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	<title>O que dizem os astros - Revision history</title>
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	<updated>2026-10-24T11:53:25Z</updated>
	<subtitle>Revision history for this page on the wiki</subtitle>
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		<title>Rarrais: Post do Blog</title>
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		<updated>2010-08-09T15:36:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Post do Blog&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;New page&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Image:Universum.jpg|right|thumb|250px|Universum, de [[Camille Flammarion]] ]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Nós podemos tomar o estado presente do universo como o efeito do seu passado e a causa do seu futuro. Um intelecto que, em dado momento, conhecesse todas as forças que dirigem a natureza e todas as posições de todos os itens dos quais a natureza é composta, se este intelecto também fosse vasto o suficiente para analisar essas informações, compreenderia numa única fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e os do menor átomo; para tal intelecto nada seria incerto e o futuro, assim como o passado, seria presente perante seus olhos.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto acima é de autoria de Pierre Simon Laplace – grande matemático, astrônomo e físico, conhecido como “o Newton francês” –, um ávido defensor filosófico do determinismo. Segundo algumas doutrinas religiosas, Deus criou o universo e comanda absolutamente todos os eventos – cada fio de cabelo que cai e cada estrela cadente que penetra a atmosfera terrestre são fruto de um determinismo divino sob o qual não temos nenhum controle ou escolha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua crítica a astrologia, na série de TV Cosmos, Carl Sagan afirma que ela implica num perigoso fatalismo: “se nossas vidas são governadas por um conjunto de sinais de trânsito celestes, porque tentar mudar algo?”. Ora, há muitos céticos que criticam a astrologia ou a existência de um “ditador divino”, porém a idéia do determinismo não vem apenas de fontes ditas “místicas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intelecto ao qual Laplace se referia em seu experimento mental foi batizado de Demônio de Laplace pelos seus biógrafos. Segundo a cosmologia de sua época, todas as partículas e planetas e estrelas exerciam influência gravitacional (e de outras forças) umas sobre as outras. Isso, e somente isso, poderia explicar todo o movimento dos corpos celestes e atômicos – exatamente por isso o Demônio teria em sua mente todo o passado e todo o futuro, todo o movimento do universo, como se fosse o presente. Para tal Demônio, nada que já ocorreu ou resta ocorrer será alguma novidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laplace também esteve próximo a propor o conceito de buraco negro. Ele observou que poderiam existir estrelas maciças cuja gravidade seria tão grande que nem mesmo a luz escaparia de sua superfície. Na cosmologia moderna, sabe-se que tais singularidades existem, mas ainda não se sabe se a informação que é engolida por sua gravidade se perde ou é reaproveitada em algum outro lugar do universo. Essa é uma questão fundamental, pois se alguma informação é perdida, não seria mais viável conceber uma previsão do futuro como a de seu Demônio, pois ele não disporia mais de toda a informação necessária para sua previsão (embora decerto ainda disporia de muita informação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a física quântica nos demonstrou o quão bizarro é o universo em suas partículas fundamentais. Hoje se sabe que é impossível prever o movimento (momentum) e a posição de partículas como um elétron: quanto mais se sabe sobre uma informação, menos se sabe sobre a outra. Tudo o que podemos determinar é uma probabilidade de tais partículas estarem neste ou naquele local – não podemos analisar a trajetória de uma única partícula como uma linha reta (física clássica), e sim como uma função de onda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, os neurologistas já descobriram que temos tantos neurônios no cérebro quanto estrelas em nosso horizonte cósmico. Segundo o filósofo Daniel Dennet, não existem coisas como experiências subjetivas; em vez disso ele propõe que o cérebro é um computador que possui informações de diferentes fontes com uma disposição para um comportamento particular e uma habilidade para distinguir entre estímulos diferentes. Esse é o ápice do determinismo: não apenas um determinismo divino ou a influência derradeira dos corpos celestes, mas a redução total de seres a coisas. Somos como poeira espalhada pelo vento, tudo o que fazemos, tudo o que pensamos, é determinado pelas reações químicas de partículas dentro de nossa cabeça. Eis o determinismo materialista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ante o evidente absurdo do determinismo – seja divino, astrológico ou material – tudo que posso dizer é isto: Ora, se tudo o que fazemos, todo nosso movimento e nosso pensamento, toda nossa razão e emoção, todas as nossas escolhas, são previamente determinadas, de que diabos adiantaria discutir o assunto filosoficamente? Se estaremos a discutir alguma coisa, não será por nosso livre-arbítrio (inexistente), mas sim porque fazemos parte de um teatro de fantoches... E nossa discussão, e todas as discussões, seriam apenas mais uma encenação de um Mestre dos Fantoches. Nossa angústia seria fruto do movimento dos corpos celestes. Nosso medo do futuro seria o resultado de alguma reação química em nosso cérebro. Seria o fim de toda a responsabilidade, o fim de toda liberdade, o fim da vida como algum dia foi compreendida... E isso é tudo o que tenho a dizer sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, se o livre-arbítrio de fato existe, se somos parcial ou totalmente responsáveis por nossas próprias escolhas, então a filosofia de Dennet cai por terra, o fatalismo dos astros se reduz a fantasias inapropriadas, e o Demônio de Laplace apenas mais um pretendente a Deus. Ora, se a física quântica nos demonstra que o futuro é feito de probabilidades, se as singularidades cósmicas nos deixam na dúvida se a informação é ou não perdida, me parece que o determinismo é uma ilusão... O que temos, em realidade, é um sistema. Um sistema cósmico muito bem orquestrado para que todo movimento gere outro movimento, toda ação gere outra ação, e todas as coisas e todos os seres sigam eternamente conectados em sua harmonia cósmica. Se alguém sabe do futuro de forma perfeita (como Laplace postulou), precisaria ter criado tudo o que há a partir de si mesmo, precisaria ser Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Na continuação, a sincronicidade de Jung, o Oráculo de Delfos e o porque de não precisarmos nos preocupar com a previsão do futuro...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros]]&lt;br /&gt;
* [[O que dizem os astros – Parte II]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/07/o-que-dizem-os-astros-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
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