O Julgamento (Tarot)

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Tarot de Rider-Waite
Posição na Árvore da Vida

A imagem da ressurreição dos mortos simboliza a passagem de um estágio a outro – geralmente mais positivo. No plano afetivo, acena com a perspectiva de recomeço, perdão e redenção. Tem correlação com a letra hebraica Shin.

Simbologia

Na parte superior da carta, rodeado de nuvens, um anjo toca uma trombeta. Na parte inferior, três personagens nus – um dos quais, o do centro, está de costas – parecem estar em atitude de oração. Uma terra árida se estende por trás deles.

O personagem que está de costas emerge de uma espécie de sarcófago; seus cabelos são azuis e tem uma tonsura. Dos seus lados, visíveis somente até a cintura e representados de três quartos, os dois personagens restantes – uma mulher à esquerda e um homem com barba, à direita – parecem olhar para a figura do centro. Têm as mãos juntas, como numa prece.

Sobre um céu incolor, o anjo está rodeado de um circulo de nuvens azuis, das quais saem vinte raios: dez são amarelos; os outros dez, vermelhos. De suas vestes vê-se apenas um corpete branco e umas mangas azuis (ou vermelhas, em algunas versões). Segura a trombeta com a mão direita, que está próxima da boca; a esquerda apenas a toca, segurando um retângulo com uma cruz.

Palavras-chave

Os julgamentos essenciais, a avaliação dos rumos da existência. O despertar. Exame de consciência. Sopro redentor. Renovação. A promessa da vida eterna. Entusiasmo, exaltação emocional, intensidade dos sentimentos, espiritualidade. Capacidades ocultas, dom de adivinhação. Atos prodigiosos, medicina milagrosa. Santidade, doação. Renovação, nascimento, retorno de assuntos do passado ou sua atualização. Recados, propaganda, proselitismo, apostolado. Estar sujeito à avaliação de outros, ser julgado por suas ações.

  • Mental: O homem convocado a um estado superior; tendências e desejos de elevação.
  • Emocional: Devoção, exame de consciência.
  • Físico: Estabilidade nos assuntos que estão encaminhados. Saúde e equilíbrio.
  • Sentido negativo: Erro em relação a si mesmo e a todas as coisas; provas e trabalhos que resultarão de um juízo falso. Vacilação espiritual, ofuscamento da inteligência. Bobo evocador de fantasmas. Ruído, alvoroço, agitação inútil.

História e iconografia

As gravuras cristãs, em geral, mostram duas idéias diferentes de ressurreição. A primeira é a dos Evangelhos e se refere aos fenômenos produzidos no momento da morte de Jesus:

“Abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram, e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mateus, 28, 52-53).

Um exemplo desta versão pode ser visto numa miniatura do século XII. “A terra recebeu ordem de devolver os seus mortos”, diz a legenda que a acompanha. A ilustração, ao lado, oferece idéia similar.

A segunda, mais amplamente difundida, é a do Juízo Final. Sobre ela escreveram Mateus (25, 31-46) e, com maior detalhe, João (Apocalipse, 20, 12).

Os artistas que se inspiraram nesta última versão se viram obrigados a selecionar, cada um à sua maneira, dentre a profusão de símbolos e alegorias verbais evocados por João para narrar esta cena.

As primeiras representações do Juízo Final remontam ao ano mil, aproximadamente, mas alcançaram a perfeição nos séculos XII e XIII, nas catedrais. Conhece-se apenas um exemplo anterior a estas datas: trata-se de um baixo-relevo em marfim (Tours, c. 800).

Em todas essas imagens, os mortos surgem inteiramente nus dos seus túmulos, o que seguramente foi tomado de fontes tradicionais (o Livro de Jó; a carta de São Columban a Hunaldus – ano 615; o opúsculo Desprezo do Mundo, de Inocêncio III – cerca de 1200).

Uma tradição popular, surgida nesta mesma época, acredita que os mortos surgiriam de seus túmulos como esqueletos, mas que se revestiriam então da carne e da pele perdidas assim que tomassem contato com a luz.

A presença dos ressuscitados, bem como o anjo com a trombeta que parece convocá-los, remetem claramente o arcano XX do Tarô a essas imagens do Juízo Final; até a bandeirola da trombeta, que reproduz uma cruz-de-malta, é freqüente nos modelos em que a carta provavelmente se inspirou.

Num sentido geral, o simbolismo do Arcano XX refere-se à morte da alma, ao esquecimento da sua finalidade transcendente, no qual o homem pode cair: o sarcófago ou túmulo representaria as fraquezas e apetites carnais, e o anjo com a trombeta faz a convocação do espírito: a oportunidade pela qual desperta o anseio latente de ressurreição que se supõe adormecido em todo ser humano.

Para Oswald Wirth, o trio de ressuscitados representa a família essencial (Pai-Mãe-Filho) no momento de sua regeneração, e o último dos seus termos (o Filho) representa uma nova metamorfose do protagonista do caminho iniciático.

Quando se admite que o tarot constitui uma alegoria da Iniciação, é possível reconhecer o Prestidigitador-Enamorado-Carro-Enforcado no homem nu do túmulo, “pronto para receber o Magistério”.

Variações

  • Alguns Tarots relacionam o Julgamento à letra Resh.

Links Externos

  • [1] - Texto de Constantino K. Riemma.

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