<?xml version="1.0"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="en">
	<id>https://wiki.deldebbio.com.br/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Rarrais</id>
	<title>Wiki - User contributions [en]</title>
	<link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://wiki.deldebbio.com.br/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Rarrais"/>
	<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php/Special:Contributions/Rarrais"/>
	<updated>2026-10-24T11:49:12Z</updated>
	<subtitle>User contributions</subtitle>
	<generator>MediaWiki 1.41.0</generator>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=As_li%C3%A7%C3%B5es_do_carma&amp;diff=10857</id>
		<title>As lições do carma</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=As_li%C3%A7%C3%B5es_do_carma&amp;diff=10857"/>
		<updated>2011-06-09T22:06:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  Crédito da foto:John-Francis Bourke/Corbis  Existem várias interpretações …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:college.jpg|right|thumb|300px|Crédito da foto:John-Francis Bourke/Corbis]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem várias interpretações para o significado de carma, de acordo com as doutrinas hinduísta, budista, jainista, e posteriormente do espiritismo (que o chama, em realidade, de “lei da causa e efeito”), da teosofia e do movimento new age. A essência do termo pode ser associada a lei física que diz que “para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário”. A analogia, no entanto, deve ser feita com cautela: primeiro porque o carma não é uma lei científica que possa ser medida em laboratório (embora seja uma lei natural); segundo porque a “reação a ação” geralmente não se dá imediatamente, como em reações físicas, e pode até mesmo levar anos, ou vidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma forma superficial e outra profunda de interpretarmos o carma. Imaginemos um exemplo: um inquisidor acusa e mata inúmeros inocentes nas fogueiras durante a época negra medieval, numa outra vida, ele precisará “resolver seu carma”... Na visão superficial, entende-se que ele deva morrer queimado na nova vida, exatamente como suas vítimas. Na visão profunda, entende-se que ele possa também optar, por exemplo, por ser um médico de instituições que auxiliam em zonas de guerra, tratando das queimaduras daqueles que foram vítimas da ignorância dos homens. Existe a via da dor, e a do amor, mas nem sempre estamos aptos a cumprir nossas promessas de caridade – nem sempre o futuro médico se torna, efetivamente, um médico de almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante, portanto, compreender que o carma não é um sistema de crédito e débito, de “aqui se faz aqui se paga”. Seu mecanismo não atua para “punir os maus” com uma dose de seu próprio veneno. Na realidade, se trata de um remédio, às vezes de gosto amargo, mas que visa sempre impelir aos seres da ignorância para a sabedoria, dos instintos animais para a consciência abrangente, da terra para os espaços cósmicos adiante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo essa compreensão em mente, acredito que ela possa nos trazer algumas lições:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Adeus inveja==&lt;br /&gt;
Para quem realmente crê no carma, a inveja não faz sentido. Ora, se tudo o que somos, tudo o que temos, é resultado direto do que fizemos com o tempo que nos foi dado, com as escolhas que nos coube a decisão, então invejar o que os outros têm ou são é tão somente uma forma de ignorância persistente.&lt;br /&gt;
Afinal, se tudo o que somos e temos é resultado de nossa própria caminhada, jamais poderemos conseguir alguma coisa apenas porque “desejamos”, porque invejamos de outro alguém... O que parece ser mais sábio é usar os outros como modelo, como incentivo, como a meta a ser alcançada. Não exatamente o que os outros têm, pois tudo o que temos é transitório, mas o que os outros são. Não devemos invejar nem desejar a sabedoria, devemos afinar nossa própria vontade para nos movermos em sua direção. O mero desejo é estagnação, pois nada “cairá do céu” – mas a vontade é o movimento em direção à luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A dor aguarda os que ficam para trás==&lt;br /&gt;
Em dado momento, todos somos livres para escolher a via do amor ou da dor. Qualquer estudioso das doutrinas cármicas saberá que viemos ao mundo para desenvolver nossas potencialidades, e não nossos vícios. Viemos caminhar à frente, e não ficar estagnados na ignorância. Que a evolução espiritual segue a física: nada anda para trás, mas a natureza não costuma poupar os que se arrastam pelo caminho.&lt;br /&gt;
Nessa longa trilha, em que as vezes possa parecer que somos como um cão selvagem acoleirado a uma velha carroça rodando lentamente pelos velhos sulcos, podemos optar por seguir a frente, antes que a coleira nos puxe, ou podemos ladrar como cães raivosos, e nosso latido não impedirá que a coleira nos force o pescoço, que nos provoque dor. No fim, seguiremos a frente, quer queiramos, quer compreendamos aonde vamos, quer não. Melhor escolher o amor, enquanto há tempo, pois as dores desse mundo não se comparam as dores da alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Suportamos o que podemos suportar==&lt;br /&gt;
Conforme a roda avança, a cada um é dado apenas os desafios que podem suportar. Podemos imaginar uma universidade cósmica: o calouro de física não poderá compreender as equações de física quântica ou da teoria das cordas já em seu primeiro ano, mas aqueles que se arrastam nas repetências terão eventualmente que resolvê-las, pois os reitores sabem muito bem que eles já têm a capacidade para tal.&lt;br /&gt;
É preciso saber avaliar os desafios por aquilo que são: não desastres, tragédias, ou problemas insolúveis, mas oportunidades de progressão, de entendimento, de edificação de nossas potencialidades.&lt;br /&gt;
Muitas vezes, amamos e perdemos, e essa nos parece a maior dor do mundo. Porém, curioso de se pensar: é melhor amar e perder do que nunca haver sequer amado... Os seres vêm e vão, mas a capacidade de amar é uma das potencialidades que jamais andam para trás, e que molda nosso despertar da consciência desde as eras pregressas.&lt;br /&gt;
Da próxima vez que estiver a se lamentar por uma perda, e desejar se ver livre do amor que sentia, e que agora dói tanto, pense novamente: a sua dor é uma luz. Os seres que se arrastam nas sombras de si mesmos, que ainda não descobriram o amor, podem parecer mais felizes, mas sua dor é muito mais profunda do que a sua – e você certamente sabe disso, mesmo que de alguma forma obscura, pois todos já estivemos na escuridão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Só Deus o sabe==&lt;br /&gt;
Quando nos deparamos com tragédias humanas em pequena ou larga escala, existe essa tentação própria dos seguidores de doutrinas cármicas em elaborar teorias mirabolantes sobre o porque de tais seres terem sofrido este ou aquele infortúnio... Tudo em vão!&lt;br /&gt;
Assim como não podemos saber por que o vento sopra aqui ou acolá, jamais poderemos compreender exatamente o que outra parte da substância cósmica experiencia. Somos todos conectados, filhos da mesma substância, formados pelos mesmos átomos e as mesmas fagulhas divinas, mas cada um pode saber apenas de sua própria visão do Cosmos. Não há nenhum ser onisciente além de Deus, ninguém que possa realmente ter habitado nosso âmago profundo e visto o horizonte da mesma forma que nós, e experienciado a caminhada dando exatamente os mesmos passos.&lt;br /&gt;
Quando um espírito incorpora, ele habita um corpo, e não outro espírito. Jamais estaremos dentro uns dos outros, de modo que as razões que fazem o mecanismo do carma operar desta ou daquela maneira, só o próprio ser que ama e que sofre tem um breve entendimento, e só Deus o sabe. Ele está dentro de todos nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O aflorar da consciência==&lt;br /&gt;
Se na evolução física das espécies, a vida é a função do sistema, na evolução espiritual, da qual o carma é o mecanismo primordial, o afloramento da consciência é o grande objetivo a ser alcançado. Nosso caminho foi longo: de fagulhas divinas criadas sabe-se lá onde, neste ou nalgum planeta próximo habitamos coletivamente os reinos mineral, vegetal e boa parte do animal... Nas savanas africanas despertamos, compreendemos ao longo dos séculos que a vida era, afinal, muito mais do que caça e coleta, muito mais do que uma mera luta pela sobrevivência...&lt;br /&gt;
Até o dia em que optamos por viver, e não apenas sobreviver. Quando nossas potencialidades amorosas, artísticas e técnicas começaram a aflorar. Quando nos indagamos de onde viemos, e para onde vamos, e o que somos, e surpreendentemente começamos a encontrar elaboradas teorias para o que nos parecia inatingível. Quando olhamos para as estrelas e vimos deuses, e depois vimos fornalhas cósmicas, e depois vimos um turbilhão de galáxias além de tudo aquilo que poderíamos imaginar... Quando vimos o infinito, e lhe estendemos a mão.&lt;br /&gt;
A mente que adquire um novo conhecimento jamais retorna ao seu estado anterior. A alma que se abre para o Cosmos, jamais volta a se fechar novamente. A função do sistema não era, afinal, apenas a vida, mas a vida eterna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A lei do carma==&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Faça ao próximo aquilo que gostaria que o próximo fizesse contigo.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
Resta-nos saber quem são nossos próximos: será nossa família, nossos amigos, nossa cidade, nossa nação, nosso planeta? Serão apenas seres enquanto humanos, ou também os animais, os vegetais, os minerais, a natureza como um todo? Da próxima vez que levantar uma pedra, ou observar um galho partido, saiba que todo o infinito nos abarca, que o reino de Deus está em todo lugar... Apenas esperando que finalmente abra teus olhos para ver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/06/as-licoes-do-carma.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10856</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10856"/>
		<updated>2011-06-09T22:05:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* Artigos de 2011 */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2011===&lt;br /&gt;
* [[As lições do carma]]&lt;br /&gt;
* [[Não há fronteiras]]&lt;br /&gt;
* [[Primeiro a alma]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[É o fim do caminho?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:College.jpg&amp;diff=10855</id>
		<title>File:College.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:College.jpg&amp;diff=10855"/>
		<updated>2011-06-09T22:05:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da foto:John-Francis Bourke/Corbis&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da foto:John-Francis Bourke/Corbis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10854</id>
		<title>Nova Andalus – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10854"/>
		<updated>2011-06-09T22:01:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Egyptians_TahirSquare.jpg|right|thumb|500px|Crédito da imagem: REUTERS/Dylan Martinez]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continuando da parte 1&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, o crescimento do islamismo é exponencial. Durante séculos, o catolicismo desfrutou o privilégio de ser a religião com o maior número de fiéis. Já não é assim. Em 2008, o monsenhor Vittorio Formenti, que trabalha na edição do relatório anual de estatísticas do Vaticano, revelou ao L’Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja, que atualmente há 1,3 bilhão de muçulmanos no mundo e apenas 1,1 bilhão de católicos. O futuro, de todo modo, favorece os seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do islamismo, em menos de vinte anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos então representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A despeito do desespero de certos cristãos ante tal situação [1], fato é que a taxa de natalidade fará com que os muçulmanos continuem em crescimento avançado... Mas será que isso bastará para que o pan-islamismo declare-se vitorioso na Europa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, o alto índice de fertilidade tem a ver com o papel subalterno da mulher e a valorização da família numerosa na sociedade islâmica. Mas as condições socioeconômicas influenciam tanto quanto as normas religiosas. Em mais da metade dos países com maioria muçulmana, o PIB per capita está abaixo de mil dólares anuais. Isso equivale a um quarto da renda brasileira. Países pobres, famílias maiores. Um temor crescente entre os países europeus é ter sua identidade cultural – marcadamente cristã – ameaçada pelo crescimento da população muçulmana. Na França, imigrantes islâmicos e seus descendentes representam 10% da população. Entre os jovens franceses, o porcentual de muçulmanos sobe para 30%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, ao que tudo indica Gadafi estava correto quanto ao crescimento do expoente islâmico na Europa. O que ele não contava é que isso não garantiria um Império Árabe unificado, nem na Europa nem na própria terra de Maomé, a começar pelo seu próprio país...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amparados pelas riquezas do outro negro, o petróleo que existe em abundância (por enquanto) em diversas regiões do Oriente Médio, os ditadores, reis e califas mantiveram-se no poder, sob o discurso religioso de um Império Árabe unificado. Mas ao longo dos anos, a despeito de suas restrições a qualquer liberdade de pensamento contrário ou oposição política, esqueceram-se que um Império se faz também para seu próprio povo, e não única e exclusivamente para o benefício de algumas elites governantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o advento da internet e das redes sociais, tornou-se cada vez mais complexo para ditadores como Gadafi impedirem que as vozes contrárias e insatisfeitas se reunissem e ganhassem força juntas... Ainda mais quando os insatisfeitos, os pobres e miseráveis, se tornam a grande maioria da população jovem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim, a &amp;quot;estratégia&amp;quot; dos ditadores pan-islâmicos virou-se contra eles próprios: a taxa de natalidade provocará o seu fim. O novo sempre vem, e não há Império que resista ao pensamento de um povo oprimido, quando este conquista sua liberdade – a liberdade de pensar e se comunicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, ironicamente através dos avanços da modernidade que se devem também as grandes contribuições científicas de Al-Andalus, o povo islâmico uma vez mais chegou à conclusão que sempre ocasionou a derrocada dos grandes impérios: sim, a nação é um mito, o passado é uma nação estrangeira, e o único país que existe é o país de todos nós, seres livres em busca de sua felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 2011 começou com o advento das revoltas de populações em diversos países árabes. Obviamente cada país tem o governo e a política que merece, mas é impossível não notar que este contágio de liberdade, disseminado pelas redes de internet, é tão somente a hecatombe de um processo até mesmo inevitável – não há como manter um povo longe de sua liberdade por muito tempo, e os próprios textos sagrados denotam isso muito bem. A história se repete, em um novo tempo, em um novo contexto, mas ainda assim se repete – o novo sempre vem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste processo, uma imagem é tão marcante que resumirá muito bem onde o pan-islamismo estava errado [ver imagem que ilustra este artigo, acima]... Durante os protestos no Egito, que culminaram com a renúncia de seu então ditador, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Tahir (“da libertação”), no Cairo, para um protesto na maior parte do tempo pacífico. Ainda assim, durante o Salat, um dos 5 períodos de oração diários do islamismo, pudemos ver os muçulmanos ajoelhando-se em direção a Meca e orando, enquanto o restante dos manifestantes, aparentemente não-islâmicos, permanecia de pé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta imagem é marcante porque demonstra claramente que uma crença religiosa não é nem nunca foi motivo para que seres acreditassem que deveriam viver separados, ou como inimigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ser islâmico é submeter-se a Allah, e talvez nesta submissão as palavras ditadas pelo anjo Gabriel devam ser seguidas acima de todas as outras. Mas em nenhum momento Gabriel afirmou que os não-islâmicos eram inimigos, ou que mereciam morrer – ainda que se recusassem a se converter ao Islã. De nada adianta tentar converter aos outros pela força, o máximo que conseguiremos, nesse caso, foi o que os últimos 2 mil anos nos demonstraram: ora conquista-se este ou aquele território, ora os perdemos novamente; ora oprimimos a liberdade deste ou daquele povo, ora todo povo readquire sua liberdade, ou é extinto; ora matamos, ora morremos, mas o novo sempre vem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a verdade derradeira é aquela que sempre populou as mentes dos verdadeiros profetas, dos místicos, dos poetas, dos seres amorosos, dos sábios: somos tolos por fazer guerra a nossos irmãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Al-Andalus foi resultado da conquista, mas não da guerra. Após as desavenças iniciais, eis que as três religiões fontes de tantos conflitos mundiais puderam conviver em harmonia por breves períodos de glorioso ecumenismo cultural, artístico, filosófico, científico, e até mesmo religioso. Queira Deus, queira Allah, que da reconquista de sua liberdade perdida, o povo muçulmano se reúna não em um novo Império Árabe, que em verdade nunca foi totalmente unido, mas em uma Nova Andalus, um novo país além de tantas nações ilusórias, um país de almas afins, que não necessitará de guerras santas para se afirmar – mas apenas da única submissão que sempre nos será a mais cara das conquistas, a submissão ao amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://youtu.be/Fw_Gu1MwjGQ] - A título de anedota, este vídeo criado por uma igreja bastista brasileira denota o tipo de desconforto que certos cristãos sentem ante o avanço do islamismo (o vídeo contém informações demográficas bastante apuradas).&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/nova-andalus-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10853</id>
		<title>Nova Andalus – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10853"/>
		<updated>2011-06-09T22:01:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Egyptians_TahirSquare.jpg|right|thumb|320px|Crédito da imagem: REUTERS/Dylan Martinez]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continuando da parte 1&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, o crescimento do islamismo é exponencial. Durante séculos, o catolicismo desfrutou o privilégio de ser a religião com o maior número de fiéis. Já não é assim. Em 2008, o monsenhor Vittorio Formenti, que trabalha na edição do relatório anual de estatísticas do Vaticano, revelou ao L’Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja, que atualmente há 1,3 bilhão de muçulmanos no mundo e apenas 1,1 bilhão de católicos. O futuro, de todo modo, favorece os seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do islamismo, em menos de vinte anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos então representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A despeito do desespero de certos cristãos ante tal situação [1], fato é que a taxa de natalidade fará com que os muçulmanos continuem em crescimento avançado... Mas será que isso bastará para que o pan-islamismo declare-se vitorioso na Europa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, o alto índice de fertilidade tem a ver com o papel subalterno da mulher e a valorização da família numerosa na sociedade islâmica. Mas as condições socioeconômicas influenciam tanto quanto as normas religiosas. Em mais da metade dos países com maioria muçulmana, o PIB per capita está abaixo de mil dólares anuais. Isso equivale a um quarto da renda brasileira. Países pobres, famílias maiores. Um temor crescente entre os países europeus é ter sua identidade cultural – marcadamente cristã – ameaçada pelo crescimento da população muçulmana. Na França, imigrantes islâmicos e seus descendentes representam 10% da população. Entre os jovens franceses, o porcentual de muçulmanos sobe para 30%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, ao que tudo indica Gadafi estava correto quanto ao crescimento do expoente islâmico na Europa. O que ele não contava é que isso não garantiria um Império Árabe unificado, nem na Europa nem na própria terra de Maomé, a começar pelo seu próprio país...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amparados pelas riquezas do outro negro, o petróleo que existe em abundância (por enquanto) em diversas regiões do Oriente Médio, os ditadores, reis e califas mantiveram-se no poder, sob o discurso religioso de um Império Árabe unificado. Mas ao longo dos anos, a despeito de suas restrições a qualquer liberdade de pensamento contrário ou oposição política, esqueceram-se que um Império se faz também para seu próprio povo, e não única e exclusivamente para o benefício de algumas elites governantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o advento da internet e das redes sociais, tornou-se cada vez mais complexo para ditadores como Gadafi impedirem que as vozes contrárias e insatisfeitas se reunissem e ganhassem força juntas... Ainda mais quando os insatisfeitos, os pobres e miseráveis, se tornam a grande maioria da população jovem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim, a &amp;quot;estratégia&amp;quot; dos ditadores pan-islâmicos virou-se contra eles próprios: a taxa de natalidade provocará o seu fim. O novo sempre vem, e não há Império que resista ao pensamento de um povo oprimido, quando este conquista sua liberdade – a liberdade de pensar e se comunicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, ironicamente através dos avanços da modernidade que se devem também as grandes contribuições científicas de Al-Andalus, o povo islâmico uma vez mais chegou à conclusão que sempre ocasionou a derrocada dos grandes impérios: sim, a nação é um mito, o passado é uma nação estrangeira, e o único país que existe é o país de todos nós, seres livres em busca de sua felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 2011 começou com o advento das revoltas de populações em diversos países árabes. Obviamente cada país tem o governo e a política que merece, mas é impossível não notar que este contágio de liberdade, disseminado pelas redes de internet, é tão somente a hecatombe de um processo até mesmo inevitável – não há como manter um povo longe de sua liberdade por muito tempo, e os próprios textos sagrados denotam isso muito bem. A história se repete, em um novo tempo, em um novo contexto, mas ainda assim se repete – o novo sempre vem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste processo, uma imagem é tão marcante que resumirá muito bem onde o pan-islamismo estava errado [ver imagem que ilustra este artigo, acima]... Durante os protestos no Egito, que culminaram com a renúncia de seu então ditador, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Tahir (“da libertação”), no Cairo, para um protesto na maior parte do tempo pacífico. Ainda assim, durante o Salat, um dos 5 períodos de oração diários do islamismo, pudemos ver os muçulmanos ajoelhando-se em direção a Meca e orando, enquanto o restante dos manifestantes, aparentemente não-islâmicos, permanecia de pé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta imagem é marcante porque demonstra claramente que uma crença religiosa não é nem nunca foi motivo para que seres acreditassem que deveriam viver separados, ou como inimigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ser islâmico é submeter-se a Allah, e talvez nesta submissão as palavras ditadas pelo anjo Gabriel devam ser seguidas acima de todas as outras. Mas em nenhum momento Gabriel afirmou que os não-islâmicos eram inimigos, ou que mereciam morrer – ainda que se recusassem a se converter ao Islã. De nada adianta tentar converter aos outros pela força, o máximo que conseguiremos, nesse caso, foi o que os últimos 2 mil anos nos demonstraram: ora conquista-se este ou aquele território, ora os perdemos novamente; ora oprimimos a liberdade deste ou daquele povo, ora todo povo readquire sua liberdade, ou é extinto; ora matamos, ora morremos, mas o novo sempre vem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a verdade derradeira é aquela que sempre populou as mentes dos verdadeiros profetas, dos místicos, dos poetas, dos seres amorosos, dos sábios: somos tolos por fazer guerra a nossos irmãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Al-Andalus foi resultado da conquista, mas não da guerra. Após as desavenças iniciais, eis que as três religiões fontes de tantos conflitos mundiais puderam conviver em harmonia por breves períodos de glorioso ecumenismo cultural, artístico, filosófico, científico, e até mesmo religioso. Queira Deus, queira Allah, que da reconquista de sua liberdade perdida, o povo muçulmano se reúna não em um novo Império Árabe, que em verdade nunca foi totalmente unido, mas em uma Nova Andalus, um novo país além de tantas nações ilusórias, um país de almas afins, que não necessitará de guerras santas para se afirmar – mas apenas da única submissão que sempre nos será a mais cara das conquistas, a submissão ao amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://youtu.be/Fw_Gu1MwjGQ] - A título de anedota, este vídeo criado por uma igreja bastista brasileira denota o tipo de desconforto que certos cristãos sentem ante o avanço do islamismo (o vídeo contém informações demográficas bastante apuradas).&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/nova-andalus-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Egyptians_TahirSquare.jpg&amp;diff=10852</id>
		<title>File:Egyptians TahirSquare.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Egyptians_TahirSquare.jpg&amp;diff=10852"/>
		<updated>2011-06-09T22:00:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da imagem: REUTERS/Dylan Martinez&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da imagem: REUTERS/Dylan Martinez&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus&amp;diff=10851</id>
		<title>Nova Andalus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus&amp;diff=10851"/>
		<updated>2011-06-09T21:59:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Alhambra.jpg|right|thumb|300px|Crédito da imagem: Wikipedia (turistas visitam pátio do palácio de Alhambra, um dos legados de Al-Andalus)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achadu ala ilaha ila Allah. Achadu ana Mohammad Rassululah (Testemunho que não há outra divindade senão Deus. Testemunho que Maomé é seu profeta mensageiro). Pronunciando este testemunho 3 vezes ante 2 testemunhas, podemos nos converter ao islamismo. Mas o que significa ser um islâmico?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O islamismo nasceu quando o profeta Maomé “intuiu” o Alcorão. Os ensinamentos de Allah (palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão (Qur&#039;an, &amp;quot;recitação&amp;quot;). Os muçulmanos acreditam que Maomé recebeu esses ensinamentos de Allah por intermédio do anjo Gabriel, através de revelações que ocorreram entre 610 e 632 d.C. Maomé recitou essas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maomé estabeleceu não só uma nova religião, como também uma nova organização política unificada na península Arábica, a qual logo após sua morte, sob o subsequente domínio dos califas do Rashidun e Omíadas, experimentou uma rápida expansão do poder árabe para muito além da península, sob a forma de um vasto Império Árabe muçulmano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Edward Gibbon escreveu em sua “História do Declínio e Queda do Império Romano”, um dos maiores tratados da história das civilizações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Sob os últimos Omíadas, o Império Árabe estendia-se por uma jornada de duzentos dias do leste para o oeste, dos confins da Tartária e Índia até as praias do Oceano Atlântico. [...] Em vão buscaríamos a união indissolúvel e a obediência fácil disseminados no governo de Augusto e dos Antoninos; mas o progresso do Islã difundiu por este amplo espaço uma semelhança generalizada de modos e opiniões. A língua e as leis do Qu&#039;ran eram estudadas com igual devoção em Samarcanda e Sevilha: os mouros e os hindus abraçavam-se como conterrâneos e irmãos em peregrinação à Meca; e a língua árabe era adotada como idioma popular em todas as províncias a oeste do rio Tigre.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O islamismo talvez tenha atingido seu ápice quando Al-Andalus, ou a “colonização” islâmica da Península Ibérica, viveu seus dias de paz e ecumenismo, onde quase todas as grandes culturas da história estiveram reunidas. A população de Al-Andalus era muito heterogênea e constituída por árabes e berberes (uns e outros muçulmanos), moçárabes (os hispano-godos que, sob o domínio muçulmano conservaram a religião cristã), e judeus. Para além destes existia outro grupo, os muladis, que eram os cristãos que se tinham convertido ao islamismo. Os moçárabes e judeus, apesar de algumas restrições, tinham liberdade de culto, e se mantiveram integrados as cidades islâmicas, o que resultou em um período de vivência pacífica e ecumênica sem precedentes na história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abd ar-Rahman II foi um dos primeiros governantes que se esforçou por converter a sua corte em Córdoba num centro de cultura e sabedoria, tendo recrutado com esse objetivo vários sábios do mundo islâmico. Essa integração pacífica de culturas e religiões diversas resultou em inúmeros legados artísticos e científicos. Principalmente na arquitetura, que até hoje pode ser admirada em partes da Espanha onde as mesquitas permaneceram intactas, e na matemática, particularmente pela disseminação do conceito do número zero – de origem hindu – pelo Ocidente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, foram os próprios islâmicos ortodoxos quem trataram de destruir sua “Meca” das artes e ciências. Insatisfeitos com a convivências harmoniosa entre muçulmanos e não-muçulmanos, enfraqueceram Al-Andalus o suficiente para que, ironicamente, fosse reconquistada pelos cristãos até o fim do século XV. Depois, as Cruzadas e todas essas guerras inúteis, que são proclamadas “em nome de Deus”, mas que obviamente servem apenas para que reis e califas conquistem e reconquistem territórios e poder econômico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns creem que o passado é uma nação estrangeira, mas este precioso mito das nações sempre foi um poderoso aliado para que os reis, califas e ditadores pudessem manter seu próprio povo sob rédeas curtas – rédeas para a mente. Desde a derrocada de Al-Andalus (e, de certa forma, desde a morte de Maomé e da divisão entre muçulmanos xiitas e sunitas), o grande Império Árabe descrito por Gibbons tem somente se dividido e enfraquecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pan-islamismo é um movimento político que evoca a unidade dos Estados islâmicos, cujas raízes se situam em Jamal al-Din al-Afghani, divulgador de ideais pan-islâmicos no mundo árabe. Ele possuía uma visão romântica da história do povo árabe e marcada por um profundo pensamento anti-iluminista, renegando as ideias de Jean Jacques Rousseau e François Voltaire, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1969, o revolucionário Muammar Gadafi tomou o poder na Líbia através de um golpe de estado. Na qualidade de presidente do conselho da revolução, nacionalizou a indústria do petróleo e converteu-se no primeiro representante do pan-islamismo. Gadafi fechou as danceterias, bordéis e bares trazidos pelos americanos, impondo a toda Líbia respeito aos preceitos e morais do islamismo, proibiu a exportação de petróleo para os EUA e confiscou propriedades internacionais. A Líbia tornou-se então, por décadas, um exemplo vivo da decadência do islamismo, um exemplo que refletia-se em ditaduras similares por toda a região do Oriente Médio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das condições de não-liberdade a que submetia seu próprio povo, em sua loucura Gadafi aparentemente acreditava que o islamismo ainda iria dominar novamente a Europa. Toda a reestruturação do Império Árabe, assim como o novo avanço sobre o continente europeu, se daria por um mecanismo tão antigo quanto o ser humano, a natalidade:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há sinais de que Allah garantirá vitória ao Islã na Europa sem espadas, sem armas, sem conquistas. Não precisaremos de terroristas ou bombas homicidas. Os mais de 50 milhões de muçulmanos na Europa a transformarão em um continente islâmico em poucas décadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Teria ele razão? Sim e não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continua na parte 2&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/nova-andalus-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus&amp;diff=10850</id>
		<title>Nova Andalus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus&amp;diff=10850"/>
		<updated>2011-06-09T21:59:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Alhambra.jpg|right|thumb|200px|Crédito da imagem: Wikipedia (turistas visitam pátio do palácio de Alhambra, um dos legados de Al-Andalus)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achadu ala ilaha ila Allah. Achadu ana Mohammad Rassululah (Testemunho que não há outra divindade senão Deus. Testemunho que Maomé é seu profeta mensageiro). Pronunciando este testemunho 3 vezes ante 2 testemunhas, podemos nos converter ao islamismo. Mas o que significa ser um islâmico?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O islamismo nasceu quando o profeta Maomé “intuiu” o Alcorão. Os ensinamentos de Allah (palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão (Qur&#039;an, &amp;quot;recitação&amp;quot;). Os muçulmanos acreditam que Maomé recebeu esses ensinamentos de Allah por intermédio do anjo Gabriel, através de revelações que ocorreram entre 610 e 632 d.C. Maomé recitou essas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maomé estabeleceu não só uma nova religião, como também uma nova organização política unificada na península Arábica, a qual logo após sua morte, sob o subsequente domínio dos califas do Rashidun e Omíadas, experimentou uma rápida expansão do poder árabe para muito além da península, sob a forma de um vasto Império Árabe muçulmano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Edward Gibbon escreveu em sua “História do Declínio e Queda do Império Romano”, um dos maiores tratados da história das civilizações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Sob os últimos Omíadas, o Império Árabe estendia-se por uma jornada de duzentos dias do leste para o oeste, dos confins da Tartária e Índia até as praias do Oceano Atlântico. [...] Em vão buscaríamos a união indissolúvel e a obediência fácil disseminados no governo de Augusto e dos Antoninos; mas o progresso do Islã difundiu por este amplo espaço uma semelhança generalizada de modos e opiniões. A língua e as leis do Qu&#039;ran eram estudadas com igual devoção em Samarcanda e Sevilha: os mouros e os hindus abraçavam-se como conterrâneos e irmãos em peregrinação à Meca; e a língua árabe era adotada como idioma popular em todas as províncias a oeste do rio Tigre.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O islamismo talvez tenha atingido seu ápice quando Al-Andalus, ou a “colonização” islâmica da Península Ibérica, viveu seus dias de paz e ecumenismo, onde quase todas as grandes culturas da história estiveram reunidas. A população de Al-Andalus era muito heterogênea e constituída por árabes e berberes (uns e outros muçulmanos), moçárabes (os hispano-godos que, sob o domínio muçulmano conservaram a religião cristã), e judeus. Para além destes existia outro grupo, os muladis, que eram os cristãos que se tinham convertido ao islamismo. Os moçárabes e judeus, apesar de algumas restrições, tinham liberdade de culto, e se mantiveram integrados as cidades islâmicas, o que resultou em um período de vivência pacífica e ecumênica sem precedentes na história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abd ar-Rahman II foi um dos primeiros governantes que se esforçou por converter a sua corte em Córdoba num centro de cultura e sabedoria, tendo recrutado com esse objetivo vários sábios do mundo islâmico. Essa integração pacífica de culturas e religiões diversas resultou em inúmeros legados artísticos e científicos. Principalmente na arquitetura, que até hoje pode ser admirada em partes da Espanha onde as mesquitas permaneceram intactas, e na matemática, particularmente pela disseminação do conceito do número zero – de origem hindu – pelo Ocidente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, foram os próprios islâmicos ortodoxos quem trataram de destruir sua “Meca” das artes e ciências. Insatisfeitos com a convivências harmoniosa entre muçulmanos e não-muçulmanos, enfraqueceram Al-Andalus o suficiente para que, ironicamente, fosse reconquistada pelos cristãos até o fim do século XV. Depois, as Cruzadas e todas essas guerras inúteis, que são proclamadas “em nome de Deus”, mas que obviamente servem apenas para que reis e califas conquistem e reconquistem territórios e poder econômico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns creem que o passado é uma nação estrangeira, mas este precioso mito das nações sempre foi um poderoso aliado para que os reis, califas e ditadores pudessem manter seu próprio povo sob rédeas curtas – rédeas para a mente. Desde a derrocada de Al-Andalus (e, de certa forma, desde a morte de Maomé e da divisão entre muçulmanos xiitas e sunitas), o grande Império Árabe descrito por Gibbons tem somente se dividido e enfraquecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pan-islamismo é um movimento político que evoca a unidade dos Estados islâmicos, cujas raízes se situam em Jamal al-Din al-Afghani, divulgador de ideais pan-islâmicos no mundo árabe. Ele possuía uma visão romântica da história do povo árabe e marcada por um profundo pensamento anti-iluminista, renegando as ideias de Jean Jacques Rousseau e François Voltaire, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1969, o revolucionário Muammar Gadafi tomou o poder na Líbia através de um golpe de estado. Na qualidade de presidente do conselho da revolução, nacionalizou a indústria do petróleo e converteu-se no primeiro representante do pan-islamismo. Gadafi fechou as danceterias, bordéis e bares trazidos pelos americanos, impondo a toda Líbia respeito aos preceitos e morais do islamismo, proibiu a exportação de petróleo para os EUA e confiscou propriedades internacionais. A Líbia tornou-se então, por décadas, um exemplo vivo da decadência do islamismo, um exemplo que refletia-se em ditaduras similares por toda a região do Oriente Médio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das condições de não-liberdade a que submetia seu próprio povo, em sua loucura Gadafi aparentemente acreditava que o islamismo ainda iria dominar novamente a Europa. Toda a reestruturação do Império Árabe, assim como o novo avanço sobre o continente europeu, se daria por um mecanismo tão antigo quanto o ser humano, a natalidade:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há sinais de que Allah garantirá vitória ao Islã na Europa sem espadas, sem armas, sem conquistas. Não precisaremos de terroristas ou bombas homicidas. Os mais de 50 milhões de muçulmanos na Europa a transformarão em um continente islâmico em poucas décadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Teria ele razão? Sim e não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continua na parte 2&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/nova-andalus-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Alhambra.jpg&amp;diff=10849</id>
		<title>File:Alhambra.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Alhambra.jpg&amp;diff=10849"/>
		<updated>2011-06-09T21:59:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da imagem: Wikipedia (turistas visitam pátio do palácio de Alhambra, um dos legados de Al-Andalus)&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da imagem: Wikipedia (turistas visitam pátio do palácio de Alhambra, um dos legados de Al-Andalus)&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=%C3%89_o_fim_do_caminho%3F&amp;diff=10848</id>
		<title>É o fim do caminho?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=%C3%89_o_fim_do_caminho%3F&amp;diff=10848"/>
		<updated>2011-06-09T21:57:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Convento_do_Carmo_ruins_in_Lisbon.jpg‎|right|thumb|250px|Crédito da foto: Wikipedia (ruínas do Convento do Carmo, destruído no terremoto de 1755)]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;É pau, é pedra, é o fim do caminho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É um resto de toco, é um pouco sozinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É um caco de vidro, é a vida, é o sol&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É à noite, é a morte, é o laço, é o anzol&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses são os versos iniciais de “Águas de Março”, célebre música composta por Tom Jobim no fim dos anos 50. Tom compôs este e diversos outros sucessos enquanto visitava o sítio da família na localidade de Poço Fundo, a 40 minutos de Petrópolis. A beleza da região serrana do Rio de Janeiro parece sem dúvida ter ajudado muito em sua inspiração. A poesia de Jobim fala sobretudo da vida – o vento ventando; uma ave no céu; é a promessa de vida no teu coração – e da morte – é o fim do caminho; é a noite; o fim da ladeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ultimamente a natureza não tem esperado Março para enviar suas águas. Em Janeiro de 2011 a região serrana do Rio registrou a maior tragédia natural de que se tem notícia no estado: as chuvas vieram muito fortes e praticamente todos os morros tiveram deslizamentos de terra, matando centenas de pessoas, soterradas pelas próprias casas – particularmente em Nova Friburgo e Teresópolis. A casa onde Tom Jobim compôs suas canções também foi levada pela enxurrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este desastre natural, entretanto, não se compara ao terremoto que devastou quase completamente Lisboa, a capital de Portugal, em 1755. Em uma época onde a população mundial era muito inferior a atual, estima-se que morreram entre 10 e 100 mil pessoas naquele que é até hoje o terremoto mais letal da história. Até aquela época era muito comum atribuir os desastres naturais a “ira divina”, num tipo de associação de ideias que data da pré-história... Entretanto, o terremoto de 1755 suscitou respostas divergentes dos filósofos iluministas. Gente como Voltaire parece ter se cansado de ficar sempre a mercê da “ira divina”, e tratou de analisar a existência como ela realmente o é – um ciclo de vida e de morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;Nossa sociedade moderna parece ter enorme dificuldade em lidar com a morte&amp;lt;/strong&amp;gt;. Tirando as funerárias e as seguradoras, parece que ao capitalismo a morte é um tremendo desperdício: altos funcionários e CEOs que acumularam conhecimento e experiência por décadas e décadas subitamente se tornam incapazes por razão do envelhecimento, se aposentam, e depois simplesmente se despedem de nós. Atores de cinema ou TV, de fama mundial, que trazem renda garantida aos grandes estúdios, subitamente se vão ainda durante as filmagens do próximo blockbuster. Até mesmo aquele economista de renome que sempre consultávamos antes de realizar nossas aplicações na bolsa de valores, ele também se vai, e não sabemos mais a quem consultar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O capitalismo, entretanto, parece não sentir falta dos informais, das donas de casa, dos lixeiros, dos carpinteiros, dos pedreiros, dos pequenos trabalhadores do campo, enfim, dos pobres. A informação que se perde quando estes se vão não parece de tanta importância para que o giro da roda do dinheiro continue sua constância – mas fato é que todos morrem. Todos podem ser levados pela enxurrada, pelos tremores, pelos acidentes, pela violência e ignorância dos homens, ou simplesmente pelo próprio tempo em que aqui se vive. Sim, pois não há dia em que não estejamos a morrer: todas as nossas células morrem e são substituídas por outras, inúmeras vezes, durante a vida de nosso corpo. Nesse sentido, a própria vida é uma tragédia constante...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque então estarrecer-se com a sombra da morte? Se a morte é apenas o último tilintar dos neurônios no cérebro – estes que também morrem e nascem a todo dia – então a morte é apenas um sonho sem sonhos. Morremos então, todo dia, conscientemente – pois sabemos da degeneração celular –, e inconscientemente – quando nos deitamos na cama e sonhamos uma vez mais, até o dia seguinte, até o próximo ciclo do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque então agradecer aos deuses por ter sido poupado de uma tragédia, se toda a tragédia é em si uma tragédia? Por vezes, teria sido melhor não ter sido poupado, ao menos se compreendemos a morte como o fim do caminho. Nas religiões orientais, particularmente no hinduísmo, o aspecto destrutivo de Deus é tão bem compreendido quanto o aspecto criativo. Entende-se, sobretudo, que a existência não é uma história simples, um “era uma vez...”, com início, meio e fim – mas antes um ciclo incomensurável, uma existência cósmica que se estende até as beiradas do infinito, uma história onde falar em início e fim faz tanto sentido quanto falar no nascer e no por do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todo caso, os céticos dificilmente entenderão como pode este povo tão simples, aparentemente tão ignorante, continuar louvando ao Deus do cristianismo mesmo após tamanha tragédia natural. Tragédia natural é ato divino, é coisa da natureza, e da natureza cabe o cuidado de Deus. Se ele poupa alguns e toma outros, porque agradecer, porque se revoltar, porque enfim, acreditar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É que naqueles que creem, mesmo que seja na sombra da sombra do Deus de todo o Cosmos, reside esta distinta intuição de que nada ocorre ao acaso, até mesmo porque ninguém sabe o que diabos é o acaso... E se o próprio acaso for ele mesmo mais um deus, será em todo caso tão desconhecido quanto Aquele outro. E ainda que permaneçam fiéis ante a maior das tragédias, como os apóstolos a serem pregados nas cruzes, é porque em seu íntimo sabem, de alguma forma, que a morte não é o fim do caminho, mas apenas a passagem de um ambiente ao outro, na grande casa do Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;Mas e aqueles que não creem?&amp;lt;/strong&amp;gt; O que lhes resta senão encarar face a face este aparente “grande nada”, o vazio, o buraco negro que suga tudo o que há? Talvez, conforme os estóicos e epicuristas, devam se contentar com o que podem mudar, o que podem decidir, o que podem sentir, no aqui e no agora. E, conforme disse Carl Sagan, de alguma forma se contentarem com viver na memória daqueles que os amam – a vida após a vida – embora não estejam mais aqui para saber...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, finalmente, aqueles que compreendem a morte mais profundamente, sabendo perfeitamente que ela é ao mesmo tempo um fim e um recomeço, ao mesmo tempo uma enorme mudança e uma fugaz renovação, ao mesmo tempo o arauto do desespero e a promessa da evolução, não há que se ater aos fantasmas das mentes alheias. Não há que se estagnar com o tempo e a vontade nas mãos. Não há que cair na ilusão de que o mundo todo é tão somente isto que vivemos aqui, neste planeta ínfimo na periferia de uma de bilhões e bilhões de galáxias do Cosmos... Somos, sim, seres a viajar por esse universo infinitamente belo, tanto pelo milagre da vida quanto pelo caos da destruição, que no fim apenas permite que a vida se renove e renove, rumo a algum lugar cada vez mais alto na montanha divina, rumo aos galhos ao topo da árvore da vida, onde o Sol pode ser visto em toda a sua glória, e onde tudo o que há é amor a irradiar-se nos mais variados espectros de pura luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos que tem olhos para ver, restará sempre esta promessa de vida em seus corações. Não de um céu de tédio eterno, mas do trabalho contínuo, do caminhar passo a passo, do navegar em mar revolto e noite fria, mas sempre rumando ao próximo farol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Perto deste conhecimento, perto desta visão distinta do jogo da vida consigo mesma, do turbilhão de seres e potencialidades a desafiar a entropia cósmica, um mero terremoto, uma pequena enxurrada, é tão significativa quanto à destruição de um ninho de formigas... Embora mesmo a menor das formigas seja, ela também, parte da mesma teia que nos conecta a todo o Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;E se viver é morrer a cada instante,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entregamo-nos, então, à eternidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas se viver é sofrer na escuridão,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entregamo-nos de corpo e alma à caridade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(trecho final de poema de Otávio Fossá)&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/01/e-o-fim-do-caminho.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Convento_do_Carmo_ruins_in_Lisbon.jpg&amp;diff=10847</id>
		<title>File:Convento do Carmo ruins in Lisbon.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Convento_do_Carmo_ruins_in_Lisbon.jpg&amp;diff=10847"/>
		<updated>2011-06-09T21:56:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da foto: Wikipedia (ruínas do Convento do Carmo, destruído no terremoto de 1755)&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da foto: Wikipedia (ruínas do Convento do Carmo, destruído no terremoto de 1755)&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Primeiro_a_alma&amp;diff=10846</id>
		<title>Primeiro a alma</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Primeiro_a_alma&amp;diff=10846"/>
		<updated>2011-06-09T21:55:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Ultima_tentacao.jpg|right|thumb|300px|Crédito da imagem: Divulgação (William Dafoe em &amp;quot;A Última Tentação de Cristo&amp;quot;).]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A nebulosa Al-Qaeda==&lt;br /&gt;
Se você leu qualquer capa de jornal ou revista de notícias, ou assistiu qualquer noticiário na TV a praticamente qualquer momento dos últimos dias, já deve saber que o presidente americano afirmou ter assassinado o célebre terrorista, Osama Bin Laden.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Osama foi um dos membros sauditas da próspera família Bin Laden, além de líder e fundador da Al-Qaeda, organização terrorista famosa pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e numerosos outros contra alvos civis e militares. A Al-Qaeda (&amp;quot;A Base&amp;quot;) foi originalmente destinada a combater a família real saudita. Bin Laden detestava os modos ocidentalizados, perdulários, corruptos e &amp;quot;pouco islâmicos&amp;quot; da família real. Tinha como objetivo alijá-la do poder e implantar no país a semente do que sempre sonhou - o novo califado islâmico. A família real, por ironia do destino, possuía grande consideração para com a família de Bin Laden.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O historiador e pesquisador do Laboratório do Tempo Presente, Daniel Santiago Chaves, chama a atenção para o tipo de &amp;quot;escola de terrorismo&amp;quot; desenvolvido pela Al-Qaeda e que hoje serve de modelo para organizações menores. &amp;quot;Quando nós lembramos da Al-Qaeda, a primeira imagem que vem à nossa cabeça é a de um avião sequestrado sendo jogado contra um prédio, causando a morte de milhares de pessoas. Esse conceito de terrorismo espetacular foi apropriado por esses pequenos grupos&amp;quot;, afirmou. Círculo vicioso: segundo ele, a Al-Qaeda, os demais grupos terroristas e a mídia acabam se retroalimentando por essas ações. &amp;quot;Ter a imagem vinculada a Al-Qaeda é bom para os grupos porque dá visibilidade aos seus atos, é bom para a Al-Qaeda, que se mantém na mídia, e é bom para mídia, que vende a sua notícia&amp;quot;, analisa. Quem entende esse mecanismo e está à frente das principais explosões em hotéis, boates e restaurantes, principalmente na Ásia, são grupos oriundos de famílias ricas que têm condições de planejar ações desse porte, explica. &amp;quot;São pessoas com liquidez financeira não necessariamente pertencentes a uma grande rede como a de Osama Bin Laden, mas que entendem o significado de um atentado com impacto midiático e são capazes de gerar a inteligência suficiente para executá-lo. De comum com a Al-Qaeda, além dos métodos, existe uma agenda: transformar os Estados da Ásia em um califado islâmico&amp;quot;. Por isso os principais alvos dos atentados estão sempre ligados de alguma forma ao Ocidente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como o alvo da Al-Qaeda nunca foram as torres gêmeas, e sim a mídia, eles tampouco se organizam tal qual os apreciadores de fantasias de duelos do bem contra o mal gostariam: como uma organização hierárquica, com apenas um grande “mestre do mal” – um inimigo para os filmes de Hollywood... Seu quadro composto por células terroristas localizadas em diversos países gerou o que os analistas chamam de Al-Qaeda &amp;quot;nebulosa&amp;quot;. Esta denominação tem duplo significado. Ao mesmo tempo em que dá a ideia de que se trata de algo difícil de enxergar, remete ao termo nebulosa presente no vocabulário da astronomia, cuja definição é um conglomerado de astros com uma formação complexa e variável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São como “franquias do terror” – assim como a desativação de uma lanchonete da Subway praticamente não afeta seu funcionamento global, destruir uma célula da Al-Qaeda, mesmo que seja a do próprio Bin Laden, não vai fazer com que a nebulosa se dissipe da noite para o dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em realidade, violência gera violência, terror gera terror, e esta grande roda da ignorância ainda está longe de parar sua rotação. Sejam os ditos “bonzinhos”, que aceitam a tortura institucionalizada de Guantanamo, ou o conceito de “guerra preventiva”, como caminhos para “aplacarmos o mal”; Sejam os terroristas, os “mestres do mal”, que creem piamente que mudarão os hábitos e o pensamento do povo islâmico com bombas e atentados – todos estão profundamente equivocados. Ou, como dizia Gandhi, o grande guerreiro da alma: “Olho por olho, dente por dente, e a humanidade continuará profundamente carente”...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A grande luz que se acende no mundo islâmico está além das doutrinas do capitalismo ou do terrorismo&lt;br /&gt;
A grande luz que se acende no mundo islâmico está além das doutrinas do capitalismo ou do terrorismo: foi o próprio povo islâmico, os jovens em sua grande maioria, quem começaram a mudar o seu mundo... E nenhum deles trazia fotos ou cartazes de Bin Laden, nem se dizia abertamente contra o Ocidente ou o capitalismo. Eles não querem terror, eles não querem seguir estritos preceitos de doutrinas religiosas ultra-conservadoras, eles não querem se empanturrar de sanduiches, gadgets e carros grandes – eles querem apenas a liberdade de pensar, a liberdade para a alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Um belo diálogo==&lt;br /&gt;
Todo esse cenário me remeteu ao belo diálogo entre Judas e Jesus no roteiro do filme “A Última Tentação de Cristo”, de Paul Schrader, baseado no romance homônimo, de Nikos Kazantzakis. Como podemos ver, a história ainda se repete, e embora evoluamos lentamente a passo de formigas anestesiadas, ainda insistimos no caminho da dor, e não do amor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Eu não sou como esses homens [referindo-se aos outros seguidores de Jesus]. Digo, eles são boas pessoas. Mas eles são fracos. Como irão lutar por você? Eles não podem nem lutar por si mesmos. Onde você os encontrou? Um é pior do que o outro. Isso não é um exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - Eu não preciso de soldados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Você me procurou. E se eu amo alguém, eu morro por ele. Caso odeie alguém, eu o mato. Eu posso até matar alguém que eu amo se ele fizer a coisa errada. Você me entende?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - Eu compreendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Noutro dia quando você disse para darmos a outra face para quem nos bateu, eu não gostei disso. Somente um anjo poderia fazer isso, ou um cachorro. Eu sou um homem livre. Eu não dou minha face para ninguém bater. Você precisa de soldados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - E acaso os soldados me farão livre?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Você deseja a liberdade para Israel?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - Eu desejo a liberdade para a alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Primeiro você liberta o corpo, depois a alma. Você sabe disso. Os romanos vêm primeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você não mudar o que a alma deseja… nada nunca irá mudar.&lt;br /&gt;
Jesus - A alma vêm primeiro. Se você não mudar o que a alma deseja, você irá apenas substituir a dominação romana por outra dominação, e nada nunca irá mudar. Primeiro você deve mudar o homem por dentro. Então o homem pode mudar o que está a sua volta. É o desejo de riquezas e poder que faz com que o homem queria dominar os outros. É o desejo que precisamos mudar, precisamos primeiro libertar a alma. Com amor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/primeiro-alma.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Ultima_tentacao.jpg&amp;diff=10845</id>
		<title>File:Ultima tentacao.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Ultima_tentacao.jpg&amp;diff=10845"/>
		<updated>2011-06-09T21:55:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da imagem: Divulgação (William Dafoe em &amp;quot;A Última Tentação de Cristo&amp;quot;).&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da imagem: Divulgação (William Dafoe em &amp;quot;A Última Tentação de Cristo&amp;quot;).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_III&amp;diff=10844</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte III</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_III&amp;diff=10844"/>
		<updated>2011-06-09T21:53:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Sagan-galaxy.jpg|right|thumb|300px|Crédito da imagem: Divulgação (Cosmos de Carl Sagan).]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no séc. XVIII por Kant e Hume. O termo, porém, foi cunhado pelo biólogo britânico Thomas Huxley em 1876 – ele definiu o agnóstico como aquele que acredita que a questão da existência de Deus não pode e talvez jamais possa ser resolvida.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O evangelho do agnóstico==&lt;br /&gt;
“O Cosmos é tudo que existe, que existiu ou existirá” – Assim, com essa frase inesquecível, Carl Sagan inaugura o primeiro episódio da série de 13 documentários intitulada &amp;quot;Cosmos&amp;quot;, veiculados na TV americana em 1980, e depois no restante do mundo. Ao pretender explicar ciência e cosmologia para o público leigo, Sagan acabou criando um épico que abrange também muitas questões existenciais, história, mitologia, religião e espiritualidade em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguma costa rochosa, em alguma praia do globo, Sagan observa as ondas, os pássaros, o vento, e algum tempo depois nos traz outra pérola em sua narrativa: “Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sagan era profundo conhecedor de religiões e mitologia, além de cientista e cético, mas não era nem ateu nem teísta ou deísta, era puramente agnóstico. Seu evangelho era constituído de uma obra de divulgação científica totalmente voltada para tal espanto, tal deslumbramento, tal amor pela natureza e todo o Cosmos a sua volta. Essa era a boa notícia de Carl...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos teístas, o fato de existirem pessoas que não creem em um Deus pessoal, ou que pelo menos não tem certeza de sua existência, parece causar um certo desconforto. Não é raro perceber, em qualquer pessoa ligada a doutrinas eclesiásticas, uma tendência a classificar ateus, agnósticos, céticos, e às vezes simplesmente todo e qualquer cientista, como “gente sem fé”, perdida, afastada de Deus, e até mesmo imoral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a verdade é que, a despeito do aparente consenso dos eclesiásticos, a moralidade, o amor, não são exclusividade daqueles que oram todos os dias a Deus, que frequentam missas, que consultam algum manual da Verdade Absoluta frequentemente. Para o religioso superficial, isto que digo não levanta muitas questões – “Ora, mas é exatamente assim: uns são bons, outros maus, crer em Deus não faz de ninguém um santo”. Sim, isso faz sentido, mas a questão é mais profunda...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se Deus existe – e para teístas e deístas ele certamente existe –, porque ele “permite” que algumas de suas criaturas vivam sem sequer crer nele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro produto da obra de Sagan, o livro de ficção “Contato”, que também deu origem a um excelente filme homônimo, é descrito um contato com inteligências extra-terrestres de uma forma verossímel e científica. Existe também um conflito entre as crenças de cientistas e religiosos – em dado momento, a protagonista do primeiro contato (no livro são vários contatos ao longo das décadas, no filme há apenas um), uma cientista agnóstica, nos traz uma importante indagação:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Se Deus quisesse nos mandar uma mensagem e escrituras antigas fossem a única forma que pudesse imaginar, ele poderia ter feito um trabalho melhor. E ele dificilmente teria que se confinar a escrituras. Por que não há um monstruoso crucifixo orbitando a Terra? Por que a superfície da Lua não é coberta com os Dez Mandamentos? Por que Deus deveria ser tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário do que muitos eclesiásticos possam imaginar, esta mensagem não denota um pensamento que diminua de alguma forma a importância da Bíblia, mas antes um pensamento que aumenta enormemente a amplitude do que há de sagrado no mundo – o reino é todo o Cosmos. E não poderia ser de outra forma...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos encontrar neste mundo ateus, agnósticos, teístas e deístas, sim isso tudo é verdade. Mas será muito difícil encontrar algum ser que negue a existência de um sistema que rege todo o universo. Seja a crença nas leis fundamentais da natureza, seja a crença nos desígnios divinos, seja um misto de ambos, todos creem em algum sistema, cuja função pode ainda ser um mistério – mas que há de ser buscado, há de ser resolvido passo a passo, por todos nós, juntos!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, nós realmente somos a forma do Cosmos conhecer a si mesmo. E pouco importa, na prática, se tal Cosmos é um ser pessoal, uma força cósmica ou até mesmo um acaso miraculoso – pois no fim, conforme postularam Kant e Hume, não compreendemos ainda muito bem nenhum deles, não podemos ainda resolver tal questão. Será que poderemos um dia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para resolvê-la, talvez não bastem apenas orações e experiências místicas, apenas meditação e autoconhecimento, mas também o estudo meticuloso, prático, objetivo, material, profundamente mundano, da natureza a nossa volta. Há muitos gigantes da história da ciência que, buscando talvez um deus barbudo senhor dos exércitos, acabou esbarrando em verdades muito mais profundas. Talvez buscando um reino confinado a um pequeno pedaço de rocha na periferia da uma de bilhões de galáxias, acabou esbarrando no infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, se mesmo hoje existem seres que buscam aos mistérios de Deus sem sequer crer nele, que se aventuram pelas entranhas dos átomos e quarks, pelo reino bizarro da mecânica quântica, pelos códigos ocultos do DNA, pelos quasares e sóis distantes, pelas singularidades de seções inimagináveis do espaço-tempo, deixem que busquem, pois de uma coisa teremos sempre a certeza: é impossível estar “fora” de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez o trabalho deles seja tão importante para o mundo quanto os mandamentos dos evangelhos. O importante é encarar as boas novas não como enigmas solucionados, mas como o início de um caminho, subjetivo e objetivo, interior e exterior, que preenche toda nossa existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amai sim, o próximo, e toda a vida, como a ti mesmo. Mas amai a coletividade da vida, amai os átomos que nos conectam a tudo e a todos em uma teia sem fim, amai ao Cosmos acima de todas as coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-3.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Sagan-galaxy.jpg&amp;diff=10843</id>
		<title>File:Sagan-galaxy.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Sagan-galaxy.jpg&amp;diff=10843"/>
		<updated>2011-06-09T21:53:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da imagem: Divulgação (Cosmos de Carl Sagan).&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da imagem: Divulgação (Cosmos de Carl Sagan).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10842</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10842"/>
		<updated>2011-06-09T21:52:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Evangelist2.jpg|right|thumb|250px|Crédito da foto: Trinette Reed /Corbis]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa para outra. Isto envolve tipicamente o devotamento sincero a um novo sistema de crença, mas também pode ser concebido de outras maneiras, como a adoção em uma identidade de grupo ou linha espiritual.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Pequeno manual para a conversão do infiel==&lt;br /&gt;
Todos os sistemas de crença ou doutrina religiosa se baseiam em espécies de guias, manuais passo a passo para uma vida de religiosidade mais profunda e verdadeira, em suma, uma religação mais eficiente e efetiva. Porém, me parece que podemos dividi-los em dois grandes grupos: aqueles em que o campo de aprendizado se dá única e exclusivamente por vontade e esforço próprios de cada um, sem a possibilidade de atalhos ou barganhas; e aqueles em que existe uma possibilidade de se avançar por meio de bênçãos e milagres, por barganhas diretas com Deus, em troca deste ou daquele benefício divino – um arrebatamento ao Céu, algum milagre ou salvação de última hora, ou simplesmente uma iluminação espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo grupo se encontram a maior parte das igrejas ou sistemas eclesiásticos. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Ocidente do que no Oriente. Por exemplo, quando determinada doutrina afirma que “só seremos salvos se aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo em nosso coração”, ela opera por forma de barganha: aparentemente, o único caminho será esse, e o mérito da salvação não será exclusivamente nosso, mas muito mais uma forma de “retribuição divina” por nossa fidelidade. Ainda assim, aceitar o Senhor ainda é algo que tem mais lógica do que simplesmente doar quantias enormes de dinheiro a alguma igreja em troca da benção direta desse mesmo Senhor. Afinal, o que diabos Deus fará com seu dinheiro? Afinal, porque somente este ou aquele eclesiástico é responsável pela contabilidade divina?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro grupo, se encontram a maior parte dos religiosos que não necessariamente tem igreja. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Oriente. Tais fiéis são antes fiéis a Deus, e mesmo que tenham alguma igreja ou grupo de estudos, e um dia os venha a abandonar, não necessariamente abandonará a própria doutrina em si. Estes fazem de suas casas, seus corações, suas mentes, sua única e inabalável catedral – onde sempre poderão orar, onde confessam antes de tudo a si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, os dois primeiros versos do Livro do Caminho Perfeito, a obra principal do taoismo, dizem que “o caminho que pode ser seguido não é o Caminho Perfeito”. Superficialmente isto é um tanto paradoxal, é como se fosse apresentado um manual passo a passo para algum Céu em que, logo de início, já fosse afirmado que este manual não poderia ser seguido... No entanto, o que Lao Tsé queria dizer é análogo ao que muitos grandes sábios sempre afirmaram: que o caminho espiritual é próprio de cada um. Ou seja, o discípulo jamais poderá seguir o mesmo caminho do mestre, ele poderá no máximo utilizar seu exemplo de vida como base para construir o seu próprio caminho. Pois assim como não existem seres idênticos na criação, da mesma forma não existem caminhos idênticos para a religação ao Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mim me parece que a abordagem do primeiro grupo tem muito a ensinar ao segundo. Em realidade, existe uma disparidade tão grande e evidente à nível de profundeza espiritual entre tais grupos, que há de se perguntar se o segundo não é, em sua maioria, um grande agrupamento de visões equivocadas da religião mais aprofundada, universal, cósmica...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitas igrejas, por exemplo, que foram edificadas inteiramente sobre textos sagrados aos quais se atribuí uma espécie de “ditado” direto de Deus. Não são como o Livro do Caminho Perfeito, uma mera tentativa de um sábio aconselhar aos outros sobre sua própria experiência de tentar compreender a Deus, mas antes a própria palavra de Nosso Senhor, verdadeiros Guias da Verdade Absoluta [1].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é que tais textos sejam mesmo o que os eclesiásticos pretendem que sejam, se é que não tenham sido enormemente adulterados com o passar do tempo, a evolução das sociedades, ou simplesmente por inúmeras traduções e compilações, ainda assim há que se pensar: se temos um nossa frente a Verdade codificada em palavras, em símbolos de escrita, será que isso nos bastará? Será que teremos plenas condições de interpretar corretamente tal Verdade? Acredito que a história das guerras religiosas nos traga uma boa resposta a essas perguntas – afinal, nenhuma guerra, nenhuma matança poderia, jamais, ser santa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente que mesmo no Ocidente, que mesmo em tais igrejas com seus Guias Infalíveis, encontram-se os moderados, os da “ala mística”, ou que compreendem a religião, o religare, de forma mais aprofundada. Tenho certeza que esses jamais ergueriam uma espada, obrigando algum pobre coitado a se “converter” a sua doutrina...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois como poderia alguém, nalgum dia insano, converter outro alguém ao seu próprio pensamento, a sua própria doutrina, pela força? Pela sedução das palavras? Pelo terror anunciado de um lago de enxofre eterno aguardando todos aqueles que não se salvarem, que não aceitarem Nosso Senhor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, perguntem aos índios da América, perguntem aos negros da África, se eles nalgum dia se converteram ao Deus desses homens que os trataram como mercadoria, como escravos, como selvagens “sem alma”, mas nunca como irmãos, como seres na mesma caminhada para o Cosmos de onde todos foram catapultados na imensidão infinita. Dizer, da boca para fora, “eu aceito Nosso Senhor”, não significa que tenham aceitado. A liberdade jaz na mente e, assim como o caminho espiritual, é exclusiva de cada um, graças a Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
William James, um dos fundadores da psicologia, em seu grandioso tratado “Variedades da experiência religiosa”, postula que a conversão religiosa verdadeira pode aparentemente ocorrer de uma hora para outra, do dia para noite, em algum insight momentâneo, mas que quase que certamente já vinha sendo edificada, lentamente, nos calabouços ocultos do inconsciente. Que nossa questão com Deus é universal, todos temos de seguir este caminho, ainda que alguns o sigam inconscientemente ou o chamem de estudo da natureza – o importante é que, a nossa maneira, estamos todos caminhando à frente, aprimorando nossas potencialidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lao Tsé e outros sábios sempre souberam que jamais poderiam converter alguém – o máximo que poderiam fazer era dar o exemplo, falar sobre sua própria experiência espiritual, sobre os percalços e as consolações do caminho, e esperar pacientemente que cada um, por si só, a seu próprio momento, convertesse a si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que não existe manual para o caminho alheio, apenas para o nosso próprio. O único infiel que tem de ser convertido é aquele que se encontra em nossa própria alma. Somos o juiz e o escravo, o apóstolo e o seguidor, o mestre e o discípulo, de nossa própria causa. Temos de ser fiéis ao nosso próprio ser, ao nosso tanto de fagulha divina que, ainda assim, é e sempre foi a única maneira com que Deus falou conosco – como o vento que sempre nos envolveu, embora são saibamos ao certo por onde ele tem passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir, o evangelho do agnóstico...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10841</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10841"/>
		<updated>2011-06-09T21:51:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Evangelist2.jpg|right|thumb|200px|Crédito da foto: Trinette Reed /Corbis]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa para outra. Isto envolve tipicamente o devotamento sincero a um novo sistema de crença, mas também pode ser concebido de outras maneiras, como a adoção em uma identidade de grupo ou linha espiritual.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Pequeno manual para a conversão do infiel==&lt;br /&gt;
Todos os sistemas de crença ou doutrina religiosa se baseiam em espécies de guias, manuais passo a passo para uma vida de religiosidade mais profunda e verdadeira, em suma, uma religação mais eficiente e efetiva. Porém, me parece que podemos dividi-los em dois grandes grupos: aqueles em que o campo de aprendizado se dá única e exclusivamente por vontade e esforço próprios de cada um, sem a possibilidade de atalhos ou barganhas; e aqueles em que existe uma possibilidade de se avançar por meio de bênçãos e milagres, por barganhas diretas com Deus, em troca deste ou daquele benefício divino – um arrebatamento ao Céu, algum milagre ou salvação de última hora, ou simplesmente uma iluminação espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo grupo se encontram a maior parte das igrejas ou sistemas eclesiásticos. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Ocidente do que no Oriente. Por exemplo, quando determinada doutrina afirma que “só seremos salvos se aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo em nosso coração”, ela opera por forma de barganha: aparentemente, o único caminho será esse, e o mérito da salvação não será exclusivamente nosso, mas muito mais uma forma de “retribuição divina” por nossa fidelidade. Ainda assim, aceitar o Senhor ainda é algo que tem mais lógica do que simplesmente doar quantias enormes de dinheiro a alguma igreja em troca da benção direta desse mesmo Senhor. Afinal, o que diabos Deus fará com seu dinheiro? Afinal, porque somente este ou aquele eclesiástico é responsável pela contabilidade divina?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro grupo, se encontram a maior parte dos religiosos que não necessariamente tem igreja. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Oriente. Tais fiéis são antes fiéis a Deus, e mesmo que tenham alguma igreja ou grupo de estudos, e um dia os venha a abandonar, não necessariamente abandonará a própria doutrina em si. Estes fazem de suas casas, seus corações, suas mentes, sua única e inabalável catedral – onde sempre poderão orar, onde confessam antes de tudo a si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, os dois primeiros versos do Livro do Caminho Perfeito, a obra principal do taoismo, dizem que “o caminho que pode ser seguido não é o Caminho Perfeito”. Superficialmente isto é um tanto paradoxal, é como se fosse apresentado um manual passo a passo para algum Céu em que, logo de início, já fosse afirmado que este manual não poderia ser seguido... No entanto, o que Lao Tsé queria dizer é análogo ao que muitos grandes sábios sempre afirmaram: que o caminho espiritual é próprio de cada um. Ou seja, o discípulo jamais poderá seguir o mesmo caminho do mestre, ele poderá no máximo utilizar seu exemplo de vida como base para construir o seu próprio caminho. Pois assim como não existem seres idênticos na criação, da mesma forma não existem caminhos idênticos para a religação ao Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mim me parece que a abordagem do primeiro grupo tem muito a ensinar ao segundo. Em realidade, existe uma disparidade tão grande e evidente à nível de profundeza espiritual entre tais grupos, que há de se perguntar se o segundo não é, em sua maioria, um grande agrupamento de visões equivocadas da religião mais aprofundada, universal, cósmica...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitas igrejas, por exemplo, que foram edificadas inteiramente sobre textos sagrados aos quais se atribuí uma espécie de “ditado” direto de Deus. Não são como o Livro do Caminho Perfeito, uma mera tentativa de um sábio aconselhar aos outros sobre sua própria experiência de tentar compreender a Deus, mas antes a própria palavra de Nosso Senhor, verdadeiros Guias da Verdade Absoluta [1].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é que tais textos sejam mesmo o que os eclesiásticos pretendem que sejam, se é que não tenham sido enormemente adulterados com o passar do tempo, a evolução das sociedades, ou simplesmente por inúmeras traduções e compilações, ainda assim há que se pensar: se temos um nossa frente a Verdade codificada em palavras, em símbolos de escrita, será que isso nos bastará? Será que teremos plenas condições de interpretar corretamente tal Verdade? Acredito que a história das guerras religiosas nos traga uma boa resposta a essas perguntas – afinal, nenhuma guerra, nenhuma matança poderia, jamais, ser santa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente que mesmo no Ocidente, que mesmo em tais igrejas com seus Guias Infalíveis, encontram-se os moderados, os da “ala mística”, ou que compreendem a religião, o religare, de forma mais aprofundada. Tenho certeza que esses jamais ergueriam uma espada, obrigando algum pobre coitado a se “converter” a sua doutrina...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois como poderia alguém, nalgum dia insano, converter outro alguém ao seu próprio pensamento, a sua própria doutrina, pela força? Pela sedução das palavras? Pelo terror anunciado de um lago de enxofre eterno aguardando todos aqueles que não se salvarem, que não aceitarem Nosso Senhor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, perguntem aos índios da América, perguntem aos negros da África, se eles nalgum dia se converteram ao Deus desses homens que os trataram como mercadoria, como escravos, como selvagens “sem alma”, mas nunca como irmãos, como seres na mesma caminhada para o Cosmos de onde todos foram catapultados na imensidão infinita. Dizer, da boca para fora, “eu aceito Nosso Senhor”, não significa que tenham aceitado. A liberdade jaz na mente e, assim como o caminho espiritual, é exclusiva de cada um, graças a Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
William James, um dos fundadores da psicologia, em seu grandioso tratado “Variedades da experiência religiosa”, postula que a conversão religiosa verdadeira pode aparentemente ocorrer de uma hora para outra, do dia para noite, em algum insight momentâneo, mas que quase que certamente já vinha sendo edificada, lentamente, nos calabouços ocultos do inconsciente. Que nossa questão com Deus é universal, todos temos de seguir este caminho, ainda que alguns o sigam inconscientemente ou o chamem de estudo da natureza – o importante é que, a nossa maneira, estamos todos caminhando à frente, aprimorando nossas potencialidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lao Tsé e outros sábios sempre souberam que jamais poderiam converter alguém – o máximo que poderiam fazer era dar o exemplo, falar sobre sua própria experiência espiritual, sobre os percalços e as consolações do caminho, e esperar pacientemente que cada um, por si só, a seu próprio momento, convertesse a si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que não existe manual para o caminho alheio, apenas para o nosso próprio. O único infiel que tem de ser convertido é aquele que se encontra em nossa própria alma. Somos o juiz e o escravo, o apóstolo e o seguidor, o mestre e o discípulo, de nossa própria causa. Temos de ser fiéis ao nosso próprio ser, ao nosso tanto de fagulha divina que, ainda assim, é e sempre foi a única maneira com que Deus falou conosco – como o vento que sempre nos envolveu, embora são saibamos ao certo por onde ele tem passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir, o evangelho do agnóstico...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Evangelist2.jpg&amp;diff=10840</id>
		<title>File:Evangelist2.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Evangelist2.jpg&amp;diff=10840"/>
		<updated>2011-06-09T21:50:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da foto: Trinette Reed /Corbis&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da foto: Trinette Reed /Corbis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=10839</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=10839"/>
		<updated>2011-06-09T21:49:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Evangelist.jpg|right|thumb|250px|Crédito da imagem: Neil Guegan/Corbis]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Evangelizar: de “evangelista”, baseado em palavra do grego koiné (dialeto popular da antiguidade), que significa “boas novas” ou “boas notícias”. Evangelizar significa, portanto, trazer as boas novas ao conhecimento dos homens.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As boas novas==&lt;br /&gt;
Nem todos concordarão com a definição dada acima para o verbo “evangelizar”. Para um termo tão essencial ao cristianismo, surpreende que seja tão complexo defini-lo – mesmo entre os próprios cristãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitos religiosos (não apenas cristãos) que creem piamente que sua principal função enquanto pertencentes a um grupo doutrinário ou igreja seja precisamente repercutir aos quatro cantos do mundo tudo o que sua respectiva doutrina dita. No caso particular de doutrinas que nos trazem mandamentos e preceitos morais, isso invariavelmente significa que, para tais religiosos, evangelizar significa não apenas trazer um consolo espiritual ou alguma boa notícia do reino de Deus, mas também ditar como as pessoas devem se portar em sociedade, normalmente afim de não caírem em “tentações e maus caminhos”, e alcançarem o Céu após a morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu costumo sempre lembrar que religião e igreja não são a mesma coisa. Religião (re-ligare) é a religação a Deus ou ao Cosmos, uma experiência profundamente subjetiva que é percebida e praticada pelos homens desde a pré-história – particularmente através do xamanismo. Igreja (ekklesia) significa uma comunidade dos escolhidos de Deus – um grupo ou elite de pessoas que teoricamente possuem alguma espécie de “conhecimento oculto” capaz de fazer com que os homens possam se elevar ao Céu ou alcançar o reino de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição de religião pressupõe um Deus universal, um ser cósmico que pode inclusive ser confundido ou interpretado como o próprio Cosmos em si, e para o qual cada um de nós se inclina a retornar, passo a passo, por seus próprios meios, seguindo um caminho pessoal, subjetivo, intransferível. Já a definição de igreja dá a entender que Deus está a eleger um grupo de escolhidos, destinados a alguma tarefa especial no mundo – e a todos os demais, aos que se afastaram de sua doutrina, geralmente não são esperadas boas notícias após a morte. No melhor dos casos, serão enviados a alguma espécie de “limbo” onde irão aguardar um julgamento que, teoricamente, pode ser “aliviado” pelas orações daqueles que estão no grupo de escolhidos, os eclesiásticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, embora todo membro de igreja seja religioso, nem todo religioso será um membro de igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo os evangelhos, por exemplo, não foram somente aqueles quatro escolhidos pela “comissão” de Constantino para compor o Novo Testamento. Existiriam muitos outros, e, sobretudo, existiriam muitos seguidores destes outros textos, taxados de apócrifos (segundo alguns, “errado, falso, não autêntico”, segundo outros, “livro ou texto secreto, conhecimento oculto”). Estes que foram chamados por Constantino de gnósticos, e perseguidos e assassinados ou obrigados a se “converter” ao “cristianismo oficial”, na verdade sempre chamaram a si mesmos de cristãos, e praticavam sua religiosidade em pequenos grupos, em colinas, em cavernas, em qualquer lugar – pois compreendiam que o reino de Deus abrange todo e qualquer lugar, todo e qualquer tempo, e não necessitavam de apóstolos ou padres para lhes ensinar a direção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos evangelhos apócrifos foram escondidos em vasos e enterrados em cavernas na região onde viveu Jesus, pois do contrário teriam sido queimados como todos os outros condenados por Constantino. Mas ao longo dos séculos eles foram sendo desenterrados, na medida em que a igreja de Constantino vinha perdendo sua força e sua capacidade de ditar o que os homens deveriam ou não considerar como “autêntico”. Em Nag Hammadi foi achado um dos evangelhos mais profundos de que se tem notícia, o Evangelho de Tomé – nele Jesus nos dá uma pista de onde se encontra, afinal, o reino de Deus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Jesus disse: Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza. (versículo 3)”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvida tal definição do reino é um tanto paradoxal. Ora, se ele já se encontra aqui e agora, dentre nós e a volta de tudo e de todos, como poderá algum padre, algum pastor, algum guru espiritual, algum evangelizador, nos apontar a correta direção?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aparentemente, todas as direções são corretas. Porém, ao mesmo tempo, há que se ter olhos para vê-las. Não se trata, portanto, de buscar alguma espécie de grupo de escolhidos, alguma espécie de salvação do fim dos tempos, através do conhecimento de uma doutrina em específico, ou através deste ou daquele preceito moral... Não, jamais foi assim tão simples, jamais será tão fácil!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gibran Khalil Gibran, o grande poeta do Líbano, dizia que “Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.” – Ora, é precisamente isso que nos ensinaram os grandes sábios de outrora, desde Lao Tsé a Sócrates; é precisamente isso que Jesus queria dizer com o “Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estamos num mundo repleto de boas novas por todos os lados, debaixo de pedras e dentre os galhos partidos, além das nuvens e próximo a beirada dos rios e oceanos, muito além das estrelas mais longínquas e ao mesmo tempo tão próximo como nosso pensamento mais querido. Não nos cabe decorar ou recitar orações ou fórmulas mágicas para adentrar ao reino das boas novas, que estas são apenas muletas para aqueles que ainda não conseguem se erguer por si mesmos. Cabe-nos tão somente olhar para dentro, conhecer a nós mesmos, evangelizar ao nosso mais precioso inimigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E para aquele que conseguiu evangelizar a si próprio, aquele que alcançou tal nirvana da alma, não será sequer necessário buscar seguidores – eles mesmos o reconhecerão. Não será sequer necessário anunciar a boa nova, seu olhar já a trará como pérola misteriosa em oceano profundo. Não será sequer necessário fundar uma doutrina ou igreja, que esta já foi fundada desde o início dos tempos. A igreja é o próprio reino, a igreja é o Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir, o pequeno manual para a conversão do infiel...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Evangelist.jpg&amp;diff=10838</id>
		<title>File:Evangelist.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Evangelist.jpg&amp;diff=10838"/>
		<updated>2011-06-09T21:48:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da imagem: Neil Guegan/Corbis&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da imagem: Neil Guegan/Corbis&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10837</id>
		<title>Não há fronteiras</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10837"/>
		<updated>2011-06-09T21:46:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Monteverde_plato.jpg|right|thumb|300px|Crédito da foto: Niels Sörensen (vista do Platô em Monte Verde/MG).]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de grama...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia estar efetivamente “fora de Deus”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente um estado da consciência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão antigo (um gnóstico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis cósmicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito religiosos que… ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte.&lt;br /&gt;
Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: “Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que lembram vidas passadas seja intrigante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/nao-ha-fronteiras.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10836</id>
		<title>Não há fronteiras</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10836"/>
		<updated>2011-06-09T21:46:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Monteverde_plato.jpg|right|thumb|200px|Crédito da foto: Niels Sörensen (vista do Platô em Monte Verde/MG).]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de grama...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia estar efetivamente “fora de Deus”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente um estado da consciência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão antigo (um gnóstico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis cósmicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito religiosos que… ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte.&lt;br /&gt;
Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: “Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que lembram vidas passadas seja intrigante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/nao-ha-fronteiras.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10835</id>
		<title>Não há fronteiras</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10835"/>
		<updated>2011-06-09T21:46:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Tpr-crianca_lago.jpg|right|thumb|200px|Crédito da foto: Niels Sörensen (vista do Platô em Monte Verde/MG).]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de grama...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia estar efetivamente “fora de Deus”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente um estado da consciência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão antigo (um gnóstico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis cósmicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito religiosos que… ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte.&lt;br /&gt;
Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: “Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que lembram vidas passadas seja intrigante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/nao-ha-fronteiras.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Monteverde_plato.jpg&amp;diff=10834</id>
		<title>File:Monteverde plato.jpg</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=File:Monteverde_plato.jpg&amp;diff=10834"/>
		<updated>2011-06-09T21:45:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Crédito da foto: Niels Sörensen (vista do Platô em Monte Verde/MG).&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Crédito da foto: Niels Sörensen (vista do Platô em Monte Verde/MG).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10605</id>
		<title>Não há fronteiras</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10605"/>
		<updated>2011-05-17T15:44:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de grama...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia estar efetivamente “fora de Deus”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente um estado da consciência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão antigo (um gnóstico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis cósmicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito religiosos que… ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte.&lt;br /&gt;
Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: “Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que lembram vidas passadas seja intrigante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/nao-ha-fronteiras.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10604</id>
		<title>Não há fronteiras</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10604"/>
		<updated>2011-05-17T15:43:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grama...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
estar efetivamente “fora de Deus”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
um estado da consciência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
antigo (um gnóstico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
cósmicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito religiosos que… ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte.&lt;br /&gt;
Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
lembram vidas passadas seja intrigante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/nao-ha-fronteiras.html] - Post original no Blog Textos para &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10603</id>
		<title>Não há fronteiras</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=N%C3%A3o_h%C3%A1_fronteiras&amp;diff=10603"/>
		<updated>2011-05-17T15:43:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinh…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda me lembro da primeira vez que subi ao Platô, uma das montanhas turísticas de Monte Verde, adorável cidadezinha do sul de Minas Gerais. Além da bela visão das montanhas da Mantiqueira, tive a oportunidade de colocar um pé no estado de Minas e outro no de São Paulo, visto que a fronteira entre os dois estados passava exatamente por aquela pedra. Eu talvez fosse muito pequeno na época, ou talvez simplesmente não tenha dado a importância ao assunto, mas fato é que, em realidade, não havia fronteira alguma ali. A única fronteira estava em nossa própria mente, na crença de que haviam fronteiras – quando nada mais havia além de vento, pedras e tufos de grama...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do advento do cristianismo, os primeiros e talvez mais fiéis seguidores dos ensinamentos de Jesus foram nomeados pelos romanos como gnósticos, embora eles mesmos se intitulassem cristãos. Sabe-se que, segundo o Evangelho de Tomé – um dos taxados mais tardiamente como apócrifo, e que foi descoberto em Nag Hammadi no século XX –, o reino de Deus pode ser encontrado debaixo de alguma pedra ou dentre um galho seco partido. Isso nada mais era do que uma metáfora, certamente bem profunda e além de análises superficiais, que demonstrava que nada poderia estar efetivamente “fora de Deus”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estando Deus em toda parte, a edificação de grandes templos e catedrais não seria de maior valia, para nosso reencontro com seu reino, do que uma edificação mental, uma guinada de nossa própria consciência na direção do infinito... A fronteira para o reino de Deus estava em toda parte, e em parte alguma – pois que era essencialmente um estado da consciência humana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o imperador Constantino, não era interessante que o cristianismo recém instalado em Roma permitisse esse tipo de religiosidade liberta. Isso ameaçaria a autoridade dos eclesiásticos e, por tabela, a autoridade do próprio imperador, que no fim das contas era a autoridade por cima dos eclesiásticos. Por razões parecidas, muitas igrejas têm se mantido pelo dogma de que formam uma comunidade de escolhidos por Deus (do grego ekklesia), e que toda a autoridade pertence aos eclesiásticos, que falam em nome de Deus – por mais absurdo que isso soe para um cristão antigo (um gnóstico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a religiosidade, a religação (do latim religare) as nossas origens – ao Cosmos ou a Deus –, não necessita desse tipo de intermédio. Muito embora seja perfeitamente compreensível que mentes afins desejem se reunir para discutir sua própria crença em conjunto (os gnósticos, os místicos judeus, os filósofos gregos, os monges budistas, todos já tinham essa prática...), essa concepção pode ser facilmente extrapolada quando um dos religiosos pretende falar em nome dos demais, ou pior, em nome de Deus. Foi dessa forma que nasceu, por exemplo, o conceito absurdo de guerra santa – uma matança desenfreada em nome de Deus, uma ignorância suprema das leis cósmicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muito religiosos que… ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte.&lt;br /&gt;
Por isso que, embora todos os eclesiásticos sejam religiosos, nem todos os religiosos estão associados a uma igreja ou doutrina em específico. Há muito religiosos que, tal qual os gnósticos, ainda conseguem ver o reino de Deus em toda parte. Para estes, não há fronteiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a radicalização das doutrinas eclesiásticas na época medieval, o racionalismo científico, que já houvera florescido na Grécia e diversos outras regiões do mundo antigo, renasce em todo o seu esplendor, junto com a arte, a literatura e os novos ideais de humanismo e liberdade de pensamento. Há muitos racionalistas que, até hoje, creem piamente que toda religião é um veneno para a mente, e que somente a razão científica deve ditar os rumos de nossa cultura e sociedades. Eles também se alistaram para uma guerra santa, não em nome de Deus, mas em nome da Natureza, em nome de uma estranha ideia que mistura ciência, racionalismo, ceticismo e negação radical da subjetividade... Obviamente, não poderia ter dado certo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, questionava-se se não era possível que sua atividade como observador puramente racional e objetivo da natureza, ou seja, sua atividade científica – conforme a ciência era erroneamente interpretada já em sua época –, pudesse limitar o seu potencial como ser humano pleno. Mais recentemente, Paul Feyerabend, filósofo da ciência austríaco, valeu-se do pensamento de Kierkegaard para sua feroz crítica a metodologia científica moderna, excessivamente metódica, sem praticamente nenhum espaço para a subjetividade: “Será que a ciência como a conhecemos hoje, uma ‘busca pela verdade’ no estilo da filosofia tradicional, criará um monstro? Não será possível que uma abordagem objetiva que desaprova contatos pessoais entre entidades irá prejudicar as pessoas, torná-las miseráveis, hostis, criando mecanismos moralistas desprovidos de charme e humor? Eu suspeito de que a resposta para muitas dessas questões seja afirmativa e eu acredito que a reforma das ciências para torná-las mais anárquicas e mais subjetivas (em um sentido Kierkegaardiano) é urgentemente necessária.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Feyerabend estava especialmente preocupado com o fato do pensamento existencial, espiritual, filosófico, estar sendo ignorado pela nova geração de cientistas que emergiu após o fim da Segunda Guerra, em plena era da corrida nuclear: “O isolamento da filosofia em uma casca ‘profissional’ própria têm trazido consequências desastrosas. A jovem geração de físicos, os Feynmans, os Schwingers, etc., podem ser brilhantes; eles podem ser mais inteligentes que seus predecessores, do que Bohr, Einstein, Schrödinger, Boltzmann, Mach e outros. Mas eles são selvagens não-civilizados, lhes falta a profundidade filosófica – e esse é o erro da própria ideia de profissionalismo que vocês hoje defendem”. Embora possa ter sido um tanto radical, a mensagem de Feyerabend atingiu um cheio a Academia, bem em seu ponto fraco e obscuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência … uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas.&lt;br /&gt;
Ocorre que a Academia, ou o grupo de cientistas que nomeou a si mesmos como “escolhidos da Natureza”, nada mais era do que o outro lado da moeda neste interessante jogo entre as autoridades eclesiásticas e acadêmicas que tem sido jogado no Ocidente há mais de um século. Da mesma forma que os imperadores de outrora decidiam qual texto seria sagrado, e qual seria apócrifo, quais religiosos seriam salvos, e quais seriam perseguidos e esquecidos pela história (que eles próprios escreviam), alguns dos acadêmicos de hoje em dia tem tratado de tornar a ciência – a observação e o conhecimento da Natureza – uma espécie de ideologia associada à racionalidade e objetividade extremas. Dessa forma, puderam decidir, por exemplo, que Darwin e não Wallace deveria ser lembrado pela teoria da evolução (embora sejam co-autores, Wallace era espiritualista); que a ciência ocidental deveria ter preponderância sobre as outras, que foram chamadas de alternativas ou pseudo-ciências (embora a acupuntura já seja largamente utilizada no Ocidente, inclusive em animais); que todo e qualquer estudo científico que sugerisse a existência da alma fosse tratado como algo apócrifo (embora até mesmo Carl Sagan tenha admitido que o estudo com crianças que lembram vidas passadas seja intrigante).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente, e felizmente, os acadêmicos são ainda civilizados o suficiente para atacar os de pensamento contrário apenas no campo das ideias e no escoamento de verbas para pesquisas – ainda não se teve notícia de cientistas queimando religiosos em fogueiras... O importante é que não se pense a ciência e a religião como áreas hermeticamente separadas. Assim como Einstein e Bohr foram profundos conhecedores e admiradores de doutrinas espiritualistas (o deísmo espinosiano e o I Ching, respectivamente), não há nenhum bom motivo para os cientistas de hoje tratarem da religiosidade como algo apócrifo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão não é se a verdade está no dogma eclesiástico ou no método acadêmico, se está na religião ou na ciência, na objetividade ou na subjetividade. A verdade é que não sabemos toda a verdade, e talvez jamais saibamos – ou, ainda que ela nos chegue por algum texto sagrado ou mensagem extraterrestre, não a saibamos interpretar corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A única verdade é que o Cosmos é algo muito, muito grande. Que a Natureza jamais nos deixará relaxar. Que ainda temos muito, muito o que desvendar dentre átomos e quarks, galáxias em agrupamentos inimagináveis, e delicadas e fluidas engrenagens de pensamento. Seja você um jovem acadêmico, teólogo, artista, filósofo, ou neófito (e, de certa forma, todos o somos), a verdade é que não há fronteiras neste reino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/nao-ha-fronteiras.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10602</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10602"/>
		<updated>2011-05-17T15:42:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* Artigos de 2011 */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2011===&lt;br /&gt;
* [[Não há fronteiras]]&lt;br /&gt;
* [[Primeiro a alma]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[É o fim do caminho?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Primeiro_a_alma&amp;diff=10599</id>
		<title>Primeiro a alma</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Primeiro_a_alma&amp;diff=10599"/>
		<updated>2011-05-16T16:14:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  ==A nebulosa Al-Qaeda== Se você leu qualquer capa de jornal ou revista de notícias, ou assistiu qualquer noticiário…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A nebulosa Al-Qaeda==&lt;br /&gt;
Se você leu qualquer capa de jornal ou revista de notícias, ou assistiu qualquer noticiário na TV a praticamente qualquer momento dos últimos dias, já deve saber que o presidente americano afirmou ter assassinado o célebre terrorista, Osama Bin Laden.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Osama foi um dos membros sauditas da próspera família Bin Laden, além de líder e fundador da Al-Qaeda, organização terrorista famosa pelos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e numerosos outros contra alvos civis e militares. A Al-Qaeda (&amp;quot;A Base&amp;quot;) foi originalmente destinada a combater a família real saudita. Bin Laden detestava os modos ocidentalizados, perdulários, corruptos e &amp;quot;pouco islâmicos&amp;quot; da família real. Tinha como objetivo alijá-la do poder e implantar no país a semente do que sempre sonhou - o novo califado islâmico. A família real, por ironia do destino, possuía grande consideração para com a família de Bin Laden.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O historiador e pesquisador do Laboratório do Tempo Presente, Daniel Santiago Chaves, chama a atenção para o tipo de &amp;quot;escola de terrorismo&amp;quot; desenvolvido pela Al-Qaeda e que hoje serve de modelo para organizações menores. &amp;quot;Quando nós lembramos da Al-Qaeda, a primeira imagem que vem à nossa cabeça é a de um avião sequestrado sendo jogado contra um prédio, causando a morte de milhares de pessoas. Esse conceito de terrorismo espetacular foi apropriado por esses pequenos grupos&amp;quot;, afirmou. Círculo vicioso: segundo ele, a Al-Qaeda, os demais grupos terroristas e a mídia acabam se retroalimentando por essas ações. &amp;quot;Ter a imagem vinculada a Al-Qaeda é bom para os grupos porque dá visibilidade aos seus atos, é bom para a Al-Qaeda, que se mantém na mídia, e é bom para mídia, que vende a sua notícia&amp;quot;, analisa. Quem entende esse mecanismo e está à frente das principais explosões em hotéis, boates e restaurantes, principalmente na Ásia, são grupos oriundos de famílias ricas que têm condições de planejar ações desse porte, explica. &amp;quot;São pessoas com liquidez financeira não necessariamente pertencentes a uma grande rede como a de Osama Bin Laden, mas que entendem o significado de um atentado com impacto midiático e são capazes de gerar a inteligência suficiente para executá-lo. De comum com a Al-Qaeda, além dos métodos, existe uma agenda: transformar os Estados da Ásia em um califado islâmico&amp;quot;. Por isso os principais alvos dos atentados estão sempre ligados de alguma forma ao Ocidente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como o alvo da Al-Qaeda nunca foram as torres gêmeas, e sim a mídia, eles tampouco se organizam tal qual os apreciadores de fantasias de duelos do bem contra o mal gostariam: como uma organização hierárquica, com apenas um grande “mestre do mal” – um inimigo para os filmes de Hollywood... Seu quadro composto por células terroristas localizadas em diversos países gerou o que os analistas chamam de Al-Qaeda &amp;quot;nebulosa&amp;quot;. Esta denominação tem duplo significado. Ao mesmo tempo em que dá a ideia de que se trata de algo difícil de enxergar, remete ao termo nebulosa presente no vocabulário da astronomia, cuja definição é um conglomerado de astros com uma formação complexa e variável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São como “franquias do terror” – assim como a desativação de uma lanchonete da Subway praticamente não afeta seu funcionamento global, destruir uma célula da Al-Qaeda, mesmo que seja a do próprio Bin Laden, não vai fazer com que a nebulosa se dissipe da noite para o dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em realidade, violência gera violência, terror gera terror, e esta grande roda da ignorância ainda está longe de parar sua rotação. Sejam os ditos “bonzinhos”, que aceitam a tortura institucionalizada de Guantanamo, ou o conceito de “guerra preventiva”, como caminhos para “aplacarmos o mal”; Sejam os terroristas, os “mestres do mal”, que creem piamente que mudarão os hábitos e o pensamento do povo islâmico com bombas e atentados – todos estão profundamente equivocados. Ou, como dizia Gandhi, o grande guerreiro da alma: “Olho por olho, dente por dente, e a humanidade continuará profundamente carente”...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A grande luz que se acende no mundo islâmico está além das doutrinas do capitalismo ou do terrorismo&lt;br /&gt;
A grande luz que se acende no mundo islâmico está além das doutrinas do capitalismo ou do terrorismo: foi o próprio povo islâmico, os jovens em sua grande maioria, quem começaram a mudar o seu mundo... E nenhum deles trazia fotos ou cartazes de Bin Laden, nem se dizia abertamente contra o Ocidente ou o capitalismo. Eles não querem terror, eles não querem seguir estritos preceitos de doutrinas religiosas ultra-conservadoras, eles não querem se empanturrar de sanduiches, gadgets e carros grandes – eles querem apenas a liberdade de pensar, a liberdade para a alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Um belo diálogo==&lt;br /&gt;
Todo esse cenário me remeteu ao belo diálogo entre Judas e Jesus no roteiro do filme “A Última Tentação de Cristo”, de Paul Schrader, baseado no romance homônimo, de Nikos Kazantzakis. Como podemos ver, a história ainda se repete, e embora evoluamos lentamente a passo de formigas anestesiadas, ainda insistimos no caminho da dor, e não do amor:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Eu não sou como esses homens [referindo-se aos outros seguidores de Jesus]. Digo, eles são boas pessoas. Mas eles são fracos. Como irão lutar por você? Eles não podem nem lutar por si mesmos. Onde você os encontrou? Um é pior do que o outro. Isso não é um exército.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - Eu não preciso de soldados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Você me procurou. E se eu amo alguém, eu morro por ele. Caso odeie alguém, eu o mato. Eu posso até matar alguém que eu amo se ele fizer a coisa errada. Você me entende?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - Eu compreendo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Noutro dia quando você disse para darmos a outra face para quem nos bateu, eu não gostei disso. Somente um anjo poderia fazer isso, ou um cachorro. Eu sou um homem livre. Eu não dou minha face para ninguém bater. Você precisa de soldados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - E acaso os soldados me farão livre?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Você deseja a liberdade para Israel?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus - Eu desejo a liberdade para a alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Judas - Primeiro você liberta o corpo, depois a alma. Você sabe disso. Os romanos vêm primeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se você não mudar o que a alma deseja… nada nunca irá mudar.&lt;br /&gt;
Jesus - A alma vêm primeiro. Se você não mudar o que a alma deseja, você irá apenas substituir a dominação romana por outra dominação, e nada nunca irá mudar. Primeiro você deve mudar o homem por dentro. Então o homem pode mudar o que está a sua volta. É o desejo de riquezas e poder que faz com que o homem queria dominar os outros. É o desejo que precisamos mudar, precisamos primeiro libertar a alma. Com amor. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/05/primeiro-alma.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10598</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10598"/>
		<updated>2011-05-16T16:12:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* Artigos de 2011 */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2011===&lt;br /&gt;
* [[Primeiro a alma]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[É o fim do caminho?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_o_mal&amp;diff=10597</id>
		<title>Reflexões sobre o mal</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_o_mal&amp;diff=10597"/>
		<updated>2011-05-09T02:27:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* O bode expiatório */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A idéia de mal geralmente se refere a tudo aquilo que não é desejável ou que deve ser evitado. O mal está no vício, em oposição à virtude [1].&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O bode expiatório==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz à lenda que o jovem Einstein corrigiu seu professor  quando este, em plena sala de aula, afirmou que “se Deus criou todas as coisas, então Deus também é mau, visto que criou o mal”:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Me desculpe professor, o frio existe?” – Na afirmativa do professor, ele prosseguiu – “Na verdade, professor, o frio não existe. De acordo com as leis da física, o que nós consideramos como frio é na realidade a ausência do calor.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“E a escuridão professor, ela existe?” – Ainda confuso, ele novamente disse que obviamente existia – “Você está errado senhor, a escuridão tampouco existe, a escuridão é na realidade a ausência de luz. A luz nós podemos estudar, mas não podemos estudar algo que inexiste: a escuridão.” – Finalmente, o jovem concluiu: “O mal não existe, ele é como o frio e a escuridão. Deus não criou o mal, o que chamamos de mal é o resultado de quando os homens não possuem o amor de Deus em seu coração...”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Independente de ter sido uma história real ou alguma invenção religiosa para atacar a idéia de que Deus criou o mal, o que nos importa é que a lógica é verdadeira: certamente, o mal não existe, não é uma força. Pela lógica, a questão da existência de Deus se fundamenta na questão da criação em si – algo existe, algo que é essencialmente infinito... O amor sim, nos dá evidências subjetivas de ser uma força inesgotável, uma fonte de onde quanto mais se tira água, mais água se tem. O mal seria tão somente a ausência ou ignorância deste amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, se o mal não existe, quem diabos seria Satanás? Ele é uma figura muito controvertida na Bíblia. A palavra &amp;quot;Satã&amp;quot; significa em hebraico &amp;quot;acusador&amp;quot;, &amp;quot;opositor&amp;quot;. Aparece, pela primeira vez no livro de Jó, sendo como um promotor celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no &amp;quot;Céu&amp;quot;, de ir e vir livremente e dialogar com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 – &amp;quot;Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles&amp;quot;. O livro de Jó foi escrito depois do exílio babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano 538 a.C, assimilou muitos costumes dos persas e do zoroastrismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o mal. No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons. E foi do zoroastrismo que os judeus aprenderam a crença em um Ahriman, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de Satan - Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos outros livros escritos após o exílio babilônico. Nestes livros já aparece à influência do zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é realizada pela serpente e não por Satanás, demonstrando assim que o escritor do Gênesis não conhecia Satanás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passa a existir a partir daí, &amp;quot;uma lenda&amp;quot; entre o povo judeu de que Satanás é considerado como o rei dos demônios, que se rebelara contra Deus sendo expulso do céu. Ao exilar-se do céu, levou consigo uma hoste de anjos caídos, e tornou-se seu líder. A rebelião começou quando ele, Satanás, o maior dos anjos, recusou prestar homenagem a Adão. Afirmam ainda que esteve por trás do pecado de Adão e Eva, no Jardim do Éden, mantendo relação sexual com Eva. Ajudou Noé a embriagar-se com vinho e tentou persuadir Abraão a não obedecer a Deus no episódio do sacrifício do seu filho Isaac [2].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas pessoas acreditam muito no poder de Satanás e até o enaltecem em suas igrejas, interessante como as igrejas que tanto combateram o paganismo tenham como um de seus personagens principais um mito essencialmente pagão. Seu reino, o Inferno, sofreu influência do Tártaro da mitologia grega, morada de Hades, local para onde iam as almas dos mortos; seus chifres eram de Pã, uma entidade grega protetora da natureza; e ainda encontramos coincidências com as crenças dos antigos Egípcios, quando se acreditava que o Deus Anúbis (o Chacal) carregaria a alma dos mortos cujo coração ao ser pesado numa balança, seria mais pesado que uma pluma. Porém, acima de tudo, o próprio conceito de uma entidade que personifica o mal e disputa almas com o próprio Deus é, na melhor das hipóteses, um hino ao paganismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se Deus não pode ter criado o mal, se o mal não existe – sendo tão somente a ignorância do bem –, como explicar a ilusão persistente deste mito por tantos e tantos séculos? Ora, talvez a explicação esteja no fato de Satanás, o Diabo, ser o bode expiatório perfeito...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como certas pessoas se aprazem com a ilusão de sua existência! Existindo um centralizador de todo o mal, justificam-se nossas próprias falhas: “Não fui eu quem me viciei em bebidas e drogas, foi à influência do Capeta que me levou ao vício!”; “Não fui eu quem bati na minha mulher, foi Belzebu quem me seduziu e guiou a minha mão!”; “Não entendo como pude deixar minha honestidade de lado e roubar dinheiro público. Sou um grande político... Acreditem por favor, isso tudo foi obra de Lúcifer!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o bode expiatório também serve para justificar ataques ilógicos a crenças alheias, e a ciência: “Não mexo com espiritismo, isso é coisa do demônio!”; “Esse negócio de evolução foi coisa que o Cramulhão soprou nos ouvidos de Darwin, afastando-o da fé cristã!”; “Esta é sua última chance de aceitar Nosso Senhor Jesus Cristo, pois Lúcifer está sempre a espreita, esperando pelas almas desgarradas no Dia do Juízo!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o verdadeiro medo de toda essa gente é admitir que são as únicas culpadas pelo seu próprio mal. Olhe para dentro, admita que o Diabo só está em você mesmo, é único e exclusivamente seu. O seu Satanás não é igual ao Satanás de mais ninguém. Conversa com ele, faça as pazes, sublime-se de seu lado animal... e seu amor também não será igual ao de mais ninguém. Cada ser é único e reúne em si todas as possibilidades do caminho que se opõe a ignorância, sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está escrito na sua consciência e em cada linha de sua mão, não fui eu quem falei... Se Deus não criou seres perfeitos, nem entre homens nem entre anjos, foi porque não desejou que sua criação fosse palco de um espetáculo esquematizado por autômatos, por seres que não conquistaram bem algum, visto que já foram programados assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós, porém, fomos criados ignorantes. Longe de ser uma maldade, esta é a suprema benção do criador: deixar que cada ser conquiste o próprio bem, o próprio conhecimento e sabedoria, o próprio amor. Nunca ninguém conseguiu acender a luz rápido o bastante para ver a escuridão, mas se um dia alguém visse, perceberia que o Inferno nada mais é do que um beco sem saída, uma terra de estagnação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ninguém evolui no mal; não há uma guerra entre o bem e o mal, e nenhuma guerra algum dia foi santa. Não existe essa tal dualidade entre o bem e o mal, há apenas a ignorância, e o autoconhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir: os “mestres da escuridão”, esses mimados...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] Não digo que esta definição de mal inexista, o mal que ataco no artigo é essencialmente a idéia de um mal sobrenatural, e sua personificação em um ser que rivaliza com Deus. Em suma, o mal existente é o nosso próprio mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Os três últimos parágrafos foram totalmente baseados em um artigo de autoria desconhecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/04/reflexoes-sobre-o-mal-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10152</id>
		<title>Nova Andalus – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=10152"/>
		<updated>2011-03-23T15:29:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;continuando da parte 1&amp;lt;/em&amp;gt;  De fato, o crescimento do islamismo é exponencial. Durante séculos, o catolicismo d…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continuando da parte 1&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, o crescimento do islamismo é exponencial. Durante séculos, o catolicismo desfrutou o privilégio de ser a religião com o maior número de fiéis. Já não é assim. Em 2008, o monsenhor Vittorio Formenti, que trabalha na edição do relatório anual de estatísticas do Vaticano, revelou ao L’Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja, que atualmente há 1,3 bilhão de muçulmanos no mundo e apenas 1,1 bilhão de católicos. O futuro, de todo modo, favorece os seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do islamismo, em menos de vinte anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos então representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A despeito do desespero de certos cristãos ante tal situação [1], fato é que a taxa de natalidade fará com que os muçulmanos continuem em crescimento avançado... Mas será que isso bastará para que o pan-islamismo declare-se vitorioso na Europa?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, o alto índice de fertilidade tem a ver com o papel subalterno da mulher e a valorização da família numerosa na sociedade islâmica. Mas as condições socioeconômicas influenciam tanto quanto as normas religiosas. Em mais da metade dos países com maioria muçulmana, o PIB per capita está abaixo de mil dólares anuais. Isso equivale a um quarto da renda brasileira. Países pobres, famílias maiores. Um temor crescente entre os países europeus é ter sua identidade cultural – marcadamente cristã – ameaçada pelo crescimento da população muçulmana. Na França, imigrantes islâmicos e seus descendentes representam 10% da população. Entre os jovens franceses, o porcentual de muçulmanos sobe para 30%.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, ao que tudo indica Gadafi estava correto quanto ao crescimento do expoente islâmico na Europa. O que ele não contava é que isso não garantiria um Império Árabe unificado, nem na Europa nem na própria terra de Maomé, a começar pelo seu próprio país...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amparados pelas riquezas do outro negro, o petróleo que existe em abundância (por enquanto) em diversas regiões do Oriente Médio, os ditadores, reis e califas mantiveram-se no poder, sob o discurso religioso de um Império Árabe unificado. Mas ao longo dos anos, a despeito de suas restrições a qualquer liberdade de pensamento contrário ou oposição política, esqueceram-se que um Império se faz também para seu próprio povo, e não única e exclusivamente para o benefício de algumas elites governantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o advento da internet e das redes sociais, tornou-se cada vez mais complexo para ditadores como Gadafi impedirem que as vozes contrárias e insatisfeitas se reunissem e ganhassem força juntas... Ainda mais quando os insatisfeitos, os pobres e miseráveis, se tornam a grande maioria da população jovem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fim, a &amp;quot;estratégia&amp;quot; dos ditadores pan-islâmicos virou-se contra eles próprios: a taxa de natalidade provocará o seu fim. O novo sempre vem, e não há Império que resista ao pensamento de um povo oprimido, quando este conquista sua liberdade – a liberdade de pensar e se comunicar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, ironicamente através dos avanços da modernidade que se devem também as grandes contribuições científicas de Al-Andalus, o povo islâmico uma vez mais chegou à conclusão que sempre ocasionou a derrocada dos grandes impérios: sim, a nação é um mito, o passado é uma nação estrangeira, e o único país que existe é o país de todos nós, seres livres em busca de sua felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano de 2011 começou com o advento das revoltas de populações em diversos países árabes. Obviamente cada país tem o governo e a política que merece, mas é impossível não notar que este contágio de liberdade, disseminado pelas redes de internet, é tão somente a hecatombe de um processo até mesmo inevitável – não há como manter um povo longe de sua liberdade por muito tempo, e os próprios textos sagrados denotam isso muito bem. A história se repete, em um novo tempo, em um novo contexto, mas ainda assim se repete – o novo sempre vem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste processo, uma imagem é tão marcante que resumirá muito bem onde o pan-islamismo estava errado [ver imagem que ilustra este artigo, acima]... Durante os protestos no Egito, que culminaram com a renúncia de seu então ditador, milhares de manifestantes se reuniram na Praça Tahir (“da libertação”), no Cairo, para um protesto na maior parte do tempo pacífico. Ainda assim, durante o Salat, um dos 5 períodos de oração diários do islamismo, pudemos ver os muçulmanos ajoelhando-se em direção a Meca e orando, enquanto o restante dos manifestantes, aparentemente não-islâmicos, permanecia de pé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta imagem é marcante porque demonstra claramente que uma crença religiosa não é nem nunca foi motivo para que seres acreditassem que deveriam viver separados, ou como inimigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ser islâmico é submeter-se a Allah, e talvez nesta submissão as palavras ditadas pelo anjo Gabriel devam ser seguidas acima de todas as outras. Mas em nenhum momento Gabriel afirmou que os não-islâmicos eram inimigos, ou que mereciam morrer – ainda que se recusassem a se converter ao Islã. De nada adianta tentar converter aos outros pela força, o máximo que conseguiremos, nesse caso, foi o que os últimos 2 mil anos nos demonstraram: ora conquista-se este ou aquele território, ora os perdemos novamente; ora oprimimos a liberdade deste ou daquele povo, ora todo povo readquire sua liberdade, ou é extinto; ora matamos, ora morremos, mas o novo sempre vem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a verdade derradeira é aquela que sempre populou as mentes dos verdadeiros profetas, dos místicos, dos poetas, dos seres amorosos, dos sábios: somos tolos por fazer guerra a nossos irmãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Al-Andalus foi resultado da conquista, mas não da guerra. Após as desavenças iniciais, eis que as três religiões fontes de tantos conflitos mundiais puderam conviver em harmonia por breves períodos de glorioso ecumenismo cultural, artístico, filosófico, científico, e até mesmo religioso. Queira Deus, queira Allah, que da reconquista de sua liberdade perdida, o povo muçulmano se reúna não em um novo Império Árabe, que em verdade nunca foi totalmente unido, mas em uma Nova Andalus, um novo país além de tantas nações ilusórias, um país de almas afins, que não necessitará de guerras santas para se afirmar – mas apenas da única submissão que sempre nos será a mais cara das conquistas, a submissão ao amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://youtu.be/Fw_Gu1MwjGQ] - A título de anedota, este vídeo criado por uma igreja bastista brasileira denota o tipo de desconforto que certos cristãos sentem ante o avanço do islamismo (o vídeo contém informações demográficas bastante apuradas).&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/nova-andalus-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus&amp;diff=10151</id>
		<title>Nova Andalus</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Nova_Andalus&amp;diff=10151"/>
		<updated>2011-03-23T15:24:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  Achadu ala ilaha ila Allah. Achadu ana Mohammad Rassululah (Testemunho que não há outra divindade senão Deus. Teste…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Achadu ala ilaha ila Allah. Achadu ana Mohammad Rassululah (Testemunho que não há outra divindade senão Deus. Testemunho que Maomé é seu profeta mensageiro). Pronunciando este testemunho 3 vezes ante 2 testemunhas, podemos nos converter ao islamismo. Mas o que significa ser um islâmico?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O islamismo nasceu quando o profeta Maomé “intuiu” o Alcorão. Os ensinamentos de Allah (palavra árabe para Deus) estão contidos no Alcorão (Qur&#039;an, &amp;quot;recitação&amp;quot;). Os muçulmanos acreditam que Maomé recebeu esses ensinamentos de Allah por intermédio do anjo Gabriel, através de revelações que ocorreram entre 610 e 632 d.C. Maomé recitou essas revelações aos seus companheiros, muitos dos quais se diz terem memorizado e escrito no material que tinham à disposição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maomé estabeleceu não só uma nova religião, como também uma nova organização política unificada na península Arábica, a qual logo após sua morte, sob o subsequente domínio dos califas do Rashidun e Omíadas, experimentou uma rápida expansão do poder árabe para muito além da península, sob a forma de um vasto Império Árabe muçulmano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Edward Gibbon escreveu em sua “História do Declínio e Queda do Império Romano”, um dos maiores tratados da história das civilizações:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Sob os últimos Omíadas, o Império Árabe estendia-se por uma jornada de duzentos dias do leste para o oeste, dos confins da Tartária e Índia até as praias do Oceano Atlântico. [...] Em vão buscaríamos a união indissolúvel e a obediência fácil disseminados no governo de Augusto e dos Antoninos; mas o progresso do Islã difundiu por este amplo espaço uma semelhança generalizada de modos e opiniões. A língua e as leis do Qu&#039;ran eram estudadas com igual devoção em Samarcanda e Sevilha: os mouros e os hindus abraçavam-se como conterrâneos e irmãos em peregrinação à Meca; e a língua árabe era adotada como idioma popular em todas as províncias a oeste do rio Tigre.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O islamismo talvez tenha atingido seu ápice quando Al-Andalus, ou a “colonização” islâmica da Península Ibérica, viveu seus dias de paz e ecumenismo, onde quase todas as grandes culturas da história estiveram reunidas. A população de Al-Andalus era muito heterogênea e constituída por árabes e berberes (uns e outros muçulmanos), moçárabes (os hispano-godos que, sob o domínio muçulmano conservaram a religião cristã), e judeus. Para além destes existia outro grupo, os muladis, que eram os cristãos que se tinham convertido ao islamismo. Os moçárabes e judeus, apesar de algumas restrições, tinham liberdade de culto, e se mantiveram integrados as cidades islâmicas, o que resultou em um período de vivência pacífica e ecumênica sem precedentes na história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abd ar-Rahman II foi um dos primeiros governantes que se esforçou por converter a sua corte em Córdoba num centro de cultura e sabedoria, tendo recrutado com esse objetivo vários sábios do mundo islâmico. Essa integração pacífica de culturas e religiões diversas resultou em inúmeros legados artísticos e científicos. Principalmente na arquitetura, que até hoje pode ser admirada em partes da Espanha onde as mesquitas permaneceram intactas, e na matemática, particularmente pela disseminação do conceito do número zero – de origem hindu – pelo Ocidente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, foram os próprios islâmicos ortodoxos quem trataram de destruir sua “Meca” das artes e ciências. Insatisfeitos com a convivências harmoniosa entre muçulmanos e não-muçulmanos, enfraqueceram Al-Andalus o suficiente para que, ironicamente, fosse reconquistada pelos cristãos até o fim do século XV. Depois, as Cruzadas e todas essas guerras inúteis, que são proclamadas “em nome de Deus”, mas que obviamente servem apenas para que reis e califas conquistem e reconquistem territórios e poder econômico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns creem que o passado é uma nação estrangeira, mas este precioso mito das nações sempre foi um poderoso aliado para que os reis, califas e ditadores pudessem manter seu próprio povo sob rédeas curtas – rédeas para a mente. Desde a derrocada de Al-Andalus (e, de certa forma, desde a morte de Maomé e da divisão entre muçulmanos xiitas e sunitas), o grande Império Árabe descrito por Gibbons tem somente se dividido e enfraquecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pan-islamismo é um movimento político que evoca a unidade dos Estados islâmicos, cujas raízes se situam em Jamal al-Din al-Afghani, divulgador de ideais pan-islâmicos no mundo árabe. Ele possuía uma visão romântica da história do povo árabe e marcada por um profundo pensamento anti-iluminista, renegando as ideias de Jean Jacques Rousseau e François Voltaire, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1969, o revolucionário Muammar Gadafi tomou o poder na Líbia através de um golpe de estado. Na qualidade de presidente do conselho da revolução, nacionalizou a indústria do petróleo e converteu-se no primeiro representante do pan-islamismo. Gadafi fechou as danceterias, bordéis e bares trazidos pelos americanos, impondo a toda Líbia respeito aos preceitos e morais do islamismo, proibiu a exportação de petróleo para os EUA e confiscou propriedades internacionais. A Líbia tornou-se então, por décadas, um exemplo vivo da decadência do islamismo, um exemplo que refletia-se em ditaduras similares por toda a região do Oriente Médio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das condições de não-liberdade a que submetia seu próprio povo, em sua loucura Gadafi aparentemente acreditava que o islamismo ainda iria dominar novamente a Europa. Toda a reestruturação do Império Árabe, assim como o novo avanço sobre o continente europeu, se daria por um mecanismo tão antigo quanto o ser humano, a natalidade:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há sinais de que Allah garantirá vitória ao Islã na Europa sem espadas, sem armas, sem conquistas. Não precisaremos de terroristas ou bombas homicidas. Os mais de 50 milhões de muçulmanos na Europa a transformarão em um continente islâmico em poucas décadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Teria ele razão? Sim e não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continua na parte 2&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]]&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/nova-andalus-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10150</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=10150"/>
		<updated>2011-03-23T15:24:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* Artigos de 2011 */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2011===&lt;br /&gt;
* [[Nova Andalus]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[É o fim do caminho?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=9748</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=9748"/>
		<updated>2011-03-02T21:53:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa para outra. Isto envolve tipicamente o devotamento sincero a um novo sistema de crença, mas também pode ser concebido de outras maneiras, como a adoção em uma identidade de grupo ou linha espiritual.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Pequeno manual para a conversão do infiel==&lt;br /&gt;
Todos os sistemas de crença ou doutrina religiosa se baseiam em espécies de guias, manuais passo a passo para uma vida de religiosidade mais profunda e verdadeira, em suma, uma religação mais eficiente e efetiva. Porém, me parece que podemos dividi-los em dois grandes grupos: aqueles em que o campo de aprendizado se dá única e exclusivamente por vontade e esforço próprios de cada um, sem a possibilidade de atalhos ou barganhas; e aqueles em que existe uma possibilidade de se avançar por meio de bênçãos e milagres, por barganhas diretas com Deus, em troca deste ou daquele benefício divino – um arrebatamento ao Céu, algum milagre ou salvação de última hora, ou simplesmente uma iluminação espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo grupo se encontram a maior parte das igrejas ou sistemas eclesiásticos. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Ocidente do que no Oriente. Por exemplo, quando determinada doutrina afirma que “só seremos salvos se aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo em nosso coração”, ela opera por forma de barganha: aparentemente, o único caminho será esse, e o mérito da salvação não será exclusivamente nosso, mas muito mais uma forma de “retribuição divina” por nossa fidelidade. Ainda assim, aceitar o Senhor ainda é algo que tem mais lógica do que simplesmente doar quantias enormes de dinheiro a alguma igreja em troca da benção direta desse mesmo Senhor. Afinal, o que diabos Deus fará com seu dinheiro? Afinal, porque somente este ou aquele eclesiástico é responsável pela contabilidade divina?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro grupo, se encontram a maior parte dos religiosos que não necessariamente tem igreja. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Oriente. Tais fiéis são antes fiéis a Deus, e mesmo que tenham alguma igreja ou grupo de estudos, e um dia os venha a abandonar, não necessariamente abandonará a própria doutrina em si. Estes fazem de suas casas, seus corações, suas mentes, sua única e inabalável catedral – onde sempre poderão orar, onde confessam antes de tudo a si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, os dois primeiros versos do Livro do Caminho Perfeito, a obra principal do taoismo, dizem que “o caminho que pode ser seguido não é o Caminho Perfeito”. Superficialmente isto é um tanto paradoxal, é como se fosse apresentado um manual passo a passo para algum Céu em que, logo de início, já fosse afirmado que este manual não poderia ser seguido... No entanto, o que Lao Tsé queria dizer é análogo ao que muitos grandes sábios sempre afirmaram: que o caminho espiritual é próprio de cada um. Ou seja, o discípulo jamais poderá seguir o mesmo caminho do mestre, ele poderá no máximo utilizar seu exemplo de vida como base para construir o seu próprio caminho. Pois assim como não existem seres idênticos na criação, da mesma forma não existem caminhos idênticos para a religação ao Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mim me parece que a abordagem do primeiro grupo tem muito a ensinar ao segundo. Em realidade, existe uma disparidade tão grande e evidente à nível de profundeza espiritual entre tais grupos, que há de se perguntar se o segundo não é, em sua maioria, um grande agrupamento de visões equivocadas da religião mais aprofundada, universal, cósmica...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitas igrejas, por exemplo, que foram edificadas inteiramente sobre textos sagrados aos quais se atribuí uma espécie de “ditado” direto de Deus. Não são como o Livro do Caminho Perfeito, uma mera tentativa de um sábio aconselhar aos outros sobre sua própria experiência de tentar compreender a Deus, mas antes a própria palavra de Nosso Senhor, verdadeiros Guias da Verdade Absoluta [1].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é que tais textos sejam mesmo o que os eclesiásticos pretendem que sejam, se é que não tenham sido enormemente adulterados com o passar do tempo, a evolução das sociedades, ou simplesmente por inúmeras traduções e compilações, ainda assim há que se pensar: se temos um nossa frente a Verdade codificada em palavras, em símbolos de escrita, será que isso nos bastará? Será que teremos plenas condições de interpretar corretamente tal Verdade? Acredito que a história das guerras religiosas nos traga uma boa resposta a essas perguntas – afinal, nenhuma guerra, nenhuma matança poderia, jamais, ser santa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente que mesmo no Ocidente, que mesmo em tais igrejas com seus Guias Infalíveis, encontram-se os moderados, os da “ala mística”, ou que compreendem a religião, o religare, de forma mais aprofundada. Tenho certeza que esses jamais ergueriam uma espada, obrigando algum pobre coitado a se “converter” a sua doutrina...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois como poderia alguém, nalgum dia insano, converter outro alguém ao seu próprio pensamento, a sua própria doutrina, pela força? Pela sedução das palavras? Pelo terror anunciado de um lago de enxofre eterno aguardando todos aqueles que não se salvarem, que não aceitarem Nosso Senhor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, perguntem aos índios da América, perguntem aos negros da África, se eles nalgum dia se converteram ao Deus desses homens que os trataram como mercadoria, como escravos, como selvagens “sem alma”, mas nunca como irmãos, como seres na mesma caminhada para o Cosmos de onde todos foram catapultados na imensidão infinita. Dizer, da boca para fora, “eu aceito Nosso Senhor”, não significa que tenham aceitado. A liberdade jaz na mente e, assim como o caminho espiritual, é exclusiva de cada um, graças a Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
William James, um dos fundadores da psicologia, em seu grandioso tratado “Variedades da experiência religiosa”, postula que a conversão religiosa verdadeira pode aparentemente ocorrer de uma hora para outra, do dia para noite, em algum insight momentâneo, mas que quase que certamente já vinha sendo edificada, lentamente, nos calabouços ocultos do inconsciente. Que nossa questão com Deus é universal, todos temos de seguir este caminho, ainda que alguns o sigam inconscientemente ou o chamem de estudo da natureza – o importante é que, a nossa maneira, estamos todos caminhando à frente, aprimorando nossas potencialidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lao Tsé e outros sábios sempre souberam que jamais poderiam converter alguém – o máximo que poderiam fazer era dar o exemplo, falar sobre sua própria experiência espiritual, sobre os percalços e as consolações do caminho, e esperar pacientemente que cada um, por si só, a seu próprio momento, convertesse a si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que não existe manual para o caminho alheio, apenas para o nosso próprio. O único infiel que tem de ser convertido é aquele que se encontra em nossa própria alma. Somos o juiz e o escravo, o apóstolo e o seguidor, o mestre e o discípulo, de nossa própria causa. Temos de ser fiéis ao nosso próprio ser, ao nosso tanto de fagulha divina que, ainda assim, é e sempre foi a única maneira com que Deus falou conosco – como o vento que sempre nos envolveu, embora são saibamos ao certo por onde ele tem passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir, o evangelho do agnóstico...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_III&amp;diff=9747</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte III</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_III&amp;diff=9747"/>
		<updated>2011-03-02T21:52:40Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no séc. XVIII por Kant e Hume. O termo, porém, foi cunhado pelo biólogo britânico Thomas Huxley em 1876 – ele definiu o agnóstico como aquele que acredita que a questão da existência de Deus não pode e talvez jamais possa ser resolvida.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O evangelho do agnóstico==&lt;br /&gt;
“O Cosmos é tudo que existe, que existiu ou existirá” – Assim, com essa frase inesquecível, Carl Sagan inaugura o primeiro episódio da série de 13 documentários intitulada &amp;quot;Cosmos&amp;quot;, veiculados na TV americana em 1980, e depois no restante do mundo. Ao pretender explicar ciência e cosmologia para o público leigo, Sagan acabou criando um épico que abrange também muitas questões existenciais, história, mitologia, religião e espiritualidade em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguma costa rochosa, em alguma praia do globo, Sagan observa as ondas, os pássaros, o vento, e algum tempo depois nos traz outra pérola em sua narrativa: “Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sagan era profundo conhecedor de religiões e mitologia, além de cientista e cético, mas não era nem ateu nem teísta ou deísta, era puramente agnóstico. Seu evangelho era constituído de uma obra de divulgação científica totalmente voltada para tal espanto, tal deslumbramento, tal amor pela natureza e todo o Cosmos a sua volta. Essa era a boa notícia de Carl...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos teístas, o fato de existirem pessoas que não creem em um Deus pessoal, ou que pelo menos não tem certeza de sua existência, parece causar um certo desconforto. Não é raro perceber, em qualquer pessoa ligada a doutrinas eclesiásticas, uma tendência a classificar ateus, agnósticos, céticos, e às vezes simplesmente todo e qualquer cientista, como “gente sem fé”, perdida, afastada de Deus, e até mesmo imoral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a verdade é que, a despeito do aparente consenso dos eclesiásticos, a moralidade, o amor, não são exclusividade daqueles que oram todos os dias a Deus, que frequentam missas, que consultam algum manual da Verdade Absoluta frequentemente. Para o religioso superficial, isto que digo não levanta muitas questões – “Ora, mas é exatamente assim: uns são bons, outros maus, crer em Deus não faz de ninguém um santo”. Sim, isso faz sentido, mas a questão é mais profunda...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se Deus existe – e para teístas e deístas ele certamente existe –, porque ele “permite” que algumas de suas criaturas vivam sem sequer crer nele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro produto da obra de Sagan, o livro de ficção “Contato”, que também deu origem a um excelente filme homônimo, é descrito um contato com inteligências extra-terrestres de uma forma verossímel e científica. Existe também um conflito entre as crenças de cientistas e religiosos – em dado momento, a protagonista do primeiro contato (no livro são vários contatos ao longo das décadas, no filme há apenas um), uma cientista agnóstica, nos traz uma importante indagação:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Se Deus quisesse nos mandar uma mensagem e escrituras antigas fossem a única forma que pudesse imaginar, ele poderia ter feito um trabalho melhor. E ele dificilmente teria que se confinar a escrituras. Por que não há um monstruoso crucifixo orbitando a Terra? Por que a superfície da Lua não é coberta com os Dez Mandamentos? Por que Deus deveria ser tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário do que muitos eclesiásticos possam imaginar, esta mensagem não denota um pensamento que diminua de alguma forma a importância da Bíblia, mas antes um pensamento que aumenta enormemente a amplitude do que há de sagrado no mundo – o reino é todo o Cosmos. E não poderia ser de outra forma...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos encontrar neste mundo ateus, agnósticos, teístas e deístas, sim isso tudo é verdade. Mas será muito difícil encontrar algum ser que negue a existência de um sistema que rege todo o universo. Seja a crença nas leis fundamentais da natureza, seja a crença nos desígnios divinos, seja um misto de ambos, todos creem em algum sistema, cuja função pode ainda ser um mistério – mas que há de ser buscado, há de ser resolvido passo a passo, por todos nós, juntos!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, nós realmente somos a forma do Cosmos conhecer a si mesmo. E pouco importa, na prática, se tal Cosmos é um ser pessoal, uma força cósmica ou até mesmo um acaso miraculoso – pois no fim, conforme postularam Kant e Hume, não compreendemos ainda muito bem nenhum deles, não podemos ainda resolver tal questão. Será que poderemos um dia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para resolvê-la, talvez não bastem apenas orações e experiências místicas, apenas meditação e autoconhecimento, mas também o estudo meticuloso, prático, objetivo, material, profundamente mundano, da natureza a nossa volta. Há muitos gigantes da história da ciência que, buscando talvez um deus barbudo senhor dos exércitos, acabou esbarrando em verdades muito mais profundas. Talvez buscando um reino confinado a um pequeno pedaço de rocha na periferia da uma de bilhões de galáxias, acabou esbarrando no infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, se mesmo hoje existem seres que buscam aos mistérios de Deus sem sequer crer nele, que se aventuram pelas entranhas dos átomos e quarks, pelo reino bizarro da mecânica quântica, pelos códigos ocultos do DNA, pelos quasares e sóis distantes, pelas singularidades de seções inimagináveis do espaço-tempo, deixem que busquem, pois de uma coisa teremos sempre a certeza: é impossível estar “fora” de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez o trabalho deles seja tão importante para o mundo quanto os mandamentos dos evangelhos. O importante é encarar as boas novas não como enigmas solucionados, mas como o início de um caminho, subjetivo e objetivo, interior e exterior, que preenche toda nossa existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amai sim, o próximo, e toda a vida, como a ti mesmo. Mas amai a coletividade da vida, amai os átomos que nos conectam a tudo e a todos em uma teia sem fim, amai ao Cosmos acima de todas as coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-3.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_III&amp;diff=9746</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte III</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_III&amp;diff=9746"/>
		<updated>2011-03-02T21:51:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no séc. XVIII por Kant e Hume. O termo, porém, foi cunhad…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no séc. XVIII por Kant e Hume. O termo, porém, foi cunhado pelo biólogo britânico Thomas Huxley em 1876 – ele definiu o agnóstico como aquele que acredita que a questão da existência de Deus não pode e talvez jamais possa ser resolvida.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O evangelho do agnóstico==&lt;br /&gt;
“O Cosmos é tudo que existe, que existiu ou existirá” – Assim, com essa frase inesquecível, Carl Sagan inaugura o primeiro episódio da série de 13 documentários intitulada &amp;quot;Cosmos&amp;quot;, veiculados na TV americana em 1980, e depois no restante do mundo. Ao pretender explicar ciência e cosmologia para o público leigo, Sagan acabou criando um épico que abrange também muitas questões existenciais, história, mitologia, religião e espiritualidade em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguma costa rochosa, em alguma praia do globo, Sagan observa as ondas, os pássaros, o vento, e algum tempo depois nos traz outra pérola em sua narrativa: “Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sagan era profundo conhecedor de religiões e mitologia, além de cientista e cético, mas não era nem ateu nem teísta ou deísta, era puramente agnóstico. Seu evangelho era constituído de uma obra de divulgação científica totalmente voltada para tal espanto, tal deslumbramento, tal amor pela natureza e todo o Cosmos a sua volta. Essa era a boa notícia de Carl...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos teístas, o fato de existirem pessoas que não creem em um Deus pessoal, ou que pelo menos não tem certeza de sua existência, parece causar um certo desconforto. Não é raro perceber, em qualquer pessoa ligada a doutrinas eclesiásticas, uma tendência a classificar ateus, agnósticos, céticos, e às vezes simplesmente todo e qualquer cientista, como “gente sem fé”, perdida, afastada de Deus, e até mesmo imoral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a verdade é que, a despeito do aparente consenso dos eclesiásticos, a moralidade, o amor, não são exclusividade daqueles que oram todos os dias a Deus, que frequentam missas, que consultam algum manual da Verdade Absoluta frequentemente. Para o religioso superficial, isto que digo não levanta muitas questões – “Ora, mas é exatamente assim: uns são bons, outros maus, crer em Deus não faz de ninguém um santo”. Sim, isso faz sentido, mas a questão é mais profunda...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se Deus existe – e para teístas e deístas ele certamente existe –, porque ele “permite” que algumas de suas criaturas vivam sem sequer crer nele?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outro produto da obra de Sagan, o livro de ficção “Contato”, que também deu origem a um excelente filme homônimo, é descrito um contato com inteligências extra-terrestres de uma forma verossímel e científica. Existe também um conflito entre as crenças de cientistas e religiosos – em dado momento, a protagonista do primeiro contato (no livro são vários contatos ao longo das décadas, no filme há apenas um), uma cientista agnóstica, nos traz uma importante indagação:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Se Deus quisesse nos mandar uma mensagem e escrituras antigas fossem a única forma que pudesse imaginar, ele poderia ter feito um trabalho melhor. E ele dificilmente teria que se confinar a escrituras. Por que não há um monstruoso crucifixo orbitando a Terra? Por que a superfície da Lua não é coberta com os Dez Mandamentos? Por que Deus deveria ser tão claro na Bíblia e tão obscuro no mundo?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário do que muitos eclesiásticos possam imaginar, esta mensagem não denota um pensamento que diminua de alguma forma a importância da Bíblia, mas antes um pensamento que aumenta enormemente a amplitude do que há de sagrado no mundo – o reino é todo o Cosmos. E não poderia ser de outra forma...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos encontrar neste mundo ateus, agnósticos, teístas e deístas, sim isso tudo é verdade. Mas será muito difícil encontrar algum ser que negue a existência de um sistema que rege todo o universo. Seja a crença nas leis fundamentais da natureza, seja a crença nos desígnios divinos, seja um misto de ambos, todos creem em algum sistema, cuja função pode ainda ser um mistério – mas que há de ser buscado, há de ser resolvido passo a passo, por todos nós, juntos!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, nós realmente somos a forma do Cosmos conhecer a si mesmo. E pouco importa, na prática, se tal Cosmos é um ser pessoal, uma força cósmica ou até mesmo um acaso miraculoso – pois no fim, conforme postularam Kant e Hume, não compreendemos ainda muito bem nenhum deles, não podemos ainda resolver tal questão. Será que poderemos um dia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para resolvê-la, talvez não bastem apenas orações e experiências místicas, apenas meditação e autoconhecimento, mas também o estudo meticuloso, prático, objetivo, material, profundamente mundano, da natureza a nossa volta. Há muitos gigantes da história da ciência que, buscando talvez um deus barbudo senhor dos exércitos, acabou esbarrando em verdades muito mais profundas. Talvez buscando um reino confinado a um pequeno pedaço de rocha na periferia da uma de bilhões de galáxias, acabou esbarrando no infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, se mesmo hoje existem seres que buscam aos mistérios de Deus sem sequer crer nele, que se aventuram pelas entranhas dos átomos e quarks, pelo reino bizarro da mecânica quântica, pelos códigos ocultos do DNA, pelos quasares e sóis distantes, pelas singularidades de seções inimagináveis do espaço-tempo, deixem que busquem, pois de uma coisa teremos sempre a certeza: é impossível estar “fora” de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez o trabalho deles seja tão importante para o mundo quanto os mandamentos dos evangelhos. O importante é encarar as boas novas não como enigmas solucionados, mas como o início de um caminho, subjetivo e objetivo, interior e exterior, que preenche toda nossa existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Amai sim, o próximo, e toda a vida, como a ti mesmo. Mas amai a coletividade da vida, amai os átomos que nos conectam a tudo e a todos em uma teia sem fim, amai ao Cosmos acima de todas as coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-3.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=9745</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=9745"/>
		<updated>2011-03-02T21:51:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa p…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Conversão religiosa é a adoção de uma nova identidade religiosa, ou uma mudança de uma identidade religiosa para outra. Isto envolve tipicamente o devotamento sincero a um novo sistema de crença, mas também pode ser concebido de outras maneiras, como a adoção em uma identidade de grupo ou linha espiritual.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Pequeno manual para a conversão do infiel==&lt;br /&gt;
Todos os sistemas de crença ou doutrina religiosa se baseiam em espécies de guias, manuais passo a passo para uma vida de religiosidade mais profunda e verdadeira, em suma, uma religação mais eficiente e efetiva. Porém, me parece que podemos dividi-los em dois grandes grupos: aqueles em que o campo de aprendizado se dá única e exclusivamente por vontade e esforço próprios de cada um, sem a possibilidade de atalhos ou barganhas; e aqueles em que existe uma possibilidade de se avançar por meio de bênçãos e milagres, por barganhas diretas com Deus, em troca deste ou daquele benefício divino – um arrebatamento ao Céu, algum milagre ou salvação de última hora, ou simplesmente uma iluminação espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No segundo grupo se encontram a maior parte das igrejas ou sistemas eclesiásticos. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Ocidente do que no Oriente. Por exemplo, quando determinada doutrina afirma que “só seremos salvos se aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo em nosso coração”, ela opera por forma de barganha: aparentemente, o único caminho será esse, e o mérito da salvação não será exclusivamente nosso, mas muito mais uma forma de “retribuição divina” por nossa fidelidade. Ainda assim, aceitar o Senhor ainda é algo que tem mais lógica do que simplesmente doar quantias enormes de dinheiro a alguma igreja em troca da benção direta desse mesmo Senhor. Afinal, o que diabos Deus fará com seu dinheiro? Afinal, porque somente este ou aquele eclesiástico é responsável pela contabilidade divina?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro grupo, se encontram a maior parte dos religiosos que não necessariamente tem igreja. Também pode-se dizer que este tipo de religiosidade é muito mais comum no Oriente. Tais fiéis são antes fiéis a Deus, e mesmo que tenham alguma igreja ou grupo de estudos, e um dia os venha a abandonar, não necessariamente abandonará a própria doutrina em si. Estes fazem de suas casas, seus corações, suas mentes, sua única e inabalável catedral – onde sempre poderão orar, onde confessam antes de tudo a si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, os dois primeiros versos do Livro do Caminho Perfeito, a obra principal do taoismo, dizem que “o caminho que pode ser seguido não é o Caminho Perfeito”. Superficialmente isto é um tanto paradoxal, é como se fosse apresentado um manual passo a passo para algum Céu em que, logo de início, já fosse afirmado que este manual não poderia ser seguido... No entanto, o que Lao Tsé queria dizer é análogo ao que muitos grandes sábios sempre afirmaram: que o caminho espiritual é próprio de cada um. Ou seja, o discípulo jamais poderá seguir o mesmo caminho do mestre, ele poderá no máximo utilizar seu exemplo de vida como base para construir o seu próprio caminho. Pois assim como não existem seres idênticos na criação, da mesma forma não existem caminhos idênticos para a religação ao Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mim me parece que a abordagem do primeiro grupo tem muito a ensinar ao segundo. Em realidade, existe uma disparidade tão grande e evidente à nível de profundeza espiritual entre tais grupos, que há de se perguntar se o segundo não é, em sua maioria, um grande agrupamento de visões equivocadas da religião mais aprofundada, universal, cósmica...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitas igrejas, por exemplo, que foram edificadas inteiramente sobre textos sagrados aos quais se atribuí uma espécie de “ditado” direto de Deus. Não são como o Livro do Caminho Perfeito, uma mera tentativa de um sábio aconselhar aos outros sobre sua própria experiência de tentar compreender a Deus, mas antes a própria palavra de Nosso Senhor, verdadeiros Guias da Verdade Absoluta [1].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é que tais textos sejam mesmo o que os eclesiásticos pretendem que sejam, se é que não tenham sido enormemente adulterados com o passar do tempo, a evolução das sociedades, ou simplesmente por inúmeras traduções e compilações, ainda assim há que se pensar: se temos um nossa frente a Verdade codificada em palavras, em símbolos de escrita, será que isso nos bastará? Será que teremos plenas condições de interpretar corretamente tal Verdade? Acredito que a história das guerras religiosas nos traga uma boa resposta a essas perguntas – afinal, nenhuma guerra, nenhuma matança poderia, jamais, ser santa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente que mesmo no Ocidente, que mesmo em tais igrejas com seus Guias Infalíveis, encontram-se os moderados, os da “ala mística”, ou que compreendem a religião, o religare, de forma mais aprofundada. Tenho certeza que esses jamais ergueriam uma espada, obrigando algum pobre coitado a se “converter” a sua doutrina...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois como poderia alguém, nalgum dia insano, converter outro alguém ao seu próprio pensamento, a sua própria doutrina, pela força? Pela sedução das palavras? Pelo terror anunciado de um lago de enxofre eterno aguardando todos aqueles que não se salvarem, que não aceitarem Nosso Senhor?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, perguntem aos índios da América, perguntem aos negros da África, se eles nalgum dia se converteram ao Deus desses homens que os trataram como mercadoria, como escravos, como selvagens “sem alma”, mas nunca como irmãos, como seres na mesma caminhada para o Cosmos de onde todos foram catapultados na imensidão infinita. Dizer, da boca para fora, “eu aceito Nosso Senhor”, não significa que tenham aceitado. A liberdade jaz na mente e, assim como o caminho espiritual, é exclusiva de cada um, graças a Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
William James, um dos fundadores da psicologia, em seu grandioso tratado “Variedades da experiência religiosa”, postula que a conversão religiosa verdadeira pode aparentemente ocorrer de uma hora para outra, do dia para noite, em algum insight momentâneo, mas que quase que certamente já vinha sendo edificada, lentamente, nos calabouços ocultos do inconsciente. Que nossa questão com Deus é universal, todos temos de seguir este caminho, ainda que alguns o sigam inconscientemente ou o chamem de estudo da natureza – o importante é que, a nossa maneira, estamos todos caminhando à frente, aprimorando nossas potencialidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lao Tsé e outros sábios sempre souberam que jamais poderiam converter alguém – o máximo que poderiam fazer era dar o exemplo, falar sobre sua própria experiência espiritual, sobre os percalços e as consolações do caminho, e esperar pacientemente que cada um, por si só, a seu próprio momento, convertesse a si mesmo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que não existe manual para o caminho alheio, apenas para o nosso próprio. O único infiel que tem de ser convertido é aquele que se encontra em nossa própria alma. Somos o juiz e o escravo, o apóstolo e o seguidor, o mestre e o discípulo, de nossa própria causa. Temos de ser fiéis ao nosso próprio ser, ao nosso tanto de fagulha divina que, ainda assim, é e sempre foi a única maneira com que Deus falou conosco – como o vento que sempre nos envolveu, embora são saibamos ao certo por onde ele tem passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir, o evangelho do agnóstico...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] Muito embora, mesmo no taoismo existam lendas que colocam Lao Tsé como uma espécie de deus na Terra. Da mesma forma que existem religiosos superficiais no Ocidente, existem também no Oriente. Este texto não pretende ser, portanto, uma exaltação da religiosidade oriental como “superior”. Apenas procura atestar que a religiosidade pura, não eclesiástica, é muito mais comum na cultura oriental – independente de seus seguidores as terem compreendido ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=9744</id>
		<title>Reflexões sobre a evangelização</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Reflex%C3%B5es_sobre_a_evangeliza%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=9744"/>
		<updated>2011-03-02T21:50:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;Evangelizar: de “evangelista”, baseado em palavra do grego koiné (dialeto popular da antiguidade), que signif…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Evangelizar: de “evangelista”, baseado em palavra do grego koiné (dialeto popular da antiguidade), que significa “boas novas” ou “boas notícias”. Evangelizar significa, portanto, trazer as boas novas ao conhecimento dos homens.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As boas novas==&lt;br /&gt;
Nem todos concordarão com a definição dada acima para o verbo “evangelizar”. Para um termo tão essencial ao cristianismo, surpreende que seja tão complexo defini-lo – mesmo entre os próprios cristãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há muitos religiosos (não apenas cristãos) que creem piamente que sua principal função enquanto pertencentes a um grupo doutrinário ou igreja seja precisamente repercutir aos quatro cantos do mundo tudo o que sua respectiva doutrina dita. No caso particular de doutrinas que nos trazem mandamentos e preceitos morais, isso invariavelmente significa que, para tais religiosos, evangelizar significa não apenas trazer um consolo espiritual ou alguma boa notícia do reino de Deus, mas também ditar como as pessoas devem se portar em sociedade, normalmente afim de não caírem em “tentações e maus caminhos”, e alcançarem o Céu após a morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu costumo sempre lembrar que religião e igreja não são a mesma coisa. Religião (re-ligare) é a religação a Deus ou ao Cosmos, uma experiência profundamente subjetiva que é percebida e praticada pelos homens desde a pré-história – particularmente através do xamanismo. Igreja (ekklesia) significa uma comunidade dos escolhidos de Deus – um grupo ou elite de pessoas que teoricamente possuem alguma espécie de “conhecimento oculto” capaz de fazer com que os homens possam se elevar ao Céu ou alcançar o reino de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição de religião pressupõe um Deus universal, um ser cósmico que pode inclusive ser confundido ou interpretado como o próprio Cosmos em si, e para o qual cada um de nós se inclina a retornar, passo a passo, por seus próprios meios, seguindo um caminho pessoal, subjetivo, intransferível. Já a definição de igreja dá a entender que Deus está a eleger um grupo de escolhidos, destinados a alguma tarefa especial no mundo – e a todos os demais, aos que se afastaram de sua doutrina, geralmente não são esperadas boas notícias após a morte. No melhor dos casos, serão enviados a alguma espécie de “limbo” onde irão aguardar um julgamento que, teoricamente, pode ser “aliviado” pelas orações daqueles que estão no grupo de escolhidos, os eclesiásticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, embora todo membro de igreja seja religioso, nem todo religioso será um membro de igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo os evangelhos, por exemplo, não foram somente aqueles quatro escolhidos pela “comissão” de Constantino para compor o Novo Testamento. Existiriam muitos outros, e, sobretudo, existiriam muitos seguidores destes outros textos, taxados de apócrifos (segundo alguns, “errado, falso, não autêntico”, segundo outros, “livro ou texto secreto, conhecimento oculto”). Estes que foram chamados por Constantino de gnósticos, e perseguidos e assassinados ou obrigados a se “converter” ao “cristianismo oficial”, na verdade sempre chamaram a si mesmos de cristãos, e praticavam sua religiosidade em pequenos grupos, em colinas, em cavernas, em qualquer lugar – pois compreendiam que o reino de Deus abrange todo e qualquer lugar, todo e qualquer tempo, e não necessitavam de apóstolos ou padres para lhes ensinar a direção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos evangelhos apócrifos foram escondidos em vasos e enterrados em cavernas na região onde viveu Jesus, pois do contrário teriam sido queimados como todos os outros condenados por Constantino. Mas ao longo dos séculos eles foram sendo desenterrados, na medida em que a igreja de Constantino vinha perdendo sua força e sua capacidade de ditar o que os homens deveriam ou não considerar como “autêntico”. Em Nag Hammadi foi achado um dos evangelhos mais profundos de que se tem notícia, o Evangelho de Tomé – nele Jesus nos dá uma pista de onde se encontra, afinal, o reino de Deus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Jesus disse: Se aqueles que vos guiam vos disserem: vê, o Reino está no céu, então os pássaros vos precederão. Se vos disserem: ele está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Se vos reconhecerdes, então sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza. (versículo 3)”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvida tal definição do reino é um tanto paradoxal. Ora, se ele já se encontra aqui e agora, dentre nós e a volta de tudo e de todos, como poderá algum padre, algum pastor, algum guru espiritual, algum evangelizador, nos apontar a correta direção?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aparentemente, todas as direções são corretas. Porém, ao mesmo tempo, há que se ter olhos para vê-las. Não se trata, portanto, de buscar alguma espécie de grupo de escolhidos, alguma espécie de salvação do fim dos tempos, através do conhecimento de uma doutrina em específico, ou através deste ou daquele preceito moral... Não, jamais foi assim tão simples, jamais será tão fácil!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gibran Khalil Gibran, o grande poeta do Líbano, dizia que “Nenhum homem poderá revelar-vos nada senão o que já está meio adormecido na aurora do vosso entendimento.” – Ora, é precisamente isso que nos ensinaram os grandes sábios de outrora, desde Lao Tsé a Sócrates; é precisamente isso que Jesus queria dizer com o “Mas se vos não reconhecerdes, então estareis na pobreza, sereis a pobreza”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estamos num mundo repleto de boas novas por todos os lados, debaixo de pedras e dentre os galhos partidos, além das nuvens e próximo a beirada dos rios e oceanos, muito além das estrelas mais longínquas e ao mesmo tempo tão próximo como nosso pensamento mais querido. Não nos cabe decorar ou recitar orações ou fórmulas mágicas para adentrar ao reino das boas novas, que estas são apenas muletas para aqueles que ainda não conseguem se erguer por si mesmos. Cabe-nos tão somente olhar para dentro, conhecer a nós mesmos, evangelizar ao nosso mais precioso inimigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E para aquele que conseguiu evangelizar a si próprio, aquele que alcançou tal nirvana da alma, não será sequer necessário buscar seguidores – eles mesmos o reconhecerão. Não será sequer necessário anunciar a boa nova, seu olhar já a trará como pérola misteriosa em oceano profundo. Não será sequer necessário fundar uma doutrina ou igreja, que esta já foi fundada desde o início dos tempos. A igreja é o próprio reino, a igreja é o Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir, o pequeno manual para a conversão do infiel...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/02/reflexoes-sobre-evangelizacao-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=9743</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=9743"/>
		<updated>2011-03-02T21:50:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* Artigos de 2011 */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2011===&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a evangelização]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[É o fim do caminho?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=%C3%89_o_fim_do_caminho%3F&amp;diff=9567</id>
		<title>É o fim do caminho?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=%C3%89_o_fim_do_caminho%3F&amp;diff=9567"/>
		<updated>2011-02-03T18:26:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;É pau, é pedra, é o fim do caminho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É um resto de toco, é um pouco sozinho&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É um caco de vidro, é a vida, é o sol&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
É à noite, é a morte, é o laço, é o anzol&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses são os versos iniciais de “Águas de Março”, célebre música composta por Tom Jobim no fim dos anos 50. Tom compôs este e diversos outros sucessos enquanto visitava o sítio da família na localidade de Poço Fundo, a 40 minutos de Petrópolis. A beleza da região serrana do Rio de Janeiro parece sem dúvida ter ajudado muito em sua inspiração. A poesia de Jobim fala sobretudo da vida – o vento ventando; uma ave no céu; é a promessa de vida no teu coração – e da morte – é o fim do caminho; é a noite; o fim da ladeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ultimamente a natureza não tem esperado Março para enviar suas águas. Em Janeiro de 2011 a região serrana do Rio registrou a maior tragédia natural de que se tem notícia no estado: as chuvas vieram muito fortes e praticamente todos os morros tiveram deslizamentos de terra, matando centenas de pessoas, soterradas pelas próprias casas – particularmente em Nova Friburgo e Teresópolis. A casa onde Tom Jobim compôs suas canções também foi levada pela enxurrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este desastre natural, entretanto, não se compara ao terremoto que devastou quase completamente Lisboa, a capital de Portugal, em 1755. Em uma época onde a população mundial era muito inferior a atual, estima-se que morreram entre 10 e 100 mil pessoas naquele que é até hoje o terremoto mais letal da história. Até aquela época era muito comum atribuir os desastres naturais a “ira divina”, num tipo de associação de ideias que data da pré-história... Entretanto, o terremoto de 1755 suscitou respostas divergentes dos filósofos iluministas. Gente como Voltaire parece ter se cansado de ficar sempre a mercê da “ira divina”, e tratou de analisar a existência como ela realmente o é – um ciclo de vida e de morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;Nossa sociedade moderna parece ter enorme dificuldade em lidar com a morte&amp;lt;/strong&amp;gt;. Tirando as funerárias e as seguradoras, parece que ao capitalismo a morte é um tremendo desperdício: altos funcionários e CEOs que acumularam conhecimento e experiência por décadas e décadas subitamente se tornam incapazes por razão do envelhecimento, se aposentam, e depois simplesmente se despedem de nós. Atores de cinema ou TV, de fama mundial, que trazem renda garantida aos grandes estúdios, subitamente se vão ainda durante as filmagens do próximo blockbuster. Até mesmo aquele economista de renome que sempre consultávamos antes de realizar nossas aplicações na bolsa de valores, ele também se vai, e não sabemos mais a quem consultar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O capitalismo, entretanto, parece não sentir falta dos informais, das donas de casa, dos lixeiros, dos carpinteiros, dos pedreiros, dos pequenos trabalhadores do campo, enfim, dos pobres. A informação que se perde quando estes se vão não parece de tanta importância para que o giro da roda do dinheiro continue sua constância – mas fato é que todos morrem. Todos podem ser levados pela enxurrada, pelos tremores, pelos acidentes, pela violência e ignorância dos homens, ou simplesmente pelo próprio tempo em que aqui se vive. Sim, pois não há dia em que não estejamos a morrer: todas as nossas células morrem e são substituídas por outras, inúmeras vezes, durante a vida de nosso corpo. Nesse sentido, a própria vida é uma tragédia constante...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque então estarrecer-se com a sombra da morte? Se a morte é apenas o último tilintar dos neurônios no cérebro – estes que também morrem e nascem a todo dia – então a morte é apenas um sonho sem sonhos. Morremos então, todo dia, conscientemente – pois sabemos da degeneração celular –, e inconscientemente – quando nos deitamos na cama e sonhamos uma vez mais, até o dia seguinte, até o próximo ciclo do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque então agradecer aos deuses por ter sido poupado de uma tragédia, se toda a tragédia é em si uma tragédia? Por vezes, teria sido melhor não ter sido poupado, ao menos se compreendemos a morte como o fim do caminho. Nas religiões orientais, particularmente no hinduísmo, o aspecto destrutivo de Deus é tão bem compreendido quanto o aspecto criativo. Entende-se, sobretudo, que a existência não é uma história simples, um “era uma vez...”, com início, meio e fim – mas antes um ciclo incomensurável, uma existência cósmica que se estende até as beiradas do infinito, uma história onde falar em início e fim faz tanto sentido quanto falar no nascer e no por do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todo caso, os céticos dificilmente entenderão como pode este povo tão simples, aparentemente tão ignorante, continuar louvando ao Deus do cristianismo mesmo após tamanha tragédia natural. Tragédia natural é ato divino, é coisa da natureza, e da natureza cabe o cuidado de Deus. Se ele poupa alguns e toma outros, porque agradecer, porque se revoltar, porque enfim, acreditar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É que naqueles que creem, mesmo que seja na sombra da sombra do Deus de todo o Cosmos, reside esta distinta intuição de que nada ocorre ao acaso, até mesmo porque ninguém sabe o que diabos é o acaso... E se o próprio acaso for ele mesmo mais um deus, será em todo caso tão desconhecido quanto Aquele outro. E ainda que permaneçam fiéis ante a maior das tragédias, como os apóstolos a serem pregados nas cruzes, é porque em seu íntimo sabem, de alguma forma, que a morte não é o fim do caminho, mas apenas a passagem de um ambiente ao outro, na grande casa do Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;Mas e aqueles que não creem?&amp;lt;/strong&amp;gt; O que lhes resta senão encarar face a face este aparente “grande nada”, o vazio, o buraco negro que suga tudo o que há? Talvez, conforme os estóicos e epicuristas, devam se contentar com o que podem mudar, o que podem decidir, o que podem sentir, no aqui e no agora. E, conforme disse Carl Sagan, de alguma forma se contentarem com viver na memória daqueles que os amam – a vida após a vida – embora não estejam mais aqui para saber...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, finalmente, aqueles que compreendem a morte mais profundamente, sabendo perfeitamente que ela é ao mesmo tempo um fim e um recomeço, ao mesmo tempo uma enorme mudança e uma fugaz renovação, ao mesmo tempo o arauto do desespero e a promessa da evolução, não há que se ater aos fantasmas das mentes alheias. Não há que se estagnar com o tempo e a vontade nas mãos. Não há que cair na ilusão de que o mundo todo é tão somente isto que vivemos aqui, neste planeta ínfimo na periferia de uma de bilhões e bilhões de galáxias do Cosmos... Somos, sim, seres a viajar por esse universo infinitamente belo, tanto pelo milagre da vida quanto pelo caos da destruição, que no fim apenas permite que a vida se renove e renove, rumo a algum lugar cada vez mais alto na montanha divina, rumo aos galhos ao topo da árvore da vida, onde o Sol pode ser visto em toda a sua glória, e onde tudo o que há é amor a irradiar-se nos mais variados espectros de pura luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos que tem olhos para ver, restará sempre esta promessa de vida em seus corações. Não de um céu de tédio eterno, mas do trabalho contínuo, do caminhar passo a passo, do navegar em mar revolto e noite fria, mas sempre rumando ao próximo farol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Perto deste conhecimento, perto desta visão distinta do jogo da vida consigo mesma, do turbilhão de seres e potencialidades a desafiar a entropia cósmica, um mero terremoto, uma pequena enxurrada, é tão significativa quanto à destruição de um ninho de formigas... Embora mesmo a menor das formigas seja, ela também, parte da mesma teia que nos conecta a todo o Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;E se viver é morrer a cada instante,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entregamo-nos, então, à eternidade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Mas se viver é sofrer na escuridão,&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
Entregamo-nos de corpo e alma à caridade.&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br /&amp;gt;&lt;br /&gt;
(trecho final de poema de Otávio Fossá)&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/01/e-o-fim-do-caminho.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=%C3%89_o_fim_do_caminho%3F&amp;diff=9566</id>
		<title>É o fim do caminho?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=%C3%89_o_fim_do_caminho%3F&amp;diff=9566"/>
		<updated>2011-02-03T18:25:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;É pau, é pedra, é o fim do caminho É um resto de toco, é um pouco sozinho É um caco de vidro, é a vida, é …&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;É pau, é pedra, é o fim do caminho&lt;br /&gt;
É um resto de toco, é um pouco sozinho&lt;br /&gt;
É um caco de vidro, é a vida, é o sol&lt;br /&gt;
É à noite, é a morte, é o laço, é o anzol&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses são os versos iniciais de “Águas de Março”, célebre música composta por Tom Jobim no fim dos anos 50. Tom compôs este e diversos outros sucessos enquanto visitava o sítio da família na localidade de Poço Fundo, a 40 minutos de Petrópolis. A beleza da região serrana do Rio de Janeiro parece sem dúvida ter ajudado muito em sua inspiração. A poesia de Jobim fala sobretudo da vida – o vento ventando; uma ave no céu; é a promessa de vida no teu coração – e da morte – é o fim do caminho; é a noite; o fim da ladeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ultimamente a natureza não tem esperado Março para enviar suas águas. Em Janeiro de 2011 a região serrana do Rio registrou a maior tragédia natural de que se tem notícia no estado: as chuvas vieram muito fortes e praticamente todos os morros tiveram deslizamentos de terra, matando centenas de pessoas, soterradas pelas próprias casas – particularmente em Nova Friburgo e Teresópolis. A casa onde Tom Jobim compôs suas canções também foi levada pela enxurrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este desastre natural, entretanto, não se compara ao terremoto que devastou quase completamente Lisboa, a capital de Portugal, em 1755. Em uma época onde a população mundial era muito inferior a atual, estima-se que morreram entre 10 e 100 mil pessoas naquele que é até hoje o terremoto mais letal da história. Até aquela época era muito comum atribuir os desastres naturais a “ira divina”, num tipo de associação de ideias que data da pré-história... Entretanto, o terremoto de 1755 suscitou respostas divergentes dos filósofos iluministas. Gente como Voltaire parece ter se cansado de ficar sempre a mercê da “ira divina”, e tratou de analisar a existência como ela realmente o é – um ciclo de vida e de morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;Nossa sociedade moderna parece ter enorme dificuldade em lidar com a morte&amp;lt;/strong&amp;gt;. Tirando as funerárias e as seguradoras, parece que ao capitalismo a morte é um tremendo desperdício: altos funcionários e CEOs que acumularam conhecimento e experiência por décadas e décadas subitamente se tornam incapazes por razão do envelhecimento, se aposentam, e depois simplesmente se despedem de nós. Atores de cinema ou TV, de fama mundial, que trazem renda garantida aos grandes estúdios, subitamente se vão ainda durante as filmagens do próximo blockbuster. Até mesmo aquele economista de renome que sempre consultávamos antes de realizar nossas aplicações na bolsa de valores, ele também se vai, e não sabemos mais a quem consultar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O capitalismo, entretanto, parece não sentir falta dos informais, das donas de casa, dos lixeiros, dos carpinteiros, dos pedreiros, dos pequenos trabalhadores do campo, enfim, dos pobres. A informação que se perde quando estes se vão não parece de tanta importância para que o giro da roda do dinheiro continue sua constância – mas fato é que todos morrem. Todos podem ser levados pela enxurrada, pelos tremores, pelos acidentes, pela violência e ignorância dos homens, ou simplesmente pelo próprio tempo em que aqui se vive. Sim, pois não há dia em que não estejamos a morrer: todas as nossas células morrem e são substituídas por outras, inúmeras vezes, durante a vida de nosso corpo. Nesse sentido, a própria vida é uma tragédia constante...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque então estarrecer-se com a sombra da morte? Se a morte é apenas o último tilintar dos neurônios no cérebro – estes que também morrem e nascem a todo dia – então a morte é apenas um sonho sem sonhos. Morremos então, todo dia, conscientemente – pois sabemos da degeneração celular –, e inconscientemente – quando nos deitamos na cama e sonhamos uma vez mais, até o dia seguinte, até o próximo ciclo do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porque então agradecer aos deuses por ter sido poupado de uma tragédia, se toda a tragédia é em si uma tragédia? Por vezes, teria sido melhor não ter sido poupado, ao menos se compreendemos a morte como o fim do caminho. Nas religiões orientais, particularmente no hinduísmo, o aspecto destrutivo de Deus é tão bem compreendido quanto o aspecto criativo. Entende-se, sobretudo, que a existência não é uma história simples, um “era uma vez...”, com início, meio e fim – mas antes um ciclo incomensurável, uma existência cósmica que se estende até as beiradas do infinito, uma história onde falar em início e fim faz tanto sentido quanto falar no nascer e no por do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todo caso, os céticos dificilmente entenderão como pode este povo tão simples, aparentemente tão ignorante, continuar louvando ao Deus do cristianismo mesmo após tamanha tragédia natural. Tragédia natural é ato divino, é coisa da natureza, e da natureza cabe o cuidado de Deus. Se ele poupa alguns e toma outros, porque agradecer, porque se revoltar, porque enfim, acreditar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É que naqueles que creem, mesmo que seja na sombra da sombra do Deus de todo o Cosmos, reside esta distinta intuição de que nada ocorre ao acaso, até mesmo porque ninguém sabe o que diabos é o acaso... E se o próprio acaso for ele mesmo mais um deus, será em todo caso tão desconhecido quanto Aquele outro. E ainda que permaneçam fiéis ante a maior das tragédias, como os apóstolos a serem pregados nas cruzes, é porque em seu íntimo sabem, de alguma forma, que a morte não é o fim do caminho, mas apenas a passagem de um ambiente ao outro, na grande casa do Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;Mas e aqueles que não creem?&amp;lt;/strong&amp;gt; O que lhes resta senão encarar face a face este aparente “grande nada”, o vazio, o buraco negro que suga tudo o que há? Talvez, conforme os estóicos e epicuristas, devam se contentar com o que podem mudar, o que podem decidir, o que podem sentir, no aqui e no agora. E, conforme disse Carl Sagan, de alguma forma se contentarem com viver na memória daqueles que os amam – a vida após a vida – embora não estejam mais aqui para saber...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, finalmente, aqueles que compreendem a morte mais profundamente, sabendo perfeitamente que ela é ao mesmo tempo um fim e um recomeço, ao mesmo tempo uma enorme mudança e uma fugaz renovação, ao mesmo tempo o arauto do desespero e a promessa da evolução, não há que se ater aos fantasmas das mentes alheias. Não há que se estagnar com o tempo e a vontade nas mãos. Não há que cair na ilusão de que o mundo todo é tão somente isto que vivemos aqui, neste planeta ínfimo na periferia de uma de bilhões e bilhões de galáxias do Cosmos... Somos, sim, seres a viajar por esse universo infinitamente belo, tanto pelo milagre da vida quanto pelo caos da destruição, que no fim apenas permite que a vida se renove e renove, rumo a algum lugar cada vez mais alto na montanha divina, rumo aos galhos ao topo da árvore da vida, onde o Sol pode ser visto em toda a sua glória, e onde tudo o que há é amor a irradiar-se nos mais variados espectros de pura luz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos que tem olhos para ver, restará sempre esta promessa de vida em seus corações. Não de um céu de tédio eterno, mas do trabalho contínuo, do caminhar passo a passo, do navegar em mar revolto e noite fria, mas sempre rumando ao próximo farol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Perto deste conhecimento, perto desta visão distinta do jogo da vida consigo mesma, do turbilhão de seres e potencialidades a desafiar a entropia cósmica, um mero terremoto, uma pequena enxurrada, é tão significativa quanto à destruição de um ninho de formigas... Embora mesmo a menor das formigas seja, ela também, parte da mesma teia que nos conecta a todo o Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;E se viver é morrer a cada instante,&lt;br /&gt;
Entregamo-nos, então, à eternidade.&lt;br /&gt;
Mas se viver é sofrer na escuridão,&lt;br /&gt;
Entregamo-nos de corpo e alma à caridade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(trecho final de poema de Otávio Fossá)&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2011/01/e-o-fim-do-caminho.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=9565</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=9565"/>
		<updated>2011-02-03T18:23:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2011===&lt;br /&gt;
* [[É o fim do caminho?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Jo%C3%A3o_de_Deus:_charlat%C3%A3o%3F&amp;diff=8766</id>
		<title>João de Deus: charlatão?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Jo%C3%A3o_de_Deus:_charlat%C3%A3o%3F&amp;diff=8766"/>
		<updated>2010-12-10T14:52:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Este artigo visa analisar o fenômeno das cirurgias físicas efetuadas pelo médium João de Deus, a que muitos céticos encaram como charlatão ou fraude. No entanto, independente de aprovarmos ou não tais cirurgias (ao que tudo indica são os próprios pacientes que pedem por elas), devemos aqui analisa-las somente no contexto do pretenso fenômeno &amp;quot;paranormal&amp;quot; em si, sem que para isso deixemos que noções materialistas influenciem nossa visão. Este artigo pretende analisar esse tipo de fenômeno de forma verdadeiramente cética e imparcial.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como dito em nosso último artigo sobre ele, João de Deus nasceu em 24 de junho de 1942 em Cachoeira da Fumaça, interior de Goiás. Muito pobre, estudou até o segundo ano primário e em seguida abandonou a escola com o intuito de procurar trabalho e ajudar no sustento dos cinco irmãos. As manifestações mediúnicas começaram quando ainda era menino. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, teve início o seu trabalho de cura. Após uma visão embaixo de uma ponte, foi orientado a procurar um centro espírita na cidade. Lá chegando, foi recebido à porta pelo presidente do centro, que disse já estar esperando por ele. João se aproximou e subitamente desmaiou. Ao acordar, ficou sabendo que, incorporado, havia operado e atendido a diversas pessoas. Desde então não parou mais de realizar trabalhos de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2005 o dismistificador James Randi participou de um programa da rede americana ABC que visava analisar o fenômeno das cirurgias físicas de João de Deus. Apesar de apenas ter visto alguns vídeos sobre essas cirurgias (provavelmente imaginando que não era possível ir até lá e filmar do ângulo que quiser), ele logo teceu alguns comentários que tem como objetivo dismistificar o fenômeno apresentado, afirmando se tratar de truques de mágica &amp;quot;até mesmo simplórios&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contraponto aos argumentos de James Randi==&lt;br /&gt;
Logo abaixo, iremos contrapor as suposições de Randi com um estudo médico sobre cirurgia espiritual da Associação Médica Brasileira (inclusive baseado em observações das próprias cirurgias de João de Deus), do qual tiraremos algumas citações quando necessário[1]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1. Sobre as tesouras enfiadas pelo nariz dos pacientes===&lt;br /&gt;
Randi afirma que isso não passa de um truque de circo bastante conhecido. No entanto, se esquece de que para que o truque funcione, o mágico precisa enfiar o objeto (no caso, algum prego longo e não uma tesoura) no próprio nariz. Não se conhece esse tipo de truque efetuado em outras pessoas não preparadas. Para se conceber que João de Deus faça isso como forma de mágica, seria preciso crer que as dezenas de pessoas operadas todos os dias, incluindo os próprios pesquisadores e repórteres de dezenas de emissoras (incluindo Discovery e BBC) foram não apenas subornados para compactuar com o &amp;quot;show&amp;quot; de João, mas da mesma forma treinados na técnica. Como o próprio Randi admite que apenas algumas centenas de pessoas conhecem a técnica ao redor do globo, ele mesmo se contradiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===2. Sobre os cortes de pele sem sangramento normal===&lt;br /&gt;
João de Deus faz incisões na pele de pacientes e estes não sentem dor e quase não sangram, apesar de não estarem anestesiados (quanto ao não-sangramento, nem se conhece alguma substância química que possa causar tal efeito). Resta a Randi apelar para um truque de mágica mais elaborado, que ele mesmo demonstrou algumas vezes em programas de TV. Randi esquece, porém, que para tais truques funcionarem precisamos de: (A) Posição específica da câmera, proibindo certas angulações de filmagem; (B) Compactuação e participação do paciente; e (C) Espelhos, pele falsa e outros elementos de tecnologia específica da mágica. Ou seja, (A) é refutado pois podemos filmar as cirurgias por qualquer ângulo, inclusive circundando o médium e o paciente; (B) é refutada pelo mesmo motivo da citação #1 acima; e (C) é refutada pois até hoje não se encontrou nada parecido no &amp;quot;santuário&amp;quot; do médium.&lt;br /&gt;
Também vale citar a pesquisa da AMB: &amp;quot;As cirurgias são reais[2], mas, apesar de não ter sido possível avaliar a eficácia do procedimento, aparentemente não teriam efeito específico na cura dos pacientes.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===3. Sobre as &amp;quot;raspagens de olho&amp;quot;===&lt;br /&gt;
João de Deus efetua &amp;quot;raspagens&amp;quot; de um dos olhos dos pacientes utilizando nada mais que a própria mão e uma faca de cozinha não esterilizada. Randi, não tendo muito a acrescentar ao assunto, admite que &amp;quot;seria impossível tocar a córnea do paciente sem uma reação adversa imediata (como piscar ou se afastar) do mesmo, exceto por meio de uma anestesia local aplicada sem que o paciente saiba&amp;quot;. Bem, como não está provado que exista qualquer tipo de anestesia aplicada, e João opera dessa forma a décadas, fica difícil imaginar que se trata de fraude.&lt;br /&gt;
Voltando a citar a pesquisa da AMB: &amp;quot;As cirurgias e raspados são reais e os materiais extraídos são compatíveis com o local de origem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===4. Sobre a ausência de dor nos procedimentos citados em #1 a #3===&lt;br /&gt;
Randi afirma que as &amp;quot;vítimas&amp;quot; podem estar em um &amp;quot;estado de choque&amp;quot; refrente ao trauma, e que porisso não sentem dor no momento, mas podem vir a sentir alguns minutos depois. Ele afirma que a &amp;quot;câmera não continuou filmando o paciente, então não podemos saber&amp;quot; - Aqui se torna evidente que Randi se expõe ao ridículo por fazer tantas suposições sobre um fenômeno que mal conhecia. É muito simples encontrar no YouTube diversos vídeos dessas cirurgias onde fica atestado que os pacientes não sentem nenhuma dor, mesmo horas depois. O mesmo vale para diversos documentários, como os da Discovery e BBC.&lt;br /&gt;
Na pesquisa da AMB, dos 10 casos estudados, apenas uma paciente sentiu dor em uma incisão mamária com retirada de fragmento (pretensamente um nódulo benigno), mas não uma dor forte como seria de se esperar normalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===5. Sobre a ausência de infecção (hospitalar)===&lt;br /&gt;
Em décadas de cirurgias físicas sem a instrumentação, anestesia e assepcia adequados, nunca foi constatado um caso sequer de infecção hospitalar nos pacientes de João de Deus, inedependente de ter havido cura ou não no tratamento espiritual. Randi aqui apela para a explicação &amp;quot;de que nem todos os procedimento invasivos realmente cortam completamente o tecido da pele (como um ferimento exposto), e isso poderia explicar a ausência de infecções&amp;quot;. Randi mal sabia que João também faz cirurgias extremamente invasivas, apenas estas são mais raras.&lt;br /&gt;
Em todo caso, a pesquisa da AMB estudou algumas dessas cirurgias invasivas, e mesmo assim confirmou que não houve casos de infecção: &amp;quot;não há utilização de técnica asséptica ou anestésica, mas não foi detectada nenhuma infecção e apenas um paciente referiu dor.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===6 e 7. Sobre os &amp;quot;transes&amp;quot; em que o médium &amp;quot;entra em contato com espíritos&amp;quot; e sobre as recuperações e curas reportadas por pacientes===&lt;br /&gt;
Não queremos aqui analisar a crença de Randi em si. Obviamente, como cético, ele não pode conceber uma explicação espiritual para esse tipo de fenômeno. Não criticamos aqui o ceticismo de Randi, mas o exaltamos e reafirmamos: cada um deve crer naquilo que quiser. O problema está no julgar sem saber, como ficou claro nesse caso. Julgar fraude de antemão um fenômeno mal estudado, apenas porque vai contra sua crença (ou descrença). Nesse ponto, o ceticismo de Randi é obviamente falho. Não tiramos seu mérito de dismistificar diversos charlatões pelo mundo, mas lamentamos sua falta de critério para com esse caso em específico.&lt;br /&gt;
Sobre as curas comentaremos à seguir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Médico não promete cura, promete tratamento==&lt;br /&gt;
Essa frase, que ouvi do célebre e amoroso médico Patch Adams (que é inclusive ateu), resume muito do que devemos considerar acerca desse tipo de cirurgia ou tratamento. Vale mencionar que &amp;quot;assim como outros cirurgiões espirituais brasileiros, João Teixeira afirma que as cirurgias são completamente dispensáveis, podendo os espíritos atuarem diretamente sobre os pacientes. Mas estes necessitariam ver as curas sendo realizadas no corpo físico para se convencerem da realidade do tratamento&amp;quot; (novamente citando a pesquisa da AMB), ou seja, lembrando Hipócrates, podemos também afirmar que &amp;quot;tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão suas doenças&amp;quot; - ou seja, entenda-se como quiser, que &amp;quot;a fé cura&amp;quot; ou que &amp;quot;o efeito placebo cura&amp;quot;, o importante é que alguma espécie de cura (ou melhoria) ocorre para quem se mantém confiante e otimista, e isso é fato mesmo na medicina tradicional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falando do ponto de vista espiritualista, me parece óbvio que o ideal seria que João parasse com esse tipo de cirurgia física. É difícil dizer até que ponto elas lhe auxiliam em sua jornada de caridade, e até que ponto apenas lhe trazem uma exposição indesejada na mídia mundial. Decerto, é claro, lhe traz muitos inimigos céticos, que chegam até a classifica-lo como &amp;quot;açougueiro&amp;quot;. Obviamente que, num estudo mais detalhado, como o da AMB, percebemos a realidade de suas cirurgias, e o bem (direto ou indireto) que produz em seus pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o fato é que, mesmo de acordo com o próprio João, as cirurgias físicas são desnecessárias para o tratamento. A matéria espiritual é fluida, e como tal, não se opera por mãos físicas, mas antes pelas mãos sutis do pensamento, ou pelo menos é mais ou menos como os espiritualistas compreendem o fenômeno em si. Nada mais sóbrio do que optar pela eventual redução desse tipo de cirurgia, até que não mais seja realizada, mesmo que as pessoas continuem lhe pedindo para tal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também vale lembrar que João opera gratuitamente a décadas, e que por mais que a &amp;quot;venda de remédios naturais a 10 reais&amp;quot; e o turismo da região possa até lhe trazer certa renda, não seria suficiente para garantir o funcionamento de seu &amp;quot;santuário&amp;quot;, e toda a caridade que próvem dele (incluindo doação de comida e alojamento aos mais necessitados, etc.). Portanto João, como todos nós, depende da caridade, mas além de depender dela, também a realiza, em abundância. Julguemo-o por sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Conclusão final da pequisa da AMB==&lt;br /&gt;
&amp;quot;Pode-se concluir que as cirurgias estudadas e os materiais extraídos são reais, não há utilização de técnica asséptica ou anestésica, mas não foi detectada nenhuma infecção e apenas um paciente referiu dor. Como não houve identificação de fraudes, o fenômeno necessita de posteriores estudos para a explicação adequada da analgesia, da não-infecção, avaliação da eficácia e por quais mecanismos a suposta cura poderia ocorrer, pois as cirurgias em si aparentemente não conduziriam a esse resultado, já que usualmente não extraem tecidos patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como vários autores relatam benefícios com os tratamentos espirituais, é fundamental um melhor conhecimento dos mecanismos e eficácia das curas espirituais. Isso possibilitaria a adaptação das formas úteis como terapias complementares à medicina ocidental, bem como desencorajaria os procedimentos danosos ou inúteis. A discussão séria de um tema não requer que compartilhemos as crenças envolvidas, mas que tomemos suas implicações seriamente e não subestimemos as razões pelas quais tantas pessoas se envolvem. Nem a crença entusiasmada ou a descrença renitente ajudarão os pacientes ou o desenvolvimento da medicina&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
[1] Este estudo foi realizado por pesquisadores e médicos filiados a Associação Médica Brasileira, e é somente nesse sentido que me refiro a pesquisa como &amp;quot;uma pesquisa da AMB&amp;quot;. Não quer dizer que a AMB seja espiritualista, ou materialista, nem que os médicos que conduziram a pesquisa sejam uma ou outra coisa - até mesmo porque a ciência não é, em si, nem uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] As cirurgias são reais no contexto de negarem a insinuação de James Randi de que seriam &amp;quot;truques de mágica&amp;quot;. Não quer dizer que tenham resultado em cura. Aliás, se lerem a pesquisa completa da AMB verão que a efetividade do tratamento espiritual não é confirmada, embora nenhuma fraude tenha sido verificada nas cirurgias em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/02/joao-de-deus-charlatao.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
* [http://www.randi.org/jr/021805a.html] - THE ABC-TV INFOMERCIAL FOR JOHN OF GOD - A análise de James Randi, baseada apenas em trechos de vídeos. (em inglês)&lt;br /&gt;
* [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-42302000000300002&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso] - Cirurgia espiritual: uma investigação. Pesquisa da Associação Médica Brasileira sobre os procedimentos cirúrgicos de João de Deus&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Jo%C3%A3o_de_Deus:_charlat%C3%A3o%3F&amp;diff=8765</id>
		<title>João de Deus: charlatão?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Jo%C3%A3o_de_Deus:_charlat%C3%A3o%3F&amp;diff=8765"/>
		<updated>2010-12-10T14:50:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Este artigo visa analisar o fenômeno das cirurgias físicas efetuadas pelo médium João de Deus, a que muitos céticos encaram como charlatão ou fraude. No entanto, independente de aprovarmos ou não tais cirurgias (ao que tudo indica são os próprios pacientes que pedem por elas), devemos aqui analisa-las somente no contexto do pretenso fenômeno &amp;quot;paranormal&amp;quot; em si, sem que para isso deixemos que noções materialistas influenciem nossa visão. Este artigo pretende analisar esse tipo de fenômeno de forma verdadeiramente cética e imparcial.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como dito em nosso último artigo sobre ele, João de Deus nasceu em 24 de junho de 1942 em Cachoeira da Fumaça, interior de Goiás. Muito pobre, estudou até o segundo ano primário e em seguida abandonou a escola com o intuito de procurar trabalho e ajudar no sustento dos cinco irmãos. As manifestações mediúnicas começaram quando ainda era menino. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, teve início o seu trabalho de cura. Após uma visão embaixo de uma ponte, foi orientado a procurar um centro espírita na cidade. Lá chegando, foi recebido à porta pelo presidente do centro, que disse já estar esperando por ele. João se aproximou e subitamente desmaiou. Ao acordar, ficou sabendo que, incorporado, havia operado e atendido a diversas pessoas. Desde então não parou mais de realizar trabalhos de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2005 o dismistificador James Randi participou de um programa da rede americana ABC que visava analisar o fenômeno das cirurgias físicas de João de Deus. Apesar de apenas ter visto alguns vídeos sobre essas cirurgias (provavelmente imaginando que não era possível ir até lá e filmar do ângulo que quiser), ele logo teceu alguns comentários que tem como objetivo dismistificar o fenômeno apresentado, afirmando se tratar de truques de mágica &amp;quot;até mesmo simplórios&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contraponto aos argumentos de James Randi==&lt;br /&gt;
Logo abaixo, iremos contrapor as suposições de Randi com um estudo médico sobre cirurgia espiritual da Associação Médica Brasileira (inclusive baseado em observações das próprias cirurgias de João de Deus), do qual tiraremos algumas citações quando necessário[1]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1. Sobre as tesouras enfiadas pelo nariz dos pacientes===&lt;br /&gt;
Randi afirma que isso não passa de um truque de circo bastante conhecido. No entanto, se esquece de que para que o truque funcione, o mágico precisa enfiar o objeto (no caso, algum prego longo e não uma tesoura) no próprio nariz. Não se conhece esse tipo de truque efetuado em outras pessoas não preparadas. Para se conceber que João de Deus faça isso como forma de mágica, seria preciso crer que as dezenas de pessoas operadas todos os dias, incluindo os próprios pesquisadores e repórteres de dezenas de emissoras (incluindo Discovery e BBC) foram não apenas subornados para compactuar com o &amp;quot;show&amp;quot; de João, mas da mesma forma treinados na técnica. Como o próprio Randi admite que apenas algumas centenas de pessoas conhecem a técnica ao redor do globo, ele mesmo se contradiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===2. Sobre os cortes de pele sem sangramento normal===&lt;br /&gt;
João de Deus faz incisões na pele de pacientes e estes não sentem dor e quase não sangram, apesar de não estarem anestesiados (quanto ao não-sangramento, nem se conhece alguma substância química que possa causar tal efeito). Resta a Randi apelar para um truque de mágica mais elaborado, que ele mesmo demonstrou algumas vezes em programas de TV. Randi esquece, porém, que para tais truques funcionarem precisamos de: (A) Posição específica da câmera, proibindo certas angulações de filmagem; (B) Compactuação e participação do paciente; e (C) Espelhos, pele falsa e outros elementos de tecnologia específica da mágica. Ou seja, (A) é refutado pois podemos filmar as cirurgias por qualquer ângulo, inclusive circundando o médium e o paciente; (B) é refutada pelo mesmo motivo da citação #1 acima; e (C) é refutada pois até hoje não se encontrou nada parecido no &amp;quot;santuário&amp;quot; do médium.&lt;br /&gt;
Também vale citar a pesquisa da AMB: &amp;quot;As cirurgias são reais[2], mas, apesar de não ter sido possível avaliar a eficácia do procedimento, aparentemente não teriam efeito específico na cura dos pacientes.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===3. Sobre as &amp;quot;raspagens de olho&amp;quot;===&lt;br /&gt;
João de Deus efetua &amp;quot;raspagens&amp;quot; de um dos olhos dos pacientes utilizando nada mais que a própria mão e uma faca de cozinha não esterilizada. Randi, não tendo muito a acrescentar ao assunto, admite que &amp;quot;seria impossível tocar a córnea do paciente sem uma reação adversa imediata (como piscar ou se afastar) do mesmo, exceto por meio de uma anestesia local aplicada sem que o paciente saiba&amp;quot;. Bem, como não está provado que exista qualquer tipo de anestesia aplicada, e João opera dessa forma a décadas, fica difícil imaginar que se trata de fraude.&lt;br /&gt;
Voltando a citar a pesquisa da AMB: &amp;quot;As cirurgias e raspados são reais e os materiais extraídos são compatíveis com o local de origem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===4. Sobre a ausência de dor nos procedimentos citados em #1 a #3===&lt;br /&gt;
Randi afirma que as &amp;quot;vítimas&amp;quot; podem estar em um &amp;quot;estado de choque&amp;quot; refrente ao trauma, e que porisso não sentem dor no momento, mas podem vir a sentir alguns minutos depois. Ele afirma que a &amp;quot;câmera não continuou filmando o paciente, então não podemos saber&amp;quot; - Aqui se torna evidente que Randi se expõe ao ridículo por fazer tantas suposições sobre um fenômeno que mal conhecia. É muito simples encontrar no YouTube diversos vídeos dessas cirurgias onde fica atestado que os pacientes não sentem nenhuma dor, mesmo horas depois. O mesmo vale para diversos documentários, como os da Discovery e BBC.&lt;br /&gt;
Na pesquisa da AMB, dos 10 casos estudados, apenas uma paciente sentiu dor em uma incisão mamária com retirada de fragmento (pretensamente um nódulo benigno), mas não uma dor forte como seria de se esperar normalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===5. Sobre a ausência de infecção (hospitalar)===&lt;br /&gt;
Em décadas de cirurgias físicas sem a instrumentação, anestesia e assepcia adequados, nunca foi constatado um caso sequer de infecção hospitalar nos pacientes de João de Deus, inedependente de ter havido cura ou não no tratamento espiritual. Randi aqui apela para a explicação &amp;quot;de que nem todos os procedimento invasivos realmente cortam completamente o tecido da pele (como um ferimento exposto), e isso poderia explicar a ausência de infecções&amp;quot;. Randi mal sabia que João também faz cirurgias extremamente invasivas, apenas estas são mais raras.&lt;br /&gt;
Em todo caso, a pesquisa da AMB estudou algumas dessas cirurgias invasivas, e mesmo assim confirmou que não houve casos de infecção: &amp;quot;não há utilização de técnica asséptica ou anestésica, mas não foi detectada nenhuma infecção e apenas um paciente referiu dor.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===6 e 7. Sobre os &amp;quot;transes&amp;quot; em que o médium &amp;quot;entra em contato com espíritos&amp;quot; e sobre as recuperações e curas reportadas por pacientes===&lt;br /&gt;
Não queremos aqui analisar a crença de Randi em si. Obviamente, como cético, ele não pode conceber uma explicação espiritual para esse tipo de fenômeno. Não criticamos aqui o ceticismo de Randi, mas o exaltamos e reafirmamos: cada um deve crer naquilo que quiser. O problema está no julgar sem saber, como ficou claro nesse caso. Julgar fraude de antemão um fenômeno mal estudado, apenas porque vai contra sua crença (ou descrença). Nesse ponto, o ceticismo de Randi é obviamente falho. Não tiramos seu mérito de dismistificar diversos charlatões pelo mundo, mas lamentamos sua falta de critério para com esse caso em específico.&lt;br /&gt;
Sobre as curas comentaremos à seguir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Médico não promete cura, promete tratamento==&lt;br /&gt;
Essa frase, que ouvi do célebre e amoroso médico Patch Adams (que é inclusive ateu), resume muito do que devemos considerar acerca desse tipo de cirurgia ou tratamento. Vale mencionar que &amp;quot;assim como outros cirurgiões espirituais brasileiros, João Teixeira afirma que as cirurgias são completamente dispensáveis, podendo os espíritos atuarem diretamente sobre os pacientes. Mas estes necessitariam ver as curas sendo realizadas no corpo físico para se convencerem da realidade do tratamento&amp;quot; (novamente citando a pesquisa da AMB), ou seja, lembrando Hipócrates, podemos também afirmar que &amp;quot;tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão suas doenças&amp;quot; - ou seja, entenda-se como quiser, que &amp;quot;a fé cura&amp;quot; ou que &amp;quot;o efeito placebo cura&amp;quot;, o importante é que alguma espécie de cura (ou melhoria) ocorre para quem se mantém confiante e otimista, e isso é fato mesmo na medicina tradicional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falando do ponto de vista espiritualista, me parece óbvio que o ideal seria que João parasse com esse tipo de cirurgia física. É difícil dizer até que ponto elas lhe auxiliam em sua jornada de caridade, e até que ponto apenas lhe trazem uma exposição indesejada na mídia mundial. Decerto, é claro, lhe traz muitos inimigos céticos, que chegam até a classifica-lo como &amp;quot;açougueiro&amp;quot;. Obviamente que, num estudo mais detalhado, como o da AMB, percebemos a realidade de suas cirurgias, e o bem (direto ou indireto) que produz em seus pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o fato é que, mesmo de acordo com o próprio João, as cirurgias físicas são desnecessárias para o tratamento. A matéria espiritual é fluida, e como tal, não se opera por mãos físicas, mas antes pelas mãos sutis do pensamento, ou pelo menos é mais ou menos como os espiritualistas compreendem o fenômeno em si. Nada mais sóbrio do que optar pela eventual redução desse tipo de cirurgia, até que não mais seja realizada, mesmo que as pessoas continuem lhe pedindo para tal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também vale lembrar que João opera gratuitamente a décadas, e que por mais que a &amp;quot;venda de remédios naturais a 10 reais&amp;quot; e o turismo da região possa até lhe trazer certa renda, não seria suficiente para garantir o funcionamento de seu &amp;quot;santuário&amp;quot;, e toda a caridade que próvem dele (incluindo doação de comida e alojamento aos mais necessitados, etc.). Portanto João, como todos nós, depende da caridade, mas além de depender dela, também a realiza, em abundância. Julguemo-o por sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Conclusão final da pequisa da AMB==&lt;br /&gt;
&amp;quot;Pode-se concluir que as cirurgias estudadas e os materiais extraídos são reais, não há utilização de técnica asséptica ou anestésica, mas não foi detectada nenhuma infecção e apenas um paciente referiu dor. Como não houve identificação de fraudes, o fenômeno necessita de posteriores estudos para a explicação adequada da analgesia, da não-infecção, avaliação da eficácia e por quais mecanismos a suposta cura poderia ocorrer, pois as cirurgias em si aparentemente não conduziriam a esse resultado, já que usualmente não extraem tecidos patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como vários autores relatam benefícios com os tratamentos espirituais, é fundamental um melhor conhecimento dos mecanismos e eficácia das curas espirituais. Isso possibilitaria a adaptação das formas úteis como terapias complementares à medicina ocidental, bem como desencorajaria os procedimentos danosos ou inúteis. A discussão séria de um tema não requer que compartilhemos as crenças envolvidas, mas que tomemos suas implicações seriamente e não subestimemos as razões pelas quais tantas pessoas se envolvem. Nem a crença entusiasmada ou a descrença renitente ajudarão os pacientes ou o desenvolvimento da medicina&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
[1] Este estudo foi realizado por pesquisadores e médicos filiados a Associação Médica Brasileira, e é somente nesse sentido que me refiro a pesquisa como &amp;quot;uma pesquisa da AMB&amp;quot;. Não quer dizer que a AMB seja espiritualista, ou materialista, nem que os médicos que conduziram a pesquisa sejam uma ou outra coisa - até mesmo porque a ciência não é, em si, nem uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] As cirurgias são reais no contexto de negarem a insinuação de James Randi de que seriam &amp;quot;truques de mágica&amp;quot;. Não quer dizer que tenham resultado em cura. Aliás, se lerem a pesquisa completa da AMB verão que a efetividade do tratamento espiritual não é confirmada, embora nenhuma fraude tenha sido verificada nas cirurgias em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/02/joao-de-deus-charlatao.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
* [http://www.randi.org/jr/021805a.html] THE ABC-TV INFOMERCIAL FOR JOHN OF GOD - A análise de James Randi, baseada apenas em trechos de vídeos. (em inglês)&lt;br /&gt;
* [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-42302000000300002&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso] - Cirurgia espiritual: uma investigação. Pesquisa da Associação Médica Brasileira sobre os procedimentos cirúrgicos de João de Deus&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Jo%C3%A3o_de_Deus:_charlat%C3%A3o%3F&amp;diff=8764</id>
		<title>João de Deus: charlatão?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Jo%C3%A3o_de_Deus:_charlat%C3%A3o%3F&amp;diff=8764"/>
		<updated>2010-12-10T14:46:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;Este artigo visa analisar o fenômeno das cirurgias físicas efetuadas pelo médium João de Deus, a que muitos c…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Este artigo visa analisar o fenômeno das cirurgias físicas efetuadas pelo médium João de Deus, a que muitos céticos encaram como charlatão ou fraude. No entanto, independente de aprovarmos ou não tais cirurgias (ao que tudo indica são os próprios pacientes que pedem por elas), devemos aqui analisa-las somente no contexto do pretenso fenômeno &amp;quot;paranormal&amp;quot; em si, sem que para isso deixemos que noções materialistas influenciem nossa visão. Este artigo pretende analisar esse tipo de fenômeno de forma verdadeiramente cética e imparcial.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como dito em nosso último artigo sobre ele, João de Deus nasceu em 24 de junho de 1942 em Cachoeira da Fumaça, interior de Goiás. Muito pobre, estudou até o segundo ano primário e em seguida abandonou a escola com o intuito de procurar trabalho e ajudar no sustento dos cinco irmãos. As manifestações mediúnicas começaram quando ainda era menino. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, teve início o seu trabalho de cura. Após uma visão embaixo de uma ponte, foi orientado a procurar um centro espírita na cidade. Lá chegando, foi recebido à porta pelo presidente do centro, que disse já estar esperando por ele. João se aproximou e subitamente desmaiou. Ao acordar, ficou sabendo que, incorporado, havia operado e atendido a diversas pessoas. Desde então não parou mais de realizar trabalhos de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2005 o dismistificador James Randi participou de um programa da rede americana ABC que visava analisar o fenômeno das cirurgias físicas de João de Deus. Apesar de apenas ter visto alguns vídeos sobre essas cirurgias (provavelmente imaginando que não era possível ir até lá e filmar do ângulo que quiser), ele logo teceu alguns comentários que tem como objetivo dismistificar o fenômeno apresentado, afirmando se tratar de truques de mágica &amp;quot;até mesmo simplórios&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Contraponto aos argumentos de James Randi==&lt;br /&gt;
Logo abaixo, iremos contrapor as suposições de Randi com um estudo médico sobre cirurgia espiritual da Associação Médica Brasileira (inclusive baseado em observações das próprias cirurgias de João de Deus), do qual tiraremos algumas citações quando necessário[1]:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===1. Sobre as tesouras enfiadas pelo nariz dos pacientes===&lt;br /&gt;
Randi afirma que isso não passa de um truque de circo bastante conhecido. No entanto, se esquece de que para que o truque funcione, o mágico precisa enfiar o objeto (no caso, algum prego longo e não uma tesoura) no próprio nariz. Não se conhece esse tipo de truque efetuado em outras pessoas não preparadas. Para se conceber que João de Deus faça isso como forma de mágica, seria preciso crer que as dezenas de pessoas operadas todos os dias, incluindo os próprios pesquisadores e repórteres de dezenas de emissoras (incluindo Discovery e BBC) foram não apenas subornados para compactuar com o &amp;quot;show&amp;quot; de João, mas da mesma forma treinados na técnica. Como o próprio Randi admite que apenas algumas centenas de pessoas conhecem a técnica ao redor do globo, ele mesmo se contradiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===2. Sobre os cortes de pele sem sangramento normal===&lt;br /&gt;
João de Deus faz incisões na pele de pacientes e estes não sentem dor e quase não sangram, apesar de não estarem anestesiados (quanto ao não-sangramento, nem se conhece alguma substância química que possa causar tal efeito). Resta a Randi apelar para um truque de mágica mais elaborado, que ele mesmo demonstrou algumas vezes em programas de TV. Randi esquece, porém, que para tais truques funcionarem precisamos de: (A) Posição específica da câmera, proibindo certas angulações de filmagem; (B) Compactuação e participação do paciente; e (C) Espelhos, pele falsa e outros elementos de tecnologia específica da mágica. Ou seja, (A) é refutado pois podemos filmar as cirurgias por qualquer ângulo, inclusive circundando o médium e o paciente; (B) é refutada pelo mesmo motivo da citação #1 acima; e (C) é refutada pois até hoje não se encontrou nada parecido no &amp;quot;santuário&amp;quot; do médium.&lt;br /&gt;
Também vale citar a pesquisa da AMB: &amp;quot;As cirurgias são reais[2], mas, apesar de não ter sido possível avaliar a eficácia do procedimento, aparentemente não teriam efeito específico na cura dos pacientes.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===3. Sobre as &amp;quot;raspagens de olho&amp;quot;===&lt;br /&gt;
João de Deus efetua &amp;quot;raspagens&amp;quot; de um dos olhos dos pacientes utilizando nada mais que a própria mão e uma faca de cozinha não esterilizada. Randi, não tendo muito a acrescentar ao assunto, admite que &amp;quot;seria impossível tocar a córnea do paciente sem uma reação adversa imediata (como piscar ou se afastar) do mesmo, exceto por meio de uma anestesia local aplicada sem que o paciente saiba&amp;quot;. Bem, como não está provado que exista qualquer tipo de anestesia aplicada, e João opera dessa forma a décadas, fica difícil imaginar que se trata de fraude.&lt;br /&gt;
Voltando a citar a pesquisa da AMB: &amp;quot;As cirurgias e raspados são reais e os materiais extraídos são compatíveis com o local de origem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===4. Sobre a ausência de dor nos procedimentos citados em #1 a #3===&lt;br /&gt;
Randi afirma que as &amp;quot;vítimas&amp;quot; podem estar em um &amp;quot;estado de choque&amp;quot; refrente ao trauma, e que porisso não sentem dor no momento, mas podem vir a sentir alguns minutos depois. Ele afirma que a &amp;quot;câmera não continuou filmando o paciente, então não podemos saber&amp;quot; - Aqui se torna evidente que Randi se expõe ao ridículo por fazer tantas suposições sobre um fenômeno que mal conhecia. É muito simples encontrar no YouTube diversos vídeos dessas cirurgias onde fica atestado que os pacientes não sentem nenhuma dor, mesmo horas depois. O mesmo vale para diversos documentários, como os da Discovery e BBC.&lt;br /&gt;
Na pesquisa da AMB, dos 10 casos estudados, apenas uma paciente sentiu dor em uma incisão mamária com retirada de fragmento (pretensamente um nódulo benigno), mas não uma dor forte como seria de se esperar normalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===5. Sobre a ausência de infecção (hospitalar)===&lt;br /&gt;
Em décadas de cirurgias físicas sem a instrumentação, anestesia e assepcia adequados, nunca foi constatado um caso sequer de infecção hospitalar nos pacientes de João de Deus, inedependente de ter havido cura ou não no tratamento espiritual. Randi aqui apela para a explicação &amp;quot;de que nem todos os procedimento invasivos realmente cortam completamente o tecido da pele (como um ferimento exposto), e isso poderia explicar a ausência de infecções&amp;quot;. Randi mal sabia que João também faz cirurgias extremamente invasivas, apenas estas são mais raras.&lt;br /&gt;
Em todo caso, a pesquisa da AMB estudou algumas dessas cirurgias invasivas, e mesmo assim confirmou que não houve casos de infecção: &amp;quot;não há utilização de técnica asséptica ou anestésica, mas não foi detectada nenhuma infecção e apenas um paciente referiu dor.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===6 e 7. Sobre os &amp;quot;transes&amp;quot; em que o médium &amp;quot;entra em contato com espíritos&amp;quot; e sobre as recuperações e curas reportadas por pacientes===&lt;br /&gt;
Não queremos aqui analisar a crença de Randi em si. Obviamente, como cético, ele não pode conceber uma explicação espiritual para esse tipo de fenômeno. Não criticamos aqui o ceticismo de Randi, mas o exaltamos e reafirmamos: cada um deve crer naquilo que quiser. O problema está no julgar sem saber, como ficou claro nesse caso. Julgar fraude de antemão um fenômeno mal estudado, apenas porque vai contra sua crença (ou descrença). Nesse ponto, o ceticismo de Randi é obviamente falho. Não tiramos seu mérito de dismistificar diversos charlatões pelo mundo, mas lamentamos sua falta de critério para com esse caso em específico.&lt;br /&gt;
Sobre as curas comentaremos à seguir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Médico não promete cura, promete tratamento==&lt;br /&gt;
Essa frase, que ouvi do célebre e amoroso médico Patch Adams (que é inclusive ateu), resume muito do que devemos considerar acerca desse tipo de cirurgia ou tratamento. Vale mencionar que &amp;quot;assim como outros cirurgiões espirituais brasileiros, João Teixeira afirma que as cirurgias são completamente dispensáveis, podendo os espíritos atuarem diretamente sobre os pacientes. Mas estes necessitariam ver as curas sendo realizadas no corpo físico para se convencerem da realidade do tratamento&amp;quot; (novamente citando a pesquisa da AMB), ou seja, lembrando Hipócrates, podemos também afirmar que &amp;quot;tuas forças naturais, as que estão dentro de ti, serão as que curarão suas doenças&amp;quot; - ou seja, entenda-se como quiser, que &amp;quot;a fé cura&amp;quot; ou que &amp;quot;o efeito placebo cura&amp;quot;, o importante é que alguma espécie de cura (ou melhoria) ocorre para quem se mantém confiante e otimista, e isso é fato mesmo na medicina tradicional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falando do ponto de vista espiritualista, me parece óbvio que o ideal seria que João parasse com esse tipo de cirurgia física. É difícil dizer até que ponto elas lhe auxiliam em sua jornada de caridade, e até que ponto apenas lhe trazem uma exposição indesejada na mídia mundial. Decerto, é claro, lhe traz muitos inimigos céticos, que chegam até a classifica-lo como &amp;quot;açougueiro&amp;quot;. Obviamente que, num estudo mais detalhado, como o da AMB, percebemos a realidade de suas cirurgias, e o bem (direto ou indireto) que produz em seus pacientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o fato é que, mesmo de acordo com o próprio João, as cirurgias físicas são desnecessárias para o tratamento. A matéria espiritual é fluida, e como tal, não se opera por mãos físicas, mas antes pelas mãos sutis do pensamento, ou pelo menos é mais ou menos como os espiritualistas compreendem o fenômeno em si. Nada mais sóbrio do que optar pela eventual redução desse tipo de cirurgia, até que não mais seja realizada, mesmo que as pessoas continuem lhe pedindo para tal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também vale lembrar que João opera gratuitamente a décadas, e que por mais que a &amp;quot;venda de remédios naturais a 10 reais&amp;quot; e o turismo da região possa até lhe trazer certa renda, não seria suficiente para garantir o funcionamento de seu &amp;quot;santuário&amp;quot;, e toda a caridade que próvem dele (incluindo doação de comida e alojamento aos mais necessitados, etc.). Portanto João, como todos nós, depende da caridade, mas além de depender dela, também a realiza, em abundância. Julguemo-o por sua obra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Conclusão final da pequisa da AMB==&lt;br /&gt;
&amp;quot;Pode-se concluir que as cirurgias estudadas e os materiais extraídos são reais, não há utilização de técnica asséptica ou anestésica, mas não foi detectada nenhuma infecção e apenas um paciente referiu dor. Como não houve identificação de fraudes, o fenômeno necessita de posteriores estudos para a explicação adequada da analgesia, da não-infecção, avaliação da eficácia e por quais mecanismos a suposta cura poderia ocorrer, pois as cirurgias em si aparentemente não conduziriam a esse resultado, já que usualmente não extraem tecidos patológicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como vários autores relatam benefícios com os tratamentos espirituais, é fundamental um melhor conhecimento dos mecanismos e eficácia das curas espirituais. Isso possibilitaria a adaptação das formas úteis como terapias complementares à medicina ocidental, bem como desencorajaria os procedimentos danosos ou inúteis. A discussão séria de um tema não requer que compartilhemos as crenças envolvidas, mas que tomemos suas implicações seriamente e não subestimemos as razões pelas quais tantas pessoas se envolvem. Nem a crença entusiasmada ou a descrença renitente ajudarão os pacientes ou o desenvolvimento da medicina&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
[1] Este estudo foi realizado por pesquisadores e médicos filiados a Associação Médica Brasileira, e é somente nesse sentido que me refiro a pesquisa como &amp;quot;uma pesquisa da AMB&amp;quot;. Não quer dizer que a AMB seja espiritualista, ou materialista, nem que os médicos que conduziram a pesquisa sejam uma ou outra coisa - até mesmo porque a ciência não é, em si, nem uma coisa nem outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] As cirurgias são reais no contexto de negarem a insinuação de James Randi de que seriam &amp;quot;truques de mágica&amp;quot;. Não quer dizer que tenham resultado em cura. Aliás, se lerem a pesquisa completa da AMB verão que a efetividade do tratamento espiritual não é confirmada, embora nenhuma fraude tenha sido verificada nas cirurgias em si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/02/joao-de-deus-charlatao.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
* [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0104-42302000000300002&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso] - Cirurgia espiritual: uma investigação. Pesquisa da Associação Médica Brasileira sobre os procedimentos cirúrgicos de João de Deus&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;br /&gt;
[[category:Espiritismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=8763</id>
		<title>Blog Textos para Reflexão</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Blog_Textos_para_Reflex%C3%A3o&amp;diff=8763"/>
		<updated>2010-12-10T14:45:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: /* Artigos de 2009 */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O blog &amp;quot;Textos para Reflexão&amp;quot; surgiu em 27/11/2006, mas o autor - [[Rafael Arrais]] - já divulga seus textos espiritualistas na web desde 1996. O blog, conforme denota o título, traz conteúdos que pretendem estimular os leitores a uma reflexão existencial e espiritual. Como publica artigos sobre filosofia, espiritualismo, ciência, mitologia e ocultismo (dentre outros temas afins), o blog foi convidado para participar do Projeto Mayhem Wiki. Iremos incluir aos poucos os artigos mais importantes publicados no blog, sempre voltados para a temática espiritualista e/ou ocultista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Lista de artigos selecionados==&lt;br /&gt;
===Artigos de 2010===&lt;br /&gt;
* [[As lições da evolução]]&lt;br /&gt;
* [[A crença do espiritualista]]&lt;br /&gt;
* [[Ponto de encontro]]&lt;br /&gt;
* [[Mente escura]]&lt;br /&gt;
* [[Onde está o seu deus?]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
* [[Meias-verdades]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a perfeição]] (em 4 partes)&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]] (em 2 partes)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2009===&lt;br /&gt;
* [[A evolução desconhecida]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o nada]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Pedras no caminho]]&lt;br /&gt;
* [[Uma breve historia da magia]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Porque simpatizo com o espiritismo]] (em 3 partes)&lt;br /&gt;
* [[Chico Xavier: charlatão?]]&lt;br /&gt;
* [[João de Deus: charlatão?]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2008===&lt;br /&gt;
* [[O Grande Mercado de Almas]]&lt;br /&gt;
* [[A história do ouro]]&lt;br /&gt;
* [[Desvios na estrada]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Artigos de 2007===&lt;br /&gt;
* [[Exterior-Interior]]&lt;br /&gt;
* [[O problema do mal]]&lt;br /&gt;
* [[A trupe dos fantasmas dramáticos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/] - Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Isto_n%C3%A3o_%C3%A9_o_nada&amp;diff=8762</id>
		<title>Isto não é o nada</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Isto_n%C3%A3o_%C3%A9_o_nada&amp;diff=8762"/>
		<updated>2010-12-10T14:36:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1996 cientistas da NASA declararam que um meteorito vindo de Marte parecia trazer consigo sinais de vida. A pedra extraterrestre, chamada ALH84001, desprendeu-se de Marte após a colisão violenta de algum cometa ou asteróide a cerca de 16 bilhões de anos, e caiu na Terra por volta de 13 mil anos atrás, sendo finalmente descoberta na Antártica em 1984.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve forte repercussão na mídia, e até o então presidente americano, Bill Clinton, referiu-se a possibilidade da descoberta de vida extraterrestre: “Hoje a pedra 84001 nos fala de um passo de bilhões de anos e de uma distância de milhões de quilômetros. Nos fala da possibilidade de vida. Se essa descoberta for confirmada, será uma das maiores na história da ciência. Suas implicações serão profundas, e inspirarão ainda mais reverência pelo universo em que vivemos. Ao prometer respostas para algumas das questões mais antigas da humanidade, levanta outras ainda mais fundamentais.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, no entanto, a maioria dos cientistas está convencida de que os sinais de vida no meteorito 84001 não são reais. Um dos métodos para se identificar atividades biológicas em amostras de meteoritos é buscar por minúsculas “marcas de vida” gravadas nas rochas. A dificuldade é que processos geológicos muitas vezes causam efeitos extremamente parecidos com atividade bacteriana. Embora não tenhamos o caso por encerrado, essa pedra não é a prova que tanto buscamos. Ao que sabemos por evidências físicas, continuamos sendo o único planeta com vida no Cosmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obviamente a falta dessa evidência não impede que muitos cientistas continuem esperançosos em encontrá-la em breve, afinal o universo é um lugar bem grande. Em seu livro “The Fifth Miracle [O Quinto Milagre]” o físico Paul Davies diz que “se a vida vem de uma sopa pré-biótica com certeza causal, então as leis da Natureza escondem um subtexto, um imperativo cósmico que comanda: ‘Faça-se a vida!’... Essa visão deslumbrante da Natureza é profundamente inspiradora e majestosa. Espero que esteja correta. Seria maravilhoso se estivesse.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
James Gardner é um jornalista especializado em pesquisa científica que traduz esse sentimento em uma teoria consideravelmente bem fundamentada, a do Biocosmos Egoísta, a qual é elaborada no livro homônimo, e defendida com maior embasamento no livro “O universo inteligente” (Ed. Cultrix). Vejamos como ele a resume: “A essência da hipótese do Biocosmos Egoísta é que o universo que habitamos está no processo de ficar impregnado de vida cada vez mais inteligente – mas não necessariamente vida humana ou sua sucessora. Nessa teoria, a emergência da vida e da inteligência cada vez mais competente não é um acidente sem significado num cosmos hostil, em grande parte isento de vida, mas está no próprio âmago da vasta maquinaria da criação, da evolução cosmológica e da replicação cósmica.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há ainda outros cientistas que primeiro buscam por evidências antes de considerar tais hipóteses. Em “O universo vivo” (Ed. Larousse) o físico Chris Impey nos traz uma detalhada análise da astrobiologia – o estudo da vida no espaço. Ao contrário do que muitos possam pensar, este é um ramo oficial da ciência, e demonstra que muitos consideram com seriedade a possibilidade de acharmos além da Terra formas de vida simples como bactérias e extremófilos, capazes de sobreviver em condições geoquímicas extremas, como no subterrâneo de Marte ou no oceano gelado de Europa, uma das luas de Júpiter... Isso não significa que esperam encontrar tão cedo qualquer ser mais complexo do que uma ameba, tanto menos alguma espécie capaz de comunicar-se conosco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Recentemente cientistas descobriram um planeta que possui o tamanho correto, a densidade correta e a distância correta de sua estrela para abrigar vida tal qual a conhecemos. Gliese 581 é uma estrela anã vermelha localizada a 20,3 anos-luz da Terra, na constelação de Libra. O Planeta G, sexto de seu sistema, orbita no meio do que se chama de “região habitável” na qual a água pode existir em forma líquida, e possui cerca de 1,5 vezes o tamanho da Terra, o que garante uma atração gravitacional para fazer com que esta água possa se acumular em lagos e mares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Pessoalmente, dada a propensão da vida como a conhecemos de brotar em qualquer oportunidade, eu diria que as chances de existir vida neste planeta beiram 100%” disse Steven Voght, professor de astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia ao Discovery News.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu livro “Criação imperfeita” (Ed. Record), o físico brasileiro Marcelo Gleiser critica veementemente essa propensão “monoteísta e unificadora” presente em muitos cientistas, uma espécie de busca por códigos ocultos na Natureza, por uma mítica Teoria do Tudo; E, claro, ele discorda dessa noção de que a vida “tem a propensão de brotar em qualquer oportunidade”. Enfim, Gleiser confessa que já foi ele mesmo um “unificador” em busca desses mistérios ocultos do Cosmos, mas que terminou por aceitar que a vida é tão somente um evento raríssimo num universo violento e hostil, fruto de uma cadeia de assimetrias que data desde o Big Bang, quando a pequena assimetria entre a presença de matéria e anti-matéria possibilitou o surgimento de galáxias, estrelas, planetas e, eventualmente, da vida no planeta Terra – teoricamente um evento tão raro que temos pouca esperança de encontrar vida inteligente em nosso horizonte cósmico, quanto menos especular que o universo é uma espécie de Biocosmos Egoísta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gleiser defende que a vida é especial exatamente por aparentemente só existir aqui – que é rara, muito rara, e que por isso mesmo tem de ser valorizada e protegida. A espiritualidade de Gleiser se foca num “humanocentrismo cósmico”, mas que até onde sabemos não passa da atmosfera terrestre. Para a teoria de Gleiser fazer sentido, basta que continuemos a não encontrar vida extraterrestre nos séculos vindouros, o que será uma prova cada vez maior de que o universo não parece ser uma “fonte inesgotável de vida”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Interessante e irônico comparar o pensamento de Gleiser com o do jornalista científico Fred Heeren. Em seu livro “Mostre-me Deus” (Ed. Clio), ele nos traz uma análise abrangente do estado da cosmologia atual, mas aqui e ali ele insiste em inserir analogias bíblicas, muitas delas forçadas, mas que não deixam de compor uma teoria interessante. Não vou entrar em detalhes, mas o mais interessante para nossa comparação é que Heeren diz que é exatamente porque até hoje não encontramos vida inteligente fora da Terra que a bíblia parece fazer todo o sentido! Ou seja, Deus parece ter escolhido exatamente este planeta, e somente ele, dentre trilhões e trilhões de outros, para criar a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É muito comum em livros de divulgação científica vermos teorias sendo expostas a torto e a direito sem uma preocupação maior com sua lógica – pois isso seria filosofia e não ciência. A ciência depende afinal apenas de comprovação experimental, e enquanto esta não aparece, uma miríade sem fim de teorias são elaboradas... Gleiser, por exemplo, também critica com fervor o atual estágio da física teórica, em que se baseia quase que totalmente em teorias que não têm como ser testadas e, portanto, nem validades nem invalidadas. Temos nesse cenário, como maior expoente, a Teoria-M ou Teoria das Cordas, que postula que os componentes fundamentais da matéria são minúsculas cordas, e que é de sua vibração que são criadas partículas de maior ou menor massa. A Teoria-M é uma das tantas outras que buscam uma unificação das teorias físicas, uma mítica Teoria do Tudo tão criticada por Gleiser – na medida em que para ele, ela obviamente ainda está bem além de nosso alcance.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Na parte final, minha opinião sobre o assunto...&amp;lt;/em&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]]&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/11/isto-nao-e-o-nada-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Isto_n%C3%A3o_%C3%A9_o_nada&amp;diff=8761</id>
		<title>Isto não é o nada</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Isto_n%C3%A3o_%C3%A9_o_nada&amp;diff=8761"/>
		<updated>2010-12-10T14:34:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A idéia de mal geralmente se refere a tudo aquilo que não é desejável ou que deve ser evitado. O mal está no vício, em oposição à virtude [1].&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O bode expiatório==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz à lenda que o jovem Einstein corrigiu seu professor  quando este, em plena sala de aula, afirmou que “se Deus criou todas as coisas, então Deus também é mau, visto que criou o mal”:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Me desculpe professor, o frio existe?” – Na afirmativa do professor, ele prosseguiu – “Na verdade, professor, o frio não existe. De acordo com as leis da física, o que nós consideramos como frio é na realidade a ausência do calor.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“E a escuridão professor, ela existe?” – Ainda confuso, ele novamente disse que obviamente existia – “Você está errado senhor, a escuridão tampouco existe, a escuridão é na realidade a ausência de luz. A luz nós podemos estudar, mas não podemos estudar algo que inexiste: a escuridão.” – Finalmente, o jovem concluiu: “O mal não existe, ele é como o frio e a escuridão. Deus não criou o mal, o que chamamos de mal é o resultado de quando os homens não possuem o amor de Deus em seu coração...”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Independente de ter sido uma história real ou alguma invenção religiosa para atacar a idéia de que Deus criou o mal, o que nos importa é que a lógica é verdadeira: certamente, o mal não existe, não é uma força. Pela lógica, a questão da existência de Deus se fundamenta na questão da criação em si – algo existe, algo que é essencialmente infinito... O amor sim, nos dá evidências subjetivas de ser uma força inesgotável, uma fonte de onde quanto mais se tira água, mais água se tem. O mal seria tão somente a ausência ou ignorância deste amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, se o mal não existe, quem diabos seria Satanás? Ele é uma figura muito controvertida na Bíblia. A palavra &amp;quot;Satã&amp;quot; significa em hebraico &amp;quot;acusador&amp;quot;, &amp;quot;opositor&amp;quot;. Aparece, pela primeira vez no livro de Jó, sendo como um promotor celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no &amp;quot;Céu&amp;quot;, de ir e vir livremente e dialogar com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 – &amp;quot;Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles&amp;quot;. O livro de Jó foi escrito depois do exílio babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano 538 a.C, assimilou muitos costumes dos persas e do zoroastrismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o mal. No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons. E foi do zoroastrismo que os judeus aprenderam a crença em um Ahriman, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de Satan - Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos outros livros escritos após o exílio babilônico. Nestes livros já aparece à influência do zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é realizada pela serpente e não por Satanás, demonstrando assim que o escritor do Gênesis não conhecia Satanás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passa a existir a partir daí, &amp;quot;uma lenda&amp;quot; entre o povo judeu de que Satanás é considerado como o rei dos demônios, que se rebelara contra Deus sendo expulso do céu. Ao exilar-se do céu, levou consigo uma hoste de anjos caídos, e tornou-se seu líder. A rebelião começou quando ele, Satanás, o maior dos anjos, recusou prestar homenagem a Adão. Afirmam ainda que esteve por trás do pecado de Adão e Eva, no Jardim do Éden, mantendo relação sexual com Eva. Ajudou Noé a embriagar-se com vinho e tentou persuadir Abraão a não obedecer a Deus no episódio do sacrifício do seu filho Isaac [2].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas pessoas acreditam muito no poder de Satanás e até o enaltecem em suas igrejas, interessante como as igrejas que tanto combateram o paganismo tenham como um de seus personagens principais um mito essencialmente pagão. Seu reino, o Inferno, sofreu influência do Tártaro da mitologia grega, morada de Hades, local para onde iam as almas dos mortos; seus chifres eram de Pã, uma entidade grega protetora da natureza; e ainda encontramos coincidências com as crenças dos antigos Egípcios, quando se acreditava que o Deus Anúbis (o Chacal) carregaria a alma dos mortos cujo coração ao ser pesado numa balança, seria mais pesado que uma pluma. Porém, acima de tudo, o próprio conceito de uma entidade que personifica o mal e disputa almas com o próprio Deus é, na melhor das hipóteses, um hino ao paganismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se Deus não pode ter criado o mal, se o mal não existe – sendo tão somente a ignorância do bem –, como explicar a ilusão persistente deste mito por tantos e tantos séculos? Ora, talvez a explicação esteja no fato de Satanás, o Diabo, ser o bode expiatório perfeito...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como certas pessoas se aprazem com a ilusão de sua existência! Existindo um centralizador de todo o mal, justificam-se nossas próprias falhas: “Não fui eu quem me viciei em bebidas e drogas, foi à influência do Capeta que me levou ao vício!”; “Não fui eu quem bati na minha mulher, foi Belzebu quem me seduziu e guiou a minha mão!”; “Não entendo como pude deixar minha honestidade de lado e roubar dinheiro público. Sou um grande político... Acreditem por favor, isso tudo foi obra de Lúcifer!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o bode expiatório também serve para justificar ataques ilógicos a crenças alheias, e a ciência: “Não mexo com espiritismo, isso é coisa do demônio!”; “Esse negócio de evolução foi coisa que o Cramulhão soprou nos ouvidos de Darwin, afastando-o da fé cristã!”; “Esta é sua última chance de aceitar Nosso Senhor Jesus Cristo, pois Lúcifer está sempre a espreita, esperando pelas almas desgarradas no Dia do Juízo!”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o verdadeiro medo de toda essa gente é admitir que são as únicas culpadas pelo seu próprio mal. Olhe para dentro, admita que o Diabo só está em você mesmo, é único e exclusivamente seu. O seu Satanás não é igual ao Satanás de mais ninguém. Conversa com ele, faça as pazes, sublime-se de seu lado animal... e seu amor também não será igual ao de mais ninguém. Cada ser é único e reúne em si todas as possibilidades do caminho que se opõe a ignorância, sempre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está escrito na sua consciência e em cada linha de sua mão, não fui eu quem falei... Se Deus não criou seres perfeitos, nem entre homens nem entre anjos, foi porque não desejou que sua criação fosse palco de um espetáculo esquematizado por autômatos, por seres que não conquistaram bem algum, visto que já foram programados assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós, porém, fomos criados ignorantes. Longe de ser uma maldade, esta é a suprema benção do criador: deixar que cada ser conquiste o próprio bem, o próprio conhecimento e sabedoria, o próprio amor. Nunca ninguém conseguiu acender a luz rápido o bastante para ver a escuridão, mas se um dia alguém visse, perceberia que o Inferno nada mais é do que um beco sem saída, uma terra de estagnação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ninguém evolui no mal; não há uma guerra entre o bem e o mal, e nenhuma guerra algum dia foi santa. Não existe essa tal dualidade entre o bem e o mal, há apenas a ignorância, e o autoconhecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;A seguir: os “mestres da escuridão”, esses mimados...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
***&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[1] Não digo que esta definição de mal inexista, o mal que ataco no artigo é essencialmente a idéia de um mal sobrenatural, e sua personificação em um ser que rivaliza com Deus. Em suma, o mal existente é o nosso próprio mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[2] Os três últimos parágrafos foram totalmente baseados no excelente artigo de Lúcio Fellini Tazinaffo entitulado &amp;quot;Satanás&amp;quot;. Infelizmente não posso citar o link.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre o mal – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/04/reflexoes-sobre-o-mal-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Isto_n%C3%A3o_%C3%A9_o_nada_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=8760</id>
		<title>Isto não é o nada – Parte II</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://wiki.deldebbio.com.br/index.php?title=Isto_n%C3%A3o_%C3%A9_o_nada_%E2%80%93_Parte_II&amp;diff=8760"/>
		<updated>2010-12-10T14:33:44Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Rarrais: Created page with &amp;#039;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do Blog Textos para Reflexão&amp;lt;/em&amp;gt;  &amp;lt;em&amp;gt;continuando da parte 1&amp;lt;/em&amp;gt;  Está na hora de eu dar minha opinião sobre tudo isso... Apesar de admirar o pensame…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;continuando da parte 1&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está na hora de eu dar minha opinião sobre tudo isso... Apesar de admirar o pensamento de todos os autores citados acima – incluindo dos que discordo –, penso que ainda há uma forma de resumir estas questões da unificação fundamental, do surgimento da vida e do paradoxo de ainda não termos encontrado nenhum sinal de vida inteligente neste Cosmos tão grande.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é o problema, o paradoxo, e também a solução – ele é grande, muito grande, talvez não muito diferente, na prática, do infinito. Quando os cientistas descobriram a radiação de fundo cósmica, uma das maiores comprovações experimentais da teoria do Big Bang, também se depararam com um grande problema: como explicar como ela era tão homogênea?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto foi resolvido pela teoria do físico Alan Guth. A sua idéia é que, na aurora do tempo, o espaço inflou com uma velocidade absurdamente grande. Dois pontos que, inicialmente, eram vizinhos, durante a expansão ultra-rápida se distanciaram mais rapidamente do que a velocidade da luz. Para que o mecanismo funcionasse e pudesse explicar a geometria cósmica e a homogeneidade da matéria, e expansão tinha de ser exponencialmente rápida. Por isso, sua teoria ficou conhecida como Inflação Cósmica. Atualmente esta teoria é aceita pela grande maioria dos cientistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma das conseqüências da Inflação é o conceito de horizonte cósmico... Sabemos que nada material viaja mais rápido do que a luz, entretanto, durante a Inflação, o próprio tecido do espaço-tempo “inflou” de forma mais rápida do que a luz! Isso significa que existe um horizonte até onde podemos enxergar o universo – e além dele há o “universo desconhecido”, além do alcance da luz do nosso lado, do nosso horizonte, como uma América que jamais poderá ser alcançada por Colombo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dessas informações, eu muitas vezes me pergunto, ou melhor, me vejo fazendo a seguinte pergunta aos cientistas: “Meus caros, que parte do infinito vocês não entenderam?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os cientistas procuram por agulhas no palheiro cósmico, e ao não encontrá-las ficam algo inquietos e angustiados... Para os que seguem a bíblia, como Heeren, isso só pode significar que Deus escolheu mesmo apenas aquele povo perdido num deserto da terceira pedra do Sol, na periferia de uma dentre trilhões de galáxias; Para os céticos desiludidos com a busca pela unificação na ciência, ou pela busca da “vida abundante” no Cosmos, isso só pode significar que somos um raríssimo acidente em meio a um universo caótico e hostil; Ainda para outros, talvez mais moderados, isso tão somente significa que o Cosmos é grande, realmente grande – mas quão grande?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É aí que o infinito entra para bagunçar com todas as teorias e crenças de tantas mentes brilhantes. O infinito não se equaciona, está além da matemática e talvez mesmo além de nossa racionalidade... Mesmo assim, ainda é possível tentar vislumbrá-lo pela lógica, tal qual arriscou o grande Benedito Espinosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua “Ética” (Ed. Autêntica), Espinosa analisa a questão da criação, do “porque existe algo e não nada?”. Podem acusá-lo de ser mais um “sonhador da unidade fundamental de todas as coisas” – tal qual o faz Marcelo Gleiser com certa propriedade –, mas apenas acusar não basta: é preciso resolver a questão, é preciso encarar ao infinito face a face. E até hoje, que me desculpem os seguidores da bíblia e cientistas céticos, dentre todas as teorias acima citadas, somente ele avançou efetivamente nesta questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se algo não surge do nada, nem mesmo flutuações quânticas no vácuo, nem mesmo um espaço vazio ou um pensamento, então há que existir algo de incriado, algo de eterno. Espinosa o chamou de Substância, “a Substância que não poderia criar a si mesma”... Ora, como sabemos que espaço e tempo estão intimamente conectados, falar em eternidade é falar em infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comparativamente, o núcleo de um átomo em relação à órbita de seus elétrons corresponderia a um pequeno inseto no centro de um estádio de futebol, uma mosca no meio do Maracanã. O resto é espaço vazio, ou preenchido por alguma parte dos 96% de matéria ou energia escura que não interagem com a luz e, portanto, jamais foram detectados pela ciência – postula-se sua existência pela observação do movimento das galáxias, na media em que falta bastante matéria para explicá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguindo nesse pensamento, sabemos que apenas em nosso horizonte cósmico existem mais estrelas (sóis como o nosso, cheias de planetas à volta) do que grãos de areia em todas as praias da Terra! E mesmo que nem uma única forma de vida exista em torno desses trilhões e trilhões de sóis, lembrem-se de que estamos falando apenas de nosso horizonte, de até onde nossa luz pode chegar. No “universo desconhecido” temos praticamente um infinito de possibilidades. É muito difícil afirmar qualquer coisa do tipo “não existe vida fora da Terra” ante à tal infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procuramos por agulhas num palheiro cósmico, mas não devemos esmorecer se a busca tem se mostrado árdua... Não devemos esmorecer ante o infinito, pois ele é tudo o que há, ele é a Substância que abarca a todos nós. Procuramos por versões conscientes dessa Substância, mas por vezes esquecemos que também somos formados por ela, que também estamos encharcados desse mar por todos os lados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por mais rara que seja a vida na Terra, ela não se compara à raridade da simples existência de tudo o que há. Como os 4% da matéria que interage com a luz, ou como a ínfima quantidade de elementos pesados que possibilitam a vida como a conhecemos em meio a um oceano de hélio e hidrogênio, somos tão raros quanto a própria Substância. E mesmo que sejamos poucos na Terra, nos confins de nosso horizonte cósmico e além, certamente seremos muitos – tantos quanto às estrelas em meio ao infinito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da próxima vez que se angustiarem com a escuridão da noite, com a idéia do nada e da morte vindoura, lembrem-se de que também temos tantos neurônios em nosso cérebro quanto estrelas no céu, lembrem-se de tudo isso que nos lembramos, e pensamos, e sentimos, e intuímos. Lembrem-se e afirmem para si mesmos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto não é o nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada]]&lt;br /&gt;
* [[Isto não é o nada – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/11/isto-nao-e-o-nada-parte-2.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
	</entry>
</feed>