamente deviam recear-se mais de encontrar homens do que Espíritos, porque um malfeitor é mais perigoso em vida do que após a morte. Uma senhora de nosso conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma aparição tão bem definida que acreditou estar na presença de alguém e sua primeira sensação foi de pavor. Certificando-se de que ali não havia nenhuma pessoa, disse a si mesma: Parece que se trata apenas de um Espírito; posso dormir tranqüila&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:12. &#039;&#039;&#039;Aquele que vê um Espírito poderia conversar com ele?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Perfeitamente. E é justamente o que se deve fazer nesse caso, perguntando quem é o Espírito, o que deseja e o que se  pode fazer por ele. Se o espírito for infeliz e sofredor, o testemunho de comiseração o aliviará. Se for um Espírito benévolo, pode acontecer que tenha a intenção de dar bons conselhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:13. &#039;&#039;&#039;Como o Espírito poderia responder?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Às vezes falando, como uma pessoa viva; a maioria das vezes por uma transmissão de pensamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:14. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que aparecem com asas realmente as têm, ou essas asas são apenas uma aparência simbólica?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Os Espíritos não tem asas. Não precisam delas, pois podem transportar-se por toda parte como Espíritos. Aparecem dessa forma porque querem impressionar a pessoa a que se mostram. Uns aparecerão com suas roupas habituais, outros envolvidos em panos, alguns com asas, como atributo da categoria espiritual que representam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:15. &#039;&#039;&#039;As pessoas que vemos em sonho são sempre as que aparentam ser?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— São quase sempre as mesmas pessoas que o teu Espírito vai encontrar ou que te vêm encontrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:16. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos zombadores não poderiam tomar a aparência das pessoas que nos são caras e nos iludirem?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Tomam aparências fantasiosas para se divertirem a vossa custa, mas há coisas com as quais não lhes é permitido brincar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:17. &#039;&#039;&#039;Como o pensamento é uma espécie de evocação, compreende-se que possa atrair o Espírito. Mas por que, quase sempre, as pessoas em que mais pensamos, que ardentemente desejamos rever, jamais aparecem nos sonhos, enquanto vemos outras que não nos interessam e nas quais nunca pensamos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Os Espíritos nem sempre tem a possibilidade de manifestar-se visivelmente, mesmo em sonhos e apesar do desejo que tenhamos de vê-los. Causas independentes da sua vontade podem impedi-los. Quase sempre é também uma prova que o mais ardente desejo não pode afastar. Quanto às pessoas que não interessam, embora não penseis nelas, é possível que pensem em vós. Aliás, não podeis fazer uma idéia das relações no Mundo dos Espíritos, onde reencontrais uma multidão de conhecidos íntimos, antigos e novos, dos quais nem tendes a menor idéia quando acordados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Quando não há nenhum meio de controlar as visões ou aparições, podemos sem dúvida levá-las à conta de alucinações, mas quando elas são confirmadas pelos acontecimentos não poderíamos atribuí-las à imaginação. Essas são, por exemplo, as aparições do momento da morte, em sonho ou no estado de vigília, de pessoas em quem não pensávamos e que, por diversos sinais, revelam as circunstâncias absolutamente inesperadas do seu falecimento. Viram-se tantas vezes cavalos empinarem e empacarem diante de aparições que assustavam os cavaleiros. Se a imaginação é alguma coisa entre os homens, seguramente nada é para os animais. Aliás, se as imagens que vemos em sonho fossem sempre conseqüência das preocupações de vigília, nada explicaria o fato, tão freqüente, de jamais sonharmos com as coisas em que mais pensamos&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:18. &#039;&#039;&#039;Por que certas visões são mais freqüentes nas doenças?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Elas ocorrem igualmente no estado de perfeita saúde, mas na doença os laços materiais se afrouxam e a fraqueza do corpo deixa mais livre o Espírito, que entra mais facilmente em comunicação com outros Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:19. &#039;&#039;&#039;As aparições espontâneas parecem mais freqüentes em certas regiões. Alguns povos são mais bem dotados que outros para essas manifestações?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Fizeste um relatório geral das aparições? As aparições, os ruídos e todas as manifestações expandem-se igualmente por toda a Terra, mas apresentam características próprias segundo os povos em que se verificam. Entre estes, por exemplo, a escrita é pouco desenvolvida e não há médiuns escreventes; entre outros eles abundam; além disso há mais freqüência de manifestações ruidosas e de movimento de objetos que de comunicações inteligentes, porque estas são menos apreciadas e procuradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:20. &#039;&#039;&#039;Por que as aparições se verificam mais à noite?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pela mesma razão que vês as estrelas à noite e não em pleno dia. A claridade intensa pode ofuscar uma aparição delicada. Mas é errôneo supor que a noite tenha algo de especial para isso. Interpela todos os que as viram, e constatarás que a maioria ocorre de dia.    &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Os fenômenos de aparição são muito mais freqüentes e gerais do que se pensa, mas muitas pessoas não os revelam por medo do ridículo e outras os atribuem à ilusão. Se parecem mais abundantes em certos povos é porque esses conversam mais cuidadosamente as tradições verdadeiras ou falsas, quase ampliadas pelo fascínio do maravilhoso, a que se o aspecto das localidades se presta mais ou menos. A credulidade faz ver, então, efeitos sobrenaturais aos fenômenos mais vulgares; o silêncio da solidão, o escapamento dos caminhos, o rumorejar das florestas, o estrépito das tempestades, o eco das montanhas, a forma fantástica das nuvens, as sombras, as miragens, tudo enfim se presta à ilusão das imaginações simples e ingênuas, que propagam de boa fé aquilo que viram ou que acreditam ter visto. Mas ao lado da ficção há o real,que o estudo sério do Espiritismo consegue livrar dos acessórios ridículos da superstição&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:21. &#039;&#039;&#039;A visão dos Espíritos ocorre no estado normal ou somente durante o êxtase?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode ocorrer em condições perfeitamente normais; entretanto, as pessoas que os vêem estão quase sempre num estado especial, próximo do êxtase que lhes dá uma espécie de dupla vista. (Ver O Livro dos Espíritos, nº 447)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:22. &#039;&#039;&#039;Os que vêem os Espíritos o fazem com os olhos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eles pensam que sim, mas na realidade é a alma que vê. A prova é que podem vê-los de olhos fechados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:23. &#039;&#039;&#039;Como o Espírito pode tornar-se visível?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— O princípio é o mesmo de todas as manifestações e está nas propriedades do perispírito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:24. &#039;&#039;&#039;O Espírito propriamente dito pode fazer-se visível ou só o faz com a ajuda do perispírito?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Na vossa situação material o Espírito só pode manifestar-se com a ajuda do seu invólucro semimaterial. É este o intermediário pelo qual eles agem sobre os vossos sentidos. Graças a esse invólucro é que eles aparecem algumas vezes com a forma humana ou outra qualquer, seja nos sonhos ou no estado de vigília, assim a plena luz como na obscuridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:25. &#039;&#039;&#039;Poderíamos dizer que é pela condensação do fluido do perispírito que o Espírito se torna visível?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Condensação não é o termo. Trata-se apenas de uma comparação que pode ajudar a compreender o fenômeno, pois não há realmente uma condensação. Pela combinação dos fluidos produz-se no perispírito uma disposição especial, sem possibilidade de analogia para vós, e que o torna perceptível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:26. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que aparecem são sempre inacessíveis ao fato e não podemos pegá-los?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  No estado normal de Espíritos não podemos pegá-los, como pegamos os sonhos. Não obstante, podem impressionar o nosso tato e deixar sinais de sua presença. Podem mesmo, em alguns casos, tornarem-se momentaneamente tangíveis, o que prova a existência de matéria entre eles e vós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:27. &#039;&#039;&#039;Todos são aptos a ver os Espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Durante o sono, todos. Mas não quando estão acordados. No sono, a alma vê diretamente; quando estais acordados ela sofre em maior ou menor grau a influência dos órgãos. Eis porque as condições não são as mesmas nos dois casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:28. &#039;&#039;&#039;Como podemos ver os Espíritos em estado de vigília?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso depende do organismo, da facilidade maior ou menor do fluido do vidente de se combinar como o do Espírito. Assim, não basta o espírito querer mostrar-se; é também necessário que a pessoa a quem se quer mostrar tenha a aptidão para vê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:29. &#039;&#039;&#039;Essa faculdade pode desenvolver-se pelo exercício?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode, como todas as outras faculdades. Mas é daquelas cujo desenvolvimento natural é melhor do que o provocado, quando corremos o risco de superexcitar a imaginação. A visão geral e permanente dos espíritos excepcional e não pertence às condições normais do homem.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:30. &#039;&#039;&#039;Pode-se provocar a aparição dos espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode-se algumas vezes, mas muito raramente. Ela é quase sempre espontânea. Para provocá-la é necessário que se possua uma faculdade especial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:31. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos podem fazer-se visíveis com outra aparência, além da humana?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— A forma humana é a sua forma normal. O Espírito pode variá-la na aparência, mas conservando sempre o tipo humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:32. &#039;&#039;&#039;Não podem manifestar-se com a forma de flamas?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Podem produzir flamas, clarões, como qualquer outro efeito para demonstrar a sua presença, mas essas coisas não são o próprio Espírito. A flama é quase sempre apenas um efeito óptico ou uma emanação do perispírito. Em todos os casos é somente uma parte do perispírito, que só aparece inteiramente nas visões.(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:33. &#039;&#039;&#039;Que pensar da crença que os fogos fátuos são almas ou Espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Superstição, produzida pela ignorância. A causa física dos fogos fátuos é bem conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:34. &#039;&#039;&#039;A chama azul que apareceu sobre a cabeça de Servius Tullius, na infância, foi real ou, apenas uma lenda?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::- Era real, produzida pelo Espírito Familiar que desejava advertir a mãe. Esta, médium vidente, percebeu uma irradiação do Espírito protetor de seu filho. Os médiuns videntes variam de grau no tocante à percepção, como os médiuns escreventes variam na escrita. Enquanto essa mãe via uma chama outro médium poderá ver o próprio Espírito.(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:35. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos poderiam se apresentar com a forma de animais?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isto pode acontecer, mas são sempre Espírito inferiores os que tomam essas aparências. Mas seriam sempre, em todos os casos, aparências passageiras, pois seria absurdo acreditar que um animal pudesse ser a encarnação de um Espírito. Os animais são sempre animais e nada mais do que isso.(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Somente a superstição pode levar a crer que certos animais são encarnações de Espíritos. É necessário ter uma imaginação muito condescendente ou muito impressionável para ver algo de sobrenatural nas atitudes às vezes um pouco estranhas que eles tomam, mas o medo freqüentemente faz ver aquilo que não existe. Aliás o temor nem sempre é a fonte dessa idéia. Conhecemos uma senhora, por sinal muito inteligente, que estimava demais um gato preto, acreditando que ele possuía uma natureza super animal. Nunca, entretanto ouvira falar de Espiritismo. Se o tivesse conhecido, compreenderia o ridículo da causa de sua predileção, pois a doutrina lhe provaria a impossibilidade dessa metamorfose.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;101.&#039;&#039;&#039; As manifestações mais comuns de aparições ocorrem durante o sono, pelos sonhos: são as visões. Não podemos examinar aqui todas as particularidades que os sonhos podem apresentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resumiremos dizendo que eles podem ser: uma visão atual de coisas presentes ou distantes; uma visão retrospectiva do passado; e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Freqüentemente são também quadros alegóricos que os Espíritos nos apresentam como úteis advertências ou salutares conselhos, quando são Espíritos bons; ou para nos enganarem e entreterem as nossas paixões, se são Espíritos imperfeitos. A teoria abaixo se aplica aos sonhos, como a todos os outros casos de aparições. (Ver O Livro dos Espíritas, nº 400 e seguintes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não ofenderemos o bom senso dos leitores refutando o que há de absurdo e ridículo no que vulgarmente se chama de interpretação dos sonhos(5)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;102.&#039;&#039;&#039; As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes aos do Espírito quando encarnado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podendo tomar toda as aparências, o Espírito se apresenta com aquela que melhor o possa identificar, se for esse o seu desejo. Assim, embora não tenha, como Espírito, nenhum defeito corporal, ele se mostra estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para identificá-lo. Esopo, por exemplo, não é disforme como Espírito,mas se o evocamos como Esopo, por mais existências posteriores que tenha tido, aparecerá feio e corcunda, com seus trajes tradicionais. Uma particularidade a notar é que, exceto em circunstâncias especiais, as partes menos precisas da aparição são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco, os braços e as mãos aparecem nitidamente. Assim, não os vemos quase nunca andar, mas deslizar como sombras. Quanto às vestes, ordinariamente se constituem de um planejamento que termina em longas pregas flutuantes. São essas, em resumo, acrescentadas por uma cabeleira ondulante e graciosa, as características da aparência dos Espíritos que nada conservam da vida terrena. Mas os Espíritos comuns, das pessoas que conhecemos, vestem-se geralmente como o faziam nos últimos dias de sua existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há os que muitas vezes se apresentam com símbolos da sua elevação, como uma auréola ou asas, pelo que são considerados anjos. Outros carregam instrumentos que lembram suas atividades terrenas: assim um guerreiro poderá aparecer com uma armadura, um sábio com seus livros, um assassino com seu punhal, e assim por diante. Os Espíritos superiores apresentam uma figura bela, nobre e serena. Os mais inferiores têm algo de feroz e bestial, e algumas vezes ainda trazem os vestígios dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram. O problema das vestes e dos objetos acessórios é talvez o mais intrigante. Voltaremos a tratar disso num capítulo especial, porque ele se liga a outras questões muito importantes.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;103.&#039;&#039;&#039; Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem aço, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes a distinguem. Eles as vêem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar idéias, influenciá-la, quando são Espíritos bons, zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiverem. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim esse mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o perceber, como vivemos entre a miríades de seres do mundo microscópico. A revelação do mundo dos infinitamente pequenos, de que não suspeitávamos, foi feita pelo microscópio; o Espiritismo, servindo-se dos médiuns videntes, nos revelou o mundo dos Espíritos, que é também uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes pudemos estudar o mundo invisível, iniciar-nos nos seus hábitos, como um povo de cegos poderia estudar o mundo dos que vêem com o auxílio de algumas pessoas que gozassem da faculdade da visão. (Ver adiante, no cap. XIV; Dos Médiuns, o tópico referente aos médiuns videntes.)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
104. O Espírito que deseja ou pode aparecer reveste algumas  vezes uma forma ainda mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita  e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvaecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se pudéssemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a ocorrência de uma aparição simplesmente visual, a dúvida já não é mais possível quando a podemos pegar, e quando ela mesma nos seguras e abraça. As aparições tangíveis são as mais raras. Mas as que tem havido nestes últimos tempos, pela influência de alguns médiuns potentes(6), inteiramente autenticadas por testemunhos irrecusáveis, provam e explicam os relatos históricos sobre as pessoas que reaparecem após a morte com todas as aparências da realidade. De resto, como já acentuamos, por mais extraordinários que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se compreende que, longe de representarem uma derrogação das leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação dessas leis.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;105.&#039;&#039;&#039; O perispírito, por sua própria natureza, é invisível no estado normal. Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem e que jamais vimos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas ele pode também, à semelhança de certos fluidos por modificações que o tornem visível, seja por uma espécie de condensação ou por uma mudança em suas disposições moleculares, e é então que nos aparece de maneira vaporosa. A condensação pode chegar ao ponto de dar ao perispírito as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que pode instantaneamente voltar ao seu estado etéreo e invisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(É necessário não tomar ao pé da letra a palavra condensação, pois só a empregamos por falta de outra e como simples recurso de comparação.) Podemos entender esse processo ao compará-lo ao do vapor, que pode passar da invisibilidade a um estado brumoso, depois ao líquido, a seguir ao sólido e vice-versa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses diversos estados do perispírito, entretanto, resultam da vontade do Espírito e não de causas físicas e exteriores, como acontece com os gases. O Espírito nos aparece quando deu ao seu perispírito a condição necessária para se tornar visível. Mas a simples vontade não basta para produzir esse efeito, porque a modificação do perispírito se verifica mediante a sua combinação com o fluido específico do médium. Ora, essa combinação nem sempre é possível, e isso explica por que a visibilidade dos Espíritos não é comum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é suficiente que o Espírito queira aparecer, nem apenas que uma pessoa o queira ver é necessário que os fluidos de ambos possam combinar-se, para o que tem de haver entre eles uma espécie de afinidade. É necessário ainda que a emissão de fluido da pessoa seja abundante para operar a transformação do perispírito, e provavelmente há outras condições que desconhecemos. Por fim, é preciso que o Espírito tenha a permissão de aparecer para aquela pessoa, o que nem sempre lhe é concebido, ou pelo menos não o é em certas circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar.(7)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;106.&#039;&#039;&#039; Outra propriedade do perispírito é a penetrabilidade, inerente à sua natureza etérea. Nenhuma espécie de matéria lhe serve de obstáculo: ele atravessa a todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Não há pois, meios de impedir a entrada dos espíritos, que vão visitar o prisioneiro em sua cela com a mesma facilidade com que visitam um homem no meio do campo.(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;107.&#039;&#039;&#039; As aparições no estado de vigília não são raras nem constituem novidade. Verificam-se em todos os tempos. A História oferece-nos grande número de casos. Mas sem remontar ao passado, encontramo-las com freqüências nos nossos dias. Muitas pessoas as tiveram e as tomaram, no primeiro instante, pelo que se convencionou chamar de alucinações. São freqüentes sobretudo nos casos de morte de pessoas distantes, que vêm visitar parentes e amigos. Muitas vezes não tem um objetivo claro, mas podemos dizer que em geral os Espíritos que assim aparecem são atraídos por simpatia. Que examine cada um as suas lembranças e verá que são poucos os que não conhecem fatos dessa espécie, cuja autenticidade não se poderia por em dúvida.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;108.&#039;&#039;&#039; Acrescentaremos às considerações precedentes o exame de alguns efeitos ópticos que deram lugar ao estranho sistema dos Espíritos glóbulos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem sempre o ar está inteiramente límpido. É então que as correntes de moléculas aeriformes e sua movimentação, produzida pelo calor, se tornam perfeitamente visíveis. Algumas pessoas tomaram isso por  conjuntos de Espíritos agitando-se no espaço. Basta-nos mencionar esta opinião para a refutar. Mas há outra espécie de ilusão, não menos bizarra, contra a qual se deve também precaver.           &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O humor aquoso dos olhos tem alguns pontos mal perceptíveis que perderam algo de sua transparência. Esses pontos são como corpos opacos em suspensão no líquido que os movimenta. Eles projetam no ar ambiente e à distância, aumentados pela refração, pequenos discos aparentes, de um a dez milímetros de diâmetro, que parecem nadar da atmosfera. Vimos pessoas tomarem esses discos por Espíritos que as seguiam por toda parte, e no seu entusiasmo vêem figuras nas nuanças da irisação, o que é quase o mesmo que ver uma figura na Lua. Bastaria uma simples observação, feita por elas mesmas, para reconduzi-las à realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses discos ou medalhões, dizem elas, além de acompanhá-las repetem os seus movimentos: vão para a direita e para esquerda , para cima e para baixo, segundo elas movem a cabeça. Isso nada tem de estranho, desde que os discos são projetados pelo globo ocular e devem naturalmente obedecer aos seus movimentos. Se fossem Espíritos, deveriam estar adstritos a um movimento demasiado mecânico para seres inteligentes e livres. Papel, aliás, bem cansativo, mesmo para Espíritos inferiores, e com mais forte razão incompatível com a idéia que fazemos dos Espíritos superiores. É verdade que alguns tomam por maus Espíritos os pontos negros ou moscas amauróticas.(9)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os discos, assim como as manchas negras, têm um movimento ondulatório restrito a um certo ângulo, e o que aumenta a ilusão é que eles não seguem bruscamente os movimentos da linha visual. A razão é muito simples. Os pontos opacos do humor aquoso, causa primeira do fenômeno, estão em suspensão no líquido e tendem a descer. Sobem com o movimento dos olhos,mas atingindo certa altura, se fixamos o olhar vemos os discos descerem por si mesmos e depois pararem. Sua mobilidade é extrema, pois basta um movimento imperceptível do olho para mudá-los de direção e fazê-los percorrer rapidamente toda a amplitude do arco, no espaço em que a imagem se produz. Enquanto não se provar que essa imagem tem movimento próprio, espontâneo e inteligente, só se pode ver nisso um fenômeno óptico e fisiológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acontece o mesmo com as centelhas produzidas pela contração dos músculos dos olhos, que aparecem em feixes mais ou menos compactos, e que são provavelmente devidos à eletricidade fosforescente da íris, pois em geral se circunscrevem ao círculo desse disco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semelhantes ilusões só podem resultar de observação imperfeita. Quem tiver seriamente estudado a natureza dos Espíritos, através dos meios oferecidos pela prática doutrinária, compreenderá quanto elas tem de pueril.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como combatemos as teorias temerárias com as quais atacam as comunicações, pois que decorrem da ignorância dos fatos, também devemos procurar destruir as idéia falsas que decorrem mais do entusiasmo do que da reflexão, e que por isso mesmo produzem mais mal do que bem junto aos incrédulos, já naturalmente dispostos a procurar o lado ridículo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;109.&#039;&#039;&#039; O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. Seu conhecimento nos deu a chave de numerosos fenômenos, permitindo um grande avanço à Ciência Espírita e fazendo-a entrar numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, – pois é explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação dos corpos inertes, dos ruídos e das aparições. Nele encontraremos a explicação de muitos outros fenômenos ainda por examinar, antes de passar ao estudo das comunicações propriamente ditas. Tanto as compreenderemos, quanto mais nos inteirarmos de suas causas fundamentais. Se bem compreendermos esse princípio, facilmente poderemos aplicá-lo aos diversos fatos que se apresentar à observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;110.&#039;&#039;&#039; Longe de nós considerar a teoria que apresentamos como absoluta e como sendo a última palavra na questão. Ela será sem dúvida completada ou retificada mais tarde através de novos estudos. Mas por mais incompleta ou imperfeita que hoje se apresente, pode sempre ajudar a se compreender a possibilidade dos fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se for uma hipótese, não se lhe pode entretanto negar o mérito da racionalidade e da probabilidade, e que vale tanto quanto todas as explicações tentadas pelos negadores para provar que tudo não passa de ilusão, fantasmagoria e evasiva nos fenômenos espíritas.(10)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;TEORIA DA ALUCINAÇÃO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;111.&#039;&#039;&#039; Os que não admitem a existência do mundo incorpóreo e invisível pensam tudo explicar pela palavra alucinação. A definição dessa palavra é conhecida: quer dizer um engano, uma ilusão de quem pensa ter percepções que na realidade não tem (do latim allucinari, errar, formado de ad lucem). Mas os sábios ainda não deram, que o saibamos, a sua razão fisiológica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Óptica e a Fisiologia não tendo mais segredos para eles, ao que parece, como não puderam explicar ainda a natureza  e a origem das imagens que se apresentam ao Espírito em determinadas circunstâncias? Eles querem tudo explicar pelas leis da matéria. Que o façam, mas que dêem, através dessas leis, uma teoria da alucinação. Boa ou má, seria pelo menos uma explicação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;112.&#039;&#039;&#039; A causa dos sonhos não foi jamais explicada pela Ciência. Ela os atribui a um efeito da imaginação, mas não nos diz o que é a imaginação, nem como ela produz essas imagens tão claras e nítidas que às vezes nos aparecem. Isso é explicar uma coisa desconhecida por outra que não o é menos. Tudo fica na mesma.(11)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem tratar-se de uma lembrança das preocupações do estado de vigília. Mas, mesmo admitindo esta solução, que nada resolve, restaria saber qual é esse espelho mágico que conserva assim a impressão das coisas. Como explicar sobretudo as visões reais jamais vistas no estado de vigília, e nas quais jamais se pensou? Só o Espiritismo nos pode dar a chave desse estranho fenômeno que passa despercebido por ser muito comum, como todas as maravilhas da Natureza que menosprezamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os sábios não quiseram ocupar-se com a alucinação, mas quer seja real ou não, trata-se de um fenômeno que a Fisiologia deve poder explicar, sob pena de confessar a sua incompetência. Se um dia um sábio resolver dar, não uma definição, mas, uma explicação fisiológica desse fenômeno, teremos de ver se a teoria resolve todos os casos, se não omite os fatos tão comuns de aparições de pessoas no momento da morte, se esclarece à razão da coincidência da aparição com a morte da pessoa. Se fosse um fato isolado poder-se-ia atribuí-lo ao caso, mas como é bastante freqüente o acaso não o explica. Se aquele que viu a aparição houvesse tido a idéia de que a pessoa estava para morrer, ainda bem. Mas aparição é na maioria das vezes da pessoa de quem menos se pensa: a imaginação, portanto, nada tem com isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda menos se pode explicar pela imaginação o conhecimento das circunstâncias da morte, de que nada se sabia. Os partidários da alucinação dirão que a alma (se é que admitem a alma) tem momentos de superexcitação em que as suas faculdades são exaltadas? Estamos de acordo, mas quando o que ela vê é real, não se trata de ilusão. Se na sua exaltação a alma vê à distância, é que ela se transporta, e se a nossa alma pode se transportar, por que a da outra pessoa não se transportaria para nos ver? Que na sua teoria da alucinação queiram levar em conta esses fatos, não se esquecendo de que uma teoria a que se podem opor fatos que a contrariem é necessariamente falsa ou incompleta. Enquanto esperamos a sua explicação, vamos tentar emitir algumas idéias a respeito.(12)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;113.&#039;&#039;&#039; Os fatos provam que há aparições verdadeiras, que a teoria espírita explica perfeitamente, e que só podem negar os que nada admitem fora do organismo. Mas ao lado dessas visões reais existem alucinações, no sentido que se dá à palavra? Não se pode duvidar. Qual a sua origem? São os Espíritos que nos colocam na pista, pois a explicação nos parece estar inteira nas respostas às seguintes perguntas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:113 a. &#039;&#039;&#039;As visões são sempre reais, ou são algumas vezes efeitos da imaginação? Quando vemos em sonho, ou de outra maneira, o Diabo ou outras coisas fantásticas, que portanto não existem não se trata apenas de imaginação?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Sim, algumas vezes, quando a pessoa está chocada por certas leituras ou por estórias de feitiçaria, lembra-se delas e acredita ver o que não existe. Mas já dissemos também que o Espírito, através do seu envoltório semimaterial, pode tomar todas as formas para se manifestar. Um Espírito brincalhão pode aparecer com chifres e garras, se o quiser, para zombar da credulidade, como um Espírito bom pode aparecer de asas e de maneira radiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:113 b. &#039;&#039;&#039;Podem-se considerar como aparições os rostos e outras imagens que muitas vezes se mostram quando cochilamos ou simplesmente quando fechamos os olhos?&#039;&#039;&#039;     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quando os sentidos se entorpecem o Espírito se libera e pode ver, perto ou à distância, o que não podia ver com os olhos. Essas imagens quase sempre são visões, mas podem ser também o efeito de impressões que a vista de certos objetos deixou no cérebro, que conserva os seus traços como conserva os sons. O Espírito liberto vê então no seu próprio cérebro as impressões ali fixadas como numa chapa fotográfica. A variedade e a mistura dessas impressões formam conjuntos bizarros e fugitivos, que se esfumam quase imediatamente, malgrado os esforços que se façam para retê-los. É a uma causa semelhante que se devem atribuir certas aparições fantásticas que nada tem de real e se produzem freqüentemente nas doenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Admite-se que a memória é o resultado das impressões conservadas pelo cérebro. Mas por que estranho fenômeno essas impressões tão variadas e múltiplas não se confundem? Eis um mistério impenetrável, mas não mais estranho que o das ondas sonoras que se cruzam no ar e se conservam distintas. Num cérebro são e bem organizado essas impressões são nítidas e precisas; num estado menos favorável se diluem e se confundem; daí a perda de memória ou a confusão de idéias. Isso parece menos estranho quando se admite, como na frenologia, uma destinação especial para cada parte e mesmo para cada fibra do cérebro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As imagens transmitidas ao cérebro pelos olhos deixam ali a sua impressão, que permite lembrar-se de um quadro como se ele estivesse presente, embora se trate de uma questão de memória, pois nada se vê. Ora, num estado de emancipação a alma pode ver o cérebro e nele reencontra essas imagens, sobretudo as que mais a tocaram, segundo a natureza das suas preocupações ou disposições íntimas. É assim que reencontra a impressão das cenas religiosas, diabólicas, dramáticas, mundanas, das figuras de animais bizarros que viu outrora em pintura ou ouviu em narrações, porque estas deixam também as suas impressões. Assim, a alma vê realmente, mas apenas uma imagem fotográfica no cérebro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No estado normal essas imagens são fugitivas, efêmeras, porque todas as sessões cerebrais funcionam livremente. Mas na doença o cérebro se enfraquece, desaparece o equilíbrio geral dos órgãos cerebrais, somente alguns se mantêm ativos enquanto outros de certa maneira são paralisados. Decorre disso permanência de certas imagens que não se esvaem, como no estado normal, com as preocupações da vida exterior. Essa a verdadeira alucinação e a causa primária das idéias fixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, explicamos essa anomalia por uma lei fisiológica muito conhecida, que é a das impressões cerebrais. Mas foi sempre necessário fazer intervir a alma. Ora se os materialistas ainda não puderam dar uma solução satisfatória desse fenômeno é por não quererem admitir a alma. Por isso dirão que a nossa explicação é má, pois nos apoiamos num princípio que é contestado. Mas contestado por quem? Por eles, e admitido pela imensa maioria, desde que há homens na Terra. A negação de algumas não pode constituir-se em lei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa explicação é boa? Damo-la pelo que possa valer na falta de outra, e, se quiserem, a título de simples hipótese, à espera de melhor. Como está, pode explicar todos os casos de visões? Certamente não mas desafiamos todos os fisiologistas a apresentarem um que, segundo as suas opiniões exclusivas, expliquem todos. Porque nada apresentam quando pronunciam as palavras sacramentais de superexcitação e exaltação. Pois se todas as teorias sobre a alucinação são insuficientes para explicar todos os fatos, é que há no caso algo mais do que a alucinação propriamente dita. Nossa teoria seria falsa se a aplicássemos a todos os casos de visões, pois alguns poderiam contradizê-la. Pode ser justa, se aplicada a apenas alguns efeitos.(13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) O respeito às leis naturais é um dos princípios espíritas. A mediunidade, como todas as faculdades humanas, deve desenvolver-se normalmente, nunca de maneira forçada. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) O perispírito só aparece integral nas visões, compreendendo-se o termo visões como manifestações visuais do Espírito em corpo inteiro. Nas outras formas de manifestações ele apenas projeta as imagens que deseja, como nesse caso das chamas. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Servius Tullius, sexto rei de Roma (578-534 a.C.) nasceu escravo de Tarquínio Prisco, que o fez educar, e sucedeu a ele no trono por decisão popular. Ampliou Roma, aumentou suas muralhas, estruturou as classes e realizou grandes obras. Era um predestinado. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4)  Essa afirmação não contraria o princípio espírita da evolução. Pelo contrário, o endossa, mostrando apenas que o Espírito (a palavra escrita assim, com “E” maiúsculo, representa o ser espiritual do homem) não pode encarnar no reino animal. Ver Metempsicose, nº 611 a 613 de O Livro dos Espíritos.(N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Kardec se refere à arte vulgar de interpretação dos sonhos e não aos processos psicológicos hoje empregados na terapêutica. Quanto a esses processos, referem-se apenas a um aspecto dos sonhos, realmente significativo do ponto de vista psicológico, mas muitas vezes mal interpretado, por falta de visão de conjunto e que escolas como a de Karl Jung já procuram atingir. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Entre outros, o Dr. Home. (A esta nota de Kardec devemos acrescentar os fatos atuais constantes de experiências e observações parapsicológicas. Ver, entre outros. Canais Ocultos da Mente de Louisa Rhine). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Entre esses motivos figuram as condições da prova por que passam a pessoa ou o Espírito, os inconvenientes emocionais para a pessoa, as complicações familiais que poderia resultar e assim por diante. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) As pesquisas parapsicológicas da atualidade confirmam plenamente essa explicação. A escola do Rhine sustenta a inexistência de barreiras físicas para a transmissão do pensamento e a percepção à distância e a escola russa tentou em vão provar o contrário. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Moscas amauróticas são pontos negros que aparecem na visão por motivo de atrofia do nervo óptico, produzindo cegueira parcial ou total sem prejuízo do globo ocular. Amaurose ou gota-serena. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10) A posição de Kardec é inegavelmente científica. Essa teoria do perispírito não foi desmentida nestes cem anos. Pelo contrário, as hipóteses psicológicas atuais confirmam essa teoria no campo da Parapsicologia. Vejam-se as hipóteses de Carington sobre as estruturas de sensas e psicons, as de Soal, Broad, Tishner e outros. (N. do T.)   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(11) As explicações atuais ainda são incompletas. Somente com as pesquisas parapsicológicas a Ciência começou a avançar, recentemente, no rumo certo que o Espiritismo indicou há mais de um século: às razões psicofisiológicas é necessário acrescentar as espirituais. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(12) Kardec já mostrava, há cem anos, a insuficiência das hipóteses do inconsciente excitado com que ainda hoje alguns adversários, travestidos de parapsicólogos, tentam explicar fenômenos tipicamente espirituais. Veja-se a precisão da frase: a alma tem momentos de superexcitação em que as suas faculdades são exaltadas. Os teóricos atuais, ainda confirmando a previsão de Kardec, referem-se à mente, procurando excluir a alma dos fenômenos para não dar margens às interpretações espíritas. Mas a verdade é que as teorias deste livro estão sendo confirmadas dia a dia nas pesquisas parapsicológicas, queiram ou não queiram os contraditores. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(13) As teorias atuais da alucinação referem-se em geral a alterações do sistema nervoso, com excitação dos neurônios sensoriais, especialmente os da visão e da audição. Insiste-se na explicação fisiológica de todos os casos. Mas a recente aceitação científica dos fenômenos paranormais abriu perspectivas nesse campo. Os casos referidos por Kardec são aceitos como de natureza extrafísica por toda a escola psicológica de Rhine e mesmo as escolas fisiológicas admitem a veracidade das percepções à distância, da transmissão do pensamento, das previsões e da retrocognição ou visão do passado. Pratt e outros, nos Estados Unidos, pesquisam com o nome de fenômenos theta os casos de comunicação espírita. A alma, como afirma Kardec, mostra-se novamente indispensável à formulação de uma teoria satisfatória da alucinação. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._6_%E2%80%93_MANIFESTA%C3%87%C3%95ES_VISUAIS&amp;diff=11349</id>
		<title>Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS</title>
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		<updated>2011-08-08T18:58:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;;Noções sobre Aparições - Ensaio Teórico sobre as Aparições - Espíritos Glóbulos - Teoria da Alucinação   &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;100.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; De todas as manifestações espíritas, as mais in…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;;Noções sobre Aparições - Ensaio Teórico sobre as Aparições - Espíritos Glóbulos - Teoria da Alucinação &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;100.&#039;&#039;&#039; De todas as manifestações espíritas, as mais interessantes são sem dúvidas aquelas pelas quais os Espíritos podem se tornar mais visíveis. Pela explicação desse fenômeno veremos que ele, como os outros, nada tem de sobrenatural. Damos inicialmente as respostas dos Espíritos a respeito do assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos podem se tornar visíveis?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, sobretudo durante o sono. Entretanto, certas pessoas os vêem também no estado de vigília, mas isso é mais raro.           &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Enquanto o corpo repousa o Espírito se desprende dos laços materiais, fica mais livre e pode mais facilmente ver os outros Espíritos e entrar em comunicação com eles. O sonho é uma recordação desse estado. Quando não nos lembramos de nada, dizemos que não sonhamos, mas a alma não deixou de ver e de gozar da sua liberdade. Tratamos aqui mais particularmente das aparições no estado de vigília.&#039;&#039; – Sobre o estado do Espírito durante o sono ver nº 409 de O Livro dos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que se manifestam pela visão pertencem a uma determinada categoria?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Não; podem pertencer a todas as categorias, das mais elevadas às mais inferiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;É permitido a todos os Espíritos manifestarem-se visivelmente?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Todos o podem, mas nem sempre tem a permissão nem o desejo de fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;Com que fim os Espíritos se manifestam visivelmente?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso depende; segundo sua natureza, o fim pode ser bom ou mau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Como pode ser permitido, quando o fim é mau?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— É então para por à prova aqueles que os vêem. A intenção do Espírito pode ser má, mas o resultado pode ser bom.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;Qual o objetivo dos Espíritos que se fazem ver com má intenção?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Assustar e muitas vezes vingar-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Qual o objetivo dos Espíritos que aparecem com boa intenção?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Consolar os que lamentam a sua partida; provar-lhes que continuam a existir e estão perto deles; dar conselhos e algumas vezes pedir assistência para si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;Que inconveniente haveria em ser permanente e geral a possibilidade de ver os Espíritos? Não seria essa uma forma de tirar a dúvida aos mais incrédulos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Estando o homem constantemente cercado de Espíritos, o fato de vê-los sem cessar o perturbaria, constrangendo-o nas suas atividades, e lhe tiraria a iniciativa na maioria dos casos, enquanto, julgando-se só, pode agir com mais liberdade. Quanto aos incrédulos, dispõem de muitos meios para se convencerem, caso queiram aproveitá-los e se não estiverem cegos pelo orgulho. Sabes de pessoas que viram e nem por isso acreditam, pois dizem que se trata de ilusões. Não te inquietes por essa gente, de que Deus se encarrega.    &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Haveria tanto inconveniente de estarmos sempre na presença dos Espíritos, como em vermos o ar que nos cerca ou as miríades de animais, microscópicos que pulam ao nosso redor. Do que devemos concluir que o que Deus faz é bem feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9. &#039;&#039;&#039;Se a visão dos Espíritos tem inconvenientes, porque é permitida em alguns casos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Para dar uma prova de que nem tudo morre com o corpo e de que a alma conserva a sua individualidade após a morte. Essa visão passageira é suficiente para dar a prova e atestar a presença dos amigos ao vosso lado, não tendo os inconvenientes da visão incessante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10. Nos mundos mais adiantados que o nosso a visão dos Espíritos é mais freqüente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quanto mais os homens se aproximam da natureza espiritual, mais facilmente entra em relação com os Espíritos. É a grosseria do vosso corpo que torna mais difícil e mais rara a percepção dos seres etéreos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:11. &#039;&#039;&#039;É racional assustar-se com a aparição de um Espírito?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Aquele que refletir a respeito há de compreender que um Espírito, seja qual for, é menos perigoso que um vivo. Os Espíritos, aliás, estão por toda parte e não tens a necessidade de vê-los para saber que podem estar ao teu lado. O Espírito que desejar prejudicar alguém pode fazê-lo sem ser visto, e até com mais segurança. Ele não é perigoso por ser Espírito, mas pela influência que pode exercer no pensamento do homem, desviando-o do bem e impelindo-o ao mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec&#039;&#039;&#039;: &#039;&#039;As pessoas que tem medo da solidão e do escuro, raramente compreendem a causa do seu pavor. Elas não saberiam dizer do que tem medo, mas certamente deviam recear-se mais de encontrar homens do que Espíritos, porque um malfeitor é mais perigoso em vida do que após a morte. Uma senhora de nosso conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma aparição tão bem definida que acreditou estar na presença de alguém e sua primeira sensação foi de pavor. Certificando-se de que ali não havia nenhuma pessoa, disse a si mesma: Parece que se trata apenas de um Espírito; posso dormir tranqüila&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:12. &#039;&#039;&#039;Aquele que vê um Espírito poderia conversar com ele?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Perfeitamente. E é justamente o que se deve fazer nesse caso, perguntando quem é o Espírito, o que deseja e o que se  pode fazer por ele. Se o espírito for infeliz e sofredor, o testemunho de comiseração o aliviará. Se for um Espírito benévolo, pode acontecer que tenha a intenção de dar bons conselhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:13. &#039;&#039;&#039;Como o Espírito poderia responder?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Às vezes falando, como uma pessoa viva; a maioria das vezes por uma transmissão de pensamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:14. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que aparecem com asas realmente as têm, ou essas asas são apenas uma aparência simbólica?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Os Espíritos não tem asas. Não precisam delas, pois podem transportar-se por toda parte como Espíritos. Aparecem dessa forma porque querem impressionar a pessoa a que se mostram. Uns aparecerão com suas roupas habituais, outros envolvidos em panos, alguns com asas, como atributo da categoria espiritual que representam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:15. &#039;&#039;&#039;As pessoas que vemos em sonho são sempre as que aparentam ser?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— São quase sempre as mesmas pessoas que o teu Espírito vai encontrar ou que te vêm encontrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:16. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos zombadores não poderiam tomar a aparência das pessoas que nos são caras e nos iludirem?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Tomam aparências fantasiosas para se divertirem a vossa custa, mas há coisas com as quais não lhes é permitido brincar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:17. &#039;&#039;&#039;Como o pensamento é uma espécie de evocação, compreende-se que possa atrair o Espírito. Mas por que, quase sempre, as pessoas em que mais pensamos, que ardentemente desejamos rever, jamais aparecem nos sonhos, enquanto vemos outras que não nos interessam e nas quais nunca pensamos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Os Espíritos nem sempre tem a possibilidade de manifestar-se visivelmente, mesmo em sonhos e apesar do desejo que tenhamos de vê-los. Causas independentes da sua vontade podem impedi-los. Quase sempre é também uma prova que o mais ardente desejo não pode afastar. Quanto às pessoas que não interessam, embora não penseis nelas, é possível que pensem em vós. Aliás, não podeis fazer uma idéia das relações no Mundo dos Espíritos, onde reencontrais uma multidão de conhecidos íntimos, antigos e novos, dos quais nem tendes a menor idéia quando acordados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Quando não há nenhum meio de controlar as visões ou aparições, podemos sem dúvida levá-las à conta de alucinações, mas quando elas são confirmadas pelos acontecimentos não poderíamos atribuí-las à imaginação. Essas são, por exemplo, as aparições do momento da morte, em sonho ou no estado de vigília, de pessoas em quem não pensávamos e que, por diversos sinais, revelam as circunstâncias absolutamente inesperadas do seu falecimento. Viram-se tantas vezes cavalos empinarem e empacarem diante de aparições que assustavam os cavaleiros. Se a imaginação é alguma coisa entre os homens, seguramente nada é para os animais. Aliás, se as imagens que vemos em sonho fossem sempre conseqüência das preocupações de vigília, nada explicaria o fato, tão freqüente, de jamais sonharmos com as coisas em que mais pensamos&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:18. &#039;&#039;&#039;Por que certas visões são mais freqüentes nas doenças?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Elas ocorrem igualmente no estado de perfeita saúde, mas na doença os laços materiais se afrouxam e a fraqueza do corpo deixa mais livre o Espírito, que entra mais facilmente em comunicação com outros Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:19. &#039;&#039;&#039;As aparições espontâneas parecem mais freqüentes em certas regiões. Alguns povos são mais bem dotados que outros para essas manifestações?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Fizeste um relatório geral das aparições? As aparições, os ruídos e todas as manifestações expandem-se igualmente por toda a Terra, mas apresentam características próprias segundo os povos em que se verificam. Entre estes, por exemplo, a escrita é pouco desenvolvida e não há médiuns escreventes; entre outros eles abundam; além disso há mais freqüência de manifestações ruidosas e de movimento de objetos que de comunicações inteligentes, porque estas são menos apreciadas e procuradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:20. &#039;&#039;&#039;Por que as aparições se verificam mais à noite?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pela mesma razão que vês as estrelas à noite e não em pleno dia. A claridade intensa pode ofuscar uma aparição delicada. Mas é errôneo supor que a noite tenha algo de especial para isso. Interpela todos os que as viram, e constatarás que a maioria ocorre de dia.    &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Os fenômenos de aparição são muito mais freqüentes e gerais do que se pensa, mas muitas pessoas não os revelam por medo do ridículo e outras os atribuem à ilusão. Se parecem mais abundantes em certos povos é porque esses conversam mais cuidadosamente as tradições verdadeiras ou falsas, quase ampliadas pelo fascínio do maravilhoso, a que se o aspecto das localidades se presta mais ou menos. A credulidade faz ver, então, efeitos sobrenaturais aos fenômenos mais vulgares; o silêncio da solidão, o escapamento dos caminhos, o rumorejar das florestas, o estrépito das tempestades, o eco das montanhas, a forma fantástica das nuvens, as sombras, as miragens, tudo enfim se presta à ilusão das imaginações simples e ingênuas, que propagam de boa fé aquilo que viram ou que acreditam ter visto. Mas ao lado da ficção há o real,que o estudo sério do Espiritismo consegue livrar dos acessórios ridículos da superstição&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:21. &#039;&#039;&#039;A visão dos Espíritos ocorre no estado normal ou somente durante o êxtase?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode ocorrer em condições perfeitamente normais; entretanto, as pessoas que os vêem estão quase sempre num estado especial, próximo do êxtase que lhes dá uma espécie de dupla vista. (Ver O Livro dos Espíritos, nº 447)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:22. &#039;&#039;&#039;Os que vêem os Espíritos o fazem com os olhos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eles pensam que sim, mas na realidade é a alma que vê. A prova é que podem vê-los de olhos fechados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:23. &#039;&#039;&#039;Como o Espírito pode tornar-se visível?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— O princípio é o mesmo de todas as manifestações e está nas propriedades do perispírito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:24. &#039;&#039;&#039;O Espírito propriamente dito pode fazer-se visível ou só o faz com a ajuda do perispírito?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Na vossa situação material o Espírito só pode manifestar-se com a ajuda do seu invólucro semimaterial. É este o intermediário pelo qual eles agem sobre os vossos sentidos. Graças a esse invólucro é que eles aparecem algumas vezes com a forma humana ou outra qualquer, seja nos sonhos ou no estado de vigília, assim a plena luz como na obscuridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:25. &#039;&#039;&#039;Poderíamos dizer que é pela condensação do fluido do perispírito que o Espírito se torna visível?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Condensação não é o termo. Trata-se apenas de uma comparação que pode ajudar a compreender o fenômeno, pois não há realmente uma condensação. Pela combinação dos fluidos produz-se no perispírito uma disposição especial, sem possibilidade de analogia para vós, e que o torna perceptível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:26. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que aparecem são sempre inacessíveis ao fato e não podemos pegá-los?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  No estado normal de Espíritos não podemos pegá-los, como pegamos os sonhos. Não obstante, podem impressionar o nosso tato e deixar sinais de sua presença. Podem mesmo, em alguns casos, tornarem-se momentaneamente tangíveis, o que prova a existência de matéria entre eles e vós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:27. &#039;&#039;&#039;Todos são aptos a ver os Espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Durante o sono, todos. Mas não quando estão acordados. No sono, a alma vê diretamente; quando estais acordados ela sofre em maior ou menor grau a influência dos órgãos. Eis porque as condições não são as mesmas nos dois casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:28. &#039;&#039;&#039;Como podemos ver os Espíritos em estado de vigília?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso depende do organismo, da facilidade maior ou menor do fluido do vidente de se combinar como o do Espírito. Assim, não basta o espírito querer mostrar-se; é também necessário que a pessoa a quem se quer mostrar tenha a aptidão para vê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:29. &#039;&#039;&#039;Essa faculdade pode desenvolver-se pelo exercício?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode, como todas as outras faculdades. Mas é daquelas cujo desenvolvimento natural é melhor do que o provocado, quando corremos o risco de superexcitar a imaginação. A visão geral e permanente dos espíritos excepcional e não pertence às condições normais do homem.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:30. &#039;&#039;&#039;Pode-se provocar a aparição dos espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode-se algumas vezes, mas muito raramente. Ela é quase sempre espontânea. Para provocá-la é necessário que se possua uma faculdade especial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:31. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos podem fazer-se visíveis com outra aparência, além da humana?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— A forma humana é a sua forma normal. O Espírito pode variá-la na aparência, mas conservando sempre o tipo humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:32. &#039;&#039;&#039;Não podem manifestar-se com a forma de flamas?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Podem produzir flamas, clarões, como qualquer outro efeito para demonstrar a sua presença, mas essas coisas não são o próprio Espírito. A flama é quase sempre apenas um efeito óptico ou uma emanação do perispírito. Em todos os casos é somente uma parte do perispírito, que só aparece inteiramente nas visões.(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:33. &#039;&#039;&#039;Que pensar da crença que os fogos fátuos são almas ou Espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Superstição, produzida pela ignorância. A causa física dos fogos fátuos é bem conhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:34. &#039;&#039;&#039;A chama azul que apareceu sobre a cabeça de Servius Tullius, na infância, foi real ou, apenas uma lenda?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::- Era real, produzida pelo Espírito Familiar que desejava advertir a mãe. Esta, médium vidente, percebeu uma irradiação do Espírito protetor de seu filho. Os médiuns videntes variam de grau no tocante à percepção, como os médiuns escreventes variam na escrita. Enquanto essa mãe via uma chama outro médium poderá ver o próprio Espírito.(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:35. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos poderiam se apresentar com a forma de animais?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isto pode acontecer, mas são sempre Espírito inferiores os que tomam essas aparências. Mas seriam sempre, em todos os casos, aparências passageiras, pois seria absurdo acreditar que um animal pudesse ser a encarnação de um Espírito. Os animais são sempre animais e nada mais do que isso.(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Somente a superstição pode levar a crer que certos animais são encarnações de Espíritos. É necessário ter uma imaginação muito condescendente ou muito impressionável para ver algo de sobrenatural nas atitudes às vezes um pouco estranhas que eles tomam, mas o medo freqüentemente faz ver aquilo que não existe. Aliás o temor nem sempre é a fonte dessa idéia. Conhecemos uma senhora, por sinal muito inteligente, que estimava demais um gato preto, acreditando que ele possuía uma natureza super animal. Nunca, entretanto ouvira falar de Espiritismo. Se o tivesse conhecido, compreenderia o ridículo da causa de sua predileção, pois a doutrina lhe provaria a impossibilidade dessa metamorfose.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;101.&#039;&#039;&#039; As manifestações mais comuns de aparições ocorrem durante o sono, pelos sonhos: são as visões. Não podemos examinar aqui todas as particularidades que os sonhos podem apresentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resumiremos dizendo que eles podem ser: uma visão atual de coisas presentes ou distantes; uma visão retrospectiva do passado; e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Freqüentemente são também quadros alegóricos que os Espíritos nos apresentam como úteis advertências ou salutares conselhos, quando são Espíritos bons; ou para nos enganarem e entreterem as nossas paixões, se são Espíritos imperfeitos. A teoria abaixo se aplica aos sonhos, como a todos os outros casos de aparições. (Ver O Livro dos Espíritas, nº 400 e seguintes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não ofenderemos o bom senso dos leitores refutando o que há de absurdo e ridículo no que vulgarmente se chama de interpretação dos sonhos(5)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;102.&#039;&#039;&#039; As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes aos do Espírito quando encarnado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podendo tomar toda as aparências, o Espírito se apresenta com aquela que melhor o possa identificar, se for esse o seu desejo. Assim, embora não tenha, como Espírito, nenhum defeito corporal, ele se mostra estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para identificá-lo. Esopo, por exemplo, não é disforme como Espírito,mas se o evocamos como Esopo, por mais existências posteriores que tenha tido, aparecerá feio e corcunda, com seus trajes tradicionais. Uma particularidade a notar é que, exceto em circunstâncias especiais, as partes menos precisas da aparição são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco, os braços e as mãos aparecem nitidamente. Assim, não os vemos quase nunca andar, mas deslizar como sombras. Quanto às vestes, ordinariamente se constituem de um planejamento que termina em longas pregas flutuantes. São essas, em resumo, acrescentadas por uma cabeleira ondulante e graciosa, as características da aparência dos Espíritos que nada conservam da vida terrena. Mas os Espíritos comuns, das pessoas que conhecemos, vestem-se geralmente como o faziam nos últimos dias de sua existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há os que muitas vezes se apresentam com símbolos da sua elevação, como uma auréola ou asas, pelo que são considerados anjos. Outros carregam instrumentos que lembram suas atividades terrenas: assim um guerreiro poderá aparecer com uma armadura, um sábio com seus livros, um assassino com seu punhal, e assim por diante. Os Espíritos superiores apresentam uma figura bela, nobre e serena. Os mais inferiores têm algo de feroz e bestial, e algumas vezes ainda trazem os vestígios dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram. O problema das vestes e dos objetos acessórios é talvez o mais intrigante. Voltaremos a tratar disso num capítulo especial, porque ele se liga a outras questões muito importantes.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;103.&#039;&#039;&#039; Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem aço, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes a distinguem. Eles as vêem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar idéias, influenciá-la, quando são Espíritos bons, zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiverem. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E assim esse mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o perceber, como vivemos entre a miríades de seres do mundo microscópico. A revelação do mundo dos infinitamente pequenos, de que não suspeitávamos, foi feita pelo microscópio; o Espiritismo, servindo-se dos médiuns videntes, nos revelou o mundo dos Espíritos, que é também uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes pudemos estudar o mundo invisível, iniciar-nos nos seus hábitos, como um povo de cegos poderia estudar o mundo dos que vêem com o auxílio de algumas pessoas que gozassem da faculdade da visão. (Ver adiante, no cap. XIV; Dos Médiuns, o tópico referente aos médiuns videntes.)&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
104. O Espírito que deseja ou pode aparecer reveste algumas  vezes uma forma ainda mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita  e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvaecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se pudéssemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a ocorrência de uma aparição simplesmente visual, a dúvida já não é mais possível quando a podemos pegar, e quando ela mesma nos seguras e abraça. As aparições tangíveis são as mais raras. Mas as que tem havido nestes últimos tempos, pela influência de alguns médiuns potentes(6), inteiramente autenticadas por testemunhos irrecusáveis, provam e explicam os relatos históricos sobre as pessoas que reaparecem após a morte com todas as aparências da realidade. De resto, como já acentuamos, por mais extraordinários que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se compreende que, longe de representarem uma derrogação das leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação dessas leis.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;105.&#039;&#039;&#039; O perispírito, por sua própria natureza, é invisível no estado normal. Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem e que jamais vimos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas ele pode também, à semelhança de certos fluidos por modificações que o tornem visível, seja por uma espécie de condensação ou por uma mudança em suas disposições moleculares, e é então que nos aparece de maneira vaporosa. A condensação pode chegar ao ponto de dar ao perispírito as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que pode instantaneamente voltar ao seu estado etéreo e invisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(É necessário não tomar ao pé da letra a palavra condensação, pois só a empregamos por falta de outra e como simples recurso de comparação.) Podemos entender esse processo ao compará-lo ao do vapor, que pode passar da invisibilidade a um estado brumoso, depois ao líquido, a seguir ao sólido e vice-versa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses diversos estados do perispírito, entretanto, resultam da vontade do Espírito e não de causas físicas e exteriores, como acontece com os gases. O Espírito nos aparece quando deu ao seu perispírito a condição necessária para se tornar visível. Mas a simples vontade não basta para produzir esse efeito, porque a modificação do perispírito se verifica mediante a sua combinação com o fluido específico do médium. Ora, essa combinação nem sempre é possível, e isso explica por que a visibilidade dos Espíritos não é comum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é suficiente que o Espírito queira aparecer, nem apenas que uma pessoa o queira ver é necessário que os fluidos de ambos possam combinar-se, para o que tem de haver entre eles uma espécie de afinidade. É necessário ainda que a emissão de fluido da pessoa seja abundante para operar a transformação do perispírito, e provavelmente há outras condições que desconhecemos. Por fim, é preciso que o Espírito tenha a permissão de aparecer para aquela pessoa, o que nem sempre lhe é concebido, ou pelo menos não o é em certas circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar.(7)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;106.&#039;&#039;&#039; Outra propriedade do perispírito é a penetrabilidade, inerente à sua natureza etérea. Nenhuma espécie de matéria lhe serve de obstáculo: ele atravessa a todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Não há pois, meios de impedir a entrada dos espíritos, que vão visitar o prisioneiro em sua cela com a mesma facilidade com que visitam um homem no meio do campo.(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;107.&#039;&#039;&#039; As aparições no estado de vigília não são raras nem constituem novidade. Verificam-se em todos os tempos. A História oferece-nos grande número de casos. Mas sem remontar ao passado, encontramo-las com freqüências nos nossos dias. Muitas pessoas as tiveram e as tomaram, no primeiro instante, pelo que se convencionou chamar de alucinações. São freqüentes sobretudo nos casos de morte de pessoas distantes, que vêm visitar parentes e amigos. Muitas vezes não tem um objetivo claro, mas podemos dizer que em geral os Espíritos que assim aparecem são atraídos por simpatia. Que examine cada um as suas lembranças e verá que são poucos os que não conhecem fatos dessa espécie, cuja autenticidade não se poderia por em dúvida.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;108.&#039;&#039;&#039; Acrescentaremos às considerações precedentes o exame de alguns efeitos ópticos que deram lugar ao estranho sistema dos Espíritos glóbulos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem sempre o ar está inteiramente límpido. É então que as correntes de moléculas aeriformes e sua movimentação, produzida pelo calor, se tornam perfeitamente visíveis. Algumas pessoas tomaram isso por  conjuntos de Espíritos agitando-se no espaço. Basta-nos mencionar esta opinião para a refutar. Mas há outra espécie de ilusão, não menos bizarra, contra a qual se deve também precaver.           &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O humor aquoso dos olhos tem alguns pontos mal perceptíveis que perderam algo de sua transparência. Esses pontos são como corpos opacos em suspensão no líquido que os movimenta. Eles projetam no ar ambiente e à distância, aumentados pela refração, pequenos discos aparentes, de um a dez milímetros de diâmetro, que parecem nadar da atmosfera. Vimos pessoas tomarem esses discos por Espíritos que as seguiam por toda parte, e no seu entusiasmo vêem figuras nas nuanças da irisação, o que é quase o mesmo que ver uma figura na Lua. Bastaria uma simples observação, feita por elas mesmas, para reconduzi-las à realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses discos ou medalhões, dizem elas, além de acompanhá-las repetem os seus movimentos: vão para a direita e para esquerda , para cima e para baixo, segundo elas movem a cabeça. Isso nada tem de estranho, desde que os discos são projetados pelo globo ocular e devem naturalmente obedecer aos seus movimentos. Se fossem Espíritos, deveriam estar adstritos a um movimento demasiado mecânico para seres inteligentes e livres. Papel, aliás, bem cansativo, mesmo para Espíritos inferiores, e com mais forte razão incompatível com a idéia que fazemos dos Espíritos superiores. É verdade que alguns tomam por maus Espíritos os pontos negros ou moscas amauróticas.(9)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os discos, assim como as manchas negras, têm um movimento ondulatório restrito a um certo ângulo, e o que aumenta a ilusão é que eles não seguem bruscamente os movimentos da linha visual. A razão é muito simples. Os pontos opacos do humor aquoso, causa primeira do fenômeno, estão em suspensão no líquido e tendem a descer. Sobem com o movimento dos olhos,mas atingindo certa altura, se fixamos o olhar vemos os discos descerem por si mesmos e depois pararem. Sua mobilidade é extrema, pois basta um movimento imperceptível do olho para mudá-los de direção e fazê-los percorrer rapidamente toda a amplitude do arco, no espaço em que a imagem se produz. Enquanto não se provar que essa imagem tem movimento próprio, espontâneo e inteligente, só se pode ver nisso um fenômeno óptico e fisiológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acontece o mesmo com as centelhas produzidas pela contração dos músculos dos olhos, que aparecem em feixes mais ou menos compactos, e que são provavelmente devidos à eletricidade fosforescente da íris, pois em geral se circunscrevem ao círculo desse disco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semelhantes ilusões só podem resultar de observação imperfeita. Quem tiver seriamente estudado a natureza dos Espíritos, através dos meios oferecidos pela prática doutrinária, compreenderá quanto elas tem de pueril.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como combatemos as teorias temerárias com as quais atacam as comunicações, pois que decorrem da ignorância dos fatos, também devemos procurar destruir as idéia falsas que decorrem mais do entusiasmo do que da reflexão, e que por isso mesmo produzem mais mal do que bem junto aos incrédulos, já naturalmente dispostos a procurar o lado ridículo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;109.&#039;&#039;&#039; O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. Seu conhecimento nos deu a chave de numerosos fenômenos, permitindo um grande avanço à Ciência Espírita e fazendo-a entrar numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, – pois é explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação dos corpos inertes, dos ruídos e das aparições. Nele encontraremos a explicação de muitos outros fenômenos ainda por examinar, antes de passar ao estudo das comunicações propriamente ditas. Tanto as compreenderemos, quanto mais nos inteirarmos de suas causas fundamentais. Se bem compreendermos esse princípio, facilmente poderemos aplicá-lo aos diversos fatos que se apresentar à observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;110.&#039;&#039;&#039; Longe de nós considerar a teoria que apresentamos como absoluta e como sendo a última palavra na questão. Ela será sem dúvida completada ou retificada mais tarde através de novos estudos. Mas por mais incompleta ou imperfeita que hoje se apresente, pode sempre ajudar a se compreender a possibilidade dos fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se for uma hipótese, não se lhe pode entretanto negar o mérito da racionalidade e da probabilidade, e que vale tanto quanto todas as explicações tentadas pelos negadores para provar que tudo não passa de ilusão, fantasmagoria e evasiva nos fenômenos espíritas.(10)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;TEORIA DA ALUCINAÇÃO&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;111.&#039;&#039;&#039; Os que não admitem a existência do mundo incorpóreo e invisível pensam tudo explicar pela palavra alucinação. A definição dessa palavra é conhecida: quer dizer um engano, uma ilusão de quem pensa ter percepções que na realidade não tem (do latim allucinari, errar, formado de ad lucem). Mas os sábios ainda não deram, que o saibamos, a sua razão fisiológica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Óptica e a Fisiologia não tendo mais segredos para eles, ao que parece, como não puderam explicar ainda a natureza  e a origem das imagens que se apresentam ao Espírito em determinadas circunstâncias? Eles querem tudo explicar pelas leis da matéria. Que o façam, mas que dêem, através dessas leis, uma teoria da alucinação. Boa ou má, seria pelo menos uma explicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;112.&#039;&#039;&#039; A causa dos sonhos não foi jamais explicada pela Ciência. Ela os atribui a um efeito da imaginação, mas não nos diz o que é a imaginação, nem como ela produz essas imagens tão claras e nítidas que às vezes nos aparecem. Isso é explicar uma coisa desconhecida por outra que não o é menos. Tudo fica na mesma.(11)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem tratar-se de uma lembrança das preocupações do estado de vigília. Mas, mesmo admitindo esta solução, que nada resolve, restaria saber qual é esse espelho mágico que conserva assim a impressão das coisas. Como explicar sobretudo as visões reais jamais vistas no estado de vigília, e nas quais jamais se pensou? Só o Espiritismo nos pode dar a chave desse estranho fenômeno que passa despercebido por ser muito comum, como todas as maravilhas da Natureza que menosprezamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os sábios não quiseram ocupar-se com a alucinação, mas quer seja real ou não, trata-se de um fenômeno que a Fisiologia deve poder explicar, sob pena de confessar a sua incompetência. Se um dia um sábio resolver dar, não uma definição, mas, uma explicação fisiológica desse fenômeno, teremos de ver se a teoria resolve todos os casos, se não omite os fatos tão comuns de aparições de pessoas no momento da morte, se esclarece à razão da coincidência da aparição com a morte da pessoa. Se fosse um fato isolado poder-se-ia atribuí-lo ao caso, mas como é bastante freqüente o acaso não o explica. Se aquele que viu a aparição houvesse tido a idéia de que a pessoa estava para morrer, ainda bem. Mas aparição é na maioria das vezes da pessoa de quem menos se pensa: a imaginação, portanto, nada tem com isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda menos se pode explicar pela imaginação o conhecimento das circunstâncias da morte, de que nada se sabia. Os partidários da alucinação dirão que a alma (se é que admitem a alma) tem momentos de superexcitação em que as suas faculdades são exaltadas? Estamos de acordo, mas quando o que ela vê é real, não se trata de ilusão. Se na sua exaltação a alma vê à distância, é que ela se transporta, e se a nossa alma pode se transportar, por que a da outra pessoa não se transportaria para nos ver? Que na sua teoria da alucinação queiram levar em conta esses fatos, não se esquecendo de que uma teoria a que se podem opor fatos que a contrariem é necessariamente falsa ou incompleta. Enquanto esperamos a sua explicação, vamos tentar emitir algumas idéias a respeito.(12)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;113.&#039;&#039;&#039; Os fatos provam que há aparições verdadeiras, que a teoria espírita explica perfeitamente, e que só podem negar os que nada admitem fora do organismo. Mas ao lado dessas visões reais existem alucinações, no sentido que se dá à palavra? Não se pode duvidar. Qual a sua origem? São os Espíritos que nos colocam na pista, pois a explicação nos parece estar inteira nas respostas às seguintes perguntas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:113 a. &#039;&#039;&#039;As visões são sempre reais, ou são algumas vezes efeitos da imaginação? Quando vemos em sonho, ou de outra maneira, o Diabo ou outras coisas fantásticas, que portanto não existem não se trata apenas de imaginação?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Sim, algumas vezes, quando a pessoa está chocada por certas leituras ou por estórias de feitiçaria, lembra-se delas e acredita ver o que não existe. Mas já dissemos também que o Espírito, através do seu envoltório semimaterial, pode tomar todas as formas para se manifestar. Um Espírito brincalhão pode aparecer com chifres e garras, se o quiser, para zombar da credulidade, como um Espírito bom pode aparecer de asas e de maneira radiosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:113 b. &#039;&#039;&#039;Podem-se considerar como aparições os rostos e outras imagens que muitas vezes se mostram quando cochilamos ou simplesmente quando fechamos os olhos?&#039;&#039;&#039;     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quando os sentidos se entorpecem o Espírito se libera e pode ver, perto ou à distância, o que não podia ver com os olhos. Essas imagens quase sempre são visões, mas podem ser também o efeito de impressões que a vista de certos objetos deixou no cérebro, que conserva os seus traços como conserva os sons. O Espírito liberto vê então no seu próprio cérebro as impressões ali fixadas como numa chapa fotográfica. A variedade e a mistura dessas impressões formam conjuntos bizarros e fugitivos, que se esfumam quase imediatamente, malgrado os esforços que se façam para retê-los. É a uma causa semelhante que se devem atribuir certas aparições fantásticas que nada tem de real e se produzem freqüentemente nas doenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Admite-se que a memória é o resultado das impressões conservadas pelo cérebro. Mas por que estranho fenômeno essas impressões tão variadas e múltiplas não se confundem? Eis um mistério impenetrável, mas não mais estranho que o das ondas sonoras que se cruzam no ar e se conservam distintas. Num cérebro são e bem organizado essas impressões são nítidas e precisas; num estado menos favorável se diluem e se confundem; daí a perda de memória ou a confusão de idéias. Isso parece menos estranho quando se admite, como na frenologia, uma destinação especial para cada parte e mesmo para cada fibra do cérebro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As imagens transmitidas ao cérebro pelos olhos deixam ali a sua impressão, que permite lembrar-se de um quadro como se ele estivesse presente, embora se trate de uma questão de memória, pois nada se vê. Ora, num estado de emancipação a alma pode ver o cérebro e nele reencontra essas imagens, sobretudo as que mais a tocaram, segundo a natureza das suas preocupações ou disposições íntimas. É assim que reencontra a impressão das cenas religiosas, diabólicas, dramáticas, mundanas, das figuras de animais bizarros que viu outrora em pintura ou ouviu em narrações, porque estas deixam também as suas impressões. Assim, a alma vê realmente, mas apenas uma imagem fotográfica no cérebro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No estado normal essas imagens são fugitivas, efêmeras, porque todas as sessões cerebrais funcionam livremente. Mas na doença o cérebro se enfraquece, desaparece o equilíbrio geral dos órgãos cerebrais, somente alguns se mantêm ativos enquanto outros de certa maneira são paralisados. Decorre disso permanência de certas imagens que não se esvaem, como no estado normal, com as preocupações da vida exterior. Essa a verdadeira alucinação e a causa primária das idéias fixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, explicamos essa anomalia por uma lei fisiológica muito conhecida, que é a das impressões cerebrais. Mas foi sempre necessário fazer intervir a alma. Ora se os materialistas ainda não puderam dar uma solução satisfatória desse fenômeno é por não quererem admitir a alma. Por isso dirão que a nossa explicação é má, pois nos apoiamos num princípio que é contestado. Mas contestado por quem? Por eles, e admitido pela imensa maioria, desde que há homens na Terra. A negação de algumas não pode constituir-se em lei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa explicação é boa? Damo-la pelo que possa valer na falta de outra, e, se quiserem, a título de simples hipótese, à espera de melhor. Como está, pode explicar todos os casos de visões? Certamente não mas desafiamos todos os fisiologistas a apresentarem um que, segundo as suas opiniões exclusivas, expliquem todos. Porque nada apresentam quando pronunciam as palavras sacramentais de superexcitação e exaltação. Pois se todas as teorias sobre a alucinação são insuficientes para explicar todos os fatos, é que há no caso algo mais do que a alucinação propriamente dita. Nossa teoria seria falsa se a aplicássemos a todos os casos de visões, pois alguns poderiam contradizê-la. Pode ser justa, se aplicada a apenas alguns efeitos.(13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) O respeito às leis naturais é um dos princípios espíritas. A mediunidade, como todas as faculdades humanas, deve desenvolver-se normalmente, nunca de maneira forçada. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) O perispírito só aparece integral nas visões, compreendendo-se o termo visões como manifestações visuais do Espírito em corpo inteiro. Nas outras formas de manifestações ele apenas projeta as imagens que deseja, como nesse caso das chamas. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Servius Tullius, sexto rei de Roma (578-534 a.C.) nasceu escravo de Tarquínio Prisco, que o fez educar, e sucedeu a ele no trono por decisão popular. Ampliou Roma, aumentou suas muralhas, estruturou as classes e realizou grandes obras. Era um predestinado. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4)  Essa afirmação não contraria o princípio espírita da evolução. Pelo contrário, o endossa, mostrando apenas que o Espírito (a palavra escrita assim, com “E” maiúsculo, representa o ser espiritual do homem) não pode encarnar no reino animal. Ver Metempsicose, nº 611 a 613 de O Livro dos Espíritos.(N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Kardec se refere à arte vulgar de interpretação dos sonhos e não aos processos psicológicos hoje empregados na terapêutica. Quanto a esses processos, referem-se apenas a um aspecto dos sonhos, realmente significativo do ponto de vista psicológico, mas muitas vezes mal interpretado, por falta de visão de conjunto e que escolas como a de Karl Jung já procuram atingir. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Entre outros, o Dr. Home. (A esta nota de Kardec devemos acrescentar os fatos atuais constantes de experiências e observações parapsicológicas. Ver, entre outros. Canais Ocultos da Mente de Louisa Rhine). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Entre esses motivos figuram as condições da prova por que passam a pessoa ou o Espírito, os inconvenientes emocionais para a pessoa, as complicações familiais que poderia resultar e assim por diante. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) As pesquisas parapsicológicas da atualidade confirmam plenamente essa explicação. A escola do Rhine sustenta a inexistência de barreiras físicas para a transmissão do pensamento e a percepção à distância e a escola russa tentou em vão provar o contrário. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Moscas amauróticas são pontos negros que aparecem na visão por motivo de atrofia do nervo óptico, produzindo cegueira parcial ou total sem prejuízo do globo ocular. Amaurose ou gota-serena. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10) A posição de Kardec é inegavelmente científica. Essa teoria do perispírito não foi desmentida nestes cem anos. Pelo contrário, as hipóteses psicológicas atuais confirmam essa teoria no campo da Parapsicologia. Vejam-se as hipóteses de Carington sobre as estruturas de sensas e psicons, as de Soal, Broad, Tishner e outros. (N. do T.)   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(11) As explicações atuais ainda são incompletas. Somente com as pesquisas parapsicológicas a Ciência começou a avançar, recentemente, no rumo certo que o Espiritismo indicou há mais de um século: às razões psicofisiológicas é necessário acrescentar as espirituais. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(12) Kardec já mostrava, há cem anos, a insuficiência das hipóteses do inconsciente excitado com que ainda hoje alguns adversários, travestidos de parapsicólogos, tentam explicar fenômenos tipicamente espirituais. Veja-se a precisão da frase: a alma tem momentos de superexcitação em que as suas faculdades são exaltadas. Os teóricos atuais, ainda confirmando a previsão de Kardec, referem-se à mente, procurando excluir a alma dos fenômenos para não dar margens às interpretações espíritas. Mas a verdade é que as teorias deste livro estão sendo confirmadas dia a dia nas pesquisas parapsicológicas, queiram ou não queiram os contraditores. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(13) As teorias atuais da alucinação referem-se em geral a alterações do sistema nervoso, com excitação dos neurônios sensoriais, especialmente os da visão e da audição. Insiste-se na explicação fisiológica de todos os casos. Mas a recente aceitação científica dos fenômenos paranormais abriu perspectivas nesse campo. Os casos referidos por Kardec são aceitos como de natureza extrafísica por toda a escola psicológica de Rhine e mesmo as escolas fisiológicas admitem a veracidade das percepções à distância, da transmissão do pensamento, das previsões e da retrocognição ou visão do passado. Pratt e outros, nos Estados Unidos, pesquisam com o nome de fenômenos theta os casos de comunicação espírita. A alma, como afirma Kardec, mostra-se novamente indispensável à formulação de uma teoria satisfatória da alucinação. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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		<title>Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS</title>
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		<updated>2011-08-08T18:18:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;82.&#039;&#039;&#039; O fenômeno de que tratamos são provocados. Mas acontece às vezes que ocorrem de maneira espontânea. Não intervém então à vontade dos participantes, e longe disso, pois se tornam quase sempre muito importunos. O que exclui, além disso, a suposição de serem efeitos de sua imaginação superexcitada pelas idéias espíritas é que ocorrem entre pessoas que nunca ouviram falar a respeito e quando menos elas podiam esperar. Esses fenômenos, cujas manifestações se poderia considerar como de prática natural, são muito importantes porque excluem as suspeitas de conivência. Recomendamos, por isso, às pessoas que se ocupam de fenômenos espíritas, coletarem todos os fatos desse gênero de que tiverem conhecimento, mas sobretudo constatarem cuidadosamente a sua realidade através de minucioso estudo das circunstâncias, para se assegurarem de não se tratar de simples ilusão ou mistificação.(1)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;83.&#039;&#039;&#039; De todas as manifestações espíritas, as mais simples e freqüentes são os ruídos e as pancadas. Mas é sobretudo nesses casos que devemos temer a ilusão, pois há muitas causas naturais que podem produzi-las: o vento que assobia ou sacode um objeto, algo que a gente mesmo está movendo sem perceber, um efeito acústico, um animal oculto, um inseto e assim por diante, e até mesmo brincadeiras de mau gosto. Os ruídos espíritas têm, aliás, características inconfundíveis, com intensidade e timbre muito variados. São facilmente reconhecíveis e não podem ser confundidos com os estalidos da madeira, o crepitar do fogo ou o tique-taque de um relógio. São golpes secos, ás vezes surdos, fracos e leves, de outras vezes claros, distintos, até mesmo barulhentos, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mecânica. De todos os meios de controle, o mais eficaz e que não deixa nenhuma dúvida quanto à origem é submetê-lo à nossa vontade. Se eles se fizeram ouvir ao lado que indicamos, se responderem ao nosso pensamento dando o número que pedimos, aumentando ou diminuindo sua intensidade, não podemos negar a presença de uma causa inteligente. Mas a falta de resposta nem sempre prova o contrário.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;84.&#039;&#039;&#039; Admitindo, porém, depois de minuciosa constatação, que os ruídos ou qualquer outro efeito são manifestações reais, seria racional que nos amedrontássemos? Seguramente não. Porque em caso algum oferecerá o menor perigo. Só podem ser afetadas de maneira prejudicial às pessoas que acreditam tratar-se do Diabo, como as crianças que temem o lobisomem ou bicho-papão. Essas manifestações, em certas circunstâncias, aumentam e adquirem persistência desagradável. É necessária uma explicação a respeito, pois é natural que então se queira afastá-las.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;85.&#039;&#039;&#039; Já dissemos que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao homem. Dissemos também que os Espíritos elevados não se ocupam dessas manifestações, servindo-se dos inferiores para produzi-las, como nos servimos de criados para serviços grosseiros, e por isso com a finalidade que acima indicamos. Atingida essa finalidade, cessa a manifestação, que não é necessária. Um ou dois exemplos tornarão a questão mais compreensível.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;86.&#039;&#039;&#039; Há muitos anos, quando iniciava meus estudos de Espiritismo, trabalhando uma noite nesse assunto, ouvi golpes que soaram ao meu redor durante quatro horas seguidas. Era a primeira vez que isso me acontecia. Verifiquei que não tinham nenhuma causa acidental, mas no momento não pude saber nada mais. Nessa época eu me encontrava sempre com um excelente médium escrevente. Logo no dia seguinte perguntei ao Espírito que se comunicava por ele qual era a casa dos golpes. Respondeu-me: Era o teu Espírito Familiar que queria falar-te. – E o que queria dizer-me? – Resposta: Podes perguntar a ele mesmo, que está aqui. Interroguei-o e ele se deu a conhecer por um nome alegórico. (Soube, depois, por outros Espíritos, que ele pertence a uma ordem muito elevada e que desempenhou na Terra um papel importante), indicou erros no meu trabalho, apontando as linhas em que eu os encontraria, deu-me útil e sábio conselho e acrescentou que estaria sempre comigo e me atenderia quando eu quisesse interrogá-lo. Desde então, realmente, esse Espírito jamais me deixou.(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deu-me numerosas provas de grande superioridade e sua intervenção benévola e eficaz socorreu-me tanto nos problemas da vida material quanto nos metafísicos. Mas desde essa primeira conversa os golpes cessaram. O que desejava ele, com efeito? Estabelecer comunicação regular comigo, e para isso precisava me avisar. Dado o aviso, explica a sua razão e estabelecidas as relações regulares, os golpes não eram mais necessários. Não se toca mais o tambor para acordar os soldados, quando eles já se levantaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso quase semelhante ocorreu com um de nossos amigos. Há tempos que no seu quarto ressoavam barulhos diversos, que já se tornavam cansativos. Tendo a oportunidade de interrogar o Espírito de seu pai por um médium escrevente, soube o que dele queriam, atendeu o pedido e não ouviu mais os barulhos. Assinalemos que as pessoas que dispõem de meio regular e fácil de comunicação com os Espíritos, como se compreende, estão muito menos sujeita a manifestações desse gênero.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;87.&#039;&#039;&#039; As manifestações espontâneas nem sempre se limitam a ruídos e batidas. Degeneram às vezes em verdadeira barulheira e em perturbações. Móveis e objetos são revirados, projéteis diversos são atirados de fora, portas e janelas são abertas e fechadas por mãos invisíveis, vidraças se quebram e tudo isso não pode ser levado à conta de ilusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda essa desordem é muitas vezes real, mas algumas vezes é apenas aparente. Ouve-se gritaria num cômodo ao lado, barulho de louça que cai e se despedaça, de achas de lenha rolando no assoalho. Corre-se para ver e encontra-se tudo tranqüilo em ordem. Mas a gente se retira, porém, e o tumulto recomeça.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;88.&#039;&#039;&#039; Essas manifestações não são raras nem novas. São poucas as crônicas locais que não incluem alguma estória desse gênero. O medo, sem dúvida, freqüentemente exagerou esses fatos, dando-lhes, proporções enormemente ridículas em sua transmissão oral. Com a ajuda das superstições,as casas em que se verificam foram consideradas como assombradas pelo Diabo. Daí todos os contos maravilhosos ou terríveis de fantasmas. A trapaça, por sua vez, não perdeu a ocasião de explorar a credulidade, quase sempre em proveito pessoal. Compreende-se ainda a impressão que fatos dessa espécie, mesmo reduzidos á realidade, podem produzir em caracteres fracos e predispostos pela educação às idéias supersticiosas. O meio mais seguro de prevenir os inconvenientes que possam acarretar, pois não se pode impedi-los, é dar a conhecer a verdade. As coisas mais simples tornam-se assustadoras quando ignoramos as causas. Havendo familiaridade com os Espíritos, e os que recebem suas comunicações não mais acreditando que se trata de demônios, o medo desaparecerá.(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos fatos autênticos desse gênero podem ser lidos na Revista Espírita. Entre outros, o do Espírito batedor de Bergzabem, cujas estripulias duraram mais de oito anos (Nº de maio, junho e julho de 1858); o de Dibbelsdorf (agosto de 1858); o do Padeiro das Grandes Vendas, próximo a Dieppe (março de 1860); o da Rua de Noyers, em Paris (agosto de 1860); o do Espírito de Casstelnaudary, sob o título de História de Um Danado o da fabricante de São Petersburgo (abril de 1860), e assim por diante.(4)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;89.&#039;&#039;&#039; Essas manifestações freqüentemente assumem o caráter de verdadeira perseguição. Conhecemos seis irmãs que moravam juntas e que, durante muitos anos, encontravam de manhã suas roupas esparramadas, ás vezes escondidas no teto, rasgadas e cortadas em pedaços, apesar das precauções que tomavam, guardando-as à chave. Tem acontecido muitas vezes que pessoas deitadas, mas perfeitamente acordadas, viam sacudir as cortinas, arrancarem-lhes violentamente as cobertas e os travesseiros, foram erguidos no ar e às vezes até mesmo atirados fora do leito. Esses fatos são mais freqüentes do que se pensa, mas a maioria das vítimas não os conta por medo do ridículo. Soubemos que tentaram curar algumas pessoas, por entenderem que se tratava de alucinações, submetendo-as ao tratamento dos alienados, o que as deixou realmente loucas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Medicina não pode compreender esses fatos, por que só admite causas materiais, do que resultaram negligências funestas. A História relatará um dia certos tratamentos do século XIX como hoje se relatam certos processos da Idade Média.(5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Admitimos perfeitamente que alguns casos são obra da malícia ou da malvadez, mas quando se averiguou suficientemente que não são produzidos por ninguém, temos de convir que são, para uns, obra do Diabo, e para nós dos Espíritos. Mas de que Espíritos?&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;90.&#039;&#039;&#039; Os Espíritos superiores, como os homens sérios entre nós, não gostam de fazer travessuras. Muitas vezes interpelamos esses Espíritos sobre o motivo de perturbarem o sossego alheio. A maioria quer apenas divertir-se. São Espíritos antes levianos do que maus. Riem dos sustos que pregam e do trabalho que dão para descobrir a causa do tumulto. Muitas vezes apegam-se a uma pessoa e se divertem a incomodá-la por toda parte. De outras vezes se apegam a um lugar por simples capricho. Algumas vezes também se trata de uma vingança, como veremos. Em certos casos sua intenção é a mais louvável: querem chamar a atenção e estabelecer comunicação, seja para transmitir à pessoa um aviso útil, seja para fazer um pedido. Vimo-los muitas vezes pedir preces, o cumprimento de um voto que em vida não puderam realizar, e outros quererem, para o seu próprio sossego, reparar uma maldade praticada em vida. Em geral, é um erro amedrontar-se com a sua presença que pode ser importuna mas não perigosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se o desejo de livrar-se deles, mas para isso geralmente se faz o contrário do que se deve. Quando se trata de Espíritos que se divertem, quanto mais se levá-los a sério, mais persistirão, como as crianças traquinas que impacientam as pessoas e assustam os medrosos. Se, pelo contrário, as pessoas também rirem com as suas peças, acabaram por se cansar e deixá-las em paz. Conhecemos alguém que em vez de se irritar os excitava, os desafiava a fazer isto ou aquilo,de maneira que em alguns dias se afastaram. Mas como dissemos, há os que agem por motivos menos frívolos. Por isso é sempre útil saber o que eles desejam. Se pedirem alguma coisa, é certo que cessarão suas visitas quando forem satisfeitos. O melhor meio de informação é evocá-los através de um bom médium escrevente. Pelas suas respostas, logo se verá quem são e se poderá agir convenientemente. Se for um Espírito infeliz, a caridade manda tratá-lo com as atenções que merece; se um brincalhão, pode tratá-lo sem rodeios; se um malvado, deve pedir a Deus que o melhore. Em todos os casos a prece só pode dar bons resultados. Mas a solenidade das fórmulas de exorcismo lhes provoca o riso: não lhe dão nenhuma importância. Se puder entrar em comunicação com eles, é preciso desconfiar dos qualificativos burlescos ou assustadores que algumas vezes se dão, para se divertirem com a credulidade dos ouvintes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltaremos a tratar deste assunto com mais detalhes, bem como das causas que freqüentemente tornam as preces ineficazes, nos capítulos: [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Lugares Assombrados(IX)]] e [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Da Obsessão (XXIII)]].&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;91.&#039;&#039;&#039; Embora produzidos por Espíritos inferiores, esses fenômenos são freqüentemente provocados por Espíritos de ordem mais elevada, com o objetivo de demonstrar a existência dos seres incorpóreos, dotados de poderes superiores aos humanos. A repercussão que alcançam, o próprio horror que chegam a causar, desperta a atenção para o assunto e acabam por abrir os olhos dos mais incrédulos. Estes acham mais simples considerar os fenômenos como efeitos da imaginação, explicação muito cômoda e que dispensa a busca de outras. Mas quando os objetos são revirados ou atirados á cabeça das pessoas, só uma imaginação muito complacente poderia estar em jogo para que os fatos não sejam reais. Se alguma coisa acontece, tem forçosamente uma causa, e se uma fria e serena observação demonstra que esse efeito independe da vontade humana, e de toda causa material, e que além disso apresenta sinais evidentes de inteligência e vontade próprias, o que é o seu traço mais característicos, somos forçados a atribuí-la a uma inteligência oculta.Mas que seres misteriosos são esses? É o que os estudos espíritas nos revelam de maneira dificilmente contestável, graças aos meios que nos proporcionam de nos comunicarmos com eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aliás, os estudos espíritas nos ensinam também a distinguir o que há de real, de falso ou de exagero nos fenômenos que examinamos. Quando um efeito estranho se produz: um ruído, um movimento, ou mesmo uma aparição, o primeiro pensamento que devemos ter é o de que a sua causa é natural, porque é a mais provável. Devemos então procurar essa causa com o maior cuidado, não admitindo a intervenção dos espíritos senão quando bem averiguada. Esse é o meio de evitarmos a ilusão. Aquele, por exemplo, que recebesse uma bofetada ou bordoada nas costas, sem estar perto de ninguém, como já se tem visto, não poderia duvidar da presença de um ser invisível.(6)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos acautelar-nos contra os relatos que podem ser considerados muito ou pouco exagerados, e também contra as nossas próprias impressões, para não atribuirmos origem oculta a tudo quanto não pudermos explicar. Há muitas causas simples e naturais que podem produzir efeitos estranhos à primeira vista, e seria evidentemente supersticioso ver Espíritos por toda à parte, ocupados em derrubar móveis, quebrar louçaria, provocar todos esses distúrbios domésticos que é mais razoável atribuirmos ao descuido.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;92.&#039;&#039;&#039; A explicação do movimento dos corpos inertes aplica-se naturalmente a todos os efeitos de que acabamos de tratar. Os ruídos, embora mais fortes que os golpes na mesa, tem a mesma causa; o lançamento ou deslocação de objetos é produzido pela mesma força que levanta objetos. Há mesmo uma circunstância que serve de apoio a essa teoria. Poderíamos perguntar onde se encontra o médium, nesses casos. Os Espíritos explicaram que há sempre alguém cujas forças são usadas á sua revelia. As manifestações espontâneas raramente ocorrem em lugares isolados. È quase sempre em casas habitadas que elas se verificam, em virtude da presença de certas pessoas que exercem sem querer a sua influência. Trata-se de verdadeiros médiuns que ignoram as suas faculdades e por isso os chamamos de médiuns naturais. Estão para os outros médiuns na condição dos sonâmbulos naturais para os sonâmbulos magnéticos, e são como eles dignos de observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;93.&#039;&#039;&#039; A intervenção voluntária ou involuntária de pessoa dotada de aptidão especial parece necessária, na maioria dos casos, para a produção desses fenômenos, embora haja aqueles em que o Espírito parece agir sozinho. Mas ainda nesse caso ele poderia tirar o fluido animalizado de uma pessoa distante. Isso explica por que os Espíritos que nos cercam incessantemente não produzem perturbações a cada instante. É necessário primeiro que o Espírito queira, que tenha um objetivo, um motivo para fazê-lo. A seguir, que encontre, precisamente no lugar em que pretende agir, uma pessoa apta a ajudá-lo, coincidência que só raramente ocorre. Se essa pessoa aparece inesperadamente, ele a aproveita. Mas apesar das circunstâncias favoráveis, ele poderia ainda ser impedido por uma vontade superior que não lhe permitisse agir como quer. Pode também só lhe ser permitido agir dentro de certos limites, nos casos em que essas manifestações sejam consideradas úteis, seja para servirem com meio de convicção ou de experiência para a pessoa que as suporta.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;94.&#039;&#039;&#039; Citaremos a respeito à conversação suscitada pelos fatos verificados em junho de 1860 na rua Dês Noyers, em Paris. Os pormenores se encontram na Revista Espírita de agosto de 1860.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;(A São Luís) Teria a bondade de nos dizer se os fatos que dizem ter ocorrido na rua Dês Noyers são reais? Quanto á sua possibilidade não temos dúvidas.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, esses fatos são verdadeiros, mas a imaginação do povo os exagerou, seja por medo ou por ironia. Entretanto, repito, são verdadeiros. Foram manifestações de um Espírito que se diverte um pouco com os moradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;Há alguém, na casa, que dê motivo a essas manifestações?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Elas são sempre provocadas pela presença de uma pessoa detestada. O Espírito perturbador se aborrece com o habitante do lugar em que ele se encontra e quer pregar-lhe algumas peças ou fazê-lo mudar-se.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;Perguntamos se há, entre os moradores, alguém que seja a causa dos fenômenos, em virtude de mediunidade espontânea e involuntária.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso é necessário, pois sem isso o fato não poderia se dar. Um Espírito mora num lugar de sua predileção. Enquanto ali não aparece uma pessoa de que se possa servir, fica sem ação. Quando essa pessoa aparece, então ele se diverte quanto pode.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;A presença dessa pessoa no próprio lugar é indispensável?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— É o mais comum e foi o que aconteceu no caso citado. Por isso eu disse que sem isso o fato não teria ocorrido. Mas não quis generalizar. Há casos em que a presença no local não é necessária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Sendo esses espíritos de ordem inferior,a aptidão para lhes servir de auxiliar é uma indicação desfavorável para a pessoa? Indica uma simpatia de sua parte para com os seres dessa natureza?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não precisamente, porque essa aptidão decorre de uma disposição física. Mas indica quase sempre uma tendência material que seria preferível não possuir, pois quanto mais elevada moralmente, mais à pessoa atrai os Bons Espíritos, que necessariamente afastam os maus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;Onde o espírito vai buscar os objetos que atira?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Esses objetos são quase sempre encontrados no próprio lugar ou na vizinhança. Uma força que sai do Espírito os lança no espaço e os faz cair onde ele quer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Desde que as manifestações espontâneas são muitas vezes permitidas e até mesmo provocadas com o fim de convencer, parece-nos que se alguns incrédulos fossem o seu alvo seriam forçados a render-se à evidência. Eles às vezes se queixam de não haver testemunhado fatos concludentes. Não dependeria dos Espíritos dar-lhes alguma prova sensível?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Os ateus e os materialistas não testemunham cada instante os efeitos do poder de Deus e do pensamento? Mas isso não os impede de negar a Deus e a Alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos? Os Fariseus que lhe diziam: “Mestre, fazei-nos ver algum prodígio”, não se pareciam com esses que hoje vos pedem para ver manifestações? Se não se deixam convencer pelas maravilhas da Criação, não seriam mais tocados pelo aparecimento de um Espírito, mesmo da maneira mais evidente, pois o seu orgulho os transforma em animais empacados. Não lhes faltariam ocasiões de ver, se eles as procurassem de boa fé. É por isso que Deus não julga conveniente fazer por eles mais do que não faz nem mesmo para aqueles que sinceramente buscam instruir-se, porque ele só recompensa os homens de boa vontade Essa incredulidade não impedirá que se cumpra à vontade de Deus. Já vistes que ela não impediu a expansão da doutrina. Não vos inquieteis, pois, com a sua oposição, que é para a doutrina como a sombra numa pintura: dá-lhe maior relevo. Que méritos teriam eles se fossem convencidos à força? Deus lhes deixa a responsabilidade da teimosia, e essa responsabilidade é mais pesada do que pensais. Felizes os que crêem sem ter visto, disse Jesus, porque eles não duvidam do poder de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;Achas convenientes evocar esse Espírito para lhe pedirmos algumas explicações?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Evoca-o se o quiseres, mas é um Espírito inferior,que só dará respostas de pouca significação&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;95. Conservação com o Espírito perturbador da rua Dês Noyers:&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;Evocação.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Por que me chamaste? Queres, acaso, umas pedradas? Então é que se veria um belo corre-corre, apesar do teu ar de bravura!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;Mesmo que nos desses pedradas, isso não nos assustaria. Pedimos até, se puderes, que nos dês algumas.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Aqui talvez eu não pudesse. Tendes um guardião que vela muito bem por vós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;Na rua Dês Noyers havia alguém que te servia de auxiliar nas peças que pregavas aos moradores?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Certamente. Encontrei um bom instrumento. E não havia nenhum Espírito douto, sábio e prudente para me impedir. Porque eu sou alegre e gosto, às vezes, de me divertir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;Quem te serviu de instrumento?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Uma criada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Ela te auxiliava sem saber?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Oh, sim! Pobre moça! Era a mais assustada!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;Tinhas algum propósito?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eu? Eu não tinha nada contra ninguém. Mas os homens que de tudo se apossam torcerão a coisa em seu proveito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Que queres dizer? Não te compreendemos.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eu procurava me divertir, mas vós estudareis a coisa e tereis mais um fato para provar que nós existimos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;Dizes que não tinhas propósito hostil, mas quebrastes todas as vidraças do apartamento, causando um prejuízo real&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso é um detalhe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9. &#039;&#039;&#039;Onde encontraste os objetos que atiravas?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— São muito comuns. Achei-os no pátio e nos jardins vizinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10. &#039;&#039;&#039;Achaste todos ou fabricaste alguns?&#039;&#039;&#039; (Ver o [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]])&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eu não criei nada, nada compus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:11. &#039;&#039;&#039;Se não os encontrasses, terias podido fabricá-los?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Teria sido mais difícil. Mas, em último caso, a gente mistura matérias e faz qualquer coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:12. &#039;&#039;&#039;Agora, conta-nos como os atiraste.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Ah, isso é mais difícil de dizer! Servi-me da natureza elétrica daquela moça, ligada à minha, que é menos material. Assim pudemos, os dois, transportar aqueles diversos materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:13. &#039;&#039;&#039;Penso que concordarás em nos dar algumas informações sobre a tua pessoa. Diga-nos primeiro se morreste há muito tempo&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Faz muito tempo, há bem uns cinqüenta anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:14. &#039;&#039;&#039;Que foste em vida?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não era grande coisa. Catava bugigangas neste bairro e às vezes me atiravam injúrias porque eu gostava muito do licor vermelho do bom velho Noé. Eu também queria pô-los a correr.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:15. &#039;&#039;&#039;Por ti mesmo e de tua plena vontade que respondeste ás nossas perguntas?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eu tinha um instrutor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:16. &#039;&#039;&#039;Quem é esse instrutor?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Vosso bom rei Luis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Esta pergunta foi feita por causa da natureza de algumas respostas que pareciam além da capacidade do Espírito, tanto pelas idéias quanto pela forma da linguagem. Nada demais que ele tenha sido ajudado por um Espírito mais esclarecido, que queria aproveitar a ocasião para nos instruir. Esse é o fato comum. Mas uma particularidade notável deste caso é que a influência do outro Espírito se fez presente na própria escrita.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Nas respostas em que ele interferiu a escrita é mis regular e corrente; nas do trapeiro é angulosa, grossa, irregular, muitas vezes pouco legível, revelando um caráter muito diverso&#039;&#039;.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:17. &#039;&#039;&#039;Que fazes agora? Cuidas do futuro?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Ainda não. Ando errante. Pensam tão pouco em mim na Terra que ninguém ora por mim: assim não tenho ajuda e não trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota&#039;&#039;&#039; – Veremos logo mais quanto se pode contribuir para o progresso e o alívio dos Espíritos inferiores, através da prece e dos conselhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:18. &#039;&#039;&#039;Qual era teu nome em vida?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Jeannet&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:19. &#039;&#039;&#039;Muito bem, Jeannet, faremos preces por ti. Diga-nos se a evocação te deu prazer ou te contrariou.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Antes prazer, porque sois boa gente, alegres viventes, embora um pouco severos. Pouco importa: me escutastes e estou contente. Jeannet.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;O Fenômeno de Aporte (ou Transporte)&#039;&#039;&#039;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;96.&#039;&#039;&#039; Este fenômeno só difere dos que tratamos acima pela intenção benévola do Espírito que o produz, pela natureza dos objetos quase sempre graciosos e pela maneira suave e quase sempre delicada por que são transportados. Consiste no transporte espontâneo de objetos que não existem no lugar da reunião. Trata-se geralmente de flores, algumas vezes de frutos, de confeitos, de jóias etc&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;97.&#039;&#039;&#039; Digamos logo que esse fenômeno é dos que mais se prestam à imitação e portanto é necessário estar prevenido contra o embuste. Sabe-se até onde pode chegar à arte da prestidigitação ante experiências desse gênero. Mesmo, porém, que não tenhamos de enfrentar um profissional, poderíamos ser facilmente enganados por uma manobra hábil e interessada. A melhor de todas as garantias é o caráter, a honestidade notória, o desinteresse absoluto da pessoa que obtém esses efeitos. Em segundo lugar, no exame atento de todas as circunstâncias em que os fatos se produzem. Por fim, no conhecimento esclarecido do Espiritismo, único meio de se descobrir o que houvesse de suspeito.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;98.&#039;&#039;&#039; A teoria do fenômeno de aportes e das manifestações físicas em geral foi resumida, de maneira notável, na seguinte dissertação de um Espírito, cujas comunicações trazem o cunho incontestável da profundeza e da lógica. Muitas delas aparecerão no curso desta obra. Ele se dá a conhecer com o nome de Erasto, discípulo de São Paulo,e como Espírito protetor do médium que lhe serve de intérprete:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;É indispensável, para obter fenômenos dessa ordem,dispor de médiuns que chamarei de sensitivos, ou seja, dotados no mais alto grau de faculdades mediúnicas de expansão, e de penetrabilidade. Porque o sistema nervoso desses médiuns, facilmente excitável, por meio de certas vibrações, projeta profusamente ao seu redor o fluido animalizado.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As naturezas impressionáveis,as pessoas cujos nervos vibram à menor emoção, a mais leve sensação que a influência moral ou física, interna ou externa, sensibiliza, são as mais aptas a se tornarem excelentes médiuns de efeitos físicos de tangibilidade e de transporte. Com efeito, seu sistema nervoso, quase inteiramente desprovido do invólucro refratário que isola esse sistema na maioria dos encarnados, torna-as apropriadas ao desenvolvimento desses diversos fenômenos. Assim, com um sujeito dessa natureza, e cujas demais faculdades não sejam hostis a mediunização, mais facilmente se obterão os fenômenos de tangibilidade, os golpes nas paredes e nos móveis, os movimentos inteligentes, e até mesmo a suspensão no espaço da mais pesada matéria inerte. Com maior razão, os mesmos resultados serão obtidos se, em vez de um médium, se dispuser de numerosos e igualmente bem dotados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Mas da obtenção desses fenômenos à obtenção dos chamados aportes há todo um abismo. Porque, neste caso, não só o trabalho do Espírito é mais complexo, mais difícil, como ainda o Espírito só pode operar com um único aparelho medianímico. Isso quer dizer que muitos médiuns não podem contribuir simultaneamente para a produção do mesmo fenômeno. Acontece mesmo, ao contrário, que a presença de certas pessoas antipáticas ao Espírito operador entrava radicalmente a sua ação. A esses motivos que, como se vê, são importantes, acrescentemos que os aportes exigem sempre maior concentração, e ao mesmo tempo maior difusão de certos fluidos que só podem ser obtidos com médiuns muito bem dotados, médiuns, numa palavra, cujo aparelho eletromedianímico seja bem condicionado.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Em geral, os fenômenos de aporte são e continuarão a ser excessivamente raros. Não preciso demonstrar por que eles são e serão menos freqüentes que os demais fenômenos de tangibilidade; do que já ficou dito podeis deduzi-lo. Aliás, esses fenômenos são de tal natureza que além de nem todos os médiuns servirem para produzi-los, nem todos os Espíritos podem também realizá-los. É necessário que exista entre o Espírito e o médium uma certa afinidade, uma certa analogia, numa palavra, uma determinada semelhança que permita à parte expansível do fluido perispírito(9) do encarnado misturar-se, unir-se, combinar-se com o do Espírito que deseja fazer o aporte. Essa fusão deve ser de tal maneira que a força dela resultante se torne por assim dizer una: da mesma maneira que uma corrente elétrica, agindo sobre o carvão produz um foco, uma claridade única. Por que essa união, essa fusão, perguntareis. É que, para a produção desses fenômenos, é necessários que as propriedades essenciais do Espírito agente sejam aumentadas com algumas das propriedades do mediunizado. Porque o fluido vital, apanágio exclusivo do encarnado, deve obrigatoriamente impregnar o Espírito agente. Só então ele pode, por meio de algumas propriedades do vosso ambiente desconhecido para vós, isolar, tornar invisíveis e movimentar alguns objetos materiais e mesmo os encarnados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Não me é permitido, por agora, desvendar-vos as leis particulares que regem os gases e fluidos que nos envolvem. Mas antes que os anos se escoem, antes que uma existência do homem seja concluída, a explicação dessas leis e desses fenômenos ser-vos-á revelada. E vereis surgir e se desenvolver uma nova variedade de médiuns, que cairão num estado cataléptico particular ao serem mediunizados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Vede de quantas dificuldades está cercada a produção dos aportes. Podeis logicamente concluir que os fenômenos dessa espécie são bastante raros, como já disse, e com mais razão que os Espíritos se prestam muito pouco a produzi-los, porque isso exige de sua parte um trabalho quase material, que lhes causa aborrecimento e fadiga. Além disso, acontece que muito freqüentemente, malgrado sua energia e sua vontade, o estado do próprio médium lhes opõe uma barreira intransponível.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;É portanto evidente, e não tenho dúvida que o aceitais, que os fenômenos sensíveis de golpes, movimentos e levitação são de natureza simples, realizando-se pela concentração e a dilatação de certos fluidos, e podem ser provocados e obtidos pela vontade e o trabalho de médiuns aptos, quando secundados por Espíritos amigos e benevolentes, enquanto os fenômenos de aporte são complexos, de natureza múltipla, exigindo a existência de condições especiais. Esses fenômenos só podem ser realizados por um só Espírito e um único médium e necessitam, além dos recursos para a produção da tangibilidade, uma combinação muito especial para isolar tornar invisíveis o objeto ou os objetos a serem transportados.&#039;&#039;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Todos vós, espíritas, compreendeis as minhas explicações e percebeis perfeitamente o que seja essa concentração de fluidos especiais para produzir a mobilidade e a tactilidade da matéria inerte. Aceitais isso, como aceitais os fenômenos da eletricidade e do magnetismo, tão análogos aos mediúnicos, que são por assim dizer, a confirmação e o desenvolvimento daqueles. Quantos aos incrédulos e aos sábios, estes piores que aqueles, nada tenho para convencê-los e nem me interessam. Serão convencido um dia pela evidência dos fatos, porque terão de se curvar ante o testemunho unânime dos fenômenos espíritas, como já tiveram de fazer em relação a outros fenômenos que a princípio rejeitaram.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Para resumir: Se os fenômenos de tangibilidade são freqüentes, os de aporte são muito raros, porque as condições para a sua produção são bastante difíceis. Em conseqüência, nenhum médium pode dizer: Em tal ora ou em tal momento obterei um aporte, porque muitas vezes o próprio Espírito se encontra impedido de fazê-lo. Devo acrescentar que esses fenômenos se tornaram duplamente difíceis em público, onde quase sempre se encontram os elementos energeticamente refratários que paralisam os esforços dos Espíritos e com mais forte razão a ação do médium.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Sabei que, pelo contrário, esses fenômenos quase sempre se produzem espontaneamente nas reuniões particulares, no mais das vezes à revelia dos médiuns e sem que se espere, dando-se muito raramente quando aqueles estão prevenidos.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Disso deveis concluir que há motivo legítimo de suspeita toda as vezes que um médium se vangloria de obtê-los à vontade ou de dar ordens aos Espíritos como se fossem seus empregados, o que é simplesmente absurdo. Tende ainda por regra que os fenômenos espíritas não servem para espetáculos e para divertir os curiosos. Se alguns Espíritos se prestam a isso, só pode ser através de fenômenos simples e não dos que, como o aporte, exigem condições excepcionais.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Lembrai-vos, espíritas, que se é absurdo repelir sistematicamente todos os fenômenos de além túmulo, também não é prudente aceitá-los a todos de olhos fechados. Quando um fenômeno de tangibilidade, de aparição, de aporte se verifica espontaneamente e de improviso, aceitai-o. Mas nunca será demasiado repetir: não aceiteis nada cegamente. Que cada fato seja submetido a um exame minucioso, aprofundado e severo. Porque, acreditai-me, o Espiritismo, tão rico de fenômenos sublimes e grandiosos, nada tem a ganhar com essas insignificantes manifestações que hábeis prestidigitadores podem imitar.&#039;&#039;(11)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Bem sei o que ireis me dizer: que esses fenômenos são úteis para convencer os incrédulos. Mas sabei que, se não tivésseis outros meios de convicção, não teríeis hoje a centésima parte de espíritas com que podeis contar. Falai aos corações: é esse o caminho da maioria das conversões sérias. Se achais convenientes, para certas pessoas, utilizar-vos dos fenômenos materiais, pelo menos apresentai-os de tal maneira que não possam dar motivo a falsas interpretações. E, sobretudo, observai as condições normais desses fenômenos, porque apresentados de maneira imprópria eles servem de argumentos para os incrédulos, em vez de convencê-los&#039;&#039;. &#039;&#039;&#039;– ERASTO.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;99.&#039;&#039;&#039; Esse fenômeno apresenta uma particularidade bem característica: a de que alguns médiuns só o obtém em estado sonambúlico, o que facilmente se explica. O sonâmbulo apresenta um desprendimento natural, uma espécie de isolamento do Espírito e seu perispírito em relação ao corpo, que deve facilitar a combinação dos fluidos necessários. É o caso dos aportes que presenciamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As questões seguintes foram apresentadas ao Espírito que os produzia, mas suas respostas às vezes se ressentem da sua falta de conhecimentos. Submetemo-las ao Espírito Erasto, muito mais esclarecido do ponto de vista teórico, que as completou com anotações bastante judiciosas. Um é o artesão, outro é o sábio. A própria comparação dessas duas inteligências é um estudo instrutivo, pois demonstra que não basta ser Espírito para tudo compreender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;Queres dizer-nos por que os aportes que produzes só se realizam durante o sono magnético do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Por causa da natureza do médium. Os fatos que produzo quando ele dorme, poderia igualmente produzir no estado de vigília de outro médium.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;Por que demoras tanto a trazer os objetos, e por que excitas a cobiça do médium, excitando-lhe o desejo de obter o objeto prometido?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Necessito de tempo para preparar os fluidos que servem ao aporte. Quanto à excitação, muitas vezes tem apenas o fim de divertir os presentes e a sonâmbula.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;O Espírito que respondeu sabe apenas isso. Não tem consciência do motivo dessa excitação da cobiça, que provoca instintivamente e sem compreender-lhe o efeito. Ele pensa divertir, quando na verdade estimula, sem o saber. Maior emissão de fluido. É uma decorrência das dificuldades que o fenômeno apresenta, dificuldades maiores quando ele não é espontâneo, e particularmente com outros médiuns&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;A produção de fenômeno depende da natureza especial do médium, e seria possível obtê-lo com mais facilidade e presteza por outro médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— A produção do fenômeno depende da natureza do médium, e só se pode produzi-lo por meio de médiuns dessa natureza. Para a presteza, vale-nos muito o hábito adquirido no trato freqüente do mesmo médium.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;A influência das pessoas presentes pode embaraçá-lo de alguma maneira?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quando há incredulidade, oposição, da parte delas, podem criar-nos sérias dificuldades. Preferimos realizar nossas experiências com pessoas crentes e versadas no Espiritismo.Mas não quero dizer, com isso, que a má vontade nos pudesse paralisar por completo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Onde pegaste as flores e os bombons que trouxeste?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— As flores, nos jardins, onde elas me agradem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;E os bombons? O confeiteiro deve ter percebido a sua falta.&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Tomo-os onde quero. O confeiteiro não percebeu nada porque pus outros no lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Mas os anéis têm preço, onde os tomastes? Não ficou prejudicado aquele de quem os tiraste?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Tirei-os de lugares que ninguém conhece, e o fiz de maneira que não prejudicará a ninguém.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;Creio que o fato foi explicado de maneira incompleta, por falta de conhecimento do Espírito que respondeu. Sim, pode ter havido no caso um prejuízo real, mas o Espírito não quis passar por haver desviado alguma coisa. Um objeto só pode ser substituído por outro idêntico, da mesma forma e do mesmo valor. Assim, se um Espírito tivesse a possibilidade de substituir um objeto tirado, não haveria razão para o tirar, pois poderia dar o que serve de substituto&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;É possível transportar flores de outro planeta?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não, para mim isso não é possível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::8.a — &#039;&#039;&#039;(A ERASTO) Outros Espíritos teriam esse poder?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:::— Não, isso não é possível em razão das diferenças de meio ambiente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9. &#039;&#039;&#039;Podereis transportar flores de outro hemisfério; dos trópicos por exemplos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Desde que seja da terra, posso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10. &#039;&#039;&#039;Os objetos que trouxestes podereis fazê-los desaparecer e devolvê-los?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Tão bem como os trouxe; posso devolvê-los, se quiser.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:11. &#039;&#039;&#039;A produção do fenômeno de aporte não te exige um sacrifício, não te causa dificuldades?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não nos causa nenhuma dificuldade quando temos a devida permissão. Poderia causar-nos muitas se quiséssemos produzi-los sem estar autorizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;Ele não quer dizer que é penosa embora o seja, pois é forçado a realizar uma operação por assim dizer material&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:12. &#039;&#039;&#039;Quais as dificuldades que encontras?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Nenhuma além das más disposições fluídicas, que podem ser contrárias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:13. &#039;&#039;&#039;Como trazes o objeto? Carregando-o com as mãos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não; envolvo-o em mim mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;Ele não explica claramente a sua operação, pois na verdade não envolve o objeto na sua pessoa. Como o seu fluido pessoal pode dilatar-se, é penetrável e expansível, ele combina uma porção desse fluido com uma porção do fluido animalizado do médium, e é nessa mistura que oculta e transporta o objeto. Não é certo dizer, portanto, que o envolve nele mesmo&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:14. &#039;&#039;&#039;Transportarias com mesma facilidade um objeto mais pesado: de cinqüenta quilos, por exemplos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— O peso nada é para nós. Trago flores porque elas podem ser mais agradáveis que um objeto volumoso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;É certo. Ele pode transportar cem ou duzentos quilos de objetos, porque a gravidade que existe para vós não existe para ele. Mas neste caso também ele não percebe o que se passa. A massa de fluidos combinados é proporcional à massa de objetos. Numa palavra: a força deve estar na proporção da resistência. Assim, se o Espírito só transporta uma flor ou um objeto leve, é freqüentemente por não encontrar no médium ou nele mesmo os elementos necessários para um maior esforço&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:15. &#039;&#039;&#039;Alguns casos de desaparecimento de objetos, por motivo ignorado, serão devidos aos Espíritos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso acontece com freqüência, muito mais freqüentemente do que pensais, e poderia ser remediado pedindo-se ao Espírito a devolução do objeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;É verdade, mas às vezes o que foi levado, levado está. Porque esses objetos que somem da casa são quase sempre levados para muito longe. Mas, como a subtração de objetos exige quase as mesmas condições fluídicas dos aportes, só pode se dar com a ajuda de médiuns dotados de faculdades especiais. Por isso, quando alguma coisa desaparecer, é mais provável que se deva ao vosso descuido que à ação dos Espíritos&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:16. &#039;&#039;&#039;Há efeito da ação de certos Espíritos que consideramos como fenômenos naturais?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Vossos dias estão cheios desses fatos que não correspondeis, porque não pensastes neles, e que um pouco de reflexão vos faria ver com clareza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;Não se deve atribuir aos Espíritos o que é obra humana. Mas acreditai na sua influência oculta e constante, produzindo ao vosso redor mil circunstâncias, milhares de incidentes necessários à realização dos vossos atos e da vossa existência?&#039;&#039;(12)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:17. &#039;&#039;&#039;Entre os objetos usados nos aporte não há os que podem ser fabricados pelos Espíritos? Quer dizer: produzidos espontaneamente pelas modificações que eles podem provocar no fluido ou elemento universal?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não por mim, que não tenho permissão para isso. Só um Espírito elevado pode fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:18. &#039;&#039;&#039;Como introduziste outro dia esses objetos na sala que estava fechada?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Levei-os comigo, envolvidos por assim dizer, na minha substância. Não posso dizer mais, porque isso não é explicável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:19. &#039;&#039;&#039;Como fizeste para tornar visíveis esses objetos, que estavam invisíveis?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Tirei a matéria que os envolvia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Erasto&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;Não é a matéria propriamente dita que os envolve, mas um fluido tirado em parte do perispírito do médium e em parte (metade de cada um) do Espírito operador&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:20. &#039;&#039;&#039;(A Erasto) – Um objeto pode ser transportado para um lugar completamente fechado; numa palavra, o Espírito pode espiritualizar um objeto material de maneira que ele possa penetrar a matéria?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Esta questão é complexa. O Espírito pode tornar invisíveis os objetos transportados, mas não penetráveis. Não pode desfazer a agregação da matéria, o que seria a destruição do objeto. Tornando-o invisível, pode carregá-lo quando quiser e só o largar no momento conveniente para fazê-lo aparecer. Bem diverso o que se passa com os objetos que compomos. Nestes introduzimos apenas os elementos da matéria, e como esses elementos são essencialmente penetráveis como atravessamos os corpos mais densos com a mesma facilidade dos raios solares atravessando as vidraças, podemos perfeitamente dizer que introduzimos o objeto num lugar, por mais fechado que ele esteja. Mas isto somente nesse caso.(13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Esse mesmo processo está sendo empregado na Parapsicologia atual. Veja-se a respeito à coleta de casos espontâneos efetuada pela profª Louisa Rhine e apresentada em seu livro Os canais ocultos da mente. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Tratava-se do espírito da Verdade, como se vê pelo relato mais extenso deste fato que o leitor pode encontrar em Obras Póstumas, segunda parte, comunicação de 25 de março de 1856, sob o título de Meu Guia Espiritual. Importante assinalar a afirmação de Kardec de que esse Espírito jamais o abandonou, o que põe por terra a teoria errônea que se lançou no meio espírita, segundo a qual esse Espírito deixou a Terra depois descrito O Livro dos Espíritos. Pelo contrário toda a Codificação e todos os trabalhos de Kardec foram por ele orientados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Esta afirmação de Kardec é plenamente sancionada pela Psicologia atual. Bastaria o caso do tabu sexual, cujos inconvenientes só podemos evitar pela educação nesse sentido, para provar a verdade dessa asserção. O desconhecimento do problema mediúnico, a negação sistemática da ação dos Espíritos, a ignorância do assunto, enfim, são os responsáveis pelo tabu espírita, criador de neuroses e perturbações mentais. Ao lado das superstições, que agravam as conseqüências das manifestações inevitáveis, temos ainda o preconceito cultural, o falso saber de pessoas que se julgam orgulhosamente detentoras, como diz Kardec, de todas as leis naturais. A divulgação teórica e prática do Espiritismo é a única maneira possível de evitar todos esses inconvenientes, familiarizando as criaturas com esse aspecto inegável da realidade. Inútil e prejudicial toda tentativa de negar os fatos ou escamoteá-los através de explicações imaginadas. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Nesta citação de Kardec, como em outras tantas deste livro e das demais obras de Codificação, vê-se a importância da Revista Espírita para o estudo sério e aprofundado do Espiritismo. Realmente a Revista, na coleção por Kardec, é forte de fatos e de esclarecimentos doutrinários indispensáveis ao estudioso. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os casos de obsessão, de possessão e de simples perturbações por Espíritos, quando tratados como loucura, geralmente se agravam. A rede de Hospitais Espíritas hoje existentes no Brasil, com mais de vinte só no Estado de São Paulo, constitui a mais evidente prova disso. Nesses hospitais tem sido curados numerosos casos dados por incuráveis no tratamento comum. Leia-se Novos Rumos à Medicina, do Dr. Ignácio Ferreira, do Hospital Espírita de Uberaba, e no campo da experiência estrangeira. Trinta Anos Entre os Mortos, do prof. Karl Wickland, da Faculdade de Medicina de Chicago, Estados Unidos. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Veja-se a História de um Danado, no volume III da Revista Espírita. Um homem, sozinho em casa, recebe uma bofetada do Espírito que mais tarde é identificado. É a casos como esse que Kardec se refere, nos quais a intervenção do Espírito não pode ser posta em dúvida. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Nota-se o rigor das observações de Kardec nessas experiências, que provam irrefutavelmente a comunicabilidade dos espíritos. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) . A palavra transporte não serve para designar esse tipo de fenômeno. A tradição espírita já incorporou o termo francês “apport” à língua portuguesa, como aconteceu no inglês, para designar essa forma especial de transporte de objetos a recintos fechados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Vemos que, quando se trata de exprimir uma idéia nova, para a qual a língua não possui termo, os Espíritos sabem perfeitamente criar neologismos. Estas palavras: eletromedianímico, não são nossas. Aqueles que nos criticam por havermos criado as palavras espírita, espiritismo, perispírito, que não tinham termos análogos, poderão agora fazer a mesma crítica aos Espíritos. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10) O problema da tangibilidade refere-se ao Espírito, que através da combinação de seus fluidos com os do médium consegue o grau de materialização necessária para tocar e sentir os objetos. Estes são naturalmente tangíveis, mas o Espírito não tem o sensório físico para senti-lo. Por isso, necessita, com diz Erasto, impregnar-se do fluido vital do médium, que lhe dá a tangibilidade ou a possibilidade de agir sobre os objetos materiais e movimentá-los. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(11) Nada aceitar cegamente nem fazer alarde de fenômenos corriqueiros ou de natureza duvidosa, suscetíveis de ser imitado por trapaceiros, é uma condição de boa divulgação da Doutrina. Erasto adverte contra as infrações dessa regra, que até hoje se verificam por toda parte. O Espiritismo, que se funda na verdade, não precisa de recursos fúteis. (N. do T. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(12) Os Espíritos estão por toda parte, são uma das forças da Natureza em constante ação no Universo. (Ver nº 87 de O Livro dos Espíritos). A resposta se refere a essa atividade natural dos Espíritos, que agem também ao nosso redor e teriam condições para o cumprimento dos nossos destinos. Não se trata de nada sobrenatural ou misterioso, mas de um aspecto da Natureza que o Espiritismo vem esclarecer. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(13) Ver adiante, sobre a teoria da formação espontânea dos objetos, o cap. VIII, intitulado Laboratório do Mundo Invisível. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
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		<title>Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS</title>
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		<updated>2011-08-08T17:35:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;82.&#039;&#039;&#039; O fenômeno de que tratamos são provocados. Mas acontece às vezes que ocorrem de maneira espontânea. Não intervém então à vontade dos participantes, e longe disso, pois se tornam quase sempre muito importunos. O que exclui, além disso, a suposição de serem efeitos de sua imaginação superexcitada pelas idéias espíritas é que ocorrem entre pessoas que nunca ouviram falar a respeito e quando menos elas podiam esperar. Esses fenômenos, cujas manifestações se poderia considerar como de prática natural, são muito importantes porque excluem as suspeitas de conivência. Recomendamos, por isso, às pessoas que se ocupam de fenômenos espíritas, coletarem todos os fatos desse gênero de que tiverem conhecimento, mas sobretudo constatarem cuidadosamente a sua realidade através de minucioso estudo das circunstâncias, para se assegurarem de não se tratar de simples ilusão ou mistificação.(1)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;83.&#039;&#039;&#039; De todas as manifestações espíritas, as mais simples e freqüentes são os ruídos e as pancadas. Mas é sobretudo nesses casos que devemos temer a ilusão, pois há muitas causas naturais que podem produzi-las: o vento que assobia ou sacode um objeto, algo que a gente mesmo está movendo sem perceber, um efeito acústico, um animal oculto, um inseto e assim por diante, e até mesmo brincadeiras de mau gosto. Os ruídos espíritas têm, aliás, características inconfundíveis, com intensidade e timbre muito variados. São facilmente reconhecíveis e não podem ser confundidos com os estalidos da madeira, o crepitar do fogo ou o tique-taque de um relógio. São golpes secos, ás vezes surdos, fracos e leves, de outras vezes claros, distintos, até mesmo barulhentos, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mecânica. De todos os meios de controle, o mais eficaz e que não deixa nenhuma dúvida quanto à origem é submetê-lo à nossa vontade. Se eles se fizeram ouvir ao lado que indicamos, se responderem ao nosso pensamento dando o número que pedimos, aumentando ou diminuindo sua intensidade, não podemos negar a presença de uma causa inteligente. Mas a falta de resposta nem sempre prova o contrário.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;84.&#039;&#039;&#039; Admitindo, porém, depois de minuciosa constatação, que os ruídos ou qualquer outro efeito são manifestações reais, seria racional que nos amedrontássemos? Seguramente não. Porque em caso algum oferecerá o menor perigo. Só podem ser afetadas de maneira prejudicial às pessoas que acreditam tratar-se do Diabo, como as crianças que temem o lobisomem ou bicho-papão. Essas manifestações, em certas circunstâncias, aumentam e adquirem persistência desagradável. É necessária uma explicação a respeito, pois é natural que então se queira afastá-las.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;85.&#039;&#039;&#039; Já dissemos que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao homem. Dissemos também que os Espíritos elevados não se ocupam dessas manifestações, servindo-se dos inferiores para produzi-las, como nos servimos de criados para serviços grosseiros, e por isso com a finalidade que acima indicamos. Atingida essa finalidade, cessa a manifestação, que não é necessária. Um ou dois exemplos tornarão a questão mais compreensível.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;86.&#039;&#039;&#039; Há muitos anos, quando iniciava meus estudos de Espiritismo, trabalhando uma noite nesse assunto, ouvi golpes que soaram ao meu redor durante quatro horas seguidas. Era a primeira vez que isso me acontecia. Verifiquei que não tinham nenhuma causa acidental, mas no momento não pude saber nada mais. Nessa época eu me encontrava sempre com um excelente médium escrevente. Logo no dia seguinte perguntei ao Espírito que se comunicava por ele qual era a casa dos golpes. Respondeu-me: Era o teu Espírito Familiar que queria falar-te. – E o que queria dizer-me? – Resposta: Podes perguntar a ele mesmo, que está aqui. Interroguei-o e ele se deu a conhecer por um nome alegórico. (Soube, depois, por outros Espíritos, que ele pertence a uma ordem muito elevada e que desempenhou na Terra um papel importante), indicou erros no meu trabalho, apontando as linhas em que eu os encontraria, deu-me útil e sábio conselho e acrescentou que estaria sempre comigo e me atenderia quando eu quisesse interrogá-lo. Desde então, realmente, esse Espírito jamais me deixou.(2)&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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		<title>Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;82.&#039;&#039;&#039; O fenômeno de que tratamos são provocados. Mas acontece às vezes que ocorrem de maneira espontânea. Não intervém então à vontade dos participantes, e longe disso, pois se tornam quase sempre muito importunos. O que exclui, além disso, a suposição de serem efeitos de sua imaginação superexcitada pelas idéias espíritas é que ocorrem entre pessoas que nunca ouviram falar a respeito e quando menos elas podiam esperar. Esses fenômenos, cujas manifestações se poderia considerar como de prática natural, são muito importantes porque excluem as suspeitas de conivência. Recomendamos, por isso, às pessoas que se ocupam de fenômenos espíritas, coletarem todos os fatos desse gênero de que tiverem conhecimento, mas sobretudo constatarem cuidadosamente a sua realidade através de minucioso estudo das circunstâncias, para se assegurarem de não se tratar de simples ilusão ou mistificação.&amp;lt;ref name=&amp;quot;refname1&amp;quot; group=&amp;quot;nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;83.&#039;&#039;&#039; De todas as manifestações espíritas, as mais simples e freqüentes são os ruídos e as pancadas. Mas é sobretudo nesses casos que devemos temer a ilusão, pois há muitas causas naturais que podem produzi-las: o vento que assobia ou sacode um objeto, algo que a gente mesmo está movendo sem perceber, um efeito acústico, um animal oculto, um inseto e assim por diante, e até mesmo brincadeiras de mau gosto. Os ruídos espíritas têm, aliás, características inconfundíveis, com intensidade e timbre muito variados. São facilmente reconhecíveis e não podem ser confundidos com os estalidos da madeira, o crepitar do fogo ou o tique-taque de um relógio. São golpes secos, ás vezes surdos, fracos e leves, de outras vezes claros, distintos, até mesmo barulhentos, que mudam de lugar e se repetem sem nenhuma regularidade mecânica. De todos os meios de controle, o mais eficaz e que não deixa nenhuma dúvida quanto à origem é submetê-lo à nossa vontade. Se eles se fizeram ouvir ao lado que indicamos, se responderem ao nosso pensamento dando o número que pedimos, aumentando ou diminuindo sua intensidade, não podemos negar a presença de uma causa inteligente. Mas a falta de resposta nem sempre prova o contrário.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;84.&#039;&#039;&#039; Admitindo, porém, depois de minuciosa constatação, que os ruídos ou qualquer outro efeito são manifestações reais, seria racional que nos amedrontássemos? Seguramente não. Porque em caso algum oferecerá o menor perigo. Só podem ser afetadas de maneira prejudicial às pessoas que acreditam tratar-se do Diabo, como as crianças que temem o lobisomem ou bicho-papão. Essas manifestações, em certas circunstâncias, aumentam e adquirem persistência desagradável. É necessária uma explicação a respeito, pois é natural que então se queira afastá-las.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;85.&#039;&#039;&#039; Já dissemos que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao homem. Dissemos também que os Espíritos elevados não se ocupam dessas manifestações, servindo-se dos inferiores para produzi-las, como nos servimos de criados para serviços grosseiros, e por isso com a finalidade que acima indicamos. Atingida essa finalidade, cessa a manifestação, que não é necessária. Um ou dois exemplos tornarão a questão mais compreensível.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;86.&#039;&#039;&#039; Há muitos anos, quando iniciava meus estudos de Espiritismo, trabalhando uma noite nesse assunto, ouvi golpes que soaram ao meu redor durante quatro horas seguidas. Era a primeira vez que isso me acontecia. Verifiquei que não tinham nenhuma causa acidental, mas no momento não pude saber nada mais. Nessa época eu me encontrava sempre com um excelente médium escrevente. Logo no dia seguinte perguntei ao Espírito que se comunicava por ele qual era a casa dos golpes. Respondeu-me: Era o teu Espírito Familiar que queria falar-te. – E o que queria dizer-me? – Resposta: Podes perguntar a ele mesmo, que está aqui. Interroguei-o e ele se deu a conhecer por um nome alegórico. (Soube, depois, por outros Espíritos, que ele pertence a uma ordem muito elevada e que desempenhou na Terra um papel importante), indicou erros no meu trabalho, apontando as linhas em que eu os encontraria, deu-me útil e sábio conselho e acrescentou que estaria sempre comigo e me atenderia quando eu quisesse interrogá-lo. Desde então, realmente, esse Espírito jamais me deixou.&amp;lt;ref name=&amp;quot;refname2&amp;quot; group=&amp;quot;nota&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com os cientistas, a Terra é redonda.&amp;lt;ref&amp;gt;Aristóteles (350 a.C.), &amp;quot;Sobre os Céus&amp;quot;, em: Mesquita, A. P. (1986) &amp;quot;Aristóteles - Obras Completas&amp;quot;, Lisboa: CFUL/INCM.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
Além disto, ela gira em torno do sol.&amp;lt;ref&amp;gt;Copérnico, N. (1543), &amp;quot;As revoluções dos corpos celestes&amp;quot;, traduzido por Gomes A.D. e Domingues G. (1996), Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.&amp;lt;/ref&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{referências}}&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_TEORIA_DAS_MANIFESTA%C3%87%C3%95ES_F%C3%8DSICAS&amp;diff=11345</id>
		<title>Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS</title>
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		<updated>2011-08-08T16:46:12Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==Movimentos de Suspensão - Ruídos - Aumento e Diminuição de Peso dos Corpos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;72.&#039;&#039;&#039; Demonstrada a existência dos Espíritos, pelo raciocínio e pelos fatos, e a possibilidade de agirem sobre a matéria, devemos agora saber como se efetua essa operação e como eles agem para mover as mesas e outros corpos inertes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pensamento que naturalmente nos ocorre é aquele que tivemos. Como os Espíritos o contestaram e nos deram uma explicação inteiramente diversa, que não podíamos esperar, é evidente que sua teoria não provinha de nós. Ora, a idéia que tivemos, todos a podiam ter, como nós. Quanto à teoria dos Espíritos , não acreditamos que pudesse jamais ocorrer a alguém. Facilmente se reconhecerá quanto é superior a nossa, embora mais simples, porque oferece a solução de numerosos outros fatos que não tinham uma explicação satisfatória.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;73.&#039;&#039;&#039; O conhecimento da natureza dos Espíritos, de sua forma humana, das propriedades semimateriais do perispírito, da ação mecânica que podem exercer sobre a matéria, e o fato de nas aparições as mãos fluídicas e até mesmo tangíveis pegarem objetos e os carregarem, naturalmente nos faziam crer que o Espírito se servisse das mãos para girar a mesa e que a erguesse pelos braços. Mas, nesse caso, qual a necessidade de médiuns? O Espírito não poderia agir sozinho? Porque o médium que freqüentemente pousa as mãos na mesa em sentido contrário ao do movimento, ou mesmo nem chega a pousá-las, não pode evidentemente ajudar o Espírito por ação muscular. Ouçamos primeiro os Espíritos que interrogamos a respeito.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;74.&#039;&#039;&#039; As respostas seguintes nos foram dadas pelo Espírito São Luís e depois confirmadas por muitos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;O fluido universal é uma emanação da Divindade?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;É uma criação da Divindade?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Tudo foi criado, exceto Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;O fluido universal é o próprio elemento universal?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, é o princípio elementar de todas as coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;Tem alguma relação com o fluido elétrico, cujos efeitos conhecemos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  É o seu elemento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Como o fluido universal se nos apresenta na sua maior simplicidade?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Para encontrá-lo na simplicidade absoluta seria preciso remontar aos Espíritos puros. No vosso mundo ele esta sempre mais ou menos modificado, para formar a matéria compacta que vos rodeia. Podeis dizer, entretanto, que ele mais se aproxima dessa simplicidade no fluido que chamais fluido magnético animal(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;Afirmou-se que o fluido universal é a fonte da vida; seria ao mesmo tempo a fonte da inteligência?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não; esse fluido só anima a matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Sendo esse fluido que forma o perispírito, parece encontrar-se nele numa espécie de condensação que de certa maneira o aproxima da matéria propriamente dita?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— De certa maneira, dizeis bem, porque ele não possui todas as propriedades da matéria e a sua condensação é maior ou menor segundo a natureza dos mundos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;Como um Espírito pode mover um corpo sólido?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Combinando uma porção de fluido universal com o fluido que desprende do médium apropriado a esses efeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos erguem a mesa com a ajuda dos braços, de alguma maneira solidificada?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Esta resposta não te dará ainda o que desejas. Quando uma mesa se move é porque o Espírito evocado tirou do fluido universal o que anima essa mesa de uma vida factícia. Assim preparada, o Espírito a atrai e a movimenta, sob a influência do seu próprio fluido, emitido pela sua vontade. Quando a massa que deseja mover é muito pesada para ele, pede a ajuda de outros Espíritos da sua mesma condição. Por sua natureza etérea, o Espírito da sua mesma condição. Por sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito não pode agir sobre a matéria grosseira sem intermediário, ou seja, sem o liame que o liga à matéria. Esse liame, que chamas perispírito, oferece a chave de todos os fenômenos espíritas materiais. Creio me haver explicado com bastante clareza para fazer-me compreender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Chamamos a atenção para a primeira frase: “Esta resposta não te dará ainda o que desejas” . O Espírito compreendera perfeitamente que todas as questões anteriores só tinham por fim chegar a essa. E se refere ao nosso pensamento, que esperava, com efeito, outra resposta, que confirmasse a nossa idéia sobre a maneira por que o Espírito movimenta as mesas.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que ele chama para ajudá-lo são inferiores a ele? Estão sob as suas ordens?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quase sempre são seus iguais e acodem espontaneamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:11. &#039;&#039;&#039;Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Os Espíritos que produzem esses efeitos são sempre inferiores, ainda não suficientemente livres das influencias materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:12. &#039;&#039;&#039;Compreendemos que os Espíritos superiores não se ocupem dessas coisas, mas perguntamos se, sendo mais desmaterializados., teriam o poder de fazê-lo, se o quisessem?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eles possuem a força moral, como os outros possuem a força física. Quando necessitam desta última, servem-se dos que a possuem. Já não dissemos que eles se servem dos Espíritos inferiores como vós dos carregadores?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;A densidade do perispírito, se assim se pode dizer, varia de acordo com a natureza dos mundos, como já foi ensinado. (O Livro dos Espíritos, nº 94 e 187). Parece variar também no mesmo mundo, segundo os indivíduos. Nos Espíritos moralmente adiantados ele é mais sutil e se aproxima do perispírito das entidades elevadas; nos Espíritos inferiores aproxima-se da matéria e é isso que determina a persistência das ilusões da vida terrena nas entidades de baixa categoria, que pensam e agem como se ainda estivessem na vida física, tendo os mesmos desejos e quase poderíamos dizer a mesma sensualidade. Essa densidade maior do perispírito, estabelecendo maior afinidade com a matéria, torna os Espíritos inferiores mais aptos para as manifestações físicas. È por essa razão que um homem refinado, habituado aos trabalhos intelectuais, de corpo frágil e delicado, não pode.erguer pesados fardos como um carregador. A matéria de seu corpo é de alguma maneira menos compacta, os órgãos são menos resistentes, o fluido nervoso menos intenso. O perispírito é para o Espírito o que o corpo é para o homem. Sua densidade esta na razão da inferioridade do espírito. Essa densidade, portanto, substitui nele a força muscular, dando-lhe maior poder sobre os fluidos necessários às manifestações do que o possuem os de natureza mais etérea. Se um Espírito elevado quer produzir esses efeitos, faz o que fazem entre nós os homens refinados: incumbe disso um Espírito carregador&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:13. &#039;&#039;&#039;Se bem compreendemos o que disseste, o princípio vital provém do fluido universal. O Espírito tira desse fluido o envoltório semimaterial do seu perispírito, e é por meio desse fluido que ele age sobre a matéria inerte. É isso?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, quer dizer que ele anima a matéria de uma vida factícia, artificial: a matéria se impregna de vida animal. A mesa que se move sob as vossas mãos vive como um animal e obedece por si mesma ao ser inteligente. Não é o Espírito que a empurra como se fosse um fardo. Quando ela se eleva, não é o Espírito que a ergue com os braços; é a mesa animada que obedece à impulsão dada pelo Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:14. &#039;&#039;&#039;Qual o papel do médium nesse fenômeno?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eu já disse que o fluido próprio do médium se combina com o fluido universal do Espírito. É necessária a união de ambos, do fluido animalizado e do fluido universal, para dar a vida à mesa. Mas não se deve esquecer que essa vida é apenas momentânea, extinguindo-se com a mesma ação, e muitas vezes antes que a ação termine, quando a quantidade de fluido já não é mais suficiente para animar a mesa(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:15. &#039;&#039;&#039;O Espírito pode agir sem o concurso do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode agir à revelia do médium. Isso quer dizer que muitas pessoas ajudam os Espíritos na realização de certos fenômenos, sem o saberem. O Espírito tira dessas pessoas, como de uma fonte, o fluido animal de que necessita. È dessa maneira que o concurso de um médium, como o entendes, nem sempre é necessário, o que acontece sobretudo nos fenômenos espontâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:16. &#039;&#039;&#039;A mesa animada age com inteligência? Pensa?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— É como o bastão com que fazes um sinal inteligente a alguém. Não pensa, mas a vitalidade de que esta animado lhe permite obedecer ao impulso de uma inteligência. É bom saber que a mesa em movimento não se torna Espírito e não tem pensamento nem vontade(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Servimo-nos freqüentemente de uma expressão semelhante na linguagem usual: de uma roda que gira com velocidade dizemos que está animada de um movimento rápido.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:17. &#039;&#039;&#039;Qual a causa preponderante na produção deste fenômeno: o Espírito ou o fluido?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— O Espírito é a causa e o fluido é o seu instrumento: ambos são necessários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:18. &#039;&#039;&#039;Qual o papel da vontade do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Chamar os Espíritos e ajudá-los a impulsionar os fluidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::18a. &#039;&#039;&#039;É indispensável à vontade do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:::— Ela aumenta a potência, mas nem sempre é necessária, desde que pode haver o movimento, malgrado ou contra a vontade do médium, o que é uma prova da existência de uma causa independente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:::Observação – Nem sempre é necessário o contato das mãos para mover um objeto. Ele basta, quase sempre, para dar o primeiro impulso. Iniciado o movimento, o objeto pode obedecer à vontade sem contato material. Isto depende da potencia mediúnica ou da natureza dos Espíritos. Aliás, o primeiro contato nem sempre é necessário: temos a prova disso nos movimentos e deslocamentos espontâneos, que ninguém pensou em provocar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:19. &#039;&#039;&#039;Por que motivos não podem todos produzir o mesmo efeito e todos os médiuns não tem a mesma potencia?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso depende do organismo e da maior ou menor facilidade na combinação dos fluidos, e ainda da maior ou menor simpatia do médium com os Espíritos que nele encontram a  potencia fluídica necessária. Esta potencia, como a dos magnetizadores, é maior ou menor. Encontramos, nesse caso, pessoas inteiramente refratárias, outras em que a combinação só se verifica pelo esforço da sua própria vontade, e outras, enfim, em que ela se dá tão natural e facilmente que nem a percebem, servindo de instrumentos sem o saberem, como já dissemos. (ver a seguir, o capítulo sobre as manifestações espontâneas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec&#039;&#039;&#039;: – &#039;&#039;O magnetismo é, não há dúvida, o princípio desses fenômenos, mas não como geralmente se pensa. Temos a prova disso na existência de poderosos magnetizadores que não movimentam uma mesinha de centro, e de pessoas que não sabem magnetizar, até mesmo crianças, que bastam pousar os dedos numa mesa pesada para que ela se agite. Logo, se a potencia mediúnica não depende da magnética, é que tem outra causa&#039;&#039;.(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:20.&#039;&#039;&#039; As pessoas ditas elétricas podem ser consideradas médiuns?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Essas pessoas tiram de si mesmas o fluido necessário à produção dos fenômenos e podem agir sem auxilio dos Espíritos. Não são propriamente médiuns, no sentido exato da palavra. Mas pode ser também que um Espírito as assista e aproveite as suas disposições naturais(5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:: &#039;&#039;&#039;Nota de Kardec&#039;&#039;&#039;: &#039;&#039;– Essas pessoas seriam como os sonâmbulos, que podem agir com ou sem o auxilio dos Espíritos.&#039;&#039; (ver no capítulo XIV, Os Médiuns, a parte relativa aos sonâmbulos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:21. &#039;&#039;&#039;Ao mover os corpos sólidos, os Espíritos penetram na substância dos mesmos ou permanecem fora dela?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Fazem uma coisa e outra. Já dissemos que a matéria não é obstáculo para os Espíritos, que tudo penetram. Uma porção do seu perispírito se identifica, por assim dizer, com o objeto em que penetra?(6)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:22. &#039;&#039;&#039;Como o Espírito bate? Com um objeto material?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não, como não usa os braços para erguer a mesa. Sabes que ele não dispõe de martelos. Seu martelo é o fluido combinado que ele põe em ação, pela sua vontade, para mover ou bater. Quando move, a luz vos transmite a visão do movimento; quando bate, o ar vos transmite o som.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:23. &#039;&#039;&#039;Concebemos isso quando se trata de um corpo duro. Mas, como pode nos fazer ouvir ruídos ou sons através do ar?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Desde que age sobre a matéria, pode agir tanto sobre o ar como sobre a mesa. Quanto aos sons articulados, pode imitá-los como a todos os demais ruídos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:24. &#039;&#039;&#039;Dizes que o espírito não usa as mãos para mover a mesa, mas em certas manifestações apareceram mãos a dedilharem teclados, movimentando as teclas e produzindo sons. Não pareceria, nesse caso, que as teclas eram movimentadas pelos dedos? E a pressão dos dedos não é também direta e real, quando a sentimos em nós mesmos, quando essas mãos deixam marcas na pele?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não poderias compreender a natureza dos Espíritos e sua maneira de agir por meio dessas comparações, que dão apenas uma idéia incompleta. É um erro querer sempre assemelhar às vossas, as maneiras deles procederem. Os processos dos Espíritos devem estar em relação com a sua organização. Já não dissemos que o fluido do perispírito penetra na matéria e se identifica com ela, dando-lhe uma vida factícia? Pois bem, quando o Espírito movimenta as teclas com os dedos ele o faz realmente. Mas não é pela força muscular que faz a pressão. Ele anima a tecla, como faz com a mesa, e a tecla obedece e vibra a corda. Neste caso também ocorre um fato de difícil compreensão para vós. É que certos Espíritos são ainda tão atrasados e de tal forma materiais, em comparação com os Espíritos elevados, que conservam as ilusões da vida terrena e julgam agir como quando estavam no corpo. Não percebem a verdadeira causa dos efeitos que produzem, como um pobre homem não compreende a teoria dos dons que pronuncia. Se perguntares como tocam o piano, dirão que com os dedos, pois assim crêem fazer. Produzem o efeito de maneira instintiva, sem o saberem, e não obstante pela sua vontade. Quando falam e se fazem ouvir, é a mesma coisa.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Compreende-se, assim, que os Espíritos podem fazer tudo quanto fazemos, mas pelos meios correspondentes ao seu organismo. Algumas forças que lhes são próprias substituem os nossos músculos, da mesma maneira que a mímica substitui, nos mudos, a palavra que lhes falta.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:25. &#039;&#039;&#039;Entre os fenômenos citados como provas da ação de uma potência oculta, há os que são evidentemente contrários a todas as leis conhecidas da Natureza. A dúvida, então, não parece justa?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Acontece que o homem está longe de conhecer todas as leis da Natureza: se as conhecesse, seria Espírito superior. Cada dia, entretanto, oferece um desmentido aos que tudo pensam saber pretendendo impor limites à Natureza, e nem por isso eles se mostram menos orgulhosos. Desvendando incessantemente novos mistérios, Deus adverte ao homem que deve desconfiar das suas próprias luzes, pois chegará um dia em que a ciência do mais sábios será confundida. Não vê todos os dias os exemplos de corpos dotados de movimento capazes de superar a força de gravitação? À bala de um canhão não supera momentaneamente essa força? &amp;quot;Pobres homens que vos considerais tão sábios, cuja tola vaidade é a todo instante confundida, sabei que sois ainda muito pequeninos&amp;quot;!&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;75.&#039;&#039;&#039; Essas explicações são claras, categorias, sem ambigüidades. Delas ressalta o ponto capital de que os fluidos universais, que encerra o princípio da vida, é o agente principal das manifestações e que esse agente recebe seu impulso do Espírito, quer seja encarnado ou errante. O fluido condensado constitui o perispírito ou invólucro semi-material do Espírito(7)  Na encarnação, o perispírito está ligado à matéria do corpo; na erraticidade está livre. Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito está mais ou menos fundida com a matéria corpórea, mais ou menos colada a ela, se assim podemos dizer.(8) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em algumas pessoas há uma espécie de emanação desse fluido, em conseqüência de condições especiais de sua organização, e é disso, propriamente falando,que resultam os médiuns de efeitos físicos. A emissão do fluido animalizado pode ser mais ou menos abundante e sua combinação mais ou menos fácil, e daí os médiuns mais ou menos possantes. Mas essa emissão não é permanente, o que explica a intermitência da força.(9)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;76.&#039;&#039;&#039; Façamos uma comparação. Quando queremos atingir alguma coisa situada à distância de nós, é pelo pensamento que o tentamos, mas o pensamento sozinho não poderia realizar o nosso intento. Precisamos de um instrumento que o pensamento dirigirá: um bastão, um projétil, um assopro, etc. Note-se ainda que o pensamento não age diretamente sobre o bastão, que precisamos pegar. A inteligência, que é o próprio Espírito encarnado em nosso corpo, está unida ao corpo pelo perispírito e não pode agir sobre o corpo sem perispírito, da mesma maneira que não pode agir sobre o bastão sem o corpo. Assim, ela age sobre o perispírito, que é a substância com que tem mais afinidade, o perispírito age sobre os músculos, estes fazem a mão pegar o bastão e o bastão atinge o alvo. Quando o Espírito não está encarnado necessita de um instrumento que não pertence ao seu organismo: esse instrumento é o fluido, com o auxílio do qual torna o objeto apropriado a realizar o impulso da sua vontade&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;77.&#039;&#039;&#039; Quando, pois, um objeto é movido, erguido ou atirado no ar, o Espírito não o pegou, não o ergueu nem o atirou como nós o fazemos com as mãos. Ele o saturou, por assim dizer, como o seu fluido, combinado com o do médium. O objeto, assim momentaneamente vivificado, age como um ser vivo, com a diferença de não ter vontade própria e obedecer ao impulso da vontade do Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, o fluido vital, dirigido pelo Espírito, dá uma vida artificial e momentânea aos corpos inertes. Sendo o perispírito formado por esse fluido, segue-se que o Espírito encarnado, por meio do seu perispírito, é quem dá vida ao corpo, mantendo-se unido a ele enquanto o organismo o permite. Quando ele se retira, o corpo morre. Então, se em lugar de uma mesa fizéssemos uma estátua de madeira, teríamos, sob a ação mediúnica, uma estátua que se moveria e daria pancadas, respondendo às nossas perguntas. Numa palavra: teríamos uma estátua animada por uma vida artificial. E como se diz mesas falantes, também se poderiam dizer estátuas falantes. Quanta luz lança esta teoria sobre uma infinidade de fenômenos até agora inexplicáveis! Quantas alegorias e efeitos misteriosos vêm explicar!(10)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;78.&#039;&#039;&#039; Os incrédulos objetam, apesar de tudo, que o levantamento das mesas sem apoio é impossível, por contratar a lei da gravitação. Responderemos, primeiro, que a negação não é uma prova; depois, que existindo o fato, estranhamente contrário a todas as leis conhecidas, isso apenas provaria que ele se apóia em alguma lei desconhecida, pois os negadores não podem ter a pretensão de conhecer todas as leis da Natureza. Explicamos essa lei, mas isso não basta para que eles a aceitem, pois a explicação é dada por Espíritos que deixaram as vestes terrenas, em lugar daqueles que ainda as têm e envergam o fardão da Academia. Dessa maneira, se o Espírito de Arago, em vida, lhes tivesse dado essa lei, eles a aceitariam de olhos fechados, mas dada pelo mesmo Espírito, depois da morte, é apenas uma utopia. E isso por que? Porque a morte de Arago é para eles absoluta. Não temos a pretensão de dissuadi-los disso, mas com esta objeção poderia embaraçar algumas pessoas, tentaremos respondê-las do seu mesmo ponto de vista, ou seja, fazendo abstração, por um instante, da teoria da animação factícia.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;79.&#039;&#039;&#039; Quando se faz o vácuo na campânula da máquina pneumática é impossível erguê-la, tal a força de adesão que lhe dá a pressão do ar sobre ela. Deixando-se entrar o ar, a campânula se eleva com a maior facilidade, porque o ar debaixo contrabalança o de cima. Entretanto, abandonada a si mesma, permanecerá no prato em virtude da lei da gravitação. Comprima-se, porém, o ar interior, dando-lhe uma densidade maior que o de cima, e a campânula se levantará apesar da gravitação. Se a corrente de ar for rápida e violenta, ela poderá manter-se no espaço sem nenhum apoio visível, como os bonecos que giram sobre os jatos de um repuxo. Por que, pois, o fluido universal, que é o elemento básico de toda a matéria, acumulando-se em torno da mesa, não teria a propriedade de aumentar ou diminuir o seu peso específico relativo, como faz o ar com a campânula, o hidrogênio com os balões, sem que fique derrogada a lei da gravitação? Conheceis todas as propriedades e toda a força desse fluido? Não. E então? Como negar um fato que não podeis explicar?&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;80.&#039;&#039;&#039; Voltemos à teoria do movimento da mesa. Se um Espírito pode erguer uma mesa pelo meio indicado, pode erguer qualquer outra coisa: uma poltrona, por exemplo. E se pode erguer esta poderá também erguê-la com uma pessoa sentada, havendo força suficiente. Eis, pois, a explicação desse fenômeno, cem vezes produzido pelo sr. Home, consigo mesmo e com outras pessoas. Ele o repetiu durante uma viagem recente a Londres, e para provar que os assistentes não eram vítimas de uma ilusão de óptica, fez no teto um sinal a lápis e deixou que passassem por baixo dele. Sabe-se que o sr. Home é um potente médium de efeitos físicos. Nesse caso, ele era a causa eficiente e o objeto(11)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;81.&#039;&#039;&#039; Tratamos há pouco do possível aumento de peso. É um fenômeno que às vezes se produz e não tem nada de mais anormal do que a prodigiosa resistência da campânula sob a pressão da coluna atmosférica. Sob a influência de certos médiuns, objetos muito leves oferecido à mesma resistência, cedendo de repente ao menor esforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na experiência da campânula, ela realmente não pesa mais nem menos que o seu peso normal, mas parece mais pesada por efeito da causa exterior que a pressiona. O mesmo provavelmente, acontece com a mesa. Ela tem sempre o seu peso natural, pois a sua massa não foi aumentada, mas uma força exterior se opõe ao seu movimento, e essa causa pode estar nos fluidos ambientes que a penetram, como a da campânula está na pressão atmosférica. Faça-se a experiência da campânula diante de um homem ignorante: não compreendendo que o agente é o ar, que ele não vê, será fácil persuadi-lo que se trata do Diabo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez se diga que o fluido, sendo imponderável, sua acumulação não poderá aumentar o peso de um objeto. De acordo. Mas é preciso notar que só nos servimos da palavra acumulação com finalidade  comparativa e não para identificação do fluido com o ar. Ele é imponderável, seja; mas a verdade é que nada o prova, sua natureza íntima nos é desconhecida e estamos longe de conhecer todas as suas propriedades. Antes de conhecer o peso do ar, ninguém podia suspeitar dos efeitos desse peso. A eletricidade é também classificada entre os fluidos imponderáveis. No entanto, um corpo pode ser fixado por uma corrente elétrica e resistir fortemente a quem pretender erguê-lo. Aparentemente, portanto, torna-se mais pesado. Do fato de não se ver o suporte, seria ilógico concluir que ele não existe. O Espírito pode, pois, ter alavancas que desconhecemos. A Natureza nos prova diariamente que o seu poder não se limita ao testemunho dos nossos sentidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se pode explicar senão por uma causa semelhante o estranho fenômeno, de que há tantos exemplos, de um jovem débil e delicado erguer com dois dedos, sem esforço e como uma pena, um homem forte e robusto com a cadeira em que se assenta. E as intermitências da faculdade provam que a sua causa é estranha à pessoa que a possui.(12)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As teorias científicas atuais, no campo da Fisiologia e da Psicologia, tentam negar a existência do fluido magnético. A palavra fluido tornou-se uma heresia científica. Mas o Espiritismo a conserva e já agora estamos vendo a sua volta ao campo científico sob outras formas, como na teoria física de campo, nos elétrons livres e assim por diante. (N. do T.)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(2) Isto explica as interrupções inesperadas de comunicações. A falta de fluido faz a mesa cessar de mover-se, como se o Espírito comunicante se houvesse ausentado. (N. do T.)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(3) O bastão, como apêndice da mão, é animado facticiamente por esta. Lançado ao chão, não tem vida, não dá mais qualquer sinal inteligente. No mundo espiritual os objetos são de outra natureza. A mão pode pegar um bastão e movimentá-lo, mas o pensamento não pode fazer assim. Misturando o fluido animal do médium com o fluido universal do Espírito, temos um pouco da natureza humana e um pouco da espiritual, formando um elemento intermediário. Impregnada a mesa com esse elemento, o fluido material se liga à madeira e o fluido espiritual fica ligado ao pensamento do Espírito. Essa, ao que parece, a mecânica da levitação e essa a natureza do ectoplasma. Os parapsicólogos Wathely Carington e G. S. Soal, em sessão realizada na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, obtiveram o fenômeno de voz-direta, com levitação do megafone. A comunicação foi interrompida em meio, sem que eles pudessem explicar o motivo. Como vemos nestas explicações, deve ter sido a falta de fluido ectoplásmico. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ver o nº 131, cap. VIII da II Parte, e o substituto Médiuns Curadores, do cap. XIV, sobre Os Médiuns. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Ainda hoje se tenta negar a mediunidade alegando a existência dessas pessoas. Como se vê o Espiritismo distingue perfeitamente a ação pessoal ou anímica dessas criaturas da ação impessoal dos médiuns. A sra. Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, era uma dessas pessoas e quis negar a ação mediúnica nos fenômenos físicos, em virtude da sua capacidade de produzi-los. O animismo, como demonstrou Ernesto Bozzano (ver Animismo ou Espiritismo), e como hoje admite o parapsicólogo Rhine (ver O Novo Mundo da Mente) prova a existência do Espírito no homem ou de um elemento não físico, que supera as condições orgânicas. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6)  Da mesma maneira que nossa mão penetra num tubo para erguê-lo ou pega numa vara para sacudi-la. Não esquecer que o perispírito é o corpo espiritual. O Espírito faz aí uma comparação para dar-nos a explicação possível. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) A teoria da condensação do fluido foi posta em ridículo por muitas pessoas, e ainda hoje o é. Mas convém assinalar que essa teoria é precisamente a da física atômica de hoje, para explicar a formação da matéria, que se dá pela condensação da energia. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Preferimos as palavras fundida e colada, em substituição às palavras ligada e ardente, usadas literalmente em várias traduções, porque aquelas nos parecem corresponder melhor, em nossa língua, ao sentido real do texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Esta teoria da emanação e da emissão do fluido animalizado ou fluido perispirítico do médium, e de sua combinação mais ou menos fácil com o fluido universal do Espírito, para a produção dos fenômenos de efeitos e conseqüentemente de materializações, exige atenção do leitor, para bem compreender o desenvolvimento dos fenômenos. A última é de grande importância para explicar as intermitências das funções mediúnicas, cuja causa é muitas vezes orgânica e se costuma atribuir a motivos morais. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10) As estátuas falantes de Kardec não são uma hipótese fantástica, bastando lembra-se às materializações em miniatura, os megafones das experiências de voz direta, as ideoplastias falantes das experiências de Imola, na Itália, além do fenômeno clássico das mesas. O sr. AP. Sinnet, teósofo de renome, relata em seu livro Incidente da Vida da Sra. Blavatsky o fato curioso de um lustre de cristal, em forma de aranha, do Palácio do Metropolita de Moscou, que se desprendeu do teto e andou no ar, como se fosse vivo, numa visita de Blavatsky ao prelado. (N. do T.)        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(11) Daniel Douglas Home, famoso médium inglês que realizava especialmente fenômenos de levitação e foi estudado pelo físico sir William Crookes. A causa eficiente é uma das causas da classificação de Aristóteles e corresponde à que se relaciona diretamente com o efeito, produzindo-o. No caso, Home era a causa eficiente, porque produzia o fenômeno, e era o objeto porque estava levitado. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(12)  A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e variações que mostram a sua independência da vontade pessoal do médium. Essa independência poderia ser determinada por condições orgânicas ou psíquicas, como Kardec já acentuou, mas acusam também, em muitas ocasiões, a participação ou não de inteligência estranhas ao médium, sem as quais ele não consegue a produção dos fenômenos de maneira satisfatória. É o que se verá na seqüência deste livro. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_TEORIA_DAS_MANIFESTA%C3%87%C3%95ES_F%C3%8DSICAS&amp;diff=11344</id>
		<title>Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS</title>
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		<updated>2011-08-08T16:44:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==Movimentos de Suspensão - Ruídos - Aumento e Diminuição de Peso dos Corpos==  &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;72.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Demonstrada a existência dos Espíritos, pelo raciocínio e pelos fatos, e a possib…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==Movimentos de Suspensão - Ruídos - Aumento e Diminuição de Peso dos Corpos==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;72.&#039;&#039;&#039; Demonstrada a existência dos Espíritos, pelo raciocínio e pelos fatos, e a possibilidade de agirem sobre a matéria, devemos agora saber como se efetua essa operação e como eles agem para mover as mesas e outros corpos inertes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pensamento que naturalmente nos ocorre é aquele que tivemos. Como os Espíritos o contestaram e nos deram uma explicação inteiramente diversa, que não podíamos esperar, é evidente que sua teoria não provinha de nós. Ora, a idéia que tivemos, todos a podiam ter, como nós. Quanto à teoria dos Espíritos , não acreditamos que pudesse jamais ocorrer a alguém. Facilmente se reconhecerá quanto é superior a nossa, embora mais simples, porque oferece a solução de numerosos outros fatos que não tinham uma explicação satisfatória.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;73.&#039;&#039;&#039; O conhecimento da natureza dos Espíritos, de sua forma humana, das propriedades semimateriais do perispírito, da ação mecânica que podem exercer sobre a matéria, e o fato de nas aparições as mãos fluídicas e até mesmo tangíveis pegarem objetos e os carregarem, naturalmente nos faziam crer que o Espírito se servisse das mãos para girar a mesa e que a erguesse pelos braços. Mas, nesse caso, qual a necessidade de médiuns? O Espírito não poderia agir sozinho? Porque o médium que freqüentemente pousa as mãos na mesa em sentido contrário ao do movimento, ou mesmo nem chega a pousá-las, não pode evidentemente ajudar o Espírito por ação muscular. Ouçamos primeiro os Espíritos que interrogamos a respeito.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;74.&#039;&#039;&#039; As respostas seguintes nos foram dadas pelo Espírito São Luís e depois confirmadas por muitos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1. &#039;&#039;&#039;O fluido universal é uma emanação da Divindade?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2. &#039;&#039;&#039;É uma criação da Divindade?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  Tudo foi criado, exceto Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3. &#039;&#039;&#039;O fluido universal é o próprio elemento universal?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, é o princípio elementar de todas as coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4. &#039;&#039;&#039;Tem alguma relação com o fluido elétrico, cujos efeitos conhecemos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::—  É o seu elemento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5. &#039;&#039;&#039;Como o fluido universal se nos apresenta na sua maior simplicidade?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Para encontrá-lo na simplicidade absoluta seria preciso remontar aos Espíritos puros. No vosso mundo ele esta sempre mais ou menos modificado, para formar a matéria compacta que vos rodeia. Podeis dizer, entretanto, que ele mais se aproxima dessa simplicidade no fluido que chamais fluido magnético animal(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6. &#039;&#039;&#039;Afirmou-se que o fluido universal é a fonte da vida; seria ao mesmo tempo a fonte da inteligência?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não; esse fluido só anima a matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7. &#039;&#039;&#039;Sendo esse fluido que forma o perispírito, parece encontrar-se nele numa espécie de condensação que de certa maneira o aproxima da matéria propriamente dita?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— De certa maneira, dizeis bem, porque ele não possui todas as propriedades da matéria e a sua condensação é maior ou menor segundo a natureza dos mundos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8. &#039;&#039;&#039;Como um Espírito pode mover um corpo sólido?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Combinando uma porção de fluido universal com o fluido que desprende do médium apropriado a esses efeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos erguem a mesa com a ajuda dos braços, de alguma maneira solidificada?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Esta resposta não te dará ainda o que desejas. Quando uma mesa se move é porque o Espírito evocado tirou do fluido universal o que anima essa mesa de uma vida factícia. Assim preparada, o Espírito a atrai e a movimenta, sob a influência do seu próprio fluido, emitido pela sua vontade. Quando a massa que deseja mover é muito pesada para ele, pede a ajuda de outros Espíritos da sua mesma condição. Por sua natureza etérea, o Espírito da sua mesma condição. Por sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito não pode agir sobre a matéria grosseira sem intermediário, ou seja, sem o liame que o liga à matéria. Esse liame, que chamas perispírito, oferece a chave de todos os fenômenos espíritas materiais. Creio me haver explicado com bastante clareza para fazer-me compreender.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Chamamos a atenção para a primeira frase: “Esta resposta não te dará ainda o que desejas” . O Espírito compreendera perfeitamente que todas as questões anteriores só tinham por fim chegar a essa. E se refere ao nosso pensamento, que esperava, com efeito, outra resposta, que confirmasse a nossa idéia sobre a maneira por que o Espírito movimenta as mesas.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10. &#039;&#039;&#039;Os Espíritos que ele chama para ajudá-lo são inferiores a ele? Estão sob as suas ordens?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Quase sempre são seus iguais e acodem espontaneamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:11. &#039;&#039;&#039;Todos os Espíritos podem produzir esses fenômenos?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Os Espíritos que produzem esses efeitos são sempre inferiores, ainda não suficientemente livres das influencias materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:12. &#039;&#039;&#039;Compreendemos que os Espíritos superiores não se ocupem dessas coisas, mas perguntamos se, sendo mais desmaterializados., teriam o poder de fazê-lo, se o quisessem?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eles possuem a força moral, como os outros possuem a força física. Quando necessitam desta última, servem-se dos que a possuem. Já não dissemos que eles se servem dos Espíritos inferiores como vós dos carregadores?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; – &#039;&#039;A densidade do perispírito, se assim se pode dizer, varia de acordo com a natureza dos mundos, como já foi ensinado. (O Livro dos Espíritos, nº 94 e 187). Parece variar também no mesmo mundo, segundo os indivíduos. Nos Espíritos moralmente adiantados ele é mais sutil e se aproxima do perispírito das entidades elevadas; nos Espíritos inferiores aproxima-se da matéria e é isso que determina a persistência das ilusões da vida terrena nas entidades de baixa categoria, que pensam e agem como se ainda estivessem na vida física, tendo os mesmos desejos e quase poderíamos dizer a mesma sensualidade. Essa densidade maior do perispírito, estabelecendo maior afinidade com a matéria, torna os Espíritos inferiores mais aptos para as manifestações físicas. È por essa razão que um homem refinado, habituado aos trabalhos intelectuais, de corpo frágil e delicado, não pode.erguer pesados fardos como um carregador. A matéria de seu corpo é de alguma maneira menos compacta, os órgãos são menos resistentes, o fluido nervoso menos intenso. O perispírito é para o Espírito o que o corpo é para o homem. Sua densidade esta na razão da inferioridade do espírito. Essa densidade, portanto, substitui nele a força muscular, dando-lhe maior poder sobre os fluidos necessários às manifestações do que o possuem os de natureza mais etérea. Se um Espírito elevado quer produzir esses efeitos, faz o que fazem entre nós os homens refinados: incumbe disso um Espírito carregador&#039;&#039;(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:13. &#039;&#039;&#039;Se bem compreendemos o que disseste, o princípio vital provém do fluido universal. O Espírito tira desse fluido o envoltório semimaterial do seu perispírito, e é por meio desse fluido que ele age sobre a matéria inerte. É isso?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Sim, quer dizer que ele anima a matéria de uma vida factícia, artificial: a matéria se impregna de vida animal. A mesa que se move sob as vossas mãos vive como um animal e obedece por si mesma ao ser inteligente. Não é o Espírito que a empurra como se fosse um fardo. Quando ela se eleva, não é o Espírito que a ergue com os braços; é a mesa animada que obedece à impulsão dada pelo Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:14. &#039;&#039;&#039;Qual o papel do médium nesse fenômeno?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Eu já disse que o fluido próprio do médium se combina com o fluido universal do Espírito. É necessária a união de ambos, do fluido animalizado e do fluido universal, para dar a vida à mesa. Mas não se deve esquecer que essa vida é apenas momentânea, extinguindo-se com a mesma ação, e muitas vezes antes que a ação termine, quando a quantidade de fluido já não é mais suficiente para animar a mesa(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:15. &#039;&#039;&#039;O Espírito pode agir sem o concurso do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Pode agir à revelia do médium. Isso quer dizer que muitas pessoas ajudam os Espíritos na realização de certos fenômenos, sem o saberem. O Espírito tira dessas pessoas, como de uma fonte, o fluido animal de que necessita. È dessa maneira que o concurso de um médium, como o entendes, nem sempre é necessário, o que acontece sobretudo nos fenômenos espontâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:16. &#039;&#039;&#039;A mesa animada age com inteligência? Pensa?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— É como o bastão com que fazes um sinal inteligente a alguém. Não pensa, mas a vitalidade de que esta animado lhe permite obedecer ao impulso de uma inteligência. É bom saber que a mesa em movimento não se torna Espírito e não tem pensamento nem vontade(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Servimo-nos freqüentemente de uma expressão semelhante na linguagem usual: de uma roda que gira com velocidade dizemos que está animada de um movimento rápido.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:17. &#039;&#039;&#039;Qual a causa preponderante na produção deste fenômeno: o Espírito ou o fluido?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— O Espírito é a causa e o fluido é o seu instrumento: ambos são necessários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:18. &#039;&#039;&#039;Qual o papel da vontade do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Chamar os Espíritos e ajudá-los a impulsionar os fluidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::18a. &#039;&#039;&#039;É indispensável à vontade do médium?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:::— Ela aumenta a potência, mas nem sempre é necessária, desde que pode haver o movimento, malgrado ou contra a vontade do médium, o que é uma prova da existência de uma causa independente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:::Observação – Nem sempre é necessário o contato das mãos para mover um objeto. Ele basta, quase sempre, para dar o primeiro impulso. Iniciado o movimento, o objeto pode obedecer à vontade sem contato material. Isto depende da potencia mediúnica ou da natureza dos Espíritos. Aliás, o primeiro contato nem sempre é necessário: temos a prova disso nos movimentos e deslocamentos espontâneos, que ninguém pensou em provocar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:19. &#039;&#039;&#039;Por que motivos não podem todos produzir o mesmo efeito e todos os médiuns não tem a mesma potencia?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Isso depende do organismo e da maior ou menor facilidade na combinação dos fluidos, e ainda da maior ou menor simpatia do médium com os Espíritos que nele encontram a  potencia fluídica necessária. Esta potencia, como a dos magnetizadores, é maior ou menor. Encontramos, nesse caso, pessoas inteiramente refratárias, outras em que a combinação só se verifica pelo esforço da sua própria vontade, e outras, enfim, em que ela se dá tão natural e facilmente que nem a percebem, servindo de instrumentos sem o saberem, como já dissemos. (ver a seguir, o capítulo sobre as manifestações espontâneas)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec&#039;&#039;&#039;: – &#039;&#039;O magnetismo é, não há dúvida, o princípio desses fenômenos, mas não como geralmente se pensa. Temos a prova disso na existência de poderosos magnetizadores que não movimentam uma mesinha de centro, e de pessoas que não sabem magnetizar, até mesmo crianças, que bastam pousar os dedos numa mesa pesada para que ela se agite. Logo, se a potencia mediúnica não depende da magnética, é que tem outra causa&#039;&#039;.(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:20.&#039;&#039;&#039; As pessoas ditas elétricas podem ser consideradas médiuns?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Essas pessoas tiram de si mesmas o fluido necessário à produção dos fenômenos e podem agir sem auxilio dos Espíritos. Não são propriamente médiuns, no sentido exato da palavra. Mas pode ser também que um Espírito as assista e aproveite as suas disposições naturais(5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:: &#039;&#039;&#039;Nota de Kardec&#039;&#039;&#039;: &#039;&#039;– Essas pessoas seriam como os sonâmbulos, que podem agir com ou sem o auxilio dos Espíritos.&#039;&#039; (ver no capítulo XIV, Os Médiuns, a parte relativa aos sonâmbulos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:21. &#039;&#039;&#039;Ao mover os corpos sólidos, os Espíritos penetram na substância dos mesmos ou permanecem fora dela?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Fazem uma coisa e outra. Já dissemos que a matéria não é obstáculo para os Espíritos, que tudo penetram. Uma porção do seu perispírito se identifica, por assim dizer, com o objeto em que penetra?(6)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:22. &#039;&#039;&#039;Como o Espírito bate? Com um objeto material?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não, como não usa os braços para erguer a mesa. Sabes que ele não dispõe de martelos. Seu martelo é o fluido combinado que ele põe em ação, pela sua vontade, para mover ou bater. Quando move, a luz vos transmite a visão do movimento; quando bate, o ar vos transmite o som.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:23. &#039;&#039;&#039;Concebemos isso quando se trata de um corpo duro. Mas, como pode nos fazer ouvir ruídos ou sons através do ar?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Desde que age sobre a matéria, pode agir tanto sobre o ar como sobre a mesa. Quanto aos sons articulados, pode imitá-los como a todos os demais ruídos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:24. &#039;&#039;&#039;Dizes que o espírito não usa as mãos para mover a mesa, mas em certas manifestações apareceram mãos a dedilharem teclados, movimentando as teclas e produzindo sons. Não pareceria, nesse caso, que as teclas eram movimentadas pelos dedos? E a pressão dos dedos não é também direta e real, quando a sentimos em nós mesmos, quando essas mãos deixam marcas na pele?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Não poderias compreender a natureza dos Espíritos e sua maneira de agir por meio dessas comparações, que dão apenas uma idéia incompleta. É um erro querer sempre assemelhar às vossas, as maneiras deles procederem. Os processos dos Espíritos devem estar em relação com a sua organização. Já não dissemos que o fluido do perispírito penetra na matéria e se identifica com ela, dando-lhe uma vida factícia? Pois bem, quando o Espírito movimenta as teclas com os dedos ele o faz realmente. Mas não é pela força muscular que faz a pressão. Ele anima a tecla, como faz com a mesa, e a tecla obedece e vibra a corda. Neste caso também ocorre um fato de difícil compreensão para vós. É que certos Espíritos são ainda tão atrasados e de tal forma materiais, em comparação com os Espíritos elevados, que conservam as ilusões da vida terrena e julgam agir como quando estavam no corpo. Não percebem a verdadeira causa dos efeitos que produzem, como um pobre homem não compreende a teoria dos dons que pronuncia. Se perguntares como tocam o piano, dirão que com os dedos, pois assim crêem fazer. Produzem o efeito de maneira instintiva, sem o saberem, e não obstante pela sua vontade. Quando falam e se fazem ouvir, é a mesma coisa.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&#039;Nota de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Compreende-se, assim, que os Espíritos podem fazer tudo quanto fazemos, mas pelos meios correspondentes ao seu organismo. Algumas forças que lhes são próprias substituem os nossos músculos, da mesma maneira que a mímica substitui, nos mudos, a palavra que lhes falta.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:25. &#039;&#039;&#039;Entre os fenômenos citados como provas da ação de uma potência oculta, há os que são evidentemente contrários a todas as leis conhecidas da Natureza. A dúvida, então, não parece justa?&#039;&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::— Acontece que o homem está longe de conhecer todas as leis da Natureza: se as conhecesse, seria Espírito superior. Cada dia, entretanto, oferece um desmentido aos que tudo pensam saber pretendendo impor limites à Natureza, e nem por isso eles se mostram menos orgulhosos. Desvendando incessantemente novos mistérios, Deus adverte ao homem que deve desconfiar das suas próprias luzes, pois chegará um dia em que a ciência do mais sábios será confundida. Não vê todos os dias os exemplos de corpos dotados de movimento capazes de superar a força de gravitação? À bala de um canhão não supera momentaneamente essa força? &amp;quot;Pobres homens que vos considerais tão sábios, cuja tola vaidade é a todo instante confundida, sabei que sois ainda muito pequeninos&amp;quot;!&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;75.&#039;&#039;&#039; Essas explicações são claras, categorias, sem ambigüidades. Delas ressalta o ponto capital de que os fluidos universais, que encerra o princípio da vida, é o agente principal das manifestações e que esse agente recebe seu impulso do Espírito, quer seja encarnado ou errante. O fluido condensado constitui o perispírito ou invólucro semi-material do Espírito(7)  Na encarnação, o perispírito está ligado à matéria do corpo; na erraticidade está livre. Quando o Espírito está encarnado, a substância do perispírito está mais ou menos fundida com a matéria corpórea, mais ou menos colada a ela, se assim podemos dizer.(8) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em algumas pessoas há uma espécie de emanação desse fluido, em conseqüência de condições especiais de sua organização, e é disso, propriamente falando,que resultam os médiuns de efeitos físicos. A emissão do fluido animalizado pode ser mais ou menos abundante e sua combinação mais ou menos fácil, e daí os médiuns mais ou menos possantes. Mas essa emissão não é permanente, o que explica a intermitência da força.(9)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;76.&#039;&#039;&#039; Façamos uma comparação. Quando queremos atingir alguma coisa situada à distância de nós, é pelo pensamento que o tentamos, mas o pensamento sozinho não poderia realizar o nosso intento. Precisamos de um instrumento que o pensamento dirigirá: um bastão, um projétil, um assopro, etc. Note-se ainda que o pensamento não age diretamente sobre o bastão, que precisamos pegar. A inteligência, que é o próprio Espírito encarnado em nosso corpo, está unida ao corpo pelo perispírito e não pode agir sobre o corpo sem perispírito, da mesma maneira que não pode agir sobre o bastão sem o corpo. Assim, ela age sobre o perispírito, que é a substância com que tem mais afinidade, o perispírito age sobre os músculos, estes fazem a mão pegar o bastão e o bastão atinge o alvo. Quando o Espírito não está encarnado necessita de um instrumento que não pertence ao seu organismo: esse instrumento é o fluido, com o auxílio do qual torna o objeto apropriado a realizar o impulso da sua vontade&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;77.&#039;&#039;&#039; Quando, pois, um objeto é movido, erguido ou atirado no ar, o Espírito não o pegou, não o ergueu nem o atirou como nós o fazemos com as mãos. Ele o saturou, por assim dizer, como o seu fluido, combinado com o do médium. O objeto, assim momentaneamente vivificado, age como um ser vivo, com a diferença de não ter vontade própria e obedecer ao impulso da vontade do Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, o fluido vital, dirigido pelo Espírito, dá uma vida artificial e momentânea aos corpos inertes. Sendo o perispírito formado por esse fluido, segue-se que o Espírito encarnado, por meio do seu perispírito, é quem dá vida ao corpo, mantendo-se unido a ele enquanto o organismo o permite. Quando ele se retira, o corpo morre. Então, se em lugar de uma mesa fizéssemos uma estátua de madeira, teríamos, sob a ação mediúnica, uma estátua que se moveria e daria pancadas, respondendo às nossas perguntas. Numa palavra: teríamos uma estátua animada por uma vida artificial. E como se diz mesas falantes, também se poderiam dizer estátuas falantes. Quanta luz lança esta teoria sobre uma infinidade de fenômenos até agora inexplicáveis! Quantas alegorias e efeitos misteriosos vêm explicar!(10)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;78.&#039;&#039;&#039; Os incrédulos objetam, apesar de tudo, que o levantamento das mesas sem apoio é impossível, por contratar a lei da gravitação. Responderemos, primeiro, que a negação não é uma prova; depois, que existindo o fato, estranhamente contrário a todas as leis conhecidas, isso apenas provaria que ele se apóia em alguma lei desconhecida, pois os negadores não podem ter a pretensão de conhecer todas as leis da Natureza. Explicamos essa lei, mas isso não basta para que eles a aceitem, pois a explicação é dada por Espíritos que deixaram as vestes terrenas, em lugar daqueles que ainda as têm e envergam o fardão da Academia. Dessa maneira, se o Espírito de Arago, em vida, lhes tivesse dado essa lei, eles a aceitariam de olhos fechados, mas dada pelo mesmo Espírito, depois da morte, é apenas uma utopia. E isso por que? Porque a morte de Arago é para eles absoluta. Não temos a pretensão de dissuadi-los disso, mas com esta objeção poderia embaraçar algumas pessoas, tentaremos respondê-las do seu mesmo ponto de vista, ou seja, fazendo abstração, por um instante, da teoria da animação factícia.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;79.&#039;&#039;&#039; Quando se faz o vácuo na campânula da máquina pneumática é impossível erguê-la, tal a força de adesão que lhe dá a pressão do ar sobre ela. Deixando-se entrar o ar, a campânula se eleva com a maior facilidade, porque o ar debaixo contrabalança o de cima. Entretanto, abandonada a si mesma, permanecerá no prato em virtude da lei da gravitação. Comprima-se, porém, o ar interior, dando-lhe uma densidade maior que o de cima, e a campânula se levantará apesar da gravitação. Se a corrente de ar for rápida e violenta, ela poderá manter-se no espaço sem nenhum apoio visível, como os bonecos que giram sobre os jatos de um repuxo. Por que, pois, o fluido universal, que é o elemento básico de toda a matéria, acumulando-se em torno da mesa, não teria a propriedade de aumentar ou diminuir o seu peso específico relativo, como faz o ar com a campânula, o hidrogênio com os balões, sem que fique derrogada a lei da gravitação? Conheceis todas as propriedades e toda a força desse fluido? Não. E então? Como negar um fato que não podeis explicar?&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;80.&#039;&#039;&#039; Voltemos à teoria do movimento da mesa. Se um Espírito pode erguer uma mesa pelo meio indicado, pode erguer qualquer outra coisa: uma poltrona, por exemplo. E se pode erguer esta poderá também erguê-la com uma pessoa sentada, havendo força suficiente. Eis, pois, a explicação desse fenômeno, cem vezes produzido pelo sr. Home, consigo mesmo e com outras pessoas. Ele o repetiu durante uma viagem recente a Londres, e para provar que os assistentes não eram vítimas de uma ilusão de óptica, fez no teto um sinal a lápis e deixou que passassem por baixo dele. Sabe-se que o sr. Home é um potente médium de efeitos físicos. Nesse caso, ele era a causa eficiente e o objeto(11)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;81.&#039;&#039;&#039; Tratamos há pouco do possível aumento de peso. É um fenômeno que às vezes se produz e não tem nada de mais anormal do que a prodigiosa resistência da campânula sob a pressão da coluna atmosférica. Sob a influência de certos médiuns, objetos muito leves oferecido à mesma resistência, cedendo de repente ao menor esforço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na experiência da campânula, ela realmente não pesa mais nem menos que o seu peso normal, mas parece mais pesada por efeito da causa exterior que a pressiona. O mesmo provavelmente, acontece com a mesa. Ela tem sempre o seu peso natural, pois a sua massa não foi aumentada, mas uma força exterior se opõe ao seu movimento, e essa causa pode estar nos fluidos ambientes que a penetram, como a da campânula está na pressão atmosférica. Faça-se a experiência da campânula diante de um homem ignorante: não compreendendo que o agente é o ar, que ele não vê, será fácil persuadi-lo que se trata do Diabo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez se diga que o fluido, sendo imponderável, sua acumulação não poderá aumentar o peso de um objeto. De acordo. Mas é preciso notar que só nos servimos da palavra acumulação com finalidade  comparativa e não para identificação do fluido com o ar. Ele é imponderável, seja; mas a verdade é que nada o prova, sua natureza íntima nos é desconhecida e estamos longe de conhecer todas as suas propriedades. Antes de conhecer o peso do ar, ninguém podia suspeitar dos efeitos desse peso. A eletricidade é também classificada entre os fluidos imponderáveis. No entanto, um corpo pode ser fixado por uma corrente elétrica e resistir fortemente a quem pretender erguê-lo. Aparentemente, portanto, torna-se mais pesado. Do fato de não se ver o suporte, seria ilógico concluir que ele não existe. O Espírito pode, pois, ter alavancas que desconhecemos. A Natureza nos prova diariamente que o seu poder não se limita ao testemunho dos nossos sentidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se pode explicar senão por uma causa semelhante o estranho fenômeno, de que há tantos exemplos, de um jovem débil e delicado erguer com dois dedos, sem esforço e como uma pena, um homem forte e robusto com a cadeira em que se assenta. E as intermitências da faculdade provam que a sua causa é estranha à pessoa que a possui.(12)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As teorias científicas atuais, no campo da Fisiologia e da Psicologia, tentam negar a existência do fluido magnético. A palavra fluido tornou-se uma heresia científica. Mas o Espiritismo a conserva e já agora estamos vendo a sua volta ao campo científico sob outras formas, como na teoria física de campo, nos elétrons livres e assim por diante. (N. do T.)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(2) Isto explica as interrupções inesperadas de comunicações. A falta de fluido faz a mesa cessar de mover-se, como se o Espírito comunicante se houvesse ausentado. (N. do T.)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(3) O bastão, como apêndice da mão, é animado facticiamente por esta. Lançado ao chão, não tem vida, não dá mais qualquer sinal inteligente. No mundo espiritual os objetos são de outra natureza. A mão pode pegar um bastão e movimentá-lo, mas o pensamento não pode fazer assim. Misturando o fluido animal do médium com o fluido universal do Espírito, temos um pouco da natureza humana e um pouco da espiritual, formando um elemento intermediário. Impregnada a mesa com esse elemento, o fluido material se liga à madeira e o fluido espiritual fica ligado ao pensamento do Espírito. Essa, ao que parece, a mecânica da levitação e essa a natureza do ectoplasma. Os parapsicólogos Wathely Carington e G. S. Soal, em sessão realizada na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, obtiveram o fenômeno de voz-direta, com levitação do megafone. A comunicação foi interrompida em meio, sem que eles pudessem explicar o motivo. Como vemos nestas explicações, deve ter sido a falta de fluido ectoplásmico. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ver o nº 131, cap. VIII da II Parte, e o substituto Médiuns Curadores, do cap. XIV, sobre Os Médiuns. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Ainda hoje se tenta negar a mediunidade alegando a existência dessas pessoas. Como se vê o Espiritismo distingue perfeitamente a ação pessoal ou anímica dessas criaturas da ação impessoal dos médiuns. A sra. Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, era uma dessas pessoas e quis negar a ação mediúnica nos fenômenos físicos, em virtude da sua capacidade de produzi-los. O animismo, como demonstrou Ernesto Bozzano (ver Animismo ou Espiritismo), e como hoje admite o parapsicólogo Rhine (ver O Novo Mundo da Mente) prova a existência do Espírito no homem ou de um elemento não físico, que supera as condições orgânicas. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6)  Da mesma maneira que nossa mão penetra num tubo para erguê-lo ou pega numa vara para sacudi-la. Não esquecer que o perispírito é o corpo espiritual. O Espírito faz aí uma comparação para dar-nos a explicação possível. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) A teoria da condensação do fluido foi posta em ridículo por muitas pessoas, e ainda hoje o é. Mas convém assinalar que essa teoria é precisamente a da física atômica de hoje, para explicar a formação da matéria, que se dá pela condensação da energia. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Preferimos as palavras fundida e colada, em substituição às palavras ligada e ardente, usadas literalmente em várias traduções, porque aquelas nos parecem corresponder melhor, em nossa língua, ao sentido real do texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Esta teoria da emanação e da emissão do fluido animalizado ou fluido perispirítico do médium, e de sua combinação mais ou menos fácil com o fluido universal do Espírito, para a produção dos fenômenos de efeitos e conseqüentemente de materializações, exige atenção do leitor, para bem compreender o desenvolvimento dos fenômenos. A última é de grande importância para explicar as intermitências das funções mediúnicas, cuja causa é muitas vezes orgânica e se costuma atribuir a motivos morais. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10) As estátuas falantes de Kardec não são uma hipótese fantástica, bastando lembra-se às materializações em miniatura, os megafones das experiências de voz direta, as ideoplastias falantes das experiências de Imola, na Itália, além do fenômeno clássico das mesas. O sr. AP. Sinnet, teósofo de renome, relata em seu livro Incidente da Vida da Sra. Blavatsky o fato curioso de um lustre de cristal, em forma de aranha, do Palácio do Metropolita de Moscou, que se desprendeu do teto e andou no ar, como se fosse vivo, numa visita de Blavatsky ao prelado. (N. do T.)        &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(11) Daniel Douglas Home, famoso médium inglês que realizava especialmente fenômenos de levitação e foi estudado pelo físico sir William Crookes. A causa eficiente é uma das causas da classificação de Aristóteles e corresponde à que se relaciona diretamente com o efeito, produzindo-o. No caso, Home era a causa eficiente, porque produzia o fenômeno, e era o objeto porque estava levitado. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(12)  A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e variações que mostram a sua independência da vontade pessoal do médium. Essa independência poderia ser determinada por condições orgânicas ou psíquicas, como Kardec já acentuou, mas acusam também, em muitas ocasiões, a participação ou não de inteligência estranhas ao médium, sem as quais ele não consegue a produção dos fenômenos de maneira satisfatória. É o que se verá na seqüência deste livro. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES</title>
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		<updated>2011-08-08T16:13:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;65.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Nada certamente nos revela, nesses fatos que acabamos de examinar, a intervenção de uma potência oculta. Esses efeitos poderiam ser perfeitamente explicados pela pos…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;65.&#039;&#039;&#039; Nada certamente nos revela, nesses fatos que acabamos de examinar, a intervenção de uma potência oculta. Esses efeitos poderiam ser perfeitamente explicados pela possível ação de uma corrente elétrica ou magnética ou pela de um fluido qualquer. Foi essa, com efeito, a primeira solução proposta para esses fenômenos, e que realmente podia passar por muito lógica. E ele teria sem dúvida prevalecido, se outros fatos não viessem demonstrar a sua insuficiência. Esses novos fatos consistem na prova de inteligência dada pelos fenômenos. Ora, como todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente, tornou-se evidente que, mesmo admitindo-se a ação da eletricidade ou de qualquer outro fluido, havia a presença de outra causa. Qual seria? Qual era essa inteligência? Foi o que o prosseguimento das observações revelou.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;66.&#039;&#039;&#039; Para que uma manifestação seja inteligente, não precisa ser convincente, espiritual ou sábia. Basta ser um ato livre e voluntário, revelando uma intenção ou correspondendo a um pensamento. Quando vemos um papagaio de papel agitar-se, sabemos que apenas obedece a um impulso do vento; mas se reconhecêssemos nos seus movimentos sinais intencionais, se girasse para a direita ou à esquerda, rápida ou lentamente, obedecendo às nossas ordens, teríamos de admitir, não que o papagaio tenha inteligência, mas que obedece a uma inteligência. Foi o que aconteceu com a mesa.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;67.&#039;&#039;&#039; Vimos à mesa mover-se, elevar-se, dar pancadas sob a influência de um ou de vários médiuns. O primeiro efeito inteligente que se observou foi precisamente o de obediência às ordens dadas. Sem mudar de lugar, a mesa se erguia sobre os pés que lhes eram indicados. Depois, ao abaixar-se, dava um determinado número de pancadas para responder a uma pergunta. De outras vezes, sem o contato de ninguém, a mesa passeava sozinha pelo aposento, avançando para a direita ou à esquerda, para frente ou para trás e executando diversos movimentos que os assistentes ordenavam. É claro que afastamos qualquer suspeita de fraude, aceitando a perfeita lealdade dos assistentes, atestada por sua honorabilidade e absoluto desinteresse. Tratemos logo mais das fraudes contra as quais é prudente prevenir-se.(1)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;68.&#039;&#039;&#039; Por meio de pancada, e principalmente dos estalidos no interior da madeira, de que já tratamos, obtêm-se efeitos ainda mais inteligentes, como a imitação do rufar dos tambores, da fuzilaria de descarga por fila ou de pelotão, de canhoneiros, e também a do ruído de uma serra, das batidas de um martelo, dos ritmos de diversas músicas, etc. Todo um vasto campo, portanto, aberto à investigação. Observou-se que, se havia uma inteligência oculta, ela podia responder a perguntas. E realmente ela respondeu, por sim ou por não, segundo o número de pancadas convencionado. Sendo essas respostas de pouca significação, lembrou-se de estabelecer um sistema de pancadas correspondentes às letras do alfabeto, para a formação de palavras e de frases.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;69.&#039;&#039;&#039; Repetidos à vontade por milhares de pessoas, em todos os países, esses fatos não podiam deixar dúvidas sobre a natureza inteligente das manifestações. Foi então que surgiu um novo sistema de interpretação, atribuindo a inteligência manifestante ao próprio médium, ao interrogante e mesmo aos assistentes. A dificuldade estava em explicar de que maneira essa inteligência podia refletir-se na mesa e traduzir-se por meio de pancadas. Verificando-se que os golpes não eram dados pelo médium, deviam ser dados pelo pensamento. Mas o pensamento dando pancadas seria um fenômeno ainda mais prodigioso do que todos os que se haviam observado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência não tardou  demonstrar que essa opinião era inadmissível. Com efeito, as respostas se mostravam muito freqüentemente em completa oposição ao pensamento dos assistentes fora do alcance intelectual do médium e até mesmo em idiomas ignorados por ele ou relatando fatos desconhecidos de todos. São tão numerosos esses exemplos, que é quase impossível alguém se haver ocupado de comunicações espíritas sem os ter muitas vezes testemunhado. Citaremos apenas um, que nos foi relatado por uma testemunha ocular.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;70.&#039;&#039;&#039; Num navio da marinha imperial Francesa, nos mares da China, toda a equipagem, dos marinheiros até o comando, ocupava-se das mesas falantes. Resolveram evocar o Espírito de um tenente do mesmo navio, morto há dois anos. Ele atendeu, e após diversas comunicações que espantaram a todos, disse o seguinte por meio de pancadas: “Peço-vos insistentemente que paguem ao capitão a soma de (indicou a quantia) que lhe devo e que lamento não ter podido pagar antes de morrer”. Ninguém sabia do fato. O próprio capitão se havia esquecido da dívida, que aliás era mínima. Mas, verificando nas suas contas, encontrou o registro da dívida do tenente, na exata importância indicada. Perguntamos: do pensamento de quem essa indicação podia ter sido refletida.(2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;71.&#039;&#039;&#039; Aperfeiçoou-se essa arte de comunicação pelo sistema alfabético de pancadas, mas o meio era sempre muito moroso. Não obstante, obtiveram-se algumas de certa extensão, assim como interessantes revelações sobre o mundo dos Espíritos. Desse meio surgiram outros, e assim se chegou ao de comunicações escritas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras comunicações desse gênero foram obtidas por meio de uma pequena e leve mesa a que se adaptava um lápis, colocando-a sobre uma folha de papel. Movimentada sob a influência do médium, essa mesinha começou traçando algumas letras, e depois escreveu palavras e fases. Esse processo foi gradualmente simplificado com a utilização de mesas ainda menores, feitas especialmente, do tamanho da mão, a seguir de cestinhas, de caixas de papelão, e por fim de simples pranchetas(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita era tão fluente, rápida e fácil como a manual, mas reconheceu-se mais tarde que todos esses objetos serviam apenas de apêndices da mão, verdadeiros porta-lápis, que podiam ser dispensados. De fato, a própria mão do médium, impulsionada de maneira involuntária, escrevia sob a influência do espírita, sem o concurso da vontade ou do pensamento daquele. Desde então as comunicações de além-túmulo não têm mais dificuldades do que a correspondência habitual entre os vivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltaremos a tratar desses diferentes meios, para explicá-los com detalhes. Fizemos um rápido esboço para mostrar a sucessão dos fatos que levaram à constatação da interferência, nesses fenômenos, de inteligências ocultas, ou seja, dos espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) O problema das fraudes, que tanta celeuma provoca ainda hoje, decorre apenas da falta de observação criteriosa do processo de desenvolvimento dos fenômenos. Numa sessão preparada segundo as indicações de Kardec e realizada por pessoas sérias, os próprios resultados demonstram a impossibilidade de fraudes e ilusões. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) O problema do inconsciente deu margem no passado, e continua a dá-la ainda hoje, a numerosas hipóteses fantásticas sobre a possibilidade de serem essas transmissões. Mas os fatos são mais complicados do que o citado acima e essas hipóteses não abrangem a todos. As pesquisas parapsicológicas atuais, longe de beneficiarem essas hipóteses fantásticas, como querem os adversários do Espiritismo, vêm confirmando progressivamente a explicação espírita. O estudante deve precaver-se contra os explicadores tendenciosos e prosseguir seriamente o estudo para obter respostas mais positivas. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Esse desenvolvimento gradual do processo de psicografia representa um dos episódios mais significativos da Ciência Espírita, mostrando a naturalidade do fenômeno. A prancheta, como se vê não é mais do que uma miniatura da mesa-girante, conservando-se assim a forma do instrumento primitivo através da evolução para a escrita manual. O aparecimento da cesta e da caixa de papelão assinala o momento de transição dos meios materiais para o meio psíquico. Aliás, o fenômeno da psicologia é reconhecido pela Psicologia como escrita automática, estudado principalmente por Pierre Janet. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
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		<title>Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES</title>
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		<updated>2011-08-08T16:06:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;60.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Chamam-se manifestações físicas as que se traduzem por efeitos sensíveis, como os ruídos, o movimento e a deslocação de corpos sólidos. Umas são espontâneas, …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;60.&#039;&#039;&#039; Chamam-se manifestações físicas as que se traduzem por efeitos sensíveis, como os ruídos, o movimento e a deslocação de corpos sólidos. Umas são espontâneas, independentes da vontade humana, e outras podem ser provocadas. Trataremos inicialmente apenas das últimas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O efeito mais simples, e um dos primeiros a serem observados, foi o do movimento circular numa mesa. Esse efeito se produz igualmente em qualquer outro objeto. Mas sendo a mesa o mais empregado, por ser o mais cômodo, o nome de mesas girantes prevaleceu na designação desta espécie de fenômenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando dizemos que este efeito foi um dos primeiros a serem observados, referimo-nos aos últimos tempos, pois é certo que todos os gêneros de manifestações são conhecidos desde os tempos mais distantes, e nem podia ser de outra maneira. Desde que são efeitos naturais, teriam de produzir-se em todas as épocas. Tertuliano refere-se de maneira clara às mesas girantes e falantes.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este fenômeno entreteve durante algum tempo a curiosidade dos salões, que depois se cansaram e passaram a outras distrações, porque servia apenas nesse sentido. Dois foram os motivos do abandono das mesas girantes: para os frívolos, a moda, que raramente lhes permite o mesmo divertimento em dois invernos, e  que prodigiosamente lhe dedicaram três ou quatro! Para as pessoas sérias e observadoras foi um motivo sério: abandonaram as mesas girantes para ocupar-se das conseqüências muito mais importantes que delas resultavam. Deixaram o aprendizado do alfabeto pela Ciência, eis todo o segredo desse aparente abandono, de que fazem tanto barulho os zombadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seja como for, as mesas girantes não deixam de ser o ponto de partida da Doutrina Espírita e por isso devemos tratá-las com maior desenvolvimento.E tanto mais quanto apresentado esses fenômenos na sua simplicidade, o estudo das causas será mais fácil e a teoria, uma vez estabelecida nos dará a chave dos efeitos mais complicados.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;61.&#039;&#039;&#039; Para a produção dos fenômenos é necessária a participação de uma ou muitas pessoas dotadas de aptidão especial e designadas pelo nome de médiuns. O número dos participantes é indiferente, a menos que entre eles se encontrem  alguns médiuns ainda ignorados. Quanto às pessoas cuja mediunidade é nula, sua presença não dá qualquer resultado, podendo mesmo ser mais prejudicial do que útil, pela disposição de espírito com que freqüentemente se apresentam.(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os médiuns gozam de maior ou menor poder na produção dos fenômenos, produzindo efeitos mais ou menos pronunciados. Um médium possante quase sempre produz mais do que vinte outros reunidos, bastando por as mãos na mesa para que ela no mesmo instante se movimente, se eleve, revire salte ou gire com violência.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;62.&#039;&#039;&#039; Não há nenhum indício da faculdade mediúnica e somente a experiência pode revelá-la. Quando se quer fazer uma experiência, numa reunião, basta simplesmente sentar-se em torno de uma mesa e colocar as mãos espalmadas sobre ela, sem pressão nem contenção muscular. No princípio, como as causas do fenômeno eram ignoradas, indicavam-se numerosas precauções, depois reconhecidas como inúteis. Por exemplo: a alternância de sexos, o contato dos dedos mínimos das pessoas para formar uma cadeia ininterrupta. Esta última precaução parecia necessária porque se acreditava na ação de uma espécie de corrente elétrica, mas a experiência mostrou a sua inutilidade. A única prescrição realmente obrigatória é a do recolhimento, do silêncio absoluto, e sobretudo a paciência, quando o efeito demora. Pode acontecer que ele se produza em alguns minutos, como pode tardar meia hora ou uma hora. Isso depende da capacidade mediúnica dos participantes.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;63.&#039;&#039;&#039; Acrescentamos que a forma da mesa, o material de que é feita, a presença de metais, da seda nas vestes dos assistentes, os dias, as horas, a obscuridade, a luz, etc.., são tão indiferentes como  a chuva e o bom tempo. Só o peso da mesa pode ter alguma importância, mas apenas nos casos em que a potência mediúnica não seja suficiente para movê-la. Noutros casos, basta uma pessoa, até mesmo uma criança, para erguer uma mesa de cem quilos, enquanto em condições menos favoráveis doze pessoas não fariam mover-se uma mesinha de centro.(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim preparada à experiência, quando o efeito começa a produzir-se é muito freqüente ouvir-se um pequeno estalo na mesa, sente-se um estremecimento como prelúdio do movimento, a mesa parece lutar para se desamarrar, depois o movimento de rotação se inicia e se acelera a tal ponto que os assistentes se vêem em apuros segui-lo. Desencadeado assim o movimento, pode-se mesmo deixar a mesa livre que ela continua a mover-se sem contato em várias direções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De outras vezes a mesa se ergue e se firma, ora num pé, ora noutro, e depois retorna suavemente sua posição natural. De outras, ainda, ela se balança para frente e para trás e de um lado para outro, imitando o balanço de um navio. E de outras, por fim, mas sendo necessária para isso considerável potência mediúnica, ela se levanta inteiramente do soalho e se mantém em equilíbrio no espaço, sem qualquer apoio, chegando mesmo em certas ocasiões até o forro, de maneira que se pode passar por baixo; a seguir desce lentamente, balançando-se no ar como uma folha de papel, ou cai violentamente e se quebra. Isso prova, de maneira evidente, que não houve uma ilusão de óptica.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;64.&#039;&#039;&#039; Outro fenômeno que se produz com muita freqüência, conforme a natureza do médium, é o das pancadas no cerne da madeira, no seu interior, sem provocar qualquer movimento da mesa. Esses golpes, que às vezes são bem fracos e outras muito forte, estendem-se a outros móveis do aposento, às portas, ás paredes e ao forro. Voltaremos logo a este caso. Quando se produzem na mesa, provocam uma vibração que se percebe muito bem pelos dedos e que se torna sobretudo muito distinta se aplicamos e ouvindo contra a mesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Tertuliano, famoso doutor da Igreja, nascido em Cartago, considerando grande apologista mas que acabou caindo em heresia, depois de havê-las condenado ardentemente. Viveu cerca de 160 a 240 da nossa época. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) A observação de Kardec sobre as pessoas “cuja mediunidade é nula” se explica pela referência final à disposição de Espírito com que participam. Mesmo pessoas sem essa mediunidade específica, mas sinceras e convictas, podem participar de experiências, como adiante se verá. O que torna as pessoas negativas são as vibrações negativas do seu pensamento, que afetam prejudicialmente a reunião. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) A expressão francesa é guéridon, que corresponde a uma mesinha antiga de centro, redonda, com uma perna central única e três pés na ponta. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_A%C3%87%C3%83O_DOS_ESP%C3%8DRITOS_SOBRE_A_MAT%C3%89RIA&amp;diff=11341</id>
		<title>Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA</title>
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		<updated>2011-08-08T15:58:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;52.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Excluída a interpretação materialista, ao mesmo tempo rejeitada pela razão e pelos fatos, resta apenas saber se a alma, após a morte, pode manifestar-se aos vivos.…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;52.&#039;&#039;&#039; Excluída a interpretação materialista, ao mesmo tempo rejeitada pela razão e pelos fatos, resta apenas saber se a alma, após a morte, pode manifestar-se aos vivos. Assim reduzida à sua mais simples expressão, torna-se a questão bastante fácil. Poderíamos perguntar, primeiro, por que motivo os seres inteligentes, que de alguma maneira vivem entre nós, embora naturalmente invisíveis, não poderiam demonstrar-nos a sua presença por algum meio. O simples raciocínio mostra que isto nada tem de impossível, o que já é alguma coisa. Essa crença, aliás, tem a seu favor a aceitação de todos os povos, pois a encontramos em toda parte e em todas as épocas. Ora, uma intuição não poderia ser tão generalizada, nem sobreviver através dos tempos, sem ter alguma razão. Ela é ainda sancionada pelo testemunho dos livros sagrados e dos Pais da Igreja, e foi necessário o ceticismo e o materialismo do nosso século para relegá-la ao campo das superstições. Se estivermos, pois, em erro, essas autoridades também estão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas estas são apenas considerações lógicas. Uma causa, acima de tudo, contribui para fortalecer a dúvida, numa época tão positiva como a nossa, em que tudo se quer conhecer, onde se quer saber o porquê e o como de todas as coisas: a ignorância da natureza dos Espíritos e dos meios pelos quais podem manifestar-se. Conquistado esse conhecimento, o fato das manifestações nada apresenta de surpreendente e entra na ordem dos fatos naturais.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;53.&#039;&#039;&#039; A idéia que geralmente se faz dos Espíritos torna a princípio incompreensível o fenômeno das manifestações. Elas não podem ocorrer sem a ação do Espírito sobre a matéria. Por isso, os que consideram o Espírito completamente desprovido de matéria perguntaram, com aparente razão, como o pode agir materialmente. E nisso precisamente está o erro. Porque o Espírito não é uma abstração, mas um ser definido, limitado e circunscrito. O Espírito encarnado é a alma do corpo; quando o deixa pela morte, não sai desprovido de qualquer envoltório. Todos eles nos dizem que conservam a forma humana, e, com efeito, quando nos aparecem, é sob essa forma que os reconhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Observamo-los anteriormente no momento em que acabavam de deixar a vida. Acham-se perturbados; tudo para eles é conclusão; vêem o próprio corpo perfeito ou mutilado, segundo o gênero de morte; por outro lado, vêem a si mesmo e se sentem vivos. Alguma coisa lhes diz que aquele corpo lhes pertencia e não compreendem como possam estar separados. Continuam a se ver em sua forma anterior, e essa visão provoca em alguns, durante certo tempo, uma estranha ilusão: julgam-se ainda vivos. Falta-lhes a experiência desse novo estado para se convencerem da realidade. Dissipando-se esse primeiro momento de perturbação, o corpo lhes aparece como velha roupa de que se despiram e que não querem mais. Sentem-se mais leves e como livres de um fardo. Não sofrem mais as dores físicas e são felizes de poderem elevar-se e transpor o espaço, como faziam muitas vezes em vida nos seus sonhos.(1) Ao mesmo tempo, apesar da falta do corpo constatam a inteireza da personalidade: tem uma forma que não os constrange nem os embaraça tem a consciência do eu, da individualidade. Que devemos concluir disso? Que a alma não deixa tudo no túmulo mas leva com ela alguma coisa.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;54.&#039;&#039;&#039; Numerosas observações e fatos irrecusáveis, de que trataremos mais tarde, demonstraram a existência no homem de três componentes: &lt;br /&gt;
:1º) a alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral; &lt;br /&gt;
:2º) o corpo, invólucro material e grosseiro de que é revestido temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais; &lt;br /&gt;
:3º) o perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de liame entre a alma e o corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A morte é a destruição, ou melhor, a desagregação do envoltório grosseiro que a alma abandona. O outro envoltório desprende-se e vai com a alma, que dessa maneira tem sempre um instrumento. Este último, embora fluídico, etéreo, vaporoso, invisível, para nós em seu estado normal, é também material, apesar de não termos, até o presente, podido captá-lo e submetê-lo à análise. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este segundo envoltório da alma ou &#039;&#039;perispírito&#039;&#039; existe, portanto, na própria vida corpórea. É o intermediário de todas as sensações que o Espírito percebe, e através do qual o Espírito transmite a sua vontade ao exterior, agindo sobre os órgãos do corpo. Para nos servimos de uma comparação, é o fio elétrico condutor que serve para a recepção e a transmissão do pensamento. É, enfim, esse agente misterioso, inapreensível, chamado fluido nervoso, que desempenha tão importante papel na economia orgânica e que ainda não se considera suficientemente nos fenômenos fisiológicos e patológicos. A Medicina, considerando apenas o elemento material ponderável, priva-se do conhecimento de uma causa permanente de ação, na apreciação dos fatos. Mas não é aqui o lugar de examinar essa questão; lembraremos somente que o conhecimento do perispírito é a chave de uma infinidade de problemas até agora inexplicáveis(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perispírito não é uma dessas hipóteses a que se recorre nas ciências para explicação de um fato. Sua existência não foi somente revelada pelos Espíritos, pois resulta também de observações, como teremos ocasião de demonstrar. Por agora, e para não antecipar questões que teremos de tratar, nos limitaremos a dizer que, seja durante a sua união com o corpo ou após a separação, a alma jamais se separa do seu perispírito.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;55.&#039;&#039;&#039; Já se disse que o Espírito é uma flama, uma centelha.(3) Isto se aplica ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, ao qual não saberíamos dar uma forma determinada. Mas, em qualquer de seus graus, ele está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia. Dessa maneira, a idéia de forma é para nós inseparável da idéia de Espírito, a ponto de não concebermos este sem aquela. O perispírito, portanto, faz parte integrante do espírito, como o corpo faz parte integrante do homem. Mas o perispírito sozinho não é o homem, pois o perispírito não pensa. Ele é para o Espírito o que o corpo é para o Homem: o agente ou instrumento de sua atividade.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;56.&#039;&#039;&#039; A forma do perispírito é a forma humana, e quando ele nos aparece é geralmente a mesma sob a qual conhecemos o espírito na vida física. Poderíamos crer, por isso, que o perispírito, desligado de todas as partes do corpo, se modela de alguma maneira sobre ele e lhe conserva a forma. Mas não parece ser assim. A forma humana , com algumas diferenças de detalhes e as modificações orgânicas exigidas pelo meio em que o ser tem de viver, é a mesma em todos os globos. É pelo menos, o que dizem os Espíritos. E é também a forma de todos os Espíritos não encamados, que só possuem o perispírito. A mesma sob a qual em todos os tempos foram representados os anjos ou Espíritos puros. De onde devemos concluir que a forma humana é a forma típica de todos os seres humanos, em qualquer grau a que pertençam. Mas a matéria sutil do perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta do corpo. Ela é, se assim podemos dizer, flexível e expansível. Por isso, a forma que ela toma, mesmo que decalcada do corpo, não é absoluta. Ela se molda à vontade do espírito, que pode lhe dar a aparência que quiser, enquanto o invólucro material lhe ofereceria uma resistência invencível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desembaraçado do corpo que o comprimia, o perispírito se distende ou se contrai, se transforma, em uma palavra: presta-se a todas as modificações, segundo a vontade que o dirige. É graças a essa propriedade do seu invólucro fluídico que o Espírito pode fazer-se reconhecer, quando necessário, tomando exatamente a aparência que tinha na vida física, e até mesmo com os defeitos que possam servir de sinais para o reconhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos, portanto, são seres semelhantes a nós, formando ao nosso redor toda uma população que é invisível no seu estado normal. E dizemos &#039;&#039;no estado normal&#039;&#039; porque, como veremos, essa invisibilidade não é absoluta.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;57.&#039;&#039;&#039; Voltemos a tratar da natureza do perispírito, que é essencial para a explicação que devemos dar. Dissemos que, embora fluídico, ele se constitui de uma espécie de matéria, e isso resulta dos casos de aparições tangíveis, aos quais voltaremos. Sob a influência de certos médiuns, verificou-se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser apalpada, oferecendo a resistência dos corpos sólidos, e que de repente se esvaeciam como sombras. A ação inteligente dessas mãos, que evidentemente obedecem a uma vontade ao executar certos movimentos, até mesmo ao tocar músicas num instrumento, prova que elas são parte visível de um ser inteligente invisível. Sua tangibilidade, sua temperatura, a impressão sensorial que produzem, chegando mesmo a deixar marcas na pele, a dar pancadas dolorosas, a acariciar delicadamente, provam que são materialmente constituídas. Sua desaparição instantânea prova, entretanto, que essa matéria é extremamente sutil e se comporta como algumas substâncias que podem, alternativamente, passar do estado sólido ao fluídico e vice-versa.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;58.&#039;&#039;&#039; A natureza íntima do espírito propriamente dita, ou seja, do ser pensante, é para nós inteiramente desconhecida. Ele se revela a nós pelos seus atos, e esses atos só podem tocar os nossos sentidos por um intermediário material. O Espírito precisa, pois, de matéria, para agir sobre a matéria. Seu instrumento direto é o perispírito, como o do homem é o corpo. O perispírito, como acabamos de ver, constitui-se de matéria. Vem a seguir o fluido universal, agente intermediário, espécie de veículo sobre o qual ele age como nós agimos sobre o ar para obter certos efeitos através da dilatação, da compreensão, da propulsão ou das vibrações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim considerada, a ação do Espírito sobre a matéria é fácil de admitir-se. Compreendem-se então que os efeitos pertencem á ordem dos fatos naturais e nada tem de maravilhoso. Só pareciam sobrenaturais porque sua causa era desconhecida. Desde que a conhecemos, o maravilhoso desaparece, pois a causa se encontra inteiramente nas propriedades semimateriais do perispírito. Trata-se de uma nova ordem de coisas, que novas leis vêm explicar. Dentro em pouco ninguém mais se espantará com esses fatos, como ninguém hoje se espanta de poder comunicar-se à distância, em apenas alguns minutos, por meio da eletricidade.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;59.&#039;&#039;&#039; Talvez se pergunte como pode o Espírito, com a ajuda de uma matéria tão sutil, agir sobre corpos pesados e compactos, erguer mesas etc. Certamente não será um homem de ciências que fará essa objeção, porque, sem falar das propriedades desconhecidas que esse novo agente pode ter, não vimos com os próprios olhos exemplos semelhantes? Não é nos gases mais rarefeitos,nos fluidos imponderáveis, que a indústria encontra as mais poderosas forças motrizes? Quando vemos o ar derrubar edifícios, o vapor arrastar massas enormes, a pólvora gaseificada elevar rochedos, a eletricidade despedaçar árvores e perfurar muralhas, que há de estranho em admitir que o Espírito, servindo-se do perispírito, possa erguer uma mesa, sobretudo quando se sabe que esse perispírito pode tornar-se visível, tangível e comportar-se como um corpo sólido?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Quem se reportar ao que dissemos em O Livro dos Espíritos sobre os sonhos e o estado do Espírito durante o sono (nº 400 a 418), compreenderá que os sonhos que quase todos tem, vendo-se transportados através do espaço e como que voando, são a lembrança da sensação do Espírito durante o seu desprendimento do corpo, levando o corpo fluídico, o mesmo que conservará após a morte. Esses sonhos podem pois nos dar a idéia do estado do Espírito quando se desembaraçar dos entraves que o retêm na Terra. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) O desenvolvimento da Psicoterapêutica, e mais recentemente da Medicina psicossomática, confirmam o acerto de Kardec nesta observação. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) O Livro dos Espíritos, nº 88. Respondendo a uma pergunta de Kardec sobre a forma dos Espíritos, os seus instrutores espirituais disseram: “Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea”. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 2 – MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA|Cap. 1]], [[Cap. 2 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES|Cap. 2]], [[Cap. 3 – MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES|Cap. 3]], [[Cap. 4 – TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS|Cap. 4]], [[Cap. 5 – MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS|Cap. 5]], [[Cap. 6 – MANIFESTAÇÕES VISUAIS|Cap. 6]], [[Cap. 7 – BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO|Cap. 7]], [[Cap. 8 – LABORATÓRIO DO MUNDO INVISÍVEL|Cap. 8]], [[Cap. 9 – LOCAIS ASSOMBRADOS|Cap. 9]], [[Cap. 10 – NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES|Cap. 10]], [[Cap. 11 – SEMATOLOGIA E TIPTOLOGIA|Cap. 11]], [[Cap. 12 – PNEUMATOGRAFIA OU ESCRITA DIRETA – PNEUMATOFONIA|Cap. 12]], [[Cap. 13 – PSICOGRAFIA|Cap. 13]], [[Cap. 14 – OS MÉDIUNS|Cap. 14]], [[Cap. 15 – MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS|Cap. 15]], [[Cap. 16 – MÉDIUNS ESPECIAIS|Cap. 16]], [[Cap. 17 – FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS|Cap. 17]], [[Cap. 18 – INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE|Cap. 18]], [[Cap. 19 – PAPEL DOS MÉDIUNS NAS COMUNICAÇÕES|Cap. 19]], [[Cap. 20 – INFLUÊNCIA MORAL DOS MÉDIUNS|Cap. 20]], [[Cap. 21 – INFLUÊNCIA DO MEIO|Cap. 21]], [[Cap. 22 – DA MEDIUNIDADE NOS ANIMAIS|Cap. 22]], [[Cap. 23 – DA OBSESSÃO|Cap. 23]], [[Cap. 24 – IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS|Cap. 24]], [[Cap. 25 – DAS EVOCAÇÕES|Cap. 25]], [[Cap. 26 – PERGUNTAS QUE SE PODEM FAZER|Cap. 26]], [[Cap. 27 – CONTRADIÇÕES E MISTIFICAÇÕES|Cap. 27]], [[Cap. 28 – CHARLATANISMO E PRESTIDIGITAÇÃO|Cap. 28]], [[Cap. 29 – REUNIÕES E SOCIEDADES|Cap. 29]], [[Cap. 30 – REGULAMENTO|Cap. 30]], [[Cap. 31 – DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS|Cap. 31]], [[Cap. 32 – VOCABULÁRIO ESPÍRITA|Cap. 32]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Livro_dos_M%C3%A9diuns_-_INTRODU%C3%87%C3%83O&amp;diff=11340</id>
		<title>Livro dos Médiuns - INTRODUÇÃO</title>
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		<updated>2011-08-08T14:28:33Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;Diariamente a experiência confirma a nossa opinião de que as dificuldades e desilusões encontradas na prática espírita decorrem da ignorância dos princípios doutrinários:…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Diariamente a experiência confirma a nossa opinião de que as dificuldades e desilusões encontradas na prática espírita decorrem da ignorância dos princípios doutrinários: Sentimo-nos felizes ao verificar que foi eficiente o nosso trabalho para prevenir os adeptos para os perigos do aprendizado, e que muitos puderam evitá-los, com a leitura atenta desta obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito natural o desejo dos que se dedicam ao Espiritismo, de entrarem pessoalmente em comunicação com os Espíritos. Esta obra destina-se a facilitar-lhes  isso, permitindo-lhes aproveitar os frutos de nossos longos e laboriosos estudos. Pois bem errado andaria quem julgasse que, para tornar-se perito no assunto, bastaria aprender a pôr os dedos numa mesa para fazê-la girar ou pegar um lápis para escrever.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Igualmente se enganaria quem pensasse encontrar nesta obra uma receita universal infalível para fazer médiuns. Embora cada qual já traga em si mesmo os germes das qualidades necessárias, essas qualidades se apresentam em graus diversos, e o seu desenvolvimento depende de causas estranhas à vontade humana. Não fazemos poetas, nem pintores ou músicos com as regras dessas artes, que servem apenas para orientar os dons de quem possui os respectivos talentos. Sua finalidade é indicar os meios de desenvolvimento da mediunidade em que a possui, segundo as possibilidades de cada um, e sobretudo orientar o seu emprego de maneira proveitosa. Mas não é esse o nosso único objetivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aumenta todos os dias, ao lado dos médiuns, o número de pessoas que se dedica a manifestações espíritas. Orientá-las nas suas observações, apontar-lhes as dificuldades que certamente encontrarão, ensinar-lhes a maneira de se comunicarem com os Espíritos, obtendo boas comunicações, é o que também devemos fazer para completar o nosso trabalho. Ninguém estranhe, pois, se encontrar ensinamentos que poderão parecer descabidos. A experiência mostrará que são úteis. O estudo atencioso deste livro facilitará a compreensão dos fatos a observar. A linguagem de certos Espíritos parecerá menos estranha. Como instrução prática ele não se dirige exclusivamente aos médiuns, mas a todos que querem observar os fenômenos espíritas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desejariam alguns que publicássemos um manual prático mais sucinto, indicando em poucas palavras como entrar em comunicação com os Espíritos. Entendem que um livrinho assim, mais barato podendo ser difundido com mais profusão, seria poderoso meio de propaganda, multiplicando o número de médiuns. Pensamos que isso seria mais nocivo do que útil, pelo menos no momento. A prática  espírita é difícil, apresentando escolhos que somente um estudo sério e completo pode prevenir. Uma exposição sucinta poderia facilitar experiências levianas, que levariam a decepções. São coisas com as quais não se deve brincar, e acreditamos que seria inconveniente pô-las ao alcance de qualquer estouvado que inventasse conversar com os mortos. Dirigimo-nos aos que vêem no Espiritismo um objetivo sério, compreendendo toda a sua gravidade e não pretendem brincar com as comunicações do outro mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegamos a publicar uma Instrução Prática para os médiuns que se encontra esgotada. Fizemo-la com objetivo sério e grave mas apesar disso não a reimprimiríamos, pois já não corresponde à necessidade de esclarecimento completo das dificuldades que podem ser encontradas. Preferimos substituí-la por esta, em que reunimos todos os dados de uma longa experiência e de um estudo consciencioso. Ela contribuirá, esperamos, para mostrar o caráter sério do Espiritismo, que é a sua essência, e para afastar a idéia de frivolidade e divertimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acrescentaremos uma importante consideração: a de que as experiências feitas com leviandade, sem conhecimento de causa, provocam péssimas impressões nos principiantes ou pessoas mal preparadas, tendo o inconveniente de dar uma idéia bastante falsa do mundo dos Espíritos, favorecendo a zombaria e dando motivos a críticas quase sempre bem fundadas. É por isso que os incrédulos saem dessas reuniões raramente convencidos e pouco dispostos a reconhecerem o aspecto sério do Espiritismo. A ignorância e a leviandade de certos médiuns têm causado maiores prejuízos do   que se pensa na opinião de muita gente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vem progredindo bastante o Espiritismo, desde alguns anos, mas o seu maior progresso se verifica depois que entrou no rumo filosófico, porque despertou a atenção de pessoas esclarecidas. Hoje não é mais uma diversão, mas uma doutrina de que não riem os que zombavam das mesas-girantes. Esforçando-nos por sustentá-lo nesse terreno, estamos certos de conquistar adeptos mais úteis do que através de manifestações levianas. Temos a prova disso todos os dias, pelo número de adeptos resultantes da simples leitura de O LIVRO DOS ESPÍRITOS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da exposição do aspecto filosófico da ciência espírita em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, damos nesta obra a sua parte prática, para aqueles que desejarem ocupar-se das manifestações, seja pessoalmente, seja pela observação de experiências alheias. Verão aqui os escolhos que poderão encontrar e estarão em condições de evitá-los. Essas duas obras, embora se completem, são até certo ponto independentes uma da outra. Mas a quem quiser tratar seriamente do assunto, recomendamos primeiramente a leitura de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, porque contém os princípios fundamentais, sem o quais talvez seja difícil a compreensão de algumas partes desta obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta segunda edição foi bem melhorada, apresentando-se mais completa do que a primeira. Foi corrigida com especial cuidado pelos Espíritos, que lhe acrescentaram grande número de observações e instruções do mais alto interesse. Como eles reviram tudo, aprovando ou modificando a vontade, podemos dizer que ela é, em grande parte, obra deles. Mesmo porque não se limitaram a intervir em algumas comunicações assinadas. Só indicamos os nomes, quando isso nos pareceu necessário para caracterizar algumas exposições mais extensas, como feitas textualmente por eles. De outra maneira, teríamos de mencioná-los quase em cada página, particularmente nas respostas dadas às nossas perguntas, o que nos pareceu inútil. Os nomes pouco importam, como se sabe, neste assunto. O essencial é que o trabalho corresponda, no seu conjunto, aos objetivos propostos. Esperamos assim que esta edição, mais perfeita que a primeira, seja tão bem recebida como aquela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como acrescentamos muitas coisas, e muitos capítulos inteiros, assim também suprimimos alguns trechos repetidos, como o da ESCALA ESPÍRITA, que já se encontra em O LIVRO DOS ESPÍRITOS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suprimimos ainda do vocabulário o que não se refere propriamente a esta obra, substituindo-o por coisas mais úteis. Esse vocabulário, aliás, não está completo, pretendemos publicá-lo mais tarde, em separado, na forma de um pequeno dicionário da filosofia espírita. Conservamos nesta obra, tão somente, as palavras novas específicas, relativas ao assunto de que nos ocupamos.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Nota==&lt;br /&gt;
(1) A segunda edição, que serviu para esta tradução, constitui o texto definitivo do livro. As características que se notam entre este final do prefácio e o das nossas demais traduções de O LIVRO DOS MÉDIUNS decorrentes de modificações nas edições francesas posteriores à morte de Kardec. É de particular interesse doutrinário a referência do Codificador ao seu desejo de publicar um Pequeno Dicionário da Filosofia Espírita, obra que continua a fazer falta na bibliografia doutrinária. (N. do T. )&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Livro_dos_M%C3%A9diuns_-_EXPLICA%C3%87%C3%83O&amp;diff=11339</id>
		<title>Livro dos Médiuns - EXPLICAÇÃO</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Livro_dos_M%C3%A9diuns_-_EXPLICA%C3%87%C3%83O&amp;diff=11339"/>
		<updated>2011-08-08T14:24:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;Este é o segundo volume da Codificação do Espiritismo. Logo após a publicação de O Livro dos Espíritos, obra básica da doutrina, em 1857, Kardec lançou, em 58, um livrin…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Este é o segundo volume da Codificação do Espiritismo. Logo após a publicação de O Livro dos Espíritos, obra básica da doutrina, em 1857, Kardec lançou, em 58, um livrinho intitulado Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas. Era um ensaio para elaboração de O Livro dos Médiuns, que só pode aparecer em 1861. Publicado este, Kardec suprimiu aquele. Apesar disso, 65 anos mais tarde, em 1923, Jean Meyer, então diretor da Casa dos Espíritas, resolveu reeditar o Instruções, para circular juntamente com este livro, por considerar aquele livrinho útil à iniciação nas questões mediúnicas. No Brasil, Cairbar Schutel, em sua gráfica de Matão, lançou também o Instruções em nossa língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A finalidade deste livro é desenvolver a parte prática da doutrina, em seqüência à exposição teórica do livro básico. Por isso Kardec o considerou &amp;quot;continuação de O Livro dos Espíritos&amp;quot;, como se vê no frontispício. Mesmo porque, segundo declara na Introdução, este livro também pertence aos Espíritos. Foram eles que o orientaram na sua elaboração, eles que o reviram e modificaram inteiramente para a segunda edição de 1862, que ficou sendo a definitiva e que serviu para esta tradução.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de escrito há mais de cem anos. O livro dos Médiuns é atualismo. Nenhuma outra obra, espírita ou não, sobre a fenomenologia mediúnica conseguiu superá-lo. É um tratado que tem por fundamento a pesquisa científica e a experiência, além da contribuição teórica dos Espíritos na explicação de vários problemas ainda inacessíveis à pesquisa científica. Essas explicações só eram aceitas por Kardec na medida da sua racionalidade, de acordo com o método de controle rigoroso que estabeleceu para o seu trabalho. Esse método é explicado neste livro e pode ser examinado em minúcias nos relatórios e registros de sessões publicadas na Revista Espírita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As teorias explicativas dos fenômenos, formuladas por Kardec com os dados de sua investigação e a contribuição dos Espíritos, permanecem ainda como as mais viáveis. Basta um confronto entre essas teorias e as formuladas pelos parapsicólogos atuais para se verificar a solidez das primeiras, até hoje nunca desmentidas, e a fragilidade das segundas. Um exemplo típico é a teoria das aparições, que na atual Parapsicologia constitui um emaranhado de suposições curiosas e nada mais, enquanto neste livro se apresenta fundada em pesquisas, observações, deduções rigorosas e explicações dada por numerosas entidades espirituais em ocasiões diversas, por meios diversos e com todas as provas de seriedade e coerência exigidas pelo método kardeciano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kardec e os Espíritos insistem numa posição ainda pouco compreendida pelos próprios espíritas: a Ciência Espírita teve como vestíbulo as manifestações físicas, mas sua finalidade é moral e suas pesquisas devem desenvolver-se nesse sentido. Provada a sobrevivência espiritual e a comunicabilidade, o Espiritismo deve aprofundar-se na investigação dos processos de comunicação, da situação dos Espíritos após a morte, das leis que regulam as relações permanentes entre os Espíritos e os homens e suas conseqüências nesta vida, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O leitor deve encarar este livro, portanto, como um tratado superior de fenomenologia paranormal, em que a fase metapsíquica e parapsicológica de pesquisa material está superada. O Livro dos Médiuns apresenta solução dos problemas em que ainda se enredam as pesquisas atuais e convida os estudiosos a avançarem além. Mas tudo isso com critério e métodos científicos, segundo o próprio Richet o reconheceu ao se referir a Kardec no Tratado de Metapsíquica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema está assim colocado: as pesquisas espíritas não se prendem aos fenômenos em si, ao mundo fenomênico ou material, e por isso mesmo exigem métodos diferentes dos utilizados nas ciências físicas. Kardec compreendeu isso em pleno século XIX e elaborou o método especial que lhe permitiu avançar sobre seu tempo. A prova disso é que toda a pesquisa metapsíquica e parapsicológica nada mais conseguiu, até agora, no tocante aos resultados positivos, do que referendar as teorias deste livro. Para ajudar o leitor e o estudante a verificarem isso, o presente volume apresenta grande quantidade de notas de pé de página com indicações bibliográficas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;José Herculano Pires&#039;&#039;&#039;,&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Tradutor&#039;&#039;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_SISTEMAS&amp;diff=11338</id>
		<title>Cap. 4 – SISTEMAS</title>
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		<updated>2011-08-08T14:21:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* Notas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;36.&#039;&#039;&#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida sobre a sua realidade e mais ainda a sua causa.(1)  Quando foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e através de experiências que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias, suas crenças e seus preconceitos. Daí o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observação mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os adversários do Espiritismo logo viram, nessas divergências de opinião, um argumento contrário, dizendo que os próprios espíritas não concordavam entre si. Era uma razão bem precária, pois os primeiros passos de todas as ciências em desenvolvimento são necessariamente incertos, até que o tempo permita a reunião e coordenação dos fatos que possam fixar-lhes a orientação. À medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se desfazem e a unidade de opinião se estabelece, quando não os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda à diversidade de opiniões. Podemos dizer, aliás, que nesse sentido o seu avanço foi mais rápido que o de ciências mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores sábios.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;37.&#039;&#039;&#039; Para seguir a ordem progressiva das idéias, de maneira metódica, convém colocar em primeiro lugar os chamados sistemas negativos dos adversários do Espiritismo. Refutamos essas objeções na introdução e na conclusão de O Livro dos Espíritos, bem como na pequena obra intitulada O que é o Espiritismo? Seria inútil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se apóiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, por não admitirem nada além da matéria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os cometam à sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes:&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;38.&#039;&#039;&#039; Sistema do Charlatanismo: Muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos à esperteza, pela razão de alguns terem sido imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em mistificados e todos os médiuns em mistificadores, sem consideração pela posição, ou caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, diríamos que alguns fenômenos da Física são também imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ciência. Há pessoas, aliás, cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso não se ter educação nem urbanidade para atrever-se lhes dizer que são cúmplices de charlatanice. Num salão bastante respeitável, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observação dessa e a dona da casa lhe disse: “Senhor, desde que não está satisfeito, o dinheiro lhe será devolvido na porta”, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necessário admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa não deve levar-nos a prejulgá-la. Podemos considerar a boa fé dos outros pelos motivos de suas ações. Onde não há especulação não há razão para o charlatanismo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;39.&#039;&#039;&#039; Sistema da Loucura: Alguns, por condescendência, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que não enganam são enganados por si mesmos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos são menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerimônias o privilégio do bom senso. É esse o grande argumento dos que não tem melhores razões a apresentar. Aliás, essa forma de crítica se tornou ridícula pela própria leviandade e não merece que se perca tempo em refutá-la. Por sinal que os espíritas, pouco se importam com ela. Seguem corajosamente os seus caminhos, consolando-se ao pensar que tem por companheiros de infortúnio muita gente de mérito incontestável. É necessário convir, com efeito, que essa loucura, se trata de loucura, revela uma estranha característica: a de atingir de preferência a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta até o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse número se encontram alguns excêntricos, eles não depõem mais contra a Doutrina do que os fanáticos contra a Religião; do que os melomaníacos contra a Música; ou do que os maníacos calculadores contra a Matemática. Todas as idéias têm os seus fanáticos e seria necessário ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma idéia com a própria idéia. Para mais amplas explicações a respeito, enviamos o leitor à nossa brochura. O que é o Espiritismo ou a O Livro dos Espíritos, parágrafo XV da Introdução.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;40.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alucinação: Outra opinião, menos ofensiva porque tem um leve disfarce científico, consiste em atribuir os fenômenos a uma ilusão dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa fé, mas creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa levantar-se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a vê no espaço por uma ilusão ou por um efeito de refração, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na água, deslocado de sua verdadeira posição. A rigor, isso seria possível, mas os que testemunharam esse fenômeno constataram a suspensão passando por baixo da mesa, o que seria difícil se ela não houvesse sido elevada. Além disso, ela é elevada tantas vezes que acaba por quebrar-se ao cair. Seria isso também uma ilusão de óptica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer, sem dúvida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos imóveis. Mas quando várias pessoas que estão ao redor de uma mesa são arrastadas por um movimento tão rápido que é difícil segui-la, e algumas são até mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o ébrio que vê a casa passar-lhe pela frente?(2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;41.&#039;&#039;&#039; Sistema do Músculo Estalante: Se assim fosse no que toca à visão, não seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes são ouvidos por toda uma assembléia, não se pode razoavelmente atribuí-los à ilusão. Afastamos, bem entendido, qualquer idéia de fraude, considerando uma observação atenta em que se tenha constatado que não havia nenhuma causa fortuita ou material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que um sábio médico deu ao caso uma explicação decisiva, segundo pensava: “A causa, disse ele, está nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio”(3)  E entra nas mais completas minúcias anatômicas para demonstrar o mecanismo dessa produção de estalos,que pode imitar o tambor e mesmo executar árias ritmadas. Chega assim à conclusão de que os que ouvem os golpes numa mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar a vontade o músculo do pequeno perônio, ou outro qualquer, e tocar árias musicais por esse meio, são criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas é muito comum, e os que a possuem só muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa imóvel e distanciada da mesa produzir nestas vibrações sensíveis ao tato, como esses estalos podem repercutir, à vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros móveis, nas paredes, no forro, etc.. e como, enfim, a ação desse músculo pode estender-se a uma mesa que não se toca e fazê-la mover-se sozinha. Esta explicação, aliás, se realmente explicasse alguma coisa, só poderia infirmar o fenômeno dos golpes, não podendo referir-se aos demais modos de comunicação. Concluímos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. É sempre lamentável que os homens de ciência se apressem a dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. O seu próprio saber deveria torná-los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esses saber lhes amplia os limites do desconhecido.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;42.&#039;&#039;&#039; Sistema das Causas Físicas: Saímos aqui dos sistemas de negação absoluta. Averiguada a realidade dos fenômenos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao espírito dos que o viram foi de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente física, material. Essa opinião nada tinha de irracional e prevaleceria se o fenômeno se limitasse aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em alguns casos, o aumento da potência na razão do número de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um único fato a contraditar, é porque ela é falsa incompleta ou demasiado arbitrária. Foi o que não tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram inteligência, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas físico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e só se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, é a constatação da ação inteligente, e é por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observação.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;43.&#039;&#039;&#039; Sistema do Reflexo: Reconhecida à ação inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era possível e somente a experiência poderia dar a última palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das idéias puramente materialistas: para a inteligência dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necessário admitir a existência no homem de um princípio independente do organismo(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflexão estaria confirmada. Mas o fenômeno, mesmo assim reduzido, não seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte  e a se traduzir por movimento e ruído não seria admirável? Não haveria nisso o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos, mais positivo, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato,quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se apóiam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas o que é que isso prova, senão que os assistentes podem pensar como a inteligência comunicante? Não se pode exigir que estejam sempre em oposição. Quando, numa conversação, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de vós? Bastam alguns exemplos contrários e bem constatados para provar que essa teoria não pode ser decisiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? A opinião contrária só pode resultar de uma deficiência de observação. Se a presença de uma inteligência estranha é moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o é pelo fenômeno da escrita-direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato e apesar de todas as precauções tomadas para evitar qualquer ardil. O caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida; logo, há mais do que uma simples ação fluídica. Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-la. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução).&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;44.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Coletiva: É uma variante do precedente, mas  identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5)  pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco e só a citamos para registrá-la. Tratam-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. Ema Tirpse é o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por epígrafe: Não há nada oculto que não venha a ser revelado. Essa proposição é evidentemente falsa, pois há uma infinidade de coisas que o homem não pode e não deve saber. Bem presunçoso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;45.&#039;&#039;&#039; Sistema Sonambúlico: Este sistema teve mais partidário, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar como o médium pode tratar de assuntos que estão fora do seu conhecimento, em vez de considerá-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concebe-se a excitação das idéias, mas não se compreende que ela faça escrever aquele que não sabe escrever, e ainda menos quando as comunicações são transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Mas os casos em que a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo é tirar conclusões gerais de alguns fatos isolados.(6)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;46.&#039;&#039;&#039; Sistema Pessimista, Diabólico ou Demoníaco: Entramos aqui em outra ordem de idéias. Constatada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. O meio mais fácil era sem dúvida lhe perguntar, mas algumas pessoas não viam uma garantia suficiente e só quiseram ver em todas as manifestações uma obra diabólica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Demônios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceitação, gozou por certo tempo de algum crédito, em virtude da condição especial daqueles que procuravam fazê-lo prevalecer. Assinalaremos, porém, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser considerados entre os adversários do Espiritismo, antes pelo contrário. Os seres que se comunicam, quer sejam demônio ou anjo, são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é sempre admitir a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, ou pelo menos com uma parte desse mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por mais irracional que seja, não parecia impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Espíritos são apenas as almas dos que já viveram, ela perdeu todo o seu prestígio, e podemos dizer toda a verossimilhança. Porque a conseqüência seria, que todas essas almas eram demônios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo,e que nós mesmos, ao morrer, nos tornaríamos demônios; doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será muito difícil convencer uma mãe de que uma criança querida que ela perdeu,e que após a morte lhe vem dar provas de sua afeição e de sua identidade, seja um suposto satanás. É verdade que entre os Espíritos existem os que são muito maus e não valem mais do que os chamados demônios, e isso por uma razão bem simples: é que existem homens muito maus e que a morte não os melhora imediatamente. A questão é saber se só eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes questões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Há Espíritos bons e maus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os Demônios, se quiserdes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não podem fazê-lo. Se assim é, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra vontade de Deus. Se é contra a sua vontade, os maus Espíritos são mais poderosos que Ele. Se é pela sua vontade, por que razão, na sua bondade, não permitiria a comunicação dos bons, para contrabalançar a influência dos outros?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Espíritos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o Demônio usa todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignorância possa representar o verdadeiro saber e uma natureza má substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Se é só o Demônio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submissão à sua vontade, sofrer sem queixas as atribulações da vida, não ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o seu império? Se for o Demônio quem dá esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante inábil ao fornecer armas contra ele mesmo.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Desde que os Espíritos se comunicam,é que Deus o permite. Vendo as boas e as más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Que pensareis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de vê-las,as pessoas que pudessem desviá-lo do mal? O que um bom pai não faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excelência,estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) A Igreja reconhece como autênticas algumas manifestações da Virgem e de outros santos, nas aparições, visões, comunicações orais etc.; essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos Demônios?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa fé essa teoria. Mas acreditamos também que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupação com essas coisas, por causa das más comunicações que todos estão sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar,assim como se faz a uma criança: “Não pegue nisso, que queima”!. A intenção pode ser louvável, mas não atingiu o objetivo, porque a proibição só serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem vê-lo, nem que seja apenas para saber como ele é, e acabam se admirando de não encontrá-lo tão feio como pensavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunicações exclusivas do Diabo? Há pessoas que consideram errados todos os que não pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunicações são dos Demônios não estariam com medo de encontrar Espíritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? Não podendo negar o fato, quiseram apresentá-lo de maneira assustadora. Mas esse meio não deu mais resultados que os outros, e onde o medo do ridículo é importante, o melhor é deixar as coisas correrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O muçulmano que ouvisse em espírito falar contra algumas leis do Alcorão, pensaria seguramente que era um mau Espírito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora só pregasse a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as máximas do Cristo.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir de vida social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática espírita não é impedi-la, mas esclarecê-la.Um temor imaginário pode impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada é compreensível para todos.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;47.&#039;&#039;&#039; Sistema Otimista: Ao lado dos sistemas que só vêem nos fenômenos a ação dos Demônios, há outros que só vêem a dos Espíritos bons. Partem do princípio de que, liberta da matéria, a alma está livre de qualquer véu e deve possuir a soberana ciência e a soberana sabedoria. Essa confiança cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decepções. Elas tiveram de aprender á própria custa a desconfiar de alguns Espíritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;48.&#039;&#039;&#039; Sistema Uniespírito ou Monoespírito: Uma variedade do sistema otimista é a crença de que um único Espírito se comunica com os homens e que esse Espírito é o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, seria impiedade e profanação supor que pudessem provir do espírito do bem por excelência. Ainda se poderia admitir a ilusão, se os que assim crêem só tivessem obtido comunicações excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunicações muito más, explicando tratar-se de uma prova a que o Espírito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tentá-los, outros pensam que Jesus é o único a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experimentá-los. Entre essas duas opiniões tão diversas, quem decidirá?  O bom senso e a experiência. E citamos a experiência, por que é impossível que os que adotam essas idéias tenham verificado tudo suficientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando lhes advertimos com os casos de identificação, que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunicações escritas, visuais e outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas não dizem por que razão os outros Espíritos não podem comunicar-se, com que fim o espírito da Verdade viria nos enganar sob falsas aparências, abusar de uma pobre mãe ao fingir-se o filho por ela chorado. A razão se recusa a admitir que o Espírito mais santo de todos venha a representar semelhante comédia. Além disso, negar a possibilidade de qualquer  outra comunicação não é tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agradável: a consolação dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;49.&#039;&#039;&#039;Sistema Multiespírita ou Poliespírita: Todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir só de um lado afirmará que é apenas vermelha ou branca e estará ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dirá que tem as duas cores e só ele estará realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opiniões sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que é apenas exceção, interpretando como tal o que é somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ciência deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois só o tempo lhe permitirá perceber os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma infinidade de fatos característicos que serão como raios luminosos. Mas se permanecer na superfície expõe-se a julgar prematuramente e portanto de maneira errônea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos os resultados gerais a que chegamos através de uma observação completa, e que hoje formam a crença, podemos dizer da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não passam de opiniões isoladas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Os espíritos não são entidades à parte na Criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas como dispõem do livre-arbítrio alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) São felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram à felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Todo sos Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10º) Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diversos graus porque passam os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap. I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos, que se manifestam e suas boas e más qualidades.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;50.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Material: Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma, segundo a qual a alma e o espírito não seriam distintos, ou melhor, o perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das transmigrações, como o álcool se depura nas destilações. Na Doutrina Espírita, entretanto o perispírito é considerado como simples envoltório fluídico da alma ou Espírito. Constituindo-se o perispírito de uma forma de matéria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria também de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depuração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este princípio não invalida nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois nada modifica em relação ao destino da alma. As condições de sua felicidade futura são  as mesmas, a alma e o perispírito formando um todo sob denominação de Espírito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo em vez de formado por duas partes distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, isto não leva a nenhuma conseqüência e não falaríamos a respeito se não houvéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que não é, de fato, mais que uma simples questão de palavras. Esta opinião, aliás muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada não representaria uma cisão entre os espíritas, da mesma maneira que as teorias da emissão ou das ondulações da luz não dividem os físicos. Os que desejassem separar-se por uma questão assim pueril, provariam dar mais importância ao acessório do que ao principal e estar impulsionados por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não semeiam jamais o azedume e a cizânia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugestões e não ligarem a alguns detalhes maior importância do que merecem, pois o fundo é que é o essencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremos, não obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opinião dos que consideram a alma e o perispírito como distintos. Ela se apóia no ensino dos Espíritos, que jamais variam a esse respeito. Aludimos aos Espíritos esclarecidos, pois entre os Espíritos em geral há muitos que não sabem mais e até mesmo conhecem menos do que os homens. Aliás, essa teoria contrária é uma concepção humana. Não fomos nós que inventamos nem que supusemos a existência do perispírito para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a observação nela confirmou (O Livro dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia ainda no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257), E sobretudo no fenômeno das aparições tangíveis que para outros implicariam a solidificação e a desagregação dos elementos constitutivos da alma, e conseqüentemente a sua desorganização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, seria necessário admitir que essa matéria, que pode tornar-se perceptível aos nossos sentidos, fosse o próprio princípio inteligente, o que não é mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza íntima da alma nada sabemos. Quando se diz aquela é imaterial, devemos entendê-lo em sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Espírito é alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, é que a sua essência é de tal maneira superior que não apresenta nenhuma analogia com o que chamamos matéria, e que por isso ela é, para nós, imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82)(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;51.&#039;&#039;&#039; Eis a resposta de um Espírito a respeito do assunto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&amp;quot;O que uns chamam perispírito é o mesmo que outros chamam de envoltório fluídico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e do pensamento. Mas me refiro aos Espíritos elevados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Quanto aos Espíritos inferiores, estão ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, são materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que não podem atingir os Espíritos superiores, visto que os fluidos terrenos já foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada para vós, ou melhor, não o poderíeis conceber. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o instrumento pelo qual nos comunicamos convoco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perispírito, seja diretamente com a vossa alma. Vem daí a infinita variedade de médiuns e de comunicações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Resta agora o problema científico, referente à própria essência do perispírito, que é outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade lógica.(9)  Resta, a seguir, a discussão da natureza dos fluidos, que é por enquanto inexplicável, pois a Ciência não conhece o suficiente a respeito, mas chegará a conhecê-los se quiser avançar com o Espiritismo. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza.(10)  Neste assunto não podeis avançar, pois é uma questão que não pode ser explicada. Julgais que também não investigo, como vós? Vós pesquisais o perispírito, e nós atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&amp;quot;&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
::– &#039;&#039;&#039;LAMENNAIS&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os Espíritos que podemos considerar adiantados ainda não puderam sondar a natureza da alma. Como poderíamos fazê-lo? É pois uma perda de tempo perscrutar o princípio das coisas que como ensina O Livro dos Espíritos (nº 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda não é do alcance da Humanidade, seria desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o faria avançar sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos que ditaram o livro que traz o seu nome provaram a própria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princípio das coisas, os limites que Deus não nos permite passar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais fascinantes do que sérias, e que um dia cairão ao embate da razão, como tantas outras oriundas do cérebro humano. Só disseram o justamente necessário para que homem compreenda o seu futuro e assim encorajá-lo na prática do bem. (Ver a seguir, na segunda parte do cap. I: Ação dos Espíritos sobre a matéria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As mesmas dúvidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um século após o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinício das pesquisas científicas dos fenômenos paranormais (na verdade fenômenos espíritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ciência renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opinião que caracterizam o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Conta Simone de Beauvoir, em “Força da Idade”, uma experiência de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater à vontade, iludindo a todos, inclusive o próprio filósofo. Como se vê por essa brincadeira entre filósofos ateus e céticos, a posição da inteligência francesa ainda não mudou a respeito do assunto. É pena que em vez de brincar não tenham feito uma experiência séria. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Médico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseqüências perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Espíritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Espírita de junho de 1859. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em “Animismo e Espiritismo”, num sentido mais amplo. Ver esse livro (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) “Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática na fé. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta.” Bruxelas, 1858, edição Devroye&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) O sistema da excitação das idéias é hoje renovado pela hipótese igualmente falsa do “inconsciente excitado”, que pseudoparapsicólogos procuram difundir contra as manifestações espíritas. Como se vê, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adaptações às novas condições culturais. Mas, em compensação, as respostas já estão praticamente dadas nas obras de Kardec. O espírita que as estuda com atenção refutará facilmente essas repetições de velhos sistemas superados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere à parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o espiritismo, do Dr. Grand, antigo cônsul da França (edição Ledoyen) e a que publicamos com o título de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religião, da Ciência e do Materialismo (N. de Kardec.)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(8) O Espírito é definido no nº 23 de O Livro dos Espíritos como princípio inteligente, em comparação com o princípio material. O nº27 explica que esses dois princípios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princípio de todas coisas. Isto nos mostra que a concepção espírita do Universo é monista, num sentido espiritual. As ciências atuais estão chegando a essa concepção, como vemos pelo conceito moderno de matéria como concentração de energia. Alguns estudiosos não compreenderam bem esta posição doutrinária e pensam que matéria e Espírito são a mesma coisa. Kardec e os Espíritos negam a concepção abstrata do Espírito, conforme a teologia e a metafísica antiga, porque essa concepção torna o Espírito inacessível ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma (Espírito encarnado, que anima o corpo) ou o Espírito (o ser desencarnado) é alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento não se sujeita às leis físicas, afirmam a sua natureza extrafísica, evitando adotar a expressão espiritual, que levaria a uma interpretação teológica. Os estudantes de Espiritismo devem atentar bem para este problema (N. do T.)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(9) Comprenez d´abort moralement, diz o original. A tradução geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente é literal, mas não corresponde ao sentido do texto, pois moralmente não têm, na nossa língua, todas as acepções do francês. No original quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicionário francês: segundo as possibilidades do campo das opiniões ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicionários Larousse ou Quillet). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10)  O texto francês disse: Lê perisprit peut varier et changer à I´infinit, I´âme est la pensée; elle ne change pás de nature. As traduções, em geral, são literais,mas não correspondem ao sentido do texto. La pensée, no caso, quer dizer inteligência, segundo a proposição cartesiana vigente na época: o pensamento é o atributo essencial do Espírito e a extensão é o da matéria. Consulte-se o verbete pensée num bom dicionário francês. Dizer hoje, e particularmente em português,que a alma é o pensamento equivale a deixar o leitor em dúvida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Espírito, são o princípio inteligente e portanto a inteligência em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_SISTEMAS&amp;diff=11337</id>
		<title>Cap. 4 – SISTEMAS</title>
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		<updated>2011-08-08T14:19:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;36.&#039;&#039;&#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida sobre a sua realidade e mais ainda a sua causa.(1)  Quando foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e através de experiências que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias, suas crenças e seus preconceitos. Daí o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observação mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os adversários do Espiritismo logo viram, nessas divergências de opinião, um argumento contrário, dizendo que os próprios espíritas não concordavam entre si. Era uma razão bem precária, pois os primeiros passos de todas as ciências em desenvolvimento são necessariamente incertos, até que o tempo permita a reunião e coordenação dos fatos que possam fixar-lhes a orientação. À medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se desfazem e a unidade de opinião se estabelece, quando não os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda à diversidade de opiniões. Podemos dizer, aliás, que nesse sentido o seu avanço foi mais rápido que o de ciências mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores sábios.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;37.&#039;&#039;&#039; Para seguir a ordem progressiva das idéias, de maneira metódica, convém colocar em primeiro lugar os chamados sistemas negativos dos adversários do Espiritismo. Refutamos essas objeções na introdução e na conclusão de O Livro dos Espíritos, bem como na pequena obra intitulada O que é o Espiritismo? Seria inútil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se apóiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, por não admitirem nada além da matéria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os cometam à sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes:&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;38.&#039;&#039;&#039; Sistema do Charlatanismo: Muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos à esperteza, pela razão de alguns terem sido imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em mistificados e todos os médiuns em mistificadores, sem consideração pela posição, ou caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, diríamos que alguns fenômenos da Física são também imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ciência. Há pessoas, aliás, cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso não se ter educação nem urbanidade para atrever-se lhes dizer que são cúmplices de charlatanice. Num salão bastante respeitável, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observação dessa e a dona da casa lhe disse: “Senhor, desde que não está satisfeito, o dinheiro lhe será devolvido na porta”, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necessário admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa não deve levar-nos a prejulgá-la. Podemos considerar a boa fé dos outros pelos motivos de suas ações. Onde não há especulação não há razão para o charlatanismo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;39.&#039;&#039;&#039; Sistema da Loucura: Alguns, por condescendência, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que não enganam são enganados por si mesmos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos são menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerimônias o privilégio do bom senso. É esse o grande argumento dos que não tem melhores razões a apresentar. Aliás, essa forma de crítica se tornou ridícula pela própria leviandade e não merece que se perca tempo em refutá-la. Por sinal que os espíritas, pouco se importam com ela. Seguem corajosamente os seus caminhos, consolando-se ao pensar que tem por companheiros de infortúnio muita gente de mérito incontestável. É necessário convir, com efeito, que essa loucura, se trata de loucura, revela uma estranha característica: a de atingir de preferência a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta até o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse número se encontram alguns excêntricos, eles não depõem mais contra a Doutrina do que os fanáticos contra a Religião; do que os melomaníacos contra a Música; ou do que os maníacos calculadores contra a Matemática. Todas as idéias têm os seus fanáticos e seria necessário ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma idéia com a própria idéia. Para mais amplas explicações a respeito, enviamos o leitor à nossa brochura. O que é o Espiritismo ou a O Livro dos Espíritos, parágrafo XV da Introdução.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;40.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alucinação: Outra opinião, menos ofensiva porque tem um leve disfarce científico, consiste em atribuir os fenômenos a uma ilusão dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa fé, mas creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa levantar-se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a vê no espaço por uma ilusão ou por um efeito de refração, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na água, deslocado de sua verdadeira posição. A rigor, isso seria possível, mas os que testemunharam esse fenômeno constataram a suspensão passando por baixo da mesa, o que seria difícil se ela não houvesse sido elevada. Além disso, ela é elevada tantas vezes que acaba por quebrar-se ao cair. Seria isso também uma ilusão de óptica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer, sem dúvida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos imóveis. Mas quando várias pessoas que estão ao redor de uma mesa são arrastadas por um movimento tão rápido que é difícil segui-la, e algumas são até mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o ébrio que vê a casa passar-lhe pela frente?(2)&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;41.&#039;&#039;&#039; Sistema do Músculo Estalante: Se assim fosse no que toca à visão, não seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes são ouvidos por toda uma assembléia, não se pode razoavelmente atribuí-los à ilusão. Afastamos, bem entendido, qualquer idéia de fraude, considerando uma observação atenta em que se tenha constatado que não havia nenhuma causa fortuita ou material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que um sábio médico deu ao caso uma explicação decisiva, segundo pensava: “A causa, disse ele, está nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio”(3)  E entra nas mais completas minúcias anatômicas para demonstrar o mecanismo dessa produção de estalos,que pode imitar o tambor e mesmo executar árias ritmadas. Chega assim à conclusão de que os que ouvem os golpes numa mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar a vontade o músculo do pequeno perônio, ou outro qualquer, e tocar árias musicais por esse meio, são criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas é muito comum, e os que a possuem só muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa imóvel e distanciada da mesa produzir nestas vibrações sensíveis ao tato, como esses estalos podem repercutir, à vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros móveis, nas paredes, no forro, etc.. e como, enfim, a ação desse músculo pode estender-se a uma mesa que não se toca e fazê-la mover-se sozinha. Esta explicação, aliás, se realmente explicasse alguma coisa, só poderia infirmar o fenômeno dos golpes, não podendo referir-se aos demais modos de comunicação. Concluímos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. É sempre lamentável que os homens de ciência se apressem a dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. O seu próprio saber deveria torná-los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esses saber lhes amplia os limites do desconhecido.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;42.&#039;&#039;&#039; Sistema das Causas Físicas: Saímos aqui dos sistemas de negação absoluta. Averiguada a realidade dos fenômenos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao espírito dos que o viram foi de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente física, material. Essa opinião nada tinha de irracional e prevaleceria se o fenômeno se limitasse aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em alguns casos, o aumento da potência na razão do número de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um único fato a contraditar, é porque ela é falsa incompleta ou demasiado arbitrária. Foi o que não tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram inteligência, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas físico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e só se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, é a constatação da ação inteligente, e é por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;43.&#039;&#039;&#039; Sistema do Reflexo: Reconhecida à ação inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era possível e somente a experiência poderia dar a última palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das idéias puramente materialistas: para a inteligência dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necessário admitir a existência no homem de um princípio independente do organismo(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflexão estaria confirmada. Mas o fenômeno, mesmo assim reduzido, não seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte  e a se traduzir por movimento e ruído não seria admirável? Não haveria nisso o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos, mais positivo, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato,quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se apóiam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas o que é que isso prova, senão que os assistentes podem pensar como a inteligência comunicante? Não se pode exigir que estejam sempre em oposição. Quando, numa conversação, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de vós? Bastam alguns exemplos contrários e bem constatados para provar que essa teoria não pode ser decisiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? A opinião contrária só pode resultar de uma deficiência de observação. Se a presença de uma inteligência estranha é moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o é pelo fenômeno da escrita-direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato e apesar de todas as precauções tomadas para evitar qualquer ardil. O caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida; logo, há mais do que uma simples ação fluídica. Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-la. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução).&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;44.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Coletiva: É uma variante do precedente, mas  identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5)  pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco e só a citamos para registrá-la. Tratam-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. Ema Tirpse é o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por epígrafe: Não há nada oculto que não venha a ser revelado. Essa proposição é evidentemente falsa, pois há uma infinidade de coisas que o homem não pode e não deve saber. Bem presunçoso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;45.&#039;&#039;&#039; Sistema Sonambúlico: Este sistema teve mais partidário, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar como o médium pode tratar de assuntos que estão fora do seu conhecimento, em vez de considerá-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concebe-se a excitação das idéias, mas não se compreende que ela faça escrever aquele que não sabe escrever, e ainda menos quando as comunicações são transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Mas os casos em que a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo é tirar conclusões gerais de alguns fatos isolados.(6)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;46.&#039;&#039;&#039; Sistema Pessimista, Diabólico ou Demoníaco: Entramos aqui em outra ordem de idéias. Constatada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. O meio mais fácil era sem dúvida lhe perguntar, mas algumas pessoas não viam uma garantia suficiente e só quiseram ver em todas as manifestações uma obra diabólica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Demônios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceitação, gozou por certo tempo de algum crédito, em virtude da condição especial daqueles que procuravam fazê-lo prevalecer. Assinalaremos, porém, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser considerados entre os adversários do Espiritismo, antes pelo contrário. Os seres que se comunicam, quer sejam demônio ou anjo, são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é sempre admitir a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, ou pelo menos com uma parte desse mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por mais irracional que seja, não parecia impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Espíritos são apenas as almas dos que já viveram, ela perdeu todo o seu prestígio, e podemos dizer toda a verossimilhança. Porque a conseqüência seria, que todas essas almas eram demônios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo,e que nós mesmos, ao morrer, nos tornaríamos demônios; doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será muito difícil convencer uma mãe de que uma criança querida que ela perdeu,e que após a morte lhe vem dar provas de sua afeição e de sua identidade, seja um suposto satanás. É verdade que entre os Espíritos existem os que são muito maus e não valem mais do que os chamados demônios, e isso por uma razão bem simples: é que existem homens muito maus e que a morte não os melhora imediatamente. A questão é saber se só eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes questões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Há Espíritos bons e maus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os Demônios, se quiserdes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não podem fazê-lo. Se assim é, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra vontade de Deus. Se é contra a sua vontade, os maus Espíritos são mais poderosos que Ele. Se é pela sua vontade, por que razão, na sua bondade, não permitiria a comunicação dos bons, para contrabalançar a influência dos outros?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Espíritos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o Demônio usa todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignorância possa representar o verdadeiro saber e uma natureza má substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Se é só o Demônio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submissão à sua vontade, sofrer sem queixas as atribulações da vida, não ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o seu império? Se for o Demônio quem dá esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante inábil ao fornecer armas contra ele mesmo.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Desde que os Espíritos se comunicam,é que Deus o permite. Vendo as boas e as más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Que pensareis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de vê-las,as pessoas que pudessem desviá-lo do mal? O que um bom pai não faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excelência,estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) A Igreja reconhece como autênticas algumas manifestações da Virgem e de outros santos, nas aparições, visões, comunicações orais etc.; essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos Demônios?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa fé essa teoria. Mas acreditamos também que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupação com essas coisas, por causa das más comunicações que todos estão sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar,assim como se faz a uma criança: “Não pegue nisso, que queima”!. A intenção pode ser louvável, mas não atingiu o objetivo, porque a proibição só serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem vê-lo, nem que seja apenas para saber como ele é, e acabam se admirando de não encontrá-lo tão feio como pensavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunicações exclusivas do Diabo? Há pessoas que consideram errados todos os que não pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunicações são dos Demônios não estariam com medo de encontrar Espíritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? Não podendo negar o fato, quiseram apresentá-lo de maneira assustadora. Mas esse meio não deu mais resultados que os outros, e onde o medo do ridículo é importante, o melhor é deixar as coisas correrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O muçulmano que ouvisse em espírito falar contra algumas leis do Alcorão, pensaria seguramente que era um mau Espírito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora só pregasse a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as máximas do Cristo.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir de vida social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática espírita não é impedi-la, mas esclarecê-la.Um temor imaginário pode impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada é compreensível para todos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;47.&#039;&#039;&#039; Sistema Otimista: Ao lado dos sistemas que só vêem nos fenômenos a ação dos Demônios, há outros que só vêem a dos Espíritos bons. Partem do princípio de que, liberta da matéria, a alma está livre de qualquer véu e deve possuir a soberana ciência e a soberana sabedoria. Essa confiança cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decepções. Elas tiveram de aprender á própria custa a desconfiar de alguns Espíritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;48.&#039;&#039;&#039; Sistema Uniespírito ou Monoespírito: Uma variedade do sistema otimista é a crença de que um único Espírito se comunica com os homens e que esse Espírito é o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, seria impiedade e profanação supor que pudessem provir do espírito do bem por excelência. Ainda se poderia admitir a ilusão, se os que assim crêem só tivessem obtido comunicações excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunicações muito más, explicando tratar-se de uma prova a que o Espírito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tentá-los, outros pensam que Jesus é o único a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experimentá-los. Entre essas duas opiniões tão diversas, quem decidirá?  O bom senso e a experiência. E citamos a experiência, por que é impossível que os que adotam essas idéias tenham verificado tudo suficientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando lhes advertimos com os casos de identificação, que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunicações escritas, visuais e outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas não dizem por que razão os outros Espíritos não podem comunicar-se, com que fim o espírito da Verdade viria nos enganar sob falsas aparências, abusar de uma pobre mãe ao fingir-se o filho por ela chorado. A razão se recusa a admitir que o Espírito mais santo de todos venha a representar semelhante comédia. Além disso, negar a possibilidade de qualquer  outra comunicação não é tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agradável: a consolação dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;49.&#039;&#039;&#039;Sistema Multiespírita ou Poliespírita: Todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir só de um lado afirmará que é apenas vermelha ou branca e estará ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dirá que tem as duas cores e só ele estará realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opiniões sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que é apenas exceção, interpretando como tal o que é somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ciência deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois só o tempo lhe permitirá perceber os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma infinidade de fatos característicos que serão como raios luminosos. Mas se permanecer na superfície expõe-se a julgar prematuramente e portanto de maneira errônea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos os resultados gerais a que chegamos através de uma observação completa, e que hoje formam a crença, podemos dizer da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não passam de opiniões isoladas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Os espíritos não são entidades à parte na Criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas como dispõem do livre-arbítrio alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) São felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram à felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Todo sos Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10º) Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diversos graus porque passam os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap. I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos, que se manifestam e suas boas e más qualidades.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;50.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Material: Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma, segundo a qual a alma e o espírito não seriam distintos, ou melhor, o perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das transmigrações, como o álcool se depura nas destilações. Na Doutrina Espírita, entretanto o perispírito é considerado como simples envoltório fluídico da alma ou Espírito. Constituindo-se o perispírito de uma forma de matéria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria também de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depuração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este princípio não invalida nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois nada modifica em relação ao destino da alma. As condições de sua felicidade futura são  as mesmas, a alma e o perispírito formando um todo sob denominação de Espírito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo em vez de formado por duas partes distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, isto não leva a nenhuma conseqüência e não falaríamos a respeito se não houvéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que não é, de fato, mais que uma simples questão de palavras. Esta opinião, aliás muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada não representaria uma cisão entre os espíritas, da mesma maneira que as teorias da emissão ou das ondulações da luz não dividem os físicos. Os que desejassem separar-se por uma questão assim pueril, provariam dar mais importância ao acessório do que ao principal e estar impulsionados por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não semeiam jamais o azedume e a cizânia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugestões e não ligarem a alguns detalhes maior importância do que merecem, pois o fundo é que é o essencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremos, não obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opinião dos que consideram a alma e o perispírito como distintos. Ela se apóia no ensino dos Espíritos, que jamais variam a esse respeito. Aludimos aos Espíritos esclarecidos, pois entre os Espíritos em geral há muitos que não sabem mais e até mesmo conhecem menos do que os homens. Aliás, essa teoria contrária é uma concepção humana. Não fomos nós que inventamos nem que supusemos a existência do perispírito para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a observação nela confirmou (O Livro dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia ainda no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257), E sobretudo no fenômeno das aparições tangíveis que para outros implicariam a solidificação e a desagregação dos elementos constitutivos da alma, e conseqüentemente a sua desorganização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, seria necessário admitir que essa matéria, que pode tornar-se perceptível aos nossos sentidos, fosse o próprio princípio inteligente, o que não é mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza íntima da alma nada sabemos. Quando se diz aquela é imaterial, devemos entendê-lo em sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Espírito é alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, é que a sua essência é de tal maneira superior que não apresenta nenhuma analogia com o que chamamos matéria, e que por isso ela é, para nós, imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82)(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;51.&#039;&#039;&#039; Eis a resposta de um Espírito a respeito do assunto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&amp;quot;O que uns chamam perispírito é o mesmo que outros chamam de envoltório fluídico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e do pensamento. Mas me refiro aos Espíritos elevados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Quanto aos Espíritos inferiores, estão ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, são materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que não podem atingir os Espíritos superiores, visto que os fluidos terrenos já foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada para vós, ou melhor, não o poderíeis conceber. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o instrumento pelo qual nos comunicamos convoco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perispírito, seja diretamente com a vossa alma. Vem daí a infinita variedade de médiuns e de comunicações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Resta agora o problema científico, referente à própria essência do perispírito, que é outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade lógica.(9)  Resta, a seguir, a discussão da natureza dos fluidos, que é por enquanto inexplicável, pois a Ciência não conhece o suficiente a respeito, mas chegará a conhecê-los se quiser avançar com o Espiritismo. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza.(10)  Neste assunto não podeis avançar, pois é uma questão que não pode ser explicada. Julgais que também não investigo, como vós? Vós pesquisais o perispírito, e nós atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&amp;quot;&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
::– &#039;&#039;&#039;LAMENNAIS&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os Espíritos que podemos considerar adiantados ainda não puderam sondar a natureza da alma. Como poderíamos fazê-lo? É pois uma perda de tempo perscrutar o princípio das coisas que como ensina O Livro dos Espíritos (nº 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda não é do alcance da Humanidade, seria desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o faria avançar sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos que ditaram o livro que traz o seu nome provaram a própria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princípio das coisas, os limites que Deus não nos permite passar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais fascinantes do que sérias, e que um dia cairão ao embate da razão, como tantas outras oriundas do cérebro humano. Só disseram o justamente necessário para que homem compreenda o seu futuro e assim encorajá-lo na prática do bem. (Ver a seguir, na segunda parte do cap. I: Ação dos Espíritos sobre a matéria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As mesmas dúvidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um século após o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinício das pesquisas científicas dos fenômenos paranormais (na verdade fenômenos espíritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ciência renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opinião que caracterizam o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Conta Simone de Beauvoir, em “Força da Idade”, uma experiência de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater à vontade, iludindo a todos, inclusive o próprio filósofo. Como se vê por essa brincadeira entre filósofos ateus e céticos, a posição da inteligência francesa ainda não mudou a respeito do assunto. É pena que em vez de brincar não tenham feito uma experiência séria. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Médico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseqüências perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Espíritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Espírita de junho de 1859. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em “Animismo e Espiritismo”, num sentido mais amplo. Ver esse livro (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) “Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática na fé. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta.” Bruxelas, 1858, edição Devroye&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) O sistema da excitação das idéias é hoje renovado pela hipótese igualmente falsa do “inconsciente excitado”, que pseudoparapsicólogos procuram difundir contra as manifestações espíritas. Como se vê, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adaptações às novas condições culturais. Mas, em compensação, as respostas já estão praticamente dadas nas obras de Kardec. O espírita que as estuda com atenção refutará facilmente essas repetições de velhos sistemas superados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere à parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o espiritismo, do Dr. Grand, antigo cônsul da França (edição Ledoyen) e a que publicamos com o título de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religião, da Ciência e do Materialismo (N. de Kardec.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(8) O Espírito é definido no nº 23 de O Livro dos Espíritos como princípio inteligente, em comparação com o princípio material. O nº27 explica que esses dois princípios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princípio de todas coisas. Isto nos mostra que a concepção espírita do Universo é monista, num sentido espiritual. As ciências atuais estão chegando a essa concepção, como vemos pelo conceito moderno de matéria como concentração de energia. Alguns estudiosos não compreenderam bem esta posição doutrinária e pensam que matéria e Espírito são a mesma coisa. Kardec e os Espíritos negam a concepção abstrata do Espírito, conforme a teologia e a metafísica antiga, porque essa concepção torna o Espírito inacessível ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma (Espírito encarnado, que anima o corpo) ou o Espírito (o ser desencarnado) é alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento não se sujeita às leis físicas, afirmam a sua natureza extrafísica, evitando adotar a expressão espiritual, que levaria a uma interpretação teológica. Os estudantes de Espiritismo devem atentar bem para este problema (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(9) Comprenez d´abort moralement, diz o original. A tradução geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente é literal, mas não corresponde ao sentido do texto, pois moralmente não têm, na nossa língua, todas as acepções do francês. No original quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicionário francês: segundo as possibilidades do campo das opiniões ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicionários Larousse ou Quillet). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10)  O texto francês disse: Lê perisprit peut varier et changer à I´infinit, I´âme est la pensée; elle ne change pás de nature. As traduções, em geral, são literais,mas não correspondem ao sentido do texto. La pensée, no caso, quer dizer inteligência, segundo a proposição cartesiana vigente na época: o pensamento é o atributo essencial do Espírito e a extensão é o da matéria. Consulte-se o verbete pensée num bom dicionário francês. Dizer hoje, e particularmente em português,que a alma é o pensamento equivale a deixar o leitor em dúvida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Espírito, são o princípio inteligente e portanto a inteligência em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
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		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_SISTEMAS&amp;diff=11336</id>
		<title>Cap. 4 – SISTEMAS</title>
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		<updated>2011-08-08T14:17:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;36.&#039;&#039;&#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida sobre a sua realidade e mais ainda a sua causa.(1)  Quando foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e através de experiências que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias, suas crenças e seus preconceitos. Daí o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observação mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os adversários do Espiritismo logo viram, nessas divergências de opinião, um argumento contrário, dizendo que os próprios espíritas não concordavam entre si. Era uma razão bem precária, pois os primeiros passos de todas as ciências em desenvolvimento são necessariamente incertos, até que o tempo permita a reunião e coordenação dos fatos que possam fixar-lhes a orientação. À medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se desfazem e a unidade de opinião se estabelece, quando não os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda à diversidade de opiniões. Podemos dizer, aliás, que nesse sentido o seu avanço foi mais rápido que o de ciências mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores sábios.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;37.&#039;&#039;&#039; Para seguir a ordem progressiva das idéias, de maneira metódica, convém colocar em primeiro lugar os chamados sistemas negativos dos adversários do Espiritismo. Refutamos essas objeções na introdução e na conclusão de O Livro dos Espíritos, bem como na pequena obra intitulada O que é o Espiritismo? Seria inútil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se apóiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, por não admitirem nada além da matéria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os cometam à sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes:&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;38.&#039;&#039;&#039; Sistema do Charlatanismo: Muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos à esperteza, pela razão de alguns terem sido imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em mistificados e todos os médiuns em mistificadores, sem consideração pela posição, ou caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, diríamos que alguns fenômenos da Física são também imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ciência. Há pessoas, aliás, cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso não se ter educação nem urbanidade para atrever-se lhes dizer que são cúmplices de charlatanice. Num salão bastante respeitável, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observação dessa e a dona da casa lhe disse: “Senhor, desde que não está satisfeito, o dinheiro lhe será devolvido na porta”, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necessário admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa não deve levar-nos a prejulgá-la. Podemos considerar a boa fé dos outros pelos motivos de suas ações. Onde não há especulação não há razão para o charlatanismo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;39.&#039;&#039;&#039; Sistema da Loucura: Alguns, por condescendência, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que não enganam são enganados por si mesmos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos são menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerimônias o privilégio do bom senso. É esse o grande argumento dos que não tem melhores razões a apresentar. Aliás, essa forma de crítica se tornou ridícula pela própria leviandade e não merece que se perca tempo em refutá-la. Por sinal que os espíritas, pouco se importam com ela. Seguem corajosamente os seus caminhos, consolando-se ao pensar que tem por companheiros de infortúnio muita gente de mérito incontestável. É necessário convir, com efeito, que essa loucura, se trata de loucura, revela uma estranha característica: a de atingir de preferência a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta até o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse número se encontram alguns excêntricos, eles não depõem mais contra a Doutrina do que os fanáticos contra a Religião; do que os melomaníacos contra a Música; ou do que os maníacos calculadores contra a Matemática. Todas as idéias têm os seus fanáticos e seria necessário ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma idéia com a própria idéia. Para mais amplas explicações a respeito, enviamos o leitor à nossa brochura. O que é o Espiritismo ou a O Livro dos Espíritos, parágrafo XV da Introdução.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;40.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alucinação: Outra opinião, menos ofensiva porque tem um leve disfarce científico, consiste em atribuir os fenômenos a uma ilusão dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa fé, mas creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa levantar-se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a vê no espaço por uma ilusão ou por um efeito de refração, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na água, deslocado de sua verdadeira posição. A rigor, isso seria possível, mas os que testemunharam esse fenômeno constataram a suspensão passando por baixo da mesa, o que seria difícil se ela não houvesse sido elevada. Além disso, ela é elevada tantas vezes que acaba por quebrar-se ao cair. Seria isso também uma ilusão de óptica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer, sem dúvida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos imóveis. Mas quando várias pessoas que estão ao redor de uma mesa são arrastadas por um movimento tão rápido que é difícil segui-la, e algumas são até mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o ébrio que vê a casa passar-lhe pela frente?(2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;41.&#039;&#039;&#039; Sistema do Músculo Estalante: Se assim fosse no que toca à visão, não seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes são ouvidos por toda uma assembléia, não se pode razoavelmente atribuí-los à ilusão. Afastamos, bem entendido, qualquer idéia de fraude, considerando uma observação atenta em que se tenha constatado que não havia nenhuma causa fortuita ou material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que um sábio médico deu ao caso uma explicação decisiva, segundo pensava: “A causa, disse ele, está nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio”(3)  E entra nas mais completas minúcias anatômicas para demonstrar o mecanismo dessa produção de estalos,que pode imitar o tambor e mesmo executar árias ritmadas. Chega assim à conclusão de que os que ouvem os golpes numa mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar a vontade o músculo do pequeno perônio, ou outro qualquer, e tocar árias musicais por esse meio, são criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas é muito comum, e os que a possuem só muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa imóvel e distanciada da mesa produzir nestas vibrações sensíveis ao tato, como esses estalos podem repercutir, à vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros móveis, nas paredes, no forro, etc.. e como, enfim, a ação desse músculo pode estender-se a uma mesa que não se toca e fazê-la mover-se sozinha. Esta explicação, aliás, se realmente explicasse alguma coisa, só poderia infirmar o fenômeno dos golpes, não podendo referir-se aos demais modos de comunicação. Concluímos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. É sempre lamentável que os homens de ciência se apressem a dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. O seu próprio saber deveria torná-los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esses saber lhes amplia os limites do desconhecido.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;42.&#039;&#039;&#039; Sistema das Causas Físicas: Saímos aqui dos sistemas de negação absoluta. Averiguada a realidade dos fenômenos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao espírito dos que o viram foi de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente física, material. Essa opinião nada tinha de irracional e prevaleceria se o fenômeno se limitasse aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em alguns casos, o aumento da potência na razão do número de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um único fato a contraditar, é porque ela é falsa incompleta ou demasiado arbitrária. Foi o que não tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram inteligência, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas físico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e só se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, é a constatação da ação inteligente, e é por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;43.&#039;&#039;&#039; Sistema do Reflexo: Reconhecida à ação inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era possível e somente a experiência poderia dar a última palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das idéias puramente materialistas: para a inteligência dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necessário admitir a existência no homem de um princípio independente do organismo(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflexão estaria confirmada. Mas o fenômeno, mesmo assim reduzido, não seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte  e a se traduzir por movimento e ruído não seria admirável? Não haveria nisso o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos, mais positivo, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato,quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se apóiam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas o que é que isso prova, senão que os assistentes podem pensar como a inteligência comunicante? Não se pode exigir que estejam sempre em oposição. Quando, numa conversação, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de vós? Bastam alguns exemplos contrários e bem constatados para provar que essa teoria não pode ser decisiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? A opinião contrária só pode resultar de uma deficiência de observação. Se a presença de uma inteligência estranha é moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o é pelo fenômeno da escrita-direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato e apesar de todas as precauções tomadas para evitar qualquer ardil. O caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida; logo, há mais do que uma simples ação fluídica. Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-la. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução).&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;44.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Coletiva: É uma variante do precedente, mas  identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5)  pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco e só a citamos para registrá-la. Tratam-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. Ema Tirpse é o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por epígrafe: Não há nada oculto que não venha a ser revelado. Essa proposição é evidentemente falsa, pois há uma infinidade de coisas que o homem não pode e não deve saber. Bem presunçoso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;45.&#039;&#039;&#039; Sistema Sonambúlico: Este sistema teve mais partidário, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar como o médium pode tratar de assuntos que estão fora do seu conhecimento, em vez de considerá-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concebe-se a excitação das idéias, mas não se compreende que ela faça escrever aquele que não sabe escrever, e ainda menos quando as comunicações são transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Mas os casos em que a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo é tirar conclusões gerais de alguns fatos isolados.(6)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;46.&#039;&#039;&#039; Sistema Pessimista, Diabólico ou Demoníaco: Entramos aqui em outra ordem de idéias. Constatada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. O meio mais fácil era sem dúvida lhe perguntar, mas algumas pessoas não viam uma garantia suficiente e só quiseram ver em todas as manifestações uma obra diabólica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Demônios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceitação, gozou por certo tempo de algum crédito, em virtude da condição especial daqueles que procuravam fazê-lo prevalecer. Assinalaremos, porém, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser considerados entre os adversários do Espiritismo, antes pelo contrário. Os seres que se comunicam, quer sejam demônio ou anjo, são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é sempre admitir a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, ou pelo menos com uma parte desse mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por mais irracional que seja, não parecia impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Espíritos são apenas as almas dos que já viveram, ela perdeu todo o seu prestígio, e podemos dizer toda a verossimilhança. Porque a conseqüência seria, que todas essas almas eram demônios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo,e que nós mesmos, ao morrer, nos tornaríamos demônios; doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será muito difícil convencer uma mãe de que uma criança querida que ela perdeu,e que após a morte lhe vem dar provas de sua afeição e de sua identidade, seja um suposto satanás. É verdade que entre os Espíritos existem os que são muito maus e não valem mais do que os chamados demônios, e isso por uma razão bem simples: é que existem homens muito maus e que a morte não os melhora imediatamente. A questão é saber se só eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes questões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Há Espíritos bons e maus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os Demônios, se quiserdes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não podem fazê-lo. Se assim é, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra vontade de Deus. Se é contra a sua vontade, os maus Espíritos são mais poderosos que Ele. Se é pela sua vontade, por que razão, na sua bondade, não permitiria a comunicação dos bons, para contrabalançar a influência dos outros?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Espíritos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o Demônio usa todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignorância possa representar o verdadeiro saber e uma natureza má substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Se é só o Demônio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submissão à sua vontade, sofrer sem queixas as atribulações da vida, não ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o seu império? Se for o Demônio quem dá esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante inábil ao fornecer armas contra ele mesmo.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Desde que os Espíritos se comunicam,é que Deus o permite. Vendo as boas e as más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Que pensareis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de vê-las,as pessoas que pudessem desviá-lo do mal? O que um bom pai não faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excelência,estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) A Igreja reconhece como autênticas algumas manifestações da Virgem e de outros santos, nas aparições, visões, comunicações orais etc.; essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos Demônios?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa fé essa teoria. Mas acreditamos também que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupação com essas coisas, por causa das más comunicações que todos estão sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar,assim como se faz a uma criança: “Não pegue nisso, que queima”!. A intenção pode ser louvável, mas não atingiu o objetivo, porque a proibição só serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem vê-lo, nem que seja apenas para saber como ele é, e acabam se admirando de não encontrá-lo tão feio como pensavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunicações exclusivas do Diabo? Há pessoas que consideram errados todos os que não pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunicações são dos Demônios não estariam com medo de encontrar Espíritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? Não podendo negar o fato, quiseram apresentá-lo de maneira assustadora. Mas esse meio não deu mais resultados que os outros, e onde o medo do ridículo é importante, o melhor é deixar as coisas correrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O muçulmano que ouvisse em espírito falar contra algumas leis do Alcorão, pensaria seguramente que era um mau Espírito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora só pregasse a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as máximas do Cristo.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir de vida social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática espírita não é impedi-la, mas esclarecê-la.Um temor imaginário pode impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada é compreensível para todos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;47.&#039;&#039;&#039; Sistema Otimista: Ao lado dos sistemas que só vêem nos fenômenos a ação dos Demônios, há outros que só vêem a dos Espíritos bons. Partem do princípio de que, liberta da matéria, a alma está livre de qualquer véu e deve possuir a soberana ciência e a soberana sabedoria. Essa confiança cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decepções. Elas tiveram de aprender á própria custa a desconfiar de alguns Espíritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;48.&#039;&#039;&#039; Sistema Uniespírito ou Monoespírito: Uma variedade do sistema otimista é a crença de que um único Espírito se comunica com os homens e que esse Espírito é o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, seria impiedade e profanação supor que pudessem provir do espírito do bem por excelência. Ainda se poderia admitir a ilusão, se os que assim crêem só tivessem obtido comunicações excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunicações muito más, explicando tratar-se de uma prova a que o Espírito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tentá-los, outros pensam que Jesus é o único a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experimentá-los. Entre essas duas opiniões tão diversas, quem decidirá?  O bom senso e a experiência. E citamos a experiência, por que é impossível que os que adotam essas idéias tenham verificado tudo suficientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando lhes advertimos com os casos de identificação, que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunicações escritas, visuais e outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas não dizem por que razão os outros Espíritos não podem comunicar-se, com que fim o espírito da Verdade viria nos enganar sob falsas aparências, abusar de uma pobre mãe ao fingir-se o filho por ela chorado. A razão se recusa a admitir que o Espírito mais santo de todos venha a representar semelhante comédia. Além disso, negar a possibilidade de qualquer  outra comunicação não é tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agradável: a consolação dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;49.&#039;&#039;&#039;Sistema Multiespírita ou Poliespírita: Todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir só de um lado afirmará que é apenas vermelha ou branca e estará ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dirá que tem as duas cores e só ele estará realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opiniões sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que é apenas exceção, interpretando como tal o que é somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ciência deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois só o tempo lhe permitirá perceber os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma infinidade de fatos característicos que serão como raios luminosos. Mas se permanecer na superfície expõe-se a julgar prematuramente e portanto de maneira errônea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos os resultados gerais a que chegamos através de uma observação completa, e que hoje formam a crença, podemos dizer da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não passam de opiniões isoladas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Os espíritos não são entidades à parte na Criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas como dispõem do livre-arbítrio alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) São felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram à felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Todo sos Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10º) Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diversos graus porque passam os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap. I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos, que se manifestam e suas boas e más qualidades.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;50.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Material: Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma, segundo a qual a alma e o espírito não seriam distintos, ou melhor, o perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das transmigrações, como o álcool se depura nas destilações. Na Doutrina Espírita, entretanto o perispírito é considerado como simples envoltório fluídico da alma ou Espírito. Constituindo-se o perispírito de uma forma de matéria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria também de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depuração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este princípio não invalida nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois nada modifica em relação ao destino da alma. As condições de sua felicidade futura são  as mesmas, a alma e o perispírito formando um todo sob denominação de Espírito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo em vez de formado por duas partes distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, isto não leva a nenhuma conseqüência e não falaríamos a respeito se não houvéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que não é, de fato, mais que uma simples questão de palavras. Esta opinião, aliás muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada não representaria uma cisão entre os espíritas, da mesma maneira que as teorias da emissão ou das ondulações da luz não dividem os físicos. Os que desejassem separar-se por uma questão assim pueril, provariam dar mais importância ao acessório do que ao principal e estar impulsionados por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não semeiam jamais o azedume e a cizânia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugestões e não ligarem a alguns detalhes maior importância do que merecem, pois o fundo é que é o essencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremos, não obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opinião dos que consideram a alma e o perispírito como distintos. Ela se apóia no ensino dos Espíritos, que jamais variam a esse respeito. Aludimos aos Espíritos esclarecidos, pois entre os Espíritos em geral há muitos que não sabem mais e até mesmo conhecem menos do que os homens. Aliás, essa teoria contrária é uma concepção humana. Não fomos nós que inventamos nem que supusemos a existência do perispírito para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a observação nela confirmou (O Livro dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia ainda no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257), E sobretudo no fenômeno das aparições tangíveis que para outros implicariam a solidificação e a desagregação dos elementos constitutivos da alma, e conseqüentemente a sua desorganização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, seria necessário admitir que essa matéria, que pode tornar-se perceptível aos nossos sentidos, fosse o próprio princípio inteligente, o que não é mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza íntima da alma nada sabemos. Quando se diz aquela é imaterial, devemos entendê-lo em sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Espírito é alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, é que a sua essência é de tal maneira superior que não apresenta nenhuma analogia com o que chamamos matéria, e que por isso ela é, para nós, imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82)(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;51.&#039;&#039;&#039; Eis a resposta de um Espírito a respeito do assunto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&amp;quot;O que uns chamam perispírito é o mesmo que outros chamam de envoltório fluídico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e do pensamento. Mas me refiro aos Espíritos elevados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Quanto aos Espíritos inferiores, estão ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, são materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que não podem atingir os Espíritos superiores, visto que os fluidos terrenos já foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada para vós, ou melhor, não o poderíeis conceber. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o instrumento pelo qual nos comunicamos convoco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perispírito, seja diretamente com a vossa alma. Vem daí a infinita variedade de médiuns e de comunicações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Resta agora o problema científico, referente à própria essência do perispírito, que é outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade lógica.(9)  Resta, a seguir, a discussão da natureza dos fluidos, que é por enquanto inexplicável, pois a Ciência não conhece o suficiente a respeito, mas chegará a conhecê-los se quiser avançar com o Espiritismo. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza.(10)  Neste assunto não podeis avançar, pois é uma questão que não pode ser explicada. Julgais que também não investigo, como vós? Vós pesquisais o perispírito, e nós atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&amp;quot;&#039;&#039;. &lt;br /&gt;
::::– &#039;&#039;&#039;LAMENNAIS&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os Espíritos que podemos considerar adiantados ainda não puderam sondar a natureza da alma. Como poderíamos fazê-lo? É pois uma perda de tempo perscrutar o princípio das coisas que como ensina O Livro dos Espíritos (nº 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda não é do alcance da Humanidade, seria desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o faria avançar sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos que ditaram o livro que traz o seu nome provaram a própria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princípio das coisas, os limites que Deus não nos permite passar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais fascinantes do que sérias, e que um dia cairão ao embate da razão, como tantas outras oriundas do cérebro humano. Só disseram o justamente necessário para que homem compreenda o seu futuro e assim encorajá-lo na prática do bem. (Ver a seguir, na segunda parte do cap. I: Ação dos Espíritos sobre a matéria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As mesmas dúvidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um século após o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinício das pesquisas científicas dos fenômenos paranormais (na verdade fenômenos espíritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ciência renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opinião que caracterizam o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Conta Simone de Beauvoir, em “Força da Idade”, uma experiência de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater à vontade, iludindo a todos, inclusive o próprio filósofo. Como se vê por essa brincadeira entre filósofos ateus e céticos, a posição da inteligência francesa ainda não mudou a respeito do assunto. É pena que em vez de brincar não tenham feito uma experiência séria. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Médico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseqüências perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Espíritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Espírita de junho de 1859. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em “Animismo e Espiritismo”, num sentido mais amplo. Ver esse livro (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) “Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática na fé. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta.” Bruxelas, 1858, edição Devroye&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) O sistema da excitação das idéias é hoje renovado pela hipótese igualmente falsa do “inconsciente excitado”, que pseudoparapsicólogos procuram difundir contra as manifestações espíritas. Como se vê, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adaptações às novas condições culturais. Mas, em compensação, as respostas já estão praticamente dadas nas obras de Kardec. O espírita que as estuda com atenção refutará facilmente essas repetições de velhos sistemas superados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere à parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o espiritismo, do Dr. Grand, antigo cônsul da França (edição Ledoyen) e a que publicamos com o título de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religião, da Ciência e do Materialismo (N. de Kardec.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(8) O Espírito é definido no nº 23 de O Livro dos Espíritos como princípio inteligente, em comparação com o princípio material. O nº27 explica que esses dois princípios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princípio de todas coisas. Isto nos mostra que a concepção espírita do Universo é monista, num sentido espiritual. As ciências atuais estão chegando a essa concepção, como vemos pelo conceito moderno de matéria como concentração de energia. Alguns estudiosos não compreenderam bem esta posição doutrinária e pensam que matéria e Espírito são a mesma coisa. Kardec e os Espíritos negam a concepção abstrata do Espírito, conforme a teologia e a metafísica antiga, porque essa concepção torna o Espírito inacessível ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma (Espírito encarnado, que anima o corpo) ou o Espírito (o ser desencarnado) é alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento não se sujeita às leis físicas, afirmam a sua natureza extrafísica, evitando adotar a expressão espiritual, que levaria a uma interpretação teológica. Os estudantes de Espiritismo devem atentar bem para este problema (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(9) Comprenez d´abort moralement, diz o original. A tradução geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente é literal, mas não corresponde ao sentido do texto, pois moralmente não têm, na nossa língua, todas as acepções do francês. No original quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicionário francês: segundo as possibilidades do campo das opiniões ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicionários Larousse ou Quillet). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10)  O texto francês disse: Lê perisprit peut varier et changer à I´infinit, I´âme est la pensée; elle ne change pás de nature. As traduções, em geral, são literais,mas não correspondem ao sentido do texto. La pensée, no caso, quer dizer inteligência, segundo a proposição cartesiana vigente na época: o pensamento é o atributo essencial do Espírito e a extensão é o da matéria. Consulte-se o verbete pensée num bom dicionário francês. Dizer hoje, e particularmente em português,que a alma é o pensamento equivale a deixar o leitor em dúvida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Espírito, são o princípio inteligente e portanto a inteligência em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_SISTEMAS&amp;diff=11335</id>
		<title>Cap. 4 – SISTEMAS</title>
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		<updated>2011-08-08T14:15:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;36.&#039;&#039;&#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida sobre a sua realidade e mais ainda a sua causa.(1)  Quando foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e através de experiências que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias, suas crenças e seus preconceitos. Daí o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observação mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os adversários do Espiritismo logo viram, nessas divergências de opinião, um argumento contrário, dizendo que os próprios espíritas não concordavam entre si. Era uma razão bem precária, pois os primeiros passos de todas as ciências em desenvolvimento são necessariamente incertos, até que o tempo permita a reunião e coordenação dos fatos que possam fixar-lhes a orientação. À medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se desfazem e a unidade de opinião se estabelece, quando não os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda à diversidade de opiniões. Podemos dizer, aliás, que nesse sentido o seu avanço foi mais rápido que o de ciências mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores sábios.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;37.&#039;&#039;&#039; Para seguir a ordem progressiva das idéias, de maneira metódica, convém colocar em primeiro lugar os chamados sistemas negativos dos adversários do Espiritismo. Refutamos essas objeções na introdução e na conclusão de O Livro dos Espíritos, bem como na pequena obra intitulada O que é o Espiritismo? Seria inútil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se apóiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, por não admitirem nada além da matéria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os cometam à sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes:&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;38.&#039;&#039;&#039; Sistema do Charlatanismo: Muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos à esperteza, pela razão de alguns terem sido imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em mistificados e todos os médiuns em mistificadores, sem consideração pela posição, ou caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, diríamos que alguns fenômenos da Física são também imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ciência. Há pessoas, aliás, cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso não se ter educação nem urbanidade para atrever-se lhes dizer que são cúmplices de charlatanice. Num salão bastante respeitável, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observação dessa e a dona da casa lhe disse: “Senhor, desde que não está satisfeito, o dinheiro lhe será devolvido na porta”, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necessário admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa não deve levar-nos a prejulgá-la. Podemos considerar a boa fé dos outros pelos motivos de suas ações. Onde não há especulação não há razão para o charlatanismo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;39.&#039;&#039;&#039; Sistema da Loucura: Alguns, por condescendência, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que não enganam são enganados por si mesmos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos são menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerimônias o privilégio do bom senso. É esse o grande argumento dos que não tem melhores razões a apresentar. Aliás, essa forma de crítica se tornou ridícula pela própria leviandade e não merece que se perca tempo em refutá-la. Por sinal que os espíritas, pouco se importam com ela. Seguem corajosamente os seus caminhos, consolando-se ao pensar que tem por companheiros de infortúnio muita gente de mérito incontestável. É necessário convir, com efeito, que essa loucura, se trata de loucura, revela uma estranha característica: a de atingir de preferência a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta até o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse número se encontram alguns excêntricos, eles não depõem mais contra a Doutrina do que os fanáticos contra a Religião; do que os melomaníacos contra a Música; ou do que os maníacos calculadores contra a Matemática. Todas as idéias têm os seus fanáticos e seria necessário ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma idéia com a própria idéia. Para mais amplas explicações a respeito, enviamos o leitor à nossa brochura. O que é o Espiritismo ou a O Livro dos Espíritos, parágrafo XV da Introdução.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;40.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alucinação: Outra opinião, menos ofensiva porque tem um leve disfarce científico, consiste em atribuir os fenômenos a uma ilusão dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa fé, mas creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa levantar-se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a vê no espaço por uma ilusão ou por um efeito de refração, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na água, deslocado de sua verdadeira posição. A rigor, isso seria possível, mas os que testemunharam esse fenômeno constataram a suspensão passando por baixo da mesa, o que seria difícil se ela não houvesse sido elevada. Além disso, ela é elevada tantas vezes que acaba por quebrar-se ao cair. Seria isso também uma ilusão de óptica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer, sem dúvida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos imóveis. Mas quando várias pessoas que estão ao redor de uma mesa são arrastadas por um movimento tão rápido que é difícil segui-la, e algumas são até mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o ébrio que vê a casa passar-lhe pela frente?(2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;41.&#039;&#039;&#039; Sistema do Músculo Estalante: Se assim fosse no que toca à visão, não seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes são ouvidos por toda uma assembléia, não se pode razoavelmente atribuí-los à ilusão. Afastamos, bem entendido, qualquer idéia de fraude, considerando uma observação atenta em que se tenha constatado que não havia nenhuma causa fortuita ou material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que um sábio médico deu ao caso uma explicação decisiva, segundo pensava: “A causa, disse ele, está nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio”(3)  E entra nas mais completas minúcias anatômicas para demonstrar o mecanismo dessa produção de estalos,que pode imitar o tambor e mesmo executar árias ritmadas. Chega assim à conclusão de que os que ouvem os golpes numa mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar a vontade o músculo do pequeno perônio, ou outro qualquer, e tocar árias musicais por esse meio, são criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas é muito comum, e os que a possuem só muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa imóvel e distanciada da mesa produzir nestas vibrações sensíveis ao tato, como esses estalos podem repercutir, à vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros móveis, nas paredes, no forro, etc.. e como, enfim, a ação desse músculo pode estender-se a uma mesa que não se toca e fazê-la mover-se sozinha. Esta explicação, aliás, se realmente explicasse alguma coisa, só poderia infirmar o fenômeno dos golpes, não podendo referir-se aos demais modos de comunicação. Concluímos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. É sempre lamentável que os homens de ciência se apressem a dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. O seu próprio saber deveria torná-los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esses saber lhes amplia os limites do desconhecido.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;42.&#039;&#039;&#039; Sistema das Causas Físicas: Saímos aqui dos sistemas de negação absoluta. Averiguada a realidade dos fenômenos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao espírito dos que o viram foi de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente física, material. Essa opinião nada tinha de irracional e prevaleceria se o fenômeno se limitasse aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em alguns casos, o aumento da potência na razão do número de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um único fato a contraditar, é porque ela é falsa incompleta ou demasiado arbitrária. Foi o que não tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram inteligência, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas físico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e só se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, é a constatação da ação inteligente, e é por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;43.&#039;&#039;&#039; Sistema do Reflexo: Reconhecida à ação inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era possível e somente a experiência poderia dar a última palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das idéias puramente materialistas: para a inteligência dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necessário admitir a existência no homem de um princípio independente do organismo(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflexão estaria confirmada. Mas o fenômeno, mesmo assim reduzido, não seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte  e a se traduzir por movimento e ruído não seria admirável? Não haveria nisso o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos, mais positivo, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato,quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se apóiam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas o que é que isso prova, senão que os assistentes podem pensar como a inteligência comunicante? Não se pode exigir que estejam sempre em oposição. Quando, numa conversação, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de vós? Bastam alguns exemplos contrários e bem constatados para provar que essa teoria não pode ser decisiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? A opinião contrária só pode resultar de uma deficiência de observação. Se a presença de uma inteligência estranha é moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o é pelo fenômeno da escrita-direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato e apesar de todas as precauções tomadas para evitar qualquer ardil. O caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida; logo, há mais do que uma simples ação fluídica. Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-la. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução).&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;44.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Coletiva: É uma variante do precedente, mas  identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5)  pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco e só a citamos para registrá-la. Tratam-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. Ema Tirpse é o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por epígrafe: Não há nada oculto que não venha a ser revelado. Essa proposição é evidentemente falsa, pois há uma infinidade de coisas que o homem não pode e não deve saber. Bem presunçoso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;45.&#039;&#039;&#039; Sistema Sonambúlico: Este sistema teve mais partidário, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar como o médium pode tratar de assuntos que estão fora do seu conhecimento, em vez de considerá-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concebe-se a excitação das idéias, mas não se compreende que ela faça escrever aquele que não sabe escrever, e ainda menos quando as comunicações são transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Mas os casos em que a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo é tirar conclusões gerais de alguns fatos isolados.(6)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;46.&#039;&#039;&#039; Sistema Pessimista, Diabólico ou Demoníaco: Entramos aqui em outra ordem de idéias. Constatada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. O meio mais fácil era sem dúvida lhe perguntar, mas algumas pessoas não viam uma garantia suficiente e só quiseram ver em todas as manifestações uma obra diabólica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Demônios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceitação, gozou por certo tempo de algum crédito, em virtude da condição especial daqueles que procuravam fazê-lo prevalecer. Assinalaremos, porém, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser considerados entre os adversários do Espiritismo, antes pelo contrário. Os seres que se comunicam, quer sejam demônio ou anjo, são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é sempre admitir a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, ou pelo menos com uma parte desse mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por mais irracional que seja, não parecia impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Espíritos são apenas as almas dos que já viveram, ela perdeu todo o seu prestígio, e podemos dizer toda a verossimilhança. Porque a conseqüência seria, que todas essas almas eram demônios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo,e que nós mesmos, ao morrer, nos tornaríamos demônios; doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será muito difícil convencer uma mãe de que uma criança querida que ela perdeu,e que após a morte lhe vem dar provas de sua afeição e de sua identidade, seja um suposto satanás. É verdade que entre os Espíritos existem os que são muito maus e não valem mais do que os chamados demônios, e isso por uma razão bem simples: é que existem homens muito maus e que a morte não os melhora imediatamente. A questão é saber se só eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes questões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Há Espíritos bons e maus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os Demônios, se quiserdes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não podem fazê-lo. Se assim é, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra vontade de Deus. Se é contra a sua vontade, os maus Espíritos são mais poderosos que Ele. Se é pela sua vontade, por que razão, na sua bondade, não permitiria a comunicação dos bons, para contrabalançar a influência dos outros?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Espíritos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o Demônio usa todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignorância possa representar o verdadeiro saber e uma natureza má substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Se é só o Demônio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submissão à sua vontade, sofrer sem queixas as atribulações da vida, não ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o seu império? Se for o Demônio quem dá esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante inábil ao fornecer armas contra ele mesmo.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Desde que os Espíritos se comunicam,é que Deus o permite. Vendo as boas e as más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Que pensareis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de vê-las,as pessoas que pudessem desviá-lo do mal? O que um bom pai não faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excelência,estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) A Igreja reconhece como autênticas algumas manifestações da Virgem e de outros santos, nas aparições, visões, comunicações orais etc.; essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos Demônios?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa fé essa teoria. Mas acreditamos também que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupação com essas coisas, por causa das más comunicações que todos estão sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar,assim como se faz a uma criança: “Não pegue nisso, que queima”!. A intenção pode ser louvável, mas não atingiu o objetivo, porque a proibição só serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem vê-lo, nem que seja apenas para saber como ele é, e acabam se admirando de não encontrá-lo tão feio como pensavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunicações exclusivas do Diabo? Há pessoas que consideram errados todos os que não pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunicações são dos Demônios não estariam com medo de encontrar Espíritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? Não podendo negar o fato, quiseram apresentá-lo de maneira assustadora. Mas esse meio não deu mais resultados que os outros, e onde o medo do ridículo é importante, o melhor é deixar as coisas correrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O muçulmano que ouvisse em espírito falar contra algumas leis do Alcorão, pensaria seguramente que era um mau Espírito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora só pregasse a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as máximas do Cristo.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir de vida social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática espírita não é impedi-la, mas esclarecê-la.Um temor imaginário pode impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada é compreensível para todos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;47.&#039;&#039;&#039; Sistema Otimista: Ao lado dos sistemas que só vêem nos fenômenos a ação dos Demônios, há outros que só vêem a dos Espíritos bons. Partem do princípio de que, liberta da matéria, a alma está livre de qualquer véu e deve possuir a soberana ciência e a soberana sabedoria. Essa confiança cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decepções. Elas tiveram de aprender á própria custa a desconfiar de alguns Espíritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;48.&#039;&#039;&#039; Sistema Uniespírito ou Monoespírito: Uma variedade do sistema otimista é a crença de que um único Espírito se comunica com os homens e que esse Espírito é o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, seria impiedade e profanação supor que pudessem provir do espírito do bem por excelência. Ainda se poderia admitir a ilusão, se os que assim crêem só tivessem obtido comunicações excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunicações muito más, explicando tratar-se de uma prova a que o Espírito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tentá-los, outros pensam que Jesus é o único a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experimentá-los. Entre essas duas opiniões tão diversas, quem decidirá?  O bom senso e a experiência. E citamos a experiência, por que é impossível que os que adotam essas idéias tenham verificado tudo suficientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando lhes advertimos com os casos de identificação, que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunicações escritas, visuais e outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas não dizem por que razão os outros Espíritos não podem comunicar-se, com que fim o espírito da Verdade viria nos enganar sob falsas aparências, abusar de uma pobre mãe ao fingir-se o filho por ela chorado. A razão se recusa a admitir que o Espírito mais santo de todos venha a representar semelhante comédia. Além disso, negar a possibilidade de qualquer  outra comunicação não é tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agradável: a consolação dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;49.&#039;&#039;&#039;Sistema Multiespírita ou Poliespírita: Todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir só de um lado afirmará que é apenas vermelha ou branca e estará ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dirá que tem as duas cores e só ele estará realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opiniões sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que é apenas exceção, interpretando como tal o que é somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ciência deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois só o tempo lhe permitirá perceber os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma infinidade de fatos característicos que serão como raios luminosos. Mas se permanecer na superfície expõe-se a julgar prematuramente e portanto de maneira errônea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos os resultados gerais a que chegamos através de uma observação completa, e que hoje formam a crença, podemos dizer da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não passam de opiniões isoladas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Os espíritos não são entidades à parte na Criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas como dispõem do livre-arbítrio alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) São felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram à felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Todo sos Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10º) Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diversos graus porque passam os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap. I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos, que se manifestam e suas boas e más qualidades.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;50.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Material: Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma, segundo a qual a alma e o espírito não seriam distintos, ou melhor, o perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das transmigrações, como o álcool se depura nas destilações. Na Doutrina Espírita, entretanto o perispírito é considerado como simples envoltório fluídico da alma ou Espírito. Constituindo-se o perispírito de uma forma de matéria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria também de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depuração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este princípio não invalida nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois nada modifica em relação ao destino da alma. As condições de sua felicidade futura são  as mesmas, a alma e o perispírito formando um todo sob denominação de Espírito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo em vez de formado por duas partes distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, isto não leva a nenhuma conseqüência e não falaríamos a respeito se não houvéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que não é, de fato, mais que uma simples questão de palavras. Esta opinião, aliás muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada não representaria uma cisão entre os espíritas, da mesma maneira que as teorias da emissão ou das ondulações da luz não dividem os físicos. Os que desejassem separar-se por uma questão assim pueril, provariam dar mais importância ao acessório do que ao principal e estar impulsionados por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não semeiam jamais o azedume e a cizânia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugestões e não ligarem a alguns detalhes maior importância do que merecem, pois o fundo é que é o essencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremos, não obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opinião dos que consideram a alma e o perispírito como distintos. Ela se apóia no ensino dos Espíritos, que jamais variam a esse respeito. Aludimos aos Espíritos esclarecidos, pois entre os Espíritos em geral há muitos que não sabem mais e até mesmo conhecem menos do que os homens. Aliás, essa teoria contrária é uma concepção humana. Não fomos nós que inventamos nem que supusemos a existência do perispírito para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a observação nela confirmou (O Livro dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia ainda no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257), E sobretudo no fenômeno das aparições tangíveis que para outros implicariam a solidificação e a desagregação dos elementos constitutivos da alma, e conseqüentemente a sua desorganização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, seria necessário admitir que essa matéria, que pode tornar-se perceptível aos nossos sentidos, fosse o próprio princípio inteligente, o que não é mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza íntima da alma nada sabemos. Quando se diz aquela é imaterial, devemos entendê-lo em sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Espírito é alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, é que a sua essência é de tal maneira superior que não apresenta nenhuma analogia com o que chamamos matéria, e que por isso ela é, para nós, imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82)(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;51.&#039;&#039;&#039; Eis a resposta de um Espírito a respeito do assunto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&amp;quot;O que uns chamam perispírito é o mesmo que outros chamam de envoltório fluídico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e do pensamento. Mas me refiro aos Espíritos elevados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Quanto aos Espíritos inferiores, estão ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, são materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que não podem atingir os Espíritos superiores, visto que os fluidos terrenos já foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada para vós, ou melhor, não o poderíeis conceber. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o instrumento pelo qual nos comunicamos convoco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perispírito, seja diretamente com a vossa alma. Vem daí a infinita variedade de médiuns e de comunicações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Resta agora o problema científico, referente à própria essência do perispírito, que é outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade lógica.(9)  Resta, a seguir, a discussão da natureza dos fluidos, que é por enquanto inexplicável, pois a Ciência não conhece o suficiente a respeito, mas chegará a conhecê-los se quiser avançar com o Espiritismo. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza.(10)  Neste assunto não podeis avançar, pois é uma questão que não pode ser explicada. Julgais que também não investigo, como vós? Vós pesquisais o perispírito, e nós atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&amp;quot;&#039;&#039;.                                                                          – &#039;&#039;&#039;LAMENNAIS&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os Espíritos que podemos considerar adiantados ainda não puderam sondar a natureza da alma. Como poderíamos fazê-lo? É pois uma perda de tempo perscrutar o princípio das coisas que como ensina O Livro dos Espíritos (nº 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda não é do alcance da Humanidade, seria desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o faria avançar sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos que ditaram o livro que traz o seu nome provaram a própria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princípio das coisas, os limites que Deus não nos permite passar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais fascinantes do que sérias, e que um dia cairão ao embate da razão, como tantas outras oriundas do cérebro humano. Só disseram o justamente necessário para que homem compreenda o seu futuro e assim encorajá-lo na prática do bem. (Ver a seguir, na segunda parte do cap. I: Ação dos Espíritos sobre a matéria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As mesmas dúvidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um século após o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinício das pesquisas científicas dos fenômenos paranormais (na verdade fenômenos espíritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ciência renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opinião que caracterizam o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Conta Simone de Beauvoir, em “Força da Idade”, uma experiência de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater à vontade, iludindo a todos, inclusive o próprio filósofo. Como se vê por essa brincadeira entre filósofos ateus e céticos, a posição da inteligência francesa ainda não mudou a respeito do assunto. É pena que em vez de brincar não tenham feito uma experiência séria. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Médico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseqüências perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Espíritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Espírita de junho de 1859. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em “Animismo e Espiritismo”, num sentido mais amplo. Ver esse livro (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) “Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática na fé. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta.” Bruxelas, 1858, edição Devroye&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) O sistema da excitação das idéias é hoje renovado pela hipótese igualmente falsa do “inconsciente excitado”, que pseudoparapsicólogos procuram difundir contra as manifestações espíritas. Como se vê, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adaptações às novas condições culturais. Mas, em compensação, as respostas já estão praticamente dadas nas obras de Kardec. O espírita que as estuda com atenção refutará facilmente essas repetições de velhos sistemas superados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere à parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o espiritismo, do Dr. Grand, antigo cônsul da França (edição Ledoyen) e a que publicamos com o título de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religião, da Ciência e do Materialismo (N. de Kardec.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(8) O Espírito é definido no nº 23 de O Livro dos Espíritos como princípio inteligente, em comparação com o princípio material. O nº27 explica que esses dois princípios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princípio de todas coisas. Isto nos mostra que a concepção espírita do Universo é monista, num sentido espiritual. As ciências atuais estão chegando a essa concepção, como vemos pelo conceito moderno de matéria como concentração de energia. Alguns estudiosos não compreenderam bem esta posição doutrinária e pensam que matéria e Espírito são a mesma coisa. Kardec e os Espíritos negam a concepção abstrata do Espírito, conforme a teologia e a metafísica antiga, porque essa concepção torna o Espírito inacessível ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma (Espírito encarnado, que anima o corpo) ou o Espírito (o ser desencarnado) é alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento não se sujeita às leis físicas, afirmam a sua natureza extrafísica, evitando adotar a expressão espiritual, que levaria a uma interpretação teológica. Os estudantes de Espiritismo devem atentar bem para este problema (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(9) Comprenez d´abort moralement, diz o original. A tradução geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente é literal, mas não corresponde ao sentido do texto, pois moralmente não têm, na nossa língua, todas as acepções do francês. No original quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicionário francês: segundo as possibilidades do campo das opiniões ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicionários Larousse ou Quillet). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10)  O texto francês disse: Lê perisprit peut varier et changer à I´infinit, I´âme est la pensée; elle ne change pás de nature. As traduções, em geral, são literais,mas não correspondem ao sentido do texto. La pensée, no caso, quer dizer inteligência, segundo a proposição cartesiana vigente na época: o pensamento é o atributo essencial do Espírito e a extensão é o da matéria. Consulte-se o verbete pensée num bom dicionário francês. Dizer hoje, e particularmente em português,que a alma é o pensamento equivale a deixar o leitor em dúvida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Espírito, são o princípio inteligente e portanto a inteligência em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
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		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_SISTEMAS&amp;diff=11334</id>
		<title>Cap. 4 – SISTEMAS</title>
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		<updated>2011-08-08T14:13:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;36.&#039;&#039;&#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida sobre a sua realidade e mais ainda a sua causa.(1)  Quando foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e através de experiências que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias, suas crenças e seus preconceitos. Daí o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observação mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os adversários do Espiritismo logo viram, nessas divergências de opinião, um argumento contrário, dizendo que os próprios espíritas não concordavam entre si. Era uma razão bem precária, pois os primeiros passos de todas as ciências em desenvolvimento são necessariamente incertos, até que o tempo permita a reunião e coordenação dos fatos que possam fixar-lhes a orientação. À medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se desfazem e a unidade de opinião se estabelece, quando não os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda à diversidade de opiniões. Podemos dizer, aliás, que nesse sentido o seu avanço foi mais rápido que o de ciências mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores sábios.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;37.&#039;&#039;&#039; Para seguir a ordem progressiva das idéias, de maneira metódica, convém colocar em primeiro lugar os chamados sistemas negativos dos adversários do Espiritismo. Refutamos essas objeções na introdução e na conclusão de O Livro dos Espíritos, bem como na pequena obra intitulada O que é o Espiritismo? Seria inútil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se apóiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, por não admitirem nada além da matéria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os cometam à sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes:&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;38.&#039;&#039;&#039; Sistema do Charlatanismo: Muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos à esperteza, pela razão de alguns terem sido imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em mistificados e todos os médiuns em mistificadores, sem consideração pela posição, ou caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, diríamos que alguns fenômenos da Física são também imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ciência. Há pessoas, aliás, cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso não se ter educação nem urbanidade para atrever-se lhes dizer que são cúmplices de charlatanice. Num salão bastante respeitável, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observação dessa e a dona da casa lhe disse: “Senhor, desde que não está satisfeito, o dinheiro lhe será devolvido na porta”, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necessário admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa não deve levar-nos a prejulgá-la. Podemos considerar a boa fé dos outros pelos motivos de suas ações. Onde não há especulação não há razão para o charlatanismo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;39.&#039;&#039;&#039; Sistema da Loucura: Alguns, por condescendência, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que não enganam são enganados por si mesmos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos são menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerimônias o privilégio do bom senso. É esse o grande argumento dos que não tem melhores razões a apresentar. Aliás, essa forma de crítica se tornou ridícula pela própria leviandade e não merece que se perca tempo em refutá-la. Por sinal que os espíritas, pouco se importam com ela. Seguem corajosamente os seus caminhos, consolando-se ao pensar que tem por companheiros de infortúnio muita gente de mérito incontestável. É necessário convir, com efeito, que essa loucura, se trata de loucura, revela uma estranha característica: a de atingir de preferência a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta até o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse número se encontram alguns excêntricos, eles não depõem mais contra a Doutrina do que os fanáticos contra a Religião; do que os melomaníacos contra a Música; ou do que os maníacos calculadores contra a Matemática. Todas as idéias têm os seus fanáticos e seria necessário ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma idéia com a própria idéia. Para mais amplas explicações a respeito, enviamos o leitor à nossa brochura. O que é o Espiritismo ou a O Livro dos Espíritos, parágrafo XV da Introdução.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;40.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alucinação: Outra opinião, menos ofensiva porque tem um leve disfarce científico, consiste em atribuir os fenômenos a uma ilusão dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa fé, mas creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa levantar-se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a vê no espaço por uma ilusão ou por um efeito de refração, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na água, deslocado de sua verdadeira posição. A rigor, isso seria possível, mas os que testemunharam esse fenômeno constataram a suspensão passando por baixo da mesa, o que seria difícil se ela não houvesse sido elevada. Além disso, ela é elevada tantas vezes que acaba por quebrar-se ao cair. Seria isso também uma ilusão de óptica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer, sem dúvida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos imóveis. Mas quando várias pessoas que estão ao redor de uma mesa são arrastadas por um movimento tão rápido que é difícil segui-la, e algumas são até mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o ébrio que vê a casa passar-lhe pela frente?(2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;41.&#039;&#039;&#039; Sistema do Músculo Estalante: Se assim fosse no que toca à visão, não seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes são ouvidos por toda uma assembléia, não se pode razoavelmente atribuí-los à ilusão. Afastamos, bem entendido, qualquer idéia de fraude, considerando uma observação atenta em que se tenha constatado que não havia nenhuma causa fortuita ou material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que um sábio médico deu ao caso uma explicação decisiva, segundo pensava: “A causa, disse ele, está nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio”(3)  E entra nas mais completas minúcias anatômicas para demonstrar o mecanismo dessa produção de estalos,que pode imitar o tambor e mesmo executar árias ritmadas. Chega assim à conclusão de que os que ouvem os golpes numa mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar a vontade o músculo do pequeno perônio, ou outro qualquer, e tocar árias musicais por esse meio, são criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas é muito comum, e os que a possuem só muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa imóvel e distanciada da mesa produzir nestas vibrações sensíveis ao tato, como esses estalos podem repercutir, à vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros móveis, nas paredes, no forro, etc.. e como, enfim, a ação desse músculo pode estender-se a uma mesa que não se toca e fazê-la mover-se sozinha. Esta explicação, aliás, se realmente explicasse alguma coisa, só poderia infirmar o fenômeno dos golpes, não podendo referir-se aos demais modos de comunicação. Concluímos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. É sempre lamentável que os homens de ciência se apressem a dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. O seu próprio saber deveria torná-los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esses saber lhes amplia os limites do desconhecido.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;42.&#039;&#039;&#039; Sistema das Causas Físicas: Saímos aqui dos sistemas de negação absoluta. Averiguada a realidade dos fenômenos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao espírito dos que o viram foi de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente física, material. Essa opinião nada tinha de irracional e prevaleceria se o fenômeno se limitasse aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em alguns casos, o aumento da potência na razão do número de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um único fato a contraditar, é porque ela é falsa incompleta ou demasiado arbitrária. Foi o que não tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram inteligência, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas físico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e só se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, é a constatação da ação inteligente, e é por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;43.&#039;&#039;&#039; Sistema do Reflexo: Reconhecida à ação inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era possível e somente a experiência poderia dar a última palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das idéias puramente materialistas: para a inteligência dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necessário admitir a existência no homem de um princípio independente do organismo(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflexão estaria confirmada. Mas o fenômeno, mesmo assim reduzido, não seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte  e a se traduzir por movimento e ruído não seria admirável? Não haveria nisso o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos, mais positivo, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato,quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se apóiam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas o que é que isso prova, senão que os assistentes podem pensar como a inteligência comunicante? Não se pode exigir que estejam sempre em oposição. Quando, numa conversação, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de vós? Bastam alguns exemplos contrários e bem constatados para provar que essa teoria não pode ser decisiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? A opinião contrária só pode resultar de uma deficiência de observação. Se a presença de uma inteligência estranha é moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o é pelo fenômeno da escrita-direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato e apesar de todas as precauções tomadas para evitar qualquer ardil. O caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida; logo, há mais do que uma simples ação fluídica. Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-la. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução).&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;44.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Coletiva: É uma variante do precedente, mas  identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5)  pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco e só a citamos para registrá-la. Tratam-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. Ema Tirpse é o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por epígrafe: Não há nada oculto que não venha a ser revelado. Essa proposição é evidentemente falsa, pois há uma infinidade de coisas que o homem não pode e não deve saber. Bem presunçoso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;45.&#039;&#039;&#039; Sistema Sonambúlico: Este sistema teve mais partidário, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar como o médium pode tratar de assuntos que estão fora do seu conhecimento, em vez de considerá-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concebe-se a excitação das idéias, mas não se compreende que ela faça escrever aquele que não sabe escrever, e ainda menos quando as comunicações são transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Mas os casos em que a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo é tirar conclusões gerais de alguns fatos isolados.(6)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;46.&#039;&#039;&#039; Sistema Pessimista, Diabólico ou Demoníaco: Entramos aqui em outra ordem de idéias. Constatada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. O meio mais fácil era sem dúvida lhe perguntar, mas algumas pessoas não viam uma garantia suficiente e só quiseram ver em todas as manifestações uma obra diabólica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Demônios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceitação, gozou por certo tempo de algum crédito, em virtude da condição especial daqueles que procuravam fazê-lo prevalecer. Assinalaremos, porém, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser considerados entre os adversários do Espiritismo, antes pelo contrário. Os seres que se comunicam, quer sejam demônio ou anjo, são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é sempre admitir a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, ou pelo menos com uma parte desse mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por mais irracional que seja, não parecia impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Espíritos são apenas as almas dos que já viveram, ela perdeu todo o seu prestígio, e podemos dizer toda a verossimilhança. Porque a conseqüência seria, que todas essas almas eram demônios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo,e que nós mesmos, ao morrer, nos tornaríamos demônios; doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será muito difícil convencer uma mãe de que uma criança querida que ela perdeu,e que após a morte lhe vem dar provas de sua afeição e de sua identidade, seja um suposto satanás. É verdade que entre os Espíritos existem os que são muito maus e não valem mais do que os chamados demônios, e isso por uma razão bem simples: é que existem homens muito maus e que a morte não os melhora imediatamente. A questão é saber se só eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes questões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Há Espíritos bons e maus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os Demônios, se quiserdes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não podem fazê-lo. Se assim é, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra vontade de Deus. Se é contra a sua vontade, os maus Espíritos são mais poderosos que Ele. Se é pela sua vontade, por que razão, na sua bondade, não permitiria a comunicação dos bons, para contrabalançar a influência dos outros?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Espíritos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o Demônio usa todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignorância possa representar o verdadeiro saber e uma natureza má substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Se é só o Demônio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submissão à sua vontade, sofrer sem queixas as atribulações da vida, não ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o seu império? Se for o Demônio quem dá esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante inábil ao fornecer armas contra ele mesmo.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Desde que os Espíritos se comunicam,é que Deus o permite. Vendo as boas e as más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Que pensareis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de vê-las,as pessoas que pudessem desviá-lo do mal? O que um bom pai não faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excelência,estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) A Igreja reconhece como autênticas algumas manifestações da Virgem e de outros santos, nas aparições, visões, comunicações orais etc.; essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos Demônios?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa fé essa teoria. Mas acreditamos também que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupação com essas coisas, por causa das más comunicações que todos estão sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar,assim como se faz a uma criança: “Não pegue nisso, que queima”!. A intenção pode ser louvável, mas não atingiu o objetivo, porque a proibição só serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem vê-lo, nem que seja apenas para saber como ele é, e acabam se admirando de não encontrá-lo tão feio como pensavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunicações exclusivas do Diabo? Há pessoas que consideram errados todos os que não pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunicações são dos Demônios não estariam com medo de encontrar Espíritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? Não podendo negar o fato, quiseram apresentá-lo de maneira assustadora. Mas esse meio não deu mais resultados que os outros, e onde o medo do ridículo é importante, o melhor é deixar as coisas correrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O muçulmano que ouvisse em espírito falar contra algumas leis do Alcorão, pensaria seguramente que era um mau Espírito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora só pregasse a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as máximas do Cristo.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir de vida social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática espírita não é impedi-la, mas esclarecê-la.Um temor imaginário pode impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada é compreensível para todos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;47.&#039;&#039;&#039; Sistema Otimista: Ao lado dos sistemas que só vêem nos fenômenos a ação dos Demônios, há outros que só vêem a dos Espíritos bons. Partem do princípio de que, liberta da matéria, a alma está livre de qualquer véu e deve possuir a soberana ciência e a soberana sabedoria. Essa confiança cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decepções. Elas tiveram de aprender á própria custa a desconfiar de alguns Espíritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;48.&#039;&#039;&#039; Sistema Uniespírito ou Monoespírito: Uma variedade do sistema otimista é a crença de que um único Espírito se comunica com os homens e que esse Espírito é o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, seria impiedade e profanação supor que pudessem provir do espírito do bem por excelência. Ainda se poderia admitir a ilusão, se os que assim crêem só tivessem obtido comunicações excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunicações muito más, explicando tratar-se de uma prova a que o Espírito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tentá-los, outros pensam que Jesus é o único a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experimentá-los. Entre essas duas opiniões tão diversas, quem decidirá?  O bom senso e a experiência. E citamos a experiência, por que é impossível que os que adotam essas idéias tenham verificado tudo suficientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando lhes advertimos com os casos de identificação, que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunicações escritas, visuais e outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas não dizem por que razão os outros Espíritos não podem comunicar-se, com que fim o espírito da Verdade viria nos enganar sob falsas aparências, abusar de uma pobre mãe ao fingir-se o filho por ela chorado. A razão se recusa a admitir que o Espírito mais santo de todos venha a representar semelhante comédia. Além disso, negar a possibilidade de qualquer  outra comunicação não é tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agradável: a consolação dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;49.&#039;&#039;&#039;Sistema Multiespírita ou Poliespírita: Todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir só de um lado afirmará que é apenas vermelha ou branca e estará ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dirá que tem as duas cores e só ele estará realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opiniões sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que é apenas exceção, interpretando como tal o que é somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ciência deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois só o tempo lhe permitirá perceber os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma infinidade de fatos característicos que serão como raios luminosos. Mas se permanecer na superfície expõe-se a julgar prematuramente e portanto de maneira errônea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos os resultados gerais a que chegamos através de uma observação completa, e que hoje formam a crença, podemos dizer da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não passam de opiniões isoladas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Os espíritos não são entidades à parte na Criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas como dispõem do livre-arbítrio alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) São felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram à felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Todo sos Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10º) Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diversos graus porque passam os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap. I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos, que se manifestam e suas boas e más qualidades.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;50.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Material: Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma, segundo a qual a alma e o espírito não seriam distintos, ou melhor, o perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das transmigrações, como o álcool se depura nas destilações. Na Doutrina Espírita, entretanto o perispírito é considerado como simples envoltório fluídico da alma ou Espírito. Constituindo-se o perispírito de uma forma de matéria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria também de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depuração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este princípio não invalida nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois nada modifica em relação ao destino da alma. As condições de sua felicidade futura são  as mesmas, a alma e o perispírito formando um todo sob denominação de Espírito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo em vez de formado por duas partes distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, isto não leva a nenhuma conseqüência e não falaríamos a respeito se não houvéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que não é, de fato, mais que uma simples questão de palavras. Esta opinião, aliás muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada não representaria uma cisão entre os espíritas, da mesma maneira que as teorias da emissão ou das ondulações da luz não dividem os físicos. Os que desejassem separar-se por uma questão assim pueril, provariam dar mais importância ao acessório do que ao principal e estar impulsionados por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não semeiam jamais o azedume e a cizânia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugestões e não ligarem a alguns detalhes maior importância do que merecem, pois o fundo é que é o essencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremos, não obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opinião dos que consideram a alma e o perispírito como distintos. Ela se apóia no ensino dos Espíritos, que jamais variam a esse respeito. Aludimos aos Espíritos esclarecidos, pois entre os Espíritos em geral há muitos que não sabem mais e até mesmo conhecem menos do que os homens. Aliás, essa teoria contrária é uma concepção humana. Não fomos nós que inventamos nem que supusemos a existência do perispírito para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a observação nela confirmou (O Livro dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia ainda no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257), E sobretudo no fenômeno das aparições tangíveis que para outros implicariam a solidificação e a desagregação dos elementos constitutivos da alma, e conseqüentemente a sua desorganização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, seria necessário admitir que essa matéria, que pode tornar-se perceptível aos nossos sentidos, fosse o próprio princípio inteligente, o que não é mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza íntima da alma nada sabemos. Quando se diz aquela é imaterial, devemos entendê-lo em sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Espírito é alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, é que a sua essência é de tal maneira superior que não apresenta nenhuma analogia com o que chamamos matéria, e que por isso ela é, para nós, imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82)(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;51.&#039;&#039;&#039; Eis a resposta de um Espírito a respeito do assunto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&amp;quot;O que uns chamam perispírito é o mesmo que outros chamam de envoltório fluídico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e do pensamento. Mas me refiro aos Espíritos elevados.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Quanto aos Espíritos inferiores, estão ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, são materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que não podem atingir os Espíritos superiores, visto que os fluidos terrenos já foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada para vós, ou melhor, não o poderíeis conceber. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o instrumento pelo qual nos comunicamos convoco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perispírito, seja diretamente com a vossa alma. Vem daí a infinita variedade de médiuns e de comunicações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;Resta agora o problema científico, referente à própria essência do perispírito, que é outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade lógica.(9)  Resta, a seguir, a discussão da natureza dos fluidos, que é por enquanto inexplicável, pois a Ciência não conhece o suficiente a respeito, mas chegará a conhecê-los se quiser avançar com o Espiritismo. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza.(10)  Neste assunto não podeis avançar, pois é uma questão que não pode ser explicada. Julgais que também não investigo, como vós? Vós pesquisais o perispírito, e nós atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&amp;quot;&#039;&#039;. – &#039;&#039;&#039;LAMENNAIS&#039;&#039;&#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os Espíritos que podemos considerar adiantados ainda não puderam sondar a natureza da alma. Como poderíamos fazê-lo? É pois uma perda de tempo perscrutar o princípio das coisas que como ensina O Livro dos Espíritos (nº 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda não é do alcance da Humanidade, seria desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o faria avançar sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos que ditaram o livro que traz o seu nome provaram a própria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princípio das coisas, os limites que Deus não nos permite passar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais fascinantes do que sérias, e que um dia cairão ao embate da razão, como tantas outras oriundas do cérebro humano. Só disseram o justamente necessário para que homem compreenda o seu futuro e assim encorajá-lo na prática do bem. (Ver a seguir, na segunda parte do cap. I: Ação dos Espíritos sobre a matéria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As mesmas dúvidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um século após o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinício das pesquisas científicas dos fenômenos paranormais (na verdade fenômenos espíritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ciência renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opinião que caracterizam o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Conta Simone de Beauvoir, em “Força da Idade”, uma experiência de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater à vontade, iludindo a todos, inclusive o próprio filósofo. Como se vê por essa brincadeira entre filósofos ateus e céticos, a posição da inteligência francesa ainda não mudou a respeito do assunto. É pena que em vez de brincar não tenham feito uma experiência séria. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Médico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseqüências perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Espíritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Espírita de junho de 1859. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em “Animismo e Espiritismo”, num sentido mais amplo. Ver esse livro (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) “Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática na fé. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta.” Bruxelas, 1858, edição Devroye&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) O sistema da excitação das idéias é hoje renovado pela hipótese igualmente falsa do “inconsciente excitado”, que pseudoparapsicólogos procuram difundir contra as manifestações espíritas. Como se vê, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adaptações às novas condições culturais. Mas, em compensação, as respostas já estão praticamente dadas nas obras de Kardec. O espírita que as estuda com atenção refutará facilmente essas repetições de velhos sistemas superados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere à parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o espiritismo, do Dr. Grand, antigo cônsul da França (edição Ledoyen) e a que publicamos com o título de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religião, da Ciência e do Materialismo (N. de Kardec.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(8) O Espírito é definido no nº 23 de O Livro dos Espíritos como princípio inteligente, em comparação com o princípio material. O nº27 explica que esses dois princípios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princípio de todas coisas. Isto nos mostra que a concepção espírita do Universo é monista, num sentido espiritual. As ciências atuais estão chegando a essa concepção, como vemos pelo conceito moderno de matéria como concentração de energia. Alguns estudiosos não compreenderam bem esta posição doutrinária e pensam que matéria e Espírito são a mesma coisa. Kardec e os Espíritos negam a concepção abstrata do Espírito, conforme a teologia e a metafísica antiga, porque essa concepção torna o Espírito inacessível ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma (Espírito encarnado, que anima o corpo) ou o Espírito (o ser desencarnado) é alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento não se sujeita às leis físicas, afirmam a sua natureza extrafísica, evitando adotar a expressão espiritual, que levaria a uma interpretação teológica. Os estudantes de Espiritismo devem atentar bem para este problema (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(9) Comprenez d´abort moralement, diz o original. A tradução geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente é literal, mas não corresponde ao sentido do texto, pois moralmente não têm, na nossa língua, todas as acepções do francês. No original quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicionário francês: segundo as possibilidades do campo das opiniões ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicionários Larousse ou Quillet). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10)  O texto francês disse: Lê perisprit peut varier et changer à I´infinit, I´âme est la pensée; elle ne change pás de nature. As traduções, em geral, são literais,mas não correspondem ao sentido do texto. La pensée, no caso, quer dizer inteligência, segundo a proposição cartesiana vigente na época: o pensamento é o atributo essencial do Espírito e a extensão é o da matéria. Consulte-se o verbete pensée num bom dicionário francês. Dizer hoje, e particularmente em português,que a alma é o pensamento equivale a deixar o leitor em dúvida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Espírito, são o princípio inteligente e portanto a inteligência em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
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		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._4_%E2%80%93_SISTEMAS&amp;diff=11333</id>
		<title>Cap. 4 – SISTEMAS</title>
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		<updated>2011-08-08T14:07:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;36.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida s…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;36.&#039;&#039;&#039; Quando os estranhos fenômenos do Espiritismo começaram a se produzir, ou melhor, quando se renovaram nestes últimos tempos, suscitaram antes de mais nada a dúvida sobre a sua realidade e mais ainda a sua causa.(1)  Quando foram averiguados por testemunhos irrecusáveis e através de experiências que todos puderam fazer, aconteceu que cada qual os interpretou a seu modo, de acordo com suas idéias, suas crenças e seus preconceitos. Daí o aparecimento dos numerosos sistemas que uma observação mais atenta deveria reduzir ao seu justo valor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os adversários do Espiritismo logo viram, nessas divergências de opinião, um argumento contrário, dizendo que os próprios espíritas não concordavam entre si. Era uma razão bem precária, pois os primeiros passos de todas as ciências em desenvolvimento são necessariamente incertos, até que o tempo permita a reunião e coordenação dos fatos que possam fixar-lhes a orientação. À medida que os fatos se completam e são melhor observados, as idéias prematuras se desfazem e a unidade de opinião se estabelece, quando não os detalhes, pelo menos sobre os pontos fundamentais. Foi o que aconteceu com o Espiritismo, que não podia escapar a essa lei comum, e que devia mesmo, por sua natureza, prestar-se ainda à diversidade de opiniões. Podemos dizer, aliás, que nesse sentido o seu avanço foi mais rápido que o de ciências mais antigas, como a Medicina, por exemplo, que ainda continua a dividir os maiores sábios.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;37.&#039;&#039;&#039; Para seguir a ordem progressiva das idéias, de maneira metódica, convém colocar em primeiro lugar os chamados sistemas negativos dos adversários do Espiritismo. Refutamos essas objeções na introdução e na conclusão de O Livro dos Espíritos, bem como na pequena obra intitulada O que é o Espiritismo? Seria inútil voltar ao assunto e nos limitaremos a lembrar, em duas palavras, os motivos em que eles se apóiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são de duas espécies: os de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes. Não admitindo a existência dos Espíritos, por não admitirem nada além da matéria, compreende-se que eles neguem os efeitos inteligentes. Quanto aos efeitos físicos, eles os cometam à sua maneira e seus argumentos podem ser resumidos nos quatro sistemas seguintes:&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;38.&#039;&#039;&#039; Sistema do Charlatanismo: Muitos dos antagonistas atribuem esses efeitos à esperteza, pela razão de alguns terem sido imitados. Essa suposição transformaria todos os espíritas em mistificados e todos os médiuns em mistificadores, sem consideração pela posição, ou caráter, o saber e a honorabilidade das pessoas. Se ela merecesse resposta, diríamos que alguns fenômenos da Física são também imitados pelos prestidigitadores, o que nada prova contra a verdadeira ciência. Há pessoas, aliás, cujo caráter afasta toda suspeita de fraude, e seria preciso não se ter educação nem urbanidade para atrever-se lhes dizer que são cúmplices de charlatanice. Num salão bastante respeitável, um senhor que se dizia muito educado permitiu-se fazer uma observação dessa e a dona da casa lhe disse: “Senhor, desde que não está satisfeito, o dinheiro lhe será devolvido na porta”, e com um gesto lhe indicou o melhor que tinha a fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos concluir disso que nunca houve abusos? Seria necessário admitir que os homens são perfeitos. Abusa-se de tudo, mesmo das coisas mais santas. Por que não se abusaria do Espiritismo? Mas o mau emprego que se pode fazer de uma coisa não deve levar-nos a prejulgá-la. Podemos considerar a boa fé dos outros pelos motivos de suas ações. Onde não há especulação não há razão para o charlatanismo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;39.&#039;&#039;&#039; Sistema da Loucura: Alguns, por condescendência, querem afastar a suspeita de fraude e pretendem que os que não enganam são enganados por si mesmos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos são menos maneirosos, dizem simplesmente que se trata de loucura, atribuindo-se sem cerimônias o privilégio do bom senso. É esse o grande argumento dos que não tem melhores razões a apresentar. Aliás, essa forma de crítica se tornou ridícula pela própria leviandade e não merece que se perca tempo em refutá-la. Por sinal que os espíritas, pouco se importam com ela. Seguem corajosamente os seus caminhos, consolando-se ao pensar que tem por companheiros de infortúnio muita gente de mérito incontestável. É necessário convir, com efeito, que essa loucura, se trata de loucura, revela uma estranha característica: a de atingir de preferência a classe mais esclarecida, na qual o Espiritismo conta até o momento com a maioria absoluta de adeptos. Se nesse número se encontram alguns excêntricos, eles não depõem mais contra a Doutrina do que os fanáticos contra a Religião; do que os melomaníacos contra a Música; ou do que os maníacos calculadores contra a Matemática. Todas as idéias têm os seus fanáticos e seria necessário ser-se muito obtuso para confundir o exagero de uma idéia com a própria idéia. Para mais amplas explicações a respeito, enviamos o leitor à nossa brochura. O que é o Espiritismo ou a O Livro dos Espíritos, parágrafo XV da Introdução.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;40.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alucinação: Outra opinião, menos ofensiva porque tem um leve disfarce científico, consiste em atribuir os fenômenos a uma ilusão dos sentidos. Assim, o observador seria de muito boa fé, mas creria ver o que não vê. Quando vê uma mesa levantar-se e permanecer no ar sem qualquer apoio, a mesa nem se moveu. Ele a vê no espaço por uma ilusão ou por um efeito de refração, como o que nos faz ver um astro ou um objeto na água, deslocado de sua verdadeira posição. A rigor, isso seria possível, mas os que testemunharam esse fenômeno constataram a suspensão passando por baixo da mesa, o que seria difícil se ela não houvesse sido elevada. Além disso, ela é elevada tantas vezes que acaba por quebrar-se ao cair. Seria isso também uma ilusão de óptica?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma causa fisiológica bem conhecida pode fazer, sem dúvida, que se veja rodar uma coisa que nem se mexeu, ou que nos sintamos rodar quando estamos imóveis. Mas quando várias pessoas que estão ao redor de uma mesa são arrastadas por um movimento tão rápido que é difícil segui-la, e algumas são até mesmo derrubadas, teriam acaso sofrido vertigens, como o ébrio que vê a casa passar-lhe pela frente?(2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;41.&#039;&#039;&#039; Sistema do Músculo Estalante: Se assim fosse no que toca à visão, não seria diferente para o ouvido. Mas quando os golpes são ouvidos por toda uma assembléia, não se pode razoavelmente atribuí-los à ilusão. Afastamos, bem entendido, qualquer idéia de fraude, considerando uma observação atenta em que se tenha constatado que não havia nenhuma causa fortuita ou material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que um sábio médico deu ao caso uma explicação decisiva, segundo pensava: “A causa, disse ele, está nas contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio”(3)  E entra nas mais completas minúcias anatômicas para demonstrar o mecanismo dessa produção de estalos,que pode imitar o tambor e mesmo executar árias ritmadas. Chega assim à conclusão de que os que ouvem os golpes numa mesa são vítimas de uma mistificação ou de uma ilusão. O fato nada apresenta de novo. Infelizmente para o autor dessa pretensa descoberta, sua teoria não pode explicar todos os casos. Digamos primeiramente que os dotados da estranha faculdade de fazer estalar a vontade o músculo do pequeno perônio, ou outro qualquer, e tocar árias musicais por esse meio, são criaturas excepcionais, enquanto a de fazer estalar as mesas é muito comum, e os que a possuem só muito raramente podem possuir aquela. Em segundo lugar, o sábio doutor esqueceu-se de explicar como podem esses estalos musculares de uma pessoa imóvel e distanciada da mesa produzir nestas vibrações sensíveis ao tato, como esses estalos podem repercutir, à vontade dos assistentes, em lugares diversos da mesa, em outros móveis, nas paredes, no forro, etc.. e como, enfim, a ação desse músculo pode estender-se a uma mesa que não se toca e fazê-la mover-se sozinha. Esta explicação, aliás, se realmente explicasse alguma coisa, só poderia infirmar o fenômeno dos golpes, não podendo referir-se aos demais modos de comunicação. Concluímos, pois, que o seu autor julgou sem ter visto, ou sem ter visto tudo de maneira suficiente. É sempre lamentável que os homens de ciência se apressem a dar, sobre o que não conhecem, explicações que os fatos podem desmentir. O seu próprio saber deveria torná-los tanto mais ponderados em seus julgamentos, quanto mais esses saber lhes amplia os limites do desconhecido.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;42.&#039;&#039;&#039; Sistema das Causas Físicas: Saímos aqui dos sistemas de negação absoluta. Averiguada a realidade dos fenômenos, o primeiro pensamento que naturalmente ocorreu ao espírito dos que o viram foi de atribuir os movimentos ao magnetismo, à eletricidade ou à ação de um fluido qualquer, em uma palavra, a uma causa exclusivamente física, material. Essa opinião nada tinha de irracional e prevaleceria se o fenômeno se limitasse aos efeitos puramente mecânicos. Uma circunstância parecia mesmo corroborá-la: era, em alguns casos, o aumento da potência na razão do número de pessoas presentes, pois cada uma delas podia ser considerada como elemento de uma pilha elétrica humana. O que caracteriza uma teoria verdadeira, já o dissemos, é a possibilidade de explicar todos os fatos. Se um único fato a contraditar, é porque ela é falsa incompleta ou demasiado arbitrária. Foi o que não tardou a acontecer no caso. Os movimentos e os golpes revelaram inteligência, pois obedeciam a uma vontade e respondiam ao pensamento. Deviam, pois, ter uma causa inteligente. E desde que o efeito cessava de ser apenas físico, a causa, por isso mesmo, devia ser outra. Assim o sistema de ação exclusiva de um agente material foi abandonado e só se renova entre os que julgam a priori, sem nada terem visto. O ponto capital, portanto, é a constatação da ação inteligente, e é por ele que se pode convencer quem quiser se dar ao trabalho da observação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;43.&#039;&#039;&#039; Sistema do Reflexo: Reconhecida à ação inteligente, restava saber qual seria a fonte dessa inteligência. Pensou-se que poderia ser a do médium ou dos assistentes, que se refletiria como a luz ou as ondas sonoras. Isso era possível e somente a experiência poderia dar a última palavra a respeito. Mas notemos, desde logo, que esse sistema se afasta completamente das idéias puramente materialistas: para a inteligência dos assistentes poder reproduzir-se de maneira indireta, seria necessário admitir a existência no homem de um princípio independente do organismo(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pensamento manifestado fosse sempre o dos assistentes, a teoria da reflexão estaria confirmada. Mas o fenômeno, mesmo assim reduzido, não seria do mais alto interesse? O pensamento a repercutir num corpo inerte  e a se traduzir por movimento e ruído não seria admirável? Não haveria nisso o que excitar a curiosidade dos sábios? Por que, pois, eles desprezaram esse fato, eles que se esgotam na procura de uma fibra nervosa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a experiência, dissemos, poderia dar a última palavra sobre essa teoria, e a experiência a deu condenando-a, porque ela demonstra a cada instante, e pelos fatos, mais positivo, que o pensamento manifestado pode ser, não só estranho aos assistentes, mas quase sempre inteiramente contrário ao deles; que contradiz todas as idéias preconcebidas e desfaz todas as previsões. De fato,quando eu penso branco e me respondem preto, não posso acreditar que a resposta seja minha. Alguns se apóiam em casos de identidade entre o pensamento manifestado e o dos assistentes, mas o que é que isso prova, senão que os assistentes podem pensar como a inteligência comunicante? Não se pode exigir que estejam sempre em oposição. Quando, numa conversação, o interlocutor emite um pensamento semelhante ao vosso, direis por isso que ele o tirou de vós? Bastam alguns exemplos contrários e bem constatados para provar que essa teoria não pode ser decisiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como, aliás, explicar pelo reflexo do pensamento a escrita feita por pessoas que não sabem escrever? As respostas do mais elevado alcance filosófico obtidas através de pessoas iletradas. E aquelas dadas a perguntas mentais ou formuladas numa língua desconhecida do médium? E mil outros fatos que não podem deixar dúvida quanto à independência da inteligência manifestante? A opinião contrária só pode resultar de uma deficiência de observação. Se a presença de uma inteligência estranha é moralmente provada pela natureza das respostas, materialmente o é pelo fenômeno da escrita-direta, ou seja, da escrita feita espontaneamente, sem caneta nem lápis, sem contato e apesar de todas as precauções tomadas para evitar qualquer ardil. O caráter inteligente do fenômeno não poderia ser posto em dúvida; logo, há mais do que uma simples ação fluídica. Além disso, a espontaneidade do pensamento manifestado independente de toda expectativa e de qualquer questão formulada, não permite que se possa tomá-lo como um reflexo do que pensam os assistentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema do reflexo é muito desagradável em certos casos. Quando, por exemplo, numa reunião de pessoas sérias ocorre uma comunicação de revoltante grosseria, atribuí-la a um dos assistentes seria cometer uma grave indelicadeza, e é provável que todos se apressassem em repudiá-la. (Ver O Livro dos Espíritos, parágrafo XVI da Introdução).&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;44.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Coletiva: É uma variante do precedente, mas  identificando-se com a de muitas outras pessoas presentes ou ausentes, para formar um todo coletivo que reuniria as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada uma delas. Embora a brochura que expõe essa teoria se intitule A Luz(5)  pareceu-nos de um estilo bastante obscuro. Confessamos haver compreendido pouco e só a citamos para registrá-la. Tratam-se, aliás, de uma opinião individual como tantas outras e que fez poucos adeptos. Ema Tirpse é o nome usado pelo autor para designar o ser coletivo que representa. Ele toma por epígrafe: Não há nada oculto que não venha a ser revelado. Essa proposição é evidentemente falsa, pois há uma infinidade de coisas que o homem não pode e não deve saber. Bem presunçoso seria o que pretendesse penetrar todos os segredos de Deus.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;45.&#039;&#039;&#039; Sistema Sonambúlico: Este sistema teve mais partidário, mas ainda agora conta com alguns. Como precedente, admite que todas as comunicações inteligentes procedem da alma ou Espírito do médium. Mas, para explicar como o médium pode tratar de assuntos que estão fora do seu conhecimento, em vez de considerá-lo dotado de uma alma coletiva, atribui essa aptidão a uma superexcitação momentânea de suas faculdades mentais, a uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Não se pode negar, em certos casos, a influência dessa causa, mas é suficiente haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não pode resolver todos os casos, constituindo pois a exceção e não a regra. Poderia ser assim, se o médium tivesse sempre o ar de inspirado ou extático, aparência que ele poderia, aliás, simular perfeitamente, se quisesse representar uma comédia. Mas como crer na inspiração, quando o médium escreve como uma máquina, sem a menor consciência do que obtém, sem a menor emoção, sem se preocupar com o que faz, inteiramente distraído, rindo e tratando de assuntos diversos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concebe-se a excitação das idéias, mas não se compreende que ela faça escrever aquele que não sabe escrever, e ainda menos quando as comunicações são transmitidas por pancadas ou com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Veremos, no curso desta obra, o que se deve atribuir à influência das idéias do médium. Mas os casos em que a inteligência estranha se revela por sinais incontestáveis são tão numerosos e evidentes, que não podem deixar dúvidas a respeito. O erro da maior parte dos sistemas surgidos na origem do Espiritismo é tirar conclusões gerais de alguns fatos isolados.(6)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;46.&#039;&#039;&#039; Sistema Pessimista, Diabólico ou Demoníaco: Entramos aqui em outra ordem de idéias. Constatada a intervenção de uma inteligência estranha, tratava-se de saber de que natureza era essa inteligência. O meio mais fácil era sem dúvida lhe perguntar, mas algumas pessoas não viam uma garantia suficiente e só quiseram ver em todas as manifestações uma obra diabólica. Segundo elas, somente o Diabo ou os Demônios podem comunicar-se. Embora esse sistema tenha hoje pouca aceitação, gozou por certo tempo de algum crédito, em virtude da condição especial daqueles que procuravam fazê-lo prevalecer. Assinalaremos, porém, que os partidários do sistema demoníaco não devem ser considerados entre os adversários do Espiritismo, antes pelo contrário. Os seres que se comunicam, quer sejam demônio ou anjo, são sempre seres incorpóreos. Ora, admitir a manifestação dos demônios é sempre admitir a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, ou pelo menos com uma parte desse mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na comunicação exclusiva dos demônios, por mais irracional que seja, não parecia impossível quando se consideravam os Espíritos como seres criados fora da Humanidade. Mas desde que sabemos que os Espíritos são apenas as almas dos que já viveram, ela perdeu todo o seu prestígio, e podemos dizer toda a verossimilhança. Porque a conseqüência seria, que todas essas almas eram demônios, fossem elas de um pai, de um filho ou de um amigo,e que nós mesmos, ao morrer, nos tornaríamos demônios; doutrina pouco lisonjeira e pouco consoladora para muita gente. Será muito difícil convencer uma mãe de que uma criança querida que ela perdeu,e que após a morte lhe vem dar provas de sua afeição e de sua identidade, seja um suposto satanás. É verdade que entre os Espíritos existem os que são muito maus e não valem mais do que os chamados demônios, e isso por uma razão bem simples: é que existem homens muito maus e que a morte não os melhora imediatamente. A questão é saber se só eles podem comunicar-se. Aos que pensam assim, propomos as seguintes questões:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Há Espíritos bons e maus?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Deus é mais poderoso do que os maus Espíritos, ou do que os Demônios, se quiserdes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Afirmar que só os maus se comunicam é dizer que os bons não podem fazê-lo. Se assim é, de duas uma: isso acontece pela vontade ou contra vontade de Deus. Se é contra a sua vontade, os maus Espíritos são mais poderosos que Ele. Se é pela sua vontade, por que razão, na sua bondade, não permitiria a comunicação dos bons, para contrabalançar a influência dos outros?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Que provas podeis dar da impossibilidade de se comunicarem os bons Espíritos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Quando vos opomos a sabedoria de certas comunicações, respondeis que o Demônio usa todas as máscaras para melhor seduzir. Sabemos, realmente, que há Espíritos hipócritas que dão à sua linguagem um verniz de sabedoria. Mas admitis que a ignorância possa representar o verdadeiro saber e uma natureza má substituir a virtude, sem deixar transparecer a fraude?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Se é só o Demônio que se comunica, e sendo ele o inimigo de Deus e dos Homens, por que recomenda orar a Deus, submissão à sua vontade, sofrer sem queixas as atribulações da vida, não ambicionar honras nem riquezas, praticar a caridade e todas as máximas do Cristo; em uma palavra, fazer tudo o que é necessário para destruir o seu império? Se for o Demônio quem dá esses conselhos, temos de convir que, por mais ardiloso seja, se mostra bastante inábil ao fornecer armas contra ele mesmo.(7)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Desde que os Espíritos se comunicam,é que Deus o permite. Vendo as boas e as más comunicações, não é mais lógico pensar que Deus permite umas para nos provar e outras para nos aconselhar o bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Que pensareis de um pai que deixasse o filho à mercê dos exemplos e dos conselhos perniciosos, e que afastasse dele, proibindo-o de vê-las,as pessoas que pudessem desviá-lo do mal? O que um bom pai não faria, devemos pensar que Deus, a bondade por excelência,estaria fazendo, menos compreensivo que um homem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) A Igreja reconhece como autênticas algumas manifestações da Virgem e de outros santos, nas aparições, visões, comunicações orais etc.; essa crença não está em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos Demônios?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acreditamos que algumas pessoas aceitaram de boa fé essa teoria. Mas acreditamos também que muitas o fizeram apenas para evitar a preocupação com essas coisas, por causa das más comunicações que todos estão sujeitos a receber. Dizendo que somente o Diabo se manifesta, quiseram assustar,assim como se faz a uma criança: “Não pegue nisso, que queima”!. A intenção pode ser louvável, mas não atingiu o objetivo, porque a proibição só serve para excitar a curiosidade e o temor do Diabo abrange poucas pessoas. Em geral querem vê-lo, nem que seja apenas para saber como ele é, e acabam se admirando de não encontrá-lo tão feio como pensavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se poderia ainda encontrar outro motivo para esta teoria das comunicações exclusivas do Diabo? Há pessoas que consideram errados todos os que não pensam como elas. Ora, as que pretendem que as comunicações são dos Demônios não estariam com medo de encontrar Espíritos que as contrariem, muito mais no tocante aos interesses deste mundo que aos do outro? Não podendo negar o fato, quiseram apresentá-lo de maneira assustadora. Mas esse meio não deu mais resultados que os outros, e onde o medo do ridículo é importante, o melhor é deixar as coisas correrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O muçulmano que ouvisse em espírito falar contra algumas leis do Alcorão, pensaria seguramente que era um mau Espírito. O mesmo aconteceria com um judeu, no tocante a algumas práticas da lei de Moisés. Quanto aos católicos, ouvimos um deles afirmar que o Espírito comunicante era o Diabo, porque se atrevia a pensar diferente dele sobre o poder temporal, embora só pregasse a caridade, a tolerância, o amor ao próximo, o desinteresse pelas coisas mundanas, de acordo com as máximas do Cristo.     &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir de vida social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática espírita não é impedi-la, mas esclarecê-la.Um temor imaginário pode impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade claramente demonstrada é compreensível para todos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;47.&#039;&#039;&#039; Sistema Otimista: Ao lado dos sistemas que só vêem nos fenômenos a ação dos Demônios, há outros que só vêem a dos Espíritos bons. Partem do princípio de que, liberta da matéria, a alma está livre de qualquer véu e deve possuir a soberana ciência e a soberana sabedoria. Essa confiança cega na superioridade absoluta dos seres do mundo invisível tem sido, para muitas pessoas, a fonte de numerosas decepções. Elas tiveram de aprender á própria custa a desconfiar de alguns Espíritos, tanto como desconfiavam de alguns homens.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;48.&#039;&#039;&#039; Sistema Uniespírito ou Monoespírito: Uma variedade do sistema otimista é a crença de que um único Espírito se comunica com os homens e que esse Espírito é o Cristo, protetor da Terra. Quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, seria impiedade e profanação supor que pudessem provir do espírito do bem por excelência. Ainda se poderia admitir a ilusão, se os que assim crêem só tivessem obtido comunicações excelentes. Mas a maioria deles declara ter recebido comunicações muito más, explicando tratar-se de uma prova a que o Espírito bom os submete ao ditar-lhes coisas absurdas. Assim, enquanto uns atribuem todas as comunicações ao Diabo, que pode fazer bons ditados para tentá-los, outros pensam que Jesus é o único a se manifestar e que pode fazer maus ditados para experimentá-los. Entre essas duas opiniões tão diversas, quem decidirá?  O bom senso e a experiência. E citamos a experiência, por que é impossível que os que adotam essas idéias tenham verificado tudo suficientemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando lhes advertimos com os casos de identificação, que atestam a presença de parentes, amigos ou conhecidos pelas comunicações escritas, visuais e outras, respondem que é sempre o mesmo Espírito: o Diabo, segundo uns, o Cristo, segundo outros, que tomam aquelas formas. Mas não dizem por que razão os outros Espíritos não podem comunicar-se, com que fim o espírito da Verdade viria nos enganar sob falsas aparências, abusar de uma pobre mãe ao fingir-se o filho por ela chorado. A razão se recusa a admitir que o Espírito mais santo de todos venha a representar semelhante comédia. Além disso, negar a possibilidade de qualquer  outra comunicação não é tirar do Espiritismo o que ele tem de mais agradável: a consolação dos aflitos? Declaramos simplesmente que semelhante sistema é irracional e não pode resistir a um exame sério.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;49.&#039;&#039;&#039;Sistema Multiespírita ou Poliespírita: Todos os sistemas que examinamos, sem excetuar os negativos, fundamentam-se em algumas observações, mas incompletas ou mal interpretadas. Se uma casa é vermelha de um lado e branca do outro, quem a vir só de um lado afirmará que é apenas vermelha ou branca e estará ao mesmo tempo errado e certo; mas quem a vir de todos os lados dirá que tem as duas cores e só ele estará realmente com a verdade. Acontece o mesmo com as opiniões sobre o Espiritismo: pode ser verdadeira sobre certos aspectos e falsa se a generalizarem, tomando como regra o que é apenas exceção, interpretando como tal o que é somente uma parte. Por isso dizemos que quem desejar estudar seriamente esta ciência deve aprofundar-se bastante e durante longo tempo, pois só o tempo lhe permitirá perceber os detalhes, notar as nuanças delicadas, observar uma infinidade de fatos característicos que serão como raios luminosos. Mas se permanecer na superfície expõe-se a julgar prematuramente e portanto de maneira errônea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vejamos os resultados gerais a que chegamos através de uma observação completa, e que hoje formam a crença, podemos dizer da universalidade dos espíritas, porque os sistemas restritivos não passam de opiniões isoladas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Os espíritos não são entidades à parte na Criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros Mundos, desprovidas do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas como dispõem do livre-arbítrio alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) São felizes ou infelizes, conforme o bem ou mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram à felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Todo sos Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:10º) Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diversos graus porque passam os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap. I, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos, que se manifestam e suas boas e más qualidades.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;50.&#039;&#039;&#039; Sistema da Alma Material: Consiste apenas numa opinião particular sobre a natureza íntima da alma, segundo a qual a alma e o espírito não seriam distintos, ou melhor, o perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das transmigrações, como o álcool se depura nas destilações. Na Doutrina Espírita, entretanto o perispírito é considerado como simples envoltório fluídico da alma ou Espírito. Constituindo-se o perispírito de uma forma de matéria, embora muito eterizada, para o sistema em causa a alma seria também de natureza material, mais ou menos essencial, segundo o grau de sua depuração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este princípio não invalida nenhum dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita, pois nada modifica em relação ao destino da alma. As condições de sua felicidade futura são  as mesmas, a alma e o perispírito formando um todo sob denominação de Espírito, como o germe e o perisperma formam uma unidade sob o nome de fruto. Toda a questão se reduz em considerar o todo como homogêneo em vez de formado por duas partes distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se vê, isto não leva a nenhuma conseqüência e não falaríamos a respeito se não houvéssemos encontrado pessoas inclinadas a ver uma escola nova no que não é, de fato, mais que uma simples questão de palavras. Esta opinião, aliás muito restrita, mesmo que fosse mais generalizada não representaria uma cisão entre os espíritas, da mesma maneira que as teorias da emissão ou das ondulações da luz não dividem os físicos. Os que desejassem separar-se por uma questão assim pueril, provariam dar mais importância ao acessório do que ao principal e estar impulsionados por Espíritos que não podem ser bons, porque os bons Espíritos não semeiam jamais o azedume e a cizânia. Eis porque concitamos todos os verdadeiros espíritas a se manterem em guarda contra semelhantes sugestões e não ligarem a alguns detalhes maior importância do que merecem, pois o fundo é que é o essencial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cremos, não obstante, dever dizer em algumas palavras no que se funda a opinião dos que consideram a alma e o perispírito como distintos. Ela se apóia no ensino dos Espíritos, que jamais variam a esse respeito. Aludimos aos Espíritos esclarecidos, pois entre os Espíritos em geral há muitos que não sabem mais e até mesmo conhecem menos do que os homens. Aliás, essa teoria contrária é uma concepção humana. Não fomos nós que inventamos nem que supusemos a existência do perispírito para explicar os fenômenos. Sua existência nos foi revelada pelos Espíritos e a observação nela confirmou (O Livro dos Espíritos, nº 93). Ela se apóia ainda no estudo das sensações dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, nº 257), E sobretudo no fenômeno das aparições tangíveis que para outros implicariam a solidificação e a desagregação dos elementos constitutivos da alma, e conseqüentemente a sua desorganização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, seria necessário admitir que essa matéria, que pode tornar-se perceptível aos nossos sentidos, fosse o próprio princípio inteligente, o que não é mais racional do que confundir o corpo com a alma ou a roupa com o corpo. Quanto à natureza íntima da alma nada sabemos. Quando se diz aquela é imaterial, devemos entendê-lo em sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade absoluta seria o nada. Ora, a alma ou Espírito é alguma coisa. O que se quer dizer, portanto, é que a sua essência é de tal maneira superior que não apresenta nenhuma analogia com o que chamamos matéria, e que por isso ela é, para nós, imaterial (O Livro dos Espíritos, nº 23 e 82)(8)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;51.&#039;&#039;&#039; Eis a resposta de um Espírito a respeito do assunto:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::&#039;&#039;&amp;quot;O que uns chamam perispírito é o mesmo que outros chamam de envoltório fluídico. Eu diria, para me fazer compreender de maneira mais lógica, que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos, a extensão da vista e do pensamento. Mas me refiro aos Espíritos elevados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::Quanto aos Espíritos inferiores, estão ainda completamente impregnados de fluidos terrenos; portanto, são materiais, como podeis compreender. Por isso sofrem fome, frio, etc., sofrimentos que não podem atingir os Espíritos superiores, visto que os fluidos terrenos já foram depurados no seu pensamento, quer dizer, na sua alma. Para progredir, a alma necessita sempre de um instrumento, sem o qual ela não seria nada para vós, ou melhor, não o poderíeis conceber. O perispírito, para nós, Espíritos errantes, é o instrumento pelo qual nos comunicamos convoco, seja indiretamente, por meio do vosso corpo ou do vosso perispírito, seja diretamente com a vossa alma. Vem daí a infinita variedade de médiuns e de comunicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::Resta agora o problema científico, referente à própria essência do perispírito, que é outro assunto. Compreendei primeiro a sua possibilidade lógica.(9)  Resta, a seguir, a discussão da natureza dos fluidos, que é por enquanto inexplicável, pois a Ciência não conhece o suficiente a respeito, mas chegará a conhecê-los se quiser avançar com o Espiritismo. O perispírito pode variar de aparência, modificar-se ao infinito; a alma é a inteligência, não muda sua natureza.(10)  Neste assunto não podeis avançar, pois é uma questão que não pode ser explicada. Julgais que também não investigo, como vós? Vós pesquisais o perispírito, e nós atualmente pesquisamos a alma. Esperai, pois&amp;quot;&#039;&#039;. – LAMENNAIS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os Espíritos que podemos considerar adiantados ainda não puderam sondar a natureza da alma. Como poderíamos fazê-lo? É pois uma perda de tempo perscrutar o princípio das coisas que como ensina O Livro dos Espíritos (nº 17 e 49), pertence aos segredos de Deus. Pretender descobrir, por meio do Espiritismo, o que ainda não é do alcance da Humanidade, seria desviá-lo do seu verdadeiro objetivo, fazer como a criança que quisesse saber tanto quanto o velho. O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o faria avançar sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Espíritos que ditaram o livro que traz o seu nome provaram a própria sabedoria ao respeitarem, no tocante ao princípio das coisas, os limites que Deus não nos permite passar, deixando aos Espíritos sistemáticos e presunçosos a responsabilidade das teorias prematuras e errôneas, mais fascinantes do que sérias, e que um dia cairão ao embate da razão, como tantas outras oriundas do cérebro humano. Só disseram o justamente necessário para que homem compreenda o seu futuro e assim encorajá-lo na prática do bem. (Ver a seguir, na segunda parte do cap. I: Ação dos Espíritos sobre a matéria).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) As mesmas dúvidas suscitadas pelo Espiritismo repetiram-se, um século após o seu advento, e portanto em nosso tempo, com o reinício das pesquisas científicas dos fenômenos paranormais (na verdade fenômenos espíritas) pela Parapsicologia. E o desenvolvimento desta nova ciência renova aos nossos olhos as mesmas disparidades de opinião que caracterizam o aparecimento do Espiritismo. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Conta Simone de Beauvoir, em “Força da Idade”, uma experiência de tiptologia com Jean Paul Sartre, em que ela fez a mesa bater à vontade, iludindo a todos, inclusive o próprio filósofo. Como se vê por essa brincadeira entre filósofos ateus e céticos, a posição da inteligência francesa ainda não mudou a respeito do assunto. É pena que em vez de brincar não tenham feito uma experiência séria. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Médico Jobert, de Lamballe. Para sermos justos devemos dizer que essa descoberta se deve ao sr. Schiff. O sr. Jobert apenas desenvolveu as suas conseqüências perante a Academia de Medicina para dar o golpe decisivo nos Espíritos batedores. Todos os detalhes podem ser encontrados na Revista Espírita de junho de 1859. (Nota de Kardec)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Ernesto Bozzano defenderia mais tarde esta tese em “Animismo e Espiritismo”, num sentido mais amplo. Ver esse livro (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) “Comunhão. A luz do fenômeno do Espírito. Mesas falantes, sonâmbulos, médiuns, milagres. Magnetismo espiritual: poder da prática na fé. Por Ema Tirpse, uma alma coletiva escrevendo por intermédio de uma prancheta.” Bruxelas, 1858, edição Devroye&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) O sistema da excitação das idéias é hoje renovado pela hipótese igualmente falsa do “inconsciente excitado”, que pseudoparapsicólogos procuram difundir contra as manifestações espíritas. Como se vê, os meios e as armas de combate ao Espiritismo continuam os mesmos, apenas com algumas adaptações às novas condições culturais. Mas, em compensação, as respostas já estão praticamente dadas nas obras de Kardec. O espírita que as estuda com atenção refutará facilmente essas repetições de velhos sistemas superados. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Esta questão foi tratada em O Livro dos Espíritos (números 128 e seguintes), mas recomendamos a respeito, como para tudo que se refere à parte religiosa, a brochura intitulada: Carta de um católico sobre o espiritismo, do Dr. Grand, antigo cônsul da França (edição Ledoyen) e a que publicamos com o título de Os Contraditores do Espiritismo do ponto de vista da Religião, da Ciência e do Materialismo (N. de Kardec.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(8) O Espírito é definido no nº 23 de O Livro dos Espíritos como princípio inteligente, em comparação com o princípio material. O nº27 explica que esses dois princípios, tendo Deus como a sua fonte, forma a trindade universal, princípio de todas coisas. Isto nos mostra que a concepção espírita do Universo é monista, num sentido espiritual. As ciências atuais estão chegando a essa concepção, como vemos pelo conceito moderno de matéria como concentração de energia. Alguns estudiosos não compreenderam bem esta posição doutrinária e pensam que matéria e Espírito são a mesma coisa. Kardec e os Espíritos negam a concepção abstrata do Espírito, conforme a teologia e a metafísica antiga, porque essa concepção torna o Espírito inacessível ao pensamento humano. Por isso Kardec afirma que a alma (Espírito encarnado, que anima o corpo) ou o Espírito (o ser desencarnado) é alguma coisa. O mesmo acontece hoje na Parapsicologia, quando Rhine e seus companheiros constatando que o pensamento não se sujeita às leis físicas, afirmam a sua natureza extrafísica, evitando adotar a expressão espiritual, que levaria a uma interpretação teológica. Os estudantes de Espiritismo devem atentar bem para este problema (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
(9) Comprenez d´abort moralement, diz o original. A tradução geralmente usada: Compreendei primeiro moralmente é literal, mas não corresponde ao sentido do texto, pois moralmente não têm, na nossa língua, todas as acepções do francês. No original quer dizer, segundo o leitor pode verificar num bom dicionário francês: segundo as possibilidades do campo das opiniões ou do sentimento. (Ver, por exemplo, os dicionários Larousse ou Quillet). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(10)  O texto francês disse: Lê perisprit peut varier et changer à I´infinit, I´âme est la pensée; elle ne change pás de nature. As traduções, em geral, são literais,mas não correspondem ao sentido do texto. La pensée, no caso, quer dizer inteligência, segundo a proposição cartesiana vigente na época: o pensamento é o atributo essencial do Espírito e a extensão é o da matéria. Consulte-se o verbete pensée num bom dicionário francês. Dizer hoje, e particularmente em português,que a alma é o pensamento equivale a deixar o leitor em dúvida quanto ao sentido da frase e quanto ao significado da palavra pensamento no Espiritismo, onde a alma como o Espírito, são o princípio inteligente e portanto a inteligência em sentido lato, origem do pensamento. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._3_%E2%80%93_M%C3%89TODO&amp;diff=11332</id>
		<title>Cap. 3 – MÉTODO</title>
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		<updated>2011-08-08T13:45:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;18.&#039;&#039;&#039;  O desejo muito natural e louvável dos adeptos, que não se precisaria se estimular, é o de fazer prosélitos. Para facilitar-lhes a tarefa é que nos propomos a examinar aqui o meio mais seguro, segundo pensamos, de atingir esse objetivo poupando esforços inúteis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dissemos que o Espiritismo é toda uma Ciência, toda uma Filosofia. Quem desejar conhecê-lo seriamente deve pois, como primeira condição, submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando. O Espiritismo, já o dissemos, se relaciona com todos os problemas da Humanidade. Seu campo é imenso e devemos encará-lo sobretudo quanto às suas conseqüências. A crença nos Espíritos constitui sem dúvida a sua base, mas não basta para fazer um espírita esclarecido, como a crença em Deus não basta para fazer um teólogo. Vejamos, pois, de que maneira convém proceder no seu ensino, para levar-se com mais segurança à convicção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que os adeptos não se assustem com a palavra ensino. Não se ensina apenas do alto da cátedra ou da tribuna, mas também na simples conversação. Toda pessoa que procura persuadir outra por meio de explicações ou de experiências, ensina. O que desejamos é que esse esforço dê resultados. Por isso julgamos nosso dever dar alguns conselhos, que poderão ser aproveitados pelos que desejam instruir-se a si mesmos e que terão aqui o meio e chegar mais segura e prontamente ao alvo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;19.&#039;&#039;&#039;  Acredita-se geralmente que para convencer é suficiente apresentar os fatos. Esse parece realmente o procedimento mais lógico, e no entanto a experiência mostra que nem sempre é o melhor, pois freqüentemente encontramos pessoas que os fatos mais evidentes não convencem de maneira alguma. A que se deve isso? É o que tentaremos demonstrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Espiritismo, a questão dos Espíritos está em segundo lugar, não constituindo o seu ponto de partida. E é esse, precisamente, o erro em que se cai e que acarreta o fracasso com certas pessoas. Sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é então a existência da alma. Como pode o materialista admitir a existência de seres que vivem fora do mundo material, quando ele mesmo se considera apenas material? Como pode crer na existência de Espíritos ao seu redor, se não admite seu próprio Espírito? Em vão se amontoarão aos seus olhos as provas mais palpáveis. Ele contestará a todas elas, porque não admite o princípio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo ensino metódico deve participar do conhecido para o desconhecido. Para o materialista, o conhecido é a matéria. Parti, pois, da matéria e tratai de lhe demonstrar, antes de tudo, que há nele próprio alguma coisa que escapa às leis materiais. Numa palavra: antes de torná-lo espírita procurai fazê-lo ESPIRITUALISTA. Mas, para isso, é necessária outra ordem de fatos e se deve proceder, por outros meios, a uma forma especial de ensino. Falar-lhe de Espíritos antes que ele esteja convencido de ter uma alma é começar pelo fim, pois ele não pode admitir a conclusão se não aceita as premissas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes, pois, de tentar convencer um incrédulo, mesmo por meio dos fatos, convém assegurar-se de sua opinião sobre a alma, ou seja, se ele crê na sua existência, na sua sobrevivência ao corpo, na sua individualidade após a morte. Se a resposta for negativa, será tempo perdido falar-lhe dos Espíritos. Eis a regra. Não dizemos que não haja exceção. Mas nesse caso deve existir outra razão que o torne menos refratário.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;20.&#039;&#039;&#039;  Devemos distinguir duas classes de materialistas: na primeira estão os que o são por sistema. Para eles não há dúvida, mas a negação absoluta, segundo a sua maneira de raciocinar. Aos seus olhos o homem não passa de uma máquina enquanto vivo, mas que se desarranja e depois da morte só deixa o esqueleto. Seu número é felizmente bastante restrito e em parte alguma representa uma escola abertamente declarada. Não precisamos acentuar os deploráveis efeitos que resultariam para a ordem social da vulgarização de semelhante doutrina. Estendemo-nos suficientemente a respeito em O LIVRO DOS ESPÍRITOS (nº 147 e parágrafo III da Conclusão).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando dissemos que a dúvida dos incrédulos cessa diante de uma explicação racional, é necessário excetuar os materialistas radicais, que negam toda potência e qualquer princípio inteligente fora da matéria. A maioria se obstina nessa opinião por orgulho e acha que deve mantê-lo por amor próprio. Persistem nela apesar de todas as provas contrárias porque não querem ficar por baixo. Nada se tem a fazer com eles. Nem se deve acreditar na falsa expressão de sinceridade dos que dizem: Fazei-me ver e acreditarei. Há os que são mais francos e logo dizem: Mesmo se eu visse não acreditaria.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;21.&#039;&#039;&#039; A segunda classe de materialistas, muito mais numerosa, compreende os que o são por indiferença, e, podemos dizer, por falta de coisa melhor, já que o materialismo real é um sentimento antinatural. Não o são deliberadamente e o que mais desejam é crer, pois a incerteza os atormenta. Sentem uma vaga aspiração do futuro, mas esse futuro lhes foi apresentado de maneira que sua razão não pode aceitar, nascendo daí a dúvida, e como conseqüência da dúvida, a incredulidade. Para eles, pois, a incredulidade não se apóia num sistema. Tão logo lhes apresenteis alguma coisa de racional, eles a aceitarão com ardor. Esses podem nos compreender, porque estão mais próximos de nós do que poderiam supor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os primeiros, não faleis de revelação, nem de anjos ou do Paraíso, pois, não compreenderiam. Mas colocai-vos no seu próprio terreno e provai-lhes, primeiro, que as leis da Filosofia não podem explicar tudo: o resto virá depois. A situação é outra quando não se trata de incredulidade preconcebida, pois nesse caso a crença não foi totalmente anulada e permanece como germe latente, asfixiado pelas ervas daninhas, que uma centelha pode reanimar. É o cego a que se restitui à vista e que se alegra de rever a luz, é o náufrago a que se atira uma tábua de salvação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;22.&#039;&#039;&#039; Ao lado dos materialistas propriamente ditos há uma terceira classe de incrédulos que, embora espiritualistas, pelo menos no nome, não são menos refratários ao Espiritismo: são os incrédulos de má vontade. Esses não querem crer, porque isso lhes perturbaria o gozo dos prazeres materiais. Temem encontrar a condenação de sua ambição, do seu egoísmo e das vaidades humanas com que se deliciam. Fecham os olhos para não ver e tapam os ouvidos para não ouvir. Só podemos lamentá-los.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;23.&#039;&#039;&#039; Somente para lembrá-la, falaremos de uma quarta categoria a que chamaremos de incrédulos interesseiros ou de má fé. Estes sabem muito bem o que há de certo no Espiritismo, mas o condenam ostensivamente por motivos de interesse pessoal. Nada temos a dizer deles nem a fazer com eles. Se o materialista radical se engana, tem ao menos a desculpa da boa fé; podemos corrigi-lo, provando-lhe o erro. Neste último, há uma determinação contra a qual se esboroam todos os argumento. O tempo se encarregará de lhe abrir os olhos e lhe mostrar, talvez á sua própria custa, onde estavam os seus verdadeiros interesses. Porque, não podendo impedir a expansão da verdade, eles serão arrastados pela correnteza, juntamente com os interesses que pensavam salvaguardar.      &lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;24.&#039;&#039;&#039; Além dessas categorias de opositores há uma infinidade de variações, entre as quais se podem contar os incrédulos por covardia, que terão coragem quando verificarem que os outros não foram prejudicados; os incrédulos por escrúpulo religioso, que um ensino esclarecido fará ver que o Espiritismo se apóia nos próprios fundamentos da Religião e respeita todas as crenças, tendo como um de seus efeitos despertar os sentimentos religiosos nos descrentes, fortalecendo-os nos vacilantes; os incrédulos por orgulho, por espírito de contradição, por negligência, por leviandade, etc. etc.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;25&#039;&#039;&#039;. Não podemos esquecer uma categoria que chamaremos de incrédulos por decepção. Abrange os que passaram de uma confiança exagerada à incredulidade, por terem sofrido desilusões. Assim, desencorajados, abandonaram tudo e tudo rejeitaram. São como aquele que negasse a boa fé por ter sido enganado. São ainda as conseqüências de um estudo incompleto do Espiritismo e da falta de experiência. Aquele que é mistificado por Espíritos, geralmente é porque lhes fez perguntas indevidas ou que eles não podiam responder, ou porque não estavam bastante esclarecidos para distinguir a verdade da impostura. Muitos, aliás, só vêem o Espiritismo como uma nova forma de adivinhação e pensam que os Espíritos existem para ler a buena-dicha. Ora, os Espíritos levianos e brincalhões não perdem a oportunidade de se divertirem á sua custa: é assim que anunciarão casamentos para as moças; honrarias, heranças e tesouros ocultos para os ambiciosos, e assim por diante. Disso resultam, freqüentemente, desagradáveis decepções, de que o homem sério e prudente sabe sempre se preservar.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;26.&#039;&#039;&#039; Uma classe muito numerosa, a mais numerosa de todas, mas que não poderia figurar entre os opositores, é a dos vacilantes. São geralmente espiritualistas por princípio. Na sua maioria tem uma vaga intuição das idéias espíritas e desejam alguma coisa que não podem definir. Falta-lhes apenas coordenar e formular os seus pensamentos. O Espiritismo aparece-lhes como um raio de luz: é a claridade que afugenta as névoas. Por isso o acolhem com sofreguidão, pois ele os liberta das angústias da incerteza.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;27.&#039;&#039;&#039; Se lançarmos agora um olhar sobre as diversas categorias de crentes, encontraremos primeiro os espíritas sem o saber. São uma variedade ou uma subdivisão da classe dos vacilantes. Sem jamais terem ouvido falar da Doutrina Espírita, tem o sentimento inato dos seus grandes princípios e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos ou de seus discursos, de tal maneira que, ouvindo-os, acredita-se que sejam verdadeiros iniciados. Encontram-se numerosos desses exemplos entre os escritores sacros e profanos, entre os poetas, os oradores, os moralistas, os filósofos antigos e modernos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;28.&#039;&#039;&#039; Entre os que se convenceram estudando diretamente os assuntos podemos distinguir:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os que acreditam pura e simplesmente nas manifestações.Consideram o Espiritismo como uma simples ciências de observação, apresentando uma série de fatos mais ou menos curiosos. Chamamo-los: espíritas experimentadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os que não se interessam apenas pelos fatos e compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, admitindo a moral que dele decorre, mas sem a praticarem. A influência da Doutrina sobre o seu caráter é insignificante ou nula. Não modificam em nada os seus hábitos e não se privariam de nenhum de seus prazeres. O avarento continua insensível, o orgulhoso cheio de amor próprio, o invejoso e os ciumentos sempre agressivos. Para eles, a caridade cristã não passa de uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os que não se contentam em admirar apenas a moral espírita, mas a praticam e aceitam todas as suas conseqüências. Convictos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar na senda do progresso, única que pode elevá-los de posição no Mundo dos Espíritos, esforçando-se para fazer o bem e reprimir as suas más tendências. Sua amizade é sempre segura, porque a sua firmeza de convicção os afasta de todo mau pensamento. A caridade é sempre a sua regra de conduta. São esses os verdadeiros espíritas, ou melhor os espíritas cristãos.(1)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Há, por fim, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confiança cega e freqüentemente pueril nas manifestações do mundo invisível, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflexão e o exame demonstrariam ser absurdo ou impossível, pois o entusiasmo não esclarece, ofusca. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil a causa do Espiritismo. São os menos capazes de convencer, porque se desconfia com razão do seu julgamento. São enganados facilmente por Espíritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as conseqüências o mal seria melhor, mas o pior é que oferecem, embora sem querer, motivos aos incrédulos que mais procuram zombar do que se convencer e não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso não é justo nem racional, sem dúvida, mas os adversários do Espiritismo, como se sabe, só reconhecem como boa a sua razão e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;29.&#039;&#039;&#039; Os meios de convicção variam extremamente, segundo os indivíduos. O que persuade a uns não impressiona a outros. Se um se convence por meio de certas manifestações materiais, outro por comunicações inteligentes, a maioria é pelo raciocínio. Podemos mesmo dizer que, para a maior parte dos que não estão em condições de apreciá-los pelo raciocínio, os fenômenos materiais são de pouca significação. Quanto mais extraordinários são esses fenômenos, afastando-se bastante das leis conhecidas, maior oposição encontram. E isso por um motivo muito simples: é que somos naturalmente levados a duvidar daquilo que não tem uma sansão racional. Cada qual o encara a seu modo e dá sua explicação particular: o materialista descobre uma causa física ou uma trapaça; o ignorante e o supersticioso, uma  causa diabólica ou sobrenatural. Entretanto, uma explicação antecipada tem o efeito de destruir as idéias preconcebidas e mostrar, se não a realidade, pelo menos a possibilidade do fato. Compreende-se antes de ver, pois desde que aceitamos a possibilidade, três quartos da convicção foram realizados.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;30.&#039;&#039;&#039; Será útil procurar convencer um incrédulo obstinado? Já dissemos que isso depende das causas e da natureza da sua incredulidade. Muitas vezes, nossa insistência em persuadi-lo o leva a crer na sua importância pessoal, que é uma razão para mais se obstinar. Aquele que não se convence pelo raciocínio nem pelos fatos, deve ainda sofrer a prova da incredulidade. Devemos deixar à Providência o cuidado de encaminhá-lo a circunstâncias mais favoráveis. Há muita gente que só deseja receber a luz, para estarmos perdendo tempo com os que a repelem. Dirigi-vos, pois, aos homens de boa vontade, cujo número é maior do que se pensa, e o exemplo destes, multiplicando-se, vencerá mais facilmente as resistências do que as palavras. Ao verdadeiro espírita nunca faltará oportunidade de fazer o bem. Há corações aflitos a aliviar, consolações a dispensar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar. Essa é a sua missão e nela encontrará a verdadeira satisfação. O Espiritismo impregna a atmosfera: expande-se pela própria força das circunstâncias e porque torna felizes aqueles que o professam. Quando os seus adversários sistemáticos o ouvirem ressoando ao seu redor, entre os seus próprios amigos, compreenderão o isolamento em que se encontram e serão forçados a calar ou a se renderem.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;31.&#039;&#039;&#039; Para se proceder, no ensino do Espiritismo, como se faz nas ciências ordinárias, seria necessário passar em revista toda a série de fenômenos que podem produzir-se, a começar dos mais simples até chegar, sucessivamente, aos mais complicados. Ora, isso é impossível, porque não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de Física ou de Química. Nas Ciências Naturais opera-se sobre a matéria bruta, que se manipula a vontade e quase sempre se consegue determinar os efeitos. No Espiritismo, tem-se de lidar com inteligências dotadas de liberdade e que provam, a cada instante, não estarem sujeitas aos nossos caprichos. É necessário, pois observar, esperar os resultados e colhê-los na ocorrência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso declaramos energicamente que: todo aquele que se vangloriar de obtê-los à vontade não passa de ignorante ou impostor. Eis porque o verdadeiro Espiritismo jamais servirá para exibições nem subirá jamais aos palcos. É mesmo ilógico supor que os Espíritos se entreguem a exibições e se submetam à pesquisa como objetos de curiosidade. Os fenômenos, por isso mesmo, podem não ocorrer quando mais os desejamos ou apresentar-se de maneira muito diversa da que pretendíamos. Acrescentemos ainda que, para obtê-los, necessitamos de pessoas dotadas de faculdades especiais, que variam ao infinito, segundo a aptidão de cada indivíduo. Ora, sendo extremamente raro que uma mesma pessoa tenha todas as aptidões, a dificuldade aumenta, pois, seria necessário dispormos sempre de uma verdadeira coleção de médiuns, o que não é possível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É muito simples o meio de evitar estes inconvenientes. Basta começar pela teoria. Nela, todos os fenômenos são passados em revista, são explicados e se pode conhecê-los e compreender a sua possibilidade, as condições em que podem ser produzidos e os obstáculos que podem encontrar. Dessa maneira, qualquer que seja a ordem em que as circunstâncias nos fizerem vê-los, nada terão que possa surpreender-nos. E há ainda outra vantagem: a de evitar muitas decepções ao experimentador. Prevenido quanto às dificuldades, pode manter-se vigilante e poupar-se das experiências à própria custa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde que nos ocupamos de Espiritismo foram tantas as pessoas que nos acompanharam, que seria difícil presenciar o seu número. Entre elas, quantas permaneceram indiferentes ou incrédulas diante dos fatos mais evidentes, só se convencendo mais tarde através de uma explicação racional. Quantas outras foram predispostas a aceitar por meio do raciocínio; e quantas, afinal, acreditaram sem nada terem visto, levados unicamente pela compreensão. Falamos, portanto, por experiência, e por isso afirmamos que o melhor método de ensino espírita é o que se dirige à razão e não aos olhos. É o que seguimos em nossas lições, do que só temos que nos felicitar.(2)  &lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;32.&#039;&#039;&#039; O estudo prévio da teoria tem ainda a vantagem de mostrar imediatamente a grandeza do objetivo e o alcance desta Ciência. Aquele que se inicia vendo uma mesa girar ou bater pode inclinar-se à zombaria, porque dificilmente imaginaria que de uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora da Humanidade. Acentuamos sempre que os que crêem sem ter visto, porque leram e compreenderam, ao invés de superficiais são os mais ponderados. Ligando-se mais ao fundo que à forma, o aspecto filosófico é para eles o principal, e os fenômenos propriamente ditos são apenas o acessório. Chegam mesmo a dizer que se os fenômenos não existissem, nem por isso a filosofia deixaria de ser a única que resolve tantos problemas até hoje insolúveis; a única que oferece ao passado e ao futuro humano a teoria mais racional. Preferem, assim, uma doutrina que realmente explica, aquelas que nada explicam ou que explicam mal. Quem refletir a respeito compreenderá claramente que se pode fazer abstração das manifestações, sem que a doutrina tenha por isso de desaparecer. As manifestações corroboram, a confirmam, mas não constituem um fundamento essencial. O observador sério não as repele, mas espera as circunstâncias favoráveis para observá-las. A prova disso é que antes de ouvirem falar das manifestações muitas pessoas tiveram a intuição dessa doutrina, que veio apenas corporificar num conjunto as suas idéias.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;33.&#039;&#039;&#039; Aliás, não seria certo dizer que, aos que começam pela teoria, faltem às observações práticas. Eles as possuem, pelo contrário, e certamente mais valiosas aos seus olhos que as produzidas nas experiências: são os fatos numerosos de manifestações espontâneas, de que trataremos nos capítulos seguintes. São poucas as pessoas que não as conhecem, ao menos por ouvir dizer, e muitas as que as obtiveram, sem prestar-lhes a devida atenção. A teoria vem dar-lhes explicação, e consideramos esses fatos de grande importância, quando se apóiam em testemunhos irrecusáveis, porque não se pode atribuir-lhes qualquer preparação ou conivência. Se os fenômenos provocados não existissem, nem por isso os espontâneos deixariam de existir, e se o Espiritismo só servisse para lhes dar uma explicação racional, isto já seria bastante. Assim, a maioria dos que lêem previamente referem os princípios  a esses fatos, que são para eles uma confirmação da teoria.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;34.&#039;&#039;&#039; Seria absurdo supor que aconselhamos a negligenciar os fatos, pois foi pelos fatos que chegamos à teoria. É verdade que isso nos custou um trabalho assíduo de muitos anos e milhares de observações. Mas desde que os fatos nos serviram e servem diariamente, seríamos incoerentes se lhes contestássemos a importância, sobretudo agora que fazemos um livro para ensinar como conhecê-los. Sustentamos apenas que, sem o raciocínio, eles não bastam para levar á convicção. Que uma explicação prévia, afastando as prevenções e mostrando que eles não são absurdos, predispõe a aceitá-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso é tão certo que, de dez pessoas estranhas ao assunto, que assistam a uma sessão de experimentação, das mais satisfatórias para os adeptos, nove sairão sem convencer-se, e algumas delas ainda mais incrédulas do que antes, porque as experiências não corresponderam ao que esperavam. Acontecerá o contrário com as que puderam informar-se dos fatos por um conhecimento teórico antecipado. Para estas, esse conhecimento servirá de controle e nada as surpreenderá, nem mesmo o insucesso, pois saberão em que condições os fatos se produzem e que não se lhes deve pedir o que eles não podem dar. A compreensão prévia dos fatos torna-as capazes de perceber todas as dificuldades, mas também de captar uma infinidade de pormenores, de nuanças quase sempre muito sutis, que serão para elas elementos de convicção que escapam ao observador ignorante. São esses os motivos que nos levam a só admitir em nossas sessões experimentais pessoas suficientemente preparadas para compreender o que se passa, pois sabemos que as outras perderiam o seu tempo ou nos fariam perder o nosso.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;35.&#039;&#039;&#039; Para aqueles que desejarem adquirir esses conhecimentos preliminares através das nossas obras, aconselhamos a seguinte ordem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) &#039;&#039;&#039;O que é o Espiritismo:&#039;&#039;&#039; Esta brochura, de apenas uma centena de páginas, apresenta uma exposição sumária dos princípios da Doutrina Espírita, uma visão geral que permite abranger o conjunto num quadro restrito. Em poucas palavras se percebe o seu objetivo e se pode julgar o seu alcance. Além disso, apresenta as principais perguntas ou objeções que as pessoas novatas costumam fazer. Essa primeira leitura, que exige pouco tempo, é uma introdução que facilita o estudo mais profundo.(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) &#039;&#039;&#039;O Livro dos Espíritos:&#039;&#039;&#039; contém a doutrina completa ditada pelos Espíritos, com toda a sua Filosofia e todas as suas conseqüências morais. É o destino do homem desvelado, a iniciação ao conhecimento da natureza dos Espíritos e os mistérios da vida de além túmulo. Lendo-o, compreende-se que o Espiritismo tem um objetivo sério e não é um passatempo frívolo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) &#039;&#039;&#039;O Livros dos Médiuns:&#039;&#039;&#039; Destinado a orientar na prática das manifestações, proporcionando o conhecimento dos meios mais apropriados de nos comunicarmos com os Espíritos.É um guia para os médiuns e para os evocadores e o complemento de O Livro dos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) &#039;&#039;&#039;A Revista Espírita:&#039;&#039;&#039; Uma variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das duas obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplicação. Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo em que a daquelas obras, mas será mais proveitosa e mais compreensível sobretudo após a de O Livro dos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso no que nos concerne. Mas os que desejam conhecer completamente uma ciência devem ler necessariamente tudo o que foi escrito a respeito, ou pelo menos o principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo ler os prós e os contras, as críticas e as apologias, iniciarem-se nos diferentes sistemas a fim de poder julgar pela comparação. Neste particular, não indicamos nem criticamos nenhuma obra, pois não queremos influir em nada na opinião que se possa formar. Levando nossa pedra ao edifício, tomamos apenas o nosso lugar. Não nos cabe ser ao mesmo tempo juiz e parte e não temos a pretensão ridícula de ser o único a dispensar a luz. Cabe ao leitor separar o bom do mau, o verdadeiro do falso.(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1)   Sendo o Espiritismo uma doutrina eminentemente cristã, essa designação de espírita cristão pode parecer redundante. Por outro lado, poderia sugerir a existência de uma forma de Espiritismo não cristão, que na verdade não existe Kardec a emprega, porém, como designação do verdadeiro espírita, para distinguir estes daqueles que não seguem, como se vê acima, os princípios do Espiritismo (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Ao pé da página, Kardec acrescentou esta nota: “Nosso ensino teórico e prático é sempre gratuito”. Com isso, evitava interpretações maldosas e dava o exemplo que foi sempre seguido pelos espíritas responsáveis em todo o mundo. O verdadeiro ensino espírita é sempre gratuito (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Apesar de já estarmos há mais de cem anos do lançamento desse pequeno livro, ele se conserva oportuno e até mesmo de leitura obrigatória para principiantes. E podemos acrescentar que mesmo os adeptos mais experimentados deviam relê-lo de vez em quando. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) A conhecida modéstia de Kardec, bem demonstrada nestas palavras, leva algumas pessoas a não reconhecerem o valor fundamental da sua obra, que aliás não é apenas dele, mas principalmente dos Espíritos Superiores. Essa atitude, entretanto, reforça ainda mais a sua posição de Codificador, pois os verdadeiros missionários não se arrogam superioridade e os verdadeiros mestres querem, antes de mais nada, o desenvolvimento da compreensão própria e da capacidade de discernimento dos discípulos. (N.doT.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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		<title>Cap. 3 – MÉTODO</title>
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		<updated>2011-08-08T02:59:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;18.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;  O desejo muito natural e louvável dos adeptos, que não se precisaria se estimular, é o de fazer prosélitos. Para facilitar-lhes a tarefa é que nos propomos a exam…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;18.&#039;&#039;&#039;  O desejo muito natural e louvável dos adeptos, que não se precisaria se estimular, é o de fazer prosélitos. Para facilitar-lhes a tarefa é que nos propomos a examinar aqui o meio mais seguro, segundo pensamos, de atingir esse objetivo poupando esforços inúteis.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
Dissemos que o Espiritismo é toda uma Ciência, toda uma Filosofia. Quem desejar conhecê-lo seriamente deve pois, como primeira condição, submeter-se a um estudo sério e persuadir-se de que, mais do que qualquer outra ciência, não se pode aprendê-lo brincando. O Espiritismo, já o dissemos, se relaciona com todos os problemas da Humanidade. Seu campo é imenso e devemos encará-lo sobretudo quanto às suas conseqüências. A crença nos Espíritos constitui sem dúvida a sua base, mas não basta para fazer um espírita esclarecido, como a crença em Deus não basta para fazer um teólogo. Vejamos, pois, de que maneira convém proceder no seu ensino, para levar-se com mais segurança à convicção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que os adeptos não se assustem com a palavra ensino. Não se ensina apenas do alto da cátedra ou da tribuna, mas também na simples conversação. Toda pessoa que procura persuadir outra por meio de explicações ou de experiências, ensina. O que desejamos é que esse esforço dê resultados. Por isso julgamos nosso dever dar alguns conselhos, que poderão ser aproveitados pelos que desejam instruir-se a si mesmos e que terão aqui o meio e chegar mais segura e prontamente ao alvo.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;19.&#039;&#039;&#039;  Acredita-se geralmente que para convencer é suficiente apresentar os fatos. Esse parece realmente o procedimento mais lógico, e no entanto a experiência mostra que nem sempre é o melhor, pois freqüentemente encontramos pessoas que os fatos mais evidentes não convencem de maneira alguma. A que se deve isso? É o que tentaremos demonstrar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Espiritismo, a questão dos Espíritos está em segundo lugar, não constituindo o seu ponto de partida. E é esse, precisamente, o erro em que se cai e que acarreta o fracasso com certas pessoas. Sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é então a existência da alma. Como pode o materialista admitir a existência de seres que vivem fora do mundo material, quando ele mesmo se considera apenas material? Como pode crer na existência de Espíritos ao seu redor, se não admite seu próprio Espírito? Em vão se amontoarão aos seus olhos as provas mais palpáveis. Ele contestará a todas elas, porque não admite o princípio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo ensino metódico deve participar do conhecido para o desconhecido. Para o materialista, o conhecido é a matéria. Parti, pois, da matéria e tratai de lhe demonstrar, antes de tudo, que há nele próprio alguma coisa que escapa às leis materiais. Numa palavra: antes de torná-lo espírita procurai fazê-lo ESPIRITUALISTA. Mas, para isso, é necessária outra ordem de fatos e se deve proceder, por outros meios, a uma forma especial de ensino. Falar-lhe de Espíritos antes que ele esteja convencido de ter uma alma é começar pelo fim, pois ele não pode admitir a conclusão se não aceita as premissas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes, pois, de tentar convencer um incrédulo, mesmo por meio dos fatos, convém assegurar-se de sua opinião sobre a alma, ou seja, se ele crê na sua existência, na sua sobrevivência ao corpo, na sua individualidade após a morte. Se a resposta for negativa, será tempo perdido falar-lhe dos Espíritos. Eis a regra. Não dizemos que não haja exceção. Mas nesse caso deve existir outra razão que o torne menos refratário.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;20.&#039;&#039;&#039;  Devemos distinguir duas classes de materialistas: na primeira estão os que o são por sistema. Para eles não há dúvida, mas a negação absoluta, segundo a sua maneira de raciocinar. Aos seus olhos o homem não passa de uma máquina enquanto vivo, mas que se desarranja e depois da morte só deixa o esqueleto. Seu número é felizmente bastante restrito e em parte alguma representa uma escola abertamente declarada. Não precisamos acentuar os deploráveis efeitos que resultariam para a ordem social da vulgarização de semelhante doutrina. Estendemo-nos suficientemente a respeito em O LIVRO DOS ESPÍRITOS (nº 147 e parágrafo III da Conclusão).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando dissemos que a dúvida dos incrédulos cessa diante de uma explicação racional, é necessário excetuar os materialistas radicais, que negam toda potência e qualquer princípio inteligente fora da matéria. A maioria se obstina nessa opinião por orgulho e acha que deve mantê-lo por amor próprio. Persistem nela apesar de todas as provas contrárias porque não querem ficar por baixo. Nada se tem a fazer com eles. Nem se deve acreditar na falsa expressão de sinceridade dos que dizem: Fazei-me ver e acreditarei. Há os que são mais francos e logo dizem: Mesmo se eu visse não acreditaria.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;21.&#039;&#039;&#039; A segunda classe de materialistas, muito mais numerosa, compreende os que o são por indiferença, e, podemos dizer, por falta de coisa melhor, já que o materialismo real é um sentimento antinatural. Não o são deliberadamente e o que mais desejam é crer, pois a incerteza os atormenta. Sentem uma vaga aspiração do futuro, mas esse futuro lhes foi apresentado de maneira que sua razão não pode aceitar, nascendo daí a dúvida, e como conseqüência da dúvida, a incredulidade. Para eles, pois, a incredulidade não se apóia num sistema. Tão logo lhes apresenteis alguma coisa de racional, eles a aceitarão com ardor. Esses podem nos compreender, porque estão mais próximos de nós do que poderiam supor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os primeiros, não faleis de revelação, nem de anjos ou do Paraíso, pois, não compreenderiam. Mas colocai-vos no seu próprio terreno e provai-lhes, primeiro, que as leis da Filosofia não podem explicar tudo: o resto virá depois. A situação é outra quando não se trata de incredulidade preconcebida, pois nesse caso a crença não foi totalmente anulada e permanece como germe latente, asfixiado pelas ervas daninhas, que uma centelha pode reanimar. É o cego a que se restitui à vista e que se alegra de rever a luz, é o náufrago a que se atira uma tábua de salvação.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;22.&#039;&#039;&#039; Ao lado dos materialistas propriamente ditos há uma terceira classe de incrédulos que, embora espiritualistas, pelo menos no nome, não são menos refratários ao Espiritismo: são os incrédulos de má vontade. Esses não querem crer, porque isso lhes perturbaria o gozo dos prazeres materiais. Temem encontrar a condenação de sua ambição, do seu egoísmo e das vaidades humanas com que se deliciam. Fecham os olhos para não ver e tapam os ouvidos para não ouvir. Só podemos lamentá-los.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;23.&#039;&#039;&#039; Somente para lembrá-la, falaremos de uma quarta categoria a que chamaremos de incrédulos interesseiros ou de má fé. Estes sabem muito bem o que há de certo no Espiritismo, mas o condenam ostensivamente por motivos de interesse pessoal. Nada temos a dizer deles nem a fazer com eles. Se o materialista radical se engana, tem ao menos a desculpa da boa fé; podemos corrigi-lo, provando-lhe o erro. Neste último, há uma determinação contra a qual se esboroam todos os argumento. O tempo se encarregará de lhe abrir os olhos e lhe mostrar, talvez á sua própria custa, onde estavam os seus verdadeiros interesses. Porque, não podendo impedir a expansão da verdade, eles serão arrastados pela correnteza, juntamente com os interesses que pensavam salvaguardar.      &lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;24.&#039;&#039;&#039; Além dessas categorias de opositores há uma infinidade de variações, entre as quais se podem contar os incrédulos por covardia, que terão coragem quando verificarem que os outros não foram prejudicados; os incrédulos por escrúpulo religioso, que um ensino esclarecido fará ver que o Espiritismo se apóia nos próprios fundamentos da Religião e respeita todas as crenças, tendo como um de seus efeitos despertar os sentimentos religiosos nos descrentes, fortalecendo-os nos vacilantes; os incrédulos por orgulho, por espírito de contradição, por negligência, por leviandade, etc. etc.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;25&#039;&#039;&#039;. Não podemos esquecer uma categoria que chamaremos de incrédulos por decepção. Abrange os que passaram de uma confiança exagerada à incredulidade, por terem sofrido desilusões. Assim, desencorajados, abandonaram tudo e tudo rejeitaram. São como aquele que negasse a boa fé por ter sido enganado. São ainda as conseqüências de um estudo incompleto do Espiritismo e da falta de experiência. Aquele que é mistificado por Espíritos, geralmente é porque lhes fez perguntas indevidas ou que eles não podiam responder, ou porque não estavam bastante esclarecidos para distinguir a verdade da impostura. Muitos, aliás, só vêem o Espiritismo como uma nova forma de adivinhação e pensam que os Espíritos existem para ler a buena-dicha. Ora, os Espíritos levianos e brincalhões não perdem a oportunidade de se divertirem á sua custa: é assim que anunciarão casamentos para as moças; honrarias, heranças e tesouros ocultos para os ambiciosos, e assim por diante. Disso resultam, freqüentemente, desagradáveis decepções, de que o homem sério e prudente sabe sempre se preservar.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;26.&#039;&#039;&#039; Uma classe muito numerosa, a mais numerosa de todas, mas que não poderia figurar entre os opositores, é a dos vacilantes. São geralmente espiritualistas por princípio. Na sua maioria tem uma vaga intuição das idéias espíritas e desejam alguma coisa que não podem definir. Falta-lhes apenas coordenar e formular os seus pensamentos. O Espiritismo aparece-lhes como um raio de luz: é a claridade que afugenta as névoas. Por isso o acolhem com sofreguidão, pois ele os liberta das angústias da incerteza.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;27.&#039;&#039;&#039; Se lançarmos agora um olhar sobre as diversas categorias de crentes, encontraremos primeiro os espíritas sem o saber. São uma variedade ou uma subdivisão da classe dos vacilantes. Sem jamais terem ouvido falar da Doutrina Espírita, tem o sentimento inato dos seus grandes princípios e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos ou de seus discursos, de tal maneira que, ouvindo-os, acredita-se que sejam verdadeiros iniciados. Encontram-se numerosos desses exemplos entre os escritores sacros e profanos, entre os poetas, os oradores, os moralistas, os filósofos antigos e modernos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;28.&#039;&#039;&#039; Entre os que se convenceram estudando diretamente os assuntos podemos distinguir:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Os que acreditam pura e simplesmente nas manifestações.Consideram o Espiritismo como uma simples ciências de observação, apresentando uma série de fatos mais ou menos curiosos. Chamamo-los: espíritas experimentadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Os que não se interessam apenas pelos fatos e compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, admitindo a moral que dele decorre, mas sem a praticarem. A influência da Doutrina sobre o seu caráter é insignificante ou nula. Não modificam em nada os seus hábitos e não se privariam de nenhum de seus prazeres. O avarento continua insensível, o orgulhoso cheio de amor próprio, o invejoso e os ciumentos sempre agressivos. Para eles, a caridade cristã não passa de uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Os que não se contentam em admirar apenas a moral espírita, mas a praticam e aceitam todas as suas conseqüências. Convictos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar na senda do progresso, única que pode elevá-los de posição no Mundo dos Espíritos, esforçando-se para fazer o bem e reprimir as suas más tendências. Sua amizade é sempre segura, porque a sua firmeza de convicção os afasta de todo mau pensamento. A caridade é sempre a sua regra de conduta. São esses os verdadeiros espíritas, ou melhor os espíritas cristãos.(1)  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Há, por fim, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confiança cega e freqüentemente pueril nas manifestações do mundo invisível, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflexão e o exame demonstrariam ser absurdo ou impossível, pois o entusiasmo não esclarece, ofusca. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil a causa do Espiritismo. São os menos capazes de convencer, porque se desconfia com razão do seu julgamento. São enganados facilmente por Espíritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as conseqüências o mal seria melhor, mas o pior é que oferecem, embora sem querer, motivos aos incrédulos que mais procuram zombar do que se convencer e não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso não é justo nem racional, sem dúvida, mas os adversários do Espiritismo, como se sabe, só reconhecem como boa a sua razão e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;29.&#039;&#039;&#039; Os meios de convicção variam extremamente, segundo os indivíduos. O que persuade a uns não impressiona a outros. Se um se convence por meio de certas manifestações materiais, outro por comunicações inteligentes, a maioria é pelo raciocínio. Podemos mesmo dizer que, para a maior parte dos que não estão em condições de apreciá-los pelo raciocínio, os fenômenos materiais são de pouca significação. Quanto mais extraordinários são esses fenômenos, afastando-se bastante das leis conhecidas, maior oposição encontram. E isso por um motivo muito simples: é que somos naturalmente levados a duvidar daquilo que não tem uma sansão racional. Cada qual o encara a seu modo e dá sua explicação particular: o materialista descobre uma causa física ou uma trapaça; o ignorante e o supersticioso, uma  causa diabólica ou sobrenatural. Entretanto, uma explicação antecipada tem o efeito de destruir as idéias preconcebidas e mostrar, se não a realidade, pelo menos a possibilidade do fato. Compreende-se antes de ver, pois desde que aceitamos a possibilidade, três quartos da convicção foram realizados.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;30.&#039;&#039;&#039; Será útil procurar convencer um incrédulo obstinado? Já dissemos que isso depende das causas e da natureza da sua incredulidade. Muitas vezes, nossa insistência em persuadi-lo o leva a crer na sua importância pessoal, que é uma razão para mais se obstinar. Aquele que não se convence pelo raciocínio nem pelos fatos, deve ainda sofrer a prova da incredulidade. Devemos deixar à Providência o cuidado de encaminhá-lo a circunstâncias mais favoráveis. Há muita gente que só deseja receber a luz, para estarmos perdendo tempo com os que a repelem. Dirigi-vos, pois, aos homens de boa vontade, cujo número é maior do que se pensa, e o exemplo destes, multiplicando-se, vencerá mais facilmente as resistências do que as palavras. Ao verdadeiro espírita nunca faltará oportunidade de fazer o bem. Há corações aflitos a aliviar, consolações a dispensar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar. Essa é a sua missão e nela encontrará a verdadeira satisfação. O Espiritismo impregna a atmosfera: expande-se pela própria força das circunstâncias e porque torna felizes aqueles que o professam. Quando os seus adversários sistemáticos o ouvirem ressoando ao seu redor, entre os seus próprios amigos, compreenderão o isolamento em que se encontram e serão forçados a calar ou a se renderem.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;31.&#039;&#039;&#039; Para se proceder, no ensino do Espiritismo, como se faz nas ciências ordinárias, seria necessário passar em revista toda a série de fenômenos que podem produzir-se, a começar dos mais simples até chegar, sucessivamente, aos mais complicados. Ora, isso é impossível, porque não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de Física ou de Química. Nas Ciências Naturais opera-se sobre a matéria bruta, que se manipula a vontade e quase sempre se consegue determinar os efeitos. No Espiritismo, tem-se de lidar com inteligências dotadas de liberdade e que provam, a cada instante, não estarem sujeitas aos nossos caprichos. É necessário, pois observar, esperar os resultados e colhê-los na ocorrência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso declaramos energicamente que: todo aquele que se vangloriar de obtê-los à vontade não passa de ignorante ou impostor. Eis porque o verdadeiro Espiritismo jamais servirá para exibições nem subirá jamais aos palcos. É mesmo ilógico supor que os Espíritos se entreguem a exibições e se submetam à pesquisa como objetos de curiosidade. Os fenômenos, por isso mesmo, podem não ocorrer quando mais os desejamos ou apresentar-se de maneira muito diversa da que pretendíamos. Acrescentemos ainda que, para obtê-los, necessitamos de pessoas dotadas de faculdades especiais, que variam ao infinito, segundo a aptidão de cada indivíduo. Ora, sendo extremamente raro que uma mesma pessoa tenha todas as aptidões, a dificuldade aumenta, pois, seria necessário dispormos sempre de uma verdadeira coleção de médiuns, o que não é possível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É muito simples o meio de evitar estes inconvenientes. Basta começar pela teoria. Nela, todos os fenômenos são passados em revista, são explicados e se pode conhecê-los e compreender a sua possibilidade, as condições em que podem ser produzidos e os obstáculos que podem encontrar. Dessa maneira, qualquer que seja a ordem em que as circunstâncias nos fizerem vê-los, nada terão que possa surpreender-nos. E há ainda outra vantagem: a de evitar muitas decepções ao experimentador. Prevenido quanto às dificuldades, pode manter-se vigilante e poupar-se das experiências à própria custa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde que nos ocupamos de Espiritismo foram tantas as pessoas que nos acompanharam, que seria difícil presenciar o seu número. Entre elas, quantas permaneceram indiferentes ou incrédulas diante dos fatos mais evidentes, só se convencendo mais tarde através de uma explicação racional. Quantas outras foram predispostas a aceitar por meio do raciocínio; e quantas, afinal, acreditaram sem nada terem visto, levados unicamente pela compreensão. Falamos, portanto, por experiência, e por isso afirmamos que o melhor método de ensino espírita é o que se dirige à razão e não aos olhos. É o que seguimos em nossas lições, do que só temos que nos felicitar.(2)  &lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;32.&#039;&#039;&#039; O estudo prévio da teoria tem ainda a vantagem de mostrar imediatamente a grandeza do objetivo e o alcance desta Ciência. Aquele que se inicia vendo uma mesa girar ou bater pode inclinar-se à zombaria, porque dificilmente imaginaria que de uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora da Humanidade. Acentuamos sempre que os que crêem sem ter visto, porque leram e compreenderam, ao invés de superficiais são os mais ponderados. Ligando-se mais ao fundo que à forma, o aspecto filosófico é para eles o principal, e os fenômenos propriamente ditos são apenas o acessório. Chegam mesmo a dizer que se os fenômenos não existissem, nem por isso a filosofia deixaria de ser a única que resolve tantos problemas até hoje insolúveis; a única que oferece ao passado e ao futuro humano a teoria mais racional. Preferem, assim, uma doutrina que realmente explica, aquelas que nada explicam ou que explicam mal. Quem refletir a respeito compreenderá claramente que se pode fazer abstração das manifestações, sem que a doutrina tenha por isso de desaparecer. As manifestações corroboram, a confirmam, mas não constituem um fundamento essencial. O observador sério não as repele, mas espera as circunstâncias favoráveis para observá-las. A prova disso é que antes de ouvirem falar das manifestações muitas pessoas tiveram a intuição dessa doutrina, que veio apenas corporificar num conjunto as suas idéias.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;33.&#039;&#039;&#039; Aliás, não seria certo dizer que, aos que começam pela teoria, faltem às observações práticas. Eles as possuem, pelo contrário, e certamente mais valiosas aos seus olhos que as produzidas nas experiências: são os fatos numerosos de manifestações espontâneas, de que trataremos nos capítulos seguintes. São poucas as pessoas que não as conhecem, ao menos por ouvir dizer, e muitas as que as obtiveram, sem prestar-lhes a devida atenção. A teoria vem dar-lhes explicação, e consideramos esses fatos de grande importância, quando se apóiam em testemunhos irrecusáveis, porque não se pode atribuir-lhes qualquer preparação ou conivência. Se os fenômenos provocados não existissem, nem por isso os espontâneos deixariam de existir, e se o Espiritismo só servisse para lhes dar uma explicação racional, isto já seria bastante. Assim, a maioria dos que lêem previamente referem os princípios  a esses fatos, que são para eles uma confirmação da teoria.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;34.&#039;&#039;&#039; Seria absurdo supor que aconselhamos a negligenciar os fatos, pois foi pelos fatos que chegamos à teoria. É verdade que isso nos custou um trabalho assíduo de muitos anos e milhares de observações. Mas desde que os fatos nos serviram e servem diariamente, seríamos incoerentes se lhes contestássemos a importância, sobretudo agora que fazemos um livro para ensinar como conhecê-los. Sustentamos apenas que, sem o raciocínio, eles não bastam para levar á convicção. Que uma explicação prévia, afastando as prevenções e mostrando que eles não são absurdos, predispõe a aceitá-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso é tão certo que, de dez pessoas estranhas ao assunto, que assistam a uma sessão de experimentação, das mais satisfatórias para os adeptos, nove sairão sem convencer-se, e algumas delas ainda mais incrédulas do que antes, porque as experiências não corresponderam ao que esperavam. Acontecerá o contrário com as que puderam informar-se dos fatos por um conhecimento teórico antecipado. Para estas, esse conhecimento servirá de controle e nada as surpreenderá, nem mesmo o insucesso, pois saberão em que condições os fatos se produzem e que não se lhes deve pedir o que eles não podem dar. A compreensão prévia dos fatos torna-as capazes de perceber todas as dificuldades, mas também de captar uma infinidade de pormenores, de nuanças quase sempre muito sutis, que serão para elas elementos de convicção que escapam ao observador ignorante. São esses os motivos que nos levam a só admitir em nossas sessões experimentais pessoas suficientemente preparadas para compreender o que se passa, pois sabemos que as outras perderiam o seu tempo ou nos fariam perder o nosso.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;35.&#039;&#039;&#039; Para aqueles que desejarem adquirir esses conhecimentos preliminares através das nossas obras, aconselhamos a seguinte ordem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) &#039;&#039;&#039;O que é o Espiritismo:&#039;&#039;&#039; Esta brochura, de apenas uma centena de páginas, apresenta uma exposição sumária dos princípios da Doutrina Espírita, uma visão geral que permite abranger o conjunto num quadro restrito. Em poucas palavras se percebe o seu objetivo e se pode julgar o seu alcance. Além disso, apresenta as principais perguntas ou objeções que as pessoas novatas costumam fazer. Essa primeira leitura, que exige pouco tempo, é uma introdução que facilita o estudo mais profundo.(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) &#039;&#039;&#039;O Livro dos Espíritos:&#039;&#039;&#039; contém a doutrina completa ditada pelos Espíritos, com toda a sua Filosofia e todas as suas conseqüências morais. É o destino do homem desvelado, a iniciação ao conhecimento da natureza dos Espíritos e os mistérios da vida de além túmulo. Lendo-o, compreende-se que o Espiritismo tem um objetivo sério e não é um passatempo frívolo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) &#039;&#039;&#039;O Livros dos Médiuns:&#039;&#039;&#039; Destinado a orientar na prática das manifestações, proporcionando o conhecimento dos meios mais apropriados de nos comunicarmos com os Espíritos.É um guia para os médiuns e para os evocadores e o complemento de O Livro dos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) &#039;&#039;&#039;A Revista Espírita:&#039;&#039;&#039; Uma variada coletânea de fatos, de explicações teóricas e de trechos destacados que completam a exposição das duas obras precedentes, e que representa de alguma maneira a sua aplicação. Sua leitura pode ser feita ao mesmo tempo em que a daquelas obras, mas será mais proveitosa e mais compreensível sobretudo após a de O Livro dos Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isso no que nos concerne. Mas os que desejam conhecer completamente uma ciência devem ler necessariamente tudo o que foi escrito a respeito, ou pelo menos o principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo ler os prós e os contras, as críticas e as apologias, iniciarem-se nos diferentes sistemas a fim de poder julgar pela comparação. Neste particular, não indicamos nem criticamos nenhuma obra, pois não queremos influir em nada na opinião que se possa formar. Levando nossa pedra ao edifício, tomamos apenas o nosso lugar. Não nos cabe ser ao mesmo tempo juiz e parte e não temos a pretensão ridícula de ser o único a dispensar a luz. Cabe ao leitor separar o bom do mau, o verdadeiro do falso.(4)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1)   Sendo o Espiritismo uma doutrina eminentemente cristã, essa designação de espírita cristão pode parecer redundante. Por outro lado, poderia sugerir a existência de uma forma de Espiritismo não cristão, que na verdade não existe Kardec a emprega, porém, como designação do verdadeiro espírita, para distinguir estes daqueles que não seguem, como se vê acima, os princípios do Espiritismo (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Ao pé da página, Kardec acrescentou esta nota: “Nosso ensino teórico e prático é sempre gratuito”. Com isso, evitava interpretações maldosas e dava o exemplo que foi sempre seguido pelos espíritas responsáveis em todo o mundo. O verdadeiro ensino espírita é sempre gratuito (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Apesar de já estarmos há mais de cem anos do lançamento desse pequeno livro, ele se conserva oportuno e até mesmo de leitura obrigatória para principiantes. E podemos acrescentar que mesmo os adeptos mais experimentados deviam relê-lo de vez em quando. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) A conhecida modéstia de Kardec, bem demonstrada nestas palavras, leva algumas pessoas a não reconhecerem o valor fundamental da sua obra, que aliás não é apenas dele, mas principalmente dos Espíritos Superiores. Essa atitude, entretanto, reforça ainda mais a sua posição de Codificador, pois os verdadeiros missionários não se arrogam superioridade e os verdadeiros mestres querem, antes de mais nada, o desenvolvimento da compreensão própria e da capacidade de discernimento dos discípulos. (N.doT.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_EXISTEM_ESP%C3%8DRITOS%3F&amp;diff=11330</id>
		<title>Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_EXISTEM_ESP%C3%8DRITOS%3F&amp;diff=11330"/>
		<updated>2011-08-08T02:41:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;1.&#039;&#039;&#039;  A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas só concedem os Espíritos através das estórias fantasiosas que ouviram em crianças, mais ou menos como as que conhecem História pelos romances. Não procuram saber se essas estórias, desprovidas do pitoresco,podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. Não se dão ao trabalho de quebrar a casca da noz para descobrir a amêndoa. Assim, rejeitam a estória, como fazem os religiosos que, chocados por alguns abusos, afastam-se da religião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seja qual for à idéia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. Mas façamos, por um instante, abstrações das manifestações propriamente ditas, e raciocinemos por indução. Vejamos a que conseqüências chegaremos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;2.&#039;&#039;&#039;  Admitimos a existência da alma e da sua individualidade após a morte, é necessário admitir também:&lt;br /&gt;
                                &lt;br /&gt;
: 1º) Que a sua natureza é diferente da corpórea, pois ao separar-se do corpo ela não conserva as propriedades materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
: 2º) Que ela possuía consciência própria, pois lhe atribuímos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contrário ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua existência.&lt;br /&gt;
                                               &lt;br /&gt;
Admitindo isso, é claro que a alma terá de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e o que é feito dela? Segundo a crença comum, ela vai para o Céu ou para o Inferno. Mas onde estão o Céu e o Inferno? Dizia-se antigamente que o Céu estava no alto e o Inferno embaixo. Mas o que é o alto e o baixo no Universo desde que sabemos que a Terra é redonda; que os astros giram, de maneira que o alto e o baixo se revezam cada doze horas para nós; e conhecemos o infinito do espaço, no qual podemos mergulhar a distâncias incomensuráveis?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É verdade que podemos entender por lugares baixos as profundezas da Terra. Mas o que são hoje essas profundezas, depois das escavações geológicas? O que são, também, essas esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, depois que aprendemos não ser o nosso planeta o centro do Universo, e que o nosso próprio Sol nada mais é do que um entre milhões de sóis que brilham no infinito, sendo cada qual o centro de um turbilhão planetário? Que foi feito da antiga importância da Terra agora perdida nessa imensidade? E por que estranho motivo este imperceptível de areia, que não se distingue pelo seu tamanho, nem pela sua posição, nem qualquer papel particular no cosmo, seria o único povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir essa inutilidade do infinito, e tudo nos diz que esses mundos também são habitados. E se assim é eles também fornecem os seus contingentes para o mundo das almas. Então, voltamos à pergunta: em que se tornam as almas, depois da morte do corpo, e para onde vão? A Astronomia e a Geologia destruíram as suas antigas moradas, e a teoria racional da pluralidade dos mundos habitados multiplicou-as ao infinito. Não havendo concordância entre a doutrina da localização das almas e os dados das ciências, temos de aceitar uma doutrina mais lógica, que não lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas dá-lhes o espaço infinito: é todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne à razão? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas não vão para determinado lugar? Vê-se que a idéia dessas penas e recompensas é absurda e que dá motivo à incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu íntimo, a felicidade ou a desgraça, pois a sorte de cada uma depende de sua condição moral, e que a reunião das almas boas e afins é um motivo de felicidade, e tudo se tornará mais claro. Compreendamos que, segundo o seu grau de pureza, elas percebem e tem visões inacessíveis, às mais grosseiras; que somente pelos esforços que fazem para se melhorarem, e depois das provas necessárias, podem atingir os graus mais elevados; que os anjos são as almas humanas que chegaram ao grau supremo e que todos podem chegar até lá, através da boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, incumbidos de zelar pela execução de seus desígnios em todo o universo, sendo felizes com essa missão gloriosa; e a felicidade de após morte será uma condição útil e aceitável, mais atraente que a inutilidade perpétua da contemplação eterna. E os demônios? Compreendamos que são almas das criaturas más, ainda não depuradas, mas que podem chegar, como as outras, ao estado de pureza, e a justiça e a bondade de Deus se tornarão racionais, ao contrário do que nos apresenta a doutrina dos seres criados para o mal de maneira irrevogável. Eis, afinal, o que a mais exigente razão, a lógica mais rigorosa, o bom-senso, numa palavra, podem admitir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como vemos, as almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal. Se os Espíritos fossem seres à parte na Criação, sua existência seria mais hipotética. Admitindo a existência das almas, temos de admitir a dos Espíritos, que nada mais são do que as almas. E se admitimos que as almas estão por toda parte, é necessário admitir que os Espíritos também estão. Não se pode, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;3.&#039;&#039;&#039;  Tudo isto não passa de uma teoria mais racional do que a outra. Mas já não é bastante ser uma teoria que a razão e a ciência não contradizem? Além disso, ela é corroborada pelos fatos e tem a sanção da lógica e da experiência. Encontramos os fatos nos fenômenos de manifestações espíritas, que nos dão a prova positiva da existência e da sobrevivência da alma. Há muita gente, porém, que nega a possibilidade dessas comunicações com os Espíritos. São pessoas que acreditam na existência da alma, e conseqüentemente na dos Espíritos, mas sustentam a teoria de que os seres imateriais não podem agir sobre a matéria. Trata-se de uma dúvida originada pela ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, da qual geralmente se faz uma idéia falsa, considerando-os seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consideremos o Espírito, antes de mais nada, na sua união com o corpo. O Espírito é o elemento principal dessa união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte. O corpo não é mais que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Além desse envoltório material o Espírito possui outro, semimaterial, que o liga ao primeiro. Na morte, o Espírito abandona o corpo, mas não o segundo envoltório, a que chamamos de perispírito. Este envoltório semimaterial, que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para nós no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da matéria.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não podemos, pois, considerar o espírito como uma simples abstração, mas como um ser limitado e circunscrito, a que só falta ser visível e palpável para assemelhar-se às criaturas humanas. Por que não poderia ele agir sobre a matéria? Pelo fato de ser fluídico o seu corpo? Mas não é entre os fluidos mais rarefeitos, como a eletricidade, por exemplo, e os que se consideram mais imponderáveis, que encontramos as mais poderosas forças motoras?A luz imponderável não exerce ação química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos ainda a natureza íntima do perispírito, mas podemos supô-lo constituindo de substância elétrica, ou de outra espécie de matéria tão sutil como essa. Por que separado não poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;4.&#039;&#039;&#039;  A existência de Deus e da alma, conseqüência uma da outra, constitui a base de todo o edifício do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente às perguntas: “Crê em Deus? Crê na existência da alma? Crê na sobrevivência da alma após a morte”? ou se responder simplesmente: Não sei; desejava que fosse assim, mas não estou certo, o que geralmente equivale a uma negação delicada, disfarçada para não chocar bruscamente o que ele considera preconceitos  respeitáveis, seria inútil prosseguir. Seria como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da luz. As manifestações espíritas são os efeitos das propriedades da alma. Assim, com semelhante interlocutor, se não quisermos perder tempo, só nos resta seguir outra ordem de idéias. Admitidos os princípios básicos, não apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;5.&#039;&#039;&#039;  Resta saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encamados. Mas por que não? Que é o homem, senão um Espírito revestido de corpo material? Qual o motivo por que um Espírito livre não poderia comunicar-se com um Espírito cativo, como o homem livre se comunica com o prisioneiro? Admitida a sobrevivência da alma, seria racional negar-se a sobrevivência das suas afeições? Desde que as almas estão por toda parte, não é natural pensar que a de alguém que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se conosco, e se utilize os meios que estão ao seu dispor? Quando viva na Terra, não agia ela sobre a matéria do seu corpo? Não era ela, a alma, que dirigia os movimentos corporais? Por que, pois, não poderia ela, após a morte, servir-se de outro corpo, de acordo com o Espírito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento, como um mudo se serve de uma pessoa que fala, para fazer-se compreender?&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;6.&#039;&#039;&#039;  Afastemos por um instante os fatos que consideramos incontestáveis. Admitamos a comunicação como simples hipótese. Solicitamos aos incrédulos que nos provem, através de razões decisivas, que ela é impossível. Não basta a simples negação, pois seu arbítrio pessoal não é lei. Colocamo-nos no seu próprio terreno, aceitando a apreciação dos fatos espíritas através das leis materiais. Que eles assim, possam tirar, do seu arsenal científico, alguma prova matemática, física, química, mecânica, fisiológica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princípio da existência e da sobrevivência da alma, que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) O ser pensante durante a vida terrena não deve mais pensar depois da morte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Se ele pensa, não deve mais pensar nos que amou;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Se pensa nos que amou, não deve querer comunicar-se com eles;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Por meio do seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) Se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser vivo;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) Se pode agir sobre um ser vivo, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:9º) Podendo fazê-lo escrever, não pode responder-lhe as perguntas nem  transmitir-lhe pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando os adversários do Espiritismo nos demonstram que isso tudo não é possível, através de razões tão evidentes como as de Galileu para provar que o Sol não girava em torno da Terra, então poderemos dizer que as suas dúvidas são fundadas. Mas até hoje, infelizmente, toda a sua argumentação se resume nestas palavras: Não creio, porque é impossível. Eles retrucarão, sem dúvida, que cabe a nós provar a realidade das manifestações. Já lhes demos as provas, pelos fatos e pelo raciocínio; se recusam umas e outras, e se negam até mesmo o que vêem, cabe a eles provar que os fatos são impossíveis e que o nosso raciocínio é falso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1) O apóstolo Paulo, como podemos ver na I Epístola aos Coríntios, chama o períspirito de corpo espiritual, que é o corpo da ressurreição. As investigações científicas da Metapsíquica e da Parapsicologia tiveram de enfrentar, malgrado o materialismo dos pesquisadores, a existência desse corpo semimaterial (N. do T. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Além das ações químico-físicas dos elementos imponderáveis, a Parapsicologia moderna provou, em experiências de laboratório, a ação da mente sobre a matéria. O prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou à conclusão de que a mente não é física, mas age por via-extrafísica, sobre o mundo material. Os parapsicólogos soviéticos, materialistas comprovaram a ação mental sobre a matéria, afirmando que o córtex cerebral deve possuir uma energia material ainda não conhecida pelas ciências (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._2_%E2%80%93_O_MARAVILHOSO_E_O_SOBRENATURAL&amp;diff=11329</id>
		<title>Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._2_%E2%80%93_O_MARAVILHOSO_E_O_SOBRENATURAL&amp;diff=11329"/>
		<updated>2011-08-08T02:38:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;7.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;  Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, poderia com certa razão ser suspeita de ilusória. Mas q…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&#039;&#039;&#039;7.&#039;&#039;&#039;  Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, poderia com certa razão ser suspeita de ilusória. Mas quem nos dia então porque ela se encontra tão viva entre todos os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas? Isso, dizem alguns críticos, é porque o homem, em todos os tempos, teve amor ao maravilhoso. — Mas o que é o maravilhoso, segundo vós? — aquilo que é sobrenatural? — E que entendeis por sobrenatural? — O que é contrário ás leis da Natureza. — Então conheceis tão bem essas leis que podeis marcar limites ao poder de Deus? Muito bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que elas não são e não podem ser uma dessas leis. Observai a Doutrina Espírita e vereis se no seu encadeamento elas não apresentam todas as características de uma lei admirável, que resolve tudo o que os princípios filosóficos até agora não puderam resolver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pensamento é um atributo do Espírito. A possibilidade de agir sobre a matéria, de impressionarem os nossos sentidos, e portanto de transmitir-nos o seu pensamento é uma conseqüência, podemos dizer, da sua própria constituição fisiológica. Não há, pois, nesse fato, nada de sobrenatural, nada de maravilhoso.(1) Mas que um homem morto e bem morto possa ressuscitar corporalmente, que os seus membros dispersos se reúnam para restabelecer-lhe o corpo, eis o que é maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Isso, sim, seria uma verdadeira derrogação, que Deus só poderia fazer através de um milagre. Mas não há nada de semelhante na Doutrina Espírita.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;8.&#039;&#039;&#039;  Não obstante, dirão, admitis que um Espírito pode elevar uma mesa e sustentá-la no espaço sem um pouco de apoio. Isso não é uma derrogação da lei da gravidade? — Sim, da lei conhecida; mas a Natureza já vos disse a última palavra? Antes das experiências com a força ascensional de certos gases quem diria que uma pesada máquina, carregando muitos homens, poderia vencer a força de  atração? Aos olhos do vulgo, isso não deveria parecer maravilhoso, diabólico? Aquele que se propusesse a transmitir, há um século, uma mensagem a quinhentas léguas de distância e obter a resposta em alguns minutos passaria por louco. Se o fizesse, acreditariam que tinha o Diabo às suas ordens, pois então só o Diabo era capaz de andar tão ligeiro. Por que, pois, um fluido desconhecido não poderia, em dadas circunstâncias, contrabalançar o efeito da gravidade, como hidrogênio contrabalança o peso do balão? Isto, notemos de passagem, é apenas uma comparação, feita unicamente para mostrar, por analogia, que o fato não é fisicamente impossível. Não se trata de identificar uma coisa à outra. Ora, foi precisamente quando os sábios, ao observarem estas espécies de fenômenos, quiseram proceder por identificação, que acabaram se enganando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De resto, o fato existe e todas as negações não poderiam destruí-lo, por que negar não é provar. Para nós, não há nada de sobrenatural e é tudo quanto podemos dizer por agora.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;9.&#039;&#039;&#039;  Se o fato está provado, dirão, nós o aceitamos. E aceitamos até mesmo a causa que lhe atribuís, ou seja, a de um fluido desconhecido. Mas quem prova a intervenção dos Espíritos? É nisso que está o maravilhoso,o sobrenatural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seria necessário, neste caso, toda uma demonstração que não seria cabível e constituiria, aliás, uma redundância, porque ela ressalta de todo o ensino. Entretanto, para resumi-la em duas palavras, diremos que teoricamente ela se funda neste princípio: todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. Praticamente: sobre a observação de que os fenômenos ditos espíritas, tendo dado provas de inteligência, não podem ter sua causa na matéria; que essa inteligência, não sendo a dos assistentes, — o que resultou das experiências, — devia ser independente deles; e desde que não se via o ser que os produzia, devia tratar-se de um ser invisível, ao qual se deu o nome de Espírito, não é mais do que a alma dos que viveram corporalmente e aos quais a morte despojou de seu grosseiro envoltório visível, deixando-lhes apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos a mais simples expressão. Constatada a existência dos seres invisíveis, sua ação sobre a matéria resulta da natureza do seu envoltório fluídico. Esta ação é inteligente, porque, ao morrer, eles perderam apenas o corpo, conservando a inteligência que constitui a sua existência. Esta a chave de todos esses fenômenos considerados erroneamente sobrenaturais. A existência dos Espíritos não decorre, pois, de um sistema preconcebido, de uma hipótese imaginada para explicar os fatos, mas é o resultado de observações e a conseqüência natural da existência da alma. Negar essa causa é negar a alma e os seus atributos.(2) Os que pensarem que podem encontrar para esses efeitos inteligentes uma solução mais racional, podendo sobretudo explicar a razão de todos os fatos, queiram fazê-lo, e então poder-se-á discutir o mérito de ambas.(3)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;10.&#039;&#039;&#039;  Aos olhos daqueles que vêem na matéria a única potência da Natureza, &#039;&#039;tudo o que não pode ser explicado pelas leis materiais é maravilhoso ou sobrenatural&#039;&#039;, e, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição. Dessa maneira a religião, que se funda na existência de um princípio imaterial, é um tecido de superstições. Eles não ousam dizê-lo em voz alta, mas o dizem baixinho. E pensam salvar as aparências ao conceder que é necessária uma religião para o povo e para tornar as crianças acomodadas. Ora, de duas, uma: ou o princípio religioso é verdadeiro ou é falso. Se é verdadeiro, o é para todos; se é falso não é melhor para os ignorantes do que para os esclarecidos.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;11.&#039;&#039;&#039;  Os que  atacam o espiritismo em nome do maravilhoso se apóiam, portanto, em geral, no princípio materialista, desde que negando todo efeito de origem extramaterial, negam conseqüentemente a existência da alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sondai o futuro de seu pensamento, perscrutai o sentido de suas palavras e encontreis quase sempre esse princípio, que, se não se mostra categoricamente formulado, transparece sob a capa de uma pretensa filosofia moral com que eles se disfarçam. Rejeitando como maravilhoso tudo quanto decorre da existência da alma, eles são, portanto, conseqüentes consigo mesmos. Não admitindo a causa, não podem admitir o efeito. Daí o preconceito que os impede de julgar com isenção o Espiritismo, pois parte da negação de tudo o que não seja material. Quanto a nós, pelo fato de admitirmos os efeitos decorrentes da existência da alma, teríamos de aceitar todos os fatos qualificados de maravilhosos, teríamos de ser os campeões dos visionários, os adeptos de todas as utopias, de todos os sistemas excêntricos? Seria necessário conhecer bem pouco do Espiritismo para assim pensar. Mas os nossos adversários não se importam com isso; a necessidade de conhecer aquilo de que falam é o que menos lhes interessa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo eles, o maravilhoso é absurdo: ora, o Espiritismo se apóia em fatos maravilhosos; logo, o Espiritismo é absurdo; isto é para eles um julgamento inapelável. Crêem apresentar um argumento sem resposta quando, após eruditas pesquisas sobre os convulsionários de Saint-Médard, os &#039;&#039;camisards&#039;&#039; das Cévennes ou as religiosas de Loudun, chegam à descoberta de evidentes trapaças que ninguém contesta. Mas essas histórias são, por acaso, o evangelho do Espiritismo? Seus partidários teriam negado que o charlatanismo explorou alguns fatos em proveito próprio? Que a imaginação os tenha engendrado? Que o fanatismo tenha exagerado a muitos deles? O Espiritismo não é mais responsável pelas extravagâncias que se possam cometer em seu nome, do que a verdadeira Ciência pelos abusos da ignorância ou a verdadeira Religião pelos excessos do fanatismo. Muitos críticos só julgam o Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares que são apenas as formas da sua ficção. O mesmo seria julgar a História pelos romances históricos ou pelas tragédias.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;12.&#039;&#039;&#039;  Na lógica mais elementar, para discutir uma coisa é necessário conhecê-la porque a opinião de um crítico só tem valor quando ele fala com conhecimento de causa. Somente assim,a sua opinião, embora errônea, pode ser levada em consideração. Mas que peso ela pode ter, quando emitida sobre matéria que ele desconhece? A verdadeira crítica deve dar provas, não somente de erudição, mas de conhecimento profundo do objeto tratado, de isenção no julgamento e de absoluta imparcialidade.  A não ser assim, qualquer violeiro poderia se arrogar o direito de julgar Rossini e qualquer pintor de paredes de censurar Rafael.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;13.&#039;&#039;&#039;  O Espiritismo não aceita todos os fatos considerados maravilhosos. Longe disso, demonstra a impossibilidade de muitos deles e o ridículo de algumas crenças que constituem, propriamente falando, a superstição. É verdade que entre os fatos por ele admitidos há coisas que, para os incrédulos, são inegavelmente do maravilhoso, o que vale dizer da superstição. Que seja. Mas, pelo menos, que limitem a eles a discussão, pois em relação aos outros nada tem que dizer e pregarão no deserto. Criticando o que o próprio Espiritismo refuta, demonstram ignorar o assunto  argumentam em vão. Mas até onde vai a crença do Espiritismo, perguntarão. Lede e observai, que o sabereis. A aquisição de qualquer ciência exige tempo e estudo. Ora, o Espiritismo, que toca nas mais graves questões da Filosofia, em todos os setores da ordem social, que abrange ao mesmo tempo o homem físico e o homem moral, é em si mesmo toda uma Ciência, toda uma Filosofia, que não podem ser adquiridas em apenas algumas horas. Há tanta puerilidade em ver todo o Espiritismo numa mesa girante, como em ver toda a Física em algumas experiências infantis. Para quem não quiser ficar na superfície, não são horas, mas meses e anos que terá de gastar para sondar todos os seus arcanos. Que se julgue, diante disso, o grau de conhecimento e o valor da opinião dos que se arrogam o direito de julgar porque viram uma ou duas experiências, quase sempre realizadas como distração ou passatempo. Eles dirão, sem dúvida que não dispõem do tempo necessário para esse estudo. Que seja, mas nada os obriga a isso. E quando não se tem tempo para aprender uma coisa, não se pode falar dela, e menos ainda julgá-la, se não se quiser ser acusado de leviandade. Ora, quanto mais elevada é a posição que se ocupe na Ciência, menos desculpável será tratar-se levianamente um assunto que não se conhece.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;14.&#039;&#039;&#039;  Resumimos nossa opinião nas proposições seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:1º) Todos os fenômenos espíritas têm como princípio a existência da alma, sua sobrevivência à morte do corpo e suas manifestações;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:2º) Decorrendo de uma lei da Natureza, esses fenômenos nada têm de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar dessas palavras;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:3º) Muitos fatos são considerados sobrenaturais porque a sua causa não é conhecida; ao lhe determinar a causa, o espiritismo os devolve ao domínio dos fenômenos naturais;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:4º) Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, o espiritismo demonstra a impossibilidade de muitos e os coloca entre as crenças supersticiosas;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:5º) Embora o espiritismo reconheça um fundo de verdade em muitas crenças populares, ele não aceita absolutamente que todas as estórias fantásticas criadas pela imaginação sejam da mesma natureza;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:6º) Julgar o Espiritismo pelos fatos que ele não admite é dar prova de ignorância e desvalorizar por completo a própria opinião;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:7º) A explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, de suas causas e suas conseqüências morais, constitui toda uma Ciência e toda uma Filosofia que exigem estudo sério, perseverante e aprofundado;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:8º) O Espiritismo só pode considerar como crítico sério àquele que tudo viu e estudou, em tudo se aprofundando com paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que tenha tanto conhecimento do assunto como adepto mais esclarecido; que não haja, portanto, adquirido seus conhecimentos nas ficções literárias da ciência; ao qual não se possa opor nenhum fato por ele desconhecido, nenhum argumento que ele não tenha meditado e que não tenha refutado apenas por meio da negação, mas por outros argumentos mais decisivos; aquele enfim, que pudesse apontar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico ainda está para aparece.(4)&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;15.&#039;&#039;&#039;  Referimo-nos há pouco à palavra milagre; uma breve observação sobre o assunto não estará deslocada num capítulo sobre o maravilhoso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na sua acepção primitiva e por sua etimologia a palavra milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de ver. Mas essa palavra, como tantas outras,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
desviou-se do sentido original e hoje se diz (segundo a Academia): de um ato da potência divina contrária às leis comuns da Natureza. Essa é, com efeito, a sua acepção usual, e só por comparação ou metáfora se aplica às coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa desconhecemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos absolutamente a intenção de examinar se Deus poderia julgar útil, em certas circunstâncias, derrogar as leis por ele mesmo estabelecidas. Nosso objetivo é somente o de demonstrar que os fenômenos espíritas, por mais extraordinários que sejam, não derrogam de maneira alguma essas leis e não tem nenhum caráter miraculoso, tanto mais que não são maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre não tem explicação: os fenômenos espíritas, pelo contrário, são explicados da maneira mais racional. Não são, portanto, milagres, mas, simples efeitos que tem sua razão de ser nas leis gerais. O milagre tem ainda outro caráter: o de ser insólito e isolado. Ora, desde que um fato se reproduz, por assim dizer, á vontade, e por meio de pessoas diversas, não pode ser um milagre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ciência faz milagres todos os dias aos olhos dos ignorantes: eis porque antigamente os que sabiam mais do que o vulgo passavam por feiticeiros, e como se acreditava que toda ciência sobre-humana era diabólica, eles eram queimados. Hoje, que estamos muito mais civilizados, basta enviá-los para os hospícios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que um homem realmente morto, como dissemos no início, seja ressuscitado por uma intervenção divina e teremos um verdadeiro milagre, porque isso é contrário à lei da Natureza. Mas se esse homem tem apenas a aparência da morte, conservando ainda um resto de vitalidade latente, e a Ciência ou uma ação magnética consegue reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas isso é um fenômeno natural. Entretanto, aos olhos do vulgo ignorante o fato passará por milagroso e o seu autor será rechaçado a pedradas ou será venerado, segundo o caráter dos circunstantes. Que um físico solte um papagaio elétrico num meio rural, fazendo cair um raio sobre uma árvore, e esse novo Prometeu será certamente encarado como detentor de um poder diabólico. Aliás, diga-se de passagem, Prometeu nos parece sobretudo um antecessor de Franklin; mas Josué, fazendo para o Sol, ou antes a Terra, nos daria o verdadeiro milagre, pois não conhecemos nenhum magnetizador dotado de tanto poder para operar esse prodígio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários indiscutivelmente os da escrita-direta, um dos que demonstram da maneira mais evidente a ação das inteligências ocultas. Mas por ser produzido pelos seres ocultos, esse fenômeno não é mais miraculoso do que todos os demais, também devidos a agentes invisíveis. Porque esses seres invisíveis, que povoam os espaços, são umas das potências da Natureza, potência que age, incessantemente sobre o mundo material, tão bem como sobre o mundo moral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Espiritismo, esclarecendo-nos a respeito dessa potência, dá-nos a chave de uma infinidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis por qualquer outro meio, e que em tempos distantes puderam passar como prodígios. Ele revela, como aconteceu com o magnetismo, uma lei desconhecida ou pelo menos mal compreendida; ou dizendo melhor, uma lei cujos efeitos eram conhecidos, porque produzidos em todos os tempos, mas ela mesma sendo ignorada, isso deu origem à superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos se reintegram na ordem das coisas naturais. Eis porque os espíritas, fazendo mover uma mesa ou com que os mortos escrevam, não fazem mais milagres do que o médico ao reviver um moribundo ou o físico ao provocar um raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta Ciência, fazer milagres, seria um ignorante da doutrina ou um trapaceiro.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;16.&#039;&#039;&#039;  Os fenômenos espíritas, como os fenômenos magnéticos, passaram por prodígios antes de lhes conheceram a causa. Ora, os céticos, os espíritos fortes, que tem o privilégio exclusivo da razão e do bom senso, não crêem naquilo que não podem compreender. Eis porque todos os fatos considerados prodigiosos são objetos de suas zombarias. Como a Religião está cheia de fatos desse gênero, eles não crêem na Religião, e disso à incredulidade absoluta vai apenas um passo. O Espiritismo, explicando a maioria desses fatos, justifica a sua existência. Vem, portanto, em auxílio da Religião, ao demonstrar a possibilidade de alguns fatos que, por não serem milagrosos, não são menos extraordinários. E Deus não é maior nem menos poderoso por não haver derrogado as suas leis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De quantos gracejos não foram objeto as levitações de São Cupertino! Entretanto, a suspensão etérea dos corpos graves é um fato explicado pela lei espírita. Fomos testemunha ocular desse fato, e o sr. Home, além de outras pessoas nossas conhecidas, repetiram muitas vezes o fenômeno produzido por São Cupertino. Esse fenômeno, portanto, enquadra-se na ordem das coisas naturais.&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;17.&#039;&#039;&#039;  No número dos fenômenos desse gênero temos de colocar em primeira linha as aparições, que são os mais freqüentes. A da Salette, que dividiu o próprio clero, não tem para nós nada de insólito. Não podemos afirmar com segurança a realidade do fato, porque não temos nenhuma prova material, mas o consideramos possível, em vista dos milhares de fatos semelhantes e recentes que conhecemos. Acreditamos neles, não somente porque verificamos a sua realidade, mas sobretudo porque sabemos perfeitamente como se produzem. Queiram reportar-se à teoria das aparições, que damos mais adiante, e verão que esse fenômeno se torna tão simples e plausível como uma infinidade de fenômenos físicos que só parecem prodigiosos quando não temos a chave de sua explicação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto á personagem que se apresentou na Salette, é outra questão. Sua identidade não nos foi absolutamente demonstrada. Aceitamos apenas que uma aparição possa ter ocorrido; o resto não é de nossa competência. Cada qual pode guardar, a esse respeito, as suas convicções. O Espiritismo não tem de se ocupar com isso. Dizemos apenas que os fatos produzidos pelo Espiritismo revelam novas leis e nos dão a chave de uma infinidade de coisas que pareciam sobrenaturais. Se alguns desses fatos considerados miraculosos encontram assim uma explicação lógica, isso é motivo para que não se apressem a negar o que não compreendem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os fenômenos espíritas são contestados por algumas pessoas precisamente porque parecem escapar às leis comuns e não podem ser explicados. Daí-lhes uma base racional e a dúvida cessa. A explicação, neste século em que ninguém se satisfaz com palavras, é portanto um poderoso motivo de convicção. Assim vemos, todos os dias, pessoas que não presenciaram nenhum fato, não viram uma mesa mover-se nem um médium escrever, e que se tornaram tão convictas como nós unicamente porque leram e compreenderam. Se só devêssemos crer no que vemos com os nossos próprios olhos, nossas convicções seriam reduzidas à bem pouca coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1) A parapsicologia confirma hoje, cientificamente, através de pesquisas de laboratório, a naturalidade desses fenômenos. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Hoje, os parapsicólogos chegam a essa mesma conclusão: o prof. Rhine afirma que o pensamento é extrafísico e age sobre  matéria; os profs. Carington, Soal, Price e outros admitem a ação de mentes desencarnadas na produção psikapa (efeitos físicos). (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) O prof. Ernesto Bozzano chama a isto “Convergência das provas”, mostrando a necessidade científica de uma hipótese explicar todos os fenômenos da mesma natureza e não apenas algumas deles (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Realmente, esse crítico, ainda em nossos dias, está por aparecer. Basta uma rápida leitura dos livros e artigos publicados hoje contra o Espiritismo, para nos mostrar que a situação não mudou. Cientistas, filósofos, teólogos, sacerdotes, pastores e intelectuais, inclusive adeptos de instituições espiritualistas procedentes do antigo Ocultismo, continuam a criticar levianamente o Espiritismo, sem se darem ao trabalho preliminar de estudá-lo, a não ser ligeiramente e com segundas intenções. (N. do T)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_EXISTEM_ESP%C3%8DRITOS%3F&amp;diff=11328</id>
		<title>Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_EXISTEM_ESP%C3%8DRITOS%3F&amp;diff=11328"/>
		<updated>2011-08-08T02:13:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;:&#039;&#039;&#039;1.&#039;&#039;&#039;  A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas só concedem os Espíritos através das estórias fantasiosas que ouviram em crianças, mais ou menos como as que conhecem História pelos romances. Não procuram saber se essas estórias, desprovidas do pitoresco,podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. Não se dão ao trabalho de quebrar a casca da noz para descobrir a amêndoa. Assim, rejeitam a estória, como fazem os religiosos que, chocados por alguns abusos, afastam-se da religião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Seja qual for à idéia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. Mas façamos, por um instante, abstrações das manifestações propriamente ditas, e raciocinemos por indução. Vejamos a que conseqüências chegaremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;2.&#039;&#039;&#039;  Admitimos a existência da alma e da sua individualidade após a morte, é necessário admitir também:&lt;br /&gt;
                                &lt;br /&gt;
:: 1º) Que a sua natureza é diferente da corpórea, pois ao separar-se do corpo ela não conserva as propriedades materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:: 2º) Que ela possuía consciência própria, pois lhe atribuímos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contrário ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua existência.&lt;br /&gt;
                                               &lt;br /&gt;
:Admitindo isso, é claro que a alma terá de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e o que é feito dela? Segundo a crença comum, ela vai para o Céu ou para o Inferno. Mas onde estão o Céu e o Inferno? Dizia-se antigamente que o Céu estava no alto e o Inferno embaixo. Mas o que é o alto e o baixo no Universo desde que sabemos que a Terra é redonda; que os astros giram, de maneira que o alto e o baixo se revezam cada doze horas para nós; e conhecemos o infinito do espaço, no qual podemos mergulhar a distâncias incomensuráveis?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:É verdade que podemos entender por lugares baixos as profundezas da Terra. Mas o que são hoje essas profundezas, depois das escavações geológicas? O que são, também, essas esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, depois que aprendemos não ser o nosso planeta o centro do Universo, e que o nosso próprio Sol nada mais é do que um entre milhões de sóis que brilham no infinito, sendo cada qual o centro de um turbilhão planetário? Que foi feito da antiga importância da Terra agora perdida nessa imensidade? E por que estranho motivo este imperceptível de areia, que não se distingue pelo seu tamanho, nem pela sua posição, nem qualquer papel particular no cosmo, seria o único povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir essa inutilidade do infinito, e tudo nos diz que esses mundos também são habitados. E se assim é eles também fornecem os seus contingentes para o mundo das almas. Então, voltamos à pergunta: em que se tornam as almas, depois da morte do corpo, e para onde vão? A Astronomia e a Geologia destruíram as suas antigas moradas, e a teoria racional da pluralidade dos mundos habitados multiplicou-as ao infinito. Não havendo concordância entre a doutrina da localização das almas e os dados das ciências, temos de aceitar uma doutrina mais lógica, que não lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas dá-lhes o espaço infinito: é todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Há nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne à razão? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas não vão para determinado lugar? Vê-se que a idéia dessas penas e recompensas é absurda e que dá motivo à incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu íntimo, a felicidade ou a desgraça, pois a sorte de cada uma depende de sua condição moral, e que a reunião das almas boas e afins é um motivo de felicidade, e tudo se tornará mais claro. Compreendamos que, segundo o seu grau de pureza, elas percebem e tem visões inacessíveis, às mais grosseiras; que somente pelos esforços que fazem para se melhorarem, e depois das provas necessárias, podem atingir os graus mais elevados; que os anjos são as almas humanas que chegaram ao grau supremo e que todos podem chegar até lá, através da boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, incumbidos de zelar pela execução de seus desígnios em todo o universo, sendo felizes com essa missão gloriosa; e a felicidade de após morte será uma condição útil e aceitável, mais atraente que a inutilidade perpétua da contemplação eterna. E os demônios? Compreendamos que são almas das criaturas más, ainda não depuradas, mas que podem chegar, como as outras, ao estado de pureza, e a justiça e a bondade de Deus se tornarão racionais, ao contrário do que nos apresenta a doutrina dos seres criados para o mal de maneira irrevogável. Eis, afinal, o que a mais exigente razão, a lógica mais rigorosa, o bom-senso, numa palavra, podem admitir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Como vemos, as almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal. Se os Espíritos fossem seres à parte na Criação, sua existência seria mais hipotética. Admitindo a existência das almas, temos de admitir a dos Espíritos, que nada mais são do que as almas. E se admitimos que as almas estão por toda parte, é necessário admitir que os Espíritos também estão. Não se pode, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;3.&#039;&#039;&#039;  Tudo isto não passa de uma teoria mais racional do que a outra. Mas já não é bastante ser uma teoria que a razão e a ciência não contradizem? Além disso, ela é corroborada pelos fatos e tem a sanção da lógica e da experiência. Encontramos os fatos nos fenômenos de manifestações espíritas, que nos dão a prova positiva da existência e da sobrevivência da alma. Há muita gente, porém, que nega a possibilidade dessas comunicações com os Espíritos. São pessoas que acreditam na existência da alma, e conseqüentemente na dos Espíritos, mas sustentam a teoria de que os seres imateriais não podem agir sobre a matéria. Trata-se de uma dúvida originada pela ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, da qual geralmente se faz uma idéia falsa, considerando-os seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Consideremos o Espírito, antes de mais nada, na sua união com o corpo. O Espírito é o elemento principal dessa união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte. O corpo não é mais que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Além desse envoltório material o Espírito possui outro, semimaterial, que o liga ao primeiro. Na morte, o Espírito abandona o corpo, mas não o segundo envoltório, a que chamamos de perispírito. Este envoltório semimaterial, que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para nós no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da matéria.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Não podemos, pois, considerar o espírito como uma simples abstração, mas como um ser limitado e circunscrito, a que só falta ser visível e palpável para assemelhar-se às criaturas humanas. Por que não poderia ele agir sobre a matéria? Pelo fato de ser fluídico o seu corpo? Mas não é entre os fluidos mais rarefeitos, como a eletricidade, por exemplo, e os que se consideram mais imponderáveis, que encontramos as mais poderosas forças motoras?A luz imponderável não exerce ação química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos ainda a natureza íntima do perispírito, mas podemos supô-lo constituindo de substância elétrica, ou de outra espécie de matéria tão sutil como essa. Por que separado não poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;4.&#039;&#039;&#039;  A existência de Deus e da alma, conseqüência uma da outra, constitui a base de todo o edifício do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente às perguntas: “Crê em Deus? Crê na existência da alma? Crê na sobrevivência da alma após a morte”? ou se responder simplesmente: Não sei; desejava que fosse assim, mas não estou certo, o que geralmente equivale a uma negação delicada, disfarçada para não chocar bruscamente o que ele considera preconceitos  respeitáveis, seria inútil prosseguir. Seria como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da luz. As manifestações espíritas são os efeitos das propriedades da alma. Assim, com semelhante interlocutor, se não quisermos perder tempo, só nos resta seguir outra ordem de idéias. Admitidos os princípios básicos, não apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;5.&#039;&#039;&#039;  Resta saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encamados. Mas por que não? Que é o homem, senão um Espírito revestido de corpo material? Qual o motivo por que um Espírito livre não poderia comunicar-se com um Espírito cativo, como o homem livre se comunica com o prisioneiro? Admitida a sobrevivência da alma, seria racional negar-se a sobrevivência das suas afeições? Desde que as almas estão por toda parte, não é natural pensar que a de alguém que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se conosco, e se utilize os meios que estão ao seu dispor? Quando viva na Terra, não agia ela sobre a matéria do seu corpo? Não era ela, a alma, que dirigia os movimentos corporais? Por que, pois, não poderia ela, após a morte, servir-se de outro corpo, de acordo com o Espírito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento, como um mudo se serve de uma pessoa que fala, para fazer-se compreender?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;6.&#039;&#039;&#039;  Afastemos por um instante os fatos que consideramos incontestáveis. Admitamos a comunicação como simples hipótese. Solicitamos aos incrédulos que nos provem, através de razões decisivas, que ela é impossível. Não basta a simples negação, pois seu arbítrio pessoal não é lei. Colocamo-nos no seu próprio terreno, aceitando a apreciação dos fatos espíritas através das leis materiais. Que eles assim, possam tirar, do seu arsenal científico, alguma prova matemática, física, química, mecânica, fisiológica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princípio da existência e da sobrevivência da alma, que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::1º) O ser pensante durante a vida terrena não deve mais pensar depois da morte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::2º) Se ele pensa, não deve mais pensar nos que amou;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::3º) Se pensa nos que amou, não deve querer comunicar-se com eles;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::4º) Se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::5º) Se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::6º) Por meio do seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::7º) Se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser vivo;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::8º) Se pode agir sobre um ser vivo, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::9º) Podendo fazê-lo escrever, não pode responder-lhe as perguntas nem  transmitir-lhe pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando os adversários do Espiritismo nos demonstram que isso tudo não é possível, através de razões tão evidentes como as de Galileu para provar que o Sol não girava em torno da Terra, então poderemos dizer que as suas dúvidas são fundadas. Mas até hoje, infelizmente, toda a sua argumentação se resume nestas palavras: Não creio, porque é impossível. Eles retrucarão, sem dúvida, que cabe a nós provar a realidade das manifestações. Já lhes demos as provas, pelos fatos e pelo raciocínio; se recusam umas e outras, e se negam até mesmo o que vêem, cabe a eles provar que os fatos são impossíveis e que o nosso raciocínio é falso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1) O apóstolo Paulo, como podemos ver na I Epístola aos Coríntios, chama o períspirito de corpo espiritual, que é o corpo da ressurreição. As investigações científicas da Metapsíquica e da Parapsicologia tiveram de enfrentar, malgrado o materialismo dos pesquisadores, a existência desse corpo semimaterial (N. do T. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Além das ações químico-físicas dos elementos imponderáveis, a Parapsicologia moderna provou, em experiências de laboratório, a ação da mente sobre a matéria. O prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou à conclusão de que a mente não é física, mas age por via-extrafísica, sobre o mundo material. Os parapsicólogos soviéticos, materialistas comprovaram a ação mental sobre a matéria, afirmando que o córtex cerebral deve possuir uma energia material ainda não conhecida pelas ciências (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
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		<title>Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?</title>
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		<updated>2011-08-08T02:03:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;:&#039;&#039;&#039;1.&#039;&#039;&#039;  A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas só concedem os Espíritos através das estórias fantasiosas que ouviram em crianças, mais ou menos como as que conhecem História pelos romances. Não procuram saber se essas estórias, desprovidas do pitoresco,podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. Não se dão ao trabalho de quebrar a casca da noz para descobrir a amêndoa. Assim, rejeitam a estória, como fazem os religiosos que, chocados por alguns abusos, afastam-se da religião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Seja qual for à idéia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. Mas façamos, por um instante, abstrações das manifestações propriamente ditas, e raciocinemos por indução. Vejamos a que conseqüências chegaremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;2.&#039;&#039;&#039;  Admitimos a existência da alma e da sua individualidade após a morte, é necessário admitir também:&lt;br /&gt;
                                &lt;br /&gt;
:: 1º) Que a sua natureza é diferente da corpórea, pois ao separar-se do corpo ela não conserva as propriedades materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:: 2º) Que ela possuía consciência própria, pois lhe atribuímos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contrário ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua existência.&lt;br /&gt;
                                               &lt;br /&gt;
:Admitindo isso, é claro que a alma terá de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e o que é feito dela? Segundo a crença comum, ela vai para o Céu ou para o Inferno. Mas onde estão o Céu e o Inferno? Dizia-se antigamente que o Céu estava no alto e o Inferno embaixo. Mas o que é o alto e o baixo no Universo desde que sabemos que a Terra é redonda; que os astros giram, de maneira que o alto e o baixo se revezam cada doze horas para nós; e conhecemos o infinito do espaço, no qual podemos mergulhar a distâncias incomensuráveis?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:É verdade que podemos entender por lugares baixos as profundezas da Terra. Mas o que são hoje essas profundezas, depois das escavações geológicas? O que são, também, essas esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, depois que aprendemos não ser o nosso planeta o centro do Universo, e que o nosso próprio Sol nada mais é do que um entre milhões de sóis que brilham no infinito, sendo cada qual o centro de um turbilhão planetário? Que foi feito da antiga importância da Terra agora perdida nessa imensidade? E por que estranho motivo este imperceptível de areia, que não se distingue pelo seu tamanho, nem pela sua posição, nem qualquer papel particular no cosmo, seria o único povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir essa inutilidade do infinito, e tudo nos diz que esses mundos também são habitados. E se assim é eles também fornecem os seus contingentes para o mundo das almas. Então, voltamos à pergunta: em que se tornam as almas, depois da morte do corpo, e para onde vão? A Astronomia e a Geologia destruíram as suas antigas moradas, e a teoria racional da pluralidade dos mundos habitados multiplicou-as ao infinito. Não havendo concordância entre a doutrina da localização das almas e os dados das ciências, temos de aceitar uma doutrina mais lógica, que não lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas dá-lhes o espaço infinito: é todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Há nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne à razão? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas não vão para determinado lugar? Vê-se que a idéia dessas penas e recompensas é absurda e que dá motivo à incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu íntimo, a felicidade ou a desgraça, pois a sorte de cada uma depende de sua condição moral, e que a reunião das almas boas e afins é um motivo de felicidade, e tudo se tornará mais claro. Compreendamos que, segundo o seu grau de pureza, elas percebem e tem visões inacessíveis, às mais grosseiras; que somente pelos esforços que fazem para se melhorarem, e depois das provas necessárias, podem atingir os graus mais elevados; que os anjos são as almas humanas que chegaram ao grau supremo e que todos podem chegar até lá, através da boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, incumbidos de zelar pela execução de seus desígnios em todo o universo, sendo felizes com essa missão gloriosa; e a felicidade de após morte será uma condição útil e aceitável, mais atraente que a inutilidade perpétua da contemplação eterna. E os demônios? Compreendamos que são almas das criaturas más, ainda não depuradas, mas que podem chegar, como as outras, ao estado de pureza, e a justiça e a bondade de Deus se tornarão racionais, ao contrário do que nos apresenta a doutrina dos seres criados para o mal de maneira irrevogável. Eis, afinal, o que a mais exigente razão, a lógica mais rigorosa, o bom-senso, numa palavra, podem admitir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Como vemos, as almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal. Se os Espíritos fossem seres à parte na Criação, sua existência seria mais hipotética. Admitindo a existência das almas, temos de admitir a dos Espíritos, que nada mais são do que as almas. E se admitimos que as almas estão por toda parte, é necessário admitir que os Espíritos também estão. Não se pode, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;3.&#039;&#039;&#039;  Tudo isto não passa de uma teoria mais racional do que a outra. Mas já não é bastante ser uma teoria que a razão e a ciência não contradizem? Além disso, ela é corroborada pelos fatos e tem a sanção da lógica e da experiência. Encontramos os fatos nos fenômenos de manifestações espíritas, que nos dão a prova positiva da existência e da sobrevivência da alma. Há muita gente, porém, que nega a possibilidade dessas comunicações com os Espíritos. São pessoas que acreditam na existência da alma, e conseqüentemente na dos Espíritos, mas sustentam a teoria de que os seres imateriais não podem agir sobre a matéria. Trata-se de uma dúvida originada pela ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, da qual geralmente se faz uma idéia falsa, considerando-os seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Consideremos o Espírito, antes de mais nada, na sua união com o corpo. O Espírito é o elemento principal dessa união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte. O corpo não é mais que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Além desse envoltório material o Espírito possui outro, semimaterial, que o liga ao primeiro. Na morte, o Espírito abandona o corpo, mas não o segundo envoltório, a que chamamos de perispírito. Este envoltório semimaterial, que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para nós no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da matéria.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Não podemos, pois, considerar o espírito como uma simples abstração, mas como um ser limitado e circunscrito, a que só falta ser visível e palpável para assemelhar-se às criaturas humanas. Por que não poderia ele agir sobre a matéria? Pelo fato de ser fluídico o seu corpo? Mas não é entre os fluidos mais rarefeitos, como a eletricidade, por exemplo, e os que se consideram mais imponderáveis, que encontramos as mais poderosas forças motoras?A luz imponderável não exerce ação química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos ainda a natureza íntima do perispírito, mas podemos supô-lo constituindo de substância elétrica, ou de outra espécie de matéria tão sutil como essa. Por que separado não poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;4.&#039;&#039;&#039;  A existência de Deus e da alma, conseqüência uma da outra, constitui a base de todo o edifício do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente às perguntas: “Crê em Deus? Crê na existência da alma? Crê na sobrevivência da alma após a morte”? ou se responder simplesmente: Não sei; desejava que fosse assim, mas não estou certo, o que geralmente equivale a uma negação delicada, disfarçada para não chocar bruscamente o que ele considera preconceitos  respeitáveis, seria inútil prosseguir. Seria como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da luz. As manifestações espíritas são os efeitos das propriedades da alma. Assim, com semelhante interlocutor, se não quisermos perder tempo, só nos resta seguir outra ordem de idéias. Admitidos os princípios básicos, não apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;5.&#039;&#039;&#039;  Resta saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encamados. Mas por que não? Que é o homem, senão um Espírito revestido de corpo material? Qual o motivo por que um Espírito livre não poderia comunicar-se com um Espírito cativo, como o homem livre se comunica com o prisioneiro? Admitida a sobrevivência da alma, seria racional negar-se a sobrevivência das suas afeições? Desde que as almas estão por toda parte, não é natural pensar que a de alguém que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se conosco, e se utilize os meios que estão ao seu dispor? Quando viva na Terra, não agia ela sobre a matéria do seu corpo? Não era ela, a alma, que dirigia os movimentos corporais? Por que, pois, não poderia ela, após a morte, servir-se de outro corpo, de acordo com o Espírito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento, como um mudo se serve de uma pessoa que fala, para fazer-se compreender?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;6.&#039;&#039;&#039;  Afastemos por um instante os fatos que consideramos incontestáveis. Admitamos a comunicação como simples hipótese. Solicitamos aos incrédulos que nos provem, através de razões decisivas, que ela é impossível. Não basta a simples negação, pois seu arbítrio pessoal não é lei. Colocamo-nos no seu próprio terreno, aceitando a apreciação dos fatos espíritas através das leis materiais. Que eles assim, possam tirar, do seu arsenal científico, alguma prova matemática, física, química, mecânica, fisiológica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princípio da existência e da sobrevivência da alma, que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::1º) O ser pensante durante a vida terrena não deve mais pensar depois da morte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::2º) Se ele pensa, não deve mais pensar nos que amou;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::3º) Se pensa nos que amou, não deve querer comunicar-se com eles;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::4º) Se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::5º) Se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::6º) Por meio do seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::7º) Se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser vivo;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::8º) Se pode agir sobre um ser vivo, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::9º) Podendo fazê-lo escrever, não pode responder-lhe as perguntas nem  transmitir-lhe pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando os adversários do Espiritismo nos demonstram que isso tudo não é possível, através de razões tão evidentes como as de Galileu para provar que o Sol não girava em torno da Terra, então poderemos dizer que as suas dúvidas são fundadas. Mas até hoje, infelizmente, toda a sua argumentação se resume nestas palavras: Não creio, porque é impossível. Eles retrucarão, sem dúvida, que cabe a nós provar a realidade das manifestações. Já lhes demos as provas, pelos fatos e pelo raciocínio; se recusam umas e outras, e se negam até mesmo o que vêem, cabe a eles provar que os fatos são impossíveis e que o nosso raciocínio é falso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1) O apóstolo Paulo, como podemos ver na I Epístola aos Coríntios, chama o períspirito de corpo espiritual, que é o corpo da ressurreição. As investigações científicas da Metapsíquica e da Parapsicologia tiveram de enfrentar, malgrado o materialismo dos pesquisadores, a existência desse corpo semimaterial (N. do T. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Além das ações químico-físicas dos elementos imponderáveis, a Parapsicologia moderna provou, em experiências de laboratório, a ação da mente sobre a matéria. O prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou à conclusão de que a mente não é física, mas age por via-extrafísica, sobre o mundo material. Os parapsicólogos soviéticos, materialistas comprovaram a ação mental sobre a matéria, afirmando que o córtex cerebral deve possuir uma energia material ainda não conhecida pelas ciências (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Médiuns]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_EXISTEM_ESP%C3%8DRITOS%3F&amp;diff=11326</id>
		<title>Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Cap._1_%E2%80%93_EXISTEM_ESP%C3%8DRITOS%3F&amp;diff=11326"/>
		<updated>2011-08-08T02:02:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;:&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;1.&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;  A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;:&#039;&#039;&#039;1.&#039;&#039;&#039;  A causa principal da dúvida sobre a existência dos Espíritos é a ignorância da sua verdadeira natureza. Imaginam-se os Espíritos como seres à parte na Criação, sem nenhuma prova da sua necessidade. Muitas pessoas só concedem os Espíritos através das estórias fantasiosas que ouviram em crianças, mais ou menos como as que conhecem História pelos romances. Não procuram saber se essas estórias, desprovidas do pitoresco,podem revelar um fundo verdadeiro, ao lado do absurdo que as choca. Não se dão ao trabalho de quebrar a casca da noz para descobrir a amêndoa. Assim, rejeitam a estória, como fazem os religiosos que, chocados por alguns abusos, afastam-se da religião.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Seja qual for à idéia que se faça dos Espíritos, a crença na sua existência decorre necessariamente do fato de haver um princípio inteligente no Universo, além da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta do referido princípio. Partimos, pois, da aceitação da existência, sobrevivência e individualidade da alma, de que o Espiritualismo em geral nos oferece a demonstração teórica dogmática, e o Espiritismo a demonstração experimental. Mas façamos, por um instante, abstrações das manifestações propriamente ditas, e raciocinemos por indução. Vejamos a que conseqüências chegaremos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;2.&#039;&#039;&#039;  Admitimos a existência da alma e da sua individualidade após a morte, é necessário admitir também:&lt;br /&gt;
                                &lt;br /&gt;
:: 1º) Que a sua natureza é diferente da corpórea, pois ao separar-se do corpo ela não conserva as propriedades materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:: 2º) Que ela possuía consciência própria, pois lhe atribuímos a capacidade de ser feliz ou sofredora, e que tem de ser assim, pois do contrário ela seria um ser inerte e de nada nos valeria a sua existência.&lt;br /&gt;
                                               &lt;br /&gt;
:Admitindo isso, é claro que a alma terá de ir para algum lugar. Mas para onde vai, e o que é feito dela? Segundo a crença comum, ela vai para o Céu ou para o Inferno. Mas onde estão o Céu e o Inferno? Dizia-se antigamente que o Céu estava no alto e o Inferno embaixo. Mas o que é o alto e o baixo no Universo desde que sabemos que a Terra é redonda; que os astros giram, de maneira que o alto e o baixo se revezam cada doze horas para nós; e conhecemos o infinito do espaço, no qual podemos mergulhar a distâncias incomensuráveis?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:É verdade que podemos entender por lugares baixos as profundezas da Terra. Mas o que são hoje essas profundezas, depois das escavações geológicas? O que são, também, essas esferas concêntricas chamadas céu de fogo, céu das estrelas, depois que aprendemos não ser o nosso planeta o centro do Universo, e que o nosso próprio Sol nada mais é do que um entre milhões de sóis que brilham no infinito, sendo cada qual o centro de um turbilhão planetário? Que foi feito da antiga importância da Terra agora perdida nessa imensidade? E por que estranho motivo este imperceptível de areia, que não se distingue pelo seu tamanho, nem pela sua posição, nem qualquer papel particular no cosmo, seria o único povoado de seres racionais? A razão se recusa a admitir essa inutilidade do infinito, e tudo nos diz que esses mundos também são habitados. E se assim é eles também fornecem os seus contingentes para o mundo das almas. Então, voltamos à pergunta: em que se tornam as almas, depois da morte do corpo, e para onde vão? A Astronomia e a Geologia destruíram as suas antigas moradas, e a teoria racional da pluralidade dos mundos habitados multiplicou-as ao infinito. Não havendo concordância entre a doutrina da localização das almas e os dados das ciências, temos de aceitar uma doutrina mais lógica, que não lhes marca este ou aquele lugar circunscrito, mas dá-lhes o espaço infinito: é todo um mundo invisível que nos envolve e no meio do qual vivemos, rodeados por elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Há nisso alguma impossibilidade, qualquer coisa que repugne à razão? Nada, absolutamente. Tudo nos diz, pelo contrário, que não pode ser de outra maneira. Mas em que se transformam as penas e recompensas futuras, se as almas não vão para determinado lugar? Vê-se que a idéia dessas penas e recompensas é absurda e que dá motivo à incredulidade. Mas entendemos que as almas, em vez de penarem ou gozarem em determinado lugar, carregam em seu íntimo, a felicidade ou a desgraça, pois a sorte de cada uma depende de sua condição moral, e que a reunião das almas boas e afins é um motivo de felicidade, e tudo se tornará mais claro. Compreendamos que, segundo o seu grau de pureza, elas percebem e tem visões inacessíveis, às mais grosseiras; que somente pelos esforços que fazem para se melhorarem, e depois das provas necessárias, podem atingir os graus mais elevados; que os anjos são as almas humanas que chegaram ao grau supremo e que todos podem chegar até lá, através da boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus, incumbidos de zelar pela execução de seus desígnios em todo o universo, sendo felizes com essa missão gloriosa; e a felicidade de após morte será uma condição útil e aceitável, mais atraente que a inutilidade perpétua da contemplação eterna. E os demônios? Compreendamos que são almas das criaturas más, ainda não depuradas, mas que podem chegar, como as outras, ao estado de pureza, e a justiça e a bondade de Deus se tornarão racionais, ao contrário do que nos apresenta a doutrina dos seres criados para o mal de maneira irrevogável. Eis, afinal, o que a mais exigente razão, a lógica mais rigorosa, o bom-senso, numa palavra, podem admitir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Como vemos, as almas que povoam o espaço são precisamente o que chamamos de Espíritos. Assim, os Espíritos são apenas as almas humanas, despojadas do seu invólucro corporal. Se os Espíritos fossem seres à parte na Criação, sua existência seria mais hipotética. Admitindo a existência das almas, temos de admitir a dos Espíritos, que nada mais são do que as almas. E se admitimos que as almas estão por toda parte, é necessário admitir que os Espíritos também estão. Não se pode, pois, negar a existência dos Espíritos sem negar a das almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;3.&#039;&#039;&#039;  Tudo isto não passa de uma teoria mais racional do que a outra. Mas já não é bastante ser uma teoria que a razão e a ciência não contradizem? Além disso, ela é corroborada pelos fatos e tem a sanção da lógica e da experiência. Encontramos os fatos nos fenômenos de manifestações espíritas, que nos dão a prova positiva da existência e da sobrevivência da alma. Há muita gente, porém, que nega a possibilidade dessas comunicações com os Espíritos. São pessoas que acreditam na existência da alma, e conseqüentemente na dos Espíritos, mas sustentam a teoria de que os seres imateriais não podem agir sobre a matéria. Trata-se de uma dúvida originada pela ignorância da verdadeira natureza dos Espíritos, da qual geralmente se faz uma idéia falsa, considerando-os seres abstratos, vagos e indefinidos, o que não é verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Consideremos o Espírito, antes de mais nada, na sua união com o corpo. O Espírito é o elemento principal dessa união, pois é o ser pensante e que sobrevive à morte. O corpo não é mais que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar. Além desse envoltório material o Espírito possui outro, semimaterial, que o liga ao primeiro. Na morte, o Espírito abandona o corpo, mas não o segundo envoltório, a que chamamos de perispírito. Este envoltório semimaterial, que tem a mesma forma humana do corpo, é uma espécie de corpo fluídico, vaporoso, invisível para nós no seu estado normal, mas possuindo ainda algumas propriedades da matéria.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:Não podemos, pois, considerar o espírito como uma simples abstração, mas como um ser limitado e circunscrito, a que só falta ser visível e palpável para assemelhar-se às criaturas humanas. Por que não poderia ele agir sobre a matéria? Pelo fato de ser fluídico o seu corpo? Mas não é entre os fluidos mais rarefeitos, como a eletricidade, por exemplo, e os que se consideram mais imponderáveis, que encontramos as mais poderosas forças motoras?A luz imponderável não exerce ação química sobre a matéria ponderável? Não conhecemos ainda a natureza íntima do perispírito, mas podemos supô-lo constituindo de substância elétrica, ou de outra espécie de matéria tão sutil como essa. Por que separado não poderia agir da mesma maneira, dirigido pela vontade? (2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;4.&#039;&#039;&#039;  A existência de Deus e da alma, conseqüência uma da outra, constitui a base de todo o edifício do Espiritismo. Antes de aceitarmos qualquer discussão espírita, temos de assegurar-nos se o interlocutor admite essa base. Se ele responder negativamente às perguntas: “Crê em Deus? Crê na existência da alma? Crê na sobrevivência da alma após a morte”? ou se responder simplesmente: Não sei; desejava que fosse assim, mas não estou certo, o que geralmente equivale a uma negação delicada, disfarçada para não chocar bruscamente o que ele considera preconceitos  respeitáveis, seria inútil prosseguir. Seria como querer demonstrar as propriedades da luz a um cego que não admitisse a existência da luz. As manifestações espíritas são os efeitos das propriedades da alma. Assim, com semelhante interlocutor, se não quisermos perder tempo, só nos resta seguir outra ordem de idéias. Admitidos os princípios básicos, não apenas como probabilidade, mas como coisa averiguada, incontestável, a existência dos Espíritos será uma decorrência natural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;5.&#039;&#039;&#039;  Resta saber se o Espírito pode comunicar-se com o homem, permutar pensamentos com os encamados. Mas por que não? Que é o homem, senão um Espírito revestido de corpo material? Qual o motivo por que um Espírito livre não poderia comunicar-se com um Espírito cativo, como o homem livre se comunica com o prisioneiro? Admitida a sobrevivência da alma, seria racional negar-se a sobrevivência das suas afeições? Desde que as almas estão por toda parte, não é natural pensar que a de alguém que nos amou durante a vida venha procurar-nos desejando comunicar-se conosco, e se utilize os meios que estão ao seu dispor? Quando viva na Terra, não agia ela sobre a matéria do seu corpo? Não era ela, a alma, que dirigia os movimentos corporais? Por que, pois, não poderia ela, após a morte, servir-se de outro corpo, de acordo com o Espírito nele encarnado, para manifestar o seu pensamento, como um mudo se serve de uma pessoa que fala, para fazer-se compreender?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:&#039;&#039;&#039;6.&#039;&#039;&#039;  Afastemos por um instante os fatos que consideramos incontestáveis. Admitamos a comunicação como simples hipótese. Solicitamos aos incrédulos que nos provem, através de razões decisivas, que ela é impossível. Não basta a simples negação, pois seu arbítrio pessoal não é lei. Colocamo-nos no seu próprio terreno, aceitando a apreciação dos fatos espíritas através das leis materiais. Que eles assim, possam tirar, do seu arsenal científico, alguma prova matemática, física, química, mecânica, fisiológica, demonstrando por a mais b, sempre a partir do princípio da existência e da sobrevivência da alma, que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::1º) O ser pensante durante a vida terrena não deve mais pensar depois da morte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::2º) Se ele pensa, não deve mais pensar nos que amou;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::3º) Se pensa nos que amou, não deve querer comunicar-se com eles;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::4º) Se pode estar em toda parte, não pode estar ao nosso lado;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::5º) Se está ao nosso lado, não pode comunicar-se conosco;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::6º) Por meio do seu corpo fluídico, não pode agir sobre a matéria inerte;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::7º) Se pode agir sobre a matéria inerte, não pode agir sobre um ser vivo;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::8º) Se pode agir sobre um ser vivo, não pode dirigir-lhe a mão para fazê-lo escrever;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
::9º) Podendo fazê-lo escrever, não pode responder-lhe as perguntas nem  transmitir-lhe pensamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando os adversários do Espiritismo nos demonstram que isso tudo não é possível, através de razões tão evidentes como as de Galileu para provar que o Sol não girava em torno da Terra, então poderemos dizer que as suas dúvidas são fundadas. Mas até hoje, infelizmente, toda a sua argumentação se resume nestas palavras: Não creio, porque é impossível. Eles retrucarão, sem dúvida, que cabe a nós provar a realidade das manifestações. Já lhes demos as provas, pelos fatos e pelo raciocínio; se recusam umas e outras, e se negam até mesmo o que vêem, cabe a eles provar que os fatos são impossíveis e que o nosso raciocínio é falso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
(1) O apóstolo Paulo, como podemos ver na I Epístola aos Coríntios, chama o períspirito de corpo espiritual, que é o corpo da ressurreição. As investigações científicas da Metapsíquica e da Parapsicologia tiveram de enfrentar, malgrado o materialismo dos pesquisadores, a existência desse corpo semimaterial (N. do T. )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Além das ações químico-físicas dos elementos imponderáveis, a Parapsicologia moderna provou, em experiências de laboratório, a ação da mente sobre a matéria. O prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos, chegou à conclusão de que a mente não é física, mas age por via-extrafísica, sobre o mundo material. Os parapsicólogos soviéticos, materialistas comprovaram a ação mental sobre a matéria, afirmando que o córtex cerebral deve possuir uma energia material ainda não conhecida pelas ciências (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Parte 1 – NOÇÕES PRELIMINARES==&lt;br /&gt;
[[Cap. 1 – EXISTEM ESPÍRITOS?]], [[Cap. 2 – O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL]], [[Cap. 3 – MÉTODO]], [[Cap. 4 – SISTEMAS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VIII_%E2%80%93_Esquecimento_do_Passado&amp;diff=11323</id>
		<title>VIII – Esquecimento do Passado</title>
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		<updated>2011-08-06T04:52:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* 392. Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado-? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==392. Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado-?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria ofuscado como aquele que passa sem transição da obscuridade para a luz Pelo esquecimento do passado, ele é mais ele mesmo.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas dos quais não se recorda? Como pode aproveitar-se da experiência adquiria em existências que caíram no esquecimento? Seria concebível que as tribulações da vida fossem para ele uma lição, se pudesse lembrar-se daquilo que as atraiu mas desde que não se recorda, cada existência é para ele como se fosse a primeira, e é assim que ele está sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—A cada nova existência o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal. Onde estaria o seu mérito se ele se recordasse de todo o passado? Quando o Espírito entra na sua vida de origem (a vida espírita) toda a sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas cometidas e que são causa do seu sofrimento, bem como aquilo que poderia tê-lo impedido de cometê-las; compreende a justiça da posição que lhe é dada e procura então a existência necessária a reparara que acaba de escoar-se.  Procura provas semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores para o ajudarem na nova tarefa a empreender, porque sabe que o Espírito que lhe será dado por guia nessa nova existência procurará fazê-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das que ele cometeu. Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e ao qual resistis instintivamente, atribuindo a vossa resistência, na maioria das vezes, aos princípios que recebestes de vossos pais, enquanto é a voz da consciência que vos fala e essa voz e a recordação do passado, voz que vos adverte para não cairdes nas faltas anteriormente cometidas. Nessa nova existência, se o Espírito sofrer as suas provas com coragem e souber resistir, eleva-se a si próprio e ascenderá na hierarquia dos Espíritos, quando voltar para o meio deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Se não temos, durante a vida corpórea, uma lembrança precisa daquilo que fomos, e do que fizemos de bem ou de mal em nossas existências anteriores, temos,entretanto, a sua intuição. E as nossas tendências instintivas são uma reminiscência do nosso passado, as quais a nossa consciência, — que representa o desejo por nós concebido de não mais cometer as mesmas faltas — adverte que devemos resistir.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==394. Nos mundos mais adiantados que o nosso, onde não existem todas as nossas necessidades físicas e as nossas enfermidades, os homens compreendem que são mais felizes do que nós? A felicidade, em geral, é relativa; sentimo-la por comparação com um estado menos feliz. Como, em suma, alguns desses mundos, embora melhores que o nosso, não chegaram ao estado de perfeição, os homens que os habitam devem ter motivos de aborrecimento a seu modo. Entre nós, o rico, ainda que não sofra a angústia das necessidades materiais, como o pobre, não está menos sujeito a tribulações que lhe amarguram a vida. Ora, pergunto se, na sua posição, os habitantes desses mundos não se sentem tão infelizes quanto nós e não lastimam a própria sorte, já que não têm a lembrança de uma existência inferior para comparação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A isto e preciso dar duas respostas diferentes. Há mundos, entre aqueles de que falas, em que os habitantes, situados, como dizes, em melhores condições que vós, nem por isso estão menos sujeitos a grandes desgostos, e mesmo a infelicidades. Estes não apreciam a sua felicidade pelo fato mesmo de não se lembrarem de um estado ainda mais infeliz. Se, entretanto não a apreciam como homens, o fazem como Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Não há, no esquecimento dessas existências passadas sobretudo quando foram penosas, alguma coisa de providenciai, onde se revela a sabedoria divina?&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;É nos mundos superiores,  quando a lembrança das existências infelizes não passa de um sonho mau que elas se apresentam à memória. Nos mundos inferiores as infelicidades presentes não seriam agravadas pela recordação de tudo aquilo que tivesse suportado?&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Concluamos, portanto, que tudo quanto Deus fez é bem feito e que não nos cabe criticar as suas obras e dizer como ele deveria ter regulado o Universo.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A lembrança de nossas individualidades anteriores teria gravíssimos inconvenientes. Poderia em certos casos, humilhar-nos extraordinariamente; em  outros, exaltar o nosso orgulho e por isso mesmo entravar o nosso livre-arbítrio Deus, nos deu para nos melhorarmos, justamente o que nos é necessário e suficiente; a voz da consciência e nossas tendências instintivas, tirando-nos aquilo que poderia prejudicar-nos. Acrescentemos ainda que, se tivéssemos a lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos a dos atos alheios, e esse conhecimento poderia ter os mais desagradáveis  efeitos sobre as relações sociais. Não havendo sempre motivo para nos orgulharmos do nosso passado, é quase sempre uma felicidade que um véu seja lançado sobre ele. Isso concorda perfeitamente com a doutrina dos espíritos sobre os mundos superiores aos nossos. Nesses mundos, onde não reina senão o bem, a lembrança do passado nada tem de penosa; é por isso que neles se recorda com freqüência a existência precedente.como nos lembramos do que fizemos na véspera. Quanto á passagem que se possa ter tido por mundos inferiores, a sua lembrança nada mais é, como dissemos, que um sonho mau.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==395. Podemos ter algumas revelações sobre as nossas existências anteriores?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—  Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; se lhes fosse permitido dizê-lo abertamente, fariam singulares revelações sobre o passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==396. Algumas pessoas crêem ter a vaga lembrança de um passado desconhecido, vislumbrado como imagem fugitiva de um sonho, que em vão se procura deter. Essa idéia não seria uma ilusão?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Algumas vezes é real; mas quase sempre é também uma ilusão, contra a qual se deve precaver, pois pode ser o efeito de uma imaginação superexcitada.                         &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==397. Nas existências corpóreas de natureza mais elevada que a nossa, a lembrança das existências anteriores é mais precisa?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, à medida que o corpo é menos material, recorda-se melhor. A lembrança do passado é mais clara para aqueles que habitam os mundos de uma ordem superior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==398. As tendências instintivas do homem, sendo uma reminiscência do seu passado, pelo estudo dessas tendências ele poderá conhecer as faltas que cometeu?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sem duvida, até certo ponto; mas é necessário ter em conta a melhora que se possa ter operado no Espírito e as resoluções que ele tomou no seu estado errante. A existência atual pode ser muito melhor que a precedente.(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==398 – a) Pode ela ser pior? Por outras palavras, pode o homem cometer numa existência faltas não cometidas na precedente?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso depende do seu adiantamento. Se ele não souber resistir às provas, pode ser arrastado a novas faltas, que serão a conseqüência da posição por ele mesmo escolhida. Mas, em geral, essas faltas denunciam antes um estado estacionário do que retrógrado, porque o Espírito pode avançar ou se deter, mas não recuar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==399. Sendo as vicissitudes da vida corpórea ao mesmo tempo uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, da natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se o gênero da existência anterior?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Muito freqüentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou. Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências instintivas são um índice mais seguro, porque as provas que um Espírito sofre, tanto se referem ao futuro quanto ao passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Chegado ao termo que a Providência marcou para a sua vida errante, o Espírito escolhe por ele mesmo as provas às quais deseja submeter-se, para apressar o seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência que acredita mais apropriado a lhe fornecer os meios, e essas provas estão sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se nelas triunfa, ele se eleva; se sucumbe, tem de recomeçar.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O Espírito goza sempre do seu livre-arbítrio. É em virtude dessa liberdade que, no estado de Espírito, escolhe as provas da vida corpórea e, no estado de encarnado,delibera o que fará ou não fará, escolhendo entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzi-lo à condição de máquina.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Integrado na vida corpórea, o Espírito perde momentaneamente a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. Não obstante, tem.,às vezes, uma vaga consciência, e elas podem mesmo lhe ser reveladas em certas circunstâncias. Mas isto não acontece senão pela vontade dos Espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil e jamais para satisfazer uma curiosidade vã.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As existências futuras não podem ser reveladas em caso algum, por dependerem da maneira por que se cumpre a existência presente e da escolha ulterior do Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O esquecimento das faltas cometidas não é obstáculo à melhoria do Espírito porque, se ele não tem uma lembrança precisa, o conhecimento que delas teve no  estado errante e o desejo que concebeu de as reparar guiam-no pela intuição e lhe dão o pensamento de resistir ao mal. Este pensamento é a voz da consciência, secundada pelos Espíritos que o assistem, se ele atende às boas inspirações que estes lhe sugerem.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Se o homem não conhece os próprios atos que cometeu em suas existências anteriores, pode sempre saber qual o gênero de faltas de que se tornou culpado e  qual era o seu caráter dominante. Basta que se estude a si mesmo e poderá julgar o que foi, não pelo que é. mas pelas suas tendências.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As vicissitudes da vida corpórea são, ao mesmo tempo, uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos depuram e nos elevam, se as sofremos com resignação e sem reclamações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A natureza das vicissitudes e das provas que sofremos pode também esclarecer-nos sobre o que fomos e o que fizemos, como neste mundo julgamos os atos de um criminoso pelo castigo que a lei lhe inflige. Assim, este será castigado no seu orgulho pela humilhação de uma existência subalterna; o mau rico e avarento, pela miséria; aquele que foi duro para os outros, pelos tratamentos duros que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão dos seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado etc.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Nota==&lt;br /&gt;
(1) Algumas traduções dizem: “Esquecido de seu passado, ele é mais senhor de si” A frase francesa e a seguinte: “Par l ‘oubi du passe, i] est pius lui-même” O fato de “ser e é mesmo “a nova encarnação, parece-nos mais significativo do que ser “senhor de si” (N . do T) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) As pessoas que tanto se interessam por saber o que foram em vidas anteriores deve prestar atenção a estes itens. Pelo estudo de suas tendências atuais, não esquecendo o progresso que devem ter realizado, teriam uma idéia do que foram e do que fizeram. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VIII_%E2%80%93_Esquecimento_do_Passado&amp;diff=11322</id>
		<title>VIII – Esquecimento do Passado</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VIII_%E2%80%93_Esquecimento_do_Passado&amp;diff=11322"/>
		<updated>2011-08-06T04:52:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==392. Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado-?==  — O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encob…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==392. Por que o Espírito encarnado perde a lembrança do seu passado-?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O homem nem pode nem deve saber tudo; Deus assim o quer na sua sabedoria. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria ofuscado como aquele que passa sem transição da obscuridade para a luz Pelo esquecimento do passado, ele é mais ele mesmo(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==393. Como pode o homem ser responsável por atos e resgatar faltas dos quais não se recorda? Como pode aproveitar-se da experiência adquiria em existências que caíram no esquecimento? Seria concebível que as tribulações da vida fossem para ele uma lição, se pudesse lembrar-se daquilo que as atraiu mas desde que não se recorda, cada existência é para ele como se fosse a primeira, e é assim que ele está sempre a recomeçar. Como conciliar isto com a justiça de Deus?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—A cada nova existência o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal. Onde estaria o seu mérito se ele se recordasse de todo o passado? Quando o Espírito entra na sua vida de origem (a vida espírita) toda a sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas cometidas e que são causa do seu sofrimento, bem como aquilo que poderia tê-lo impedido de cometê-las; compreende a justiça da posição que lhe é dada e procura então a existência necessária a reparara que acaba de escoar-se.  Procura provas semelhantes àquelas por que passou, ou as lutas que acredita apropriadas ao seu adiantamento e pede a Espíritos que lhe são superiores para o ajudarem na nova tarefa a empreender, porque sabe que o Espírito que lhe será dado por guia nessa nova existência procurará fazê-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das que ele cometeu. Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo criminoso que freqüentemente vos assalta e ao qual resistis instintivamente, atribuindo a vossa resistência, na maioria das vezes, aos princípios que recebestes de vossos pais, enquanto é a voz da consciência que vos fala e essa voz e a recordação do passado, voz que vos adverte para não cairdes nas faltas anteriormente cometidas. Nessa nova existência, se o Espírito sofrer as suas provas com coragem e souber resistir, eleva-se a si próprio e ascenderá na hierarquia dos Espíritos, quando voltar para o meio deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Se não temos, durante a vida corpórea, uma lembrança precisa daquilo que fomos, e do que fizemos de bem ou de mal em nossas existências anteriores, temos,entretanto, a sua intuição. E as nossas tendências instintivas são uma reminiscência do nosso passado, as quais a nossa consciência, — que representa o desejo por nós concebido de não mais cometer as mesmas faltas — adverte que devemos resistir.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==394. Nos mundos mais adiantados que o nosso, onde não existem todas as nossas necessidades físicas e as nossas enfermidades, os homens compreendem que são mais felizes do que nós? A felicidade, em geral, é relativa; sentimo-la por comparação com um estado menos feliz. Como, em suma, alguns desses mundos, embora melhores que o nosso, não chegaram ao estado de perfeição, os homens que os habitam devem ter motivos de aborrecimento a seu modo. Entre nós, o rico, ainda que não sofra a angústia das necessidades materiais, como o pobre, não está menos sujeito a tribulações que lhe amarguram a vida. Ora, pergunto se, na sua posição, os habitantes desses mundos não se sentem tão infelizes quanto nós e não lastimam a própria sorte, já que não têm a lembrança de uma existência inferior para comparação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A isto e preciso dar duas respostas diferentes. Há mundos, entre aqueles de que falas, em que os habitantes, situados, como dizes, em melhores condições que vós, nem por isso estão menos sujeitos a grandes desgostos, e mesmo a infelicidades. Estes não apreciam a sua felicidade pelo fato mesmo de não se lembrarem de um estado ainda mais infeliz. Se, entretanto não a apreciam como homens, o fazem como Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Não há, no esquecimento dessas existências passadas sobretudo quando foram penosas, alguma coisa de providenciai, onde se revela a sabedoria divina?&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;É nos mundos superiores,  quando a lembrança das existências infelizes não passa de um sonho mau que elas se apresentam à memória. Nos mundos inferiores as infelicidades presentes não seriam agravadas pela recordação de tudo aquilo que tivesse suportado?&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Concluamos, portanto, que tudo quanto Deus fez é bem feito e que não nos cabe criticar as suas obras e dizer como ele deveria ter regulado o Universo.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A lembrança de nossas individualidades anteriores teria gravíssimos inconvenientes. Poderia em certos casos, humilhar-nos extraordinariamente; em  outros, exaltar o nosso orgulho e por isso mesmo entravar o nosso livre-arbítrio Deus, nos deu para nos melhorarmos, justamente o que nos é necessário e suficiente; a voz da consciência e nossas tendências instintivas, tirando-nos aquilo que poderia prejudicar-nos. Acrescentemos ainda que, se tivéssemos a lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos a dos atos alheios, e esse conhecimento poderia ter os mais desagradáveis  efeitos sobre as relações sociais. Não havendo sempre motivo para nos orgulharmos do nosso passado, é quase sempre uma felicidade que um véu seja lançado sobre ele. Isso concorda perfeitamente com a doutrina dos espíritos sobre os mundos superiores aos nossos. Nesses mundos, onde não reina senão o bem, a lembrança do passado nada tem de penosa; é por isso que neles se recorda com freqüência a existência precedente.como nos lembramos do que fizemos na véspera. Quanto á passagem que se possa ter tido por mundos inferiores, a sua lembrança nada mais é, como dissemos, que um sonho mau.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==395. Podemos ter algumas revelações sobre as nossas existências anteriores?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—  Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; se lhes fosse permitido dizê-lo abertamente, fariam singulares revelações sobre o passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==396. Algumas pessoas crêem ter a vaga lembrança de um passado desconhecido, vislumbrado como imagem fugitiva de um sonho, que em vão se procura deter. Essa idéia não seria uma ilusão?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Algumas vezes é real; mas quase sempre é também uma ilusão, contra a qual se deve precaver, pois pode ser o efeito de uma imaginação superexcitada.                         &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==397. Nas existências corpóreas de natureza mais elevada que a nossa, a lembrança das existências anteriores é mais precisa?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, à medida que o corpo é menos material, recorda-se melhor. A lembrança do passado é mais clara para aqueles que habitam os mundos de uma ordem superior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==398. As tendências instintivas do homem, sendo uma reminiscência do seu passado, pelo estudo dessas tendências ele poderá conhecer as faltas que cometeu?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sem duvida, até certo ponto; mas é necessário ter em conta a melhora que se possa ter operado no Espírito e as resoluções que ele tomou no seu estado errante. A existência atual pode ser muito melhor que a precedente.(2)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==398 – a) Pode ela ser pior? Por outras palavras, pode o homem cometer numa existência faltas não cometidas na precedente?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso depende do seu adiantamento. Se ele não souber resistir às provas, pode ser arrastado a novas faltas, que serão a conseqüência da posição por ele mesmo escolhida. Mas, em geral, essas faltas denunciam antes um estado estacionário do que retrógrado, porque o Espírito pode avançar ou se deter, mas não recuar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==399. Sendo as vicissitudes da vida corpórea ao mesmo tempo uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro, segue-se que, da natureza dessas vicissitudes, possa induzir-se o gênero da existência anterior?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Muito freqüentemente, pois cada um é punido naquilo em que pecou. Entretanto, não se deve tirar daí uma regra absoluta; as tendências instintivas são um índice mais seguro, porque as provas que um Espírito sofre, tanto se referem ao futuro quanto ao passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Chegado ao termo que a Providência marcou para a sua vida errante, o Espírito escolhe por ele mesmo as provas às quais deseja submeter-se, para apressar o seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência que acredita mais apropriado a lhe fornecer os meios, e essas provas estão sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se nelas triunfa, ele se eleva; se sucumbe, tem de recomeçar.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O Espírito goza sempre do seu livre-arbítrio. É em virtude dessa liberdade que, no estado de Espírito, escolhe as provas da vida corpórea e, no estado de encarnado,delibera o que fará ou não fará, escolhendo entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzi-lo à condição de máquina.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Integrado na vida corpórea, o Espírito perde momentaneamente a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse. Não obstante, tem.,às vezes, uma vaga consciência, e elas podem mesmo lhe ser reveladas em certas circunstâncias. Mas isto não acontece senão pela vontade dos Espíritos superiores, que o fazem espontaneamente, com um fim útil e jamais para satisfazer uma curiosidade vã.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As existências futuras não podem ser reveladas em caso algum, por dependerem da maneira por que se cumpre a existência presente e da escolha ulterior do Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O esquecimento das faltas cometidas não é obstáculo à melhoria do Espírito porque, se ele não tem uma lembrança precisa, o conhecimento que delas teve no  estado errante e o desejo que concebeu de as reparar guiam-no pela intuição e lhe dão o pensamento de resistir ao mal. Este pensamento é a voz da consciência, secundada pelos Espíritos que o assistem, se ele atende às boas inspirações que estes lhe sugerem.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Se o homem não conhece os próprios atos que cometeu em suas existências anteriores, pode sempre saber qual o gênero de faltas de que se tornou culpado e  qual era o seu caráter dominante. Basta que se estude a si mesmo e poderá julgar o que foi, não pelo que é. mas pelas suas tendências.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;As vicissitudes da vida corpórea são, ao mesmo tempo, uma expiação das faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos depuram e nos elevam, se as sofremos com resignação e sem reclamações.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A natureza das vicissitudes e das provas que sofremos pode também esclarecer-nos sobre o que fomos e o que fizemos, como neste mundo julgamos os atos de um criminoso pelo castigo que a lei lhe inflige. Assim, este será castigado no seu orgulho pela humilhação de uma existência subalterna; o mau rico e avarento, pela miséria; aquele que foi duro para os outros, pelos tratamentos duros que sofrerá; o tirano, pela escravidão; o mau filho, pela ingratidão dos seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado etc.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Nota==&lt;br /&gt;
(1) Algumas traduções dizem: “Esquecido de seu passado, ele é mais senhor de si” A frase francesa e a seguinte: “Par l ‘oubi du passe, i] est pius lui-même” O fato de “ser e é mesmo “a nova encarnação, parece-nos mais significativo do que ser “senhor de si” (N . do T) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) As pessoas que tanto se interessam por saber o que foram em vidas anteriores deve prestar atenção a estes itens. Pelo estudo de suas tendências atuais, não esquecendo o progresso que devem ter realizado, teriam uma idéia do que foram e do que fizeram. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Da_Inf%C3%A2ncia&amp;diff=11321</id>
		<title>VI – Da Infância</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Da_Inf%C3%A2ncia&amp;diff=11321"/>
		<updated>2011-08-06T04:42:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==379. O Espírito que anima o corpo de uma criança é tão desenvolvido  quanto o de um adulto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode mesmo ser mais, se ele mais progrediu, pois são apenas os órgãos imperfeitos que o impedem de se manifestar. Age de acordo com o instrumento de que se serve.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==380. Numa criança de tenra idade, o Espírito, fora do obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, pensa como uma criança ou como um adulto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Enquanto criança, é natural que os órfãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não possam dar-lhe toda a intuição de um adulto: sua inteligência, com efeito, é bastante limitada, até que a idade lhe amadureça a razão. A perturbação que acompanha a encarnação não cessa de súbito com o nascimento e só se dissipa com o desenvolvimento dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Uma observação vem ao apoio desta resposta: é que os sonhos de uma criança não têm o caráter dos sonhos de um adulto; seu objeto é quase sempre pueril, o que é um indício da natureza das preocupações do Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==381. Com a morte da criança o Espírito retoma imediatamente o seu vigor primitivo?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Assim deve ser, pois que está desembaraçado do seu envoltório carnal: entretanto, ele não retoma a sua lucidez, primitiva enquanto a separação não estiver completa, ou seja, enquanto não desaparecer toda ligação entre o Espírito e o corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==382. O Espírito encarnado sofre, durante a infância, com o constrangimento imposto pela imperfeição dos seus órgãos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; esse estado é uma necessidade; c natural e corresponde aos desígnios da Providência. É um tempo de repouso para o Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==383. Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pela infância?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Encarnando-se com o fim de se aperfeiçoar, o Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==384. Por que os primeiros gritos da criança são de choro?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Para excitar o interesse da mãe e provocar os cuidados necessários. Não compreendes que, se ela só tivesse gritos de alegria, quando ainda não sabe falar, pouco se inquietariam com as suas necessidades? Admirai, pois, em tudo, a sabedoria da Providência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==385. Qual o motivo da mudança que se opera no seu caráter a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É o Espírito que retoma a sua natureza e se mostra tal qual era.  Não conheceis o mistério que as crianças ocultam em sua inocência; não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão; e no entanto as amais e acariciais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal maneira que o amor de uma mãe por seus filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outros seres. De onde vêm essa doce afeição, essa terna complacência que até mesmo os estranhos experimentam por uma criança? Vós sabeis? Não; e é isso que vou explicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As crianças são os seres que Deus envia a novas existências e, para que não possam acusá-lo de demasiada severidade, dá-lhes todas as aparências de inocência. Mesmo numa criança de natureza má, suas faltas são cobertas pela não-consciência dos atos. Esta inocência não é uma superioridade real, em relação ao que elas eram antes; não, é apenas a imagem do que elas deveriam ser, e se não o são, é sobre elas somente que recai a culpa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não é somente por ela que Deus lhe dá esse aspecto, é também e sobretudo por seus pais, cujo amor é necessário à fragilidade infantil. E esse amor seria extraordinariamente enfraquecido pela presença de um caráter impertinente e acerbo, enquanto, supondo os filhos bons e ternos, dão-lhes toda a afeição e os envolvem nos mais delicados cuidados. Mas quando as crianças não mais necessitam dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dispensada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez: permanecem boas, se eram fundamentalmente boas, mas se irisam sempre de matizes que estavam na primeira infância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber-se a explicação a respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com efeito, ponderai que o Espírito da criança que nasce entre vós pode vir de um mundo em que tenha adquirido hábitos inteiramente diferentes; como quereríeis que permanecesse no vosso meio esse novo ser, que traz paixões tão diversas das que possuís, inclinações e gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse no vosso ambiente, senão como Deus quis, ou seja, depois de haver passado pela preparação da infância ? Nesta vêm confundir-se todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos em que se desenvolvem as criaturas. E vós mesmos, ao morrer, estareis numa espécie de infância,  no meio de novos irmãos, e na vossa nova existência não terrena ignorareis os hábitos, os costumes, as formas de relação desse mundo, novo para vós, manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituados a falar, língua mais vivaz do que o é atualmente o vosso pensamento. (Ver item 219.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A infância tem ainda outra utilidade: os Espíritos não ingressam na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, para se melhorarem; a debilidade dos primeiros anos os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência  e daqueles que devem fazê-los progredir. É então que se pode reformar o seu caráter e reprimir as suas más tendências. Esse é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão de responder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É assim que  a infância é não somente útil,  necessária, indispensável mas ainda a  conseqüência natural das leis  Deus estabeleceu e que regem o Universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Nota==&lt;br /&gt;
(1) Os pais e os professores espíritas devem ponderar sobre este item e os que se lhe seguem. O Espiritismo vem abrir um novo capítulo da psicologia infantil e da pedagogia, mostrando a importância da educação da criança não apenas para esta vida mas para a sua própria evolução espiritual. (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Da_Inf%C3%A2ncia&amp;diff=11320</id>
		<title>VI – Da Infância</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Da_Inf%C3%A2ncia&amp;diff=11320"/>
		<updated>2011-08-06T04:41:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* 383. Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pela infância? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==379. O Espírito que anima o corpo de uma criança é tão desenvolvido  quanto o de um adulto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode mesmo ser mais, se ele mais progrediu, pois são apenas os órgãos imperfeitos que o impedem de se manifestar. Age de acordo com o instrumento de que se serve.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==380. Numa criança de tenra idade, o Espírito, fora do obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, pensa como uma criança ou como um adulto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Enquanto criança, é natural que os órfãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não possam dar-lhe toda a intuição de um adulto: sua inteligência, com efeito, é bastante limitada, até que a idade lhe amadureça a razão. A perturbação que acompanha a encarnação não cessa de súbito com o nascimento e só se dissipa com o desenvolvimento dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Uma observação vem ao apoio desta resposta: é que os sonhos de uma criança não têm o caráter dos sonhos de um adulto; seu objeto é quase sempre pueril, o que é um indício da natureza das preocupações do Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==381. Com a morte da criança o Espírito retoma imediatamente o seu vigor primitivo?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Assim deve ser, pois que está desembaraçado do seu envoltório carnal: entretanto, ele não retoma a sua lucidez, primitiva enquanto a separação não estiver completa, ou seja, enquanto não desaparecer toda ligação entre o Espírito e o corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==382. O Espírito encarnado sofre, durante a infância, com o constrangimento imposto pela imperfeição dos seus órgãos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; esse estado é uma necessidade; c natural e corresponde aos desígnios da Providência. É um tempo de repouso para o Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==383. Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pela infância?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Encarnando-se com o fim de se aperfeiçoar, o Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação.(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==384. Por que os primeiros gritos da criança são de choro?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Para excitar o interesse da mãe e provocar os cuidados necessários. Não compreendes que, se ela só tivesse gritos de alegria, quando ainda não sabe falar, pouco se inquietariam com as suas necessidades? Admirai, pois, em tudo, a sabedoria da Providência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==385. Qual o motivo da mudança que se opera no seu caráter a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É o Espírito que retoma a sua natureza e se mostra tal qual era.  Não conheceis o mistério que as crianças ocultam em sua inocência; não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão; e no entanto as amais e acariciais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal maneira que o amor de uma mãe por seus filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outros seres. De onde vêm essa doce afeição, essa terna complacência que até mesmo os estranhos experimentam por uma criança? Vós sabeis? Não; e é isso que vou explicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As crianças são os seres que Deus envia a novas existências e, para que não possam acusá-lo de demasiada severidade, dá-lhes todas as aparências de inocência. Mesmo numa criança de natureza má, suas faltas são cobertas pela não-consciência dos atos. Esta inocência não é uma superioridade real, em relação ao que elas eram antes; não, é apenas a imagem do que elas deveriam ser, e se não o são, é sobre elas somente que recai a culpa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não é somente por ela que Deus lhe dá esse aspecto, é também e sobretudo por seus pais, cujo amor é necessário à fragilidade infantil. E esse amor seria extraordinariamente enfraquecido pela presença de um caráter impertinente e acerbo, enquanto, supondo os filhos bons e ternos, dão-lhes toda a afeição e os envolvem nos mais delicados cuidados. Mas quando as crianças não mais necessitam dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dispensada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez: permanecem boas, se eram fundamentalmente boas, mas se irisam sempre de matizes que estavam na primeira infância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber-se a explicação a respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com efeito, ponderai que o Espírito da criança que nasce entre vós pode vir de um mundo em que tenha adquirido hábitos inteiramente diferentes; como quereríeis que permanecesse no vosso meio esse novo ser, que traz paixões tão diversas das que possuís, inclinações e gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse no vosso ambiente, senão como Deus quis, ou seja, depois de haver passado pela preparação da infância ? Nesta vêm confundir-se todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos em que se desenvolvem as criaturas. E vós mesmos, ao morrer, estareis numa espécie de infância,  no meio de novos irmãos, e na vossa nova existência não terrena ignorareis os hábitos, os costumes, as formas de relação desse mundo, novo para vós, manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituados a falar, língua mais vivaz do que o é atualmente o vosso pensamento. (Ver item 219.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A infância tem ainda outra utilidade: os Espíritos não ingressam na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, para se melhorarem; a debilidade dos primeiros anos os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência  e daqueles que devem fazê-los progredir. É então que se pode reformar o seu caráter e reprimir as suas más tendências. Esse é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão de responder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É assim que  a infância é não somente útil,  necessária, indispensável mas ainda a  conseqüência natural das leis  Deus estabeleceu e que regem o Universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VII_%E2%80%93_Simpatias_e_Antipatias_Terrenas&amp;diff=11319</id>
		<title>VII – Simpatias e Antipatias Terrenas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VII_%E2%80%93_Simpatias_e_Antipatias_Terrenas&amp;diff=11319"/>
		<updated>2011-08-06T04:38:53Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==386 Dois seres que se conheceram e se amaram podem encontrar se noutra existência corpórea e se reconhecerem?==                  - Reconhecerem-se, não; mas serem atraídos …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==386 Dois seres que se conheceram e se amaram podem encontrar se noutra existência corpórea e se reconhecerem?==                &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Reconhecerem-se, não; mas serem atraídos um pelo outro sim; e freqüentemente as ligações íntimas, fundadas numa afeição sincera, não provem de outra causa. Dois seres se aproximam um do outro por circunstâncias aparentemente fortuitas, mas que são o resultado da atração de dois Espíritos que se buscam através da multidão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===386. A) Não seria agradável para eles se reconhecerem?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Nem sempre. A recordação das existências passadas teria inconvenientes maiores do que acreditais. Apôs a morte eles se reconhecerão e saberão em que tempo estiveram juntos. (Ver item 392 )&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==387 A simpatia tem sempre por motivo um conhecimento anterior?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Não. dois Espíritos que tenham afinidades se procuram naturalmente sem que se hajam conhecido como encarnados .&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==388. Os  encontros que se dão algumas vezes entre certas pessoas, e que se atribuem ao acaso, não seriam o efeito de uma espécie de relações simpáticas?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Há, entre os seres pensantes, ligações que ainda não conheceis O magnetismo é a bússola desta ciência, que mais tarde compreendereis melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==389 De onde vem a repulsa instintiva que se experimenta por certas   pessoas, a primeira vista?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Espíritos antipáticos que se percebem e se reconhecem, sem se falarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==390. A antipatia instintiva é sempre um sinal de natureza má?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Dois Espíritos não são necessariamente maus pelo fato de não serem simpáticos. A antipatia pode originar-se de uma falta de similitude do modo de pensar Mas, à medida que eles se elevam, os matizes se apagam e a antipatia desaparece.                                   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==391. A antipatia entre duas pessoas nasce em primeiro lugar naquele cujo Espírito é pior ou melhor?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Numa e noutra, mas as causas e os efeitos são diferentes.  Um Espírito mau sente antipatia por quem quer que o possa julgar e desmascarar; vendo uma pessoa pela primeira vez,  percebe que ela vai desaprová-lo; seu afastamento se transforma então em ódio, inveja e lhe inspira o desejo de fazer o mal. O bom Espírito sente repulsa pelo mau porque sabe que não será compreendido por ele e que ambos não participam dos mesmos sentimentos; mas seguro de sua superioridade, não sente contra o outro nem ódio nem inveja: contenta-se em evitá-lo e lastimá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Da_Inf%C3%A2ncia&amp;diff=11318</id>
		<title>VI – Da Infância</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Da_Inf%C3%A2ncia&amp;diff=11318"/>
		<updated>2011-08-06T04:35:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==379. O Espírito que anima o corpo de uma criança é tão desenvolvido  quanto o de um adulto?==  — Pode mesmo ser mais, se ele mais progrediu, pois são apenas os órgãos …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==379. O Espírito que anima o corpo de uma criança é tão desenvolvido  quanto o de um adulto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode mesmo ser mais, se ele mais progrediu, pois são apenas os órgãos imperfeitos que o impedem de se manifestar. Age de acordo com o instrumento de que se serve.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==380. Numa criança de tenra idade, o Espírito, fora do obstáculo que a imperfeição dos órgãos opõe à sua livre manifestação, pensa como uma criança ou como um adulto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Enquanto criança, é natural que os órfãos da inteligência, não estando desenvolvidos, não possam dar-lhe toda a intuição de um adulto: sua inteligência, com efeito, é bastante limitada, até que a idade lhe amadureça a razão. A perturbação que acompanha a encarnação não cessa de súbito com o nascimento e só se dissipa com o desenvolvimento dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Uma observação vem ao apoio desta resposta: é que os sonhos de uma criança não têm o caráter dos sonhos de um adulto; seu objeto é quase sempre pueril, o que é um indício da natureza das preocupações do Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==381. Com a morte da criança o Espírito retoma imediatamente o seu vigor primitivo?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Assim deve ser, pois que está desembaraçado do seu envoltório carnal: entretanto, ele não retoma a sua lucidez, primitiva enquanto a separação não estiver completa, ou seja, enquanto não desaparecer toda ligação entre o Espírito e o corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==382. O Espírito encarnado sofre, durante a infância, com o constrangimento imposto pela imperfeição dos seus órgãos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; esse estado é uma necessidade; c natural e corresponde aos desígnios da Providência. É um tempo de repouso para o Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==383. Qual é, para o Espírito, a utilidade de passar pela infância?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Encarnando-se com o fim de se aperfeiçoar, o Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação(1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==384. Por que os primeiros gritos da criança são de choro?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Para excitar o interesse da mãe e provocar os cuidados necessários. Não compreendes que, se ela só tivesse gritos de alegria, quando ainda não sabe falar, pouco se inquietariam com as suas necessidades? Admirai, pois, em tudo, a sabedoria da Providência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==385. Qual o motivo da mudança que se opera no seu caráter a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É o Espírito que retoma a sua natureza e se mostra tal qual era.  Não conheceis o mistério que as crianças ocultam em sua inocência; não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão; e no entanto as amais e acariciais como se fossem uma parte de vós mesmos, de tal maneira que o amor de uma mãe por seus filhos é reputado como o maior amor que um ser possa ter por outros seres. De onde vêm essa doce afeição, essa terna complacência que até mesmo os estranhos experimentam por uma criança? Vós sabeis? Não; e é isso que vou explicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As crianças são os seres que Deus envia a novas existências e, para que não possam acusá-lo de demasiada severidade, dá-lhes todas as aparências de inocência. Mesmo numa criança de natureza má, suas faltas são cobertas pela não-consciência dos atos. Esta inocência não é uma superioridade real, em relação ao que elas eram antes; não, é apenas a imagem do que elas deveriam ser, e se não o são, é sobre elas somente que recai a culpa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não é somente por ela que Deus lhe dá esse aspecto, é também e sobretudo por seus pais, cujo amor é necessário à fragilidade infantil. E esse amor seria extraordinariamente enfraquecido pela presença de um caráter impertinente e acerbo, enquanto, supondo os filhos bons e ternos, dão-lhes toda a afeição e os envolvem nos mais delicados cuidados. Mas quando as crianças não mais necessitam dessa proteção, dessa assistência que lhes foi dispensada durante quinze a vinte anos, seu caráter real e individual reaparece em toda a sua nudez: permanecem boas, se eram fundamentalmente boas, mas se irisam sempre de matizes que estavam na primeira infância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vedes que os caminhos de Deus são sempre os melhores, e que, quando se tem o coração puro, é fácil conceber-se a explicação a respeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com efeito, ponderai que o Espírito da criança que nasce entre vós pode vir de um mundo em que tenha adquirido hábitos inteiramente diferentes; como quereríeis que permanecesse no vosso meio esse novo ser, que traz paixões tão diversas das que possuís, inclinações e gostos inteiramente opostos aos vossos; como quereríeis que se incorporasse no vosso ambiente, senão como Deus quis, ou seja, depois de haver passado pela preparação da infância ? Nesta vêm confundir-se todos os pensamentos, todos os caracteres, todas as variedades de seres engendrados por essa multidão de mundos em que se desenvolvem as criaturas. E vós mesmos, ao morrer, estareis numa espécie de infância,  no meio de novos irmãos, e na vossa nova existência não terrena ignorareis os hábitos, os costumes, as formas de relação desse mundo, novo para vós, manejareis com dificuldade uma língua que não estais habituados a falar, língua mais vivaz do que o é atualmente o vosso pensamento. (Ver item 219.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A infância tem ainda outra utilidade: os Espíritos não ingressam na vida corpórea senão para se aperfeiçoarem, para se melhorarem; a debilidade dos primeiros anos os torna flexíveis, acessíveis aos conselhos da experiência  e daqueles que devem fazê-los progredir. É então que se pode reformar o seu caráter e reprimir as suas más tendências. Esse é o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual terão de responder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É assim que  a infância é não somente útil,  necessária, indispensável mas ainda a  conseqüência natural das leis  Deus estabeleceu e que regem o Universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=V_%E2%80%93_Idiotismo_e_Loucura&amp;diff=11317</id>
		<title>V – Idiotismo e Loucura</title>
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		<updated>2011-08-06T04:30:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==371. A opinião de que os cretinos e os idiotas teriam uma alma de natureza inferior tem fundamento?==  — Não. Eles têm uma alma humana freqüentemente mais inteligente do …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==371. A opinião de que os cretinos e os idiotas teriam uma alma de natureza inferior tem fundamento?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não. Eles têm uma alma humana freqüentemente mais inteligente do que pensais, e que sofre com a insuficiência dos meios de que dispõe para se comunicar, como o mudo sofre por não poder falar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==372. Qual é o objetivo da Providência ao criar seres desgraçados como  os cretinos e os idiotas?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— São os Espíritos em punição que vivem em corpos de idiotas. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento a que estão sujeitos e pela  impossibilidade de manifestar-se através de órgãos não desenvolvidos ou defeituosos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===372 – a) Então não é exato dizer que os órgãos não exercem influência sobre as faculdades?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Jamais dissemos que os órgãos não exercem influência. Eles a exercem, e muito grande, sobre a manifestação das faculdades, mas não produzem as faculdades. Esta a diferença. Um bom músico, com um mau instrumento, não fará boa música, o que não o impede de ser um bom músico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;É necessário distinguir o estado normal do estado patológico. No estado normal, o moral supera o obstáculo material. Mas há casos em que a matéria oferece uma tal resistência que as manifestações são entravadas ou desnaturadas, como na idiotia e na loucura. Esses são casos patológicos, e em tal estado a alma não goza de toda a sua liberdade. A própria lei humana a isenta da responsabilidade dos seus atos.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==373. Qual o mérito da existência para seres que, como os idiotas e os cretinos, não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É uma expiação imposta ao abuso que tenham feito de. Certas faculdades; é um tempo de suspensão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===373 – a) Um corpo de idiota pode então encerrar um Espírito que tivesse um homem de gênio, numa existência precedente?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, o gênio torna-se às vezes uma desgraça, quando dele se abusa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;A superioridade moral não está sempre na razão da superioridade intelectual, e os maiores gênios podem ter muito a expiar; daí resulta freqüentemente para eles uma existência inferior às que já tenham vivido, e uma causa de sofrimentos. Os entraves que o Espírito prova em suas manifestações são para ele como as cadeias que constrangem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que os cretinos e os idiotas são estropiados do cérebro, como o coxo o é das pernas e o cego dos olhos.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==374. O idiota, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, muito freqüentemente. Compreende que as cadeias que entravam seu desenvolvimento são uma prova e uma expiação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==375. Qual é a situação do Espírito na loucura?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O Espírito, quando em liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente a sua ação sobre a matéria; mas, encarnado, encontra-se em condições totalmente diferentes e na contingência de não afazer senão com a ajuda de órgãos especiais. Que uma parte ou conjunto desses órgãos sejam alterados, e a sua ação ou suas impressões, no que respeita a esses órgãos, ficam interrompidos. Se ele perde os olhos, fica cego; sem os ouvidos, fica surdo etc. Imagina agora se o órgão que preside aos efeitos da inteligência e da vontade for parcial ou inteiramente atacado ou modificado, e fácil te será compreender que o Espírito, só tendo então a seu serviço órgãos incompletos ou alterados, deve entrar numa perturbação de que, por si mesmo e no seu foro íntimo, tem perfeita consciência, mas cujo curso já não pode deter.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===375 – a) É então sempre o corpo e não o Espírito o desorganizado?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—  Sim; mas é necessário não perder de vista que, da mesma maneira que o Espírito age sobre a matéria, esta reage sobre ele numa certa medida, e que o Espírito pode encontrar-se momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos através dos quais se manifesta e recebe as suas impressões. Pode acontecer que, com o tempo, quando a loucura durou bastante, a repetição dos mesmos atos acabe por exercer sobre o Espírito uma influencia da qual ele não se livrará senão depois da sua completa separação de toda impressão material.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==376. Qual a razão por que a loucura leva algumas vezes ao suicídio?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O Espírito sofre pelo constrangimento a que está submetido e pela impotência para manifestar-se livremente. Por isso busca libertar-se por  intermédio da morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==377. Após a morte, o Espírito se ressente da perturbação de suas Faculdades?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele pode ressentir-se durante algum tempo, até que esteja  completamente desligado da matéria, como o homem que, ao acordar, se ressente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulhara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==378. Como a alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito após a morte?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É uma lembrança. Um peso oprime o Espírito, e como ele não teve consciência de tudo o que se passou durante a sua loucura, é necessário um  certo tempo para que se ponha ao corrente. É por isso que, quanto mais tenha durado a loucura, durante a vida, mais longamente durará a tortura, o constrangimento, após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente por algum tempo da impressão dos seus ligamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=IV_%E2%80%93_Influ%C3%AAncia_do_Organismo&amp;diff=11316</id>
		<title>IV – Influência do Organismo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=IV_%E2%80%93_Influ%C3%AAncia_do_Organismo&amp;diff=11316"/>
		<updated>2011-08-06T04:26:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==367. O Espírito, ao se unir ao corpo, identifica-se com a matéria?==  —A matéria não é mais que o envoltório do Espírito, como a roupa é o  envoltório do corpo. O Es…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==367. O Espírito, ao se unir ao corpo, identifica-se com a matéria?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—A matéria não é mais que o envoltório do Espírito, como a roupa é o  envoltório do corpo. O Espírito, ao se unir ao corpo, conserva os atributos da natureza espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==368. As faculdades do Espírito se exercem com toda a liberdade, após a sua união com o corpo?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O exercício das faculdades depende dos órgãos que lhe servem de instrumento; elas são enfraquecidas pela grosseria da matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===368 – a) De acordo com isso, o envoltório material seria um obstáculo à  livre manifestação das faculdades do Espírito, como um vidro opaco se opõe à livre emissão da luz?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, e bastante opaco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;Pode-se ainda comparar a ação da matéria grosseira do corpo sobre o Espírito à da água lodosa, que tira a liberdade de movimentos do corpo nela mergulhado.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==369. O livre exercício das faculdades da alma está subordinado ao desenvolvimento dos órgãos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Os órgãos são os instrumentos da manifestação das faculdades da  alma. Essa manifestação está subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição dos respectivos órgãos, como a excelência de um trabalho à  excelência da ferramenta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==370. Pode-se induzir, da influência dos órgãos uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais e o das faculdades morais e intelectuais?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não confundais o efeito com a causa. O Espírito tem sempre as faculdades que lhe são próprias. Assim, não são os órgãos que lhe dão as faculdades, mas as faculdades que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===370 – a) De acordo com isso, a diversidade das aptidões entre os homens decorre unicamente do estado do Espírito?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Unicamente não é o termo exalo. As qualidades do Espírito, que pode ser mais ou menos adiantado, constituem o princípio, mas é necessário ter em conta a influência da matéria, que entrava mais ou menos o exercício dessas faculdades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;O Espírito, ao se encarnar, traz certas predisposições, e se admitirmos para cada uma delas um órgão correspondente no cérebro, o desenvolvimento desses  órgãos será um efeito e não uma causa. Se as faculdades tivessem os seus princípios nos órgãos, o homem seria uma máquina, sem livre-arbítrio e sem a responsabilidade dos seus atos. Teríamos de admitir que os maiores gênios, sábios, poetas, artistas não são gênios senão porque o acaso lhes deu órgãos especiais. De onde se segue que, sem esses órgãos, eles não seriam gênios, e que o último dos imbecis poderia ter sido um Newton, um Virgílio ou um Rafael, se houvesse sido provido de certos órgãos. Suposição que se torna ainda mais absurda, quando aplicada às qualidades morais. Assim, segundo esse sistema. São Vicente de Paulo, dotado pela Natureza de tal órgão, poderia ter sido um celerado, e não faltaria ao maior celerado mais do que um órgão para ser um São Vicente de Paulo. Admiti, ao contrário, que os órgãos especiais, se é que existem, são conseqüentes e se desenvolvem pelo exercício das faculdades, como os músculos pelo movimento, e nada tereis de irracional. Tomemos uma comparação trivial por bem se aplicar ao caso. Através de certos sinais fisionômicos reconhecereis o homem dado à bebida; são esses sinais que o fazem bêbado ou é o vicio da embriaguez que produz os sinais? Pode-se dizer que os órgãos recebem a marca das faculdades.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Faculdades_Morais_e_Intelectuais&amp;diff=11315</id>
		<title>III – Faculdades Morais e Intelectuais</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Faculdades_Morais_e_Intelectuais&amp;diff=11315"/>
		<updated>2011-08-06T04:21:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==361. De onde vêm para o homem as suas qualidades morais, boas ou más?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===361 – a) Parece resultar daí que o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, e o homem vicioso, a de um mau Espírito?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, mas dize antes que é um Espírito imperfeito, pois de outra forma se poderia crer nos Espíritos sempre maus, a que chamais demônios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==362. Qual o caráter dos indivíduos em que se encarnam os Espíritos brejeiros e levianos?(1)==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— São estouvados, espertos e, algumas vezes, seres malfazejos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==363. Os Espíritos têm paixões estranhas à Humanidade?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; se assim fosse, vós também as teríeis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==364. É o mesmo Espírito que dá ao homem as qualidades morais e as da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Seguramente que é o mesmo, e na razão do grau a que tenha chegado. O homem não tem em si dois Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==365. Por que os homens mais inteligentes, que revelam um Espírito superior neles encarnados, são, às vezes, ao mesmo tempo, profundamente viciosos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É que Espírito encarnado não é bastante puro, e o homem cede à influência de outros Espíritos ainda piores. O Espírito progride numa marcha ascendente insensível, mas o progresso não se realiza simultaneamente em todos os sentidos; num período ele pode avançar em ciência, num outro em moralidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==366. Que pensar da opinião segundo a qual as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem seriam o produto de outros tantos Espíritos  diversos, nele encarnados, tendo cada qual uma aptidão especial?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Refletindo-se a respeito, reconhece-se que é absurda. O Espírito deve ter todas as aptidões. Para poder progredir, necessita de uma vontade única.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o homem fosse um amálgama de Espíritos, essa vontade não existiria e ele não teria individualidade, pois, na sua morte, todos esses Espíritos seriam  como um bando de pássaros livres da gaiola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem se queixa muitas vezes de não compreender algumas coisas, mas é curioso ver-se como ele multiplica as dificuldades, quando tem em mãos uma explicação muito simples e natural. Isso é ainda tomar o efeito pela causa; fazer com o homem o que os pagãos faziam com Deus. Eles criam em tantos deuses quantos os fenômenos do universo. Mas, mesmo entre eles, as pessoas sensatas não viam nesses fenômenos mais do que efeitos, tendo por causa um Deus único.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;O mundo físico e o mundo moral nos oferecem, a respeito, numerosos pontos de comparação. Acreditou-se na multiplicidade da matéria, enquanto o exame se detinha na aparência dos fenômenos; hoje, compreende-se que esses fenômenos tão variados podem não ser mais do que modificações de uma matéria elementar  única. As diversas faculdades são manifestações de uma mesma causa que é a alma,ou do Espírito encarnado, e não de muitas almas, como os diferentes sons do órgão são produtos de uma mesma espécie de ar, e não de tantas espécies de ar quantos forem os sons. Desse sistema resultaria que, quando um homem perde ou adquire certas aptidões, certas tendências, isso significa que outros tantos Espíritos o possuíram ou deixaram, o que o tornaria um ser múltiplo, sem individualidade e, conseqüentemente, sem responsabilidade. Isto, além do mais, é contraditado pelos tão numerosos exemplos de manifestações em que os Espíritos provam sua personalidade e sua identidade.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Nota==&lt;br /&gt;
(1) No original: &#039;&#039;&amp;quot;Esprits folieis e légers&amp;quot;&#039;&#039;. Alguns traduzem por &#039;&#039;&amp;quot;duendes&amp;quot;&#039;&#039;, porque, em francês, &#039;&#039;&amp;quot;espritftillet&amp;quot;&#039;&#039; é duende. No caso presente, porém, o acréscimo do adjetivo &#039;&#039;&amp;quot;légers&amp;quot;&#039;&#039; e a própria sequência do assunto parecem dar razão à nossa tradução. (N. do T).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Faculdades_Morais_e_Intelectuais&amp;diff=11314</id>
		<title>III – Faculdades Morais e Intelectuais</title>
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		<updated>2011-08-06T04:18:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==361. De onde vêm para o homem as suas qualidades morais, boas ou más?==  — São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==361. De onde vêm para o homem as suas qualidades morais, boas ou más?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— São as do Espírito que está nele encarnado; quanto mais puro é esse Espírito, mais o homem é propenso ao bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===361 – a) Parece resultar daí que o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, e o homem vicioso, a de um mau Espírito?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, mas dize antes que é um Espírito imperfeito, pois de outra forma se poderia crer nos Espíritos sempre maus, a que chamais demônios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==362. Qual o caráter dos indivíduos em que se encarnam os Espíritos brejeiros e levianos?(1)==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— São estouvados, espertos e, algumas vezes, seres malfazejos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==363. Os Espíritos têm paixões estranhas à Humanidade?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; se assim fosse, vós também as teríeis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==364. É o mesmo Espírito que dá ao homem as qualidades morais e as da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Seguramente que é o mesmo, e na razão do grau a que tenha chegado. O homem não tem em si dois Espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==365. Por que os homens mais inteligentes, que revelam um Espírito superior neles encarnados, são, às vezes, ao mesmo tempo, profundamente viciosos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É que Espírito encarnado não é bastante puro, e o homem cede à influência de outros Espíritos ainda piores. O Espírito progride numa marcha ascendente insensível, mas o progresso não se realiza simultaneamente em todos os sentidos; num período ele pode avançar em ciência, num outro em moralidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==366. Que pensar da opinião segundo a qual as diferentes faculdades intelectuais e morais do homem seriam o produto de outros tantos Espíritos  diversos, nele encarnados, tendo cada qual uma aptidão especial?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Refletindo-se a respeito, reconhece-se que é absurda. O Espírito deve ter todas as aptidões. Para poder progredir, necessita de uma vontade única.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o homem fosse um amálgama de Espíritos, essa vontade não existiria e ele não teria individualidade, pois, na sua morte, todos esses Espíritos seriam  como um bando de pássaros livres da gaiola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem se queixa muitas vezes de não compreender algumas coisas, mas é curioso ver-se como ele multiplica as dificuldades, quando tem em mãos uma explicação muito simples e natural. Isso é ainda tomar o efeito pela causa; fazer com o homem o que os pagãos faziam com Deus. Eles criam em tantos deuses quantos os fenômenos do universo. Mas, mesmo entre eles, as pessoas sensatas não viam nesses fenômenos mais do que efeitos, tendo por causa um Deus único.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039;  &#039;&#039;O mundo físico e o mundo moral nos oferecem, a respeito, numerosos pontos de comparação. Acreditou-se na multiplicidade da matéria, enquanto o exame se detinha na aparência dos fenômenos; hoje, compreende-se que esses fenômenos tão variados podem não ser mais do que modificações de uma matéria elementar  única. As diversas faculdades são manifestações de uma mesma causa que é a alma,ou do Espírito encarnado, e não de muitas almas, como os diferentes sons do órgão são produtos de uma mesma espécie de ar, e não de tantas espécies de ar quantos forem os sons. Desse sistema resultaria que, quando um homem perde ou adquire certas aptidões, certas tendências, isso significa que outros tantos Espíritos o possuíram ou deixaram, o que o tornaria um ser múltiplo, sem individualidade e, conseqüentemente, sem responsabilidade. Isto, além do mais, é contraditado pelos tão numerosos exemplos de manifestações em que os Espíritos provam sua personalidade e sua identidade.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=II_%E2%80%93_Uni%C3%A3o_da_Alma_com_o_Corpo&amp;diff=11313</id>
		<title>II – União da Alma com o Corpo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=II_%E2%80%93_Uni%C3%A3o_da_Alma_com_o_Corpo&amp;diff=11313"/>
		<updated>2011-08-06T04:08:30Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==344. Em que momento a alma se une ao corpo?==  — A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Esp…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==344. Em que momento a alma se une ao corpo?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==345. A união entre o Espírito e o corpo é definitiva desde o momento da concepção? Durante esse primeiro período, o Espírito poderia renunciar a tomar o corpo que lhe foi designado?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A união é definitiva no sentido de que outro Espírito não poderia substituir o que foi designado para o corpo; mas, como os laços que o prendem são muito frágeis, fáceis de romper, podem ser rompidos pela vontade do Espírito que recua ante a prova escolhida. Nesse caso, a criança não vinga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==346. Que acontece ao Espírito, se o corpo que ele escolheu morrer antes de nascer?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Escolhe outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===346 – a) Qual pode ser a utilidade dessas mortes prematuras?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—As imperfeições da matéria, na maioria das vezes, são a causa dessas mortes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==347. Que utilidade pode ter para um Espírito a sua encarnação num corpo que morre poucos dias depois de nascer?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O ser ainda não tem consciência bastante desenvolvida da sua existência; a importância da morte é quase nula; freqüentemente, como já dissemos, trata-se de uma prova para os pais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==348. O Espírito sabe, com antecedência, que o corpo por ele escolhido não tem possibilidade de viver?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sabe, algumas vezes; mas, se o escolheu por esse motivo, é que recua ante a prova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==349. Quando falha uma encarnação para o Espírito, por uma causa qualquer, é ela suprida imediatamente por outra existência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Nem sempre imediatamente; o Espírito necessita de tempo para escolher de novo, a menos que a reencarnação instantânea decorra de uma determinação anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==350. O Espírito, uma vez unido ao corpo da criança, e não podendo mais retroceder, lamenta algumas vezes a escolha feita?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Queres perguntar se, como homem, ele se queixa da vida que tem? Se desejaria outra? Sim. Se lamenta a escolha feita? Não, porque não sabe que a escolheu. O Espírito, uma vez encarnado, não pode lamentar uma escolha de que não tem consciência, mas pode achar muito pesada a carga. E, se a considera acima de suas forças, é então que recorre ao suicídio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==351. No intervalo da concepção ao nascimento, o Espírito goza de todas as suas faculdades?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Mais ou menos, segundo a fase, porque não está ainda encarnado, mas ligado ao corpo. Desde o instante da concepção, a perturbação começa a envolver o Espírito, advertido, assim, de que chegou o momento de tomar uma nova existência; essa perturbação vai crescendo até o nascimento. Nesse intervalo, seu estado é mais ou menos o de um Espírito encarnado, durante o sono do corpo. A medida que o momento do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado se apaga desde que entrou na vida. Mas essa lembrança lhe volta pouco a pouco à memória, no seu estado de Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==352. No momento do nascimento, o Espírito recobra imediatamente a plenitude de suas faculdades?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não: elas se desenvolvem gradualmente com os órgãos. Ele se encontra numa nova existência; é preciso que aprenda a se servir dos seus instrumentos; as idéias lhe voltam pouco a pouco, como a um homem que acorda e se encontra numa posição diferente da que ocupava antes de dormir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==353. A união do Espírito com o corpo não estando completa e definidamente consumada, senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como tendo uma alma?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O Espírito que deve animar existe, de qualquer maneira, fora dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve possuir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==354. Como se explica a vida intra-uterina?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E a da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==355. Há, como o indica a Ciência, crianças que desde o ventre da mãe não têm possibilidades de viver? E com que fim acontece isso?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso acontece freqüentemente, e Deus o permite como prova, seja para os pais, seja para o Espírito destinado a encarnar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==356. Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um Espírito?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: nada devia cumprir-se nela. É somente pelos pais que essa criança nasce.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===356 – a) Um ser dessa natureza pode chegar ao tempo norma! De  nascimento?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, algumas vezes, mas então não vive.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===356 – b) Toda criança que sobrevive tem, portanto, necessariamente, um Espírito encarnado em si?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que seria ela, sem o Espírito? Não seria um ser humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==357. Quais são, para o Espírito, as conseqüências do aborto?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Uma existência nula e a recomeçar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==358. O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ou  qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==359. No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento   da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==360. E racional ter pelos fetos o mesmo respeito que se tem pelo corpo de uma criança que tivesse vivido?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Em tudo isto vede a vontade de Deus e a sua obra, e não trateis levianamente as coisas que deveis respeitar. Por que não respeitar as obras da criação, que, às vezes, são incompletas pela vontade do Criador? Isso pertence aos seus desígnios, que ninguém é chamado a julgar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_%E2%80%93_Prel%C3%BAdio_do_Retorno&amp;diff=11312</id>
		<title>I – Prelúdio do Retorno</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_%E2%80%93_Prel%C3%BAdio_do_Retorno&amp;diff=11312"/>
		<updated>2011-08-06T03:59:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* 339. 0 momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==330. Os Espíritos conhecem a época em que terão de se reencarnar?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eles a pressentem, como o cego sente o fogo de que se aproxima. Sabem que devem retomar um corpo, como sabeis que deveis morrer um dia, mas ignoram quando isso acontecerá. (Ver item 166.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===330. a) A reencarnação é, portanto, uma necessidade da vida espírita, como a morte é uma necessidade da vida corpórea?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Seguramente, assim é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==331. Todos os Espíritos se preocupam com a sua reencarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Há os que absolutamente não pensam nela, que nem mesmo a compreendem; isso depende de sua natureza mais ou menos avançada. Para  alguns, a incerteza quanto ao futuro é uma punição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==332. O Espírito pode abreviar ou retardar o momento da reencarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode abreviá-lo, solicitando-o por suas preces, e pode também retardá-lo, se recuar ante a prova. Porque entre os Espíritos há também indiferentes e poltrões; mas não o faz impunemente, pois sofre com isso, como aquele que recusa o remédio que o pode curar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==333. Se um Espírito se sentisse bastante feliz numa condição mediana entre os Espíritos errantes, e não tivesse a ambição de se elevar, poderia prolongar indefinidamente esse estado?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não indefinidamente; cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de avançar; todos devem elevar-se, pois esse é o destino de todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==334. A união da alma com este ou aquele corpo está predestinada, ou no último momento é que se faz a escolha?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O Espírito é sempre designado com antecedência. Escolhendo a prova  que deseja sofrer, o Espírito pede para se encarnar; ora, Deus, que tudo sabe e tudo vê, sabe e vê com antecedência que tal alma se unirá a tal corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==335. O Espírito tem o direito de escolher o corpo ou somente o gênero de vida que lhe deve servir de prova?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele pode escolher também o corpo, porque as imperfeições do corpo são provas que o ajudam no seu adiantamento, se ele vencer os obstáculos encontrados; mas a escolha nem sempre depende dele, que pode pedi-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===335 – a) Pode o Espírito, no último momento, recusar o corpo escolhido?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Se o recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tivesse  tentado nenhuma prova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==336. Poderia acontecer que um corpo que deve nascer não encontrasse Espírito para encarnar-se nele?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Deus proveria a isso. A criança, quando deve nascer para viver, tem  sempre uma alma predestinada: nada é criado sem um desígnio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==337. A união do Espírito com determinado corpo pode ser imposta por Deus?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode ser imposta, da mesma maneira que as diferentes provas, sobretudo quando o Espírito ainda não está apto afazer uma escolha com conhecimento de causa. Como expiação, o Espírito pode ser constrangido a se unir ao corpo de uma criança que, por seu nascimento e pela posição que terá no mundo, poderá tornar-se para ele um meio de castigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==338. Se acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para ocupar um mesmo corpo que vai nascer, o que decidiria entre eles?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Muitos podem pedi-lo, mas é Deus quem julga, em casos assim, qual é o mais capaz, de preencher a missão a que a criança se destina. Mas, como já disse, o Espírito é designado antes do instante em que deve unir-se ao corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==339. O momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Muito maior, e sobretudo mais longa. Na morte, o Espírito sai da escravidão; no nascimento, entra nela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==340. O instante em que o Espírito deve encarnar-se é para ele um instante solene? Cumpre ele esse ato como coisa grave e importante?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É como um viajante que embarca para uma travessia perigosa e não sabe se vai encontrar a morte nas vagas que afronta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O viajante que embarca sabe a que perigos se expõe, mas não sabe se naufragará. Assim se dá com o Espírito: ele conhece o gênero de provas a que se  submete, mas não sabe se sucumbirá.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Da mesma maneira que a morte do corpo é um renascimento para o Espírito,a reencarnação é para ele uma espécie de morte, ou antes, de exílio e de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corpóreo, como o homem deixa o  mundo corpóreo pelo mundo dos Espíritos. O Espírito sabe que se reencarnará, como o homem sabe que morre; mas, como este, não tem consciência do fato senão no último momento, quando chega o tempo desejado. Então nesse momento supremo, a perturbação o envolve, como no homem em agonia, e essa perturbação persiste até que a nova existência esteja nitidamente firmada. O início da reencarnação é uma espécie de agonia para o Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==341. A incerteza do Espírito quanto à eventualidade do sucesso das provas que vai sofrer na vida é para ele uma causa de aflição, antes da encarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Uma grande aflição, pois as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, segundo as tiver bem ou mal suportado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==342. No momento de sua reencarnação, o Espírito é acompanhado por outros Espíritos, seus amigos, que assistem à sua partida do mundo espírita, como o vão receber na sua volta?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso depende da esfera que o Espírito habita. Se está nas esferas em que reina a afeição, os Espíritos que o amam o acompanham até o derradeiro momento, o encorajam e freqüentemente, mesmo, o seguem durante a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==343. Os Espíritos amigos que nos seguem durante a vida são, por vezes,  os que vemos em sonho, que nos testemunham a sua afeição e que se nos apresentam com feições desconhecidas?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Muito freqüentemente o são; eles vêm visitar-nos, como ides ver um prisioneiro sob chaves.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_%E2%80%93_Prel%C3%BAdio_do_Retorno&amp;diff=11311</id>
		<title>I – Prelúdio do Retorno</title>
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		<updated>2011-08-06T03:58:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==330. Os Espíritos conhecem a época em que terão de se reencarnar?==  — Eles a pressentem, como o cego sente o fogo de que se aproxima. Sabem que devem retomar um corpo, co…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==330. Os Espíritos conhecem a época em que terão de se reencarnar?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eles a pressentem, como o cego sente o fogo de que se aproxima. Sabem que devem retomar um corpo, como sabeis que deveis morrer um dia, mas ignoram quando isso acontecerá. (Ver item 166.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===330. a) A reencarnação é, portanto, uma necessidade da vida espírita, como a morte é uma necessidade da vida corpórea?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Seguramente, assim é.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==331. Todos os Espíritos se preocupam com a sua reencarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Há os que absolutamente não pensam nela, que nem mesmo a compreendem; isso depende de sua natureza mais ou menos avançada. Para  alguns, a incerteza quanto ao futuro é uma punição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==332. O Espírito pode abreviar ou retardar o momento da reencarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode abreviá-lo, solicitando-o por suas preces, e pode também retardá-lo, se recuar ante a prova. Porque entre os Espíritos há também indiferentes e poltrões; mas não o faz impunemente, pois sofre com isso, como aquele que recusa o remédio que o pode curar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==333. Se um Espírito se sentisse bastante feliz numa condição mediana entre os Espíritos errantes, e não tivesse a ambição de se elevar, poderia prolongar indefinidamente esse estado?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não indefinidamente; cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de avançar; todos devem elevar-se, pois esse é o destino de todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==334. A união da alma com este ou aquele corpo está predestinada, ou no último momento é que se faz a escolha?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O Espírito é sempre designado com antecedência. Escolhendo a prova  que deseja sofrer, o Espírito pede para se encarnar; ora, Deus, que tudo sabe e tudo vê, sabe e vê com antecedência que tal alma se unirá a tal corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==335. O Espírito tem o direito de escolher o corpo ou somente o gênero de vida que lhe deve servir de prova?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele pode escolher também o corpo, porque as imperfeições do corpo são provas que o ajudam no seu adiantamento, se ele vencer os obstáculos encontrados; mas a escolha nem sempre depende dele, que pode pedi-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===335 – a) Pode o Espírito, no último momento, recusar o corpo escolhido?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Se o recusasse, sofreria muito mais do que aquele que não tivesse  tentado nenhuma prova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==336. Poderia acontecer que um corpo que deve nascer não encontrasse Espírito para encarnar-se nele?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Deus proveria a isso. A criança, quando deve nascer para viver, tem  sempre uma alma predestinada: nada é criado sem um desígnio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==337. A união do Espírito com determinado corpo pode ser imposta por Deus?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pode ser imposta, da mesma maneira que as diferentes provas, sobretudo quando o Espírito ainda não está apto afazer uma escolha com conhecimento de causa. Como expiação, o Espírito pode ser constrangido a se unir ao corpo de uma criança que, por seu nascimento e pela posição que terá no mundo, poderá tornar-se para ele um meio de castigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==338. Se acontecesse que muitos Espíritos se apresentassem para ocupar um mesmo corpo que vai nascer, o que decidiria entre eles?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Muitos podem pedi-lo, mas é Deus quem julga, em casos assim, qual é o mais capaz, de preencher a missão a que a criança se destina. Mas, como já disse, o Espírito é designado antes do instante em que deve unir-se ao corpo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==339. 0 momento da encarnação é seguido de perturbação semelhante ao que se verifica na desencarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Muito maior, e sobretudo mais longa. Na morte, o Espírito sai da escravidão; no nascimento, entra nela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==340. O instante em que o Espírito deve encarnar-se é para ele um instante solene? Cumpre ele esse ato como coisa grave e importante?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É como um viajante que embarca para uma travessia perigosa e não sabe se vai encontrar a morte nas vagas que afronta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O viajante que embarca sabe a que perigos se expõe, mas não sabe se naufragará. Assim se dá com o Espírito: ele conhece o gênero de provas a que se  submete, mas não sabe se sucumbirá.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Da mesma maneira que a morte do corpo é um renascimento para o Espírito,a reencarnação é para ele uma espécie de morte, ou antes, de exílio e de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corpóreo, como o homem deixa o  mundo corpóreo pelo mundo dos Espíritos. O Espírito sabe que se reencarnará, como o homem sabe que morre; mas, como este, não tem consciência do fato senão no último momento, quando chega o tempo desejado. Então nesse momento supremo, a perturbação o envolve, como no homem em agonia, e essa perturbação persiste até que a nova existência esteja nitidamente firmada. O início da reencarnação é uma espécie de agonia para o Espírito.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==341. A incerteza do Espírito quanto à eventualidade do sucesso das provas que vai sofrer na vida é para ele uma causa de aflição, antes da encarnação?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Uma grande aflição, pois as provas da sua existência o retardarão ou farão avançar, segundo as tiver bem ou mal suportado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==342. No momento de sua reencarnação, o Espírito é acompanhado por outros Espíritos, seus amigos, que assistem à sua partida do mundo espírita, como o vão receber na sua volta?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso depende da esfera que o Espírito habita. Se está nas esferas em que reina a afeição, os Espíritos que o amam o acompanham até o derradeiro momento, o encorajam e freqüentemente, mesmo, o seguem durante a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==343. Os Espíritos amigos que nos seguem durante a vida são, por vezes,  os que vemos em sonho, que nos testemunham a sua afeição e que se nos apresentam com feições desconhecidas?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Muito freqüentemente o são; eles vêm visitar-nos, como ides ver um prisioneiro sob chaves.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo VII==&lt;br /&gt;
[[I – Prelúdio do Retorno]], [[II – União da Alma com o Corpo]], [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]], [[IV – Influência do Organismo]], [[V – Idiotismo e Loucura]], [[VI – Da Infância]], [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]], [[VIII – Esquecimento do Passado]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Intelig%C3%AAncia_e_Instinto&amp;diff=11310</id>
		<title>III – Inteligência e Instinto</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Intelig%C3%AAncia_e_Instinto&amp;diff=11310"/>
		<updated>2011-08-06T03:40:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* 75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==71. A inteligência é um atributo do princípio vital?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Podemos fazer a seguinte distinção: &#039;&#039;&#039;l.°)&#039;&#039;&#039; os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; &#039;&#039;&#039;2.°)&#039;&#039;&#039; os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; &#039;&#039;&#039;3.°)&#039;&#039;&#039; os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==72. Qual é a fonte da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Já dissemos: a inteligência universal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===72. a) Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isto não é mais do que uma comparação; mas não exala, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==73. O instinto é independente da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Intelig%C3%AAncia_e_Instinto&amp;diff=11309</id>
		<title>III – Inteligência e Instinto</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Intelig%C3%AAncia_e_Instinto&amp;diff=11309"/>
		<updated>2011-08-06T03:39:05Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* 72. a) Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==71. A inteligência é um atributo do princípio vital?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Podemos fazer a seguinte distinção: &#039;&#039;&#039;l.°)&#039;&#039;&#039; os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; &#039;&#039;&#039;2.°)&#039;&#039;&#039; os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; &#039;&#039;&#039;3.°)&#039;&#039;&#039; os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==72. Qual é a fonte da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Já dissemos: a inteligência universal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===72. a) Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isto não é mais do que uma comparação; mas não exala, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==73. O instinto é independente da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=III_%E2%80%93_Intelig%C3%AAncia_e_Instinto&amp;diff=11308</id>
		<title>III – Inteligência e Instinto</title>
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		<updated>2011-08-06T03:30:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==71. A inteligência é um atributo do princípio vital?==  — Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==71. A inteligência é um atributo do princípio vital?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que a vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência não pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos aos quais dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Podemos fazer a seguinte distinção: &#039;&#039;&#039;l.°)&#039;&#039;&#039; os seres inanimados, formados somente de matéria sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; &#039;&#039;&#039;2.°)&#039;&#039;&#039; os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; &#039;&#039;&#039;3.°)&#039;&#039;&#039; os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==72. Qual é a fonte da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Já dissemos: a inteligência universal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==72. a) Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção de inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isto não é mais do que uma comparação; mas não exala, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==73. O instinto é independente da inteligência?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar onde acaba um e onde começa o outro?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, a medida que crescem as intelectuais?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==75. a) Por que a razão não é sempre um guia infalível?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ela seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=II_%E2%80%93_A_Vida_e_a_Morte&amp;diff=11307</id>
		<title>II – A Vida e a Morte</title>
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		<updated>2011-08-06T03:24:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* 70. Em que se transformam a matéria e o principio vital dos seres orgânicos após a morte? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==68. Qual é a causa da morte nos seres orgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A exaustão dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==68- a) Pode-se comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desarranjada?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, pois, se a máquina estiver mal montada, a sua mola se quebra; se o corpo estiver doente, a vida se esvai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==69. Por que uma lesão do coração, mais que a dos outros órgãos, causa a morte?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==70. Em que se transformam a matéria e o principio vital dos seres orgânicos após a morte?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o princípio vital retorna à massa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formavam passam por novas combinações, constituindo novos seres que haurem na fonte universal o principio da vida e da atividade. absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem-se entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos são destruídos ou profundamente alterados, o fluido vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre .os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjaram; como um relógio gasto pelo uso ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pode pôr em movimento.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam, enquanto o fluido não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está ativo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa; e o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade ocasiona a morte.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies, e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados do fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos mais enérgicos e, de certa maneira, de vida superabundante.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&lt;br /&gt;
A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contem.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos e, em certos casos, fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=II_%E2%80%93_A_Vida_e_a_Morte&amp;diff=11306</id>
		<title>II – A Vida e a Morte</title>
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		<updated>2011-08-06T03:22:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;==68. Qual é a causa da morte nos seres orgânicos?==  — A exaustão dos órgãos.  ==68- a) Pode-se comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desarranjada?== …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==68. Qual é a causa da morte nos seres orgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A exaustão dos órgãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==68- a) Pode-se comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desarranjada?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, pois, se a máquina estiver mal montada, a sua mola se quebra; se o corpo estiver doente, a vida se esvai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==69. Por que uma lesão do coração, mais que a dos outros órgãos, causa a morte?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==70. Em que se transformam a matéria e o principio vital dos seres orgânicos após a morte?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o princípio vital retorna à massa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formavam passam por novas combinações, constituindo novos seres que haurem na fonte universal o principio da vida e da atividade. absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem-se entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos são destruídos ou profundamente alterados, o fluido vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre .os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjaram; como um relógio gasto pelo uso ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pode pôr em movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam, enquanto o fluido não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está ativo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa; e o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade ocasiona a morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies, e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados do fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos mais enérgicos e, de certa maneira, de vida superabundante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos e, em certos casos, fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_%E2%80%93_Seres_Org%C3%A2nicos_e_Inorg%C3%A2nicos&amp;diff=11305</id>
		<title>I – Seres Orgânicos e Inorgânicos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_%E2%80%93_Seres_Org%C3%A2nicos_e_Inorg%C3%A2nicos&amp;diff=11305"/>
		<updated>2011-08-06T03:19:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especia…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==60. É a mesma força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, a lei de atração é a mesma para todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==61. Há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 62. Qual a causa da animalização da matéria? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sua união com o princípio vital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 63. O princípio vital é propriedade de um agente especial ou apenas da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E uma e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 64. Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do universo. O princípio vital formaria um terceiro? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—É um dos elementos necessários à constituição do universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 64- a) Parece resultar daí que a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devido a certas modificações desta. ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É essa a conseqüência do que dissemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 65. O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 66. O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e duvidado, e os distingue da matéria inerte, pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 67. A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, ou somente se desenvolve com o funcionamento dos órgãos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Só se desenvolve com o corpo. Não dissemos que esse agente, sem a matéria, não é vida? É necessária a união de ambos para produzir a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 67- a) Podemos dizer que a vitalidade permanece, quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, é isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade intima ou princípio vital que neles existe. O principio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Livro_dos_Esp%C3%ADritos&amp;diff=11304</id>
		<title>Livro dos Espíritos</title>
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		<updated>2011-08-06T03:18:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* Cap. 4 – PRINCÍPIO VITAL */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Com este livro surgiu no mundo o Espiritismo. Sua primeira edição foi lançada a 18 de abril de 1857, em Paris, pelo editor E. Dentu, estabelecido no Falais Royal, Galérie d’0rléans, 13. Três novidades, à maneira das tríades druídicas, apareciam com este livro: a Doutrina Espírita, a palavra Espiritismo, que a designava; e o nome Allan Kardec, que provinha do passado celta das Gálias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira novidade era apresentada como antiga, em virtude de representar a eterna realidade espiritual, servindo de fundamento a todas as religiões de todos os tempos: a Doutrina Espírita. Era, entretanto, a primeira vez que aparecia na sua inteireza, graças à revelação do Espírito de Verdade prometida pelo Cristo. A segunda, a palavra Espiritismo, era um neologismo criado por Kardec e desde aquele momento integrado na língua francesa e nos demais idiomas do mundo. A terceira representava a ressurreição do nome de um sacerdote druida desconhecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maneira por que o livro fora escrito era também inteiramente nova. O Prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito de Verdade, através das cestinhas-de-bico. Psicografia indireta. Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo, o livro foi revisado pelo Espírito de Verdade, através de outra menina, a Srtª Japhet. Outros médiuns foram posteriormente consultados e Kardec informa, em Obras Póstumas: “Foi dessa maneira que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O Prof. Denizard não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de [[Allan Kardec]], que havia tido entre os druidas, na encarnação em que se preparava ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava, na Terra, a Falange do Consolador. Esta falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade e dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A 16 de março de 1860, foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec, sob orientação do Espírito de Verdade, que, desde a elaboração da primeira edição, já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela. Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética, e foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo cm novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética, e estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Conteúdo==&lt;br /&gt;
* [[Explicação sobre o livro, por José Herculano Pires]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA===&lt;br /&gt;
* [[I – Espiritismo e Espiritualismo]] &lt;br /&gt;
* [[II – Alma, Princípio Vital e Fluido Vital]]&lt;br /&gt;
* [[III – A Doutrina E Seus Contraditores]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Manifestações Inteligentes]] &lt;br /&gt;
* [[V – Desenvolvimento da Psicografia]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Resumo da Doutrina dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VII – A Ciência e o Espiritismo]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Perseverança e Seriedade]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Monopolizadores do Bom Senso]] &lt;br /&gt;
* [[X – A Linguagem dos Espíritos e o Poder Diabólico]] &lt;br /&gt;
* [[XI – Grandes e Pequenos]] &lt;br /&gt;
* [[XII – Da Identificação dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[XIII – As Divergências de Linguagem]] &lt;br /&gt;
* [[XIV – As Questões de Ortografia]] &lt;br /&gt;
* [[XV – A Loucura E Suas Causas]] &lt;br /&gt;
* [[XVI – A Teoria Magnética E Do Meio Ambiente]]&lt;br /&gt;
* [[XVII – Preenchendo Os Espaços Vazios]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – DEUS===&lt;br /&gt;
* [[I – Deus e O Infinito]] &lt;br /&gt;
* [[II – Provas da Existência de Deus]] &lt;br /&gt;
* [[III – Atributos da Divindade]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Panteísmo]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO===&lt;br /&gt;
* [[I – Conhecimento do Princípio das Coisas]] &lt;br /&gt;
* [[II – Espírito e Matéria]] &lt;br /&gt;
* [[III – Propriedades da Matéria]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Espaço Universal]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 3 – CRIAÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Formação dos Mundos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Formação dos Seres Vivos]] &lt;br /&gt;
* [[III – Povoamento da Terra – Adão]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Diversidade das Raças Humanas]] &lt;br /&gt;
* [[V – Pluralidade dos Mundos]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Considerações e Concordâncias Bíblicas Referentes à Criação]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 4 – PRINCÍPIO VITAL===&lt;br /&gt;
* [[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]] &lt;br /&gt;
* [[II – A Vida e a Morte]] &lt;br /&gt;
* [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS==&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – DOS ESPÍRITOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Origem e Natureza dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Mundo Normal Primitivo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Forma e Ubiquidade dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Perispírito]] &lt;br /&gt;
* [[V – Diferentes Ordens de Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Escala Espírita]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Progressão dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Anjos e Demônios]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Finalidade da Encarnação]] &lt;br /&gt;
* [[II – Da Alma]] &lt;br /&gt;
* [[III – Materialismo]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 3 – RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL===&lt;br /&gt;
* [[I – A Alma Após A Morte]] &lt;br /&gt;
* [[II – Separação da Alma e do Corpo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Perturbação Espírita]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 4 – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS===&lt;br /&gt;
* [[I – Da Reencarnação]] &lt;br /&gt;
* [[II – Justiça da Reencarnação]] &lt;br /&gt;
* [[III – Encarnação nos Diferentes Mundos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Transmigração Progressiva]] &lt;br /&gt;
* [[V – Sorte das Crianças Após a Morte]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Sexo nos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Parentesco e Filiação]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Semelhanças Físicas e Morais]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Idéias Inatas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 5 – CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS===&lt;br /&gt;
* [[I – Considerações sobre a Pluralidade das Existências]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 6 – VIDA ESPÍRITA===&lt;br /&gt;
* [[I – Espíritos Errantes]] &lt;br /&gt;
* [[II – Mundos Transitórios]] &lt;br /&gt;
* [[III – Percepções, Sensações e Sofrimentos dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Ensaio Teórico Sobre A Sensação Nos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[V – Escolha ds Provas]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Relações de Além-Túmulo]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Relações Simpáticas e Antipáticas dos Espíritos – Metades Eternas]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Lembranças da Existência Corpórea]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Comemorações dos Mortos – Funerais]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 7 – RETORNO À VIDA CORPORAL===&lt;br /&gt;
* [[I – Prelúdio do Retorno]] &lt;br /&gt;
* [[II – União da Alma com o Corpo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Influência do Organismo]] &lt;br /&gt;
* [[V – Idiotismo e Loucura]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Da Infância]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Esquecimento do Passado]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 8 – EMANCIPAÇÃO DA ALMA===&lt;br /&gt;
* [[I – O Sono E Os Sonhos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Visitas Espíritas Entre Vivos]] &lt;br /&gt;
* [[III – Transmissão Oculta do Pensamento]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Letargia, Catalepsia, Morte Aparente]] &lt;br /&gt;
* [[V – Sonambulismo]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Êxtase]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Dupla Vista]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Resumo Teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 9 – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO===&lt;br /&gt;
* [[I – Penetração No Nosso Pensamento Pelos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Influência Oculta dos Espíritos Sobre os Nossos Pensamentos e as Nossas Ações]] &lt;br /&gt;
* [[III – Possessos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Convulsionários]] &lt;br /&gt;
* [[V – Afeição dos Espíritos por Certas Pessoas]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Anjos da Guarda, Espíritos Protetores, Familiares ou Simpáticos]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Pressentimentos]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Ação dos Espíritos sobre os Fenômenos d Natureza]] &lt;br /&gt;
* [[X – Os Espíritos Durante os Combates]] &lt;br /&gt;
* [[XI – Dos Pactos]] &lt;br /&gt;
* [[XII – Poder Oculto, Talismãs, Feiticeiros]]&lt;br /&gt;
* [[XIII – Benção e Maldição]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 10 – OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Ocupações e Missões dos Espíritos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 11 – OS TRÊS REINOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Os Minerais e as Plantas]] &lt;br /&gt;
* [[II – Os Animais e o Homem]] &lt;br /&gt;
* [[III – Metempsicose]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS==&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – A LEI DIVINA OU NATURAL===&lt;br /&gt;
* [[I – Caracteres da Lei Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Conhecimento da Lei Natural]] &lt;br /&gt;
* [[III – O Bem e o Mal]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Divisão da Lei Natural]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – LEI DE ADORAÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Finalidade da Adoração]] &lt;br /&gt;
* [[II – Adoração Exterior]] &lt;br /&gt;
* [[III – Vida Contemplativa]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Da Prece]] &lt;br /&gt;
* [[V – Politeísmo]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Sacrifícios]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 3 – LEI DO TRABALHO===&lt;br /&gt;
* [[I – Necessidade do Trabalho]] &lt;br /&gt;
* [[II – Limite do Trabalho – Repouso]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 4 – LEI DA REPRODUÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – População do Globo]] &lt;br /&gt;
* [[II – Sucessão e Aperfeiçoamento das Raças]] &lt;br /&gt;
* [[III – Obstáculos à Reprodução]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Casamento e Celibato]] &lt;br /&gt;
* [[V – Poligamia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 5 – LEI DE CONSERVAÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Instinto de Conservação]] &lt;br /&gt;
* [[II – Meios de Conservação]] &lt;br /&gt;
* [[III – Gozo dos Bens da Terra]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Necessário e Supérfluo]] &lt;br /&gt;
* [[V – Privações Voluntárias – Mortificações]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 6 – LEI DE DESTRUIÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Destruição Necessária e Destruição Abusiva]] &lt;br /&gt;
* [[II – Flagelos Destruidores]] &lt;br /&gt;
* [[III – Guerras]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Assassínio]] &lt;br /&gt;
* [[V – Crueldade]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Duelo]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Pena de Morte]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 7 – LEI DE SOCIEDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Necessidade da Vida Social]] &lt;br /&gt;
* [[II – Vida de Isolamento – Voto de Silêncio]] &lt;br /&gt;
* [[III – Laços de Família]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 8 – LEI DO PROGRESSO===&lt;br /&gt;
* [[I – Estado Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Marcha do Progresso]] &lt;br /&gt;
* [[III – Povos Degenerados]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Civilização]] &lt;br /&gt;
* [[V – Progresso da Legislação Humana]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Influência do Espiritismo no Progresso]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 9 – LEI DE IGUALDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Igualdade Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Desigualdade de Aptidões]] &lt;br /&gt;
* [[III – Desigualdades Sociais]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Desigualdades das Riquezas]] &lt;br /&gt;
* [[V – Provas da Riqueza e da Miséria]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Igualdade de Direitos do Homem e da Mulher]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Igualdade Perante o Túmulo]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 10 – LEI DE LIBERDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Liberdade Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Escravidão]] &lt;br /&gt;
* [[III – Liberdade de Pensamento]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Liberdade de Consciência]] &lt;br /&gt;
* [[V – Livre Arbítrio]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Fatalidade]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Conhecimento do Futuro]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Resumo Teórico do Móvel das Ações Humanas]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 11 – LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Justiça e Direito Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Direito de Propriedade – Roubo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Caridade e Amor ao Próximo]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Amor Maternal e Filial]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 12 – PERFEIÇÃO MORAL===&lt;br /&gt;
* [[I – As Virtudes e os Vícios]] &lt;br /&gt;
* [[II – Das Paixões]] &lt;br /&gt;
* [[III – Do Egoísmo]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Caracteres do Homem de Bem]] &lt;br /&gt;
* [[V – Conhecimento de Si Mesmo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==LIVRO QUARTO – ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES==&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – PENAS E GOZOS TERRENOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Felicidade e Infelicidade Relativas]] &lt;br /&gt;
* [[II – Perda de Entes Queridos]] &lt;br /&gt;
* [[III – Decepções, Ingratidão, Quebra de Afeições]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Uniões Antipáticas]] &lt;br /&gt;
* [[V – Preocupação com a Morte]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – PENAS E GOZOS FUTUROS===&lt;br /&gt;
* [[I – O Nada – A Vida Futura]] &lt;br /&gt;
* [[II – Intuição das Penas e dos Gozos Futuros]] &lt;br /&gt;
* [[III – Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Natureza das Penas e Gozos Futuros]]&lt;br /&gt;
* [[V – Penas Temporais]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Expiação e Arrependimento]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Duração das Penas Futuras]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Ressurreição da Carne]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Paraíso, Inferno, Purgatório, Paraíso Perdido]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==CONCLUSÃO==&lt;br /&gt;
* [[Conclusão]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
*[http://www.febnet.org.br/ba/file/Obras%20B%C3%A1sicas/le.pdf O Livro dos Espíritos em pdf]&lt;br /&gt;
*[http://livrodosespiritos.wordpress.com/] O Livro dos Espíritos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_-_Seres_Org%C3%A2nicos_e_Inorg%C3%A2nicos&amp;diff=11303</id>
		<title>I - Seres Orgânicos e Inorgânicos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_-_Seres_Org%C3%A2nicos_e_Inorg%C3%A2nicos&amp;diff=11303"/>
		<updated>2011-08-06T03:16:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especia…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==60. É a mesma força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, a lei de atração é a mesma para todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==61. Há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 62. Qual a causa da animalização da matéria? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sua união com o princípio vital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 63. O princípio vital é propriedade de um agente especial ou apenas da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E uma e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 64. Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do universo. O princípio vital formaria um terceiro? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—É um dos elementos necessários à constituição do universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 64- a) Parece resultar daí que a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devido a certas modificações desta. ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É essa a conseqüência do que dissemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 65. O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 66. O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e duvidado, e os distingue da matéria inerte, pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 67. A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, ou somente se desenvolve com o funcionamento dos órgãos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Só se desenvolve com o corpo. Não dissemos que esse agente, sem a matéria, não é vida? É necessária a união de ambos para produzir a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 67- a) Podemos dizer que a vitalidade permanece, quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, é isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade intima ou princípio vital que neles existe. O principio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Livro_dos_Esp%C3%ADritos&amp;diff=11302</id>
		<title>Livro dos Espíritos</title>
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		<updated>2011-08-06T03:15:56Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: /* Cap. 4 – PRINCÍPIO VITAL */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Com este livro surgiu no mundo o Espiritismo. Sua primeira edição foi lançada a 18 de abril de 1857, em Paris, pelo editor E. Dentu, estabelecido no Falais Royal, Galérie d’0rléans, 13. Três novidades, à maneira das tríades druídicas, apareciam com este livro: a Doutrina Espírita, a palavra Espiritismo, que a designava; e o nome Allan Kardec, que provinha do passado celta das Gálias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira novidade era apresentada como antiga, em virtude de representar a eterna realidade espiritual, servindo de fundamento a todas as religiões de todos os tempos: a Doutrina Espírita. Era, entretanto, a primeira vez que aparecia na sua inteireza, graças à revelação do Espírito de Verdade prometida pelo Cristo. A segunda, a palavra Espiritismo, era um neologismo criado por Kardec e desde aquele momento integrado na língua francesa e nos demais idiomas do mundo. A terceira representava a ressurreição do nome de um sacerdote druida desconhecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maneira por que o livro fora escrito era também inteiramente nova. O Prof. Denizard Hippolyte Léon Rivail fizera as perguntas que eram respondidas pelos Espíritos, sob a direção do Espírito de Verdade, através das cestinhas-de-bico. Psicografia indireta. Os médiuns, duas meninas, Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14, colocavam as mãos nas bordas da cesta e o lápis (o bico) escrevia numa lousa. Pelo mesmo processo, o livro foi revisado pelo Espírito de Verdade, através de outra menina, a Srtª Japhet. Outros médiuns foram posteriormente consultados e Kardec informa, em Obras Póstumas: “Foi dessa maneira que mais de dez médiuns prestaram concurso a esse trabalho”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este livro é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo e conjugado entre o Céu e a Terra. O Prof. Denizard não o publicou com o seu nome ilustre de pedagogo e cientista, mas com o nome obscuro de [[Allan Kardec]], que havia tido entre os druidas, na encarnação em que se preparava ativamente para a missão espírita. O nome obscuro suplantou o nome ilustre, pois representava, na Terra, a Falange do Consolador. Esta falange se constituía dos Espíritos Reveladores, sob a orientação do Espírito de Verdade e dos pioneiros encarnados, com Allan Kardec à frente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A 16 de março de 1860, foi publicada a segunda edição deste livro, inteiramente revisto, reestruturado e aumentado por Kardec, sob orientação do Espírito de Verdade, que, desde a elaboração da primeira edição, já o avisara de que nem tudo podia ser feito naquela. Assim, a primeira edição foi o primeiro impacto da Doutrina Espírita no mundo, preparando ambiente para a segunda que a completaria. Toda a Doutrina está contida neste livro, de forma sintética, e foi posteriormente desenvolvida nos demais volumes da Codificação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escrito na forma dialogada da Filosofia Clássica, em linguagem clara e simples, para divulgação popular, este livro é um verdadeiro tratado filosófico que começa pela Metafísica, desenvolvendo cm novas perspectivas a Ontologia, a Sociologia, a Psicologia, a Ética, e estabelecendo as ligações históricas de todas as fases da evolução humana em seus aspectos biológico, psíquico, social e espiritual. Um livro para ser estudado e meditado, com o auxílio dos demais volumes da Codificação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Conteúdo==&lt;br /&gt;
* [[Explicação sobre o livro, por José Herculano Pires]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA===&lt;br /&gt;
* [[I – Espiritismo e Espiritualismo]] &lt;br /&gt;
* [[II – Alma, Princípio Vital e Fluido Vital]]&lt;br /&gt;
* [[III – A Doutrina E Seus Contraditores]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Manifestações Inteligentes]] &lt;br /&gt;
* [[V – Desenvolvimento da Psicografia]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Resumo da Doutrina dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VII – A Ciência e o Espiritismo]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Perseverança e Seriedade]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Monopolizadores do Bom Senso]] &lt;br /&gt;
* [[X – A Linguagem dos Espíritos e o Poder Diabólico]] &lt;br /&gt;
* [[XI – Grandes e Pequenos]] &lt;br /&gt;
* [[XII – Da Identificação dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[XIII – As Divergências de Linguagem]] &lt;br /&gt;
* [[XIV – As Questões de Ortografia]] &lt;br /&gt;
* [[XV – A Loucura E Suas Causas]] &lt;br /&gt;
* [[XVI – A Teoria Magnética E Do Meio Ambiente]]&lt;br /&gt;
* [[XVII – Preenchendo Os Espaços Vazios]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – DEUS===&lt;br /&gt;
* [[I – Deus e O Infinito]] &lt;br /&gt;
* [[II – Provas da Existência de Deus]] &lt;br /&gt;
* [[III – Atributos da Divindade]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Panteísmo]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO===&lt;br /&gt;
* [[I – Conhecimento do Princípio das Coisas]] &lt;br /&gt;
* [[II – Espírito e Matéria]] &lt;br /&gt;
* [[III – Propriedades da Matéria]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Espaço Universal]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 3 – CRIAÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Formação dos Mundos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Formação dos Seres Vivos]] &lt;br /&gt;
* [[III – Povoamento da Terra – Adão]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Diversidade das Raças Humanas]] &lt;br /&gt;
* [[V – Pluralidade dos Mundos]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Considerações e Concordâncias Bíblicas Referentes à Criação]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 4 – PRINCÍPIO VITAL===&lt;br /&gt;
* [[I - Seres Orgânicos e Inorgânicos]] &lt;br /&gt;
* [[II – A Vida e a Morte]] &lt;br /&gt;
* [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==LIVRO SEGUNDO – MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS==&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – DOS ESPÍRITOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Origem e Natureza dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Mundo Normal Primitivo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Forma e Ubiquidade dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Perispírito]] &lt;br /&gt;
* [[V – Diferentes Ordens de Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Escala Espírita]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Progressão dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Anjos e Demônios]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Finalidade da Encarnação]] &lt;br /&gt;
* [[II – Da Alma]] &lt;br /&gt;
* [[III – Materialismo]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 3 – RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL===&lt;br /&gt;
* [[I – A Alma Após A Morte]] &lt;br /&gt;
* [[II – Separação da Alma e do Corpo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Perturbação Espírita]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 4 – PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS===&lt;br /&gt;
* [[I – Da Reencarnação]] &lt;br /&gt;
* [[II – Justiça da Reencarnação]] &lt;br /&gt;
* [[III – Encarnação nos Diferentes Mundos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Transmigração Progressiva]] &lt;br /&gt;
* [[V – Sorte das Crianças Após a Morte]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Sexo nos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Parentesco e Filiação]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Semelhanças Físicas e Morais]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Idéias Inatas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 5 – CONSIDERAÇÕES SOBRE A PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS===&lt;br /&gt;
* [[I – Considerações sobre a Pluralidade das Existências]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 6 – VIDA ESPÍRITA===&lt;br /&gt;
* [[I – Espíritos Errantes]] &lt;br /&gt;
* [[II – Mundos Transitórios]] &lt;br /&gt;
* [[III – Percepções, Sensações e Sofrimentos dos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Ensaio Teórico Sobre A Sensação Nos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[V – Escolha ds Provas]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Relações de Além-Túmulo]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Relações Simpáticas e Antipáticas dos Espíritos – Metades Eternas]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Lembranças da Existência Corpórea]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Comemorações dos Mortos – Funerais]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 7 – RETORNO À VIDA CORPORAL===&lt;br /&gt;
* [[I – Prelúdio do Retorno]] &lt;br /&gt;
* [[II – União da Alma com o Corpo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Faculdades Morais e Intelectuais]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Influência do Organismo]] &lt;br /&gt;
* [[V – Idiotismo e Loucura]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Da Infância]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Simpatias e Antipatias Terrenas]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Esquecimento do Passado]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 8 – EMANCIPAÇÃO DA ALMA===&lt;br /&gt;
* [[I – O Sono E Os Sonhos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Visitas Espíritas Entre Vivos]] &lt;br /&gt;
* [[III – Transmissão Oculta do Pensamento]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Letargia, Catalepsia, Morte Aparente]] &lt;br /&gt;
* [[V – Sonambulismo]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Êxtase]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Dupla Vista]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Resumo Teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 9 – INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPÓREO===&lt;br /&gt;
* [[I – Penetração No Nosso Pensamento Pelos Espíritos]] &lt;br /&gt;
* [[II – Influência Oculta dos Espíritos Sobre os Nossos Pensamentos e as Nossas Ações]] &lt;br /&gt;
* [[III – Possessos]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Convulsionários]] &lt;br /&gt;
* [[V – Afeição dos Espíritos por Certas Pessoas]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Anjos da Guarda, Espíritos Protetores, Familiares ou Simpáticos]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Pressentimentos]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Influência dos Espíritos sobre os Acontecimentos da Vida]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Ação dos Espíritos sobre os Fenômenos d Natureza]] &lt;br /&gt;
* [[X – Os Espíritos Durante os Combates]] &lt;br /&gt;
* [[XI – Dos Pactos]] &lt;br /&gt;
* [[XII – Poder Oculto, Talismãs, Feiticeiros]]&lt;br /&gt;
* [[XIII – Benção e Maldição]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 10 – OCUPAÇÕES E MISSÕES DOS ESPÍRITOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Ocupações e Missões dos Espíritos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 11 – OS TRÊS REINOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Os Minerais e as Plantas]] &lt;br /&gt;
* [[II – Os Animais e o Homem]] &lt;br /&gt;
* [[III – Metempsicose]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==LIVRO TERCEIRO – AS LEIS MORAIS==&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – A LEI DIVINA OU NATURAL===&lt;br /&gt;
* [[I – Caracteres da Lei Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Conhecimento da Lei Natural]] &lt;br /&gt;
* [[III – O Bem e o Mal]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Divisão da Lei Natural]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – LEI DE ADORAÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Finalidade da Adoração]] &lt;br /&gt;
* [[II – Adoração Exterior]] &lt;br /&gt;
* [[III – Vida Contemplativa]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Da Prece]] &lt;br /&gt;
* [[V – Politeísmo]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Sacrifícios]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 3 – LEI DO TRABALHO===&lt;br /&gt;
* [[I – Necessidade do Trabalho]] &lt;br /&gt;
* [[II – Limite do Trabalho – Repouso]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 4 – LEI DA REPRODUÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – População do Globo]] &lt;br /&gt;
* [[II – Sucessão e Aperfeiçoamento das Raças]] &lt;br /&gt;
* [[III – Obstáculos à Reprodução]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Casamento e Celibato]] &lt;br /&gt;
* [[V – Poligamia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 5 – LEI DE CONSERVAÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Instinto de Conservação]] &lt;br /&gt;
* [[II – Meios de Conservação]] &lt;br /&gt;
* [[III – Gozo dos Bens da Terra]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Necessário e Supérfluo]] &lt;br /&gt;
* [[V – Privações Voluntárias – Mortificações]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 6 – LEI DE DESTRUIÇÃO===&lt;br /&gt;
* [[I – Destruição Necessária e Destruição Abusiva]] &lt;br /&gt;
* [[II – Flagelos Destruidores]] &lt;br /&gt;
* [[III – Guerras]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Assassínio]] &lt;br /&gt;
* [[V – Crueldade]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Duelo]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Pena de Morte]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 7 – LEI DE SOCIEDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Necessidade da Vida Social]] &lt;br /&gt;
* [[II – Vida de Isolamento – Voto de Silêncio]] &lt;br /&gt;
* [[III – Laços de Família]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 8 – LEI DO PROGRESSO===&lt;br /&gt;
* [[I – Estado Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Marcha do Progresso]] &lt;br /&gt;
* [[III – Povos Degenerados]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Civilização]] &lt;br /&gt;
* [[V – Progresso da Legislação Humana]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Influência do Espiritismo no Progresso]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 9 – LEI DE IGUALDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Igualdade Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Desigualdade de Aptidões]] &lt;br /&gt;
* [[III – Desigualdades Sociais]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Desigualdades das Riquezas]] &lt;br /&gt;
* [[V – Provas da Riqueza e da Miséria]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Igualdade de Direitos do Homem e da Mulher]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Igualdade Perante o Túmulo]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 10 – LEI DE LIBERDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Liberdade Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Escravidão]] &lt;br /&gt;
* [[III – Liberdade de Pensamento]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Liberdade de Consciência]] &lt;br /&gt;
* [[V – Livre Arbítrio]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Fatalidade]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Conhecimento do Futuro]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Resumo Teórico do Móvel das Ações Humanas]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 11 – LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE===&lt;br /&gt;
* [[I – Justiça e Direito Natural]] &lt;br /&gt;
* [[II – Direito de Propriedade – Roubo]] &lt;br /&gt;
* [[III – Caridade e Amor ao Próximo]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Amor Maternal e Filial]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 12 – PERFEIÇÃO MORAL===&lt;br /&gt;
* [[I – As Virtudes e os Vícios]] &lt;br /&gt;
* [[II – Das Paixões]] &lt;br /&gt;
* [[III – Do Egoísmo]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Caracteres do Homem de Bem]] &lt;br /&gt;
* [[V – Conhecimento de Si Mesmo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==LIVRO QUARTO – ESPERANÇAS E CONSOLAÇÕES==&lt;br /&gt;
===Cap. 1 – PENAS E GOZOS TERRENOS===&lt;br /&gt;
* [[I – Felicidade e Infelicidade Relativas]] &lt;br /&gt;
* [[II – Perda de Entes Queridos]] &lt;br /&gt;
* [[III – Decepções, Ingratidão, Quebra de Afeições]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Uniões Antipáticas]] &lt;br /&gt;
* [[V – Preocupação com a Morte]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Cap. 2 – PENAS E GOZOS FUTUROS===&lt;br /&gt;
* [[I – O Nada – A Vida Futura]] &lt;br /&gt;
* [[II – Intuição das Penas e dos Gozos Futuros]] &lt;br /&gt;
* [[III – Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas]] &lt;br /&gt;
* [[IV – Natureza das Penas e Gozos Futuros]]&lt;br /&gt;
* [[V – Penas Temporais]] &lt;br /&gt;
* [[VI – Expiação e Arrependimento]] &lt;br /&gt;
* [[VII – Duração das Penas Futuras]] &lt;br /&gt;
* [[VIII – Ressurreição da Carne]] &lt;br /&gt;
* [[IX – Paraíso, Inferno, Purgatório, Paraíso Perdido]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==CONCLUSÃO==&lt;br /&gt;
* [[Conclusão]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
*[http://www.febnet.org.br/ba/file/Obras%20B%C3%A1sicas/le.pdf O Livro dos Espíritos em pdf]&lt;br /&gt;
*[http://livrodosespiritos.wordpress.com/] O Livro dos Espíritos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_Seres_Org%C3%A2nicos_e_Inorg%C3%A2nicos&amp;diff=11301</id>
		<title>I Seres Orgânicos e Inorgânicos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=I_Seres_Org%C3%A2nicos_e_Inorg%C3%A2nicos&amp;diff=11301"/>
		<updated>2011-08-06T03:11:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especia…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==60. É a mesma força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, a lei de atração é a mesma para todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==61. Há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 62. Qual a causa da animalização da matéria? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sua união com o princípio vital.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 63. O princípio vital é propriedade de um agente especial ou apenas da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E uma e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 64. Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do universo. O princípio vital formaria um terceiro? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—É um dos elementos necessários à constituição do universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 64- a) Parece resultar daí que a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devido a certas modificações desta. ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É essa a conseqüência do que dissemos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 65. O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 66. O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e duvidado, e os distingue da matéria inerte, pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 67. A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, ou somente se desenvolve com o funcionamento dos órgãos? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Só se desenvolve com o corpo. Não dissemos que esse agente, sem a matéria, não é vida? É necessária a união de ambos para produzir a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 67- a) Podemos dizer que a vitalidade permanece, quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sim, é isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade intima ou princípio vital que neles existe. O principio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo IV==&lt;br /&gt;
[[I – Seres Orgânicos e Inorgânicos]], [[II – A Vida e a Morte]], [[III – Inteligência e Instinto]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]], [[category: Livro dos Espíritos]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Desgosto_Pela_Vida_%E2%80%93_Suic%C3%ADdio&amp;diff=11300</id>
		<title>VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Desgosto_Pela_Vida_%E2%80%93_Suic%C3%ADdio&amp;diff=11300"/>
		<updated>2011-08-06T01:47:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== 943. De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de alguns  indivíduos sem motivos plausíveis? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. Para aqueles que exercem as suas faculdades com um fim útil e segundo as suas  aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente; suportam as suas vicissitudes com tanto mais paciência e  resignação quanto mais agem tendo em vista a felicidade mais sólida e mais durável que os espera.&lt;br /&gt;
       &lt;br /&gt;
== 944. O homem tem o direito de dispor da sua própria vida? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma   transgressão dessa lei.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 944 – a) O suicídio não é sempre voluntário? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O louco que se mata não sabe o que faz.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
== 945. O que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada!&lt;br /&gt;
       &lt;br /&gt;
== 946. Que pensar do suicida que tem por fim escapar às misérias e às decepções deste mundo? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pobres Espíritos que não tiveram a coragem de suportar as misérias  da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que não têm força nem coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam uma saída nisso que, na sua impiedade, chamam de sorte ou acaso! A sorte ou acaso, para me servir de sua linguagem, podem de fato favorecê-los por um instante, mas somente para lhes fazer sentir mais tarde, e de maneira mais cruel, o vazio de suas palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 946 – a) Os que levaram o desgraçado a esse ato de desespero sofrerão as conseqüências disso? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Oh! Infelizes deles! Porque responderão como por um assassínio.&lt;br /&gt;
       &lt;br /&gt;
== 947. O homem que se vê às voltas com a necessidade e se deixa morrer de desespero pode ser considerado como suicida? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—E um suicida, mas os que o causaram ou que o poderiam impedir são mais culpáveis que ele, a quem a indulgência espera. Não acrediteis, porém, que seja inteiramente absolvido se lhe faltou a firmeza e a perseverança, e se não fez uso de toda a sua inteligência para sair das dificuldades. Infeliz dele, sobretudo, se o seu desespero é filho do orgulho; quero dizer, se é um desses homens em que o orgulho paralisa os recursos da inteligência e que se envergonhariam se tivessem de dever a existência ao trabalho das próprias mãos, preferindo morrer de fome a descer do que chamam a sua posição social! Não há cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade, em enfrentar a crítica de um inundo f útil e egoísta, que só tem boa vontade para aqueles a quem nada falta, e que vos volta as costas quando dele necessitais? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque ele não se importará com isso.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 948. O suicida que tem por fim escapar à vergonha de uma ação má é tão repreensível como o que é levado pelo desespero? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O suicídio não apaga a falta. Pelo contrário, com ele aparecem duas em lugar de uma. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso tê-la para sofrer as conseqüências. Deus é quem julga. E, segundo a causa, pode, às vezes, diminuir o seu rigor.                     &lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
== 949. O suicídio é perdoável quando tem por fim impedir que a vergonha envolva os filhos ou a família? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Aquele que assim age não procede bem, mas acredita que sim, e  Deus levará em conta a sua intenção, porque será uma expiação que a si mesmo se impôs. Ele atenua a sua falta pela intenção, mas nem por isso deixa de cometer uma falta. De resto, se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na  vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço de reparação; mas o suicídio nada repara.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 950. Que pensar daquele que tira a própria vida com a esperança de chegar mais cedo a uma vida melhor? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Outra loucura! Que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la, porque, daquela forma, retarda a sua entrada num mundo melhor e ele mesmo pedirá para vir completar essa vida que interrompeu por uma falsa idéia. Uma falta, qualquer que ela seja, não abre jamais o santuário dos eleitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 951. O sacrifício da vida não é às vezes meritório, quando tem por fim salvar a de outros ou ser útil aos semelhantes? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso é sublime, de acordo com a intenção, e o sacrifício da vida não é então um suicídio. Mas Deus se opõe a um sacrifício inútil e não pode vê-lo com prazer, se estiver manchado pelo orgulho. Um sacrifício não é meritório senão pelo desinteresse, e aquele que o pratica tem, às vezes, uma segunda intenção que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Todo sacrifício feito à custa da própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de caridade. Ora, sendo a vida o bem terreno a que o homem dá maior valor, aquele que a ela renuncia pelo bem dos seus semelhantes não comete um atentado: é um sacrifício que ele realiza. Mas antes de o realizar deve refletir se a sua vida não poderá ser mais útil que a sua morte.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
== 952. O homem que perece como vítima do abuso das paixões que, como o sabe, deve abreviar o seu fim mas às quais não tem mais o poder de resistir, porque o hábito as transformou em verdadeiras necessidades físicas, comete um suicídio? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E um suicídio moral. Não compreendeis que o homem, neste caso, é duplamente culpado? Há nele falta de coragem e bestialidade, e além. disso o esquecimento de Deus.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 952 – a) É mais ou menos culpado do que aquele que corta a sua vida por desespero? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É mais culpado porque teve tempo de raciocinar sobre o seu suicídio. Naquele que o comete instantaneamente há. às vezes, uma espécie de desvario que se aproxima da loucura; o outro será muito mais punido, porque as penas são sempre proporcionadas à consciência que se tenha das faltas cometidas.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 953. Quando uma pessoa vê à sua frente uma morte inevitável e terrível, é culpada por abreviar de alguns instantes o seu sofrimento, por uma morte voluntária? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sempre se é culpado de não esperar o termo fixado por Deus. Aliás, haverá certeza de que ele tenha chegado, malgrado as aparências, e não se pode receber um socorro inesperado no derradeiro momento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 953 – a) Concebe-se que, em circunstancias ordinárias, seja o suicídio repreensível, mas figuramos o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é abreviada por alguns instantes. ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 953 – b) Nesse caso, quais são as conseqüências de tal ação? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Uma expiação proporcional à gravidade da falta, segundo as circunstâncias, como sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 954. Uma imprudência que compromete a vida sem necessidade é repreensível? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não há culpabilidade quando não há a intenção ou a consciência positiva de fazer o mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 955. As mulheres que, em certos países, se queimam voluntariamente  sobre os corpos de seus maridos podem ser consideradas como tendo se suicidado e sofrem as conseqüências disso? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Elas obedecem a um preconceito e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio. Sua escusa está na falta de formação moral da maioria delas e na sua ignorância. Essas usanças bárbaras e estúpidas desaparecem com a civilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 956. Os que, não podendo suportar a perda de pessoas queridas, se matam, na esperança de se juntarem a elas, atingem o seu objetivo? ==&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
— O resultado para elas é bastante diverso do que esperam, pois, em vez de se unirem ao objeto de sua afeição, dele se afastam por mais tempo, porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que lhe é lançado com a dúvida quanto à sua providencia. Eles pagarão esse instante de loucura com aflições ainda maiores do que aquelas que quiseram abreviar, e não terão para os compensar a satisfação que esperavam. (Ver item 934 e seguintes.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 957. Quais são, em geral, as conseqüências do suicídio sobre o estado do Espírito? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência, que será pior que aquela cujo curso interromperam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;A observação mostra, com efeito, que as conseqüências do suicídio não são sempre as mesmas. Há, porém, as que são comuns a todos os casos de morte violenta, as que decorrem da interrupção brusca da vida. É primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito e o corpo, porque esse laço está quase sempre em todo o seu vigor no momento em que foi rompido, enquanto na morte natural se enfraquece gradualmente e em geral até mesmo se desata antes da extinção completa da vida. As conseqüências desse estado de coisas são a prolongação da perturbação espírita, seguida da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos. (Ver itens 155 e 165.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas. uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que, assim, ressente, malgrado seu, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústia e horror. Esse estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida. Esse efeito não é geral; mas em alguns casos o suicida não se livra das conseqüências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia essa falta, de uma ou de outra maneira.  É assim que certos Espíritos, que haviam sido muito infelizes na Terra, disseram haver se suicidado na existência precedente e estar voluntariamente submetidos a novas provas, tentando suportá-las com mais resignação. Em alguns, é uma espécie de apego à matéria, da qual procuram inutilmente desembaraçar-se para se dirigirem a mundos melhores, mas cujo acesso lhes é interditado. Na maioria, é o remorso de haverem feito uma coisa inútil, da qual só provam decepções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Mas por que não se terá esse direito? Por que não se é livre de pôr um termo aos próprios sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é apenas uma falta como infração a uma moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica e até pelo contrário. Não é pela teoria que ele nos ensina isso, mas pêlos próprios fatos que coloca sob os nossos olhos.&#039;&#039;(1)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota ==&lt;br /&gt;
(1) 0 argumento espírita contra o suicídio não é apenas moral, como se vê, mas também biológico, firmando-se no princípio de ligação entre o Espírito e o corpo. A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis, que o Espiritismo revelou através de rigorosa investigação. O sofrimento do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas leis; é como arrancar à força um fruto verde da árvore.           &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— As estatísticas mostram que a incidência do suicídio é maior nos países e nas épocas em que a ambição e o materialismo se acentuam, provocando mais abusos e excitando preconceitos. A falta de organização social justa e de educação para todos é causa de suicídios e crimes. Ver o final do item 949: “… se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.” (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo I==&lt;br /&gt;
[[I – Felicidade e Infelicidade Relativas]], [[II – Perda de Entes Queridos]], [[III – Decepções, Ingratidão, Quebra de Afeições]], [[IV – Uniões Antipáticas]], [[V – Preocupação com a Morte]], [[VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=VI_%E2%80%93_Desgosto_Pela_Vida_%E2%80%93_Suic%C3%ADdio&amp;diff=11299</id>
		<title>VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio</title>
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		<updated>2011-08-06T01:44:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Pedroalex: Created page with &amp;#039;== 943. De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de alguns  indivíduos sem motivos plausíveis? ==  — Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. P…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== 943. De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de alguns  indivíduos sem motivos plausíveis? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. Para aqueles que exercem as suas faculdades com um fim útil e segundo as suas  aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente; suportam as suas vicissitudes com tanto mais paciência e  resignação quanto mais agem tendo em vista a felicidade mais sólida e mais durável que os espera.&lt;br /&gt;
       &lt;br /&gt;
== 944. O homem tem o direito de dispor da sua própria vida? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma   transgressão dessa lei.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 944 – a) O suicídio não é sempre voluntário? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O louco que se mata não sabe o que faz.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
== 945. O que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido tão pesada!&lt;br /&gt;
       &lt;br /&gt;
== 946. Que pensar do suicida que tem por fim escapar às misérias e às decepções deste mundo? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pobres Espíritos que não tiveram a coragem de suportar as misérias  da existência! Deus ajuda aos que sofrem e não aos que não têm força nem coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam uma saída nisso que, na sua impiedade, chamam de sorte ou acaso! A sorte ou acaso, para me servir de sua linguagem, podem de fato favorecê-los por um instante, mas somente para lhes fazer sentir mais tarde, e de maneira mais cruel, o vazio de suas palavras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 946 – a) Os que levaram o desgraçado a esse ato de desespero sofrerão as conseqüências disso? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Oh! Infelizes deles! Porque responderão como por um assassínio.&lt;br /&gt;
       &lt;br /&gt;
== 947. O homem que se vê às voltas com a necessidade e se deixa morrer de desespero pode ser considerado como suicida? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
—E um suicida, mas os que o causaram ou que o poderiam impedir são mais culpáveis que ele, a quem a indulgência espera. Não acrediteis, porém, que seja inteiramente absolvido se lhe faltou a firmeza e a perseverança, e se não fez uso de toda a sua inteligência para sair das dificuldades. Infeliz dele, sobretudo, se o seu desespero é filho do orgulho; quero dizer, se é um desses homens em que o orgulho paralisa os recursos da inteligência e que se envergonhariam se tivessem de dever a existência ao trabalho das próprias mãos, preferindo morrer de fome a descer do que chamam a sua posição social! Não há cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade, em enfrentar a crítica de um inundo f útil e egoísta, que só tem boa vontade para aqueles a quem nada falta, e que vos volta as costas quando dele necessitais? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque ele não se importará com isso.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 948. O suicida que tem por fim escapar à vergonha de uma ação má é tão repreensível como o que é levado pelo desespero? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O suicídio não apaga a falta. Pelo contrário, com ele aparecem duas em lugar de uma. Quando se teve a coragem de praticar o mal, é preciso tê-la para sofrer as conseqüências. Deus é quem julga. E, segundo a causa, pode, às vezes, diminuir o seu rigor.                     &lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
== 949. O suicídio é perdoável quando tem por fim impedir que a vergonha envolva os filhos ou a família? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Aquele que assim age não procede bem, mas acredita que sim, e  Deus levará em conta a sua intenção, porque será uma expiação que a si mesmo se impôs. Ele atenua a sua falta pela intenção, mas nem por isso deixa de cometer uma falta. De resto, se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na  vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva em conta o nosso esforço de reparação; mas o suicídio nada repara.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 950. Que pensar daquele que tira a própria vida com a esperança de chegar mais cedo a uma vida melhor? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Outra loucura! Que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la, porque, daquela forma, retarda a sua entrada num mundo melhor e ele mesmo pedirá para vir completar essa vida que interrompeu por uma falsa idéia. Uma falta, qualquer que ela seja, não abre jamais o santuário dos eleitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 951. O sacrifício da vida não é às vezes meritório, quando tem por fim salvar a de outros ou ser útil aos semelhantes? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Isso é sublime, de acordo com a intenção, e o sacrifício da vida não é então um suicídio. Mas Deus se opõe a um sacrifício inútil e não pode vê-lo com prazer, se estiver manchado pelo orgulho. Um sacrifício não é meritório senão pelo desinteresse, e aquele que o pratica tem, às vezes, uma segunda intenção que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;Todo sacrifício feito à custa da própria felicidade é um ato soberanamente meritório aos olhos de Deus, porque é a prática da lei de caridade. Ora, sendo a vida o bem terreno a que o homem dá maior valor, aquele que a ela renuncia pelo bem dos seus semelhantes não comete um atentado: é um sacrifício que ele realiza. Mas antes de o realizar deve refletir se a sua vida não poderá ser mais útil que a sua morte.&#039;&#039;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
== 952. O homem que perece como vítima do abuso das paixões que, como o sabe, deve abreviar o seu fim mas às quais não tem mais o poder de resistir, porque o hábito as transformou em verdadeiras necessidades físicas, comete um suicídio? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E um suicídio moral. Não compreendeis que o homem, neste caso, é duplamente culpado? Há nele falta de coragem e bestialidade, e além. disso o esquecimento de Deus.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 952 – a) É mais ou menos culpado do que aquele que corta a sua vida por desespero? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É mais culpado porque teve tempo de raciocinar sobre o seu suicídio. Naquele que o comete instantaneamente há. às vezes, uma espécie de desvario que se aproxima da loucura; o outro será muito mais punido, porque as penas são sempre proporcionadas à consciência que se tenha das faltas cometidas.&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 953. Quando uma pessoa vê à sua frente uma morte inevitável e terrível, é culpada por abreviar de alguns instantes o seu sofrimento, por uma morte voluntária? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Sempre se é culpado de não esperar o termo fixado por Deus. Aliás, haverá certeza de que ele tenha chegado, malgrado as aparências, e não se pode receber um socorro inesperado no derradeiro momento?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 953 – a) Concebe-se que, em circunstancias ordinárias, seja o suicídio repreensível, mas figuramos o caso em que a morte é inevitável e em que a vida só é abreviada por alguns instantes. ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 953 – b) Nesse caso, quais são as conseqüências de tal ação? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Uma expiação proporcional à gravidade da falta, segundo as circunstâncias, como sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 954. Uma imprudência que compromete a vida sem necessidade é repreensível? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não há culpabilidade quando não há a intenção ou a consciência positiva de fazer o mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 955. As mulheres que, em certos países, se queimam voluntariamente  sobre os corpos de seus maridos podem ser consideradas como tendo se suicidado e sofrem as conseqüências disso? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Elas obedecem a um preconceito e geralmente o fazem mais pela força do que pela própria vontade. Acreditam cumprir um dever, o que não é característica do suicídio. Sua escusa está na falta de formação moral da maioria delas e na sua ignorância. Essas usanças bárbaras e estúpidas desaparecem com a civilização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== 956. Os que, não podendo suportar a perda de pessoas queridas, se matam, na esperança de se juntarem a elas, atingem o seu objetivo? ==&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
— O resultado para elas é bastante diverso do que esperam, pois, em vez de se unirem ao objeto de sua afeição, dele se afastam por mais tempo, porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que lhe é lançado com a dúvida quanto à sua providencia. Eles pagarão esse instante de loucura com aflições ainda maiores do que aquelas que quiseram abreviar, e não terão para os compensar a satisfação que esperavam. (Ver item 934 e seguintes.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
      &lt;br /&gt;
== 957. Quais são, em geral, as conseqüências do suicídio sobre o estado do Espírito? ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa nova existência, que será pior que aquela cujo curso interromperam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&#039;&#039;&#039;Comentário de Kardec:&#039;&#039;&#039; &#039;&#039;A observação mostra, com efeito, que as conseqüências do suicídio não são sempre as mesmas. Há, porém, as que são comuns a todos os casos de morte violenta, as que decorrem da interrupção brusca da vida. É primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito e o corpo, porque esse laço está quase sempre em todo o seu vigor no momento em que foi rompido, enquanto na morte natural se enfraquece gradualmente e em geral até mesmo se desata antes da extinção completa da vida. As conseqüências desse estado de coisas são a prolongação da perturbação espírita, seguida da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos. (Ver itens 155 e 165.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas. uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que, assim, ressente, malgrado seu, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústia e horror. Esse estado pode persistir tão longamente quanto tivesse de durar a vida que foi interrompida. Esse efeito não é geral; mas em alguns casos o suicida não se livra das conseqüências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, expia essa falta, de uma ou de outra maneira.  É assim que certos Espíritos, que haviam sido muito infelizes na Terra, disseram haver se suicidado na existência precedente e estar voluntariamente submetidos a novas provas, tentando suportá-las com mais resignação. Em alguns, é uma espécie de apego à matéria, da qual procuram inutilmente desembaraçar-se para se dirigirem a mundos melhores, mas cujo acesso lhes é interditado. Na maioria, é o remorso de haverem feito uma coisa inútil, da qual só provam decepções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não se tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Mas por que não se terá esse direito? Por que não se é livre de pôr um termo aos próprios sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é apenas uma falta como infração a uma moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica e até pelo contrário. Não é pela teoria que ele nos ensina isso, mas pêlos próprios fatos que coloca sob os nossos olhos.&#039;&#039;[[1]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota ==&lt;br /&gt;
[[1]] 0 argumento espírita contra o suicídio não é apenas moral, como se vê, mas também biológico, firmando-se no princípio de ligação entre o Espírito e o corpo. A morte, como fenômeno natural, tem as suas leis, que o Espiritismo revelou através de rigorosa investigação. O sofrimento do suicida decorre do rompimento arbitrário dessas leis; é como arrancar à força um fruto verde da árvore.           &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— As estatísticas mostram que a incidência do suicídio é maior nos países e nas épocas em que a ambição e o materialismo se acentuam, provocando mais abusos e excitando preconceitos. A falta de organização social justa e de educação para todos é causa de suicídios e crimes. Ver o final do item 949: “… se abolirdes os abusos da vossa sociedade e os vossos preconceitos, não tereis mais suicídios.” (N. do T.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Capítulo I==&lt;br /&gt;
[[I – Felicidade e Infelicidade Relativas]], [[II – Perda de Entes Queridos]], [[III – Decepções, Ingratidão, Quebra de Afeições]], [[IV – Uniões Antipáticas]], [[V – Preocupação com a Morte]], [[VI – Desgosto Pela Vida – Suicídio]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Pedroalex</name></author>
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