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	<title>Reflexões sobre a consciência - Revision history</title>
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		<title>Rarrais at 18:15, 28 July 2010</title>
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		<updated>2010-07-28T18:15:29Z</updated>

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		<author><name>Rarrais</name></author>
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		<title>Rarrais: Post do Blog.</title>
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		<updated>2010-07-17T21:32:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Post do Blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;New page&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&amp;lt;em&amp;gt;Artigo original do [[Blog Textos para Reflexão]]&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Consciência: é uma qualidade da mente, considerando abranger qualificações tais como subjetividade, auto-consciência, sentiência, sapiência, e a capacidade de perceber a relação entre si e um ambiente.&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Meio segundo depois==&lt;br /&gt;
Consciência é algo que todos acreditam possuir, mas explicar com exatidão o que ela significa é um desafio que os pensadores encaram há muito tempo. Os pesquisadores modernos já se valem dos avanços da ciência e da filosofia, como o eletroencefalograma (EEG) - que capta sinais elétricos que fluem entre células do cérebro de forma não-invasiva e não-indolor, ou a noção Lockeana de que a consciência é &amp;quot;a percepção do que se passa na mente de um homem&amp;quot; - ou seja, antes de mais nada, um processo que não atua sozinho, mas depende do todo, incluindo memórias e estímulos sensoriais... No entanto tais pesquisadores ainda não chegaram na ponta do iceberg do chamado &amp;quot;problema difícil&amp;quot;: como o cérebro produz a experiência de ser consciente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos a pretensão de encontrar uma resposta final a tal pergunta num futuro muito próximo (ou mesmo distante), mas podemos começar com uma reflexão de razoável bom senso acerca do &amp;quot;processo de se estar consciente&amp;quot;: a todo segundo (de fato, a todo milésimo de segundo ou bem menos do que isso) somos bombardeados por ondas de partículas, são elas que nos trazem toda a informação que dispomos para analisar em nosso cérebro. Algumas não podem ser percebidas senão por intrumentos avançados, e serão inúteis para essa análise (ex: neutrinos - embora sejamos bombardeados por eles a todo instante)... Outras no entanto são essenciais para nossa experiência sensorial, sejam os fótons (luz) que nos permitem ver o mundo, ou a repulsão eletrostática (dos elétrons) que nos permite &amp;quot;tocar&amp;quot; em algo &amp;quot;sólido&amp;quot; e sentir alguma pressão nos dedos (ou em qualquer parte do corpo onde nossas terminações nervosas cheguem). Ao que tudo indica, nosso cérebro recebe a todo instante muito, mas muito mais informação, do que conseguimos perceber de forma consciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um de seus livros, o neurologista e pesquisador de casos extremos, Oliver Sacks, nos conta a história de um cego de nascença que através de uma cirurgia de catarata pôde enxergar (ou seja - deixar de ser cego) após já adulto, o que é algo extremamente raro mesmo nos dias atuais... Interessante que o homem vai a um zoológico e, observando um Elefante, não consegue &amp;quot;juntar suas partes&amp;quot;. Ele vê uma tromba, uma enorme pata, uma orelha se movendo, e é incapaz de fundir todas essas informações visuais de forma a compreender aquilo tudo como uma única criatura... Somente após apalpar a miniatura de um Elefante é que o homem &amp;quot;começa&amp;quot; a compreender a forma visual de um Elefante, à distância, em perspectiva, se movendo pelo espaço e não apenas pelo tempo (quando somos cegos &amp;quot;enxergamos&amp;quot; as coisas de forma cronológica e não espacial). Resumindo, Sacks nos diz que levamos em torno de 15 anos para &amp;quot;aprender a enxergar como um adulto&amp;quot;, e que não basta os olhos enviarem as informações trazidas pelos fótons ao cérebro - o cérebro precisa aprender a processar essas informações de forma a gerar uma resposta coerente a nossa consciência, e isso leva um baita tempo de acordo com Sacks.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já outro neurologista, Benjamin Libet, ajudou a ciência a chegar ao entendimento de que: (1) a consciência envole uma pequena parcela da atividade cerebral; (2) a consciência parece perceber apenas um percentual mínimo de toda a informação que chega ao cérebro por vias sensoriais; (3) o cérebro despende de um enorme esforço para &amp;quot;gerar o processo consciente&amp;quot; pois une os estímulos sensoriais do mundo externo para produzir um modelo coerente de realidade. Para chegar a tais conclusões ele antes estimulou de forma bem fraca o cérebro de pacientes, e percebeu que os estúmulos geravam &amp;quot;resposta&amp;quot; no cérebro, mas essa &amp;quot;resposta&amp;quot; não passava pela consciência - ou seja, eles não percebiam de forma alguma que estavam sendo estimulados. Ou, pode-se dizer, percebiam de forma inconsciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mais incrível, entretanto, é que descobriu-se que estímulos não-reflexivos, ou que dependiam de algum tipo de &amp;quot;resposta do inconsciente&amp;quot;, só &amp;quot;apareciam&amp;quot; para a consciência meio segundo depois... Isso mesmo, como se tudo o que escolhessemos fazer, desde mover um dedo a atravessar a rua no sinal correto, ocorresse 0,5s depois dos impulsos nervosos correspondentes bailarem pelo cérebro. Ou melhor, &amp;quot;como se fosse assim&amp;quot; não é a premissa ideal, pois hoje sabemos que sim, é assim. Interessante que estímulos reflexivos, como proteger os olhos com as mãos quando algum objeto é arremessado em sua direção, não passam pela consciência, e exatamente porisso operam em &amp;quot;tempo real&amp;quot;, sem o meio segundo de atraso... talvez por não dependerem de resposta inconsciente alguma. E, de fato, nós não podemos &amp;quot;escolher&amp;quot; proteger os olhos, nosso reflexo é incondicional - somos obrigados a proteger-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o psicólogo Bernard Baars, os processos conscientes são aqueles que estão na &amp;quot;luz dos refletores&amp;quot; da atenção mental, enquanto os demais permanecem fora dos holofotes, guardados na memória para acesso imediato. Enquanto isso, os processos incoscientes trabalham nos bastidores - mas também integram a audiência mental e portanto respondem ao que está sob os refletores. Essa metáfora de um &amp;quot;teatro mental&amp;quot; na verdade é uma teoria analisada com seriedade pela ciência atual: a teoria do espaço global de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas e qual a vantagem evolucionária de se gastar tanta energia no processo da consciência? Uma possível explicação está na noção de que a consciência é um meio de criar um modelo mental de realidade. Qualquer organismo possuidor de tal modelo pode fazer mais do que apenas reagir aos estímulos e rezar para que a resposta seja rápida o bastante para escapar dos predadores. Isso, por sua vez, sugere que indagar se um organismo é consciente pode não ser uma boa pergunta. A consciência pode apresentar gradações. Um inseto, por exemplo, apresentaria um modelo marcadamente menos sofisticado da realidade do que um humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um inseto pode precisar recorrer a respostas inconscientes somente em raras ocasiões. Na imensa maioria delas pode operar de modo reflexivo, quando nenhuma escolha além da escolha de se preservar a vida se faz necessária... Em seres que pensam, que sentem emoções como o amor e o ódio, ou que foram suficientemente perspicazes para cunhar o termo &amp;quot;moral&amp;quot;, talvez as escolhas sejam mais complexas, menos autômatas e mais indeterminadas - mas será que mesmo nesses casos o ser é livre para escolher a forma de agir?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;em&amp;gt;Isso nós discutiremos à seguir, quando falo do livre-arbítrio, uma questão fundamental de nossa existência...&amp;lt;/em&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bibliografia recomendada: &amp;quot;Um antropólogo em marte&amp;quot; de Oliver Sacks (ed. Cia das Letras); &amp;quot;25 Grandes Idéias - como a ciência está transformando nosso mundo&amp;quot; de Robert Matthews (ed. Zahar). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Post Completo==&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência – Parte II]]&lt;br /&gt;
* [[Reflexões sobre a consciência – Parte III]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Links Externos==&lt;br /&gt;
* [http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/04/reflexoes-sobre-consciencia-parte-1.html] - Post original no Blog Textos para Reflexão&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[category:Blogs]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Rarrais</name></author>
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