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	<title>Fernando Pessoa escreve sobre a Maçonaria - Revision history</title>
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		<title>Vinimusica at 20:10, 11 November 2010</title>
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		<updated>2010-11-11T20:10:33Z</updated>

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		<author><name>Vinimusica</name></author>
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		<title>Vinimusica: Created page with &#039;Hoje, dia 30 de Novembro, faz 73 anos da morte de Fernando Pessoa.   A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento frat…&#039;</title>
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		<updated>2010-11-01T13:42:16Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Created page with &amp;#039;Hoje, dia 30 de Novembro, faz 73 anos da morte de Fernando Pessoa.   A &lt;a href=&quot;/index.php/Ma%C3%A7onaria&quot; title=&quot;Maçonaria&quot;&gt;Maçonaria&lt;/a&gt; compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento frat…&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;New page&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;Hoje, dia 30 de Novembro, faz 73 anos da morte de Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A [[Maçonaria]] compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçônico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a [[Maçonaria]] – como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de Maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste terceiro ponto de vista, toda a [[Maçonaria]] gira, porém, em torno de uma só idéia – a “tolerância”; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama “doutrina maçônica” são opiniões individuais de Maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a [[Maçonaria]] nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos Antimaçons consiste em tentar definir o espírito maçônico em geral pelas afirmações de Maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo erro dos Antimaçons consiste em não querer ver que a [[Maçonaria]], unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afetam a [[Maçonaria]] como afetam toda a gente. A sua ação social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da [[Maçonaria]] em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas – baseadas nesta dupla confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão absolutamente erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da [[Maçonaria]]. Por esse critério – o de avaliar uma instituição pelos seus atos ocasionais porventura infelizes, ou um homem por seus lapsos ou erros ocasionais – que haveria neste mundo senão abominação? Quer o Sr. José Cabral que se avaliem os papas por Rodrigo Bórgia, assassino e incestuoso? Quer que se considere a Igreja de Roma perfeitamente definida em seu íntimo espírito pelas torturas dos Inquisidores (provenientes de um uso profano do tempo) ou pelos massacres dos albigenses e dos piemonteses? E contudo com muito mais razão se o poderia fazer, pois essas crueldades foram feitas com ordem ou com consentimento dos papas, obrigando assim, espiritualmente, a Igreja inteira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à [[Maçonaria]] em geral todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século dezoito – quando expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio Papa – pelo Maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellinton e Blucher eram ambos Maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a “Entente Cordiale”, obra do Maçom Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à [[Maçonaria]] a maior obra da literatura moderna – o “Fausto” do Maçom Goeth.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acabei de vez. Deixe o Sr. José Cabral a [[Maçonaria]] aos Maçons e aos que, embora o não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a Antimaçonaria àqueles Antimaçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja de Jerusalém.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(*) Fernando Pessoa – Este é um trecho do artigo que Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa, no 4.388 de 4 de fevereiro de 1935, contra o projeto de lei, do deputado José Cabral, proibindo o funcionamento das associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vinimusica</name></author>
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